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Coração Acelerado: Globo recorre a "Cheias de Charme do sertanejo" para popularizar faixa das sete

João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz) em Coração Acelerado
João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz) em Coração Acelerado (Manoella Mello/Globo)

Tentando conter a fuga de público para o digital, sobretudo no horário nobre, a Globo tem apostado fundo em tramas aparentemente a prova de erros. Às nove, tratou de promover o retorno de um autor medalhão da faixa, enquanto às seis apostou na sequência da novela de maior êxito do horário na década passada. Já às sete, ao que parece, a ideia é seguir apostando em tramas populares.

Neste contexto, Coração Acelerado parece que foi concebida sob medida para agradar tanto ao público quanto o mercado publicitário - o que não é nenhum demérito, diga-se, esse é o objetivo de qualquer empresa de televisão. A trama de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento coloca a música sertaneja no centro do enredo, temática capaz de atrair a atenção do público e das marcas que patrocinam grandes festivais.

Ritmo mais popular do Brasil, o sertanejo está presente nas rádios, nos grandes festivais e na playlist de boa parte do público. Assim, Coração Acelerado busca agradar a este público ao contar a história de Agrado (Isadora Cruz) e Eduarda (Gabz), que formarão uma dupla de sucesso, e a saga de João Raul (Filipe Bragança), artista obrigado a emplacar hits enquanto sonha em dar novo rumo à carreira.

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Cheias de Charme do sertanejo

A princípio, Coração Acelerado repete elementos de Cheias de Charme, grande sucesso das 19h da década de 2010 e também assinada por Izabel de Oliveira, em parceria com Filipe Miguez. A saga das Empreguetes tinha os bastidores do universo da música como pano de fundo, muito calcada em tecnobrega, estilo que estava em alta naquele momento.

A maior diferença é que Cheias de Charme tinha um tom nonsense elevado, o que era traduzido na vilã Chayene (Claudia Abreu), praticamente uma bruxa de história em quadrinhos. Já Coração Acelerado tem um toque de dramalhão mais acentuado, sobretudo na intrincada relação familiar de Janete (Letícia Spiller), a mãe de Agrado. A personagem é a protagonista madura da produção e rivaliza com a irmã Zilá (Leandra Leal), a grande vilã, tipo que também tem momentos de humor, mas não chega a ser tão colorida quanto Chayene.

Ao mesmo tempo, a história de João Raul lembra o embate entre Guilherme Santiago (Vladimir Brichta) e Léo Regis (Rafael Vitti) em Rock Story (2016). A trama musical, vale lembrar, foi criada e escrita por Maria Helena Nascimento, que se uniu a Izabel de Oliveira em Coração Acelerado.

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Primeira semana irregular

Coração Acelerado gira em torno de Agrado, que vive na estrada com a mãe Janete e não desconfia dos mistérios do passado da mãe. Mas, quando Janete precisa voltar a Bom Retorno, as histórias do passado vêm à tona e mudam tudo. Ao mesmo tempo, Agrado tenta emplacar como cantora sertaneja.

Enquanto folhetim, Coração Acelerado revelou uma trama interessante, com bons dramas. No entanto, a música, que deveria ser pano de fundo, ocupou um grande espaço, o que deixou a história aborrecida em alguns momentos. O primeiro capítulo, que mostrava a cantoria de Agrado e João Raul crianças, perdeu tempo demais com tais apresentações. Parecia programa do Raul Gil.

Talvez por isso, a audiência não correspondeu positivamente. Mesmo com a história atrativa, Coração Acelerado derrubou os números satisfatórios deixados por Dona de Mim, sua antecessora. Ou seja, apesar da trama aparentemente à prova de erros, Coração Acelerado terá que dizer a que veio e pode ter uma trajetória complicada pela frente.

Até porque a música sozinha não segura a novela. O foco deve ser na narrativa, já que boa parte do público do horário não parece muito interessado em ouvir sertanejo o tempo todo. Não foi a música que segurou Cheias de Charme e Rock Story. A plateia é bem mais ampla que a de um show sertanejo.

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Bom retorno

Ao mesmo tempo, Coração Acelerado tem o trunfo de promover retornos de artistas que andavam sumidos dos folhetins. É o caso de Letícia Spiller, madura como Janete, e Leandra Leal, bastante segura como a grande vilã. Daniel de Oliveira, bom ator, também estava longe dos folhetins tradicionais havia anos e é bom vê-lo como Alaorzinho.

Outro retorno interessante é Isabelle Drummond, longe das novelas desde Verão 90 (2019). A atriz está ótima como a “patricinha agro” Nayane, rival de Agrado. Enquanto isso, Isadora Cruz vem emendando novelas, mas é fato que a atriz consegue diferenciar bem seus tipos. Agrado em nada lembra Roxelle, de Volta por Cima (2024), e Rosa, de Guerreiros do Sol (2025).

Havia um rumor de que Nicolas Prattes estava cotado para viver o mocinho João Raul, o que seria um erro. Nicolas é bom ator, mas vem emendando trabalhos e se repetindo. Filipe Bragança, o escolhido, se revelou uma seleção acertada, já que se trata de um bom ator, mas um rosto menos óbvio.

Coração Acelerado teve uma primeira semana irregular, mas mostrou potencial. Vamos ver se consegue reverter os resultados fracos apresentados até aqui e se a história de Agrado vai, de fato, agradar ao público.

André Santana

18/01/2026

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