sábado, 11 de abril de 2020

Com programação prejudicada, Record devia rever formatos


Com o naufrágio da nova programação dominical, somada à paralisação das produções de TV em razão da pandemia de coronavírus, a Record se viu em maus lençóis. Entre as últimas providências, a emissora moveu o The Four de volta para as quartas-feiras, enquanto transformou o Made in Japão. O misto de reality e game show comandado por Sabrina Sato, que deveria ser o carro-chefe do agora extinto Domingo Show, se tornará uma atração solo, exibida nas noites de sábado a partir de maio.

A transformação não deve acarretar grandes mudanças. Afinal, o quadro já era um “programa dentro do programa”. Com cenários, dinâmica e ritmos próprios, Made in Japão sempre teve todas as condições de segurar um horário sozinho. A atração reúne “famosos” numa casa cheia de referências ao Japão. Além de conviverem por ali, eles ainda precisam passar por provas um tanto malucas e non sense, games típicos da TV japonesa. Para quem gosta de um game show com tombos e meleca, é um prato cheio.

E, curiosamente, Sabrina Sato combina bastante com a apresentação do game. Não apenas por ser oriental, claro, mas também porque é tudo tão absurdo, no melhor sentido da palavra, que Sabrina se diverte em cena. E Sabrina, como sabemos, é uma figura muito marcada pelo humor. Ela não tem filtros, cai na risada e tira sarro dos participantes o tempo todo.

Tempos atrás, quando a Record anunciou a extinção do Programa da Sabrina, chegamos a questionar se Sabrina conseguiria se enquadrar naquela estratégia da emissora de transformar apresentadores em mestres de cerimônias de formatos. Naquela época, a Record já tinha feito isso com Xuxa Meneghel, o saudoso Gugu Liberato e Marcos Mion. Sabrina seria a próxima, mas gerava desconfiança, tendo em vista que um formato poderia minar sua conhecida espontaneidade. Eis que, com o Made in Japão, a Record parece ter conseguido um formato adequado para sua estrela. Funcionou.

No entanto, por mais que Made in Japão combine com o jeitão de Sabrina, ainda não sabemos se a atração vai funcionar nas noites de sábado. Nas tardes de domingo, como se viu, não deu certo. Será que, num novo horário, o formato conseguirá atrair um público maior? De repente, com a parca produção inédita que a TV aberta exibe atualmente, por conta da pandemia, Made in Japão pode ter uma vantagem. Além disso, Legendários, que a Record vai reprisar a partir de hoje, 11, fez sucesso no horário com games non sense. Pode ser que Sabrina reencontre este público. Vamos ver.

Mas, independentemente dos resultados que o Made in Japão venha a alcançar, é fato que a Record devia rever esta política de formatos importados. Porque, vamos combinar, a maioria deles não emplacou. Dancing Brasil, Top Chef, Canta Comigo e The Four têm desempenhos de mediano a fraco. Recentemente, a emissora exibiu Hair, reality sobre cabelos, dentro do Hoje Em Dia, e também nas noites de sábado. Passou em brancas nuvens. Power Couple, apesar de não ser um fracasso, também não chega a virar mania. Apenas A Fazenda e Troca de Esposas parecem alcançar resultados mais expressivos.

Recentemente, em sua coluna no UOL, Flavio Ricco chegou a fazer uma provocação, de que a Record devia criar mais e apostar menos em formatos. E o colunista tem toda razão. Diz-se muito que apostar em formatos é mais seguro, já que se trata de uma produção fechada, praticamente pronta. Ou seja, quase a prova de erros. Mas, se considerarmos os resultados práticos desta aposta, desde que a emissora trocou programas de variedades por formatos importados, que há mais erros que acertos.

Neste contexto, os resultados de Made in Japão como programa-solo podem ser determinantes no sentido de fazer a emissora repensar esta estratégia. Afinal, quanto tempo mais a direção da Record vai investir fortunas em produções suntuosas como estas, mas incapazes de despertar o interesse do próprio público do canal? As saídas são duas: ou melhoram a “curadoria” quando forem escolher os formatos a comprar; ou comecem a ter ideias eles mesmos. Continuar do jeito que está é dar murro em ponta de faca.

André Santana

8 comentários:

  1. Eu concordo que o Made in Japão seja um formato mais adequado ao perfil da Sabrina, ela segue um roteiro mas sem deixar de ser espontânea. Sobre as noites de sábado da Record, me ocorreu uma coisa: na época que o Legendários ia ao ar nesse dia, lembro que a Record tinha uma média de audiência entre 6 e 7 pontos. Tiraram o programa do ar por conta da baixa audiência, já que havia perdido terreno pro Sabadão do SBT e,hoje, a Record marca a metade do que alcançava com Marcos Mion. Dá pra entender???

    Uma vez o Ricardo Feltrin disse em sua coluna que a Record possui os melhores talent e reality shows da TV, o que concordo, porém, não conseguia explicar o porquê de os formatos não caírem na graça da audiência. O que você acha, André?

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    1. Mister Ed, você foi no ponto! A Record tinha uma programação de sábado muito consolidada, sobretudo com O Melhor do Brasil e o Legendários. Foram mexer e a coisa desandou. Uma grande burrice! Sobre sua pergunta, é difícil dizer com certeza, mas eu tenho um palpite, que eu já disse aqui em outras oportunidades: os talent shows da Record são bons, sim, mas todos são muito parecidos uns com os outros. Eles mexeram tanto no formato do Power Couple, que ele ficou parecido com A Fazenda. Ou seja, exibir os dois no mesmo ano, ao meu ver, seria como a Globo fazer dois BBB's por ano. Quanto aos demais, são todos variações de formatos exibidos pela própria Record e pela concorrência. Culinária e canto, basicamente. Então eu acredito que estes formatos todos, embora sejam bons, soam repetitivos, e o público já não tem mais paciência. Tanto que o único formato da Record que tem funcionado é Troca de Esposas, que é, também, o único que não tem formato similar nem na Record e nem na concorrência. Acho que é por aí.

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    2. Entendo e concordo com você. Essa similaridade também se aplica aos programas de auditório né? Quando iam ao ar o Programa da Sabrina, Domingo Show com Geraldo Luís e Hora do Faro, a sensação é que de assistia-se ao mesmo show com apresentadores diferentes, pois quase nada mudava.

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  2. Olá, tudo bem? A Record desmontou a grade de programação no fim de semana. Destruíram o Legendários, enfraqueceram o Programa da Sabrina, menosprezaram o Domino Show com o Geraldo Luis, tiraram O Melhor do Brasil do sábado... A conta vem...Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Porque a TV e refém de programas de auditório prefiro muito mais séries e documentários ou no máximo um programa tipo fantástico o resto eu passo

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    2. Oi Fabio! Tem toda razão! Há alguns anos, a programação de sábado da Record era muito forte. Deixava o SBT comendo poeira e incomodava a Globo. A emissora mexeu tanto que destruiu tudo. Abraço!

      Miguel, os programas de auditório, hoje, estão praticamente extintos. O que existem são programas COM auditório. O que impera hoje são formatos, inclusive nestes COM auditório. Caldeirão do Huck e Eliana são os principais exemplos disso.

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  3. Os formatos na Record já chegam com cara de coisa vencida; não entendo como a emissora mantém dois programas de música por ano (The Four e Canta Comigo), além daquela cópia constrangedora do MasterChef; o programa da Globo de culinária é semelhante também, mas pelo menos tenta se diferenciar um pouco mais.
    Acaba que os únicos programas de formato da Record que obtém alguma repercussão são os de "barracos" e confinamento, mas em volume muito menor que o Big Brother (não sou fã de nenhum deles, apenas percebo a repercussão geral).

    Sobre a Record investir em algo próprio é aquilo que sempre dissemos; com o controle criativo partindo da Igreja e o ranço sensacionalista e de violência, não dá para esperar boa coisa do canal nesse sentido, salvo raríssimas exceções.

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    1. Concordo com você, Alexandre! Este ano, inclusive, eles tinham planos de um reality "original", o A Ilha. Mas, pelo que disseram, era mais uma variação de A Fazenda. Assim, não adianta, né?

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