sábado, 6 de março de 2021

Enquanto não estreia no horário nobre, Lícia Manzo brilha às seis com "A Vida da Gente"

Os fãs de novelas que valorizam o texto, os diálogos bem construídos e os dramas psicológicos encontraram em Lícia Manzo um bálsamo. A autora, apesar de ter apenas duas novelas como titular no horário das seis, conquistou corações e deixou claro que tem um estilo muito próprio, com novelas que valorizam as relações humanas e as conversas francas. A Vida da Gente (2011) e Sete Vidas (2015) foram duas das melhores novelas da década passada.

Nenhuma delas foi fenômeno de audiência, embora também estejam longe de serem fracassos. Mas as duas foram extremamente bem recebidas pela crítica especializada, e até pelo mercado internacional, além de terem alcançado fãs ardorosos (grupo no qual se inclui este pequeno jornalista que vos escreve). A Vida da Gente, em pouco tempo, se tornou uma das novelas mais exportadas da Globo, levando para o mundo o texto sensível da autora.

Estes feitos credenciaram Lícia Manzo a se tornar um nome festejado dentre os novos novelistas revelados pela Globo nos últimos dez anos. Entretanto, a trajetória da autora é bastante marcada por reveses, cancelamentos e adiamentos. Tanto que emplacou “apenas” duas novelas em dez anos, enquanto vários de seus colegas permaneceram no ar por anos a fio. Lícia viu duas novelas das onze serem adaptadas ou canceladas, e também viu uma minissérie ser engavetada. Por outro lado, foi alçada ao horário nobre, confirmada na concorrida faixa das 21 horas.

Quando parecia que ela, finalmente, conquistaria o espaço que tanto merecia, veio a pandemia da covid-19. Com o fechamento dos estúdios e a escalação de reprises para ocupar os horários de novelas, Lícia viu sua estreia às 21 horas ser adiada constantemente. Em março do ano passado, antes da declaração da pandemia, Amor de Mãe começava a decolar em sua reta final, e Um Lugar ao Sol, trama de Lícia, já estava em gravações para substitui-la entre abril e maio. A pandemia suspendeu as gravações das duas produções.

No segundo semestre do ano passado, os trabalhos foram retomados. Amor de Mãe teve seus últimos capítulos gravados, que serão exibidos a partir do próximo dia 15 de março, e Um Lugar ao Sol voltou a ser gravada já dentro dos protocolos de segurança. A expectativa na Globo era que a novela pudesse estrear em abril de 2021, ao fim de Amor de Mãe. Ou seja, exatamente um ano depois da previsão inicial. Mas, com o agravamento da pandemia no país, uma nova pausa se fez necessária. E Um Lugar ao Sol foi novamente adiada. Uma reprise de Império substituirá Amor de Mãe em abril.

Obviamente, são cuidados que se fazem necessário. O momento é crítico e qualquer tentativa de fazer com que menos pessoas circulem pelas ruas é válida. Sendo assim, a Globo toma uma decisão correta e bastante responsável. E o noveleiro ávido pela estreia de Lícia Manzo no horário nobre precisa segurar mais um pouco a ansiedade. Prudência é a palavra. Esperemos, então, e nos cuidemos.

E há um consolo no ar: A Vida da Gente ganhou uma edição especial às seis nesta semana. Com o atraso nas gravações de Nos Tempos do Imperador, próxima novela inédita do horário, a emissora optou por uma nova reprise. E escolheu justamente A Vida da Gente, uma grande novela, que mostrou ao grande público a habilidade de Lícia Manzo na condução de grandes dramas humanos, no melhor sentido da palavra. Enquanto não vemos Um Lugar ao Sol, ao menos temos o belo texto da autora em outro horário, numa novela acima da média.

A Vida da Gente é uma novela deliciosa. A saga das irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano) é de uma beleza difícil de se traduzir em palavras. Além disso, a novela tem uma das melhores performances de Ana Beatriz Nogueira (Eva), Maria Eduarda de Carvalho (Nanda) e tantos grandes nomes. É o melhor momento de Fernanda Vasconcellos, que vinha de uma série de mocinhas fracas. Marjorie Estiano brilha! E Nicette Bruno, como a doce avó Iná... o que é aquela atriz? Revê-la em um de seus melhores papéis pouco tempo após perdê-la para esta doença terrível é uma oportunidade de ouro.

Já que vivemos tempos tão terríveis, ao menos tempos boas opções na TV aberta atualmente. Rever A Vida da Gente e reencontrar Amor de Mãe neste contexto ajuda a nos manter um tanto mais serenos neste momento tão grave e desesperançoso.

André Santana

quinta-feira, 4 de março de 2021

"Se Joga" volta ao ar com formato de "Vídeo Show"

A Globo não quis assumir o erro e cancelar de uma vez por todas o Se Joga. Para não jogar a toalha, o canal tratou de fazer uma reformulação na atração, que passa a ser semanal a partir deste sábado, 06, e com um formato totalmente alterado. E as “novidades” anunciadas deixam bem claro que o programa que está voltando não é o Se Joga, e sim o Vídeo Show.

De acordo com o comunicado distribuído pela Globo, a proposta do novo Se Joga é fazer um apanhado de tudo o que aconteceu durante a semana na TV, nas artes e no mundo das celebridades. O programa também vai trazer matérias de bastidores, curiosidades da TV e relembrar momentos históricos da telinha. Ah, e vai exibir também erros de gravação. Parece familiar?

Do Se Joga mesmo, só as presenças de Fernanda Gentil e Érico Brás. Ela segue como apresentadora do programa, enquanto ele assume as funções de repórter, realizando entrevistas com famosos. Além de Brás, o programa terá a presença de Cauê Fabiano e Juliane Massaoka, que devem mostrar os bastidores dos programas da Globo, enquanto Tati Machado comentará o mundo das redes sociais no quadro do G Show. Ah, o BBB também pautará a atração.

Ou seja, na prática, a emissora está fazendo um Vídeo Show semanal com o comando de Fernanda Gentil. O que não é ruim. Sempre defendemos aqui que o Vídeo Show estava esgotado como programa diário, mas que ainda renderia um semanal bacana. Além disso, faltava ao programa um apresentador que pudesse lhe dar uma cara, e Fernanda tem todas as condições para isso. Em suma, é uma ideia que tem boas condições de dar certo.

Claro, seria melhor ainda se o nome Vídeo Show fosse novamente adotado. Porque é isso que esse programa é: o Vídeo Show. Manter o título Se Joga vai apenas colar um selo de fiasco e ranço no programa que, na prática, está estreando. Foi um título desgastado por conta da execução ruim da primeira versão, e o público pode acreditar que é o mesmo Se Joga ruim que está voltando. E não é.

Ainda assim, eu gosto da ideia. Sempre defendi um Vídeo Show semanal. Mas se a Globo não quis encampar a ideia de resgatar o título clássico, só o fato de resgatar o formato já me parece interessante. O desafio será apagar a impressão ruim deixada pela primeira versão do Se Joga e embarcar neste como se fosse uma novidade. Ou como se fosse o Vídeo Show. Torço pra que dê certo!

Ah, vale lembrar ainda que o novo Se Joga já tem exibição garantida até dezembro. Ou seja, acabou o rodízio de formatos nas tardes de sábado. Isso pode significar o fim definitivo do Simples Assim. Como se sabe, Angélica vem fazendo projetos com contrato por obra no Grupo Globo. Sendo assim, neste momento ela não tem compromisso com canal nenhum. Qual será o próximo passo da loira?

André Santana

terça-feira, 2 de março de 2021

Um ano depois, Adriane Galisteu finalmente fecha com a Record

Mais ou menos nesta mesma época do ano passado, a imprensa dava como certa a contratação de Adriane Galisteu pela Record. Segundo vários sites, a apresentadora já estava apalavrada com o canal, faltando apenas a assinatura do contrato para oficializar seu nome à frente do Power Couple. À Adriane caberia a missão de suceder Gugu Liberato no comando do reality de casais.

Porém, antes mesmo que o contrato pudesse ser fechado, veio a pandemia e a incerteza sobre o início da produção da edição 2020 do Power Couple. Daí, em seguida, veio o cancelamento da temporada, e Adriane ficou em compasso de espera. Mas seu nome sempre seguiu como o favorito para comandar a atração. Tanto que, um ano depois, a apresentadora e a emissora finalmente anunciaram o acordo.

Com isso, Adriane volta à casa onde fez o melhor programa de sua carreira como animadora. É Show, exibido entre 2000 e 2004, era um programa de auditório vibrante, com entrevistas e atrações musicais, sempre comandados com muita energia por uma inspirada Adriane. O passo em falso da apresentadora foi ter atendido ao chamado do SBT, justamente no momento em que a Record começava a decolar. Charme, seu programa nos domínios de Silvio Santos, foi um período de triste lembrança e ajudou a enterrar a carreira de apresentadora da artista.

De lá para cá, Adriane sempre foi vista em formatos que pareciam menores do que ela. Passou pela Band, onde esteve no Toda Sexta, Projeto Fashion, Muito + e Quem Quer Casar com Meu Filho?. Aventurou-se pela web, substituiu João Dória na BandNews, e até voltou a atuar em O Tempo Não Para, na Globo. Trabalhos que pareciam aquém de sua capacidade. Adriane, desenvolta e com excelente presença de palco, sempre foi sim uma boa apresentadora.

Por estas e outras, a Record acerta ao trazê-la de volta. Neste momento em que faltam bons apresentadores no cast da emissora, Adriane Galisteu surge como um belo e necessário reforço. Além disso, será interessante ver uma mulher à frente de um reality de confinamento como o Power Couple. Acredito que ela terá um belo desempenho à frente da atração. Aguardemos maio, que é o mês previsto para a estreia do programa.

André Santana

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Reprise de "Flor do Caribe" revelou-se um acerto da Globo

Quando foi exibida originalmente, em 2013, Flor do Caribe registrou uma audiência satisfatória. Mas não foi uma trama arrebatadora, daquelas que conquistam corações. Por isso, pensar numa reprise da novela de Walther Negrão parecia algo improvável. Tanto que não foi uma escolha óbvia neste contexto em que a Globo tem reapresentado novelas em razão da pandemia.

No entanto, seu retorno acabou fazendo sentido neste momento. Apesar de não ser um clássico, a reprise de Flor do Caribe aconteceu no timing certo. A trama voltou ao ar num momento em que pôde ser apreciada por um novo público e mostrou que é a melhor dentre as últimas novelas assinadas por Negrão.

Nos últimos 20 anos, o veterano brindou seu conhecido público das seis com novelas sem grande expressão, como Como Uma Onda (2004), Desejo Proibido (2007, e que eu, particularmente, gosto muito!), Araguaia (2010) ou Sol Nascente (2015). Por isso, Flor do Caribe se colocou como uma novela mais bem resolvida em meio a esta galeria.

Na novela, o autor revisita vários de seus enredos clássicos, como o vilão apaixonado pela mocinha, ou o mocinho que fica longe por sete anos. Também repete as paisagens praianas que fizeram história em seus folhetins mais antológicos, como Tropicaliente (1994). Com isso, conseguiu temperar sua história com um romance eficiente e belas paisagens.

Além disso, Flor do Caribe apresentou uma agilidade narrativa que não era muito comum nas tramas anteriores do autor. Os reveses de Cassiano (Henri Castelli), Alberto (Igor Rickli) e Ester (Grazi Massafera) eram desenrolados com rapidez, dando espaço a novas situações. Isso fez a novela andar em alta temperatura por muitos capítulos.

Porém, tal agilidade também teve um efeito colateral, que foi a resolução de tramas importantes ainda antes do fim da história. Em suas semanas finais, havia pouco o que se resolver dentro do enredo, e sequências sem grande importância ocuparam um tempo de tela desnecessário.

Outro mérito de Flor do Caribe foi a abordagem do nazismo. A rivalidade entre Samuel (Juca de Oliveira) e Dionísio (Sergio Mamberti) deu algum aprofundamento à trama, sempre dentro dos limites impostos para uma novela das seis. Mesmo assim, foi possível se compadecer da dor de Samuel, compreender a sana do vilão Dionísio e buscar um resgate histórico importante.

Tudo isso com um tempero leve, com tramas bem armadas e imagens deslumbrantes, que foram realçadas pela mão de Jayme Monjardim, um craque em fazer de suas cenas grandes obras de arte. Por isso, Flor do Caribe não era uma novela que necessariamente queríamos ver de novo... mas ver de novo acabou se revelando uma boa experiência.

André Santana

Matinal com Patrícia Abravanel tem cheiro de fiasco

O SBT sempre teve planos de investir num matinal de variedades, reivindicação antiga do departamento comercial da emissora. Uma ideia que faz sentido neste ponto de vista, comercial, já que o formato costuma atrair anunciantes e trazer dinheiro ao caixa da emissora, coisa que o Bom Dia & Cia não traz. Mas o projeto sempre esbarrou justamente na tradição do canal de exibir desenhos, que não lucra, porém tem boa audiência.

Provavelmente, a atual crise fez Silvio Santos mudar de ideia e aprovar o projeto de Vem pra Cá, revista eletrônica que deve estrear em março na emissora. Mas o dono do canal vetou as contratações de Ticiana Villas Boas e Ivan Moré, apresentadores que gravaram o piloto, e escalou Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano para a missão. A substituição é uma medida de economia, já que Patrícia e Gabriel já são contratados do canal, e a filha número pim está atualmente sem projeto.

Toda esta movimentação faz com que Vem pra Cá já nasça com jeitão de fiasco. Só o fato de o SBT investir numa revista eletrônica já é algo a se contestar, tendo em vista que não é o tipo de atração que o público da emissora quer. Tentativas já foram feitas, com o Falando Francamente e o Olha Você, que não emplacaram. Este último, aliás, foi um grande fiasco.

Ou seja, mesmo que seja algo muito bem produzido, são grandes as chances de o programa não conquistar uma boa audiência e derrubar os números do SBT em seu horário de exibição. E a coisa pode piorar se levarmos em consideração que Patrícia Abravanel não tem qualquer experiência num programa ao vivo nestes moldes. Pode causar uma estranheza muito grande.

Ticiana Villas Boas parecia uma aposta mais segura. Não apenas porque ela tem experiência no ao vivo, já que veio do jornalismo, mas também porque a apresentadora, por razões óbvias, já vem com anunciantes de peso garantidos. Ou seja, se a ideia era faturar, Ticiana seria uma excelente solução. Vamos ver o que acontece.

André Santana


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Globo anuncia temporada de "No Limite" com ex-BBB's

A Globo surpreendeu a “internet” ao divulgar em suas redes sociais o seu mais novo reality show. Trata-se de uma nova temporada de No Limite, reality de aventura que fez muito sucesso no início da década de 2000. A novidade da vez é que a emissora pretende colocar ex-participantes do Big Brother Brasil na competição que exige preparo físico e mental.

O anúncio já está rolando nas redes oficiais da Globo, mas ainda não há outras informações sobre o projeto. Mas a notícia vai ao encontro das informações de bastidores que diziam que Marcos Mion estava prestes a assinar com o canal justamente para assumir o revival de No Limite. Se o revival acaba de ser confirmado, deve ser questão de tempo para que Mion também seja anunciado no comando.

A ideia é bem interessante. Colocar ex-BBB's em No Limite pode engajar os fãs do reality de confinamento. Além disso, voltar com o No Limite sempre gera expectativas, já que é um ótimo programa, mas que acabou abandonado em razão da rápida perda de interesse do público. E o formato parece combinar bem com Marcos Mion, que, se confirmado, será uma excelente aquisição para a Globo. Enfim, tem tudo para dar certo!

No Limite foi o primeiro reality show da TV aberta no Brasil. Versão brasileira de Survivor, a atração teve três primeiras temporadas exibidas entre 2000 e 2001, apresentadas por Zeca Camargo, com episódios que iam ao ar aos domingos, após o Fantástico. No programa, os participantes eram deixados num lugar ermo, onde participavam de provas radicais que valiam comida e outros prêmios. Ou seja, a comida era pouca e o perrengue era muito. No início do jogo, os participantes eram divididos em dois times e participavam de competições. O time perdedor tinha que participar de uma votação e eliminar um membro, que deixava o programa.

A primeira temporada foi um verdadeiro fenômeno de audiência e repercussão. Já a segunda temporada teve recepção mais morna. E a terceira temporada bateu de frente com a primeira leva de Casa dos Artistas, do SBT, o que a fez passar quase despercebida.

Houve uma tentativa de retomar o No Limite em 2009, quando foi ao ar a quarta temporada. Foi uma temporada diferente, já que a direção da Globo entendeu que, após anos de BBB, o público não aceitaria um reality no qual não pudesse votar em quem fica e quem sai. Nas edições anteriores do No Limite, o público não interagia, e eram os próprios participantes que votavam em quem devia sair. Assim, nesta quarta temporada, a competição foi ao ar em tempo real, com Zeca Camargo entrando ao vivo para que o público definisse os eliminados. Outra diferença é que este novo No Limite ia ao ar duas vezes por semana, às quintas e aos domingos.

Esta edição não chegou a ser um fiasco, mas não repetiu o mesmo sucesso da primeira. E colocar o público para escolher quem sai pareceu injusto, já que o No Limite, antes, testava o desempenho do participante. Já o público tem critérios variados, e não necessariamente vota no melhor, e sim no mais carismático. Isso não parece fazer muito sentido dentro de um reality que busca testar a sobrevivência.

Mesmo com o desempenho mediano, a Globo chegou a confirmar uma quinta temporada de No Limite em 2010. Porém, depois voltou atrás e preferiu apostar numa nova temporada de Hipertensão. Apresentado por Glenda Koslowiski, Hipertensão "juntava" No Limite com BBB, já que colocava seus competidores em provas "radicais" e grande esforço físico, mas também explorava a convivência entre eles, que dividiam uma casa. O resultado também foi mediano e o canal abandonou o formato.

É pouco provável que no novo No Limite a emissora abra mão de promover a interação do público, já que engajamento é a palavra da vez. Vamos ver como será.

André Santana

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Ana Maria Braga relança seu "Mais Você"

Praticamente um ano depois de apresentar o último Mais Você da “Casa de Cristal”, nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, Ana Maria Braga voltará aos estúdios da emissora. Mas, desta vez, em São Paulo, onde gravou de 1999 a 2007. O matinal ganha um novo cenário a partir desta segunda-feira, 22. E, pelas fotos que vazaram nas redes sociais, ficou um espaço muito bonito.

O Mais Você deixou o Rio de Janeiro com o início da pandemia, quando os diários de entretenimento da Globo foram suspensos. Quando retornou, inicialmente como quadro do Encontro, passou a ser apresentado direto da casa de Ana Maria. Mais adiante, voltou a ser um programa solo. Neste meio tempo, Ana perdeu o companheiro Tom Veiga, e precisou reinventar seu programa de várias maneiras.

Com criatividade e a ajuda da tecnologia, Ana Maria Braga conseguiu fazer um Mais Você interessante, mesmo com as limitações de gravar em sua casa, e não num estúdio mais equipado. A loira abusou das entrevistas remotas, fez bom uso de seu imenso arquivo de receitas e, ainda, lançou novos quadros, também gravados remotamente.

O grande desafio neste período do Mais Você foi redefinir a dinâmica da atração. Isso porque o programa era todo feito na base da conversa, num bate-bola intenso entre Ana Maria e Louro José. Com a ausência do personagem, Ana ficou meio perdida. A solução foi encontrar diversos partners no comando de quadros, como Ju Massaoka, que comanda o quadro Feed da Ana.

Mas agora, neste momento em que o programa voltará aos estúdios, novidades deverão pintar. Segundo Cristina Padiglione, do Agora SP, a apresentadora tem, sim, interesse em lançar um novo partner. E, nas fotos que vazaram do novo cenário, vê-se que há um balcão para um fantoche, como Louro José utilizava. Ou seja, há a expectativa que, nesta segunda, com a estreia do novo cenário, um novo companheiro para Ana seja apresentado. Será que vai dar certo?

Aliás, uma curiosidade: repararam que o Bem Estar, exibido no Encontro e no É de Casa, ganhou um cenário muito mais simples, com um telão e uma tapadeira? Pois isso já era um sinal de que o novo cenário do Mais Você estava em construção. Afinal, o quadro sobre saúde é gravado no mesmo estúdio que abrigou o Mais Você em seus primeiros anos e, agora, abrigará novamente a atração. Com isso, o Bem Estar precisou de um cenário mais simples para facilitar o “monta e desmonta” dos programas. Na prática, a tapadeira que compõe o cenário do Bem Estar serve para “tapar” o cenário do Mais Você, compartilhando apenas o mesmo telão. É mais ou menos o que acontecia quando o Encontro e o Vídeo Show compartilhavam o mesmo espaço, lembra?

Nova cozinha do Mais Você, com espaço para um fantoche. Vem aí o sucessor do Louro?


André Santana

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

História da TV: Em 2013, SBT voltou a investir em infantis, mas do jeito errado


Apesar de ser um personagem estadunidense, o palhaço Bozo tem importante participação na história da TV brasileira. Na década de 1980, quando Silvio Santos conseguiu a sonhada concessão do SBT e precisava preencher sua programação, foi o palhaço quem ocupou boa parte da grade e ditou as regras da programação infantil daquele período. Foi a partir do sucesso de Bozo que a fórmula “auditório-crianças-brincadeiras-música-desenho” se consagrou.

Mesmo quando Bozo saiu do ar, no início da década de 1990, o formato seguiu em praticamente todas as emissoras, com apresentadores e apresentadoras aos baldes. Mas, anos depois, o auditório infantil foi perdendo força, dando espaço a programas mais didáticos e dramaturgia. Ou seja, o programa do Bozo se tornou um formato datado.

Mas Silvio Santos e a direção do SBT não pensaram nisso e trataram de resgatar o formato em 2013. Talvez empolgado com o sucesso da dupla de palhaços Patati Patatá, o dono do Baú achou que seria um bom momento para trazer de volta o famoso palhaço, que tantas alegrias deu ao SBT 30 anos antes. Com isso, não apenas trouxe o programa Bozo de volta, como injetou algum investimento no programa comandado por Patati Patatá.

Naquele ano, Patati Patatá estavam consolidados no comando do Carrossel Animado, programa que assumiram em 2011, que era exibido diariamente, entre 7h e 9h, antes do Bom Dia & Cia. O formato era praticamente o mesmo do programa com Priscila e Yudi: os palhaços atendiam ligações e comandavam jogos por telefone, além de chamar desenhos. Também protagonizavam alguns esquetes cômicos.

Mas, em 2013, Carrossel Animado ganhou investimentos. O programa abandonou o formato de brincadeiras por telefone e ganhou um novo cenário, que retratava uma vila onde os palhaços moravam. Com isso, ganhou um elenco de apoio e passou a apostar em dramaturgia, na qual Patati e Patatá protagonizavam historinhas diariamente.

Enquanto isso, Bozo reestreou nas manhãs de sábado, com o mesmíssimo formato de 1980. Ao lado de Papai Papudo, Vovó Mafalda e o professor Salci Fufu, Bozo comandava uma plateia de crianças e promovia brincadeiras. Mas era evidente que aquele formato já não tinha a ver com o ano de 2013. A cara das crianças participando das gincanas evidenciava que elas não estavam felizes ali. Resultado: o programa não emplacou e saiu do ar pouco tempo depois.

E a investida em infantis no SBT acabou de uma vez, já que o novo Carrossel Animado também foi cancelado na mesma leva. Com isso, o elenco de Bozo e Patati Patatá passaram a apresentar o Bom Dia & Cia, num esquema de revezamento no qual também participavam Priscila Alcântara, Maisa Silva e parte do elenco da novela Carrossel. O “troca-troca” acabou pouco tempo depois, quando Matheus Ueta e Ana Vitória Zimmermann foram efetivados no infantil.

André Santana


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sem ter para onde correr, SBT aposta em franquias do "Fofocalizando"

Com a vacinação contra a covid-19 ainda engatinhando, o SBT se mantém sem maiores trabalhos. Seus apresentadores do grupo de risco, como Carlos Alberto de Nóbrega, Raul Gil e o próprio Silvio Santos, aguardam o avanço da vacinação para poderem voltar ao trabalho. Assim como o setor de novelas, também em compasso de espera. Por isso, o canal segue parado.

Só não está 100% parado porque Silvio Santos elegeu a produção do Fofocalizando o seu brinquedo preferido em 2020, e segue apostando nele em 2021. Após idas e vindas de nomes, formatos e apresentadores, Silvio Santos acabou criando uma verdadeira franquia, que já conta com três programas na grade. Com isso, cria a falsa sensação de que está fazendo coisas distintas, quando na verdade é mais do mesmo.

Fofocalizando virou Triturando no ano passado. Tentando aumentar os índices de audiência da atração, a emissora transformou um dos quadros do programa de fofocas num programa independente. Neste contexto, também trocou o comando do programa, dispensando Leão Lobo, Lívia Andrade e Mamma Bruschetta, e “convocando” Flor e Ana Paula Renault.

Porém, por um dia, a emissora testou transformar outro quadro do Fofocalizando em programa, o Notícias Impressionantes. Mas a substituição de Triturando pelo Notícias Impressionantes na grade diária durou apenas um dia. O Triturando retornou, mas o Notícias Impressionantes ganhou sobrevida nas madrugadas e manhãs de domingo, onde está até hoje.

E, nesta semana, o Fofocalizando retornou. Chris Flores, Gabriel Cartolano, Flor e Ana Paula Renault pararam de triturar coisas para voltar a comentar sobre a vida alheia. Mas a emissora avisou: Triturando não acabou. O programa que gasta o arsenal de títulos com gerúndio do SBT seguirá aos sábados, após o Raul Gil, onde está desde que o Programa da Maisa chegou ao fim.

Ou seja, esta pausa do Fofocalizando serviu para a criação de dois “filhotes”, que seguem na grade mesmo com a volta do programa de fofoca. No fundo, é o mesmo programa, apenas com temáticas distintas. É a mesma equipe que produz todo este conteúdo. Ou seja, a turma que faz o Fofocalizando é uma das poucas equipes do SBT que se mantém a todo o vapor e coloca algum conteúdo inédito na grade da emissora.

Sim, é compreensível a dificuldade do SBT de produzir no meio da pandemia. Mas é triste notar que uma das maiores emissoras do país não consegue produzir nada além de Fofocalizando e seus derivados. O jeito é torcer para que a vacinação avance, nos proteja e, ainda, ofereça condições ao SBT de voltar a produzir.

André Santana


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Record reformula "Fala Brasil" e manda Celso Zucatelli de volta para o entretenimento

Nova contratação na área: depois de uma passagem relâmpago e pouco produtiva na Band, Mariana Godoy agora é da Record. Parecia que a jornalista estava fugindo do jornalismo “hard news”, mas, desta vez, seu retorno à bancada está confirmado, já que ela deve assumir o comando do matinal Fala Brasil.

Segundo Flavio Ricco, do R7, o Fala Brasil passará por uma reformulação. E, para marcar a nova fase, o jornal ganhará uma nova dupla de apresentadores. Sergio Aguiar, que já está na casa, fará dupla com Mariana. Sem dúvidas, dois bons profissionais. Ficamos na torcida para que o Fala Brasil resgate o tom mais leve e descontraído de um bom jornal matinal São dois âncoras que sabem fazê-lo com muita leveza.

Enquanto isso, Celso Zucatelli, que vinha apresentando o Fala Brasil com Roberta Piza e Salcy Lima, deixará o noticioso para retornar para o entretenimento da emissora. Atualmente, o jornalista substitui César Filho, que está afastado do Hoje Em Dia. Depois disso, ele ficará à disposição para novos projetos no canal.

Com isso, Celso Zucatelli está repetindo exatamente a mesma trajetória de sua primeira passagem pela emissora. Quando chegou à Record, Zucatelli foi repórter, correspondente internacional e apresentador de noticiários, até chegar ao Hoje Em Dia como substituto oficial de Britto Jr. Com a saída de Britto rumo à A Fazenda, ele se tornou titular do matinal, ficando ali até a chegada de César Filho. Depois disso, Zuca passou pela RedeTV e pela Gazeta, até voltar ao jornalismo da Record. Inicialmente no Balanço Geral Manhã, depois no Fala Brasil.

A volta de Zucatelli ao entretenimento da Record virá num momento oportuno. Afinal, a emissora perdeu muitos apresentadores nos últimos anos, e vários dos seus programas de temporada se encontram sem âncora. Celso, então, pode ser um nome a assumir programas como Power Couple, A Ilha (ou Ilhados, não sei como se chama esse programa essa semana), ou até mesmo A Fazenda. Vamos ver pra onde vai Zuca.

André Santana