sábado, 27 de junho de 2020

Em tempo de pé no freio, Band movimenta o mercado


A pandemia do novo coronavírus fez as emissoras colocarem o pé no freio. Planos foram cancelados, ou adiados, e soluções de emergência e reprises surgiram. Neste cenário pouco produtivo, é normal que o mercado dê uma desaquecida. Por isso, chama a atenção a movimentação da Band, que parece estar em pleno funcionamento.

A contratação de Mariana Godoy e a reformulação do Aqui na Band foi um dos principais assuntos da semana no noticiário televisivo, e já repercutimos aqui em duas ocasiões. Estas novidades num período em que pouca coisa está acontecendo ajuda a dar um “up” na programação da TV aberta. Além disso, nos últimos dias, pipocaram informações de que a Band busca mais nomes de peso no mercado. Além dos nomes de Zeca Camargo, Dony DeNuccio e Fernando Rocha, cotados para o Aqui na Band, também surgiram nomes como Rachel Sheherazade, Tom Cavalcante e até Miguel Falabella na bolsa de apostas. José Luiz Datena, no Brasil Urgente, os citou no ar esta semana, comemorando tais negociações.

Claro, o fato de a Band ter interesse nestes nomes não significa que já foram contratados, ou que a recíproca é verdadeira. Mas é um sinal de que a emissora tem pensado em soluções para fazer uma programação mais variada. E isso, por si só, é muito positivo. Rachel Sheherezade, por exemplo, já não esconde sua insatisfação com o SBT. Pois ela seria um reforço interessante para o jornalismo da Band. Com Tom Cavalcante, a emissora voltaria a apostar no humor, segmento sem representação atualmente. Vai se saber o que a Band pensa sobre Miguel Falabella, mas é um baita nome!

Porém, tudo isso ainda está no campo da especulação. Mas já há soluções práticas sendo tomadas. Desde a fracassada reformulação da programação de 2018, quando a Band apostou em programas de pouco apelo, a emissora tratou de se mexer de maneira mais prudente. E, entre 2019 e 2020, tomou decisões mais efetivas. Neste período, o canal parou de apostar em programas que pouco tem a ver com sua vocação, e tratou de investir no que conhece melhor.

O jornalismo, por exemplo. O canal ampliou consideravelmente o espaço para o jornalismo, com os lançamentos de Primeiro Jornal, Bora Brasil e Band Notícias. Além disso, finalmente mexeu no BandNews, canal de notícias do grupo. São movimentações positivas, que se refletiram numa melhora nos números. Claro, o canal ainda tem muito a mexer. Mas só o fato de a emissora ter saído daquela incômoda inércia de antes já é algo positivo.

Fica, agora, a torcida para que o canal tenha pernas para sustentar toda esta movimentação. A emissora já pagou o preço por contratações de peso que não trouxeram nenhum retorno e, ainda, ajudaram a acelerar uma crise que engessou o canal por anos. Movimentação é sempre positiva, desde que feita com responsabilidade.

André Santana

Já conhece o Cascudeando?


Você, jovem nascido e criado dentro das redes sociais, pode não acreditar, mas a blogosfera já teve seus momentos parecidos com estas plataformas. Pessoas “comuns” escreviam blogs sobre seus interesses, e isso fazia com que outras pessoas com os mesmos interesses se encontrassem. Nasciam aí interações interessantes, e até amizades. Foi neste contexto que o TELE-VISÃO nasceu, em 2005.

Assim que eu, um apaixonado por TV, resolvi escrever um blog sobre o tema, logo fui atraído por outros blogs com o mesmo tipo de conteúdo. Quando eu comecei, já existia, por exemplo, o FabioTV, do colega Fabio Maksymczuk, que persiste até hoje (somos “heróis da resistência”, ahaha!). Outro que já existia era o Cascudeando, de Lucas Andrade, um jovem que gostava de compartilhar suas opiniões sobre novelas. Na sequência do TELE-VISÃO, nasceu também o Poltrona, do saudoso Ale Rocha, um profissional que se tornaria muito importante na minha formação e história.

Neste contexto, minha amizade com o dono do Cascudeando ultrapassou os limites da blogosfera. Lucas e eu nos tornamos grandes amigos! Passávamos madrugada adentro conversando sobre novelas no lendário MSN, nos ligávamos em aniversários e datas especiais, fazíamos muitas piadas e falávamos muita bobagem. Neste tempo, seguimos acompanhando os blogs um do outro. Lucas, aliás, foi um dos jurados mais longevos do Troféu Santa Clara, que o TELE-VISÃO promove todo mês de agosto desde 2008.

Mas a vida vai nos levando para outros caminhos. Lucas se tornou um psicólogo, encarou um mestrado e seguiu sua vida profissional, o que o impediu de seguir com o Cascudeando. Assim, ele deixou a blogosfera. Nossa amizade permaneceu, nunca deixamos de nos falar e trocar ideias sobre o assunto que nos uniu: a TV! E o Cascudeando ficou guardado num lugar especial da blogosfera.

Por que estou dizendo tudo isso? Pra avisar que, depois de alguns anos, Lucas voltou com o Cascudeando. Numa nova fase, que revela a maturidade do redator. Sem perder seu humor peculiar, Lucas agora tem uma visão técnica e bastante interessante das artes (não apenas da TV), fazendo análises psicológicas e sociológicas de obras que todos amamos. Cascudeando voltou! Em nova fase, mais maduro e igualmente delicioso!

Peço, então, que todos os parceiros do TELE-VISÃO deem uma passadinha no Cascudeando e confiram o belo trabalho do meu amigo Lucas Andrade. Garanto que não vão se arrepender. E Lucas, meu amigo, demorei, mas finalmente consegui fazer a recomendação que eu vinha planejando há tempos. A volta tão relevante do Cascudeando merecia um post especial. Sucesso nesta nova fase!

Agora, corram para o CASCUDEANDO: https://www.cascudeando.com

André Santana

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Sem roubada: chegada de Mariana Godoy impõe mudanças no "Aqui na Band"

Na semana passada, reclamei aqui da possibilidade de Mariana Godoy ser contratada pela Band para comandar o Aqui na Band. Considerei uma roubada a chegada da jornalista ao programa, que vinha sendo caracterizado por debates sobre temas controversos (para não dizer delirantes), e com a participação de convidados que são reconhecidamente disseminadores de fake news. Mariana não merecia estar ali, mesmo que para ser um contraponto.

Felizmente, a direção da Band concorda com este pequeno blogueiro. Hoje, 25, foi notícia em todos os sites especializados que a emissora suspendeu a produção do matinal para intervir em sua forma e conteúdo. Segundo o site Notícias da TV, todos os profissionais atualmente envolvidos, como o diretor Vildomar Batista e o apresentador Luís Ernesto Lacombe, foram afastados. A ideia é recomeçar o programa, já que seu viés excessivamente bajulador ao governo e aos absurdos do mesmo foi motivo de grandes embates entre Batista e a direção de jornalismo da emissora.

Uma pena que as coisas tenham chegado a isso. Quando começou, o Aqui na Band era um programa simpático, bem ao estilo dos matinais tradicionais, com notícias e amenidades. Luís Ernesto Lacombe sempre foi um conservador, e suas opiniões deixavam isso claro. Mas havia a figura de Silvia Poppovic como contraponto, o que dava um equilíbrio até interessante. Até porque, é bom que se diga, não há nada de errado em ser conservador. Se há dois âncoras de visões distintas, a possibilidade de qualquer debate ficar mais rico é alta. 

O problema é que, com a saída de Silvia, o programa foi tomando um rumo muito estranho. Uma coisa é se posicionar conservadoramente; outra bem diferente é dar espaço a mentiras e teorias da conspiração. Chamou a atenção o debate sobre quem havia mandado matar o presidente, quando a Polícia Federal já havia declarado que o autor da facada que acometeu o então candidato agiu sozinho. Nesta semana, um debate sobre conservadorismo teve participação de pessoas que são investigadas por fake news. Em suma: uma coisa é defender um ponto de vista conservador; outra bem diferente é disseminar mentiras.

Além disso, esta abordagem equivocada de temas urgentes que vinha sendo adotada pelo Aqui na Band nem ao menos se converteu em números de audiência. Pelo contrário. O matinal, que nunca teve grande público, viu seus números caírem ainda mais. Ou seja, Aqui na Band vinha aumentando a tensão nos bastidores da emissora, e sem nenhum resultado prático. Sendo assim, a intervenção não era apenas necessária, era urgente.

Ainda segundo o Notícias da TV, a Band vai exibir reprises do matinal até formar a nova equipe da atração. Mariana Godoy deve ser mesmo a nova apresentadora, e dividirá o palco com outro jornalista. Fernando Rocha, Dony De Nuccio e Zeca Camargo estão no radar do canal para o posto, informou o NTV. Agora, o Aqui na Band será produzido pelo entretenimento em conjunto com o jornalismo, e a ideia é transformá-lo numa revista eletrônica informativa. Sem dúvidas, uma boa ideia. Mariana Godoy, felizmente, se livrou da “roubada” prevista pelo TELE-VISÃO. Ainda bem! Na torcida pra que venha coisa boa!

André Santana

sábado, 20 de junho de 2020

"Triturando": o delírio coletivo do SBT finalmente chega ao fim


Há algumas semanas, fomos surpreendidos com a troca de nomes do Fofocalizando, o vespertino do SBT que é mais movimentado que o metrô de São Paulo antes da pandemia. Em quarentena, Silvio Santos transformou o programa, que foi criado por ele, em seu “brinquedo particular”, mexendo na atração de maneira constante e indiscriminada. Daí veio a troca de nomes, quando o programa se tornou Triturando. Segundo consta, o dono do SBT se divertia com o quadro no qual o elenco da atração “julgava” e “triturava” celebridades, e tratou de transformar o programa todo nisso.

Com a “novidade”, chegaram ao programa Ana Paula Renault e Flor, que passaram a “triturar” qualquer coisa ao lado de Gabriel Cartolano e Chris Flores, os “remanescentes” do Fofocalizando. Mara Maravilha e Lívia Andrade acabaram afastadas. E, a partir daí, o vespertino se tornou um trágico exercício de criatividade, com um roteiro que chamava a atenção para assuntos cada vez mais descabidos.

Quando parecia que o sonolento quadro de triturar músicas antigas era o auge do inusitado no Triturando, eis que Silvio Santos se superou. Tratou de colocar seus apresentadores para julgar piadas de Ari Toledo, fazendo com que Chris Flores se submetesse à constrangedora cena de aparecer com o livro de piadas na mão, lendo aquelas anedotas de gosto duvidosíssimo. Mais adiante, o quadro foi “reformulado”, e humoristas passaram a aparecer lendo as piadas. Melhor para Chris, mas o programa seguiu ruim.

Como se não bastasse, o roteiro da atração começou a buscar assuntos cada vez mais idiotas para serem “triturados”. Alguns de péssimo gosto, como “é melhor morrer afogado, envenenado ou esfaqueado?”. Outros, sem qualquer propósito, como “homem que coça o saco deve ser triturado?”, ou “homem que faz xixi na rua deve ser triturado?”. Que relevante, não? Deu a impressão de que o roteiro era escrito pelo próprio Silvio Santos, já que perguntas deste naipe costumam ser feitas pelo próprio para a plateia em seu dominical. Se não foi o próprio, foi o roteirista do Programa Silvio Santos treinado pelo próprio, porque não é possível!

Além disso, Triturando começou a aproveitar material que, como dito por outros sites, parece vindo do horrendo Alarma TV. Chris Flores e seus companheiros passaram a ter que “triturar” imagens de acidentes, assaltos ou outras situações, que surgiam na tela por meio de vídeos sem nenhum contexto. Um material bastante controverso para ser exibido à tarde, e sem qualquer propósito minimamente jornalístico. Era colocado no ar pra chocar e pronto.

Aliás, dizer que Triturando era exibido à tarde é força de expressão. Já que Silvio Santos pareceu tão “fascinado” com sua “brilhante” criação, que passou a enfiar o Triturando em qualquer brecha da grade de programação do SBT. Naquela horrorosa ocasião em que o dono mandou cancelar o SBT Brasil para não ter que repercutir o pavoroso vídeo da reunião dos ministérios do governo federal, foi escolhido justamente o Triturando para tapar o buraco. Depois, o programa voltou às noites de sábado, antes do jornal. Reprises do Triturando também foram escaladas para as madrugadas da emissora. No último domingo, 14, Triturando foi ao ar na manhã de domingo, antes do Domingo Legal, encurtando a faixa de Chaves. Resultado: a atração derrubou os índices do programa de Celso Portiolli.

E esta situação foi uma constante ao longo de toda a trajetória do Triturando. Seja em seu horário habitual nas tardes (horário este que também foi alterado várias vezes), seja em suas reprises, Triturando registrou sempre péssimos índices de audiência. Derrubou as tardes da emissora, deixando o SBT distante da almejada vice-liderança, encostando na Band e na TV Cultura no quarto lugar.

O que não era nenhuma surpresa. Apenas na cabeça de Silvio Santos um programa tão ruim, mal feito e com roteiro (ou falta) de tamanho mau gosto e sem apelo faria algum sucesso nas tardes do canal. Por isso, não causou surpresa alguma o anúncio de que Triturando voltará a ser Fofocalizando a partir da próxima segunda-feira, 22. Lívia Andrade volta ao posto de apresentadora, enquanto Chris Flores reassume o posto de comentarista. Gabriel Cartolano, Flor e Ana Paula Renault seguem no elenco.

E, segundo o Notícias da TV, Chris Flores poderá, ainda, ganhar um programa diário só seu, já que a direção do SBT ficou muito satisfeita com o desempenho comercial da apresentadora. Nenhuma surpresa. Sair de uma roubada como o Triturando sem nem ao menos uma chamuscada é um sinal claro da credibilidade e do profissionalismo da apresentadora. E isso, naturalmente, se reverte em desempenho comercial. Simples assim. Então, na torcida pra que este projeto exista mesmo, e que esteja à altura da jornalista, que merece muito mais do que Triturando/Fofocalizando.

No mais, vamos ver quanto tempo dura esta nova fase do Fofocalizando. Façam suas apostas!

Atualização (25/06): Como perceberam, mudou tudo de novo após a publicação deste texto, e o Triturando segue no ar. Oremos.

André Santana

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Com Carolina Ferraz e Christina Lemos, Record "renova" jornalismo

Semana de novidades no jornalismo da Record. A anunciada “reformulação” do Domingo Espetacular finalmente vai acontecer, com a contratação de Carolina Ferraz. Já o Jornal da Record ganha uma nova apresentadora: a repórter Christina Lemos assume a bancada do principal noticioso da emissora. Com isso, Adriana Araújo, Patrícia Costa e Thalita Oliveira ganham novas funções no canal.

A surpresa da temporada é a chegada de Carolina Ferraz. A atriz, que ficou famosa com diversos papéis em novelas da Globo, reassume sua porção de apresentadora, função que já exerceu em atrações como Programa de Domingo, na Manchete, Fantástico, na Globo, e Receitas da Carolina, no GNT. Segundo o site Notícias da TV, Carolina chega à Record para dar uma nova cara ao Domingo Espetacular, algo que a emissora vinha buscando desde que Antonio Guerreiro assumiu o jornalismo do canal.

Assim, o Domingo Espetacular passa a ser apresentado por Carolina Ferraz, ao lado de Eduardo Ribeiro. Mas espera-se que as mudanças não sejam apenas cosméticas. A revista eletrônica peca muito pelo tempo excessivo, que obriga o programa a preencher espaço com “curiosidades” intermináveis e matérias muito longas. O Domingo Espetacular precisa encontrar uma linguagem mais jovial e moderna, além de apostar num conteúdo mais variado. É o momento de uma mudança editorial. Vamos ver.

Vale lembrar que não é de hoje que a Record busca renovar a apresentação do Domingo Espetacular. Depois do afastamento do saudoso Paulo Henrique Amorim, principal apresentador da história da atração, surgiram especulações de que a emissora havia sondado nomes como Patrícia Poeta e Zeca Camargo, justamente para assumirem esta função. A própria Carolina já estava no radar do canal há algum tempo.

Enquanto isso, Patrícia Costa e Thalita Oliveira serão realocadas. Segundo o Notícias da TV, Patrícia Costa assume a edição da meia-noite do JR 24h. Já Thalita Oliveira será apresentadora da edição de sábado do Fala Brasil

Mudanças à vista também no Jornal da Record. Segundo Flavio Ricco, do R7, Christina Lemos, repórter gabaritada e com anos de experiência na cobertura de Brasília, passa a comandar o jornal. Ela forma dupla com Sérgio Aguiar, que vem apresentando a atração por conta do afastamento de Celso Freitas, que é do grupo de risco da covid-19. Com a novidade, confirma-se as informações de que a relação entre Adriana Araújo, atual titular, e a direção da emissora não estão lá muito boas. Recentemente, a jornalista já havia se afastado da bancada misteriosamente. Retornou, mas os boatos de tensão seguem fortes. Segundo várias fontes, a linha editorial pró-governo do jornalismo da Record incomoda a apresentadora.

Agora, Adriana Araújo será deslocada para o Repórter Record Investigação. Ou seja, parece um prêmio de consolação para “esconder” Adriana e colocar panos quentes na tal tensão. O que é uma pena, já que Adriana merece mais. 

E, aliás, como fica Celso Freitas? Oficialmente, ele está afastado em razão da pandemia. Mas Sérgio Aguiar, seu substituto, era o titular do JR 24h, que agora ficará com Patrícia Costa. Ou seja, quando Celso voltar, Sérgio não terá mais um jornal. Então, das duas uma: ou Patrícia não vai ficar muito tempo no JR 24h, ou Sérgio Aguiar será efetivado de vez no Jornal da Record. Neste caso, Celso Freitas pode ser o próximo a ganhar um "prêmio de consolação", como Adriana. Será?

André Santana

terça-feira, 16 de junho de 2020

Mariana Godoy deixa roubada na RedeTV para encarar outra roubada na Band

Ao sair da GloboNews, Mariana Godoy surpreendeu o espectador ao ressurgir, em 2015, na RedeTV. A jornalista foi contratada naquela leva de investimentos no jornalismo da emissora, orquestrada por Franz Vazeck, e ganhou um posto bastante nobre. Após anos na bancada de telejornais, Mariana agora ganhava um talk show para chamar de seu. Exibido nas noites de sexta, Mariana Godoy Entrevista logo caiu no gosto do espectador.

Com bons convidados e ótimas conversas, Mariana se mostrou uma entrevistadora perspicaz. Isso porque ela tem um jeito meio meigo de comandar as entrevistas, o que deixava seus convidados muito à vontade. Assim, ela aproveitava esses momentos “desarmados” para fazer perguntas mais sérias, o que rendia ótimas declarações. Nestes cinco anos no ar, Mariana Godoy Entrevista recebeu nomes de prestígio do mundo artístico, como cantores, atores e apresentadores, e também nomes da política e do show business. Tornou-se um oásis de bom gosto em meio a programação sucateada da RedeTV.

Entretanto, Mariana Godoy Entrevista foi “sacrificado” este ano, oficialmente por causa da pandemia do novo coronavírus. E a jornalista, que chegou a cobrir folgas e férias na bancada do RedeTV News, foi efetivada no telejornal diário. E ali ficou até agora, quando acaba de anunciar seu desligamento da RedeTV. Segundo Flavio Ricco, colunista do R7, Mariana pediu a rescisão de seu contrato e acertou com a Band. No novo canal, ela deve assumir o comando do matinal Aqui na Band, ao lado de Luis Ernesto Lacombe.

Ou seja, Mariana está trocando uma roubada pela outra. Isso porque a jornalista assinou com a RedeTV justamente pela oportunidade de fazer algo diferente. Ela tinha anos de bancada de jornal, e se viu com a chance de ter um programa de entrevistas só seu. E deu muito certo! Mas, com todos os reveses, ela teve que encarar novamente um jornal. Mariana sempre foi muito profissional e jamais reclamou publicamente de seu novo posto na RedeTV. Mas não é difícil deduzir que ela não estava satisfeita, afinal ela foi para a emissora para ter um talk show, e não apresentar um jornal. O fato de ela ter pedido demissão deixa isso bem claro.

Mas, ao trocar o RedeTV News pelo Aqui na Band, Mariana está saindo de uma roubada e caindo em outra. Isso porque o matinal da Band até estreou bem, como uma revista variada e interessante, mas, desde a saída de Silvia Poppovic, a atração tem se dedicado a pautas pró-governo sem qualquer credibilidade. E o pior: defendendo teses absurdas e teorias da conspiração que não têm espaço no jornalismo do canal (e nem em qualquer lugar com um mínimo de seriedade). Mariana vai fazer parte disso? Acho lamentável… A Band perde a chance de “ressuscitar” o Mariana Godoy Entrevista, que era ótimo e faz muita falta.

Além disso, não dá pra entender a lógica da contratação. Silvia Poppovic foi demitida recentemente, e a justificativa foi corte de custos. Mas agora contratam Mariana. Algo errado não está certo aí. Mas, independentemente disso, será uma pena ver uma profissional do quilate de Mariana reduzida a um programa de péssimo gosto (e irresponsável!) como o Aqui na Band. Triste.

André Santana

sábado, 13 de junho de 2020

Globoplay promove boa experiência com "A Favorita"


Atração do Globoplay, a novela A Favorita completou 12 anos de sua estreia no último dia 02 de junho. A trama marcou a estreia de João Emanuel Carneiro no horário das nove da Globo e chamou a atenção pela sua proposta pouco usual num folhetim. O autor apresentou suas duas protagonistas, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia), mostrou a rivalidade entre ambas, mas não deixou claro quem era a mocinha e quem era a vilã. As duas tinham uma versão distinta de um crime cometido anos atrás, e o espectador foi convidado a escolher um lado.

Na época da estreia, João Emanuel Carneiro afirmou que, com A Favorita, ele queria discutir os julgamentos que fazemos das pessoas. E, para isso, ele pregou uma peça no público: apresentou Flora como uma vítima injustiçada, enquanto Donatela era arrogante e presunçosa. Ou seja, levou o público a “comprar” a versão de Flora do assassinato de Marcelo (Flavio Tolezani) e a condenar Donatela. Parecia que Flora havia passado 20 anos na prisão por um crime que não cometeu. Mas não era bem assim.

Cerca de dois meses depois da estreia, A Favorita virou o jogo. Num acerto de contas entre Donatela e Flora, esta admitiu ser uma assassina. Na verdade, ela saiu da prisão disposta a convencer a todos de que era inocente, armando para condenar Donatela. Ou seja, era ela a vilã, e Donatela a mocinha. A revelação fez parte do público se sentir enganado, mas logo a audiência embarcou na perseguição de Flora à Donatela, e A Favorita se tornou um irresistível sucesso. Por isso mesmo, assistir novamente a novela no Globoplay, já sabendo da verdade, torna a experiência de acompanhá-la ainda mais interessante.

Nos primeiros capítulos de A Favorita, Flora aparece com um rosto angelical, voz doce e insistindo numa versão bastante crível do assassinato de Marcelo. Porém, já sabendo que é ela a vilã, a audiência percebe que, na verdade, ela já estava colocando em prática o jogo que armou enquanto esteve presa. Já sabendo que Flora é movida por uma vingança insana, somada a uma obsessão à Donatela, o público tem uma nova dimensão da novela, o que a torna ainda mais interessante.

Enquanto isso, Donatela se mostra uma mulher bastante equivocada. Casada com Dodi (Murilo Benício), um bandido de marca maior, ela faz vista grossa diante dos crimes do marido. Mas, em nenhum momento, participa diretamente deles. Ou seja, quando não se sabia que ela era a mocinha, era fácil colocá-la no mesmo balaio de Dodi. Sabendo que não é bem assim, o espectador consegue perceber que a falha de Donatela foi ser cúmplice. O que é condenável, mas compreensível, afinal ela está casada com o bandido.

Além disso, Flora começa seu plano tentando se aproximar de Lara (Mariana Ximenes), sua filha que foi criada por Donatela. Quando percebe que Flora está cercando a filha, Donatela faz de tudo para impedi-la, e acaba metendo os pés pelas mãos. Na primeira exibição, era mais um indício de que ela era a vilã. Mas, agora, fica claro que ela fez tudo o que fez justamente para proteger Lara, já que Donatela é a única que sabe do que Flora realmente era capaz. Ou seja, ela arma contra Flora, mas faz isso movida pelo desespero.

Esta revisita à A Favorita, então, mostra como o texto de João Emanuel Carneiro foi engenhoso nesta primeira fase da trama. Apesar de espalhar vários indícios de que Donatela era a vilã, o autor também joga, de maneira bastante sutil, pequenos gestos “estranhos” de Flora, preparando o terreno para a grande virada. Assim, quando ela finalmente acontece, tudo é bastante crível. Esta é a beleza deste início de A Favorita.

Depois, quando a vilã é revelada, A Favorita perde um pouco desta dubiedade latente, tornando-se um folhetim mais clássico. Mas, ainda assim, se mostra engenhosa conforme vai desvendando o passado das protagonistas e explicando o fascínio que Flora nutre por Donatela, que se torna cada vez mais doentio. E isso faz com que Flora se mostre uma vilã das mais carismáticas. Divertida, debochada e muito cruel, ela é destas vilãs que ficam para sempre. Por estas e outras, A Favorita é um clássico recente, que merece ser redescoberto sempre.

André Santana

Globo erra com reprise de "Cine Holliúdy"


Com Aruanas entrando na reta final nas noites de terça da Globo, a linha de shows da emissora abre uma vaga em breve. E o canal já anunciou que promoverá uma reprise de Cine Holliúdy no horário. A comédia, baseada no longa-metragem de mesmo nome, foi uma grata surpresa da emissora no ano passado, quando teve sua primeira temporada exibida e que alcançou sucesso de público e crítica. Mas, apesar do êxito, é o momento para um repeteco?

A série se passa nos anos 1970, na cidadezinha cearense de Pitombas, que tem como grande atrativo de diversão o cinema de Francisgleydisson (Edmilson Filho). Mas a tardia chegada da televisão ao lugarejo ameaça o negócio de Francisgleydisson, sobretudo quando o prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele) atendendo às vontades da primeira-dama, Maria do Socorro (Heloísa Périssé), e da enteada, Marylin (Leticia Colin), coloca um aparelho de TV em plena praça. A “rivalidade” entre TV e cinema dá a tônica à série, que diverte com sua homenagem lúdica às artes visuais.

Cine Holliúdy foi uma série preterida na Globo, permanecendo na gaveta da emissora por um bom tempo, até finalmente encontrar uma vaga no horário nobre do canal no primeiro semestre do ano passado. E se revelou uma verdadeira pérola, com um texto esperto e gracioso, e atuações acima da média de Matheus Nachtergaele e Letícia Colin, a grande ladra de cenas da Globo. Além disso, revelou ao grande público Edmilson Filho e outros atores nordestinos talentosíssimos. Em suma, um grande acerto.

No entanto, sua exibição ainda é muito recente. Entende-se que, com a pandemia, a Globo teve que paralisar suas produções que ocupariam a faixa este ano, como a nova temporada de Segunda Chamada e a nova série Filhas de Eva. Mas o canal foi feliz ao escalar Aruanas, uma produção original Globoplay, para tapar este buraco. Por que, então, não recorrer novamente ao catálogo do Globoplay ou da Globosat e trazer algo novo ao público da TV aberta?

O streaming da emissora tem boas produções, como Ilha de Ferro, A Divisão ou Arcanjo Renegado, que poderiam ocupar o horário. Há também comédias, como Shippados (que eu, particularmente, acho que não funcionaria no horário, mas não deixa de ser uma boa série) ou Eu, a Avó e a Boi. Claro, uma reprise de Cine Holliúdy provavelmente terá bons índices de audiência, já que a série é realmente muito boa. Mas o espectador, que já está recebendo uma enxurrada de reprises de novelas, merecia algo novo para assistir.

André Santana

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Quarentena enfraquece TV, mas fortalece outras plataformas

A pandemia de coronavírus tem sido um teste de criatividade dos produtores de TV. Aos poucos, programas de entretenimento vão se adaptando, como o Encontro com Fátima Bernardes, da Globo, ou o Domingo Legal, do SBT. No entanto, se na TV aberta as produções ainda convivem com muitas reprises, no streaming e nas plataformas de áudio a coisa tem sido mais produtiva. Neste tempo de “home office”, as novas plataformas têm se mostrado um verdadeiro laboratório para novas experiências.

Com plataformas alternativas mais fortalecidas, a Globo sai na frente. Desde o início da pandemia, o Globoplay tem se mostrado um canal de novidades feitas em casa. A primeira experiência foi o Sinta-se em Casa, de Marcelo Adnet, com pílulas de humor gravadas na casa do humorista. Recentemente, a plataforma lançou outro humorístico, o Sterblitch Não Tem Talk Show – O Talk Show, com Eduardo Sterblitch. O programa tem um caráter experimental, meio psicodélico, que lembra as produções da extinta MTV Brasil (ou do Pânico). Parece inviável para a TV aberta, mas funciona muito bem no streaming.

As experiências no streaming têm sido tão bem-sucedidas que algumas delas se transformaram num produto multiplataforma. É o caso da série cômica Diário de um Confinado, de Bruno Mazzeo, também gravado na casa do redator e ator. A atração estará no Globoplay, no Globosat e, também, na Globo, onde será exibida nas noites de sábado, no lugar do Zorra, em breve.

Outra novidade da Globo é o podcast do Fora de Hora. O jornal de humor teve sua temporada reduzida por causa da pandemia, mas ganhou sobrevida nas plataformas de áudio. Com comentários bem-humorados e ácidos acerca do noticiário, o programa funcionou muito bem no novo formato. E mostra como podcasts ganharam força nesta pandemia, já que é um formato que não depende de grande produção, cenografia ou figurino. É super possível realizar em casa com qualidade.

Os canais da Globosat também entraram na onda, como o Multishow. O canal lançará, por meio do YouTube, uma espécie de “spin-off” do Lady Night, o Lady and Bofe, que trará Tatá Werneck ao lado do marido, o ator Rafael Vitti. Ou seja, mais uma produção caseira para abastecer o conteúdo digital do canal.

O Multishow, aliás, também se abre a experiências em seu próprio canal tradicional, ou seja, na TV mesmo! Anitta Dentro da Casinha se mostrou um bom exemplo de entretenimento, bem-feito e com produção caseira às últimas consequências. Ou seja, apesar de vivermos um momento tenso, trágico e cheio de consequências negativas, vemos também um louvável esforço de reinvenção dentro do entretenimento. É um momento de transformação.

André Santana

sábado, 6 de junho de 2020

História da TV: os 20 anos de "Laços de Família"


No dia 05 de junho de 2000, a bossa nova e a imagem de um Leblon ensolarado já anunciavam: Manoel Carlos estava de volta. E Laços de Família estreava no horário nobre da Globo com um capítulo deliciosamente simples: personagens se apresentando enquanto faziam coisas prosaicas do cotidiano, como ir às compras ou à praia. A principal ação deste início foi o acidente de trânsito (cotidiano de novo...) que uniu Helena (Vera Fischer) e Edu (Reynaldo Gianecchinni, estreando na telinha). Mas o que parecia simples e corriqueiro se revelou uma das histórias mais encantadoras (e polêmicas) de Maneco.

Na opinião deste pequeno blogueiro, Laços de Família é a melhor novela do autor Manoel Carlos. Opinião, aliás, compartilhada pelo próprio Maneco, que já disse em entrevista nutrir um carinho especial pela obra. E este carinho tem razão de ser: Laços de Família é um drama cotidiano em sua melhor forma, com personagens humanos, interessantes e carismáticos, uma história redonda e muito bem arquitetada, e uma protagonista tridimensional que reinou absoluta no centro da história, com tramas paralelas igualmente interessantes que orbitavam em torno dela.

Vera Fischer nunca foi boa atriz, mas sua Helena, sem dúvidas, foi o papel de sua vida. Ela convence como uma mulher moderna e contemporânea, dona de sua própria vida, e que é mãe, avó, mas também mulher. Linda e com muito sex appeal, a personagem é capaz de despertar paixões tanto em garotões recém-formados quanto em homens vividos e maduros. A Helena de Laços de Família pode não ser tão controversa como a Helena de Por Amor (alerta: ranço!), que foi capaz de trocar o próprio filho e o próprio neto na maternidade, mas ela também foi dona de conflitos tão intensos quanto, tendo seus segredos que, aos poucos, se vê forçada a revelar.

Helena desperta a paixão do jovem Edu, com quem vive um romance tórrido. Romance este que desperta a ira da tia do rapaz, a socialite Alma Flora Pirajá de Albuquerque (Marieta Severo), personagem que carrega o DNA do autor Manoel Carlos, da postura ao nome pomposo. Com ares de vilã, Alma, na verdade, é um ser humano cheio de contrastes. Ela é capaz de armar para separar o sobrinho da namorada “velha”, como também é capaz de proferir frases cortantes. Mas também se compadece da dor dos seus, e até se mostra capaz de criar os frutos da traição do marido Danilo (Alexandre Borges).

Helena também desperta a paixão do livreiro Miguel (Tony Ramos), um viúvo culto e amante das artes, outro personagem com o DNA do autor. Miguel tem dois filhos, a espevitada e maravilhosa Ciça (Julia Feldens) e o batalhador Paulo (Flavio Silvino). Ainda na órbita de Helena estão seus vizinhos, como Pascoal (Leonardo Villar) e Ema (Walderez de Barros), que não sabem que a filha Capitu (Giovanna Antonelli) trabalha como garota de programa; está também Pedro (José Mayer), seu primo, homem rústico que administra o haras de Alma; a amiga Yvete (Soraya Ravenle); e sua família, formada pelo pai Aléssio (Fernando Torres), a madrasta Ingrid (Lilia Cabral) e a irmã Iris (Deborah Secco); e, claro, seus filhos, Camila (Carolina Dieckmann) e Fred (Luigi Baricelli).

Helena vive dois grandes conflitos em Laços de Família. No início, ela se vê abrindo mão de seu relacionamento com Edu quando percebe que ele e sua filha Camila estão apaixonados. Logo em seguida, ela se deixa envolver por Miguel, com quem vive um relacionamento maduro, mas acabará abrindo mão deste amor, também por causa da filha. Camila está com leucemia, e Helena planeja engravidar do pai dela, seu primo Pedro, para que o bebê possa ser o doador da medula que salvará a vida da filha. A doença traz à tona a verdadeira origem de Camila, que nunca soube que Pedro era seu verdadeiro pai. Nem Pedro sabia da verdade, e vê na história a chance de retomar o romance adolescente que viveu com a prima, e do qual nunca se esqueceu.

Laços de Família contou grandes histórias. Além do conflito central de Helena, também chamou atenção e despertou polêmicas a história de Capitu, jovem que vivia como prostituta de luxo para sustentar o filho. A personagem foi acusada de “glamourizar” a profissão (que bobagem!), mas despertou a torcida do público, que queria que ela se livrasse de seus inúmeros problemas, como a perseguição do cliente obsessivo Orlando (Henri Pagnocelli), as armações da “amiga” Simone (Vanessa Mesquita) e a chantagem de Maurinho (Luiz Nicolau), pai de seu filho. O público torcia também para que ela fosse feliz ao lado de Fred, com quem viveu um romance na adolescência, mas este amor também carregava um problema: Clara (Regiane Alves), a esposa do moço. É Clara quem revela a todos que Capitu é garota de programa, numa cena antológica. Aliás, cenas antológicas não faltam à Laços de Família: além desta sequência, são memoráveis também a cena da morte de Aléssio; do assassinato de Ingrid, vítima de violência urbana; e quando Camila raspa os cabelos ao som de Love By Grace, que iniciou o drama de sua doença.

Laços de Família é Manoel Carlos em plena forma. O autor segue com seu estilo intimista e tranquilo, com acontecimentos que vão se desenrolando aos poucos e arrebatando o público. Estilo este que manteve em suas obras mais recentes, como Em Família, mas que foram criticadas por isso. Mas há duas diferenças primordiais entre as obras: a direção de Ricardo Waddington consegue fazer das cenas cotidianas e banais de Laços de Família grandes acontecimentos; e o texto de Maneco que, embora “lento”, leva a história para algum lugar, o que não aconteceu em sua última novela. A primeira semana de Laços é praticamente toda focada em festas de Natal em todos os núcleos da obra, mas elas não são desnecessárias. Foi por meio destas festas que o público foi apresentado eficientemente a todos os personagens, e foi ali que começou a ser construído o romance entre Helena e Edu, que daria as cartas nos próximos capítulos do enredo.

Laços de Família é tão arrebatadora que qualquer reprise é sempre bem-vinda. A trama foi reapresentada em 2005, no Vale a Pena Ver de Novo, e também no canal Viva, em 2016, tornando-se a primeira novela dos anos 2000 a dar as caras no canal pago. Aos 20 anos, Laços ganhará, agora, um novo repeteco, desta vez no streaming. O Globoplay disponibilizará a novela na íntegra em agosto. Mais uma oportunidade para rever a trama. E rever Laços de Família nos faz sentir uma falta danada deste estilo de trama no horário nobre, que é forte, mas, ao mesmo tempo, cotidiana, sem grandes viradas rocambolescas.

Maneco está aposentado. Mas deixou discípulos. Uma delas é Manuela Dias, que é adepta das situações cotidianas, mas o faz com uma forte pegada policial, que são os ingredientes de Amor de Mãe, e que a diferencia do veterano. Lícia Manzo é outra que bebe de sua fonte, já que também aposta em personagens humanizados, mas dá mais espaço aos conflitos psicológicos, como foi visto em suas tramas A Vida da Gente e Sete Vidas. Lícia estreará no horário nobre com Um Lugar ao Sol, que deve estrear quando a pandemia deixar. Mas Maneco é sempre Maneco, e seu estilo único de crônica cotidiana faz falta. Felizmente, o Globoplay nos permitirá revisitá-lo.

André Santana