terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sem Marcelo Rezende, "Cidade Alerta" deve ser extinto

Grande perda para o telejornalismo, Marcelo Rezende faleceu no último final de semana e fará muita falta na telinha. Repórter investigativo da melhor qualidade (seara de difícil renovação, aliás), o jornalista se destacou junto ao público principalmente como apresentador, seja no Linha Direta, na Globo, ou em suas duas passagens pelo Cidade Alerta, da Record.

Neste último, Marcelo Rezende mostrou sua extrema competência como contador de histórias, afinal, chegava a ficar quatro horas no ar, ao vivo. Claro que houve excessos, coisa comum neste tipo de programa, mas o talento e a capacidade do apresentador sempre foi inquestionável. Por isso mesmo, fica difícil imaginar o jornal policial da Record sem seu principal comandante.

Claro, o Cidade Alerta já teve inúmeros apresentadores e passou por altos e baixos na programação da Record. Estreou com Ney Gonçalves Dias, e fez sucesso também com João Leite Neto, Gilberto Barros e José Luiz Datena, este último grande responsável pela longevidade da atração. Quando perdeu Datena para a Band, a Record penou para acertar seu substituto, até que chegou Marcelo Rezende, que fez história ali.

Marcelo Rezende fez a audiência do Cidade Alerta decolar entre os anos de 2004 e 2005, mas a emissora desistiu do programa quando pôs em prática um plano de qualificar sua grade de programação, substituindo-o pelo Tudo a Ver, com Paulo Henrique Amorim. Resgatou o policial em 2011, com Datena, que durou pouco tempo, mas voltou em 2012, novamente com Marcelo Rezende. Aí a coisa deslanchou e Cidade Alerta tornou-se a maior audiência da emissora e ocupava longas quatro horas na grade diária da emissora.

Mas, neste ano, a Record novamente reduziu o espaço do Cidade Alerta, numa estratégia de qualificação de grade semelhante à de 2004. No entanto, desta vez, o programa policial perdeu espaço para uma reprise de novelas e um jornal local. Exibido atualmente entre 16h45 e 18h15, Cidade Alerta já não ostenta os mesmos índices de audiência de outrora. Agora sem Marcelo Rezende, a Record efetivou Luiz Bacci como apresentador do jornal, mas, ao que tudo indica, a emissora deve continuar a busca por uma grade mais qualificada. E o Cidade Alerta, sem os mesmos bons números dos tempos de Rezende, não se justificará na programação.

Lembrando que isto é pura especulação do blog, numa opinião baseada apenas nos últimos acontecimentos e comparando com o que aconteceu no passado. Mas acredito mesmo que o Cidade Alerta não deve resistir à perda de seu apresentador e corre o risco de ser extinto em breve. A ver.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h

André Santana

sábado, 16 de setembro de 2017

Insossa, "Os Dias Eram Assim" termina sem empolgar

Depois de um primeiro capítulo eletrizante e da proposta de um pano de fundo promissor, a abordagem da Ditadura Militar do Brasil entre os anos 1970 e 1980, Os Dias Eram Assim termina na próxima segunda-feira, 18, com a impressão de que ficou devendo. Didática, insossa e com um número de capítulos muito maior do que sua trama renderia, a trama das onze (que recebeu a esquisita nomenclatura de “supersérie”, sendo que não tem nada de “super” e nem de “série”) chega ao fim sem empolgar.

A ideia inicial das autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi era boa. Basicamente, Os Dias Eram Assim se apresentou como uma história de amor convencional, cujos mocinhos viviam as idas e vindas de um amor proibido, tendo como um dos obstáculos os desdobramentos dos “anos de chumbo” brasileiros. Assim, Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se apaixonam, mas não conseguem viver este amor porque ela é filha do poderoso Arnaldo Sampaio (Antonio Calloni), empresário financiador do regime militar, enquanto ele é irmão de Gustavo Reis (Gabriel Leone), jovem engajado que se envolve nos protestos contra a Ditadura e acaba preso e torturado pelo regime. Assim, Arnaldo acaba se unindo ao ex-noivo de Alice, Vítor (Daniel de Oliveira), para separar o casalzinho.

Após uma primeira semana de tirar o fôlego, Os Dias Eram Assim botou o pé no freio no andamento da trama, mas, ainda assim, era interessante. O pano de fundo funcionava, a ambientação dos anos 1970 era extremamente bem-feita, e a trilha sonora, embora não fugisse do lugar-comum, ajudava o espectador a mergulhar no período histórico ainda recente. Nesta fase, a trama só tinha o empecilho de tramas paralelas soltas e quase sem espaço, como a história envolvendo Toni (Marcos Palmeira) e Monique (Letícia Spiller) e, principalmente, os personagens que usavam as artes como protesto político, no qual se enquadravam Maria (Carla Salles), Leon (Maurício Destri) e Vera (Cássia Kis). Estes ficaram um tanto apagados em meio aos capítulos curtos nos quais os conflitos de Alice e Renato predominavam.

A coisa ficou um pouco pior quando a direção da Globo, insatisfeita com os primeiros resultados da obra, tratou de implantar um plano de ação baseado na constatação, via grupos de discussão, de que parte da audiência não entendia o que era a Ditadura Militar. Assim, a personagem Natália (Mariana Lima), uma professora universitária também perseguida pelo regime, tratou de surgir em teleaulas explicando o período histórico. Sem nenhuma sutileza, as aulas ajudaram a diminuir o ritmo de Os Dias Eram Assim, deixando tudo meio enfadonho.

Ainda assim, a novela (sim, novela!) ainda conseguia manter o interesse, sobretudo pelos clássicos nuances folhetinescos que acometiam os protagonistas. Num plano de Arnaldo, Vítor e o delegado Amaral (Marco Ricca), Renato é forçado a sair do país, se mudando para o Chile. Grávida, Alice é levada a acreditar que o amado está morto e acaba se casando com Vítor, enquanto, no Chile, Renato conhece Rimena (Maria Casadevall) e se envolve com a moça. Os anos se passam e, com a Anistia, Renato retorna ao Brasil. Começam as idas e vindas na relação entre o médico e Alice, enquanto o pano de fundo político acaba ficando desinteressante e a trama entra num banho-maria. Ao chegar aos anos 1980, Os Dias Eram Assim estacionou de vez.

Em suas últimas semanas, a trama fez uso de todos os artifícios possíveis por meio de Vítor, que, claro, foi ficando cada vez mais insano e usando várias artimanhas para separar Renato e Alice, sempre acompanhado de sua mãe Cora (Susana Vieira). As tramas paralelas finalmente ensaiam decolar, sobretudo com a ousada relação a três envolvendo Toni, Maria e Monique, ou a descoberta da homossexualidade de Rudá (Konstantinos Sarris), que se envolve com Leon. Mas nada muito significativo para a história em si. Nesta fase, o destaque maior foi a boa abordagem da Aids por meio da personagem Nanda (Julia Dalavia), que se descobre portadora do vírus HIV quando a doença era uma novidade e os tratamentos eram parcos. Nesta trama, Os Dias Eram Assim aproveitou para alertar o público de que a Aids ainda não acabou. Boa mensagem.

Entretanto, nesta reta final, ficou claro que Os Dias Eram Assim não tinha fôlego para tantos capítulos, tamanha a sensação de que nada realmente significativo acontecia na trama nestas últimas semanas. Na última semana, para ainda ter o que dizer, a história acabou resgatando o mistério em torno da morte de Arnaldo, do qual ninguém se lembrava mais. Na cena da morte do vilão, ficou claro para o público que ele havia sido assassinado, mas como os personagens não desconfiaram disso, sua morte deixou de ser assunto na história. Deste modo, a morte nem foi tema de conversa nenhuma nos meses que se seguiram, fazendo o público se esquecer e pouco se importar com ela. A revelação de que Ernesto (José de Abreu), que nem estava na história quando tudo aconteceu, era o assassino, pode ter valido como surpresa. Mas, ao mesmo tempo, fez de bobo aquele espectador que resolveu bancar o detetive.

Para o último capítulo, então, fica apenas a expectativa sobre os desfechos dos personagens-chave, como Vítor, Cora e Amaral. Os pombinhos Alice e Renato, claro, devem ter seu final feliz para sempre, e Os Dias Eram Assim ainda deve fazer um paralelo entre o cenário político brasileiro passado e presente. E só. Ou seja, Os Dias Eram Assim não chegou a ser uma trama ruim, mas saiu de cena devendo ao público um novo Anos Rebeldes. E fica a lição à Direção de Teledramaturgia da Globo: as novelas das onze (ou “superséries”) funcionavam melhor com capítulos a menos. Aliás, era esse o grande charme das boas novelas das onze, como O Astro e Verdades Secretas: poucos capítulos, muita ação e alguma ousadia. Deveriam considerar isso para as próximas temporadas.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

News: "A Garota no Trem" estreia no Telecine

Um livro com mais de 20 milhões de exemplares vendidos e, então, um filme. Essa é a trajetória do sucesso de A Garota no Trem, longa baseado no best-seller de Paula Hawkins. O suspense mostra o ponto de vista de três mulheres e como suas vidas se entrelaçam. Rodado em 2015, em Nova York, o thriller chega ao Telecine Play e ao Telecine Premium no dia 16 de setembro, com destaque para a atuação de Emily Blunt, indicada ao BAFTA.

Divorciada e alcoólatra, Rachel (Emily Blunt) viaja de trem diariamente, fantasiando sobre o que ela observa pela janela. Megan (Haley Bennett), uma recém-casada que mora ao lado da ferrovia, todos os dias é observada e admirada por ela. Anna (Rebecca Ferguson), que também mora perto da linha de trem, é a atual mulher de Tom (Justin Theroux), ex-marido de Rachel. Em uma de suas bebedeiras, Rachel vai até o endereço onde moram as outras duas e acaba se envolvendo na cena de um crime.

A Garota no Trem é dirigido por  Tate Taylor e tem Justin Theroux, Emily Blunt e Haley Bennett no elenco. Estreia dia 16/9, sábado, às 22h, no Telecine Play e no Telecine Premium, e dia 17/9, domingo, às 20h, no Telecine Pipoca.

Fale com o TELE-VISÃO:

E-mail: andre-san@bol.com.br




O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://.bit.ly/2aaDH4h   

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"Bake Off Brasil" bate recorde e se consolida no SBT

Bake Off Brasil, reality show de sobremesas do SBT, foi realmente um grande acerto da emissora. A atração, exibida no complicado horário de sábado a noite, se consolida como o mais bem-sucedido dentre os programas de temporada que se revezam na faixa.

No último sábado, por exemplo, o programa, que agora é apresentado por Carol Fiorentino, emplacou 8 pontos de média no Ibope, batendo o Programa da Sabrina, da Record. Se considerarmos que a atração ainda está no começo da temporada, é bem provável que este número cresça nas próximas semanas.

Bake Off realmente merece o sucesso. É um programa muito divertido, extremamente bem-feito, e que mistura bem as emoções de uma disputa culinária e as imagens deliciosas dos bolos e doces que desfilam na tela. Carol Fiorentino substitui Ticiana Villas Boas com graça e simpatia, e Fabrizio Fasano Jr diverte com suas tiradas, embora às vezes ele passe um pouco do ponto. Beca Milano, que estreou como jurada nesta edição, também está muito bem. Além disso, o SBT acertou no cast: os participantes desta temporada são interessantes e rendem bastante conflito.

Interessante notar que, embora tenha bom desempenho no Ibope, Bake Off não repercute tanto quanto o MasterChef, da Band. O colunista Ricardo Feltrin, do UOL, afirmou que, atualmente, o Bake Off é o reality show culinário mais visto da TV brasileira, mesmo não causando o mesmo frisson do MasterChef. É verdade. Para efeito de comparação, o episódio da última terça-feira, 12, do MasterChef Profissionais rendeu 4,4 pontos de média no Ibope. Mas, como sempre, gerou burburinho nas redes sociais.

Ou seja, como este blog já repetiu aqui algumas vezes, audiência e repercussão não são sinônimos. MasterChef repercute mais, mas Bake Off tem uma plateia de espectadores maior. Interessante. Claro, trata-se apenas de uma comparação numérica, pois os dois programas são bons e fazem por merecer o sucesso que fazem. Como são exibidos em dias e horários distintos, o espectador pode muito bem acompanhar e gostar das duas atrações.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Tiago Leifert manda bem em "Zero1"

Uma das melhores novidades da Globo nos últimos meses foi o Zero1, atração sobre o universo nerd de Tiago Leifert que estreou no ano passado e ganhou uma segunda temporada em 2017. Afinal, trata-se de uma atração bastante segmentada, já que fala a um único tipo de público e, por isso, parece mais programa de TV paga. Claro, tamanha segmentação de público tem seu preço, e o preço pago pelo programa é seu horário de exibição, aos sábados, depois do Altas Horas. Mas isso não chega a ser um problema. Eu, nerd que sou, me sinto contemplado com a atração.

Zero1 é um programa curto, rápido, divertido e cheio de informação. Com apenas 15 minutos, Tiago recebe seus convidados, dá dicas de games, fala sobre filmes e séries e, principalmente, se diverte muito fazendo. A edição ligeira, com jeitão de vídeo da internet, faz com que o Zero1 fale diretamente ao seu público-alvo. E a missão do programa é cumprida com louvor, já que a atração registra bons índices de audiência em seu horário “escondidinho”.

Cria da Globo, Tiago Leifert foi realmente um talento garimpado pela emissora. Fez bem ao esporte, ao imprimir a linguagem informal que faria escola dentro da Globo, com seu jeito de comandar o até então tradicionalíssimo e quadrado Globo Esporte de São Paulo. Tanto traquejo no trato com o público o levou a posições de destaque, como no Central da Copa, onde apareceu para todo o Brasil. Dali, foi escalado para seu primeiro trabalho no entretenimento, o The Voice Brasil, no qual sempre se saiu muito bem.

Ao trocar de vez o jornalismo pelo entretenimento, Tiago foi colocado equivocadamente no time do É de Casa. A ideia era que o apresentador fosse responsável pelas “dicas nerd” do programa, mas, ao que tudo indica, tudo não saiu do papel. No tempo em que ficou ali, foram raríssimas as vezes que Tiago apareceu diante de um videogame. Felizmente, com a criação do Zero1 e a escalação do apresentador para assumir o Big Brother Brasil, Tiago deixou o matinal. Se deu muito bem!

Afinal, o apresentador ganhou um espaço só seu para falar dos assuntos nerd, que, convenhamos, ele domina bastante. Além disso, consegue se manter no ar praticamente o ano todo na emissora, com nada menos que três programas diferentes, todos de temporada. Foi muito bem em seu primeiro ano no Big Brother e deve continuar fazendo bonito no próximo The Voice, que começa logo. E, enquanto isso, ainda pode ser visto no Zero1. É um grande nome da Globo, sem dúvidas!

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

sábado, 9 de setembro de 2017

"A Casa": só Marcos Mion salvou

A maioria dos reality shows da Record sofre do mesmo mal: o excesso de roteiro, que não permite com que o apresentador tenha espaço para improvisos. Tal característica sempre prejudicou Britto Jr em A Fazenda, e até Rodrigo Faro se viu preso a um roteiro no Fazenda de Verão. Roberto Justus, no Power Couple e A Fazenda, também padece disso. E os diálogos pouco naturais entre Xuxa e Sergio Marone é um ponto negativo do Dancing Brasil. No entanto, tal problema não foi visto em A Casa, reality da emissora que encerrou sua primeira temporada na última semana. Marcos Mion esteve muito bem à frente do programa, salvando a atração do fiasco total.

Mion foi o único destaque positivo neste reality show de extremo mau gosto. Não houve nada de atrativo num show que confinava 100 pessoas numa casa preparada para receber quatro inquilinos, fazendo-os passar por todo tipo de provação. Com água e comida regrada, e nenhum conforto, o que mais se viu foram pessoas enfraquecidas pelos cantos da casa, se acotovelando em meio aos próprios companheiros, e também à equipe de cinegrafistas, que circulava pelos cômodos.

Com este tanto de gente, não houve sequer a chance do público de se envolver afetivamente com algum deles, provocando torcida, que é o que move a maioria dos reality shows. Não houve protagonistas em A Casa, nem nada que despertasse qualquer compaixão da audiência. Era simplesmente um festival de brigas pelos motivos mais absurdos, que podem até ter divertido os mais sádicos. Mas foi só isso.

Assim, Marcos Mion acabou sobressaindo, ao dar um tom divertido e irônico à apresentação. Muito à vontade, Mion não poupava os participantes, se divertindo com as situações mais ridículas, fazendo de suas aparições momentos sempre muito divertidos. Na final, que consagrou a ilustre desconhecida Thais Guerra, Mion ainda teve a chance de ir além, e houve espaço até para uma edição especial do Vale a Pena Ver Direito, um dos destaques de seu programa Legendários. Ali, Mion analisou, com muito humor, as passagens mais pitorescas da atração.

Ou seja, Marcos Mion deu personalidade à apresentação de A Casa, salvando-a do marasmo total. E terá nova chance de continuar com suas boas intervenções no ano que vem, já que a emissora confirmou uma segunda temporada do programa, mesmo com os parcos resultados desta primeira. Segundo notícias que circulam pela imprensa especializada, a segunda temporada de A Casa será diária, com eliminações ao vivo e maior participação do público. Não me parece que vai adiantar muita coisa, mas…

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Por que a RedeTV não concentra seus concessionários pela manhã?

Outro dia, falando sobre a venda da faixa das 18 horas da RedeTV para um programa de leilão de joias, um internauta comentou que a emissora poderia, já que precisa vender horários, concentrar todo este loteamento numa única faixa, assim evitaria tantas interrupções na grade que impedem o efeito cascata na audiência. Ele tem razão. A emissora vive péssima fase no Ibope porque “interrompe” sua grande regular entre meio-dia e 15 horas, entre 17h e 19h, e entre 20h30 e 21h30. Não tem como segurar a audiência assim.

Isso me fez lembrar que, no passado, a emissora não tinha programação no período da manhã, locando todo este espaço para concessionários. Na verdade, a RedeTV, quando entrou no ar, em 1999, tinha uma grade que ia das 7h30 à meia-noite, sem interrupções nem televendas. Mas, duas semanas depois, a emissora já havia desistido da programação matinal, reestruturando a programação. O matinal A Casa É Sua, então, migrou para as tardes, enquanto as manhãs eram ocupadas por programas tipo Polishop. O canal voltou a apostar nas manhãs apenas a partir de 2003, quando lançou o Bom Dia Mulher.

Não seria má ideia o canal, então, voltar a fazer isso, já que sua saúde financeira depende da locação de horários. A RedeTV poderia abrir mão da grade matinal de novo, começando sua programação ao meio-dia. Eu até tenho uma sugestão: um novo jornal ao meio-dia, seguido do Melhor pra Você das 13h às 15h, que entregaria ao A Tarde É Sua, das 15h às 17h. A faixa entre 17h e 18h30 eu sonharia com uma volta do TV Kids, com desenhos japoneses que fazem falta na telinha, mas o canal provavelmente ia preferir o Você na TV, de João Kleber. Pois bem, entre 18h30 e 19h30 entraria o Operação de Risco (que funcionou bem neste horário dias atrás) e o RedeTV News. Depois, a grade seguiria como está.

Com uma mudança neste sentido, a RedeTV mataria vários coelhos com uma cajadada só (pobres bichinhos…). O Melhor pra Você tem péssima pontuação pela manhã, e trocá-lo por um programa de televenda ou religioso seria o famoso “elas por elas”. No início da tarde, a atração tentaria um novo público, além de servir de alavanca à Sonia Abrão. Seria interessante ver o programa, que é bom, num horário diferente.

Quando não tinha programação matinal, a RedeTV abria sua grade ao meio-dia com o noticiário RTV, seguido do programa feminino Elas, com Sula Miranda, que entregava o horário para o A Casa É Sua, com Sonia Abrão. Sonia seguia até às 18h, quando entregava ao Interligado. Aí vinha TV Fama, seriados, Jornal da TV, enfim… era uma grade mais inteligente, e com audiência bem melhor que a atual. Fica a dica.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana

sábado, 2 de setembro de 2017

"Estrelas do Brasil": Globo transforma Angélica em Regina Casé

Regina Casé é uma atriz cômica da melhor qualidade, e mostrou seu talento para fazer rir em programas históricos, como TV Pirata, e participação em novelas, como Cambalacho, quando fez de Tina Pepper uma grande mania. Mas a atriz também começou a mostrar sua faceta de apresentadora, principalmente quando passou a comandar o mensal Programa Legal, ao lado de Luiz Fernando Guimarães. Depois, sozinha, ancorou o clássico Brasil Legal, sem dúvidas um dos programas mais importantes de sua carreira.

No Brasil Legal, Regina Casé passou a viajar pelo Brasil colhendo boas histórias, bons personagens e dando voz a populares, num formato diferente e irreverente que fez história na TV. Regina, assim, tornou-se uma das apresentadoras mais populares da Globo, pois abria espaço para pessoas comuns, fazendo o espectador se reconhecer na telinha. E fazia isso com maestria, pois conseguia extrair, sempre, o melhor de seu entrevistado e da história que contou.

Regina Casé continuou aparecendo como apresentadora na TV, e ainda trabalhando como atriz de vez em quando. Depois do Brasil Legal vieram Muvuca, Um Pé de Que? (no Futura e na extinta faixa Globo Educação, nas manhãs de sábado da Globo), o ótimo e esquecido Cena Aberta, o interessante Central da Periferia e, mais recentemente, o Esquenta!. No dominical, que fez muito sucesso em seus primeiros anos, Regina levou o clima do Brasil Legal para um auditório, uma novidade em sua carreira. Como um novo Chacrinha, Regina passou a animar uma plateia com diversas atrações que desfilavam em seu palco. Desgastado, Esquenta! saiu do ar no ano passado, e houve a promessa de que Regina Casé ganharia uma nova atração, que muitos apostavam que seria um programa no qual ela voltasse a encontrar populares e contar histórias. Por enquanto, nem sinal do tal programa, mas é bem possível que ela volte em breve com novo projeto.

Enquanto isso, a loirinha Angélica fez história na televisão desde menina. Desde participação no programa do Chacrinha, a menina fez comerciais, participou de grupos musicais, até se tornar apresentadora, ainda pré-adolescente, na extinta Rede Manchete. Ali, começou sua bem-sucedida carreira de apresentadora infantil no comando do Nave da Fantasia e, depois, no lendário Clube da Criança. Além disso, mostrou-se exímia animadora de auditório ainda adolescente, quando fazia sucesso comandando o musical Milk Shake, nas tardes de sábado. Ali, Angélica começava a falar com outros públicos que não o infantil.

Angélica passou pelo SBT, onde animava um imenso auditório em nada menos que três programas diários: o infantil Casa da Angélica, o familiar TV Animal e o juvenil Passa ou Repassa. O sucesso deste último a levou à Globo, onde também tinha um auditório para chamar de seu na maioria das fases do matinal Angel Mix. De lá, passou a dar expediente no Vídeo Show, onde comandava o Vídeo Game, também diante de um auditório. Passou dez anos ali, mostrando sua competência no comando de game shows. Não é qualquer apresentador que sabe apresentar um game. Angélica sabe. Tem ritmo, presença de palco, comando, carisma.

Desde o final de 2011, quando o Vídeo Game saiu do ar, Angélica não tem mais um auditório. No comando do programa de entrevistas Estrelas desde 2006, a apresentadora se especializou em visitar artistas, ou levá-los para um passeio. Em meio às reformulações que o Estrelas enfrentou neste ano, que passou a apostar em temporadas temáticas, surgiu a série Estrelas do Brasil, que estreou no último sábado, 26. Na nova fase, Angélica continua a receber celebridades, agora viajando pelo país e abrindo espaço, também, para personagens anônimos do Brasil, mas que são “estrelas” em suas respectivas áreas de atuação.

Estrelas do Brasil começou a sua viagem pelo país em Belém do Pará. Angélica levou os atores Bruno Gissoni e Maria Flor por lugares característicos do local, como o Mercado Ver-o-Peso, e se encontrou com figuras da região, que mostraram o seu trabalho. Não faltou carimbó, e Angélica dançou e conheceu o trabalho do grupo local Trilhas da Amazônia. A apresentadora e seus convidados conheceram, também, as motoristas da cooperativa Diva’s Taxi; o fotógrafo Luiz Braga; e a cantora Dona Onete, paraense que sempre teve o sonho de cantar, mas que só gravou seu primeiro álbum aos 72 anos. Enquanto Bruno Gissoni acompanhou Angélica, Maria Flor conversou com a erveira Dona Carmelita e a feirante Tia Coló, que ensinou uma receita. Estrelas do Brasil, então, explora personagens do país, com boas histórias pra contar e muito a dizer sobre o local onde vivem.

Ou seja, a proposta do Estrelas do Brasil é bem parecida com a do Brasil Legal, que ficou quatro anos no ar em edições mensais redescobrindo o país. Angélica, assim, tem uma missão parecida com a de Regina Casé. E Regina Casé, por sua vez, comandou um auditório no extinto Esquenta!, um ambiente no qual Angélica tem tanta familiaridade. O que isso tudo quer dizer? Simples: dá a impressão de que a direção da Globo não sabe aproveitar os talentos dos quais dispõem. Entrega à Angélica, excelente animadora de auditório, um programa de viagens, enquanto transforma Regina Casé, excepcional “turista” do Brasil, numa animadora.

E isso não acontece apenas neste caso. O canal também entrega à Márcio Garcia e Fernanda Lima, grandes apresentadores, programas de temporada, enquanto nomes menos expressivos, como Joaquim Lopes e Sophia Abrahão, batem ponto quase diariamente no Vídeo Show

Não que Regina Casé não tenha se saído bem em seus anos de Esquenta!. E muito menos que Angélica não mande bem ao contar histórias do Brasil. Aliás, o Estrelas do Brasil estreou muito bem, com um programa bonito, colorido, bem editado, divertido e cheio de boas informações. Depois de uma temporada cansativa do Estrelas Solidárias, a nova fase é uma injeção de ânimo. Mesmo assim, fica a impressão de que os papéis estão trocados.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana