sábado, 18 de novembro de 2017

"Superpop" completa 18 anos em sua pior fase

No último dia 15 de novembro, a RedeTV comemorou seus 18 anos de vida. Foi neste dia, no ano de 1999, que o canal lançou, oficialmente, sua primeira grade de programação. Ou seja, lá se vão 18 anos desde aquela estreia empolgante, quando parecia que ia nascer um canal de alta qualidade. Com o slogan “uma opção de qualidade na sua TV”, filmes clássicos, bons seriados, programas de formatos variados e bem embalados, e uma programação jornalística de nível, além de um elenco repleto de bons nomes, parecia que a RedeTV viria para substituir a Rede Manchete à altura. Mas a proposta ficou no campo da promessa.

É interessante observar que alguns dos programas que compõem a primeira grade da RedeTV estão no ar até hoje, ou seja, estão também completando 18 anos de existência. É o caso do Leitura Dinâmica, que estreou como uma revista eletrônica dominical e, hoje, é um belo jornal de fim de noite na programação da emissora. Ou ainda o TV Fama, que estreou como uma revista de cultura e bastidores apresentada por Mariana Kupfer, mas que foi cancelado logo no início, retornando ao ar alguns meses depois, já como um programa de fofocas apresentado por Monique Evans e Paulo Bonfá, e com matérias de Otávio Mesquita (meses depois, Nelson Rubens e Janaína Barbosa assumiriam).

Além destes, outro programa que faz parte do canal desde a estreia é o Superpop. O programa, que atualmente é apresentado por Luciana Gimenez nas noites de segunda e quarta-feira, entrou no ar em 15 de novembro de 1999, e era exibido de segunda a sábado, das 20h às 21h30, com apresentação de Adriane Galisteu. Era o início da ascensão de Adriane como apresentadora de TV, já que o programa de variedades era considerado o carro-chefe da grade de entretenimento do canal.

É preciso lembrar do contexto do lançamento do Superpop. Em 1999, a Band fazia sucesso com o programa juvenil H, apresentado por Luciano Huck em suas noites. A atração deu tão certo que chamou a atenção da Globo, que tratou de contratar Luciano Huck. Para substituí-lo, a Band contratou Otaviano Costa para seguir com o H em suas noites. Enquanto isso, Adriane Galisteu despontava como uma promessa na telinha, comandando com sucesso o game Quiz MTV, na extinta MTV Brasil. O desempenho de Adriane no canal musical despertou o interesse da direção da RedeTV, que decidiu apostar nela para ser a grande estrela da nova grade que estava sendo formatada. No início, aliás, a contratação de Adriane pela RedeTV permitia que ela continuasse dando expediente na MTV.

Assim, a RedeTV tratou de formatar um programa para Adriane. O canal chegou a pensar em colocar Adriane em seus fins de tarde, mas logo mudou de ideia e Superpop foi concebido para o horário nobre, justamente para tentar fazer frente ao H. O programa era simples e eficaz: com um sofá de couro instalado no meio do cenário, Adriane recebia convidados para entrevistas, debates e, ainda, trazia atrações musicais, com muita música ao vivo. Ou seja, a proposta do Superpop era ser uma espécie de “Hebe juvenil”, trazendo várias atrações de variedades típicas dos programas de auditório da época em torno de um sofá. E deu muito certo!

Superpop mostrou ter potencial, já que tinha uma boa apresentadora e atrações interessantes. Mas não dava sinais de decolar em seu horário de exibição, afinal, a faixa das 20 horas era muito concorrida. Percebendo isso, a direção da RedeTV mudou seu horário alguns meses depois da estreia, jogando o Superpop para faixa das 22 horas, e escalando as séries Jeannie É um Gênio e A Feiticeira para a faixa das 20 horas. A mudança deu certo e Superpop emplacou. Emplacou tanto que a direção da Record se interessou pelo passe de Adriane, contratando a loira antes mesmo de o Superpop fazer um ano de vida. Desfalcada e pega de surpresa, a RedeTV apelou para uma solução caseira, escalando Otávio Mesquita (que estava no canal no TV Fama e no Perfil 2000) e Fabiana Saba (que comandava o Interligado) para substituí-la. Ao mesmo tempo, abriu um número de telefone onde a audiência podia ligar e sugerir um nome para apresentar o Superpop.

Enquanto recebia sugestões da audiência, a direção da RedeTV convidava vários nomes para gravar pilotos para o Superpop. Monique Evans foi o nome mais votado na linha dos espectadores, seguida de Astrid Fontenelle. Pois várias delas foram testadas. E uma das personalidades convidadas para testes foi a então modelo Luciana Gimenez. Mesmo não sendo o melhor teste, a RedeTV resolveu apostar nela e Luciana estreou à frente do Superpop em janeiro de 2001. Com Luciana, o Superpop seguia basicamente o mesmo formato de quando estreou, mas logo foi ganhando outros contornos.

Já inserido na fase mais “apelativa” da RedeTV, o Superpop acabou se caracterizando por promover debates sobre temas polêmicos (quase sempre envolvendo sexo) e com a participação de subcelebridades, além do famigerado desfile de lingeries das quartas-feiras. Mesmo com o conteúdo de gosto duvidoso, Luciana Gimenez conseguiu se desenvolver como apresentadora, ganhando cada vez mais desenvoltura e traquejo. Mas, enquanto sua comandante evoluía, o programa ficava cada vez pior. E a apelação, que garantia alguns pontinhos de audiência, hoje já nem funciona mais. Superpop patina em parcos números no Ibope.

Luciana, hoje, é uma boa apresentadora. Prova disso é seu outro programa na grade, o Luciana By Night, às terças-feiras, anos-luz mais interessante que o Superpop. Já este, que deixou de ser diário e é exibido duas vezes por semana, já está fazendo hora extra. Neste aniversário de 18 anos da atração, seria a hora de a RedeTV perceber que o programa já deu o que tinha que dar e apostar em coisas novas na sua linha de shows. Até o tosco Sensacional, exibido às quintas-feiras, consegue ser melhor que o Superpop atualmente. Já passou da hora de uma reavaliação.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Luciano Huck tem até dezembro pra decidir se quer a Globo ou a presidência do país

Já faz algum tempo que se comenta da vontade política do apresentador Luciano Huck. Entretanto, as últimas notícias sobre o assunto já dão como certo o fato de a Globo ter dado um ultimato ao artista: ele tem até dezembro para definir se vai mesmo ser candidato a presidente ou governador no ano que vem. Se decidir abraçar a carreira política, ele terá de se despedir de seu Caldeirão do Huck. Consequentemente, sua esposa Angélica também deverá sair do ar.

O ultimato da emissora faz sentido. O canal costuma planejar com bastante antecedência sua grade para o ano seguinte, e quer se cercar de garantias de que não precisará, do nada, abrir mão de um de seus principais produtos da grade de sábado e ficar sem ter o que colocar no lugar. Afinal, em algum momento, a lei eleitoral vai valer, e candidatos não podem ter espaço fixo na televisão. Além disso, a emissora não deve achar interessante servir de plataforma para um presidenciável. Se Luciano optar pela política e der esta resposta já em dezembro, a emissora terá tempo para definir como ficará seu sábado em 2018. Se desistir da candidatura, o Caldeirão segue normalmente.

Soma-se a isso a decisão do canal de extinguir o Estrelas, que ficará no ar até o final do primeiro semestre do ano que vem. Com uma possível candidatura de Luciano Huck, Angélica surgirá como uma possível primeira-dama. E o canal, assim como não quer servir de plataforma a um candidato, também não deve querer servir de vitrine para uma possível primeira-dama. Sendo assim, a decisão de Luciano Huck afetará, também, Angélica. Até segunda ordem, a apresentadora ganhará um novo programa em 2018. Mas, se a política falar mais alto, o novo projeto corre o risco de não acontecer.

Claro que esta decisão cabe, somente, à Luciano Huck e sua família. Mas, numa análise fria, não parece ser um bom negócio para o apresentador abraçar a carreira política. Afinal, ele irá abrir mão de um espaço certo, onde está consolidado, que é a tarde de sábado da Globo, para se aventurar numa posição na qual não terá garantia nenhuma. Ele deixa a emissora, se candidata e... e depois? E se não for eleito? As portas do canal poderão estar fechadas para ele.

Além disso, sua decisão “respingará” em Angélica. Segundo vários sites, a apresentadora não estaria feliz com a vontade política do marido, o que faz muito sentido. Afinal, Angélica é “bicho de TV”, está no ar ininterruptamente desde seus 13 anos de idade, com uma imagem intocada, muitos fãs e ainda com muito a contribuir na televisão brasileira. O fim do Estrelas poderia significar um novo programa para ela, algo que há tempos seus fãs torcem para que aconteça. Seria triste ela não ter essa oportunidade.

O blog não é partidário. Sua opinião está baseada, unicamente, na admiração que tem por estes dois profissionais. Luciano Huck e Angélica são um casal adorável, dois ótimos apresentadores e que contam com minha simpatia e audiência. Perdê-los para a política seria triste. Vamos ver o que acontece.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Amaury Jr deixa a RedeTV e prepara retorno à Band

Um dos programas mais longevos da RedeTV, o Programa Amaury Jr sairá do ar em dezembro, e Amaury migrará para a Band. Segundo o colunista Flavio Ricco, as conversas do apresentador com o canal de Johnny Saad começaram há cerca de um ano, via tratativas do diretor Diego Guebel. A conversa foi amadurecendo com o tempo, facilitada com o interesse do principal patrocinador do Amaury, a Ultrafarma, em também investir na Band.

Foi na emissora dos Saad que o apresentador fez história como colunista social, cobrindo festas e eventos para o Flash. Antes disso, ele passou pela Gazeta e pela Record, mas foi na Band que ficou mais tempo ocupando as madrugadas com seus “bons drink” e muita badalação. Ainda na Band, Amaury chegou a ter outros programas, como uma atração matinal que levava o seu nome, e também o feminino Manhã Mulher.

Ao sair da Band, Amaury Jr assinou com a Record em 2001, onde seguiu cobrindo festas já no Programa Amaury Jr. A atração ficou na emissora por pouco tempo, pois logo migrou para a RedeTV. No canal de Dallevo, o programa passou a ir ao ar quatro vezes por semana, de terça a sexta, e ganhou uma edição especial nas tardes de domingo. Algum tempo depois, a edição dominical do programa foi abolida para dar espaço ao Amaury Jr Show, nas noites de sábado. A ideia era fazer do Amaury Jr Show um programa de auditório, diferente do Programa Amaury Jr, mas, tempos depois, a atração de sábado passou a adotar também o formato do diário.

Mesmo tendo dois programas praticamente iguais na RedeTV, foi ali que Amaury Jr foi abrindo espaço a conteúdo que ia além das festas e do glamour da vida dos ricos e famosos. O programa também passou a contar com entrevistas em estúdio e outras atrações. E, ao que tudo indica, é isso que Amaury Jr quer continuar fazendo neste retorno à Band. O apresentador já avisou que fará um programa aos sábados, às 23h30, onde pretende fazer mais variedades e menos cobertura de festas. Ou seja, deve resgatar o formato original do Amaury Jr Show.

Enquanto isso, a RedeTV já planeja uma nova atração para substituir o Programa Amaury Jr nas suas madrugadas. Ainda segundo Flavio Ricco, Amílcare Dallevo já avisou que pretende fazer um programa novo, com “uma pegada jovem, com um show diferente a cada dia (...) que será desenvolvido por vários youtubers”. Dá um certo medinho, afinal, youtuber que migra para a TV não costuma ser muito bem-sucedido. E, seja como for, o canal deve enfrentar novos tempos difíceis, já que está perdendo Amaury, que tem fama de bom vendedor, e também a Ultrafarma, seu principal anunciante. Complicado...

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

sábado, 11 de novembro de 2017

Marcelo Adnet ainda não acertou com seu "Adnight Show"

Quando entrou no ar, no segundo semestre do ano passado, o Adnight parecia uma resposta da Globo aos novos late nights que dominavam a TV brasileira naquele momento. Enquanto Danilo Gentili seguia firme e forte no seu The Noite, dando trabalho ao Programa do Jô, Fabio Porchat havia acabado de estrear seu Programa do Porchat. The Noite e Programa do Porchat seguiram basicamente a mesma fórmula do Programa do Jô, tendo como diferencial as personalidades distintas de seus âncoras. Sendo assim, Adnight entrou em cena parecendo tentar fazer algo diferente.

O show de Marcelo Adnet, então, surgia não com um bate-papo tradicional. Até havia um momento sofá, bancada e caneca, mas logo o cenário era desfeito e o convidado de Adnet passava por tudo quanto é tipo de provação no palco. A proposta, segundo o próprio Adnet, era “desconstruir positivamente o convidado”. Na prática, virou um Vídeo Show com Zeca Camargo noturno, com o convidado sendo submetido a jogos e parafernálias, onde tudo soava muito ensaiadinho. Não funcionou.

Ao final da primeira temporada do Adnight, ficou a má impressão. O programa não conseguiu devolver o brilho de Marcelo Adnet, que por anos comandou programas divertidos e inteligentes na MTV, mas na Globo só foi bem-sucedido mesmo ao se unir a Marcius Melhem no Tá no Ar. Pareceu mesmo que a emissora, na tentativa de tentar fazer um late night jovem diferente dos vistos no SBT e Record, além de tentar fugir também do formato de Jô (afinal, não faria sentido ter dois programas iguais na grade),  tratou de fazer algo que, no fim, não ficou com cara de coisa nenhuma.

Em 2017, Marcelo Adnet e sua equipe encontraram um cenário diferente do ano anterior. O Programa do Jô está fora do ar, substituído pelo Conversa com Bial, que é bem diferente. Sendo assim, abriu-se um caminho para que o Adnight retornasse com uma proposta parecida com a do Jô, tendo na presença de Adnet seu diferencial. Afinal, Marcelo Adnet já comandou um programa na MTV apenas focado numa conversa, o Adnet ao Vivo, que era muito bom. Ele poderia, então, trazer como proposta um programa que tivesse a entrevista como âncora, mas que abrisse espaço para seu humor e improviso.

Curiosamente, ao invés disso, a direção do programa partiu para um sentido oposto. Rebatizado de Adnight Show, o programa agora recebe mais de um convidado por episódio, e todos discutem vários temas. A conversa é rasa e todos ficam de pé (uma coisa meio Domingão do Faustão), mais uma vez para tentar ficar diferente da “concorrência”. As parafernálias e jogos que interrompem as conversas continuam, todas sem tanta graça assim. A diferença são os esquetes, nos quais Adnet e seus convidados vivem situações cômicas que têm a ver com o que está sendo discutido. No geral, tais esquetes trazem textos espertos e divertem.

Na prática, ficou parecendo que Adnight Show não tem nenhum foco ou propósito. No ano passado, o Adnight ao menos tinha uma proposta, que era “desconstruir o convidado”. Não foi bem-sucedido em tal proposta, é verdade, mas ao menos tinha uma. Neste ano, no novo Adnight Show, nem ao menos há isso. Tudo é muito solto, “jogado”, como se o programa não soubesse, exatamente, o que quer fazer.

Marcelo Adnet é um cara talentoso, sem dúvidas. Mas não consegue acertar um formato solo na Globo. E isso acontece justamente pela pretensão de se querer fazer um programa diferente, inovador ou cheio de pirotecnia. Aqui, a lição é uma só: menos é mais. Volto a falar do Adnet ao Vivo: Marcelo Adnet conseguia fazer um programa interessantíssimo, num cenário simples, um convidado de frente com ele, um smartphone e um som. Enquanto insistir em fazer estes shows cheios de coisa, mas vazio de conteúdo, seguirá dando murro em ponta de faca.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Chris Flores conquista espaço no SBT

Antes um canal que apostava em nomes e em programas de variedades, hoje o SBT vive um outro momento. O canal não busca novos apresentadores para investir em seu auditório, e sim formatos. As grandes novidades que vêm apresentando em sua grade são, em sua maioria, programas de temporada de formato importado (ou similares). Por isso mesmo, o canal acaba abrindo espaço para apresentadores “coringa”, capaz de se adaptar a estes formatos.

Chris Flores é um destes casos. Versátil, a jornalista chegou ao canal com a missão de comandar Fábrica de Casamentos, uma das poucas novidades do SBT de 2017. O programa foi bem, e a performance de Chris foi impecável, o que a credenciou a ancorar mais uma atração de temporada. No segundo semestre, a apresentadora surgiu no comando do BBQ Brasil – Churrasco na Brasa.

Sua permanência na grade do canal de Silvio Santos já está assegurada, já que Fábrica de Casamentos volta no ano que vem. Além disso, agora Chris surge, também, fazendo matérias especiais para o programa Eliana, ao mesmo tempo em que é cotada para cobrir férias dos apresentadores titulares do Fofocalizando.

Sem dúvidas, uma volta por cima na carreira da apresentadora, que ficou sem função na Record quando foi afastada do matinal Hoje Em Dia. No SBT, Chris Flores consegue mostrar toda a sua versatilidade, circulando pelos mais diferentes formatos, sempre com bom desempenho. É uma profissional que agrega valor, além de contar com a simpatia da audiência.

Como o blog já cansou de lembrar, Chris Flores se tornou apresentadora de TV por acaso. A jornalista apareceu no vídeo como comentarista de celebridades, mas sua simpatia e sua desenvoltura diante da câmera a levou a se tornar apresentadora. De lá para cá, ela cresceu e apareceu: de tímida coadjuvante, se tornou uma comunicadora segura e eficiente. Que bom que o SBT soube valorizá-la.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Record quer transformar seus apresentadores em comandantes de formatos

No ano passado, a Record queria reformatar sua linha de shows, levando seus apresentadores que ocupam o horário nobre para o final de semana, e colocar Geraldo Luís de segunda a sexta, criando seu próprio Programa do Ratinho. Geraldo declinou, a Record voltou atrás e o plano mudou: Xuxa ganhou um formato importado e seguiu nas noites de segunda, enquanto Marcos Mion deixou a noite de sábado para instalar seu Legendários às sextas-feiras.

Um ano depois, e o canal tem mais planos mirabolantes para sua grade 2018. Desta vez, segundo o jornalista Flavio Ricco, a ideia é transformar seus animadores em “apresentadores de formatos”. A direção do canal avaliou positivamente a experiência com Xuxa e o Dancing Brasil, e quer estender tal plano para apresentadores como Gugu Liberato, Sabrina Sato e Marcos Mion. Isso porque os atuais Gugu, Programa da Sabrina e Legendários não estão rendendo tanto quanto a emissora gostaria.

Sendo assim, o plano é, caso Gugu renove seu contrato (que, dizem, deve mesmo acontecer), o animador passaria a comandar formatos importados. A ideia é que o programa deixe seu tom jornalístico de lado (atualmente, a maior parte de Gugu é composta por entrevistas) e foque mais no Gugu animador, com mais atrações no palco. Só não ficou claro se Gugu seguiria comandando o programa com seu nome, que apenas teria o formato alterado, ou assumiria de vez sua nova aposta, como foi feito com Xuxa, que perdeu o Programa Xuxa Meneghel para se dedicar ao Dancing Brasil.

Por enquanto, o mesmo que aconteceu com Xuxa pode acontecer com Marcos Mion. Segundo várias fontes, há grandes chances de o Legendários sair do ar no ano que vem e Mion passar a se dedicar a programas de temporadas. Por enquanto, o único formato já certo para ele é o horrendo reality A Casa, que terá uma segunda temporada. E nada impede que uma nova atração seja adquirida e entregue ao dono do Legendários. Já o Programa da Sabrina deve permanecer com este título, mas a atraçãode Sabrina Sato também não escapará de uma reformulação e deve, também, se dedicar aos quadros importados. Ou seja, dos nomes que a Record mantém em sua linha de shows, apenas Geraldo Luís e Rodrigo Faro se manterão como estão.

Trata-se de um projeto bastante questionável. Primeiro, porque um formato importado não é sinônimo de sucesso, muito pelo contrário. Basta lembrar do que aconteceu com Rafael Cortez e seus Got Talent e Me Leva Contigo. Xuxa é um caso de sucesso, mas isso não quer dizer que o sucesso se repetirá com os demais. Sabrina, por exemplo, tem a espontaneidade como trunfo, que poderá ser completamente perdida caso encare um formato muito quadrado. O mesmo vale para Mion, um ótimo animador de auditório que se verá preso num reality (por mais que ele tenha mandado bem em A Casa, é verdade). Já com Gugu, a coisa pode ser melhor, tendo em vista que seu atual programa está mesmo esgotado e o apresentador precisa sacudir sua atração. Vamos ver o que acontece.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

sábado, 4 de novembro de 2017

Pesada, "O Outro Lado do Paraíso" carece de mais equilíbrio

No ar há duas semanas, O Outro Lado do Paraíso já deixou bem clara a sua proposta de não reinventar a roda. Folhetim rasgado, como uma colcha de retalhos de clichês, a nova história de Walcyr Carrasco aposta suas fichas em duas histórias principais fortes e um tanto recorrentes nas novelas das nove. Enquanto Clara (Bianca Bin) fará as vezes de mocinha vingativa, Elizabeth (Gloria Pires) é a vítima de um golpe que se verá obrigada a mudar de identidade. Só para efeito de comparação, a recente A Lei do Amor fez uso das duas histórias na trajetória de Isabela/Marina (Alice Wegman), de uma maneira um tanto mal ajambrada, é verdade.

Apesar de não trazer nada de novo, O Outro Lado do Paraíso demonstra potencial para deslanchar. Afinal, Carrasco é um exímio contador de histórias, e sabe bem mexer com o público e, principalmente, oferecer à audiência o que ela quer. Não por acaso, o novelista possui pouquíssimos fracassos em seu currículo. Em sua nova incursão ao horário nobre, o autor tem em mãos histórias de vinganças que têm tudo para acontecer. Até aqui, a trama anda morna, mas prepara o terreno para as viradas de Clara e Elizabeth. A conferir.

Mesmo com uma história com potencial em mãos, Walcyr Carrasco segue pecando quanto a uma de suas principais características: os diálogos fracos, excessivamente didáticos e com muitas frases duras, escritas somente para chocar. Neste quesito, o autor não economiza nas frases feitas, no didatismo fora de hora (“eu não entendo de leis, mas isso é homicídio culposo, não é?”, disparou Elizabeth ao matar, acidentalmente, seu amante Renan, numa participação de Marcello Novaes) e nas ofensas gratuitas (Sophia, a grande vilã de Marieta Severo, tem uma filha com nanismo, a quem chama de “monstrinho”). Neste último quesito, as ofensas servem, também, para deixar claro os perfis dos personagens. Sem sutileza, o autor mostra que seus malvados adoram xingar todo mundo.

E são muitos os malvados, o que vem deixando estes primeiros capítulos de O Outro Lado do Paraíso um tanto quanto pesados. Enquanto Clara come o pão que o diabo amassou nas mãos do marido mau-caráter Gael (Sérgio Guizé), Elizabeth sofre com as armações do sogro Natanael (Juca de Oliveira), que joga baixo para separá-la de seu filho. Nas demais tramas, mais maldades: Nádia (Eliane Giardini) maltrata a empregada Raquel (Érika Januza) com ataques racistas; Samuel (Eriberto Leão) é frio com a namorada Suzana (Ellen Roche) para esconder sua homossexualidade; Jô (Bárbara Paz) ajuda Natanael em seus planos para ficar com o filho dele; o delegado Vinícius (Flávio Tolezani) é corrupto; e por aí vai.

Apesar do excesso de maldades e da série de diálogos sofríveis, Walcyr tem a vantagem (ou a sorte?) de contar com grandes nomes o cercando, que imprimem credibilidade à obra. A direção de Mauro Mendonça Filho é impecável, dando um acabamento maduro a uma novela que, apesar da trama forte, carrega muitas características infantis. Além disso, o autor conta com um elenco estelar, que, até aqui, vem driblando como pode as deficiências do texto. Bianca Bin, já escolada no terreno das mocinhas, é uma atriz que vem fazendo um belo trabalho. Uma aposta merecida numa atriz que carregou Eta Mundo Bom!, trama anterior de Carrasco, nas costas. Marieta Severo como a grande vilã é outro acerto. Sem dúvidas, um luxo ter a veterana distribuindo as maldades da história.

O Outro Lado do Paraíso conta ainda com o encontro de dois “monstros sagrados”, Fernanda Montenegro e Lima Duarte. Ela é Mercedes, a senhora mística que carrega os segredos da história, enquanto ele é Josafá, o avô de Clara que luta para defender suas terras dos vilões. Além disso, Gloria Pires, mais uma vez, abusa de sua espantosa naturalidade para dar vida à apagada Elizabeth. Além dos medalhões, O Outro Lado do Paraíso conta ainda com Sérgio Guizé, um ator que sempre foge do óbvio com mais um personagem desajustado, Gael, além de Grazi Massafera (Lívia), cada vez melhor e mais segura, e Rafael Cardoso (Renato), um mocinho sempre correto.

Ou seja, até aqui, O Outro Lado do Paraíso tem mostrado muitos erros, mas, também, muitos acertos. O autor precisa, agora, encontrar o equilíbrio entre seus muitos personagens e suas muitas maldades, para permitir com que o espectador respire. É esperar a mudança de fase da história para observar se a trama entrará nos eixos. É possível.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Após 20 anos, "Teleton" poderia rever formato

No último final de semana, o SBT exibiu a 20ª edição do Teleton, uma maratona televisiva que tem o objetivo de arrecadar fundos para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Para comemorar a passagem destes 20 anos, nos quais a entidade ampliou de maneira significativa seu atendimento, o Teleton relembrou momentos importantes deste tempo todo.

Foi muito emocionante rever o primeiro discurso de Silvio Santos, ao abrir o primeiro Teleton, em 1998. Também é sempre oportuno relembrar a marcante presença de Hebe Camargo, madrinha do evento desde seu início até quando nos deixou, em 2012. Hebe era entusiasta da ideia, uma de suas idealizadoras, e era a mais presente dentre os apresentadores maratonas, sendo vista na abertura e no encerramento, e também em outros momentos.

Além da causa nobre, o Teleton é sempre interessante em se acompanhar em razão da presença de profissionais da televisão de todas as emissoras. Para quem gosta de TV, é muito divertido ver o encontro entre artistas de canais “rivais”, que surgem unidos em razão da boa causa. Neste ano, sem dúvidas, um dos encontros que mais causou burburinho foi entre Eliana e Rodrigo Faro, rivais na programação dominical do SBT e Record, respectivamente. Juntos, eles mencionaram a “rivalidade profissional”, ao mesmo tempo em que relembraram até a canção que emplacaram juntos. Foi um belo encontro.

Um dos momentos mais aguardados do Teleton sempre foi seu encerramento, marcado pelo encontro entre Silvio Santos e Hebe Camargo. Juntos no palco, os dois arrancavam risos da plateia e pareciam se divertir em cena até mais do que o espectador. Desde que Hebe Camargo morreu, Silvio vem encerrando a maratona ao lado de sua família, principalmente Patrícia Abravanel. Em anos anteriores, ele chegou a unir no mesmo palco Patrícia, Silvia Abravanel e seu neto Tiago Abravanel. Este ano, no entanto, Silvio optou por comandar o desfecho sozinho, “pulverizando” os “abravanéis” ao longo da maratona.

Silvia Abravanel comandou o segmento infantil, na manhã do sábado, enquanto Tiago Abravanel foi visto na faixa da tarde, comandando um divertido “revival” de Chiquititas ao lado de Fernanda Souza, a eterna Mili da primeira versão. Rebeca Abravanel surgiu no palco no final da tarde, enquanto Patrícia Abravanel se apresentou à noite, antes do pai. Patrícia, aliás, também fez parte de outro encontro interessante, já que dividiu o palco com Gugu Liberato, Celso Portiolli e Ratinho.

Por essas e outras, o SBT, mais uma vez, promoveu um bom Teleton, e ainda conseguiu alcançar a meta de doações, com mais um resultado positivo. O único “porém” é sobre seu formato limitado, que é praticamente o mesmo desde a estreia, em 1998, com um rodízio de artistas costurando “histórias emocionantes” de pacientes da AACD. Entre seu terceiro e quinto ano, o Teleton chegou a apostar em formatos diferentes, com edições especiais de Show do Milhão e Curtindo uma Viagem com celebridades, além de formatos feitos especialmente para a maratona, como a Batalha dos Artistas e o Show de Talentos. Neste ano, a única “novidade” foi um especial do Roda a Roda, com as presenças de Ratinho, Luciana Gimenez e Rodrigo Faro.


É importante manter o Teleton sempre ao vivo, para que a temperatura permaneça alta. Mas seria bem interessante se o programa conseguisse ir além do óbvio, para garantir o entretenimento e, consequentemente, a colaboração do espectador.

PS: Nos últimos dias, estive na organização de um Festival de MPB, daí o meu sumiço por aqui. Agora, com mais tempo livre, estou me atualizando a respeito de O Outro Lado do Paraíso para publicar da análise dos primeiros capítulos no próximo sábado, 04. Agradeço a compreensão.

André Santana

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Que a volta do "Vídeo Game" não signifique falta de projeto para Angélica!

Nos últimos dias, o noticiário televisivo foi pego de surpresa com a informação de que a apresentadora Angélica voltou a gravar o Vídeo Game, quadro de sucesso comandado pela loira ao longo de dez anos no Vídeo Show. Foi informado que este retorno seria parte de uma programação especial de fim de ano, e o Instagram da Globo revelou que a estreia acontecerá agora, em novembro.

Provavelmente, Vídeo Game deve voltar num esquema de temporada especial. Mas, aparentemente, tal retorno especial tem todo o jeitão de teste. Afinal, desde que os canais da Simba retornaram à TV paga, o Vídeo Show voltou a ser freguês do Balanço Geral de São Paulo e seu quadro A Hora da Venenosa. Sendo assim, o que parece é que a emissora busca novas soluções para que o Vídeo Show retome sua liderança de audiência na Grande São Paulo. E o Vídeo Game, que sempre registrou boa audiência em seus anos de exibição, pode ser a arma que o canal busca contra Fabíola Reipert e sua cobra Judith.

Sem dúvidas, uma boa ideia. Vídeo Game sempre foi um quadro muito divertido, com bons jogos sobre televisão e convidados especiais. Para amantes da TV, o quadro se tornou um programa obrigatório. E Angélica sempre o comandou com muita maestria, já que sempre foi exímia comandante de games, desde o tempo em que incomodava a própria Globo com sua versão do Passa ou Repassa, do SBT.


No entanto, ficamos na torcida para que o final anunciado do Estrelas e a volta “especial” do Vídeo Game não estejam diretamente ligados. Afinal, caso a volta do game realmente vingue, fica sempre o medo de que o novo programa da loira acabe não saindo do papel. E, como já dissemos aqui, Angélica é uma excelente apresentadora e merece ter um programa para chamar de seu. Ela, com certeza, agregaria muito ao Vídeo Show, mas merece ter seu próprio espaço.

André Santana

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Possível final do Pânico na Band já era tragédia anunciada

Ontem, 23, o jornalista Flavio Ricco, do UOL, veio com uma notícia bombástica: este será o último ano do Pânico na Band. Segundo o colunista, a direção da Band já teria tomado esta decisão, embora o canal ainda não tenha se pronunciado ainda a este respeito. No entanto, tal fato não seria nenhum absurdo, já que o Pânico anda mal das pernas há tempos.

A transferência da trupe de humoristas da RedeTV para a Band, em 2012, deu sobrevida ao humorístico, que já não ia bem em seu canal de origem. Antes um programa que gerava burburinho, ditava moda e se tornava o assunto das segundas-feiras, Pânico não conseguiu se reinventar em seus anos. A atração caiu no gosto popular ao trazer uma proposta de desmistificação do mundo glamoroso das celebridades, com entrevistas inusitadas, brincadeiras com artistas nas portas das festas e ácidas críticas. Depois, fez rir com o lançamento de novos personagens e com o talento de transformar “populares” em personagens peculiares. Isso sem falar no talento de seu elenco, com Carioca, Ceará, Evandro Santo, Eduardo Sterblich e companhia mandando ver.

Mas, passado este tempo, a proposta do Pânico foi perdendo força. O formato até então inusitado e inventivo tornou-se cansativo. E as tentativas de reinventá-lo se revelaram novas versões de mais do mesmo. Neste contexto, a mudança para a Band foi, apenas, uma injeção de ânimo, ao estarem numa casa com um teto de audiência um pouco maior e uma estrutura mais generosa. Por isso mesmo, no início, o Pânico na Band bombou. Mas, passada a euforia da novidade de estar em uma nova casa, Pânico caiu novamente no marasmo que já vinha atingindo-o.

Para piorar, nestes anos de Band, o programa se viu num processo de esvaziamento criativo. Pérolas de seu elenco principal acabaram deixando o humorístico, e os que chegaram depois não se mostraram grandes substitutos. No último ano, o programa trocou de diretor e prometeu uma grande reformulação total em seu elenco, mas nem isso serviu para que o Pânico na Band voltasse a ser relevante. Hoje, a audiência até está boa para os padrões da emissora, mas bem abaixo do que já foi. Além disso, o programa, embora fature bem, é também muito custoso. Neste momento em que a Band anda mergulhada numa crise e investindo bem pouco em programação, a decisão de encerrar o Pânico parece bastante coerente.


Agora é aguardar o comunicado oficial, mas, independente do que acontecerá, fato é que o Pânico na Band, que já ditou moda e influenciou muita gente nestes anos todos no ar, já não faz muito sentido nos dias de hoje. Caso permaneçam na Band ou mudem de canal, terão que fazer um esforço ainda maior para conseguir retomar a fase áurea. 

André Santana