sábado, 27 de maio de 2017

De "Globinho" à "Bambuluá": uma história esquecida da programação da Globo

Em 1999, a programação infantil da Globo andava mal das pernas. O Angel Mix, infantil apresentado por Angélica todas as manhãs, não ia bem e encarou uma série de reformulações, todas insuficientes diante da forte concorrência com o Eliana & Alegria, da Record, que exibia o hit Pokémon, e o Bom Dia e Cia, de Jackeline Petcovik, que trazia o forte pacote de animações do SBT. Por isso mesmo, no final daquele ano, a Globo convocou o saudoso Roberto Talma para comandar o núcleo infantil e colocar no ar um projeto ambicioso, de nome Globinho.

Sabemos que o tal projeto ambicioso se tornaria o programa Bambuluá, que estreou em outubro de 2000. No entanto, até chegar ao Bambuluá visto no ar nas manhãs do canal, o projeto Globinho passou por várias fases, todas amplamente divulgadas pela imprensa, mas que foram sendo transformadas. O projeto inicial Globinho era bem diferente do Bambuluá, e, agora, o blog TELE-VISÃO resgata esta história bem interessante.

Pra começar, Globinho não seria um programa em si. Seria o nome de uma faixa de programação, que abrigaria vários programas de meia hora que ocupariam toda a manhã da Globo. A ideia era abrir mão de ter um único programa infantil e abrir espaço para atrações de forte cunho educacional e didático, com muito conteúdo nacional, e que pudesse fazer frente aos poderosos desenhos da concorrência. Nestes planos, Angélica perderia espaço. À ela, estava destinada a missão de “costurar” as atrações que compunham a faixa Globinho, e protagonizar uma nova novelinha infantil, no intuito de resgatar o sucesso de Caça Talentos. E o nome desta nova novelinha não era Bambuluá, e sim Angel Road.

Em Angel Road, Angélica viveria ela mesma, e seria uma cantora que, a bordo de um ônibus, viajaria pelo país fazendo shows. Ela apareceria acompanhada de seu staff, vividos por André Marques e Maurício Branco, além de conviver com personagens cômicos vividos por Patrícia Luchesi e a dupla Rosa & Rosinha. A vilã da história era Vicky, vivida por Mônica Carvalho, uma invejosa mulher que fazia de tudo para sabotar os shows de Angélica. Angel Road chegou a ter capítulos gravados, mas não foi adiante. O material gravado se tornou uma espécie de minissérie em cinco capítulos, que a Globo exibiu entre 14 e 18 de agosto de 2000, com o nome Angélica na Estrada.

Além de Angel Road, a faixa Globinho teria ainda uma nova série infantil chamada Capitão Sardinha. Criada por Cao Hamburger, atual autor de Malhação, Capitão Sardinha se passava num submarino amarelo comandado pelo personagem-título, vivido por Stênio Garcia. De cabelo vermelho e bigodes, o capitão viveria aventuras submarinas ao lado do Marujo Pimenta, papel de Cássio Scapin (o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum, outra criação de Hamburger). Curiosamente, após vários episódios gravados, a direção da Globo resolveu reformular a série totalmente, transformando-a numa “minissérie” chamada As Aventuras de Zeca e Juca, substituindo Sardinha e Pimenta por duas crianças. Foi ao ar tempos depois, já no Bambuluá.

A nova versão do Sítio do Picapau Amarelo, que estreou dentro do Bambuluá em 2001, também foi inicialmente pensada para integrar o projeto Globinho. E, além de todos estes programas, Globinho teria ainda uma atração comandada pela Turma da Mônica, cujos desenhos animados estrearam na televisão um ano antes, em 1999. A ideia era que a turminha criada por Mauricio de Sousa tivesse uma atração com meia hora de duração, que mesclasse as animações tradicionais com bonecos representando toda a gama de personagens criada pelo cartunista.

Entretanto, conforme foi tomando forma, o projeto Globinho foi mudando. Foi criado um time de crianças, “inspirado” nos Sete Anões, para fazer reportagens dentro do Globinho. Assim, Globinho se transformou em TV Globinho, ganhando a apresentação de Jujuba, Prego, Matraca, Xereta, Pipoca, Minhoca, Escova e Careca. A TV Globinho, por sua vez, ganhou a forma de uma emissora de televisão. Esta emissora de televisão acabou ganhando, em torno dela, uma cidade inteira, onde viveriam os outros personagens dos outros programas. Por exemplo, nesta cidade ficaria o porto de onde Capitão Sardinha sairia com seu submarino. A cidade acabou ganhando o nome de Bambuluá e, como ela era maior que a TV Globinho, optou-se por batizar a nova programação infantil com o nome da cidade, e não da emissora de TV. Angélica, assim, viu suas aventuras serem transferidas da estrada para a “cidade dos sonhos”, surgindo assim a novelinha principal que dava nome ao programa.

Por isso, quando entrou no ar, o projeto Globinho era Bambuluá, a cidade dos sonhos. A TV Globinho, que ficava dentro da cidade, tornou-se a “costura” do programa, trazendo as reportagens dos personagens e quadros variados, como Garrafinha, Iscavoka-Iscavoka, Irmãos em Ação e Turma da Mônica na TV, além de desenhos animados. Na época da estreia, Talma reforçou, em entrevistas, que vários dos projetos previstos para o Globinho estavam sendo preparados para estrear em breve no Bambuluá. "O Sítio do Picapau Amarelo, Capitão Sardinha e Pequeno Alquimista já estão sendo preparados para estrear no próximo ano, assim como Blur, um longa metragem de animação por computador que se passa no futuro", explicou ele ao jornal O Estado de S. Paulo em outubro de 2000. Na mesma estrevista, Talma falou sobre a reformulação enfrentada por Capitão Sardinha. "Já sobre o Capitão Sardinha, analisamos o piloto e achamos que não repercutiria junto ao nosso público alvo. Vamos repensá-lo”, afirmou.

Capitão Sardinha virou As Aventuras de Zeca e Juca e estreou em 2001, junto com Sítio do Picapau Amarelo. Já Pequeno Alquimista foi engavetado, tornando-se um especial de fim de ano anos depois. Ou seja, a ideia inicial de fazer uma faixa com vários programas acabou se tornando um único programa, porém formado por segmentos diversos. E o resto é história: Bambuluá não alcançou os índices de audiência desejados pela Globo e saiu do ar no final de 2001.

Quando foi decretado o fim de Bambuluá, a ideia da Globo era apostar num outro projeto infantil. O canal, assim, acabou escalando Marlene Mattos, então responsável pelo núcleo dos programas Planeta Xuxa, Caldeirão do Huck e Mais Você, para assumir o núcleo infantil, substituindo Roberto Talma. Na época, a poderosa ex-diretora de Xuxa anunciou que sua ideia era trazer Xuxa de volta aos infantis diários, mas, também, aproveitar Angélica. “Eu vejo a Angélica na programação infantil, sim, mas ainda não sei como”, disse a diretora à revista Contigo!. No entanto, Marlene nunca chegou a assumir, de fato, a grade infantil, pois rompeu com Xuxa pouco tempo depois. Foi Xuxa quem acabou voltando para as manhãs, com seu Xuxa no Mundo da Imaginação, com Roberto Talma como diretor de núcleo. Enquanto isso, Angélica deixou de vez os infantis, assumindo o Vídeo Game, no Vídeo Show, e o reality musical Fama. E o resto todos sabemos: Xuxa tentou ainda com seu TV Xuxa, o Sítio do Picapau Amarelo ficaria no ar até o final de 2007, e a TV Globinho acabou se tornando o único infantil da emissora a atravessar a década, ficando no ar até agosto de 2015.

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André Santana

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Para tentar salvar "Os Dias Eram Assim", Globo sacrifica "Vade Retro"

Os Dias Eram Assim, primeira novela das onze chamada de “supersérie” pela Globo, não tem nada de super. A trama de Ângela Chaves e Alessandra Poggi tem ficado abaixo da expectativa da emissora. Até aqui, a história registra uma média de audiência superior, apenas, a O Rebu e Saramandaia, produções do horário consideradas de baixo desempenho.

Para tentar elevar a média de audiência de Os Dias Eram Assim, o canal passará, então, a fazer uso de uma manobra que poderia até fazer sentido no SBT ou na Record, mas que não tem nada a ver com o histórico da Globo. Às quintas-feiras, Os Dias Eram Assim será exibida mais cedo, logo depois de A Força do Querer. Enquanto isso, Vade Retro, a atual comédia das quintas-feiras, entrará no ar mais tarde, depois da ~super~série. A estratégia começou na semana passada, com a “desculpa” de ser um capítulo especial da trama. Mas, como o Jornal Nacional terminou depois das 22h naquele dia, na prática a trama começou em seu horário habitual, às 23h e pouco mesmo. Vade Retro é que se deu mal, entrando depois da meia-noite.

Mesmo assim, a direção da Globo ficou satisfeita com os resultados alcançados pela inversão, afinal, deste modo, Os Dias Eram Assim é impulsionada pela boa audiência de A Força do Querer. Por isso mesmo, já anuncia para hoje, 25, logo mais, Os Dias Eram Assim e Vade Retro, nesta ordem. Como o capítulo de quinta-feira era o que costumava registrar a menor audiência dentre os capítulos da semana, em razão da “baixa” audiência herdada da comédia de Alexandre Machado e Fernanda Young, com a mudança a média geral de Os Dias Eram Assim fatalmente subirá, deixando todo mundo mais contente na Globo.

Uma pena que a emissora prefira fazer uso de uma manobra bizarra destas apenas em busca de índices melhores, e não procure melhorar a própria novela em si. Os Dias Eram Assim, apesar da temática OK e boas atuações, tem se mostrado, na prática, uma novela das seis travestida de trama das onze. A trama abusa das reviravoltas folhetinescas e desperdiça seu ótimo pano de fundo, a Ditadura Militar. Não seria difícil ajustar isso no texto, mas preferiram mudar o horário da novela. Agora, a Globo tem um produto “diário” que começa cada dia em um horário. Coisa mais esquisita do mundo.

Vade Retro realmente estava sendo exibida no horário errado. A comédia brinca com elementos sacros e traz muitas referências a filmes de terror. Para entrar no clima, é preciso ter algum repertório e, portanto, a comédia tem um público-alvo bastante segmentado. Por isso, deveria estar numa faixa de produções mais experimentais. A faixa da quinta-feira pós novela foi ocupada por mais de dez anos por A Grande Família, uma comédia popular de fácil assimilação, ideal para o público heterogêneo herdado da novela. Chapa Quente, que esteve no horário nos dois últimos anos, também tinha o mesmo estilo. Vade Retro combinava mais com a noite de sexta, pós-Globo Repórter, horário que Alexandre Machado e Fernanda Young conhecem bem e já emplacaram boas séries, como Os Normais, Minha Nada Mole Vida, Separação?! e Macho Man. Pena que a Globo desistiu de produzir para o horário.

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André Santana

terça-feira, 23 de maio de 2017

SBT está levando a sério a expressão "solução caseira"

Se a Globo tem Ana Furtado sempre a postos para substituir qualquer apresentadora em férias e em licença-maternidade, o SBT conta com as filhas do dono como “apresentadoras-tampão”. As irmãs Abravanel, filhas de Silvio Santos, vem aparecendo constantemente quebrando galhos, fazendo a emissora levar às últimas consequências o termo “solução caseira”.

Patrícia Abravanel, hoje uma das principais estrelas do canal, também já se mostrou como uma substituta “pau pra toda obra”. Antes de ter o seu próprio programa, Patrícia chegou a substituir Mamma Bruschetta no Jogo dos Pontinhos, quadro do Programa Silvio Santos. Agradou o pai e acabou ficando de vez com a vaga, que ocupa até os dias de hoje. Patrícia também foi uma das apresentadoras a participar do rodízio de comandantes do programa Eliana, durante a licenca-maternidade da titular.

Agora, Eliana está grávida pela segunda vez. E, segundo a coluna Zapping, do jornal Agora SP, a apresentadora foi recomendada pelo médico a fazer repouso absoluto durante a gestação. Com isso, Eliana já está afastada do comando de seu programa dominical e, segundo fontes diversas, Patrícia Abravanel já foi a escolhida para substituí-la. Desta vez, parece, não haverá rodízio de apresentadores, e Patrícia deve acumular o comando dominical com a sua atração, Máquina da Fama.

Enquanto isso, Silvia Abravanel precisou se ausentar recentemente do infantil Bom Dia e Cia. Assim, a escolhida para substituí-la foi outra Abravanel, Rebeca. A filha número cinco, que tem como experiência apenas aparições no programete Caldeirão da Sorte, passou uns dias comandando jogos por telefone, rodando a roleta e chamando Bob Esponja e Scooby-Doo.

Na última semana, Silvia precisou se ausentar novamente, ainda com problemas de saúde. Mas, desta vez, não teve substituta. O Bom Dia e Cia tem ido ao ar apenas com a exibição de desenhos animados. Será que Rebeca não agradou? Ou será que ela não topou cobrir a irmã novamente? Aliás, segundo o site Notícias da TV, o Bom Dia e Cia viu sua audiência subir na última sexta-feira, 19, primeiro dia sem apresentadora. Ou seja, parece que uma apresentadora mais atrapalha do que ajuda no infantil. Que coisa, não?

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André Santana

sábado, 20 de maio de 2017

Xuxa encontra um rumo com "Dancing Brasil"

Passados quase dois meses de exibição de Dancing Brasil, já é possível afirmar que, finalmente, acertaram na escolha de um formato para Xuxa Meneghel. A apresentadora está bem à vontade na apresentação do reality show de dança exibido nas noites de segunda na Record TV. E, finalmente, Xuxa tem um conteúdo verdadeiramente interessante para mostrar ao público, já que tanto o extinto Programa Xuxa Meneghel, da própria Record, quanto a última versão do TV Xuxa, ainda na Globo, pecavam pela total falta de conteúdo.

Xuxa, desta vez, assumiu um papel quase de coadjuvante, já que está à frente de um formato fechado, pronto e que não leva o seu nome. Em Dancing Brasil, a grande estrela da atração é a competição em si, e não a apresentadora. E este novo papel desenvolvido pela apresentadora se mostrou uma excelente oportunidade para que Xuxa, finalmente, conseguisse se reinventar na TV. O novo formato permitiu com que ela passasse a chamar a atenção de um público que não é, necessariamente, seu fã, e, de quebra, ela consegue deixar a sua marca. Mesmo seguindo um roteiro, a apresentadora surge radiante e divertida, dando o seu tempero à atração.

O resultado disso tudo é que Dancing Brasil vem tendo um desempenho superior à atração que levava o nome da apresentadora, exibido até o final do ano passado. Na grande São Paulo, os números são pouca coisa maiores que os do extinto Xuxa Meneghel, e não garante a vice-liderança na batalha contra o SBT. No entanto, há de se considerar o contexto da saída da Record dos pacotes da TV paga em São Paulo. Com a saída dos canais da Simba Content da televisão por assinatura, foi a Record quem mais perdeu público. Tanto que, nas outras praças, Dancing Brasil registra desempenho superior. E a Record se mostra satisfeita com os resultados da atração, tanto que já programou uma segunda temporada para o segundo semestre deste ano.

Também há de se considerar que a versão brasileira de Dancing With The Stars chegou ao país com mais de dez anos de atraso. Se tivesse sido montado lá pelos idos de 2006, quando a febre dos programas de dança estava há pleno vapor, provavelmente teria resultados mais interessantes. Mas, mesmo com atraso, o programa é competente na missão de entreter sua plateia, que se diverte com os números de dança e, também, ao acompanhar os ensaios dos famosos tentando superar os seus limites.

Já estabelecido, Dancing Brasil conseguiu, até, fazer uma homenagem à sua apresentadora sem ser chato. Na última segunda-feira, 15, o programa foi temático, e todos os participantes tiveram de dançar os mais variados ritmos com as músicas clássicas da carreira de Xuxa. Para incrementar o especial, vários dos elementos que consagraram o Xou da Xuxa, como a nave espacial, o microfone com “xuquinhas”, os figurinos estrambólicos e as paquitas, foram resgatados no Dancing Brasil. O resultado foi bastante simpático, que, com certeza, fez a alegria dos fãs da apresentadora. Na audiência, o especial levou o Dancing Brasil a bater seu recorde.

A boa aceitação do especial sobre Xuxa é mais uma prova de que o formato foi acertado. Afinal, uma das principais críticas a respeito do programa anterior da loira era que ele era excessivamente autorreferente. O programa teimava em resgatar a todo o momento o passado de glória de Xuxa, mostrando fãs histéricos sempre a reverenciar seu “ídolo”. Para quem não era fã de Xuxa, o programa não trazia nada de interessante, e isso sempre foi um problema. Com certeza, foi um dos motivos para o naufrágio da atração.

Já em Dancing Brasil a homenagem não soou egocêntrica, já que estava dentro de um contexto. Há uma competição acontecendo, e a proposta de se encaixar músicas de Xuxa veio ao encontro da proposta da atração. Ou seja, não foi um resgate vazio, e o programa não falou apenas aos fãs de Xuxa. Quem não é fã de Xuxa, mas acompanha o Dancing Brasil, assistiu a mais uma etapa da competição e torceu pelo seu artista preferido. E quem é fã também foi contemplado, ao se ver tomado pelo saudosismo despertado pelo resgate. Foi tudo muito bem equilibrado.

Xuxa é uma boa apresentadora, tem um inegável carisma e se posiciona muito bem diante de uma plateia. Mas já há muito tempo, faltava a ela um conteúdo de mais qualidade. Afinal, apenas Silvio Santos, hoje, consegue segurar um programa apenas na figura dele. Os demais apresentadores, como Eliana, Luciano Huck, Rodrigo Faro e cia bela, estão, sempre, investindo em novos conteúdos para sobreviverem na guerra de audiência. Xuxa e seu staff, parece, aprenderam a lição, e Dancing Brasil veio numa boa hora.

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André Santana

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Após período conturbado, Globo vive calmaria com suas novelas

A Globo, após muito bater cabeça com suas novelas, agora pode respirar mais aliviada. Suas três novelas diárias, além de Malhação, vivem boa fase no Ibope. Viva a Diferença, Novo Mundo, Rock Story e A Força do Querer registram bons índices de audiência e colocaram seus respectivos horários num trilho mais aceitável pela direção da emissora.

Malhação já vinha numa boa fase há tempos. Malhação Sonhos, Seu Lugar no Mundo e Pro Dia Nascer Feliz já renderam bons índices de audiência para o canal e serviram como importante alavanca para sua grade de programação. Mas Malhação – Viva a Diferença vem surpreendendo. Isso porque a história de Cao Hamburger já vem rendendo bons números desde sua estreia, um fato raro, garantindo já uma média diária de 20 pontos no Ibope. Normalmente, as tramas decolam apenas após um certo tempo de implantação. Além disso, Viva a Diferença também é um sucesso de crítica, ao contrário das duas temporadas anteriores, de Emanuel Jacobina. Malhação também vem sendo ajudada pela reprise de Senhora do Destino, que a antecede, e também vai indo muito bem.

Novo Mundo conseguiu apagar a má impressão deixada por Sol Nascente e colocou a faixa das seis, novamente, no rumo dos acertos. Afinal, a faixa das 18 horas da Globo vinha numa sucessão de acertos, principalmente com a trinca Sete Vidas, Além do Tempo e Eta Mundo Bom!, todas muito bem-sucedidas. Agora, a trama dos estreantes Alessandro Marson e Thereza Falcão segue sempre em torno dos 25 pontos no Ibope, excelente resultado.

Rock Story, por sua vez, mantém a boa fase da faixa das sete, iniciada em Alto Astral, e mantida em I Love Paraisópolis, Totalmente Demais e Haja Coração. Segundo o colunista Ricardo Feltrin, a trama de Maria Helena Nascimento deve terminar com média geral menor do que suas antecessoras. Mesmo assim, registrou 28,7 pontos no Ibope no capítulo de ontem, 17. Nada mal.

A Força do Querer veio dar novo fôlego ao horário mais problemático da Globo nos últimos anos, a faixa das 21h. Depois de Império, as tramas das nove vieram ladeira abaixo com Babilônia e A Regra do Jogo. Velho Chico ensaiou uma recuperação, mas A Lei do Amor tratou de derrubar os índices novamente. Agora, a trama de Gloria Perez vem se mantendo sempre acima dos 30 pontos ainda em seus primeiros meses no ar, coisa que não acontecia há tempos! E a tendência é que a trama cresça ainda mais. O único elo mais fraco da dramaturgia da Globo é a “supersérie” Os Dias Eram Assim, que ainda não emplacou. Mas, sobre isso, falaremos numa próxima oportunidade.

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André Santana

terça-feira, 16 de maio de 2017

Às sextas-feiras, "Legendários" perde vice-liderança

Deu no site Notícias da TV: agora exibido às sextas-feiras, o programa Legendários, da Record TV, tem ficado atrás do SBT, que exibe no mesmo horário filmes ultrarreprisados na Tela de Sucessos. Segundo o site de Daniel Castro, Marcos Mion só ganhou da emissora de Sivio Santos apenas duas vezes desde que saiu da noite de sábado; em outras oito vezes, perdeu para o SBT. No confronto mais recente, na sexta, 12, a reprise de Zumbilândia marcou 5,9 pontos na Grande São Paulo, contra 5,6 do Legendários.

Não se pode creditar o parco desempenho apenas ao programa em si. Afinal, como a imprensa especializada vem afirmando há um bom tempo, a Record foi a mais prejudicada em audiência desde que as emissoras que compõem a Simba (SBT, RedeTV e Record) deixaram de ser exibida na TV paga nas cidades onde o sinal analógico já foi extinto. Como os canais abertos, agora, podem receber pela transmissão digital, as emissoras da Simba querem receber para que as operadoras as exibam na TV paga. Enquanto a negociação não chega a lugar nenhum, SBT, Record e RedeTV não estão mais no line up das operadoras em São Paulo e Brasília (a Vivo, única operadora a ainda transmitir os canais, também já anuncia a retirada deles).

Mesmo considerando este contexto da Simba fora da TV paga, e tendo a Record como a emissora que mais perdeu público, a mudança do Legendários para as noites de sexta nunca pareceu uma boa ideia. Afinal, o programa de Mion estava consolidado aos sábados, sempre vice-líder e, algumas vezes, chegava a encostar no Altas Horas, da Globo. Mion chegou a enfrentar um novo concorrente, o Sabadão com Celso Portiolli, do SBT, mas a atração foi cancelada no início de 2017. Ou seja, nas noites de sábado, Marcos Mion não tinha muita concorrência.

Segundo consta, a Record mudou Mion de dia porque o Legendários estaria sofrendo um “canibalismo comercial”. Aos sábados, ele sucedia o Programa da Sabrina, também programa de auditório e voltado ao mesmo público que Legendários. Assim, possíveis anunciantes não viam vantagem em anunciar em dois programas parecidos, exibidos um após o outro. E, ao escolherem onde anunciar, o programa de Sabrina Sato levava a melhor. Ou seja, a mudança para a sexta-feira foi uma tentativa da Record de tentar dar uma sobrevida comercial ao programa de Marcos Mion.

Entretanto, a audiência do Legendários caiu. Ao mesmo tempo, nos últimos dias, vários colunistas especializados noticiaram que o contrato de Marcos Mion termina neste ano e, até agora, o apresentador não foi chamado para uma renovação. Ainda é cedo para concluir qualquer coisa, até porque Mion terá um novo programa este ano, o reality show A Casa, que substituirá Power Couple. Sendo assim, temos que esperar para conferir o desempenho da nova atração e, ainda, observar uma possível reação do Legendários às sextas. No mais, é uma pena que isso esteja acontecendo, já que Legendários havia tomado um caminho interessante aos sábados, e Marcos Mion se revelou um belo animador de auditório. Vamos ver o que acontece.

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André Santana

sábado, 13 de maio de 2017

Nova "Malhação" traz a novidade que o programa tanto necessitava

Não se pode culpar a Globo por não tentar reinventar Malhação. Nestes mais de 20 anos no ar, andar em círculos parecia inevitável. Foram várias mudanças pontuais ao longo de sua trajetória, porém poucas de fato realmente alteraram os rumos ou tiraram a novelinha do eixo. A primeira grande mudança foi a troca de cenários, quando a história saiu da academia Malhação e chegou ao colégio Múltipla Escolha, e perdeu o formato de série e assumiu cores de novela. De lá para cá, romances açucarados que nunca mudavam a fórmula, apenas trocavam atores, faziam de Malhação um programa cada vez mais previsível.

A segunda grande mudança foi quando o programa perdeu a necessidade de manter cenários e personagens, passando a contar uma história totalmente diferente a cada nova temporada. Tal transformação de formato aconteceu em Malhação 2010 (ou “Cidade Partida”), de Emanuel Jacobina. Na temporada seguinte, Malhação Conectados, de Ingrid Zavarezzi, veio outra tentativa de mudança: um enredo de mistério e sobrenatural, fugindo dos romances e conflitos juvenis tradicionais. Mas a proposta não vingou, e a autora se viu obrigada a reformular a obra em pleno voo, abandonando os mistérios e passando a narrar a trama no tom folhetinesco tradicional.

De lá para cá, Malhação seguiu apostando em tramas distintas a cada temporada, mudando autor e diretor a cada nova leva. Vieram tramas que não caíram no gosto do espectador, como Casa Cheia, e outras que disseram a que vieram, como Malhação Sonhos. Apenas nas duas últimas temporadas, Seu Lugar no Mundo e Pro Dia Nascer Feliz, é que o antigo hábito de manter o autor e alguns personagens da temporada anterior voltaram: Emanuel Jacobina assinou as duas e repetiu alguns poucos personagens, embora tenha contado duas histórias distintas.

Eis que surge Malhação – Viva a Diferença, que estreou na última segunda-feira, 08, prometendo ser um novo divisor de água na trajetória da novelinha adolescente. Primeiro, porque a nova safra marca a estreia do veterano Cao Hamburger como novelista. Cao é um nome forte do audiovisual nacional, tendo seu nome vinculado a uma série de programas infantis e infanto-juvenis de grande sucesso de público e crítica. Seu nome pode ser visto nos créditos de programas como Disney Club, Pedro e Bianca, Família Imperial e Que Monstro te Mordeu?, além de Castelo Rá-Tim-Bum, sem dúvidas seu maior êxito. Ou seja, Malhação ganhou um novelista “iniciante” na seara, mas com uma trajetória respeitável em programas que sabiam bem dialogar com crianças e jovens.

A boa mão de Cao para falar com os jovens ficou muito evidente nesta primeira semana de Malhação – Viva a Diferença. Pra começar, deve ser a primeira vez que Malhação não coloca um casal como protagonista. Desta vez, são cinco amigas que estão à frente do enredo, cada uma de uma realidade distinta e vivendo conflitos diversos, porém todos típicos desta fase da vida. Logo nas primeiras cenas do capítulo um, vimos que Tina (Ana Hikari) tem problemas com a mãe controladora; Ellen (Heslaine Vieira) é uma jovem atenta à tecnologia; Lica (Manoela Aliperti) faz o gênero “pobre menina rica”, de família, digamos, “abastada”, mas tem jeito de rebelde; e Benê (Daphne Bozaski, a fofa Lali de Que Monstro te Mordeu?), do tipo “esquisita”, com dificuldades em socializar. E há ainda Keyla (Gabriela Medvedovski), que vive as dificuldades da gravidez na adolescência.

Todas estas meninas vivem distantes, em realidades diferentes, mas se unem por um forte laço, quando todas participam do parto do filho de Keyla, em pleno metrô parado num dia chuvoso na cidade de São Paulo. Aliás, a maior cidade do país serve de cenário à Malhação pela primeira vez, contribuindo para a temática que Viva a Diferença quer explorar: a diferença. Megalópole, São Paulo é uma cidade de contrastes, que abriga diversas tribos. Ou seja, a cidade aparece na história não como um mero cenário ou pano de fundo, mas também como um personagem importante da história que se pretende contar. Aliás, ter uma Malhação protagonizada por mulheres, e trazendo como tema central a diversidade, a trama aparece bastante antenada com a contemporaneidade, trazendo temas que estão na pauta do dia.

Tirando um exagero ou outro, o texto da nova Malhação chama a atenção pela qualidade, sobretudo na abordagem das temáticas. Ao contrário de temporadas anteriores, esta Malhação não está glamourizando a gravidez na adolescência, ponto mais do que positivo. Keyla vem sentindo que não é fácil conciliar a maternidade com a vida de jovem. Também manda bem ao não colocar o romance como centro do enredo, que sempre mandava nas entrelinhas a mensagem que, para ser feliz, é necessário ter um amor idealizado ao lado. Claro, estas cinco meninas têm (ou ainda terão) seus conflitos amorosos, afinal são adolescentes, mas não é isso que as move.

Assim, Malhação – Viva a Diferença estreou muito bem e mostrou que pode ser o sopro de vitalidade que a trama já vinha buscando há algum tempo, mas sem muito sucesso. E o melhor é que a mudança acontece justamente ao se contar uma história que se mostra interessante, e que respeita muito a inteligência do público que a assiste (característica, aliás, presente em todos os programas anteriores de Cao). A direção de Paulo Silvestrini também é certeira, e Malhação surge em cena como um produto bem cuidado e muitíssimo bem acabado. E, pelos números da primeira semana, parece que a história agradou de cara. Tem tudo para dar certo.

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André Santana

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Há 21 anos, SBT exibia o último "Casa da Angélica"

Hoje estive pesquisando pautas sobre história da TV para escrever uma matéria para o site Observatório da Televisão, do qual sou colaborador. E descobri que, há exatos 21 anos, o programa Casa da Angélica saía do ar pelo SBT. Sim, no dia 11 de maio de 1996, o programa infantil que Angélica comandou nos domínios de Silvio Santos durante três anos chegava ao fim. Fui tomado por um ataque de nostalgia, confesso.

Passei boa parte da minha infância assistindo aos programas de Angélica. Quando ela estourou, era praticamente a única das apresentadoras infantis da época a comandar programas vespertinos. Como eu estudava de manhã, o Clube da Criança, na Rede Manchete, era uma boa opção. E a loirinha estava no auge na TV dos Bloch, pois também comandava o Milk Shake, um musical nas tardes de sábado que também fazia muito sucesso.

Lembro-me bem da expectativa que foi gerada quando ela anunciou que estava se transferindo para o SBT. Na nova emissora, muitos teasers eram lançados anunciando sua estreia, mas era o novo programa era sempre adiado. Isso aconteceu porque sua nova atração enfrentou problemas de formatação. Inicialmente, seria um programa totalmente diferente do Clube da Criança. Mas os primeiros pilotos não foram aprovados, e a atração precisou ser totalmente reformulada, adotando um formato mais convencional. Entrou no ar a Casa da Angélica, com uns três meses de atraso.

Mesmo sendo bem parecido com o Clube da Criança, Casa da Angélica trazia um diferencial. No infantil, a apresentadora protagonizada diversos quadros de humor, vivendo vários personagens. Bernardão, o taxista; Angelicastrid, a “VJ”; Anjólica, uma sátira ao Jô Soares; e tantos outros, cujos nomes não me lembro. Lembro só que havia uma apresentadora de programa de culinária e uma âncora de programa esportivo. Tempos depois, foi lançado o quadro Tempestade de Lágrimas, uma sátira às novelas mexicanas. Otaviano Costa, que fazia uma “voz misteriosa” que conversava com Angélica no palco da Casa da Angélica (e repetia o bordão “ai que meda!”), também participava deste quadro, como o galã da história.

Casa da Angélica até registrava uma boa audiência nas tardes do SBT, mas não chegou a estourar. O sucesso da apresentadora na TV de Silvio Santos viria mais tarde, quando passou a comandar novas versões do TV Animal e Passa ou Repassa, dois programas apresentados anteriormente por Gugu Liberato. Este último explodiu no Ibope, dobrando a audiência das tardes do SBT na época. E, por conta disso, Casa da Angélica foi perdendo força, e acabou sendo transferido para a faixa matinal. Em seus últimos suspiros, ia ao ar das 7h30 às 8h da manhã, antecedendo o Bom Dia e Cia, de Eliana. Tinha apenas meia hora de duração, sendo apenas quinze minutos de arte. Ali, Angélica se despediu do SBT. Quatro meses depois, estreava seus novos programas, Angel Mix e Caça Talentos, na Globo. E o resto é história!

Ah, vale lembrar que, com a saída de Angélica, seus programas vespertinos ganharam substitutos. Eliana passou a comandar o TV Animal, enquanto Celso Portiolli fazia sua estreia como animador assumindo o Passa ou Repassa.

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André Santana