sábado, 19 de setembro de 2020

TV brasileira chega aos 70 anos celebrando o passado e se preparando para o futuro

 

Neste dia 18 de setembro de 2020, a televisão brasileira completa 70 anos. Foi neste dia, no ano de 1950, que a TV Tupi de São Paulo fez a sua primeira transmissão. Daquela cerimônia em que Lolita Rodrigues cantou o (horrível) Hino da TV até os dias de hoje, muita coisa mudou. O que não mudou foi a capacidade de encantar, entreter e informar o público, missão que a TV ainda cumpre e há de cumprir por muito tempo ainda.

Nesta semana, várias ações marcaram as comemorações. Record e Band exibiram séries de reportagens em seus telejornais. A Cultura vem fazendo entrevistas especiais no Roda Viva desde o início do mês, e exibiu na quinta, 17, a primeira parte do documentário Os Campeões de Audiência. A Globo tem feito entrevistas temáticas no Conversa com Bial e exibiu ontem, 18, a primeira parte de um Globo Repórter sobre a história da TV.

São boas maneiras de não deixar esta efeméride passar em branco. Afinal, os 70 anos da televisão brasileira estão sendo comemorados em plena pandemia, num momento em que emissoras precisaram se reinventar para continuar produzindo. Desde o início, o avanço constante da tecnologia provocou as grandes revoluções da TV: o videotape, a TV em cores, a alta definição, a TV digital, o streaming. Pois é esta mesma tecnologia que vem mantendo a TV ativa, buscando driblar com criatividade todos os impedimentos da pandemia.

E a principal realidade desta revolução tecnológica é a vitória do simples, por mais antagônico que isso possa parecer. Afinal, é a tecnologia que permite que pequenos equipamentos, como câmeras portáteis e celulares, sejam fundamentais para a produção remota, que se tornou uma das grandes realidades da televisão em tempos de pandemia. Sem toda essa tecnologia, como Pedro Bial, Cátia Fonseca ou Serginho Groisman conseguiriam fazer seus programas de suas respectivas casas?

Ao mesmo tempo, o formato foi simplificado para caber nesta realidade. Bial continua impecável no comando de suas entrevistas, mas desta vez sem cenário suntuoso, sem plateia presencial e sem uma banda para lhe dar suporte. Aumenta-se a tecnologia, diminue-se a parafernália. E a coisa funciona. Os programas continuam existindo, produzindo e mantendo sua relevância.

Esta vitória do simples é, também, a vitória do material humano. A produção remota expôs, aos olhos do público, que são as pessoas que estão ali dentro que fazem a mágica acontecer. Reunir duas pessoas que têm o que dizer numa chamada de vídeo é tão magnético quanto assistir a um espetáculo cheio de luzes e cores. TV é gente, afinal!

E onde vamos parar com toda essa tecnologia? O futuro já está sendo desenhado. A TV digital e o streaming já mexeram com o hábito do público. Boa parte já se acostumou a fazer seus próprios horários, sem mais ficar refém de uma grade rígida de uma emissora de TV. A facilidade de acesso a conteúdo de qualidade sem precisar assinar um pacote caro e pouco útil da TV paga também mostra que são muitas as transformações que estão por vir.

Assim como, no passado, a TV não matou o rádio, a tecnologia não deve matar a TV. Mas, sem dúvidas, ela seguirá se transformando. A TV aberta e a TV paga vão, aos poucos, se adequando a esta nova realidade, que ainda está em processo de construção. E o streaming, apesar de parecer forte e imbatível agora, também não deve escapar de uma transformação, tendo em vista que as inúmeras opções que começam a aparecer vão, novamente, mexer com os hábitos do espectador.

Mas, enquanto houver material humano e criatividade, a televisão vai continuar existindo. A transformação é um processo natural e o futuro é feito dia a dia. Assim, seguiremos nos encantando com tudo o que a “máquina de fazer doido” ainda há de nos oferecer, seja em qual tela for. E estaremos por aqui, comemorando os 80, 90... e os 100 anos da TV brasileira. Duvida?

André Santana

Além da trama frouxa, "Fina Estampa" envelheceu mal

 

Já falamos aqui neste período, e também em 2012, que Fina Estampa tem uma trama central bastante problemática. A rivalidade entre Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) começa interessante, já que Pereirão é uma ótima personagem, e a megera é uma vilã bem divertida.

No entanto, a trama degringola depois que Griselda ganha na loteria. A personagem perde originalidade, já que o “jeito Pereirão de ser” vai sendo diluído ao longo dos capítulos, e perde o protagonismo, já que Tereza Cristina passa mais tempo tentando proteger um segredo furado do que agindo contra a rival. Com isso, a trama central perde foco e se torna um “gato e rato” despropositado e pouco criativo.

Mas a falta de trama não é o único problema de Fina Estampa. A “edição especial” promovida pela Globo, que terminou ontem, 18, também mostrou que a novela envelheceu muito mal. Há uma despretensão natural de não se levar a sério, e isso fica bem claro. A proposta da novela é mesmo o non sense, bem entendido. Porém, mesmo o non sense precisa de um mínimo de responsabilidade. O que não se viu nesta novela.

O canal Coisas de TV, do YouTube, comandado por Fabio Garcia e Larissa Martins, publicou um vídeo bastante interessante esta semana, e eu preciso fazer coro a eles. Fina Estampa, mesmo em meio à sua despretensão, tentou tocar em assuntos sérios, e falhou miseravelmente em vários deles. Pior: os tratou de uma maneira tão irresponsável que acabou promovendo um desserviço. Veja o vídeo clicando AQUI (veja mesmo, é bem legal!).

A violência contra a mulher, por exemplo. Baltazar (Alexandre Nero) era um marido violento, que bateu em Celeste (Dira Paes) várias vezes. Mas, ao formar uma dupla cômica de gosto duvidoso com Crô (Marcelo Serrado), o personagem caiu nas graças da audiência. E acabou perdoado. Tanto que, na reta final, ele volta a bater em Celeste. Ela revida e o expulsa de casa. Ele entra em choque, toma uma chuva na cabeça e é consolado por Crô. O mordomo, então, pede a Celeste que o aceite de volta. E ela aceita, com a condição de que ele terá que reconquistá-la. Como tratar um tema tão sério como a violência contra a mulher desse jeito?

Outro tema apontado pelo Coisas de TV foi o racismo do personagem Albertinho (André Garolli). Ele passou boa parte da trama tratando Dagmar (Cris Vianna) muito mal. Capítulos depois, ele revelou que sua ex-mulher era negra e o trocou por outro, e é esse o motivo de ele tratá-la mal. Ou seja, a novela “justificou” porcamente uma atitude que não é somente condenável do ponto de vista ético, mas é também um crime. Racismo não tem justificativa.

A trama do professor Alexandre (Rodrigo Hilbert) também é um horror. O rapaz é um assediador de alunas. E os alunos da faculdade onde Antenor (Caio Castro) estuda tratam de preparar uma armadilha para pegá-lo em flagrante. E conseguem um vídeo que confirma que Alex assedia suas alunas. Mas não o denunciam. Simplesmente pedem para que ele não faça mais isso, ou mostrariam o vídeo à reitoria. Bizarro!

Isso sem falar no caso de Fabrícia (Luciana Paes), uma mulher trans que trabalha como “marida de aluguel”. Assim que descobre que a jovem é trans, Quinzé (Malvino Salvador) trata de expô-la diante de toda a empresa de Griselda. Claro que, em 2011, o debate sobre transexualidade ainda não ocupava tanto espaço quanto hoje. Mesmo assim, tratar o tema em tom de piada já não era aceitável naquela época. Hoje em dia, então, é algo condenável.

Por essas e outras, Fina Estampa figura como uma das novelas mais controversas da carreira de Aguinaldo Silva. O autor, que costumava usar de um humor ácido e muita crítica política e social em suas principais obras, desta vez nivelou por baixo. Há um claro apelo popular ali, o que justifica o seu sucesso. Mas o tom rasteiro com que levou toda a novela a coloca como um folhetim bastante equivocado.

André Santana

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Num ano sem novidades, futebol agita o SBT


Quando o ano do SBT parecia completamente perdido, eis que interesse pelo esporte ressurge no canal de Silvio Santos. A estreia da emissora na transmissão da Libertadores ontem, 16, a livrou do marasmo total e absoluto que a assolava, e que foi agravado com a pandemia.

Com programas reprisados, estrelas em quarentena e as ligações estapafúrdias de Silvio Santos, com ordens mais estapafúrdias ainda (que, aliás, o Notícias da TV informou hoje que são influência de Richard Vaun… interditem esse homem!), o SBT acabou caindo num buraco negro que parecia sem fundo.

Mas a emissora entrou nas negociações pela Copa Libertadores, depois que a Globo recuou na tentativa de baixar o preço dos direitos. E acabou levando! Isso deu uma injeção de ânimo no canal que o fez muito bem. O SBT se mexeu para montar uma equipe esportiva, realizou contratações e até já planeja aumentar o espaço do esporte na grade.

Segundo vários veículos, o canal tem cogitado comprar outros torneios de futebol, e até mesmo outras modalidades esportivas. A Fórmula 1, que vai deixar a programação da Globo no ano que vem, até já estaria nos planos. Além disso, há a ideia de lançar um novo programa esportivo, que seria apresentado aos sábados, depois do Programa Raul Gil.

A audiência da estreia da Libertadores deixou o SBT em terceiro, é verdade, mas houve um aumento do público no horário, o que é um bom sinal. E o esporte sempre atrai bons anunciantes. Ou seja, a emissora tem feito um investimento que parece inteligente neste momento. E, mais do que isso, a manobra a colocou de volta aos holofotes. Voltamos a falar do SBT, e não é para repercutir mais uma loucura de Silvio Santos (ou do Richard Vaun...). Que bom!

André Santana

domingo, 13 de setembro de 2020

"Amor e Sorte" faz simpática estreia

Mais um “produto de quarentena”, a estreia de Amor e Sorte na Globo passou longe de qualquer cara de produção caseira. Com todo o talento da família de Fernanda Montenegro em ação, atuando em todas as frentes da produção, a série mostrou uma excelência que em nada deve às produções “tradicionais”.

Mas o trunfo do episódio de estreia foi a reunião em cena de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. As duas atrizes, dotadas de um carisma absurdo e despidas de qualquer vaidade, entregaram uma relação honesta e terna, que foi a força do episódio.

O roteiro simples, mas bem resolvido, ajudou a extrair o melhor das atrizes. A trama da mãe libertária Gilda e da filha workaholic Lúcia explorou a difícil relação familiar e o conflito geracional tão reconhecíveis pela maioria das famílias. É um enredo que encanta pela sua simplicidade e pela capacidade de provocar reflexão.

De quebra, Amor e Sorte injetou uma ponta de esperança na audiência. Não apenas por ter adiantado a vacina da covid, mas também por propor a possibilidade de conviver com as diferenças. Gilda e Lúcia representam uma polarização que emula bem o atual contexto social brasileiro. Com dificuldade, elas conseguiram se entender. Recado dado!

O primeiro episódio de Amor e Sorte deixou a melhor das impressões. É interessante notar como vão sendo descobertos caminhos para que a produção audiovisual se mantenha ativa, mesmo num momento em que isso parecia impossível.

Os demais episódios de Amor e Sorte contarão com casais quarentenados em casa, e sem toda uma família profissional da área por trás. Mesmo assim, a qualidade do roteiro de Jorge Furtado e o conhecido talento dos profissionais envolvidos são bons indicativos sobre o que está por vir.

André Santana

Globo confirma a estreia do novo programa de Angélica

Nesta semana, a Globo confirmou oficialmente a estreia do novo programa de Angélica. Simples Assim será exibido nas tardes de sábado da emissora a partir do dia 10 de outubro, antes do Caldeirão do Huck. A primeira temporada da atração terá 12 episódios, com exibição garantida até o final do ano.

Segundo a comunicação da Globo, no Simples Assim, “que tem direção-geral de Geninho Simonetti, Angélica convida o público a refletir sobre temas universais, dividindo e contando boas histórias de pessoas anônimas e famosas, sempre através de um olhar empático, bem-humorado e sem julgamentos. É nesse ambiente, tratando de questionamentos mais atuais do que nunca em tempos de distanciamento social, que a apresentadora vai reencontrar seu público, e fazer das tardes de sábado, na TV Globo, um momento de conexão”.

“A cada episódio, um tema – felicidade, fé, trabalho, família, solidariedade, diversidade, autocuidado e amor são alguns dos assuntos que irão permear a temporada. E para cada tema, diferentes percepções e maneiras de contar essas histórias, que virão dos personagens, através de esquetes de humor, ou das dinâmicas com convidados que Angélica vai receber no palco do programa”, explicou o comunicado da emissora.

Como já dito por aqui anteriormente, trata-se de algo bem diferente de tudo o que Angélica já fez na TV. Antes identificada com programas de puro entretenimento, como games e musicais, a apresentadora agora se aventura num programa temático, onde terá a chance de falar de assuntos relevantes. É uma ideia alinhada ao que a apresentadora já vem fazendo em suas redes sociais, e também no GNT, onde apresentou o especial Cartas Para Eva em maio.

Depois de tantos adiamentos, agora é a hora de a estrela voltar ao ar num programa para chamar de seu. Só resta saber se a ideia vai funcionar. Afinal, trata-se de um programa bem pretensioso, que propõe conversas mais, digamos, “sérias”. Esse papo “cabeça” combina com as tardes de sábado da TV aberta? Descobriremos quando Simples Assim estrear.

André Santana

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Afinal, "Mais Você" volta ou não volta?


Nesta semana, Ana Maria Braga anunciou a volta do Mais Você. A apresentadora avisou que seu programa volta ao ar no dia 05 de outubro, a partir das 11h30. E que, inicialmente, será apresentado da própria casa da apresentadora. Enquanto isso, os estúdios da Globo em São Paulo seriam preparados para acomodar novamente a atração.

No entanto, a Globo não confirmou a informação. E, logo em seguida, o anúncio de Ana Maria, que foi feito no site da apresentadora, saiu do ar. Hoje, 10, o Notícias da TV informou que as decisões sobre o futuro do Mais Você ainda não foram tomadas, e que Ana se precipitou ao anunciar o retorno. O jornalista Daniel Castro afirmou que nem ao menos a mudança para São Paulo está totalmente sacramentada.

Ou seja, voltamos à estaca zero. E se trata de uma situação bastante ridícula. Afinal, na prática, o Mais Você já voltou ao ar faz tempo. O quadro Receitas Especiais da Ana Maria dentro do Encontro deixou de ser um segmento com dez minutos de reprises para se tornar algo maior e mais variado. Além de exibir receitas antigas, Ana também apresenta reportagens de comportamento, conversa com Louro José e deixa suas tradicionais mensagens. O quadro até ganhou um quadro (?) novo, com Ana ensinando novas receitas em alusão a novelas e conversando com atores.

Este espaço de meia hora de Ana Maria Braga ocupa a parte final do Encontro com Fátima Bernardes. Fátima chama Ana, as duas interagem nos dias em que o quadro é apresentado ao vivo, mas logo Ana assume de vez e toma conta do programa. Fátima reaparece apenas no final, se despedindo e encerrando o Encontro.

Em suma, a parte final do Encontro já não é o Encontro. É o programa da Ana Maria, numa versão “compacta”. Sendo assim, não custava nada a Globo encerrar o Encontro às 11h30, entregando à Ana Maria, que voltaria a usar o título Mais Você. E pronto, Ana teria seu programa de volta, numa versão menor e feita da casa dela. O quadro de Ana já é um programa. Basta a Globo resolver trazer o título Mais Você de volta. É tão difícil assim?

André Santana

sábado, 5 de setembro de 2020

"Flor do Caribe" volta ao ar com a mesma missão de sua primeira exibição

Em março de 2013, a Globo encerrava uma de suas mais belas novelas das seis já exibidas, Lado a Lado. Mas a trama histórica registrou uma das mais baixas audiências do horário. Com isso, para substituí-la, a emissora optou pelo sentido oposto, trocando o excesso de roupas e o tom solene por uma trama praiana, contemporânea, com belas paisagens e atores com pouca roupa: Flor do Caribe.

Em 2020, com a necessidade de suspender suas novelas, a Globo sacou de seus arquivos Novo Mundo, trama que fez sucesso em 2017, mas cuja reprise não repetiu o bom desempenho. Assim, para “refrescar” a faixa, novamente a aposta foi em Flor do Caribe, e pelos mesmos motivos: depois de uma trama histórica e soturna, entra em cena um romance açucarado, cheio de sol e belos atores com pouca roupa.

Com Flor do Caribe, o autor Walther Negrão voltava ao horário das seis e à temática tropical que conhece tão bem. O objetivo era claro: resgatar o sucesso de Tropicaliente, trama assinada por ele que fez um bom barulho, principalmente no mercado internacional. Feita para vender, Flor do Caribe abusa das belas imagens naturais proporcionadas por seu cenário deslumbrante.

Dirigida por Jayme Monjardim, reconhecido por sua assinatura que valoriza a fotografia, Flor do Caribe ganha ainda mais cor e viço. Paisagens grandiosas somadas a um elenco que parece saído de um catálogo de modelos, todos donos de belos corpos prontamente explorados pelo figurino mínimo. A contemplação que acompanha as paisagens de Monjardim desde Pantanal surge com força e, não raro, causa certa sonolência.

Com tanto deslumbre, o enredo mais parece uma desculpa para se explorar ao máximo toda essa beleza. Flor do Caribe tem uma das espinhas dorsais mais básicas da teledramaturgia: uma mocinha disputada pelo mocinho e pelo vilão. Ester (Grazi Massafera) e Cassiano (Henri Castelli) vivem um amor adocicado. Na outra ponta do triângulo, o malvado Alberto (Igor Rickli) se faz de amigo do mocinho, mas arma para roubar-lhe a namorada. Tudo é muito bem definido: Ester e Cassiano são exemplos de seres humanos, dotados de qualidades, enquanto Alberto é do mal, e não há dúvidas disso.

A primeira semana da novela lembra bastante o mote inicial de Vila Madalena, novela das sete escrita pelo mesmo Walther Negrão no final dos anos 1990. Nesta história, o vilão Arthur (Herson Capri) era apaixonado pela mocinha Eugênia (Maitê Proença) e armou para que o mocinho Solano (Edson Celulari) fosse preso injustamente. Solano passa sete anos na prisão e, quando sai, encontra Eugênia casada com o algoz. Em Flor do Caribe, Alberto armou algo parecido, e já se sabe que, daqui sete anos, Ester estará casada com Alberto enquanto Cassiano tentará retomar sua vida.

O elenco traz uma Grazi Massafera em processo de amadurecimento. Como Ester, a atriz começava a mostrar uma evolução considerável, que se consagraria em definitivo em seu trabalho seguinte, Verdades Secretas. Enquanto isso, a grande aposta era Igor Rickli, que estreava na TV já como o vilão da história. Rickli se mostra inseguro neste início, mas segura bem no decorrer da obra. Porém, não o suficiente para colocá-lo na lista de galãs da emissora, já que, depois, ele emplacou apenas uma participação em Alto Astral, seguindo para a Record em seguida.

Os grandes destaques do elenco de Flor do Caribe neste início foram mesmo os veteranos. Juca de Oliveira emocionou vivendo Samuel, combatente na Segunda Guerra Mundial e atormentado pelas lembranças do passado. E Sergio Mamberti finalmente surge com um grande personagem numa novela global e dá show como Dionísio, milionário bandido e mau-caráter. Os dois personagens são opostos dentro de uma trama que aborda o nazismo, que pode ganhar novo contexto nesta reexibição, dado nosso atual cenário político.

No mais, Flor do Caribe traz de volta ao horário das seis a velha receitinha de uma porção de água com muita, muita glicose. Um enredo que sempre agradou ao público do horário das seis. Em sua exibição original, a trama foi bem-aceita pelo público, registrando índices de audiência satisfatórios. Na reprise, deve conseguir segurar a atenção do público, além de servir como boa sala de espera à Nos Tempos do Imperador.

André Santana

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Band pode trocar Mariana Godoy por desenhos, diz site


A estreia de Mariana Godoy nas manhãs da Band virou um grande mistério. A atração, que já teve chamadas no ar e datas de estreias anunciadas e “desanunciadas”, agora corre o risco de nem ir ao ar. Ao menos é a informação que o site Notícias da TV traz nesta sexta-feira, 04, o que seria uma reviravolta e tanto ao aguardado projeto da jornalista, criado com Zeca Camargo.

Segundo a matéria do Notícias da TV, há uma ala na cúpula da Band que defende o engavetamento da nova atração. Esta ala considera que a manhã tem uma audiência baixa demais para tentar emplacar um programa relativamente caro e que, provavelmente, terá dificuldades em se pagar. Os baixos desempenhos de Superpoderosas e Aqui na Band, as últimas apostas do horário, são usados como exemplo.

Assim, a ideia seria que, ao invés de apostar num grande programa matinal, a faixa seja dividida entre um novo programa com Edu Guedes e desenhos animados. Edu, que está com os dois pés na emissora, comanda um programa de culinária, ou seja, tem um custo de produção baixo. E, de quebra, o cozinheiro atrai anunciantes, ou seja, a emissora operaria no azul. Enquanto isso, desenhos têm uma boa relação custo-benefício: não faturam, mas também não dão prejuízo. E podem dar audiência.

Realmente, numa análise fria dos fatos, estas ideias fazem sentido. Afinal, Aqui na Band e Superpoderosas são exemplos mais recentes, mas é fato que TODOS os matinais que a emissora lançou nos últimos 20 anos (no mínimo) não aconteceram. O canal já lançou trocentas versões do Dia Dia (que foram apresentadas por Olga Bongiovanni, Vivianne Romanelli, Lorena Calábria, Patrícia Maldonado, Silvia Poppovic e Daniel Bork), e nenhuma delas funcionou. Superpoderosas e Aqui na Band, a gente já sabe o que aconteceu.

O maior problema deste “plano B” da Band é o desenho da grade. Isso porque os jornais matinais têm resultados minimamente satisfatórios. Encaixar desenhos entre os noticiáios e Edu Guedes, fatalmente, ocasionará numa “quebra” de público. Sempre defendi desenhos na Band, já que eles costumam dar boa audiência e trazer um público carente de programas infantis matinais. Mas é preciso pensar no todo. 

Se a faixa de desenhos for exibida entre jornais e Edu Guedes, haverá quebra. Caso Edu fique colado nos jornais e entregar para os desenhos, o prejuízo de audiência pode ser menor, já que o Jogo Aberto tem público cativo, que não seria afetado pela entrega dos desenhos. Mas será que compensa esconder Edu no início das manhãs? Enfim, são questões que a Band terá que responder.

Enquanto isso, se Mariana Godoy realmente perder o matinal que nem ao menos estreou, seria a chance para entregar a ela uma nova versão do Mariana Godoy Entrevista. Acho uma boa saída.

André Santana

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Globo planeja (de novo) remake de "Pantanal"


Há informações na TV que são cíclicas. De tempos em tempos, sai uma informação, que depois não acontece. Mas logo ela volta, mas aí é adiada… e a coisa vai passando. Tipo o retorno de Aqui Agora ou das novelas adultas no SBT, ou o remake de Pantanal na Globo. Há uns 15 anos, a emissora planejava refazer a obra da Manchete. Uma novela chamada Amor Pantaneiro, nos mesmos moldes, foi cogitada. Depois foi retomada, mas o SBT reprisou Pantanal, e aí foi esquecida de novo.

Eis que o projeto voltou ao radar da Globo. De acordo com Patrícia Kogut, de O Globo, nesta quarta-feira, 02, deve acontecer uma reunião entre Benedito Ruy Barbosa e uma equipe da Globo para tratar do projeto. Segundo a colunista, a ideia é manter a trama original, apenas atualizando o enredo. Benedito atuará como supervisor, enquanto o texto será entregue a Bruno Luperi, seu neto. Para tocar o projeto, Bruno e Edmara Barbosa devem paralisar os trabalhos de Arroz de Palma, a novela das seis que nunca sai da fila das “próximas”.

Kogut disse ainda que Benedito tem uma atriz dos sonhos para viver a nova Juma Marruá. Mas, por enquanto, ele não revela qual é. Enquanto isso, os espectadores já estão em polvorosa, indicando nomes de atrizes para viver o papel que consagrou Cristiana Oliveira. Quem será a nova Juma?

Ainda não se sabe ao certo em que momento esta nova Pantanal será produzida. Mas Duh Secco, colunista do RD1, informou esta semana que há a possibilidade de o projeto “furar a fila” das novelas das nove. Neste caso, Pantanal seria a substituta de Um Lugar ao Sol, trama de Lícia Manzo que entrará após Amor de Mãe, no ano que vem. Se confirmarem a mudança, as próximas novelas de João Emanuel Carneiro e Gloria Perez seriam empurradas para mais tarde. 

Este contexto lembra muito o da ocasião da produção de Velho Chico, última novela de Benedito, Bruno e Edmara Barbosa. A trama era um antigo projeto da família Barbosa, mas estava engavetada havia uns anos. Mas, em 2015, os baixos desempenho de Babilônia e A Regra do Jogo fizeram com que a direção da Globo buscasse um respiro de novelas urbanas, desengavetando a história rural. Com isso, Velho Chico furou a fila e empurrou A Lei do Amor, que originalmente substituiria A Regra do Jogo, para depois.

Será que agora vai acontecer o mesmo? E, principalmente: uma trama como Pantanal será bem recebida hoje em dia? A novela original é um clássico incontestável, mas tem um ritmo devagar quase parando, além de ter enfrentado uma bela de uma barriga, algo bastante comum nas obras de Benedito Ruy Barbosa. Que mudanças serão propostas para que a novela dialogue com o público de hoje, mas sem perder sua essência? É um baita desafio.

André Santana

sábado, 29 de agosto de 2020

Boa novela, "Novo Mundo" não empolga em reprise


 

Novo Mundo é a primeira novela da “safra de reprises” imposta pela pandemia a chegar ao fim. A trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão reafirmou suas qualidades neste repeteco, mas não mexeu com a audiência como em sua exibição original, em 2017. Uma pena, se enfileirarmos todas as qualidades da novela das seis.

Em 2017, Novo Mundo foi uma agradável surpresa. Ao misturar folhetim com figuras históricas, fazendo uma aventura de época inserida no início do Brasil Império, os autores entregaram uma trama redonda, envolvente e bem divertida.

Claro, a reprise também deixou claro alguns elementos que não funcionaram tão bem, como a mocinha Anna Millman (Isabelle Drummond). Apresentada como “à frente de seu tempo”, a heroína acabou caindo fácil demais no golpe de Thomas (Gabriel Braga Nunes), o que a fez perder força. Sua cota de sequestros e de cárcere acabou cansando um pouco. Mais sorte teve Joaquim (Chay Suede), que ganhou cores de super-herói e se revelou um mocinho carismático.

Mas foi o casal que andou ao lado dos heróis que concentrou os olhares do público que curte uma boa história de amor na primeira exibição. Os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e sua primeira esposa, Leopoldina (Letícia Colin) funcionaram, sobretudo em razão do trabalho da atriz, que deu humanidade à princesa. Assim, valeu a “licença poética” da trama, que aproveita do recorte da época retratada para dar um final feliz ao casal, ao mesmo tempo em que conferiu ares de vilã à amante de Pedro, Domitila (Agatha Moreira).

Além do folhetim tradicional, os autores foram felizes ao usar a temática histórica para fazer um paralelo com o Brasil atual. Com muita sagacidade, Thereza Falcão e Alessandro Marson colocaram na boca de seus personagens diálogos de duplo sentido, que encaixavam perfeitamente no contexto atual do país. O resultado foi uma novela com diversas camadas, que não saía de seu objetivo principal, o entretenimento, mas que também era capaz de provocar o público e despertar a reflexão.

No entanto, curiosamente, o encanto da primeira exibição não se repetiu nesta reapresentação. O romance de Pedro e Leopoldina não causou o mesmo frisson da exibição original. Porém, vale lembrar que esta reprise de Novo Mundo esteve longe de ser um fiasco. A novela manteve o horário das seis da Globo num patamar aceitável, com uma média de acordo com o trilho que se espera da faixa. O “problema” maior foi a comparação com as demais novelas. Totalmente Demais é um fenômeno, que conquistou uma plateia maior que em 2015. E Fina Estampa é uma trama popular de grande apelo, que ainda toca grande parte dos espectadores.

Novo Mundo, embora tenha suas qualidades, não conseguiu se mostrar como um clássico capaz de repetir seu sucesso. A reprise mostrou que a novela conquistou o público naquele período, mas não deixou saudades a ponto de trazê-lo de volta com a mesma empolgação nesta reapresentação.

Além disso, Novo Mundo tem um tom mais formal e soturno que as demais novelas em reapresentação. Neste momento de pandemia, onde muitos estão tensos e procurando relaxar, os dramas históricos e a ambientação escura acabaram sendo ofuscados pelo noticiário, que anda mais duro e tenso que o normal. Ou seja, quem buscou refúgio numa novela, preferiu algo mais leve, como Totalmente Demais e Fina Estampa, duas histórias mais “solares”. E que, de quebra, são quase “contos de fadas” modernos.

Flor do Caribe, então, terá a missão de fazer o horário das seis “relaxar”, como fazem Totalmente Demais às 19h, e Fina Estampa às 21h. E preparar o público para uma nova trama histórica, Nos Tempos do Imperador, que deve estrear em 2021. Esperamos que, até lá, as coisas já estejam minimamente melhores, e que a receptividade da história de Dom Pedro II (Selton Mello) seja parecida com a da primeira exibição de Novo Mundo.

André Santana