quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Lady Night" será exibido na Globo

Te cuida, Gentili!

Nesta onda de novos talk shows comandados por jovens comediantes, Lady Night tem um lugar de destaque desde sua estreia, no Multishow. Tatá Werneck, com seu pensamento rápido e total despudor, consegue fazer um programa sempre divertidíssimo, independentemente de convidado ou pirotecnia. Por conta disso, sempre se falou que Lady Night poderia ultrapassar as barreiras do canal pago e ir parar na Globo. E esta migração acaba de ser confirmada.

Lady Night terá episódios de suas duas primeiras temporadas exibidas pela Globo entre janeiro e março, na segunda linha de shows do canal às quintas-feiras. O programa de Tatá Werneck irá ao ar depois do Big Brother Brasil, num espaço normalmente ocupado por séries de comédia. Assim, o divertido programa alcançará um público bem maior.

A escolha das noites de quinta-feira para a exibição de Lady Night é curiosa. Isso porque, no segundo semestre dos anos de 2016 e 2017, o espaço foi ocupado por outra tentativa da Globo de rejuvenescer talk shows. O Adnight, de Marcelo Adnet, foi exibido por ali, mas suas duas temporadas não deixaram boas lembranças nem ao público, e nem à Globo.

A troca, portanto, reforça a lição: menos é mais. Marcelo Adnet é dono de um ótimo repertório, mas se viu comandando um programa cheio de estrutura, mas confuso e pouco convidativo. Por outro lado, Tatá Werneck estreou no Multishow com seu talk show, que nada mais é que ela mesma, um convidado e uma boa equipe de apoio. É uma conversa, basicamente. Uma conversa divertida e inusitada, claro, mas “apenas” uma conversa. A simplicidade faz o The Noite, do SBT, e o Programa do Porchat, da Record, funcionarem. Lady Night segue da mesma cartilha e dá espaço para que Tatá Werneck use todo o seu potencial.

Atualmente, o Multishow exibe a terceira temporada de Lady Night. Foram apenas três episódios exibidos até aqui. Mas as conversas de Tatá com Patrícia Abravanel, Tiago Abravanel, Juliana Paes e Angélica apenas confirmam que o programa é uma das melhores novidades da TV brasileira dos últimos anos. Chegar à TV aberta, portanto, é mais do que um caminho natural: é uma necessidade. Vida longa ao Lady Night!

André Santana

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cada vez mais enfadonho, "Teleton" sobrevive apenas pela nobre causa

Silvio Santos constrange
Claudia Leitte no Teleton

Mais uma vez, o SBT promoveu o Teleton, uma maratona televisiva em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). E, mais uma vez, bateu sua meta e conseguiu angariar recursos para manter os hospitais que atendem muitas pessoas gratuitamente. “Só” por isso, o Teleton vale a pena. É sempre emocionante ver espectadores, artistas e empresários unidos em torno de uma causa tão nobre. Vida longa ao Teleton!

No entanto, enquanto programa de televisão, o Teleton vai de mal a pior. O programa segue com o mesmo formato cansado, que trata de reunir artistas num palco para falar textos piegas e sem qualquer atração verdadeiramente interessante. O único momento do Teleton que vale a pena são as histórias de vida mostradas, que sempre emocionam. No mais, é uma música aqui e ali, e muita conversa fiada.

Mesmo assim, o Teleton sempre foi esperado pelos telemaníacos, já que promove encontros inusitados entre profissionais de várias emissoras. Globo, Record, Band, RedeTV, Gazeta e cia liberaram seus contratados para contribuir com a atração e pedir doações. Mas nem mesmo estes encontros têm valido mais a pena. Antes, todas as emissoras apareciam em pé de igualdade. Nos primeiros anos, estava sempre no palco um representante de cada canal. Hoje isso não mais acontece. Os apresentadores do SBT parecem ter prioridade, e os “convidados” surgem como coadjuvantes, salvo um ou outro. Fica parecendo um grande merchan do SBT, o que não cabe num projeto beneficente que tem como uma das propostas justamente unir as emissoras de televisão.

O encerramento, antes a melhor parte do Teleton, segue sofrível desde a passagem de Hebe Camargo. Silvio Santos vinha encerrando o programa com membros de sua família ao lado, chegando a ter no mesmo palco Silvia Abravanel, Tiago Abravanel e Patrícia Abravanel. Desta vez, a participação da família foi mais “pulverizada” (e com Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade, agora efetivada como apresentadora do canal). Mesmo assim, a constrangedora participação de Claudia Leitte só evidenciou que Silvio Santos vem perdendo a mão em cena. Ele sempre fez isso, é verdade. Mas, neste momento em que finalmente as discussões sobre assédio estão na ordem do dia, espetacularizar sobre isso, e ainda mais num encerramento de uma campanha beneficente, foi bola foríssima.

Teleton já teve fases melhores. A maratona já teve quadros criados especialmente para a ocasião, como Batalha dos Artistas e Show de Talentos, que eram muito bons. Também teve edições especiais de programas do SBT, como Gol Show, Curtindo uma Viagem, Show do Milhão, Family Feud e cia, que eram bem divertidos. Por que não voltar a apostar em variedades na campanha? O espectador quer doar, mas também quer se divertir. E, neste quesito, o Teleton anda devendo.

André Santana

sábado, 10 de novembro de 2018

"Segundo Sol" foi uma boa ideia desperdiçada

"Vote em mim!"

Segundo Sol terminou ontem, 09, com o rótulo de pior novela assinada por João Emanuel Carneiro. Talvez em busca de uma novela de mais fácil digestão, depois da complexa A Regra do Jogo, João acabou optando pelo caminho mais simples na condução de uma história que teve um ponto de partida muito simpático, mas desenvolvimento sofrido. Isso porque o autor tinha em mãos um personagem muito interessante, o cantor Beto Falcão (Emílio Dantas), mas preferiu dar o protagonismo a Luzia (Giovanna Antonelli), uma das piores mocinhas que já criou. Deu no que deu.

Da maneira como Segundo Sol foi conduzida, seu primeiro capítulo se revelou inútil. Afinal, o fato de Beto Falcão ser um cantor famoso, mas esquecido, que volta à fama após ser dado como morto pouco influiu no desenvolvimento da história. Beto poderia ser qualquer coisa. Até porque, depois de decidir viver dos lucros de sua falsa morte, o personagem simplesmente perdeu importância. Mesmo fingindo sua morte, ele circulava livremente por aí, ao mesmo tempo em que enganava até o próprio filho, fingindo ser seu padrasto. Surreal. Além disso, com o pouco espaço de Beto, Segundo Sol explorou pouco um dos seus trunfos iniciais: a trilha sonora recheada de clássicos do axé. Isso deu uma identidade interessante à novela, que se perdeu logo no início.

Segundo Sol teria sido bem mais interessante se o autor tivesse levado Beto Falcão a sério. A história deveria ter focado, inicialmente, em seu conflito entre seguir mantendo a farsa e se entregar de vez. Afinal, Beto era um bom homem, mas se viu tendo que enganar todo mundo. Ao mesmo tempo, deveria haver um esforço real em se esconder. Situações de quase descoberta poderiam ter sido exploradas. Mais adiante, Segundo Sol poderia focar na descoberta da farsa e suas consequências. E, por fim, seria concluída com a redenção, a retomada e a reinvenção de Beto Falcão como artista, voltando a fazer sucesso.

Mas Beto foi coadjuvante na história do dramalhão familiar de Luzia, que viu sua família ser destruída pelas vilãs Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves). Uma história poderosa, sim, mas desenvolvida pessimamente. Luzia, além de escolher os piores jeitos de se reaproximar dos filhos, ainda caía em todas as armadilhas das vilãs. De uma ingenuidade exagerada, a mocinha acabou irritando o público, em vez de conquistar torcida. Além disso, sua história andava em círculos. Luzia passou a novela toda fugindo da polícia.

Além disso, personagens promissores perderam a mão. Rosa (Letícia Colin) começou dona da novela, graças a sua personalidade marcante e sua dubiedade bem construída. Mas, ao optar por ceder às investidas de Laureta, a personagem perdeu força. Passou boa parte da história pelos cantos, sem o viço inicial. Cresceu novamente apenas quando começou seu processo de redenção. Mas seu quase “sumiço” ao longo da trama foi outro desperdício.

Roberval (Fabrício Boliveira) foi outro personagem que começou bem, mas se perdeu. O clã Athayde era o núcleo que mais tinha do DNA de João Emanuel Carneiro: uma família disfuncional, com diversas personalidades dúbias, e que vivem quase como num universo paralelo. Neste contexto, o drama de Roberval era poderoso: filho do chefe do clã com a empregada, ele viu sendo renegado pela família por ser negro, enquanto o irmão branco foi tratado como legítimo. A rivalidade entre Roberval e Edgar (Caco Ciocler) era interessante, e a sede de vingança de Roberval prometia. No entanto, em algum momento, a dubiedade do personagem foi se tornando frágil. Por fim, a resolução dos conflitos da família foi forçada e preguiçosa, com personalidades mudando ao sabor do vento.

Além disso, situações forçadas da reta final ficaram com cara de resoluções de última hora pouco pensadas. A falsa morte de Remy (Vladimir Brichta) evidenciou furos. A origem de Laureta e sua então vingança contra a família de Beto pareceu inconsistente. Bem como a origem de Karola, que se revelou filha de Laureta com Severo Athayde (Odilon Wagner). Laureta e Karola sempre foram parceiras, mas o “amor maternal” de Laureta no desfecho ficou forçado. Que amor é esse que fez a própria mãe prostituir a filha, ao mesmo tempo em que a incentivava a viver um romance com o próprio tio? Entrecho estranho, que parece ter sido inventado de última hora.

Mas nem tudo foi ruim. Segundo Sol, apesar dos entrechos preguiçosos, tinha diálogos inspirados e ótimas atuações. Se Letícia Colin foi a dona do começo da novela, Deborah Secco, Adriana Esteves e Vladimir Brichta a pegaram para si na fase final. Todos saem maiores da novela. Além disso, a trama revelou ótimos nomes, como Kelzy Ecard (Nice) e Claudia di Moura (Zefa). E teve um último capítulo que, apesar dos exageros e clichês, divertiu. Laureta, mais uma boa vilã para a galeria de João Emanuel Carneiro, provocou o atual contexto nacional, ao sair da cadeia direto para a política. Adriana Esteves construiu mais um tipo excelente.

No saldo final, Segundo Sol se mostrou como uma novela frágil, de construção equivocada. Teve bons momentos, mas finaliza como um passo em falso de João Emanuel Carneiro. Não foi um dramalhão familiar eficiente como Da Cor do Pecado, nem crítica como Cobras & Lagartos, e nem inventiva e provocativa, como A Favorita e A Regra do Jogo. E, claro, não foi a novela que “uniu o Brasil” como Avenida Brasil. Apenas passou.

André Santana

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

"1 por Todos" é reality empresarial, mas estreia com cara de "Bake Off"

"Eu só quero chocolate"
Quase na surdina, a Band exibiu na noite da última segunda-feira, 05, o primeiro episódio de seu mais novo reality show. 1 por Todos tem uma interessante proposta empresarial, no qual os participantes devem integrar um coletivo e trabalhar numa nova produção dentro de uma grande empresa. No entanto, como a empresa em questão é a Cacau Show, uma fábrica de chocolate, o que foi visto na estreia foi uma espécie de reedição do MasterChef ou do Bake Off.

Nesta estreia, a apresentadora Caroline Ribeiro falou sobre como as equipes de trabalho devem ser formadas. Entre os participantes, há profissionais de engenharia de produção, empreendedorismo, design, marketing e, claro, confeitaria. E foi justamente nesta última área que 1 por Todos focou no início. Os confeiteiros passaram por provas no qual tiveram que mostrar seus talentos individuais. Fabrizio Fasano, Mônica Burgos e Alê Costa, este último o fundador da Cacau Show, são os jurados.

Assim, o que foi visto na maior parte do episódio foram os confeiteiros lidando com chocolate em variadas receitas. Além dos jurados fixos, o programa contou com a participação da confeiteira e apresentadora Carol Fiorentino. Ou seja, a presença de Carol e Fasano julgando guloseimas remeteu, de imediato, ao Bake Off Brasil, do SBT. Como se sabe, Carol e Fasano foram jurados das primeiras temporadas do reality. Mais adiante, Carol assumiu a apresentação. Mas, em 2018, os dois foram substituídos por Nadja Haddad e Olivier Anquier, respectivamente.

Ao dedicar a estreia aos profissionais da confeitaria, 1 por Todos não mostrou nada do que já não foi visto no Bake Off ou no próprio MasterChef, da Band. Ou seja, estrear mostrando desafios na cozinha pode não ter sido a melhor estratégia. Isso porque o episódio acabou soando mais do mesmo, tendo em vista as inúmeras competições do gênero atualmente em exibição.

No entanto, o programa não deve ficar só nisso. A proposta é que, nos próximos capítulos, os desafios envolvam as demais áreas da empresa. Assim, na prática, a atração é uma mistura entre os tradicionais realities de culinária com um espírito meio O Aprendiz. Algo promissor, se a linguagem adotada não ficar muito voltada a um nicho. Vamos ver como isso irá se desenvolver.

No mais, foi uma boa estreia. O programa tem bom ritmo, com um episódio mais enxuto, e não arrastado como o MasterChef. Carol Ribeiro cumpre bem sua função, e Alê Costa é bastante carismático e funciona bem no vídeo. Além disso, a Band conseguiu fazer do 1 por Todos uma grande ação de merchandising, mas que funciona muito bem como entretenimento. Um feliz casamento.

André Santana

sábado, 3 de novembro de 2018

"Superpoderosas" chega ao fim sem ter dito a que veio

Superpoderosas, agora,
só o desenho do SBT

Nesta semana a Band anunciou o fim do feminino matinal Superpoderosas. A atração de Natália Leite ficou no ar pouco mais de seis meses e nunca disse a que veio. Além da baixa audiência, o programa não soube diagnosticar suas falhas e buscar mudanças no sentido de alcançar o público da emissora. Por conta disso, sua extinção já era uma tragédia anunciada.

Idealizado por Ana Paula Padrão a partir da plataforma Escola de Você, Superpoderosas tinha a melhor das intenções. Era um programa voltado para a mulher contemporânea, abordando assuntos da atualidade sob o ponto de vista feminino. A ideia era oferecer informações para que a espectadora pudesse tomar para si e mudar de vida. Para isso, promovia debates diários com convidados e especialistas acerca dos mais variados temas.

Entretanto, Superpoderosas tinha uma falha grave para uma atração de TV aberta. O programa era segmentado ao extremo, voltado a uma fatia muito específica de público. Assim, ele não alcançava grande parte do público do canal. Sempre teve cara e jeito de programa de TV paga.

Curiosamente, o programa tinha um formato flexível, que poderia perfeitamente se adequar às demandas da TV aberta. Superpoderosas poderia ter tentado ampliar a pauta, investindo em entrevistas, jornalismo ou outros quadros que pudessem abarcar um público maior. Mas não fizeram isso. Superpoderosas foi fiel à sua proposta inicial do início ao fim. Com isso, não agregou público e acabou encontrando seu fim.

Mas Superpoderosas não está sozinho na lista de cortes da emissora. O programa de culinária Cozinha do Bork, que o antecede na grade, também teve sua produção suspensa. Mas, ao contrário do programa de Natália Leite, que sai do ar em definitivo, Cozinha do Bork segue no ar com reprises. No entanto, segundo fontes diversas, o programa realmente não volta mais. Assim, o “intocável” Daniel Bork finalmente deixará a grade da emissora depois de quase 20 anos. Bork, que é cunhado do dono da Band, esteve à frente do Receita Minuto, Bem Família e Dia Dia antes de assumir o Cozinha do Bork, que foi lançado este ano no pacote de novidades da emissora. Quem diria, hein?

A partir da próxima segunda-feira, 05, o horário ocupado pelo Superpoderosas passará a ser ocupado por uma faixa de desenhos. Com isso, a Band muda de foco em suas manhãs, “abandonando” o público feminino e investindo no infantil. Trata-se de uma mudança interessante, já que o canal costumava registrar audiência satisfatória quando dedicava suas manhãs aos pequenos, com o extinto Band Kids.

Além disso, o público feminino e adulto já está mais do que contemplado na TV aberta. Globo, Record e RedeTV já têm seus programas no segmento. Já o público infantil tem como opção apenas o SBT. Ou seja, a emissora pode ser uma alternativa ao Bom Dia & Cia, com boas chances de ampliar sua audiência no horário.

Aliás, muitos acreditam que a nova faixa de desenhos servirá como “esquenta” para uma parceria com a Disney, aos moldes do extinto Mundo Disney, do SBT. A Band estaria prestes a fechar com a gigante do entretenimento mundial, que exibiria seu conteúdo em diversos horários do canal aberto. Seria, sem dúvidas, um bom negócio para a Band, que receberia para exibir um conteúdo que tem suas qualidades. Neste momento de crise, é algo bem melhor que voltar a locar horários para igrejas e jogos de cavalinho sem pata.

PS: peço desculpas pelo sumiço nesta semana. Estou à frente da comunicação de dois grandes eventos culturais e não consegui aparecer por aqui. Mas semana que vem tudo volta ao normal. Agradeço a compreensão.

André Santana

sábado, 27 de outubro de 2018

"Vídeo Show com Zeca Camargo": uma defesa

"Tá com saudades, né?"

Chegou o dia que ninguém esperava: o dia em que começamos a sentir saudades do Vídeo Show com Zeca Camargo. A frustrada tentativa de transformar o vespertino da Globo num talk show, num novo formato idealizado por Ricardo Waddington, deixou a pior das impressões. Mas, venhamos e convenhamos, era um Vídeo Show muito melhor do que o que se tem visto hoje. Ver o tradicional vespertino minguar diante de nossos olhos nos faz sentir muita falta do Zeca Camargo afobado promovendo brincadeiras sem graça com seus convidados.

Para quem não se lembra, o Vídeo Show com Zeca Camargo estreou no final de 2013. O novo formato surgiu quando Ricardo Waddington assumiu a direção de núcleo do vespertino e ganhou carta branca da Globo para fazer uma reformulação total. Na época, o programa já não rendia resultados muito satisfatórios, fazendo a emissora almejar uma grande mudança. A ideia era fazer um Vídeo Show completamente renovado.

Para isso, Zeca Camargo foi afastado do Fantástico para se tornar o novo âncora do Vídeo Show. Zeca surgiu num programa totalmente novo, diante de uma plateia e recebendo um convidado por dia. Assim, cada programa era moldado para o convidado do dia, que era entrevistado e relembrava sua própria história, além de participar de brincadeiras no palco. As matérias de bastidores permaneceram, surgindo entre uma brincadeira no palco e outra. O programa tinha um DJ em cena e uma plateia ruidosa. Sem dúvidas, era uma renovação e tanto.

Mas o novo formato não emplacou. Dizia-se, na época, que o público não aceitou um Vídeo Show que não era o Vídeo Show. Diagnóstico que nunca me pareceu correto. O grande problema do novo Vídeo Show era de ordem estrutural. O novo formato e o novo apresentador eram muito bons! Entretanto, a execução foi falha, por alguns motivos.

Zeca Camargo é um jornalista com grandes e bons serviços prestados. Tem um currículo que fala por si. Tem repertório e conteúdo. Ou seja, um profissional mais do que indicado para apresentar um talk show. Mas ele foi incrivelmente mal dirigido. Zeca surgia extremamente afobado em cena, falando rápido e gesticulando de maneira inexplicável. Faltou um diretor ali para conter todo este entusiasmo. Além disso, a promessa de um talk show se diluiu diante de um roteiro fraco. A entrevista do convidado era, quase sempre, frustrante, já que era interrompida a todo o momento para a entrada de brincadeiras sem graça. Parecia O Formigueiro, talk show de Marco Luque na Band. Para piorar, não havia diálogo entre o que acontecia no palco e as matérias apresentadas. Elas apareciam de supetão, fazendo do Vídeo Show um híbrido estranho.

Uma pena, já que a ideia sempre pareceu ousada e certeira. Era evidente, desde aquela época, que o Vídeo Show carecia de uma injeção de ânimo. Ele precisava, na verdade, se tornar um outro programa. E foi isso que a equipe de Waddington fez. Foi uma mudança ousada e necessária. Mas que, infelizmente, não deu certo, por problemas já apontados aqui. O ideal, então, era que a direção analisasse os erros e buscasse aparar as arestas do novo formato. Mas não foi isso que fizeram. Ao contrário. Simplesmente abandonaram o novo formato, sem qualquer tentativa de corrigir os equívocos. Por isso, o programa nunca mais foi encorajado a tentar uma nova transformação radical.

E é justamente isso que o Vídeo Show precisa. Uma reforma radical. Não que precise ser um resgate do formato com Zeca Camargo, mas uma reforma de maneira tão ousada quanto. Porque, do jeito que está, claramente não dá mais para ficar. A coisa está tão feia que o Vídeo Show tem amargado a terceira colocação no Ibope, atrás de A Hora da Venenosa, da Record, e Chaves e Fofocalizando, do SBT. Ou seja, a concorrência não exibe nenhum achado, pelo contrário. O público não fugiu porque encontrou algo melhor, mas sim porque simplesmente se cansou do Vídeo Show. As mudanças na apresentação não refrescaram a situação. Aliás, o que já era esperado, né? Só Boninho mesmo para acreditar que trocar apresentador e repórter fosse resolver alguma coisa.

Sugiro uma transformação radical. Um formato realmente novo, com um apresentador que tenha história e estofo e um roteiro que não caia no lugar comum de sempre. Mas nem isso seria uma garantia de melhora. Isso porque o Vídeo Show já teve tantas promessas de mudanças nos últimos anos que, agora, sua imagem está arranhada. Resta saber se este arranhão tem cura. Ou melhor seria pensar num novo programa para substituí-lo. Mas é evidente que alguma coisa precisa ser feita. E com urgência.

André Santana

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Fernanda Gentil vai para o entretenimento, enquanto Xuxa ganha novo formato. Mas e Angélica?

Gentileza gera gentileza
Novas movimentações na televisão brasileira. Segundo Flavio Ricco, colunista do UOL, a apresentadora Fernanda Gentil está prestes a deixar o comando do Esporte Espetacular na Globo. Fernanda deve ser a próxima a deixar o jornalismo televisivo e se aventurar no entretenimento da emissora, tal qual Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e Tiago Leifert. Em seu lugar no dominical, entra Bárbara Coelho, que já costuma cobrir suas folgas.

Segundo fontes diversas, a Globo começou a prestar mais atenção em Fernanda Gentil após seu bom desempenho no programa Papo de Almoço, na rádio Globo. Além disso, sua performance sempre descontraída e seu traquejo no ao vivo também a credenciaram para a transição. No entanto, ainda não se sabe exatamente o que Fernanda Gentil fará depois que deixar de vez o Esporte Espetacular. Especula-se um game show ou um outro formato aos domingos. É esperar para ver.

O que chama a atenção neste caso é que a Globo segue mantendo Angélica na geladeira, enquanto abre espaço para novos nomes. Evidentemente, renovar seu quadro de apresentadores é algo positivo. E dar o devido espaço a quem vem galgando novas oportunidades na telinha de maneira profissional também é bastante importante. Mas parece meio estranho o canal seguir mantendo uma veterana com excelentes serviços prestados fora do ar, ao mesmo tempo em que abre espaço para outros nomes. Lázaro Ramos, Taís Araújo, Fernanda Souza, Luan Santana e Otaviano Costa estão no ar ou tocando novos projetos. Mas, para Angélica, tudo é silêncio.

Oficialmente, Angélica segue se reunindo regularmente com uma equipe para a formatação de uma nova atração, a ser lançada em 2019. Mas pouco se fala a respeito do que se trata, qual a periodicidade e qual a previsão de estreia. Recentemente, o jornalista Fernando Oliveira, o Fefito, deu nota afirmando que Angélica deve assumir um programa noturno semanal. Mas qual seria o dia, sabendo que a linha de shows da Globo tem trocentos projetos enfileirados? A impressão é a de que Angélica está sendo cozinhada em banho-maria. 

Falando em loiras, Xuxa Meneghel já tem projetos para a TV em 2019. Recentemente, o TELE-VISÃO comentou que a Record precisava, urgente, encontrar um novo formato para revezar com o Dancing Brasil, no intuito de poupar o formato de dança e aproveitar Xuxa em novos postos. Pois é isso que vai acontecer no ano que vem. Xuxa deve comandar a versão nacional de The Four, uma competição musical que já teve a cantora Fergie como apresentadora nos EUA. A Record sonha com Anitta como uma das juradas. Uma boa perspectiva para a loira, embora o fato de que mais uma competição musical na emissora que já exibe o Canta Comigo possa soar como mais do mesmo. Estreia em 6 de fevereiro, informou Patrícia Kogut.

André Santana

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TELE-VISÃO 13 anos: quando o "Sítio do Picapau Amarelo" virou novela

"Segura Berenice,
que essa foto já tem 13 anos!"
No dia 22 de outubro de 2005, nascia o blog TELE-VISÃO. São 13 anos acompanhando e registrando a movimentação da televisão brasileira, sobretudo nos canais abertos, comentando e repercutindo fatos importantes da nossa telinha. Mas você se lembra o que estava sendo exibido na TV na época em que o blog nasceu? Bom, a Globo exibia as novelas Alma Gêmea, Bang Bang e América; a Record surfava no sucesso de Prova de Amor; e o SBT exibia Os Ricos Também Choram, mas sua novela de sucesso era a reprise de Xica da Silva, da extinta Manchete.

No mesmo dia em que o TELE-VISÃO nascia, a Folha de S. Paulo publicava uma matéria trazendo opiniões de especialistas em Monteiro Lobato criticando a temporada do Sítio do Picapau Amarelo que estava em exibição naquele momento nas manhãs da Globo. Naquele ano, a emissora fazia a primeira grande mudança no infantil, que deixou de apresentar histórias com poucos capítulos para se aventurar numa trama de 180 episódios, com jeitão de novela. Com o novo formato, Sítio do Picapau Amarelo ganhou a alcunha de “Malhação infantil”.

Na nova temporada, assinada pelos autores Duca Rachid, Alessandro Marson e Julio Fischer, e dirigida por Cininha de Paula, o Sítio do Picapau Amarelo ganhava uma cidade cenográfica maior, ampliando a gama de personagens ao explorar a vida e o cotidiano da pequena Arraial dos Tucanos. Assim, Dona Benta (que ganhava nova intérprete, Suely Franco, que sucedeu Nicette Bruno), Tia Nastácia (Duh Moraes) e a boneca Emília (Isabelle Drummond) dividiam espaço com personagens como Saraiva (Chico Anysio), Antonica (Yachmin Gazall), Tambelina (Carol Roehrig) e a boneca “moderna” Patty Pop (Thávine Ferrari). E a trama trazia os clássicos personagens como coadjuvantes numa história de amor juvenil, protagonizada por Cléo (Karen Marinho) e João da Luz (Henrique Ramiro).

Cléo é uma jovem da cidade que troca cartas com Narizinho (Caroline Molinari). Quando ela passa a ser ameaçada por sua madrasta, a malvada Marcela (Lu Grimaldi), decide fugir para o Arraial dos Tucanos. Ali, ela se torna locutora de rádio e se apaixona por João da Luz, um amigo de Pedrinho (João Vitor Silva). Ele mora em uma casa na árvore por conta de um feitiço que a malvada Cuca lançou contra ele: em todas as noites de lua cheia, João da Lua se transforma em lobisomem.

“A Globo faz o que quer, pinta e borda. Faz tudo, menos Monteiro Lobato. A adaptação do Sítio do Picapau Amarelo é muito ruim”, disse à Folha Tatiana Belinky, amiga do autor e responsável pela adaptação do Sítio para a TV Tupi, nas décadas de 1950 e 1960, e Bandeirantes, de 1967 a 1969. A matéria foi publicada na semana em que a garota Tetéia, uma das novas personagens da produção, sofria um acidente e se desesperava ao saber que ficaria paralítica. Ela se recusava a usar cadeira de rodas e não queria que os amigos a vissem “assim”, além de se considerar castigada por ter agido mal. Ou seja, um dramalhão e tanto, com uma mensagem um tanto duvidosa, em meio à fantasia proposta por Lobato. “Não se moderniza um clássico, tem de respeitá-lo. O que é isso? Deixem o estilo do autor em paz”, reclamou Belinky.

Também participa da matéria a professora de literatura infantil da USP e PUC Maria dos Prazeres Mendes. “A ideia de atualizar tem a ver com o que o público desejaria assistir. E aí corre-se um risco porque entramos nos chavões, na coisa padronizada, estereotipada. Lobato abre a imaginação, e, na adaptação, ela é fechada, a criança não vê novidade”, analisou. Vladimir Sacchetta, biógrafo do escritor, também reclamou. “Houve uma tentativa de modernizar o Sítio, de trazê-lo para mais perto do telespectador de hoje. Mas Lobato é moderno desde a década de 1920 e 1930. A modernização que a Globo tentou fazer não foi feliz. Por que deu certo nos anos 1970 e 1980, quando era mais fiel ao espírito de Lobato?”, questiona Sacchetta.

A Globo se defendeu das críticas afirmando que as novas histórias do Sítio eram criadas por roteiristas especializados em Lobato, e com a aprovação de seus herdeiros. A emissora também negou que o tratamento dado em episódios desta semana à garota que se desespera ao ficar paraplégica seria inadequado a crianças. “Até porque a continuação da história vai mostrar como a menina vai conseguir superar a dificuldade”, disse o canal, em nota.

Contexto

A versão anos 2000 do Sítio do Picapau Amarelo estreou em outubro de 2001. Inicialmente, foram ao ar versões dos livros assinados por Monteiro Lobato. As histórias clássicas rechearam as temporadas exibidas entre 2001 e 2002 e foram um estrondoso sucesso nas manhãs da Globo. Em 2003, porém, a direção da emissora decidiu dar continuidade à série com roteiros originais. Walcyr Carrasco foi recrutado para criar novos enredos. Depois, passou o bastão para Mario Teixeira. As histórias novas mantiveram um espírito semelhante às clássicas, e as tramas duravam entre um e dois meses. O formato era de seriado diário, e não de novela.

No entanto, tentando reverter um natural desgaste, a emissora tentou dar fôlego ao Sítio do Picapau Amarelo, adotando um formato semelhante à de novela, com uma única história que ficava no ar entre abril e dezembro. Mas a temporada 2005 pesou a mão nos temas “modernos”, afastando-se muito do universo proposto por Lobato. No ano seguinte, o formato meio novelístico se manteve, mas foi injetada uma dose maior de fantasia. O visual dos personagens ficou mais lúdico e o romance principal (porque novela tem que ter romance principal, mesmo sendo infantil) era entre um príncipe e uma princesa de reinos rivais.

Já em 2007, houve uma reformulação total, com todo o elenco renovado. Bete Mendes foi Dona Benta e Rosa Maria Colyn viveu tia Nastácia. Os bonecos que davam vida a personagens como Cuca e Rabicó foram substituídos por atores fantasiados (Solange Couto era a Cuca), enquanto Emília voltou a ser vivida por uma atriz adulta, como nas primeiras adaptações. Tatiane Goulart deu vida a esta última versão de carne e osso da boneca. Mas, com a audiência em queda, Sítio do Picapau Amarelo não foi renovado para a temporada 2008, saindo do ar naquele ano.


Obrigado a todos que fizeram e fazem parte destes 13 anos de TELE-VISÃO! É de uma satisfação inexplicável poder compartilhar e conversar sobre TV com vocês. Obrigado mesmo!


André Santana

sábado, 20 de outubro de 2018

"Assédio": com pouco espaço na TV aberta, Globo experimenta no streaming


Como dito por aqui na semana passada, a linha de shows da Globo nunca esteve tão variada. Antes quase toda tomada por teledramaturgia, a faixa agora exibe, também, programas de auditório. A prática, no entanto, teve um problema colateral: o canal, agora, tem menos espaço em sua grade tradicional para fazer suas experiências. Assim, a emissora tem usado seu serviço de streaming, o GloboPlay, como um espaço para novas séries e experimentações em teledramaturgia. Assédio, primeira série exclusiva do serviço, deixou isso bem claro.

A minissérie teve seu primeiro episódio exibido pela TV Globo na noite da última segunda-feira, 15, em caráter especial. A produção, desenvolvida exclusivamente para o serviço de streaming, mostra que o GloboPlay é o novo espaço para experiências da emissora. Não que o canal aberto do Grupo Globo não tenha exibido minisséries semelhantes. Mas é evidente que a emissora busca ampliar seu alcance. A ideia é conquistar um público que não acompanha sua programação tradicional.

E Assédio tem esse apelo. Inspirada no livro A Clínica – A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, a série escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, é um esmero em todos os sentidos. A produção conta a história de Roger Sadala (Antonio Calloni), um famoso e respeitado especialista em reprodução humana que abusa sexualmente de várias de suas pacientes. Assédio faz um painel da jornada deste personagem, do apogeu à queda. Paralelamente, mostra o trabalho da jornalista investigativa Mira (Elisa Volpato). Ela contata um grupo de mulheres abusadas pelo médico e passa a investigar os casos.

Sendo assim, a temática de Assédio é bastante oportuna em tempos em que a discussão sobre a cultura do estupro está na ordem do dia. E a minissérie acerta ao trazer o ponto de vista feminino. Ela mostra, com muita competência, as devastadoras consequências de um abuso sexual na vida de uma mulher. A abordagem ganha credibilidade, tendo em vista que é inspirada num caso real. Além disso, esclarece e faz refletir, sem ser nem um pouco didática. Ao contrário. O texto é perturbador e envolvente.

Fugindo de qualquer vício de novela, Assédio tem uma narrativa não-linear que traz muito pouco de uma atração televisiva tradicional. Ou seja, não é simplesmente uma produção da Globo exibida pela internet. Na verdade, é um produto pensado para a plataforma ao qual é exibida.

Por isso mesmo, os primeiros episódios fogem da obrigação de oferecer ganchos poderosos. Ao contrário. Assédio começa quase como uma colcha de retalhos, com situações quase isoladas, dentro de um vai-e-vem temporal. Apenas entre o terceiro e quarto episódio as histórias começam a se unir e ganhar ritmo. Ou seja, a trama foi pensada para um público acostumado a assistir séries numa tacada só. “Maratonar” Assédio amplifica a experiência de assisti-la.

Ao exibir o primeiro episódio de Assédio na TV aberta, a Globo mostra que não medirá esforços para emplacar sua plataforma de streaming. A experiência se junta à exibição de The Good Doctor na Tela Quente e à criação do Cine GloboPlay, com a exibição de filmes disponíveis no serviço. Tais fatos são, na verdade, grandes propagandas do GloboPlay. Ao mostrar, na TV, o primeiro episódio de Assédio, a Globo quer instigar seu público a acompanhar a série, tentando angariar novos assinantes. É uma experiência válida.

E esta nova janela para a exibição de séries chega num momento bem interessante da produção global. Isso porque a teledramaturgia da Globo vive uma fase de contrastes. As tradicionais novelas optam por narrativas cada vez mais simples (algumas até simplórias). Assim, as novas narrativas ficam relegadas ao pouco espaço reservado às séries na linha de shows. Daí a importância do investimento no GloboPlay. Além de turbinar seu serviço de streaming, a Globo ainda investe em produtos de grife, com muito apelo comercial fora do país. Ou seja, o canal tem uma visão global e multimídia acerca de suas produções. Sem dúvidas, um acerto.

André Santana

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

História da TV: o apogeu e a queda da CNT, uma emissora "esquecida"

"Não tem chororô,
seu tempo acabou!"

A Central Nacional de Televisão, ou CNT, está jogada às traças. Atualmente, a emissora conta com uma programação sucateada, praticamente toda locada para a exibição de programas religiosos. Quem a vê assim nem deve se lembrar que o canal teve bastante importância na história da televisão brasileira, tendo revelado nomes como Luciano Huck e Ratinho. Além disso, grandes nomes passaram pela emissora, que também teve sua relevância com a exibição de conteúdos diferenciados.

A CNT com este nome foi inaugurada em 1993, sucedendo a Rede OM, criada nos anos 1980 pelo empresário e político José Carlos Martinez no estado do Paraná. A mudança de nome se deu em razão dos planos de transformar a emissora paranaense numa rede nacional. Para tanto, a emissora tratou de trazer afiliadas em todo o Brasil, além de se associar à TV Gazeta na Grande São Paulo, trazendo sua programação ao principal mercado do país, e levando programas da Gazeta para o Brasil. Nesta época, a CNT já contava com nomes como Galvão Bueno em seu cast, e tratou de fazer outras contratações, como Clodovil Hernandez. O programa Clodovil em Noite de Gala, transmitido da Ópera de Arame, em Curitiba, inaugurou a nova fase.

Durante a década de 1990, a emissora passou a oferecer uma programação variada, além de transmitir vários dos programas da Gazeta em rede nacional, como o já consagrado Mulheres, apresentado por Claudete Troiano e Ione Borges. A CNT também lançou o Programa João Kleber nas madrugadas, além de apostar em programação esportiva, jornalismo, filmes, séries e desenhos animados. Em 1994, o infantil Tudo por Brinquedo, apresentado por Mariane, leva desenhos ao horário nobre.

Em 1995, Marília Gabriela chega à CNT para comandar o Marília Gabi Gabriela, e Luciano Huck faz sua estreia na TV com o Circulando, uma espécie de Programa Amaury Jr “jovem”. Enquanto isso, Sula Miranda chega com o Sula Show. Adriane Galisteu também estreia como apresentadora na emissora, no comando do Ponto G, atração de vida curta. Outra novidade da época foi o infantil Hugo, protagonizado por um gnomo que era personagem de um game, no qual o espectador jogava apertando teclas do telefone. Foi um sucesso! O canal também exibia bons filmes, em sessões como Tela Mágica, Tensão Total e Cine Comédia.

Em 1996, a CNT investe em dramaturgia, exibindo o seriado Pista Dupla, as minisséries Irmã Catarina, Ele Vive e a novela Antônio dos Milagres. Também é o ano em que Ratinho desponta, no comando do jornal policial 190 Urgente. Já em 1997, uma parceria com a Televisa faz com que uma sacolada de programas mexicanos invada a grade, como Cristina Show e Lente Loco, programas de auditório dublados. O canal também abre várias faixas de novelas, com os folhetins mexicanos Coração Selvagem, Prisioneira do Amor, Império de Cristal, Alcançar Uma Estrela e Simplesmente Maria. Mas o filé da nova grade era o humorístico Chespirito, com esquetes inéditos no Brasil do criador de Chaves e Chapolin.

No final da década, chegam à CNT nomes como Ronnie Von, que lança o feminino Mãe de Gravata, e Sérgio Mallandro, com o “antológico” Festa do Mallandro. Porém, com o rompimento da parceria com a Gazeta, em meados de 2000, a CNT se viu obrigada a tapar buracos na grade. Mãe de Gravata passa a ser exibido no horário anteriormente dedicado ao Mulheres, enquanto estreia a Sessão Super-Heróis, com a exibição de séries japonesas. Nesta fase, o canal é exibido num precário canal em UHF em São Paulo, o que o faz perder visibilidade. Clodovil retorna à emissora para apresentar o talk show Clodovil Frente e Verso, enquanto a socialite emergente Vera Loyola tenta ser a nova Hebe no tosquíssimo Programa Vera Loyola (relembre esta pérola clicando AQUI). Começa, então, um período de altos e baixos na emissora. Horários passam a ser vendidos e a produção própria cai vertiginosamente.

Neste período, houve tentativas de retomar as produções. Uma delas em 2007, quando a CNT arrenda seu horário nobre para o Grupo Jornal do Brasil, lançando a TV JB. A “nova” emissora tinha bons nomes no cast, como Boris Casoy e Ney Gonçalves Dias, mas dura apenas alguns meses. Em 2009, programas como o vespertino Notícias & Mais inauguram um novo estúdio da emissora em São Paulo. A emissora também volta a exibir novelas mexicanas, como Marimar, Amanhã É Para Sempre e A Outra. Mas a coisa não decola, e a CNT volta a recorrer à venda de horários. Atualmente, sua grade própria está concentrada nas faixas entre 22h e meia-noite, com a exibição do CNT Jornal e poucos programas de variedades, como o bom talk show Conexão com Zé Américo. Bem pouco para uma emissora que já teve tantos bons momentos.

André Santana