sábado, 28 de março de 2020

Final feliz e Gloria Pires consagram a versão da Globo de "Éramos Seis"

Ownnn

Éramos Seis chegou ao fim na Globo com uma generosa dose de esperança para o público. A versão de Ângela Chaves do texto original de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, inspirado na obra de Maria José Dupré, modificou os rumos de praticamente todos os personagens, deixando a trama mais terna e otimista. Assim, Lola (Gloria Pires) teve que esperar a quinta versão de sua história para a TV para poder terminar a obra feliz, apaixonada e com os filhos por perto.

Pequena obra-prima do SBT (e também feita duas vezes pela Tupi e uma vez pela Record), Éramos Seis mexe com a memória afetiva do público. A versão do SBT tornou-se um clássico, afinal, foi uma produção bastante superior ao que a emissora de Silvio Santos costumava produzir no campo das novelas até então. Capitaneada por Nilton Travesso, e com excelentes textos à disposição, a estratégia de dramaturgia do SBT implantada em 1994 atraiu grandes nomes, como Irene Ravache, Othon Bastos, Marcos Caruso, Denise Fraga e Nathalia Timberg, entre tantos outros. Por isso, fez história.

Assim, para fazer valer a sua versão, a Globo também optou por um elenco de peso. E acertou, de cara, com a escolha da Lola da vez. Gloria Pires, com sua interpretação sempre humana e minimalista, fez uma Lola grandiosa. Foram os olhares e os pequenos gestos da personagem que fizeram o público embarcar na saga da dona de casa que fazia tudo para ver sua família feliz. O calvário da personagem, cuja trajetória é marcada por perdas e reveses, foi bastante equilibrado com uma postura forte e esperançosa de Lola. Com isso, Éramos Seis fez justiça à própria Gloria Pires, que vinha de uma série de personagens equivocados nos últimos anos. Finalmente, ganhou um papel à sua altura e nadou de braçadas.

Com uma Lola menos submissa, a atriz e o texto ainda abriram espaço para um novo amor para a dona de casa, coisa que nunca aconteceu nas versões anteriores. O sentimento entre Lola e Afonso (Cássio Gabus Mendes) foi construído de maneira sutil, aos poucos, crescendo sem pressa diante do público. Assim, criou-se toda uma expectativa para que Lola voltasse a viver um amor, depois da perda de Julio (Antonio Calloni, outra escalação excepcional). Com isso, Ângela Chaves criou um entrecho inédito, muito delicado e feliz.

Falando em história de amor, outra trama que cresceu e tomou rumos inesperados foi a saga de Clotilde (Simone Spoladore). A irmã de Lola, nesta versão, ganhou contornos mais românticos e dramáticos. Sua paixão proibida por Almeida (Ricardo Pereira), um homem casado, representou bem o conservadorismo da época e emocionou. A trajetória cheia de altos e baixos, desembocando num final feliz, foi bastante acertada. Excelente retorno de Simone à Globo, grande atriz.

Aliás, como dito acima, o elenco poderoso foi um grande acerto desta versão. Nomes como Maria Eduarda de Carvalho (Olga), Eduardo Sterblich (Zeca), Carol Macedo (Inês), Joana de Verona (Adelaide), Julia Stockler (Justina), Denise Weinberg (Maria) e Camila Amado (Candoca) foram outros acertos. A veterana Susana Vieira, que vinha com uma série de personagens que mais pareciam versões dela mesma, desta vez saiu do piloto automático e surpreendeu com sua tia Emília. Aliás, outra personagem modificada nesta versão, ganhando interessantes contornos mais humanos, apesar da dureza com que se relacionava com todos. A relação complicada da ricaça com suas filhas foi outra trama que chamou bastante a atenção.

De quebra, a versão Globo de Éramos Seis acertou ao homenagear, sempre que possível, a versão do SBT. Participações especiais de nomes como Othon Bastos, Marcos Caruso, Wagner Santisteban e Luciana Braga se mostraram uma maneira bastante simpática de reverenciar a montagem anterior. Isso sem falar no “encontro das Lolas”, proporcionado pela sequência em que Gloria Pires, Irene Ravache e Nicette Bruno se encontraram em cena. Foi lindo vê-las juntas, reunindo tantos capítulos importantes da história da TV.

Assim, Éramos Seis sai de cena como um acerto da Globo. A “simples” saga familiar criada por Maria José Dupré, mais uma vez, se mostrou como uma história poderosa, magnética, que faz o público se envolver e se emocionar. Valeu.

André Santana

Reprise de "Apocalipse" é bola fora da Record

capeta de jaqueta

Assim como a Globo, a Record também se viu obrigada a paralisar a produção de suas novelas. Por isso, Amor Sem Igual será interrompida em breve. Para tapar o buraco, a solução também virá inspirada da concorrente, com a escalação de uma reprise. Até aí, tudo bem. Mas a emissora errou feio na escolha do título que vai reexibir: Apocalipse. Nada menos que uma das piores novelas da história da emissora.

Primeira trama contemporânea da fase bíblica da dramaturgia da emissora, Apocalipse, como o nome sugere, fala sobre o fim do mundo. A trama narra a ação do anticristo Ricardo (Sergio Marone), reencarnação da besta, que dá início à destruição mundial por meio de desastres naturais, doença, guerra e fome. Uma trama forte e ousada, mas que não funcionou na prática. O excesso de personagens, a trama confusa e o ataque às religiões adversas geraram muitas críticas e afastaram o público, fazendo Apocalipse ter o pior desempenho dentre as novelas bíblicas do canal, estancando uma fase de sucesso. Além disso, interferências da cúpula da Igreja Universal (leia-se Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo) irritou a autora Vivian de Oliveira, que deixou a trama e o canal.

Ou seja, Apocalipse, por si só, tem um histórico que a coloca como uma péssima escolha para reprisar. Afinal, a Globo escalou apenas sucessos para ocupar seus horários de novela. Por que a Record não fez o mesmo? Com novelas como Vidas Opostas, Prova de Amor ou Amor e Intrigas (entre tantas outras) no acervo, por que recorrer a um fiasco deste tamanho?

Sabemos a resposta. Trata-se de puro oportunismo da emissora. Num momento em que o mundo vive a apreensão de uma pandemia, o canal sacará de sua cartola uma novela que fala justamente sobre o fim do mundo, tendo a doença como um dos “cavaleiros do apocalipse”. Ou seja, é tudo o que o público não precisa assistir agora. E não estranhem se a igreja começar a capitalizar em cima. Fatalmente acontecerá. Vai vendo.

Mas me parece que a tal estratégia alarmista do canal pode ser um tiro no pé. Apocalipse é uma produção (muito) ruim. E seguirá sendo ruim, mesmo com uma pandemia acontecendo. Pode até ser que a audiência seja melhor, afinal, há mais pessoas em casa assistindo televisão. Porém, a possibilidade de Apocalipse repetir o fiasco (ou talvez até ampliá-lo) é bastante grande.

André Santana

quarta-feira, 25 de março de 2020

Coronavírus adia, mais uma vez, retorno de Angélica

"Agora, a geladeira
é por uma boa causa!"

Angélica segue com dificuldades em reconquistar um programa para chamar de seu na Globo. Quando o Estrelas chegou ao fim, em abril de 2018, a expectativa era de que a loira retornaria dentro de, no máximo, um ano. Porém, no ano passado, a emissora pôs o pé no freio e estacionou uma série de novidades, causando novo adiamento do projeto de Angélica. Ela, então, passou a ser vista em participações especiais, como na novela A Dona do Pedaço. Eis que, recentemente, seu retorno foi finalmente confirmado. Seu novo programa ganhou um título, Simples Assim, e uma data de estreia, 11 de abril.

Mas a pandemia de coronavírus forçou a Globo a parar suas produções. Num momento em que até as novelas que estão no ar ganharam uma pausa forçada, nada mais natural (e sensato) que as novas produções também tenham sido paralisadas. Deste modo, Simples Assim entrou no mesmo balaio do retorno de Conversa com Bial e da série Segunda Chamada, além da nova Malhação e da nova novela das seis, todos com estreias adiadas. O público, então, terá que esperar mais um pouco para ver Angélica de volta num programa seu na Globo.

Simples Assim, como Angélica disse várias vezes, é um programa criado por ela, e que aborda assuntos que fazem parte do atual momento da apresentadora. A ideia é trazer histórias reais, sobre fatos que levam à construção de uma vida mais feliz. Neste contexto, a apresentadora encenará esquetes com celebridades, que discutirão os assuntos propostos. Além disso, haverá o quadro Dilemas da Vida Real, no qual a apresentadora receberá anônimos para discutir conflitos, como “ter ou não filhos?”, ou “viajar ou dar uma festa de casamento?”, informou a jornalista Patrícia Kogut.

O adiamento de Simples Assim trouxe à tona um assunto que poucos conheciam até então. A mesma Patrícia Kogut revelou que, com o novo projeto, Angélica está atuando com um contrato por obra na Rede Globo. Ou seja, depois de mais de 20 anos com contrato fixo, a apresentadora passou a trabalhar por projeto. Na prática, seu atual vínculo com o canal deve terminar ao fim da exibição da primeira temporada de Simples Assim. O Notícias da TV chegou a anunciar que a apresentadora pode ficar desempregada com a atual situação de adiamento. O que não é bem assim: a emissora já confirmou a novidade, e apenas adiou os trabalhos.

Mesmo assim, é interessante notar que os novos tempos da Globo são mesmo uma realidade. A emissora já dispensou contratos fixos com grandes nomes do seu cast e, agora, Angélica se enquadra na categoria.  A Globo não comenta os contratos com seus funcionários, mas o staff de Angélica confirmou a novidade, e disse que a apresentadora pretende se dedicar, também, a outros projetos. Não deixa de ser interessante. Pode ser o fim da zona de conforto que estacionou a apresentadora, que passou anos amarrada a um programa pouco expressivo. Quem sabe ela não faz o caminho de Otaviano Costa e passa a se dedicar, também, à TV paga ou outras plataformas? Isso se o futuro político de seu marido, Luciano Huck, permitir.

André Santana

sábado, 21 de março de 2020

"Amor de Mãe" encerra primeira fase em seu melhor momento

Como essa trama findará?

Neste sábado, 21, a Globo exibe o último capítulo do que o canal chama de “primeira fase” de Amor de Mãe. Com as gravações interrompidas por conta da pandemia de coronavírus, a emissora optou por dividir a trama de Manuela Dias. Decisão sensata, mas que deve gerar mais expectativa junto ao público. Afinal, Amor de Mãe sairá do ar em seu melhor momento. E o gancho reservado para o fim da fase é realmente forte e bastante impactante.

Amor de Mãe foi uma novela que demorou a engrenar. Apesar de pisar fundo no dramalhão, Manuela Dias imprimiu à sua narrativa elementos pouco usuais no folhetim (embora a trama em si seja bastante folhetinesca). A impressão de “inovação” foi reforçada com a direção mais naturalista de José Luiz Villamarim, com menos closes e mais contemplação. Talvez isso tenha feito parte do público estranhar. Mas o que realmente colaborou para que Amor de Mãe demorasse a engrenar foi sua trama intrincada. A autora criou um mosaico muito bem armado, extremamente interligado e lotado de mistérios. Com isso, demorou um pouco para o público compreendê-la e desejar segui-la.

Porém, Amor de Mãe chegou ao capítulo 100 com seus principais mistérios revelados. A saga principal, de Lurdes (Regina Casé) em busca de seu filho perdido, Domênico, atingiu seu clímax nesta semana, quando Thelma (Adriana Esteves) reconheceu seu filho Danilo (Chay Suede) nas fotos de infância do herdeiro da amiga. A partir daí, as desconfianças de que o jovem era mesmo o filho de Lurdes foram confirmadas, e levaram a história para outro lugar. Isso porque o fato muda, definitivamente, a relação entre Lurdes e Thelma, até então melhores amigas.

E Thelma, que sempre demonstrou um evidente desequilíbrio, deve ficar ainda mais insana com a novidade. Ela já vem fazendo pequenas armações para separar Danilo de Camila (Jéssica Ellen), e afastá-lo de Lurdes e sua família. E, neste encerramento da primeira fase, a dona do restaurante chegará ao cúmulo de matar para proteger o seu segredo. Em entrevistas, a autora Manuela Dias revelou que o público testemunhará o nascimento de uma vilã. Pois Thelma, cada vez mais, perderá qualquer noção ética para proteger seu segredo e o filho que tanto ama. Quer gancho mais poderoso?

Interessante notar que a reviravolta de Thelma faz sentido dentro do universo proposto por Amor de Mãe. Isso porque, como dito acima, ela sempre foi desequilibrada. Thelma foi capaz dos maiores absurdos para fazer valer a sua vontade, sempre travestida de amor ao filho. Deste modo, quando as suas mentiras (que foram muitas) vão sendo reveladas, há um desespero criado, que faz com que ela perca as estribeiras. Muitos dizem que Manuela Dias abriu mão de sua proposta de fazer uma novela sem vilão. Pode até ser. Mas, ao menos, a vilã criada faz todo o sentido dentro da história.

Outro ponto positivo de Amor de Mãe são seus poucos personagens, e todos muito bem amarrados. Tudo bem que a obra abusa das coincidências, mas é inegável que elas potencializam todos os tipos e as tramas que estão envolvidas. De quebra, a trama promove uma constante “ciranda amorosa”, com pares sendo feitos e desfeitos a todo o momento. Por exemplo: um dos romances mais intensos de Amor de Mãe aconteceu entre Magno (Juliano Cazarré) e Betina (Isis Valverde). Os dois se conheceram quando a enfermeira cuidava de sua filha doente e sua mulher em coma. Ou seja, um drama e tanto. Mas, passado este plot, o casal acabou se desfazendo em razão da ascensão de Betina, que se tornou uma rica herdeira. Assim, ela agora vive um romance com Sandro (Humberto Carrão). Enquanto isso, Magno deve se envolver com Lídia (Malu Galli).

Já Lídia foi casada com Raul (Murilo Benício), que atualmente está com Vitória (Taís Araújo). Antes, porém, ele namorou Érica (Nanda Costa), que também namorou Sandro, seu filho, e que agora está com Betina. Vitória, por sua vez, teve um caso com Davi (Vladimir Brichta), que namorou Amanda (Camila Márdila). Mas, antes, Amanda também namorou Vinícius (Antonio Benício), filho de Raul. E esta ciranda amorosa não para aí. Se puxar a linha, a fila fica cada vez maior e mais intrincada. E isso é interessante, porque Amor de Mãe dribla casais óbvios. Há poucos casais (quase nenhum) dos quais o público pode ter certeza que ficarão sempre juntos. Não há um par romântico definitivo, como normalmente acontece nas novelas.

Ou seja, Amor de Mãe teve uma “primeira fase” bastante recheada, que será concluída com um gancho infalível. Fica agora a torcida para que, em breve, esta pandemia de coronavírus esteja devidamente controlada, para que a trama possa retornar ao ar. A estreia de Manuel Dias no horário nobre da Globo, até aqui, está mais que aprovada.

André Santana

Record reconhece erro de estratégia e muda domingo de novo

Dancei

Quer dizer, “reconhecer” não é bem a palavra certa, já que a emissora justificou as mudanças como resultado de medidas de controle à transmissão do coronavírus. No entanto, é evidente que a direção da Record aproveitou que precisa, sim, realizar medidas neste sentido, para corrigir uma mudança de rota que fracassou. O novo domingo da emissora, divulgado com pompa, naufragou e durou apenas duas semanas.

O TELE-VISÃO já havia cantado essa bola. Isso porque o canal já havia tentado uma edição dominical do Hoje Em Dia no passado, e não tinha dado certo. O programa não combina com a grade dominical, e não foi feito nenhum esforço na tentativa de adequá-lo ao novo dia. Seu cancelamento, portanto, mostra que a Record entendeu isso. Afinal, se a desculpa era o coronavírus, o programa poderia permanecer como um noticiário para atualizar o público sobre as últimas informações. Se não permaneceu, é porque a Record reconheceu que a novidade não teria futuro.

Já o novo Domingo Show estreou com a louvável missão de diminuir as tragédias e aumentar o entretenimento e o humor das tardes de domingo da emissora. E, no geral, a novidade foi muito bem-vinda. Entretanto, a atração se revelou longa demais, com quadros arrastados e pouco dinâmicos. Alguns deles são bons, como o Made In Japão, mas que poderiam ter uma edição mais ágil. Com a mudança de agora, o novo programa de Sabrina Sato será menor, e isso poderá ser corrigido. Apesar do pouco resultado até o momento, é um programa que tem potencial.

Enquanto isso, Hora do Faro não apresentou grandes novidades. Reduziu o chororô, é verdade, mas poderia reduzir mais. E a volta do Dança Gatinho se revelou uma bobagem sem tamanho. Isso porque, em sua versão original, o quadro era parte integrante de um quadro maior, o Vai Dar Namoro. Rodrigo Faro dançava toda vez que saía beijo na atração. Ou seja, era um besteirol, mas fazia sentido. Agora, não. O quadro fica solto no fim do programa, com Faro apenas dançando e fazendo piadas sem graça. Não funcionou. E a grande aposta da temporada, o Game dos Games, teve sua produção interrompida por causa do coronavírus. Ou seja, Faro vai continuar na mesma, e volta ao seu horário habitual a partir de amanhã, 22.

O The Four Brasil também não funcionou. É um bom programa, mas, como dito aqui antes, a atração não mostrou apelo mesmo quando era exibida numa faixa mais “fácil”, a noite de quarta-feira. Como acreditar que decolaria aos domingos, batendo de frente com Eliana e Faustão? Obviamente, não deu certo. O programa de Xuxa quase foi “sacrificado”, já que a ideia inicial era colocá-lo às sextas (onde provavelmente naufragaria de vez), mas, com o adiamento do Top Chef, o The Four acabou conquistando a vaga da quarta-feira. Melhor assim.

André Santana

quarta-feira, 18 de março de 2020

Coronavírus: TV’s paralisam produções e apostam em reprises e jornalismo


Acatando recomendações da OMS, que sugere quarentena em razão da pandemia do novo Coronavírus, as emissoras de TV começam a paralisar suas produções. Os canais suspenderam auditórios, gravações de novelas e estreias, tentando poupar seus colaboradores e buscando contribuir para a redução da transmissão do vírus. Num momento delicado como este, trata-se de uma atitude louvável. Porém, isso vai se refletir na grade, que terá uma série de mudanças nas próximas semanas.

A Globo é a emissora que mais promoverá alterações em sua programação. A emissora optou por suspender as gravações de todas as suas novelas, o que acarretará na interrupção de Salve-se Quem Puder e Amor de Mãe. A novela das nove fica no ar até o próximo sábado, 21, e, depois, será substituída por um compacto de Fina Estampa. Já Salve-se Quem Puder fica no ar mais uma semana, e, depois, um repeteco de Totalmente Demais ocupa a faixa a partir do dia 30.

A reprise de Fina Estampa é a que mais chamou a atenção do público, afinal, trata-se de uma novela de Aguinaldo Silva, recentemente dispensado pela emissora. Além disso, é uma produção de gosto duvidoso, talvez um dos mais rasteiros textos já criados por Silva. Entretanto, a escolha me parece coerente. Afinal, não se pode negar que, apesar de todos estes problemas, Fina Estampa foi um dos maiores sucessos da década na faixa das 21 horas. Além disso, é uma novela mais leve que o que se vê habitualmente no horário. Num momento de crise mundial, em que a população se encontra tensa e preocupada, uma novela que serve como distração sem maiores pretensões parece uma boa escolha. É ruim, mas... fazer o que?

O retorno de Totalmente Demais também parece acertado. Afinal, a década de 2010 foi marcada por vários fracassos na faixa das sete. Mas, a partir de Alto Astral, a emissora foi reconquistando o público do horário. Totalmente Demais foi a sua sucessora, e se deu bem, tornando-se um dos maiores acertos da faixa na década. O sucesso de Bom Sucesso, novela posterior da dupla de autores Paulo Halm e Rosane Svartman, também pode ter pesado na decisão. É uma boa novela, e que ainda tem a vantagem de ser, digamos, “editável”. Ao apostar numa narrativa episódica, a trama não deve dar trabalho aos responsáveis por enxugar os capítulos.

Enquanto isso, Malhação – Toda Forma de Amar e Éramos Seis vão até o fim. A primeira terá o seu final antecipado, e será concluída em abril. Será substituída por Viva a Diferença, melhor temporada do folhetim, na humilde opinião deste blog. Reprise oportuna, não apenas pela qualidade do texto de Cao Hamburger, mas também porque servirá como esquenta a As Five, série derivada que estreará no GloboPlay. Já Éramos Seis será substituída por uma reprise de Novo Mundo, outra escolha coerente, já que a trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão conta a história que antecede o enredo de Nos Tempos do Imperador, próxima novela das seis que terá sua estreia adiada.

A Globo ainda suspendeu programas como Mais Você, Encontro e Se Joga, e adiou estreias, como de Simples Assim, de Angélica, a nova temporada de Conversa com Bial e da nova leva de Segunda Chamada. Os programas de auditório semanais permanecem, mas não terão auditório. Provavelmente, usarão do expediente de “melhores momentos”.

Outros canais

Sem a mesma intensidade de produção da Globo, os demais canais abertos também vão se precaver. Record e SBT também cancelaram os auditórios de programas regulares, e devem recorrer a reprises quando os materiais de frente se esgotarem. As emissoras também suspenderam as gravações de suas novelas. Para o SBT, não deve mudar muito, já que As Aventuras de Poliana tem grande frente de gravações. Mas ainda não se sabe como a Record resolverá os atrasos de Amor Sem Igual. Enquanto isso, Band e RedeTV não anunciaram grandes medidas, mas a tendência é seguirem as recomendações.

JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA: Pessoal, desculpem o sumiço desta semana. Tirei uma semaninha de férias e fui viajar (não fui para o exterior e nem em área de risco, então, por enquanto, escapei do surto de Covid-19, amém!). Mas o blog já está voltando ao normal e acompanhando as movimentações das emissoras quanto ao Coronavírus.

André Santana

sábado, 7 de março de 2020

Record acerta ao apostar em Adriane Galisteu no "Power Couple"

"Agora é comigo!"

A Record ainda não anunciou oficialmente, mas Ricardo Feltrin, do UOL, cravou como certo o acordo entre Record e Adriane Galisteu. A loira será a nova apresentadora do Power Couple, reality que confina casais para provas e premia o mais bem-sucedido. A atração está no ar desde 2016, e já teve Roberto Justus e Gugu Liberato na condução. Adriane, então, “herda” a atração de Gugu, após a trágica morte do apresentador no final do ano passado.

Foi uma boa escolha da emissora. Embora já houvesse a informação de que a emissora buscava alguém no mercado (ou até na concorrência) para assumir os formatos anteriormente destinados a Gugu, ainda parecia que a solução mais óbvia seria a caseira. E Marcos Mion, extremamente subaproveitado dando as caras apenas em A Fazenda, poderia acumular a função sem maiores problemas. Pelo contrário. Sem dúvidas, faria muito bem.

Mas a chegada de Adriane Galisteu é uma boa notícia. Primeiro, porque devolve à TV aberta uma de suas apresentadoras mais interessantes, mas de trajetória instável. Ótima no vídeo, esperta e muito bem articulada, Adriane não deu sorte com os formatos e emissoras que esteve nos últimos 20 anos. Da estreia escondida na CNT e MTV, Adriane chamou a atenção quando se tornou a principal estrela da RedeTV, onde estreou à frente do Superpop. Menos de um ano depois, já estava na Record, onde comandou o É Show, possivelmente o principal programa de sua carreira.

Ali, teve uma trajetória bem-sucedida. Mas não resistiu aos acenos de Silvio Santos. Sonhando ser líder de audiência, Adriane acreditava que o SBT lhe daria mais visibilidade, afinal, era a segunda maior emissora do país. Porém, este foi seu passo em falso: ela trocou Record pelo SBT justamente em um dos momentos mais conturbados da emissora de Silvio Santos, que começava a entrar numa crise financeira e de audiência. E a Record, em contrapartida, começava seu ambicioso projeto “a caminho da liderança”, investindo pesado em programação e novas contratações. Ou seja, ela escolheu o momento errado para se aventurar. E pagou o preço.

No SBT, comandou o Charme, que teve um sem-número de horários e formatos. Ali passou quatro anos, na qual sua insatisfação ganhava os jornais, revistas e sites. Tanto que recusou uma renovação, partindo para a Band ao final de seu contrato. Mas na TV do Morumbi, também não deu sorte. Ganhou o semanal Toda Sexta, que era inexpressivo toda vida. Depois, passou a apresentar formatos, como o ótimo Projeto Fashion e o divertidamente tosco Quem Quer Casar com Meu Filho?, mas nenhum emplacou. Neste meio tempo, esteve também à frente do vespertino de fofocas Muito +, que tinha seu charme (ops), mas teve vida curta. Sem emplacar nenhum projeto, Adriane saiu dali, retornando vez ou outra para vários canais, praticamente como freelancer. Ensaiou um retorno em grande estilo, quando esteve na Dança dos Famosos e no elenco de O Tempo Não Para, na Globo. Mas, contratada por obra, não seguiu no canal.

Agora, à frente do Power Couple, Adriane tem a chance de fazer as pazes com a TV aberta, e na função que mais gosta, que é a de apresentadora. É bom para ela voltar a ter uma vitrine. E é bom também para o programa, que pode ganhar um gás com a nova anfitriã. Aliás, o mais interessante da novidade é que, pela primeira vez, um reality de confinamento na TV aberta será comandado por uma mulher. Trata-se de um olhar diferenciado, que pode agregar bastante ao Power Couple. Em suma, tem tudo para funcionar.

PS: será que teremos a chance de ver Xuxa e Adriane Galisteu no mesmo palco, no Família Record em dezembro?

André Santana

sexta-feira, 6 de março de 2020

História da TV: os cinco anos de Xuxa na Record

"Marquei um X na Record!"

Em 5 de março de 2015, exatos cinco anos e um dia, a Record e Xuxa Meneghel anunciaram a assinatura do contrato entre a emissora e a apresentadora. O ato dava fim aos inúmeros comentários que cercaram o futuro da “rainha dos baixinhos”, que encarou uma geladeira de mais de um ano na Globo. Na nova emissora, Xuxa buscava uma oportunidade de reinvenção, lançando-se num novo formato e horário. Mas, ao longo destes cinco anos, a apresentadora enfrentou momentos de crise e severas críticas. Porém, atualmente, vive uma fase de prestígio na emissora.

Inspirada em Ellen DeGeneres (e em Hebe Camargo), Xuxa se lançou no semanal noturno que levava seu nome em agosto de 2015. Cercado de expectativa, o talk show das noites de segunda estreou com pompa e fez barulho. Porém, a novidade logo viu sua audiência minguar e suas atrações se tornarem cada vez mais desinteressantes. Apesar de ser bem intencionado, o Programa Xuxa Meneghel tinha sérias dificuldades em escapar da pauta que reverenciava a história de Xuxa. O programa acabou se tornando uma “auto homenagem” cansativa. E, obviamente, não deu certo.

O Programa Xuxa Meneghel durou pouco mais de um ano. A partir de 2017, a direção da Record alterou os planos para a loira, tirando-lhe o espaço mais autoral e lhe entregando formatos importados. Surgiu, então, o Dancing Brasil. De estrutura suntuosa e excelentes números de dança, o talent show devolveu o brilho à carreira de Xuxa. A alta audiência não veio, mas a crítica e os espectadores aprovaram a novidade. E assim, em 2019, Xuxa ganhou outro formato, o The Four Brasil, e agora segue se dividindo entre as duas atrações.

Apesar de Xuxa não ter mais um programa feito para ela, sua atual fase como apresentadora de formatos veio em momento oportuno. Afinal, a loira enfrentando um desgaste na imagem, em razão do parco desempenho dos últimos programas que levavam seu nome. Vale lembrar que, antes de estrear na Record, a apresentadora comandava o TV Xuxa, nas tardes de sábado da Globo, cuja baixa audiência ajudou a decretar sua extinção e a consequente saída da loira do canal.

Ou seja, o Programa Xuxa Meneghel era uma prova de fogo. Seria a chance de mostrar que Xuxa ainda tinha fôlego, depois de uma fase áurea como apresentadora infantil, e uma fase mais complicada, quando suas últimas apostas não deram certo. E, como a primeira aposta da apresentadora na nova emissora não vingou, o desgaste ficou mais evidente.

Deste modo, ao entregar a Xuxa formatos prontos, a Record conseguiu tirar das costas da apresentadora esta responsabilidade. Afinal, a aposta não era mais nela em si, e sim no produto como um todo. Com isso, Xuxa ficou visivelmente mais tranquila e descontraída em cena, recuperando um brilho que andava meio opaco. Ou seja, neste momento decisivo, tornar-se apresentadora de formatos fez com que Xuxa restaurasse uma confiança junto ao público e a ela mesma.

Assim, Xuxa passou a viver uma fase mais confortável. Isso encorajou a Record a seguir apostando nela, voltando a lhe demonstrar prestígio. A emissora confiou a ela e seus atuais programas a missão de incrementar os domingos do canal. The Four e Dancing Brasil vão se revezar com o Canta Comigo no início das noites de domingo a partir do próximo dia 8.

Se vai dar certo, só o tempo vai dizer. Mas ao entregar a ela uma parte importante, estratégica e muito concorrida de sua grade de programação, a emissora mostra que ainda confia em sua estrela. Sem dúvidas, é uma volta por cima. Xuxa ainda é um nome forte.

André Santana

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Falta de estratégia compromete SBT e Record

"Quem bate o Ratinho aqui sou eu!"

Há anos, a Record busca uma solução para a sua faixa das 22 horas. Depois que suas novelas policiais neste horário perderam força e acabaram substituídas por uma linha de shows, a emissora se viu perdendo a vice-liderança para o Programa do Ratinho, que foi movido da faixa das 21h para às 22h e se deu bem. Ao mesmo tempo, o programa do SBT foi azeitando sua fórmula, apostando em quadros semanais simples, mas que conquistaram o público. Assim, Ratinho voltou a se tornar um apresentador difícil de combater.

Criou-se um problema para a Record. Como conter a escalada do roedor do SBT? Nos últimos anos, a emissora tentou de tudo: o programa Gugu, reality shows, programas de auditório, filmes e séries aos baldes. A emissora, inclusive, tentou atacar com uma proposta semelhante à da concorrência, desenhando o projeto chamado de Show da Noite. A ideia era entregar a faixa das 22 horas, de segunda a sexta, para Geraldo Luís, na época em alta com o sucesso do Domingo Show. A emissora avaliou que um programa fixo diário teria mais vantagem para consolidar o público. Porém, a recusa do apresentador fez o canal abortar o projeto.

Deste modo, a emissora mudou a estratégia e se rendeu aos formatos importados. Neste contexto, o que chamou a atenção foi o alto investimento da Record. Ao apostar em revezamento de formatos, a emissora passou a exibir programas grandiosos, como o Dancing Brasil e o Canta Comigo. Além, claro, de seguir apostando em realities de confinamento, sendo os mais populares o Power Couple e A Fazenda. Programas claramente mais custosos que o Programa do Ratinho. Mas nem mesmo a estrutura suntuosa destes shows fez frente ao prosaico programa de auditório do SBT.

Com este cenário, chegamos ao ano de 2020, quando a Record mudou, mas nem tanto, de estratégia. A emissora moveu alguns de seus talent shows das quartas-feiras para os domingos, o que acontecerá a partir da estreia do The Four, às 18 horas do dia 8 de março. Enquanto isso, a noite de quarta ficou, a princípio, com o Troca de Esposas, um programa interessante e que acaba de estrear um pacote de episódios inéditos. Paralelamente, o SBT exibe reprises do Programa do Ratinho, já que o SBT praticamente fecha entre janeiro e fevereiro, todos os anos.

O que se viu nesta nova situação foi um avanço do Troca de Esposas. O programa de Ticiane Pinheiro já se tornou a maior audiência da linha de shows das quartas-feiras, com números maiores que os vistos por Top Chef, Dancing Brasil e Canta Comigo no ano passado. Além disso, já começa a se colocar na vice-liderança, ameaçando o Programa do Ratinho. Isso pode ter acontecido pelos seguintes motivos: porque o Troca de Esposas é o único reality que não tem similares, nem na Record e nem na concorrência, o que o coloca à frente de outros formatos no quesito apelo; e as reprises do SBT ajudam a afastar o público.

Provavelmente, estes dois motivos ajudam a explicar esta tendência. E o resultado, ao menos até aqui, deixa claro que nem SBT e nem Record são bons de estratégia. Afinal, a Record teria um poder de fogo para iniciar uma linha de shows novinha já no início do ano. E o canal até fez isso, lançando Aeroporto, às segundas, e Em Nome da Justiça, às quintas, além do Troca às quartas. Mas a emissora poderia pensar em programas de mais apelo e lançá-los justamente agora, neste momento frágil do SBT, que abusa das reprises. Porém, o canal prefere esperar março e abril para trazer novidades, justamente quando o Programa do Ratinho já voltou a exibir conteúdo inédito.

E o SBT também é ruim de estratégia. Afinal, como a segunda maior emissora do país consegue achar normal promover uma reprise geral de TODOS os seus programas de variedades? Quem aguenta tantos festivais “melhores momentos”? A sorte do SBT é que a direção da Record não se ligou neste momento de fragilidade para contra-atacar. Porque o momento seria esse.

André Santana

Presença de Luciana Braga é um acerto de "Éramos Seis"

"Eu era Isabel, e agora
quero acabar com ela!"

Um dos inúmeros problemas familiares que ajuda a embranquecer os cabelos de Lola (Gloria Pires), em Éramos Seis, é a história de amor de Isabel (Giulia Buscaccio). A caçula vive um romance com um homem casado, o que vem gerando uma série de conflitos. E o principal deles é a presença de Zulmira, a mulher de Felício (Paulo Rocha). A nova personagem, que veio para dificultar a vida do casal, é vivida por Luciana Braga, atriz que viveu Isabel na versão do SBT da história. Mais do que uma homenagem, a presença de Luciana é um retorno em grande estilo à Globo desta excelente atriz.

Como Zulmira, a mulher que se recusa a dar o desquite a Felício e não dá folga para Isabel e Lola, Luciana Braga mostra o seu talento. A atriz é ótima vivendo megeras, e desta vez não é diferente. Basta lembrar que seu último trabalho na Globo foi justamente vivendo uma deliciosa megera, a Denise, invejosa vilã de Negócio da China, de 2008. Infelizmente, poucos viram a novela de Miguel Falabella, mas Luciana Braga esteve excepcional na obra. Foi um dos destaques do elenco desta produção, que ficou mais marcada por percalços e baixa audiência.

Depois disso, Luciana Braga se transferiu para a Record TV, onde também fez trabalhos marcantes, como nas novelas Poder Paralelo (2009) e Vidas em Jogo (2011). Porém, seu retorno à Globo chega com um sabor especial. Afinal, ao viver em Éramos Seis a rival de sua própria personagem na versão anterior, Luciana Braga ajuda a engrandecer a novela de Angela Chaves. É uma reverência à novela do SBT, que foi marcada pelo excelente elenco. E uma reverência à própria atriz, que é dona de uma trajetória repleta de bons serviços prestados.

A chegada de Zulmira também ajuda a agitar a reta final de Éramos Seis. A trama, que foi desenvolvida praticamente sem grandes vilões, tem se servido de tipos mais malvados para garantir a ação de seu desfecho. Assim, enquanto Shirley segue armando para separar Lola de Afonso, Zulmira se junta ao time das ex-mulheres inconformadas para prejudicar Isabel.

O amor proibido de Isabel e Felício injetou novas possibilidades à Éramos Seis. Assim, a novela se aproxima de seu desfecho com mais ação, mas sem perder de vista sua proposta de crônica da vida. Isso reafirma o poder magnético do romance de Maria José Dupret.

André Santana