sábado, 22 de setembro de 2018

"Orgulho e Paixão" foi um grande acerto da faixa das seis da Globo

"Eu arrasei, não?"

Faltando dois capítulos para o seu desfecho, já é possível afirmar que Orgulho e Paixão foi um grande acerto do horário das seis da Globo. A novela de Marcos Bernstein, baseada em obras da escritora inglesa Jane Austen, divertiu e emocionou ao contar a saga das irmãs Benedito no Vale do Café. Com um tom leve, a trama explorou assuntos importantes, com muita delicadeza e responsabilidade.

Para criar o universo de Orgulho e Paixão, Marcos Bernstein se inspirou nos romances Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Mansfield Park, Emma, A Abadia de Northanger e Lady Susan. A espinha dorsal foi o primeiro, de onde saiu a história de amor de Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda) e o núcleo familiar da mocinha. Das demais obras, vieram algumas das irmãs de Elisabeta, sua melhor amiga Emma (Agatha Moreira) e a vilã cômica Susana (Alessandra Negrini), entre outros núcleos paralelos. Com isso, Bernstein costurou uma gama de mulheres de personalidade forte, o que lhe permitiu traçar um painel no qual pode falar sobre feminismo, mas fugindo do discurso panfletário e apostando nas relações humanas.

Com esta aposta, os romances de Jane Austen serviram para dar personalidade ao universo do Vale do Café, além de dar o pontapé inicial nas histórias. Depois disso, Orgulho e Paixão tomou um rumo próprio, sempre focado no desenvolvimento de seus interessantes personagens. Com este rico universo, o autor acabou tendo em mãos um material que rendeu, ao ponto de a novela ter atravessado seu tempo de exibição sem nenhuma barriga. Afinal, tal material permitiu ao ator trabalhar melhor os personagens e as situações que mais agradaram ao público, mas sem trair sua ideia inicial.

Assim, se o romance entre Elisabeta e Darcy não empolgou muito, o mesmo não se pode dizer das histórias de Mariana (Chandelly Braz) e Brandão (Malvino Salvador), ou Emma e Ernesto (Rodrigo Simas), ou ainda Julieta (Gabriela Duarte) e Aurélio (Marcelo Faria). Ou seja, haviam histórias românticas de todos os tipos, para todos os gostos, e a maioria muito bem explorada. Já outras tramas não renderam tanto, como Jane (Pâmela Tomé) e Camilo (Maurício Destri), Jorge (Murilo Rosa) e Amélia (Letícia Persiles), ou Cecília (Anajú Dorigon) e Edmundo (Nando Rodrigues).

Neste contexto de casais diversos, Orgulho e Paixão teve espaço até para falar da descoberta da homossexualidade na década de 1910. Com muita sensibilidade, a trama contou a saga de Luccino (Juliano Lahan), que se descobriu gay ao longo da história. Inicialmente discreto e solitário, ele acredita estar encantado por Mariana, sua melhor amiga. Mais adiante, ele percebe que seu encantamento é mesmo por Mário, um disfarce que a amiga adotou para poder participar de corridas de motos. Depois, ele se descobre apaixonado pelo Capitão Otávio (Pedro Henrique Müller), que corresponde. Os dois, então, passam a viver este amor proibido, enfrentando o preconceito da família de Luccino. A história foi conduzida com tanta verdade e delicadeza que desembocou numa cena de beijo, algo inédito numa novela das seis, e o casal ganhou a torcida da audiência.

Outros personagens que mantiveram a novela sempre interessante foram Susana e sua fiel escudeira Petúlia (Grace Gianoukas). Para tentar tirar Darcy de Elisabeta, Susana pôs em prática os planos mais mirabolantes, que nunca davam certo. Suas cenas, sempre divertidas, eram recheadas de diálogos afiados, valorizados pela excelente performance das atrizes. A galeria de vilões, aliás, ajudou Orgulho e Paixão a não perder fôlego. Se no início quem ditava as maldades eram Julieta e Lorde Williamson (Tarcísio Meira), depois a vilania passou às mãos de Lady Margareth (Natália do Valle).

Criada para substituir o personagem de Meira, que precisou deixar a novela, Lady Margareth era praticamente uma bruxa da Disney, distribuindo maldades sem muito propósito. No entanto, ela deu uma importante injeção de ânimo na novela, agitando diversos núcleos. E Natália do Valle esteve perfeita no papel. Já alguns vilões não aconteceram, como Xavier (Ricardo Tozzi) e Josephine (Christine Fernandes). No primeiro caso, pela fraca interpretação de Tozzi; no segundo, pela história pouco empolgante que envolvia a personagem.

Ou seja, o grande trunfo de Orgulho e Paixão foi o texto inspirado de Marcos Bernstein, que soube transformar o universo de Jane Austen numa comédia romântica simpática e cheia de camadas. O texto ganhou vida com a direção segura de Fred Mayrink e a interpretação farsesca dos atores, tornando tudo mais leve. O tom lembrou o das novelas de Walcyr Carrasco às seis, mas sem cair no tatibitate infantiloide deste. Pelo contrário. Apesar de espirituoso, o texto de Bernstein é mais maduro, sem nunca resvalar nas soluções óbvias ou na comicidade tola e despropositada.

Por conta destas qualidades, Orgulho e Paixão termina em alta. A novela cumpriu sua missão.

André Santana

terça-feira, 18 de setembro de 2018

SBT acertou em cheio ao não esticar "Domingo Legal"

"Responde ou passa?"
Com o fim do Mundo Disney, o SBT chegou a considerar devolver as duas horas do Domingo Legal perdidas em razão da venda de horário para a Disney. Felizmente, tal ideia não se concretizou, e a emissora manteve a exibição de desenhos na faixa. Atualmente, o canal exibe Sessão Desenho aos domingos, um bloco de animações que conta com Kung Fu Panda, Ben 10 e outras atrações. A audiência se manteve praticamente intocada.

Dobrar o tempo de exibição do Domingo Legal a esta altura seria bem ruim para o programa de Celso Portiolli. Nestes três anos em que foi obrigado a perder espaço para o Mundo Disney, o Domingo Legal conseguiu se moldar à nova realidade e azeitar sua fórmula. Atualmente, ele tem mais de duas horas de duração, já que se despede ultrapassando o horário das 15 horas, e conta com um tempo adequado para exibir seus quadros.

Com menos tempo, Domingo Legal conseguiu criar uma interessante gama de quadros que se revezam de tempos em tempos. Agora, o programa tem sido dividido entre o Passa ou Repassa e o Ganhar É Bom, Levar É Melhor. Outros quadros se revezam e entram de vez em quando, como o Construindo um Sonho e De Quem É Esta Mansão. São todos quadros mais bem-acabados do que os exibidos nos tempos das longas quatro horas de duração. Nesta época, a coisa era tão estranha, que praticamente todos os quadros tinham cara de coisa improvisada. Hoje, não. Tudo parece mais bem pensado e funciona melhor.

Ganhar mais duas horas obrigaria o Domingo Legal a voltar a “encher linguiça”. Aí, dá-lhe homenagens a Michael Jackson, horas de Afunda ou Boia ou outras coisas de gosto duvidoso que o programa de Celso Portiolli já exibiu. Num momento em que a atração até cresceu na audiência, seria um retrocesso. Até porque programas de quatro horas de duração são bem chatos. Quem aguenta ver Eliana e Programa Silvio Santos do começo ao fim?

Segundo o colunista Ricardo Feltrin, Silvio Santos teria “segurado” a ideia de aumentar o Domingo Legal como uma estratégia para lançar novas atrações no horário. Na fila, estariam o programa de Maisa Silva, inicialmente pensado para as plataformas digitais do SBT, o Maisa Digital. Outra atração poderia ser o prometido retorno do Topa ou Não Topa, com Patrícia Abravanel. E quer saber? Se for isso mesmo, Silvio Santos mandou muito bem. Muito melhor abrir espaço para programas de duração menor, mas de bom conteúdo. Uma dobradinha entre Maisa e Patrícia no início das tardes de domingo seria uma bela tacada.

André Santana

sábado, 15 de setembro de 2018

Afinal, a Record está sabendo aproveitar Xuxa e Gugu?

"Em busca de programas
para chamar de nossos!"

Em 2017, Xuxa Meneghel abriu mão do programa que levava seu nome para comandar a competição de dança Dancing Brasil, que estreia sua quarta temporada daqui duas semanas. Neste ano, foi a vez de Gugu Liberato, que deixou de apresentar o Gugu para se dedicar ao Power Couple e o Canta Comigo, que terminou na última quarta-feira, 12. Na próxima semana, é a vez de Marcos Mion assumir o comando de A Fazenda, depois de perder seu Legendários no final do ano passado. Sabrina Sato, dizem, pode ser a próxima. Afinal, a Record está sabendo aproveitar suas estrelas?

A princípio, a estratégia da Record era positiva. No caso de Xuxa, por exemplo, a emissora conseguiu se livrar de um programa que nunca disse a que veio, o Programa Xuxa Meneghel, e utilizar a apresentadora num projeto muito mais interessante. Se em seu extinto talk show, Xuxa tinha conteúdo zero para apresentar, ela agora surge à frente de um programa redondo, com um propósito claro, o que é uma clara evolução. Afinal, nunca fez muito sentido a emissora contratar Xuxa a peso de ouro e entregar-lhe um programa tão fraco. Em recente entrevista ao NaTelinha, o diretor Ignácio Coqueiro explicou os motivos da dificuldade do Programa Xuxa Meneghel: falta de verba. Segundo ele, a verba era curta e ele tinha que se virar para fazer o semanal da maneira mais digna possível. Deu no que deu.

Enquanto isso, o Dancing Brasil é um programa divertido e grandioso, e Xuxa tem ido muito bem na apresentação. O talent show, de quebra, serviu para resgatar a imagem de Xuxa, arranhada após inúmeros insucessos, seja em seus últimos anos na Globo, seja em sua primeira empreitada na Record. No entanto, passados quase dois anos de Dancing Brasil, fica a dúvida sobre quanto tempo o formato irá resistir. E mais: os fãs de Xuxa não a verão nunca mais num programa dela?

Com Gugu Liberato, a mudança também tinha muitos pontos positivos. Isso porque, assim como o Programa Xuxa Meneghel, o programa Gugu tinha um conteúdo muito fraco. O apresentador estava no piloto automático, comandando pautas incrivelmente desinteressantes nas noites de quarta-feira do canal. Neste ano, Gugu ressurgiu no comando do Power Couple e mandou muito bem. Afinal, Gugu deu ao programa toda a sua experiência, fazendo da apresentação da atração algo muito menos engessado do que nos tempos de Roberto Justus. Além disso, no comando das provas do Power Couple, Gugu resgatou seus bons tempos de apresentador de game shows, fazendo uso até do clássico bordão “valendooo!”.

Depois, Gugu apareceu apresentando a competição musical Canta Comigo. Principal novidade da Record este ano, o Canta Comigo apresentou uma bela estrutura num formato muito eficiente. Foi bem divertido ver os “calouros” diante daquele “paredão” de jurados. Tudo funcionou direitinho, do cenário grandioso à mecânica bem trabalhada. Em suma, um programa muito interessante e bem resolvido. O elo mais fraco foi mesmo Gugu. Que foi muito bem no comando, claro, mas ficou mais “apagadinho”. Por mais que Canta Comigo tenha sido muito bom, foi estranho ver Gugu numa posição de coadjuvante tão evidente.

Ou seja, por mais que haja pontos positivos nesta estratégia da Record de transformar seus apresentadores em “mestres de cerimônias”, também há pontos negativos. Xuxa e Gugu, hoje, comandam programas com conteúdo bem mais interessante do que nos tempos de seus próprios programas. Porém, ao mesmo tempo, não têm mais o espaço de antes. E duas estrelas do porte deles mereciam um espaço maior. Por isso mesmo, a conclusão que se chega é a de que os formatos devolveram credibilidade aos animadores, mas deveriam ser tratados como fases de transição, e não planos de carreira. Ao final destes formatos, a direção da Record devia considerar voltar a utilizá-los em espaços próprios. Mas, desta vez, bons espaços, e não programas vazios como os que comandavam antes. O problema é que a emissora não parece disposta a bolar algo novo para eles. Afinal, um formato pronto é muito mais fácil e rápido de ser implantado. Criar dá trabalho, né?

O mesmo há de acontecer com Marcos Mion. O apresentador é um baita profissional e não há dúvidas de que será o melhor apresentador de A Fazenda. Até porque não é nada complicado ser melhor que Britto Jr ou Roberto Justus. No entanto, em A Fazenda, Mion não terá aquele espaço livre que tinha para criar, fazendo seus quadros de humor que tanto divertiam no Legendários.

Conclusão: neste processo, a Record incrementa estes formatos, pois todos têm ótimos apresentadores à frente. Mas, em contrapartida, a emissora os cozinha em banho-maria, pois a verdade é que o canal não sabe o que fazer com eles.

André Santana

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Próximas produções globais: "Éramos Seis" e volta de Walcyr Carrasco

"Adivinha quem está voltando?"
Nos últimos dias, duas notícias interessantes tomaram conta dos sites especializados. Uma delas é que a versão da Globo do clássico Éramos Seis vai mesmo acontecer. A outra é que Walcyr Carrasco, que mal terminou O Outro Lado do Paraíso, já tem data para voltar à faixa das nove da emissora, e será antes do que imaginávamos. Será dele a novela que substituirá O Sétimo Guardião, que entra na vaga de Segundo Sol. Com isso, a estreia de Manuela Dias no horário foi adiada.

Não é de hoje que Silvio de Abreu, atual mandachuva da dramaturgia da Globo, queria refazer Éramos Seis. Afinal, foi o novelista, ao lado de Rubens Ewald Filho, que assinou a mais famosa versão do livro de Maria José Dupré para a televisão. Silvio e Rubens escreveram Éramos Seis para a TV Tupi em 1977. O mesmo texto foi usado pelo SBT na versão de 1994, resultando na melhor novela da história do canal de Silvio Santos. Mas o romance teve outras versões: na Record, em 1958; na Tupi, em 1967 (escrita por Pola Civelli e e dirigida por Hélio Souto, e com Cleyde Yáconis como Dona Lola); e novamente na Tupi em 1977 (com Nicette Bruno liderando o elenco).

Agora, é a Globo quem se rende ao romance. Com os direitos do texto em mãos, Silvio de Abreu entregou o projeto à Angela Chaves, uma das autoras de Os Dias Eram Assim. E, assim, Éramos Seis entrou na fila das próximas produções do horário das seis na Globo, e tem estreia prevista para 2020. Resta saber agora quem será a antológica Dona Lola, papel pelo qual Irene Ravache é reverenciada até hoje. Como sabemos que Éramos Seis é um novelão da melhor qualidade, já estamos na expectativa para a estreia, ainda mais considerando o know-how da Globo para novelas de época às seis. Tem cheiro de sucesso.

Enquanto isso, o horário das nove da Globo passa por mudanças na fila das próximas produções. Troia, trama que marcaria a estreia de Manuela Dias na faixa, foi adiada. Em seu lugar, entrará uma nova história de Walcyr Carrasco. Segundo a jornalista Cristina Padiglione, do TelePadi, Troia foi remanejada para dar mais tempo de descansar a imagem de duas de suas protagonistas, Adriana Esteves e Taís Araújo. A primeira é destaque em Segundo Sol, como a vilã Laureta, enquanto a segunda vai apresentar o PopStar, além de integrar o elenco da série Aruanas, a ser gravada em breve. 

Até aí, tudo bem. A gestão Silvio de Abreu se caracteriza mesmo por mudanças na ordem da fila das novelas sempre que precisar. Até por isso elas são definidas com muita antecedência. No entanto, a volta de Walcyr ao horário tão cedo dá um medinho. A gente sabe que Carrasco é uma máquina de escrever novelas, mas é justamente esta falta de descanso que prejudica suas obras. Ele recicla ideias, tira entrechos inteiros de romances, filmes e seriados, mistura tudo, espera a reação do público e sai alterando tudo, sem pudor. Com isso, se torna extremamente repetitivo e, de quebra, joga a coerência de qualquer história para o espaço. Por outro lado, é bom de Ibope, e isso justifica tudo. Vamos ver como será a próxima salada do novelista.

PS: pelo menos adiaram a ideia de uma Verdades Secretas 2. Como disse anteriormente, acho uma péssima ideia!

André Santana

sábado, 8 de setembro de 2018

20 anos de Ratinho no SBT: de baixaria a circo, uma trajetória de sucesso

"A cobra vai fumar!"

Neste sábado, 08 de setembro de 2018, Ratinho comemora exatos 20 anos de SBT. Foi neste dia, no ano de 1998, que entrou no ar o Programa do Ratinho, que marcou a estreia do apresentador, tirado da Rede Record a peso de ouro. Na segunda maior emissora do país, Ratinho prosseguiu com sua fórmula de sucesso, dando trabalho à Globo e torcendo o nariz dos críticos. E foi no SBT que Ratinho, aos poucos, conseguiu se reinventar, num momento em que as brigas e apelações exibidas por ele já não eram mais garantia de audiência.

Ratinho já estava na mira de Silvio Santos antes de ir para a Record. Com o sucesso que fazia à frente do 190 Urgente e do Cadeia, na CNT, Ratinho chegou a ser sondado para migrar para o SBT e assumir o comando do Show de Calouros. Mas a coisa não foi para a frente e Ratinho acabou assinando com a Record, onde passou a apresentar Ratinho Livre nas noites do canal. Foi um estouro. Com brigas de vizinhos e familiares, exploração de doenças, pautas bizarras e muita apelação, Ratinho Livre foi um marco do gênero “telebarraco” na televisão brasileira. O programa dava trabalho à Globo, que chegava a esticar os capítulos da novela Por Amor para tentar conter o fenômeno da Record.

De olho na audiência conquistada pela concorrente, Silvio Santos tirou Ratinho da Record no ano seguinte. Em poucos dias após a assinatura do contrato, surgiu o Programa do Ratinho, nos mesmos moldes da atração da Record. Aos poucos, Ratinho foi ficando menos “briguento” e mais bem-humorado, mas não perdeu de vista as brigas no palco, sobretudo no quadro do teste de DNA. A mistura entre humor e barraco deu certo, mas não escapou da patrulha instalada a partir dos anos 2000 na televisão brasileira. Foi nesta época que surgiu a famigerada “classificação indicativa” e várias campanhas de combate à baixaria na TV.

Além disso, o próprio público passou a rejeitar este tipo de atração. Então, desgastado, o Programa do Ratinho foi perdendo força no início da década de 2000. Até que, em 2005, Silvio Santos optou por tirar o Programa do Ratinho do ar, trabalhando numa reformulação total, capitaneada por ele mesmo. A nova versão do show de Ratinho chegou a ser anunciado com outro nome, Late Show do Ratinho, mas acabou reestreando como Programa do Ratinho mesmo. Exibido nas noites de quarta e quinta-feira, o novo programa era uma colcha de retalhos de quadros, a maioria jogos com a participação de convidados. Entre eles, o “Jogo das Três Pistas”, uma das atrações do atual Programa Silvio Santos. Ou seja, estava a cara do “diretor” Silvio Santos, mas não tinha nada a ver com Ratinho.

Não deu certo, e o Programa do Ratinho acabou retornando à programação diária, na faixa das 19 horas, e com novo formato de revista eletrônica, com uma equipe de repórteres e jornalistas trazendo informações ao vivo. A “inspiração” era o Tudo a Ver, da Record. No ano seguinte, o programa voltou a sofrer mudanças de horário, encaixado entre o final de tarde e início da noite. Mais adiante, tornou-se um semanal, que ocupou as noites de segunda-feira e, depois, de sábado. Mas nada devolveu o brilho a Ratinho. Sem sucesso, o Programa do Ratinho foi definitivamente extinto naquele mesmo ano, e o apresentador foi para a geladeira.

Neste meio-tempo, surgiram muitas informações desencontradas sobre o futuro de Ratinho. Formataram para ele uma nova versão do Show de Calouros, o Gente que Brilha, mas a atração acabou nas mãos do próprio Silvio Santos. Chegou a surgir um projeto de programa de variedades para as tardes de sábado, que também não foi adiante. Enquanto isso, entre 2007 e 2008, Ratinho surgiu no comando de novos programas, como o Jornal da Massa, Você É o Jurado e Nada Além da Verdade. Na época, o comentário era de que o SBT só esperava o contrato de Ratinho acabar para ele sair do ar de vez.

No entanto, em 2009, o Programa do Ratinho ressurgiu das cinzas. Firmando uma nova parceria com Silvio Santos, desta vez de sociedade, Ratinho conseguiu trazer seu programa de volta, na faixa das 17h30. Inicialmente em formato de revista eletrônica, o programa, depois, passou a investir mais em variedades, com games, entrevistas e humor. Deu certo. Programa do Ratinho alcançou uma audiência satisfatória, que o credenciou a voltar ao horário nobre.

Na faixa das 21h30, o Programa do Ratinho foi se moldando até chegar ao formato atual, com muitos quadros que se revezam ao longo da semana. Hoje, a atração aposta em calouros às segundas, games às terças, música às quartas, humor às quintas e variedades às sextas, sempre com bom resultado. A atração não é mais o fenômeno de outrora, mas ainda dá trabalho à concorrência, sobretudo à Record, que ainda pena para emplacar uma linha de shows capaz de conter o roedor.

O que se vê nestes 20 anos é que Ratinho soube se moldar aos novos tempos, mas sem perder sua persona como animador de vista. No palco, ele segue sendo aquele sujeito divertido, meio rabugento, mas que sabe falar diretamente ao povão. Sua personalidade como animador ficou tão evidente que Ratinho se tornou maior do que seu próprio programa, o que é raro nos dias de hoje. Os principais apresentadores da TV precisam se armar com quadros fortes para enfrentar a concorrência. Ratinho, não. Ele se tornou a principal atração de seu programa, como é o próprio Silvio Santos. Nada mal para quem quase saiu do ar e, agora, segue como um dos principais nomes da televisão brasileira.

André Santana

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Rosana Jatobá assumirá o fim de tarde da RedeTV

"Vamos falar de coisa boa?"
Como dito anteriormente por aqui, a próxima ideia da RedeTV para ocupar a faixa das 18 horas era um novo programa de fofocas. A emissora pensou em fazer algo aos moldes do Fofocalizando, com vários nomes conversando sobre a vida dos famosos. Entretanto, o canal esbarrou na escalação destes nomes, ouvindo diversas recusas: Leo Dias, Antonia Fontenelle, Mara Maravilha, Olga Bongiovanni e Regina Volpato mandaram um “hoje não, Márcio!” e não embarcaram na ideia.

Sem saída, a direção da RedeTV optou por uma solução caseira e tratou de escalar Rosana Jatobá para a função. A ex-apresentadora do Globo Rural foi contratada pela emissora no ano passado e, desde então, aguardava um projeto para si no departamento de jornalismo. Segundo consta, a direção de jornalismo (leia-se Franz Vazek) sonhava com um jornal matinal ou na hora do almoço apresentado por ela e Augusto Xavier. No entanto, razões comerciais (leia-se venda de horários na grade) vinham dificultando no processo de tirar o projeto do papel. E, enquanto isso, Rosana Jatobá vinha aparecendo apenas como apresentadora substituta nos jornais da emissora.

Rosana, então, foi convidada para ancorar o novo programa de fofocas. Mas, segundo o site Notícias da TV, fazer um programa de fofocas não era bem o desejo da profissional. Sendo assim, a RedeTV mudou os rumos do projeto e, agora, a atração não será apenas um programa de fofocas, mas sim uma atração de variedades. “É um programa que está sendo construído, pensado, e terá uma abordagem elegante e inspiradora. A RedeTV quer usar todo o meu repertório de jornalismo nestes 21 anos de carreira exatamente para dar um tom diferenciado. É um programa de variedades, pelo menos foi o que me foi dito e foi por estes termos que eu aceitei”, disse ela ao Notícias da TV.

Ou seja, o novo programa, que tem o título provisório de Tudo em Um, deverá ser uma mistura entre Fofocalizando, Roda da Fofoca e Melhor pra Você, abarcando diversos temas. No fundo, será a boa e velha  revista de variedades, desta vez em formato de debate/entrevistas. Parece bem mais interessante do que mais um programa de fofocas numa emissora que já exibe A Tarde É Sua e TV Fama

No entanto, o canal não tem um bom histórico quando tenta oferecer algo mais elaborado e menos apelativo no horário. Basta lembrar do Sem Rodeios, uma revista eletrônica interessante e variada, apresentada por bons nomes como Mauro Tagliaferri, João Paulo Vergueiro e Renata Teodoro (que substituiu Ana Paula Couto), mas que não resistiu à falta de estrutura e à consequente baixa audiência. Vamos ver se Rosana Jatobá terá melhor sorte por ali.

André Santana

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Sem igreja, emissoras passarão por mudanças


Sabe-se que a locação de horários para igrejas é fundamental para a saúde financeira de várias emissoras brasileiras. Canais como a RedeTV e Gazeta revendem algumas horas de sua programação para programas religiosos em troca de uma boa quantia, com a qual investem em outros horários de suas respectivas grades. Para alguns canais, no entanto, a prática vai além da locação de alguns horários: CNT e Rede 21 são praticamente 100% ocupadas com atrações das mais variadas igrejas.

Por isso mesmo, a notícia de que a Igreja Universal do Reino de Deus está revendo sua estratégia de compras de horários em canais do Brasil é significativa. Sem os programas da igreja de Edir Macedo, várias emissoras terão que modificar suas programações. Uma delas é a Gazeta, que já anunciou a saída da igreja de seu horário nobre. A emissora avisou, em nota oficial, que o horário passará a ser ocupado por programação própria, incluindo aí o Gazeta Shopping, programa de varejo da emissora que rende um bom dinheiro.

Outro canal que terá que rever sua grade de programação é a RedeTV. Atualmente, a Igreja Universal ocupa duas importantes faixas da emissora: do meio-dia às 15 horas, e das 17h às 18h. Se a gente fosse mais otimista, acreditaria que este seria o momento ideal para a RedeTV voltar a investir nestes horários. Já faz tempo que o jornalismo da emissora quer emplacar um novo jornal, na hora do almoço, mas encontra resistência do departamento comercial, que prefere vender horários. Além disso, sem igrejas “ensaduichando” o A Tarde É Sua, era bem provável que o programa de Sonia Abrão fosse ainda melhor em audiência do que é hoje. Totalmente mal encaixado na programação, Sonia faz um verdadeiro milagre (sem referências) ao pontuar tão bem ali.

Quanto à faixa das 17 horas, muitos têm associado o projeto de um novo programa de fofocas ao fim do contrato com a igreja. Mas não é bem assim. A nova atração, que pode se chamar Tudo em Um (segundo o Notícias da TV) ou Tricotando (Segundo Ricardo Feltrin, do UOL), vem sendo formatada para o horário entre 18h e 19h30, substituindo os jornalísticos Bola na Rede e Denúncia Urgente, que devem acabar logo depois do período eleitoral. Ou seja, quando a igreja sair da faixa das 17 horas, haverá um vácuo por ali.

Mas, imaginando como funciona a cabeça do pessoal do comercial da RedeTV, o mais provável é que a emissora venda estas faixas horárias para outras igrejas, ou para os famigerados games do cavalinho sem pata. O que é uma pena. São horários que poderiam ser ocupados por jornais, séries, desenhos animados ou novos programas. Já imaginou como seria mais rica a grade da emissora com um jornal ao meio-dia, animações entre 13h e 15h, e Sonia Abrão entregando para o novo programa às 18h? Mas, infelizmente, é bem pouco provável que isso aconteça.

André Santana

sábado, 1 de setembro de 2018

Com "Segundo Sol", João Emanuel Carneiro muda a regra do jogo

"Essa novela é nossa, meu rei!"

Ao estrear no horário nobre da Globo, João Emanuel Carneiro acumulou tramas nas quais imprimiu uma identidade muito própria. Adepto do folhetim tradicional, com muitas reviravoltas e ganchos poderosos, o autor também incluiu em suas tramas elementos que subvertiam o tradicional em alguns momentos, sobretudo na aposta em personagens dúbios que, em algum momento, mudam de rota e surpreendem. Por conta disso, atraiu uma legião de fãs fiéis, que esperam sempre surpresas oriundas da imaginação fértil do jovem autor.

Isso começou em A Favorita, quando João Emanuel Carneiro esperou 60 capítulos para contar ao público quem era a mocinha e quem era a vilã da história. O autor jogou com seu público, apresentando Flora (Patrícia Pillar) como uma mãe em busca de justiça, e Donatela (Claudia Raia) como uma rica esnobe e deslumbrada. Mais adiante, revelou a verdade: Flora estava fingindo e Donatela era uma grande vítima de toda a situação. A partir daí, A Favorita virou um novelão tradicional, mas este jogo com a audiência na primeira fase da obra não deixa de ser uma ousadia.

A Favorita abriu caminho para Avenida Brasil, principal sucesso do autor. Desta vez, João Emanuel Carneiro deixou bem claro quem era a mocinha e quem era a vilã. Mas apostou em nova subversão, ao inverter características mais comuns ao folhetim tradicional. Normalmente, uma mocinha é enganada pela vilã até o fim da obra, quando decide tomar uma atitude. Em Avenida Brasil, era a mocinha Nina (Débora Falabella) quem tinha o controle da situação. Até a metade da obra, era ela quem enganava a vilã Carminha (Adriana Esteves), conquistando sua confiança para armar o bote mais adiante.

Aí veio A Regra do Jogo, quando Carneiro optou por dar um passo além. Ao invés de apostar numa rivalidade entre duas mulheres, o autor trouxe a trama de um homem, Romero Rômulo (Alexandre Nero), numa saga no qual ele pendia para o bem e o mal ao longo de toda a trajetória. Bandido, Romero mantinha uma imagem pública ilibada e, num determinado momento, acaba se apaixonando pelo mito que criou para si e tenta torná-lo real. Entretanto, sua incursão no mundo do crime o coloca sempre em xeque, e Romero não consegue se livrar da vida bandida. Como se vê, uma trama mais complexa, o que fez de A Regra do Jogo a novela menos querida do portfólio do autor.

Talvez por conta do relativo fracasso de A Regra do Jogo, João Emanuel Carneiro resolveu partir para uma nova estratégia na atual Segundo Sol. O autor apostou numa história de amor clássica, ao narrar a saga de Luzia (Giovanna Antonelli), a mocinha que teve a família destruída pela dupla de vilãs Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves) ao se apaixonar por Beto Falcão (Emílio Dantas), um cantor que fingiu a própria morte e se viu tornar um ídolo falecido. No entanto, Carneiro não deixou algumas das características de sua obra de fora do novo enredo, mas as deslocou para suas tramas paralelas. Assim, pela primeira vez em sua passagem pela faixa das nove, Carneiro construiu uma novela cujas tramas paralelas são mais interessantes que a principal.

Dois personagens de Segundo Sol carregam a dubiedade que tanto atrai Carneiro. Uma delas é Rosa (Letícia Colin), considerada a “protagonista moral” de Segundo Sol, e que enfrentou as vilãs e se colocou no centro de praticamente todos os acontecimentos. E, embora apresentada como uma prostituta que lutava para se livrar das dificuldades causadas por uma família opressora, Rosa acabou se deslumbrando com o poder que a vida ao lado de Laureta proporciona. Agora, aconselhada pela vilã-mor, ela dá o golpe da barriga no desavisado Valentim (Danilo Mesquita).

O outro é Roberval (Fabrício Boliveira), protagonista de uma história bastante interessante. Roberval e Edgar (Caco Ciocler) são filhos do poderoso Severo Athayde (Odilon Wagner) com sua empregada, Zefa (Claudia Di Moura). Mas Severo escolheu o filho branco para ser criado como legítimo, enquanto o filho negro foi criado na casa unicamente como o filho da empregada que se torna motorista. Ao descobrir a verdade, Roberval se revolta, tomando atitudes um tanto controversas contra os Athayde. Nesta saga, ele oscila: às vezes parece se compadecer, mas logo é tomado pelo ódio. Trata-se do entrecho mais original e cheio de nuances de Segundo Sol.

Enquanto isso, Luzia e Beto tornaram-se coadjuvantes de luxo. Passaram vários capítulos sem qualquer sequência importante, Voltaram ao centro do enredo apenas esta semana, quando Luzia foi inocentada da acusação de ter matado o ex-marido, ao mesmo tempo em que Beto finalmente revela a todos que está vivo.

Ou seja, na prática, João Emanuel Carneiro construiu uma narrativa no qual colocou o casal principal como um romance açucarado para agradar o espectador do folhetim tradicional. Eles são o par romântico central, mas não necessariamente movem a história. O eixo motor da trama foi deslocado para núcleos paralelos. Todos muito bem amarrados, o que mostra outra novidade do estilo do autor, anteriormente adepto de tramas desconectadas do eixo principal. A estratégia em si não é uma novidade. Gilberto Braga fez isso em Insensato Coração e Babilônia, tramas cujo casal romântico central em nada acrescentava ao enredo. Silvio de Abreu também fez isso em Passione, e até Aguinaldo Silva usou da estrutura em Império.

A Favorita, Avenida Brasil e A Regra do Jogo tinham tramas centrais fortes e interessantes, e núcleos paralelos desinteressantes e desnecessários. Já em Segundo Sol, acontece o inverso. Provavelmente, Carneiro mudou sua estrutura anterior para tentar fazer uma história a prova de erros, capaz de agregar públicos distintos. Com isso, não criou uma nova Avenida Brasil, mas também conseguiu escapar de assinar uma nova A Regra do Jogo.

André Santana

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Sem "Mundo Disney", SBT terá um buraco e tanto para tapar

#Partiu
Na tarde de hoje, 30, o SBT confirmou que não renovou a parceria com a Disney para a exibição do bloco Mundo Disney. A faixa exibia vários desenhos e séries da Disney, ocupando duas horas diárias do canal de Silvio Santos num sistema de parceria que funcionou como uma espécie de arrendamento. No acordo, a Disney montava a programação e vendia espaços publicitários, enquanto ao SBT cabia apenas a exibição. Na prática, Silvio Santos vendeu duas horas diárias da programação de seu canal para a gigante do entretenimento.

Sem Mundo Disney, o SBT readequou sua programação. A partir deste sábado, 01, o Sábado Animado virá mais “vitaminado” e será exibido das 8h às 12h30. No domingo, 02, o Domingo Legal finalmente retoma suas duas horas perdidas e será exibido das 11h às 15h. E na segunda-feira, 03, o Primeiro Impacto ganha mais meia hora, ficando no ar até 9h. Na sequência, entra o Bom Dia e Cia, que ganha uma hora e meia a mais.

Dos males o menor. Havia a tenebrosa perspectiva de que o Primeiro Impacto seria exibido até 10 horas da manhã de segunda a sexta-feira. Já imaginou aguentar as patacoadas de Dudu Camargo até metade da manhã? Seria um erro. O SBT acerta ao manter parte do horário para sua programação infantil, afinal, a sua audiência já está acostumada com desenhos animados neste horário desde sempre. No entanto, fica a torcida para que a emissora adquira novas animações, afinal, com o Bom Dia e Cia e o Sábado Animado estendidos, haja desenhos! Retomar reprises de séries que ninguém aguenta mais seria uma pena.

Mas o pior dos buracos para tapar, creio, será os domingos. Celso Portiolli choramingou ao perder duas horas de seu Domingo Legal, mas, verdade seja dita, a redução fez muito bem ao programa. Com quatro horas, o dominical se arrastava com quadros chatos e sem nenhum apelo. Atualmente, há um bom espaço para o Passa ou Repassa, que vem funcionando muito bem, e outros quadros interessantes que se revezam, como Ganhar É Bom, Levar É Melhor, De Quem É Esta Mansão e Construindo um Sonho. Com duas horas a mais para preencher, o que vão “enfiar” ali? Prevejo muita enrolação.

Nestes três anos no ar, Mundo Disney foi alvo de muitas críticas. Sobretudo aos domingos, quando a faixa foi “acusada” de derrubar os já parcos índices do Domingo Legal. No entanto, o bloco exibiu muita coisa boa e ajudou o SBT a dar uma sacudida importante em sua programação infantil. Afinal, o Bom Dia e Cia vinha sendo refém de velhos desenhos ultrareprisados. Em 2018, a faixa conseguiu até se destacar aos domingos, graças à exibição de ótimos desenhos, como DuckTales, Operação Big Hero e Muppets Babies. Esta variedade fará falta. Mas dizem que a Disney pode fechar com outro canal aberto, e que a Band estaria bem interessada. Seria uma solução e tanto para as manhãs da Band, que teria um conteúdo de qualidade e, de quebra, veria entrar um necessário “dim-dim”. Vamos ver o que acontece.

Atualização em 01/09/2018, às 10h55: o SBT alterou novamente a grade de domingo. Amanhã, dia 02, o espaço do Mundo Disney será ocupado pela Sessão Desenho. Melhor assim: se querem dobrar o tempo do Domingo Legal, isso tem que ser feito de modo planejado, e não às pressas.

André Santana

terça-feira, 28 de agosto de 2018

RedeTV vai mexer de novo na faixa das 18 horas

"A partir da semana que vem,
só no zap mesmo!"
A “busca pela alavanca perfeita” da RedeTV ao jornal RedeTV News ainda não acabou. Desde que passou da faixa das 21h30 para a das 19h30, o noticioso vem enfrentando dificuldades em elevar seus índices de audiência. Para auxiliá-lo, a emissora já programou um sem-número de programas para antecedê-lo, mas nada funcionou até aqui. E quando surgiu algum programa com potencial, vinha o comercial e tratava de vender a faixa para televendas e jogos de cavalinho sem pata.

De lá para cá, a RedeTV já programou, por duas vezes, reprises de Operação de Risco. Também já apostou numa segunda edição do A Tarde É Sua, nos jornalísticos Olha a Hora e Sem Rodeios, e até no desenho Pokémon. Nada aconteceu. Recentemente, o canal vinha apostando na dobradinha Bola na Rede, com Silvio Luiz, e Denúncia Urgente, com Edie Polo. A novidade começou bem, mas perdeu fôlego com o tempo. Segundo o colunista Flavio Ricco, os dois programas sairão do ar a partir da semana que vem.

Para tapar o buraco, a próxima aposta da RedeTV no horário será um novo programa de fofocas. A ideia da emissora é ser reconhecida como uma espécie de E! da TV aberta, com vários programas sobre celebridades. Dois dos carros-chefe do canal, A Tarde É Sua e TV Fama, bebem desta fonte. Além disso, o “jornalismo de celebridades” também está presente nas pautas do Superpop e Sensacional, por exemplo. Sendo assim, a ideia agora é ampliar a oferta deste tipo de conteúdo.

Segundo o site Notícias da TV, Antonia Fontenelle e Olga Bongiovanni são nomes cotados para o comando da nova atração. Recentemente, o colunista Leo Dias, do Fofocalizando do SBT, revelou que recebeu uma proposta para participar de um novo programa da RedeTV. Era deste projeto que ele estava falando. Mas, ao que tudo indica, o jornalista não deve trocar a emissora de Silvio Santos pela RedeTV, onde, aliás, já trabalhou. Leo Dias foi colunista do TV Fama há alguns anos. O novo programa de fofocas da RedeTV deve estrear já na próxima segunda-feira, 03.

Apesar de ser uma ideia interessante, fato é que a RedeTV parece andar em círculos com a novidade. Afinal, o TV Fama, por muitos anos, ocupou o mesmíssimo horário, e com sucesso. Durante um bom tempo, o programa de Nelson Rubens era exibido entre 18h30 e 20 horas. Mais adiante, quando transformou o matinal Morning Show no vespertino Muito Show, o canal também apostava nas notícias dos famosos na faixa. Mas aí inventaram de jogar o TV Fama para a faixa das 21h30 e acabaram por criar um buraco na programação, que até hoje não foi tapado adequadamente. Vamos ver se agora vai. 

André Santana