terça-feira, 17 de julho de 2018

História da TV: relembre a “dança das cadeiras” dos programas femininos – parte 2 (anos 2000)

"Vamos abrir a banca de jornal!"
Anteriormente, no TELE-VISÃO: Vimos o surgimento do Mulheres, da Gazeta, e do Note e Anote, da Record, expoentes dos programas femininos das décadas de 1980 e 1990. Porém, quando Ana Maria Braga deixa a Record e assina com a Globo, dá-se início a uma “dança das cadeiras” entre as apresentadoras dos programas femininos: Cátia Fonseca deixa o Pra Você, da Gazeta, e substitui Ana no Note e Anote (1999); Claudete Troiano retorna ao Pra Você (1999); Claudete Troiano retorna ao Mulheres (2000); Claudete Troiano é contratada pela Record e assume o Note e Anote (2000); Márcia Goldschimidt (2000), Christina Rocha e Clodovil Hernandes (2001) passam pelo Mulheres; e Cátia Fonseca assume o Mulheres (2002). Ufa! (se não viu, clique AQUI).

Porém, neste meio-tempo, um novo programa surge: A Casa É Sua, da então novata RedeTV. O programa estreia como um feminino matinal tradicional, comandado por Valéria Monteiro, mas logo se torna um vespertino e ganha três novos apresentadores: Meire Nogueira, oriunda da Rede Vida; Castrinho, que tinha um programa de culinária na Rede Mulher; e Sonia Abrão, que assinava uma coluna sobre TV no Diário Popular e fazia reportagens para o Domingo Legal, do SBT. Meire e Sonia logo se estranham, e a primeira acaba afastada da atração. Já Castrinho fica doente e também se afasta. Sozinha em cena, Sonia Abrão transforma o A Casa É Sua num programa com foco no jornalismo, com destaque às notícias da TV. Pronto! Está criado um formato que passaria a ser utilizado nos demais femininos, incluindo o Mulheres e o Note e Anote.

A Band, então, entra no filão lançando o Melhor da Tarde, apresentado por Astrid Fontenelle, Leão Lobo e Aparecida Liberato, em 2001. Ao mesmo tempo, aproveita Olga Bongiovanni, que se destacava no comando de um matinal que levava seu nome, e entrega a ela o feminino matinal Dia Dia. O formato também interessa a Silvio Santos, que tira Sonia Abrão da RedeTV e lhe entrega o Falando Francamente, em 2002. No mesmo ano, a Gazeta cancela o semanal Ione, e Ione Borges volta aos programas femininos, "ressuscitando" o Pra Você.

Para suprir a ausência de Sonia Abrão em suas tardes, a RedeTV contrata Leonor Correa, que estava há anos afastada da função de apresentadora e se dedicava à direção de quadros do Domingão do Faustão, programa de seu irmão na Globo. Contando com as presenças de Nelson Rubens e Gustavo Baena, Leonor segue à risca a cartilha de Sonia Abrão, lendo revistas e comentando os acontecimentos das novelas. Paralelamente, a RedeTV lança um novo feminino matinal, o Bom Dia Mulher, inicialmente apresentado por Ney Gonçalves Dias, Solange Couto e Solange Frazão. Solange Couto fica pouco tempo na função, passando o bastão para Amanda Françozo.

Depois de um período de calmarias, novas trocas de apresentadoras: no final de 2003, Leonor Correa pede para sair do A Casa É Sua, e é substituída por Clodovil Hernandes. Pouco tempo depois, no início de 2004, a Band dispensa Olga Bongiovanni, entregando o Dia Dia para Viviane Romanelli (que ficou pouco tempo ali). A RedeTV, então, contrata Olga e dispensa Amanda Françozo do Bom Dia Mulher. Mais tarde, novas mudanças: Sonia Abrão deixa o SBT e assina com a Record, passando a comandar o vespertino Sonia e Você. Já o SBT reformula sua grade vespertina lançando o Casos de Família, com Regina Volpato.

Em 2005, mais mudanças: Leonor Correa é convidada pela Band para assumir o Melhor da Tarde, dispensando Astrid Fontenelle. Ao mesmo tempo, a RedeTV dispensa Clodovil e transforma o A Casa É Sua num samba do crioulo doido: Ronaldo Ésper é contratado, mas apresenta apenas quadros de moda; no quadro de fofocas, Joana Matushita e Ofrásia (Vida Vlatt), dos tempos de Clodovil, passam a dividir a cena com Monique Evans; e a jornalista Liliane Ventura entra na atração para comandar um quadro de entrevistas. No segundo semestre, a Record cancela o Note e Anote, lançando em seu lugar o Hoje Em Dia. Com a mudança, Claudete Troiano assina com a Band para comandar o vespertino Pra Valer, no horário do Melhor da Tarde. Leonor Correa, então, deixa a emissora.

Na semana que vem, a “dança das cadeiras” continua! Não perca!

André Santana

sábado, 14 de julho de 2018

Para emplacar "Roda a Roda", SBT prejudica "SBT Brasil"

"E eu nem posso dar
minha opinião sobre isso..."

Silvio Santos já deve estar bem melhor da gripe. Depois de uma indisposição que o afastou das gravações de seu programa dominical, o animador voltou ao trabalho e, além de retornar ao seu auditório, praticou um de seus hobbies preferidos: mudar a programação do SBT. Na tentativa de retomar o game Roda a Roda, apresentado por sua filha Rebeca Abravanel, na grade diária, o dono do canal tratou de implantar mudanças na programação da emissora que durou a semana toda.

Roda a Roda reestreou em seu antigo horário, na faixa das 19h15, na última segunda-feira, 09. Na terça, 10, já estava na faixa das 20h25, antecedendo As Aventuras de Poliana e, de quebra, ganhou uma reprise nas madrugadas, depois do The Noite. A mudança foi positiva e audiência do game show da Jequiti cresceu. No entanto, Roda a Roda em seu novo horário acabou prejudicando o SBT Brasil, que vinha numa excelente fase de audiência. Roda a Roda ocupa uma faixa que sempre anotou crescimento do telejornal, já que não concorria com o Cidade Alerta, da Record, e servia como sala de espera à As Aventuras de Poliana. Terminando mais cedo, o noticioso perdeu fôlego.

Para recuperar a duração perdida do SBT Brasil, o canal fez um novo remanejamento e, na quarta-feira, 11, o jornal passou a entrar no ar mais cedo. Agora, Rachel Sheherazade surge com as notícias do dia a partir das 19h20, ocupando o horário anterior do Roda a Roda. No entanto, a mudança teve uma consequência bizarra: o SBT Brasil ganhou um “bloco local”. Como a faixa entre 19h20 e 19h45 é reservada para que emissoras e afiliadas do SBT exibam suas programações locais, o SBT Brasil não está mais sendo exibido neste horário em seus primeiros 25 minutos para todo o país.

Ou seja, o SBT Brasil, que tem um nome que sinaliza se tratar de um produto exibido em rede nacional, não é mais 100% nacional. Há quem diga que se trata de um teste do SBT para, quem sabe, relançar um jornal local no horário. O que, na prática, seria a retomada de um plano que já foi testado várias vezes na emissora, mas que nunca teve vida longa. Coisas do SBT.

Neste contexto, um dos planos seria retomar o SBT São Paulo. O jornal voltado à grande São Paulo já foi tentado duas vezes pelo SBT, em 2006 e em 2012. Em sua primeira versão, era exibido às 18 horas e apresentado por Carlos Nascimento. Ficou pouquíssimo tempo no ar. Já a segunda tentativa foi comandada por Karyn Bravo e Joyce Ribeiro, e ia ao ar na faixa das 19 horas. E também teve vida curta. Por que agora daria certo?

Outro plano ventilado por alguns sites especializados em televisão é mais ambicioso: o SBT estaria planejando a volta do jornal policial Aqui Agora. Caso o bloco local do SBT Brasil dê certo, a ideia do canal seria retomar o título com a apresentação de Rachel Sheherazade, que deixaria o outro jornal. Caso isso acontecesse, o Aqui Agora absorveria o bloco local do SBT Brasil, mas também ocuparia uma faixa nacional, na faixa das 18 horas, extinguindo a faixa de novelas que atualmente exibe Amanhã É Para Sempre. Vale lembrar que a novela mexicana já está na reta final e, até agora, o SBT não anunciou sua substituta.

Outra ideia que, caso se confirme, também parece uma insistência em algo que já não deu certo no passado. A última tentativa de retomar o Aqui Agora foi a desastrosa reedição de 2008, que ficou um mês no ar. Em 2013, a emissora chegou a anunciar o retorno da atração, com o comando de Neila Medeiros (aquela que era a única capaz de combater Datena e Marcelo Rezende...), mas mudou o nome do programa para SBT Notícias. E também não deu certo.

Mas, independente destes planos mirabolantes saírem do papel ou não, fato é que o SBT parece não suportar a ideia de não mexer numa faixa consolidada. SBT Brasil vinha registrando as melhores médias de audiência desde o seu lançamento, em 2005. Estava consolidado e numa excelente fase. Fase de ascensão que foi interrompida por mais um rompante de Silvio Santos. É uma pena.

André Santana

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Sem Otaviano, "Vídeo Show" vira celeiro de ex-BBB's

"Óia eu ali!"
Com o fim da Copa do Mundo, o Vídeo Show voltará ao ar nas tardes da Globo na próxima segunda-feira, 16. E a promessa é vir com novidades. Ou seja, será a enésima reformulação da atração, que anda mal das pernas já há um bom tempo. E, até aqui, não se sabe se a tal reformulação é apenas cosmética, ou se o Vídeo Show realmente terá alguma novidade neste retorno.

A própria Globo, mesmo, só anuncia como novidades as mudanças do elenco do vespertino. Em nota, o canal avisou que Sophia Abrahão, Fernanda Keulla e Vivian Amorim se revezarão no comando do programa, enquanto a ex-BBB Ana Clara e o ator Felipe Tito estreiam como repórteres. Ana Clara, além das reportagens, terá a missão de interagir com o público durante o programa por meio das redes sociais. Marcela Monteiro segue na atração. Ou seja, Otaviano está mesmo fora do Vídeo Show e deve assumir um novo projeto em breve.

As “mudanças” anunciadas deixam claro que a Globo almeja atrair para o Vídeo Show um público vindo das redes sociais. O fato de insistir em Sophia Abrahão como apresentadora mostra isso, já que a atriz é muito popular entre os jovens na internet. A ex-BBB Ana Clara é outra figura que vem se destacando nas redes, e se tornará um elo de comunicação entre o programa e a audiência. Ou seja, nesta “nova” fase, o Vídeo Show quer “lacrar”!

O problema aí é que televisão não é rede social. É até possível traçar estratégias no sentido de potencializar o uso das redes e otimizá-lo na TV. Mas é bem pouco provável que jovens internautas migrem para a televisão apenas em razão de seus ídolos estarem nas redes implorando por isso. Até porque o Vídeo Show é um programa sobre os bastidores da TV! Ou seja, já é antiquado na essência. A busca por uma modernização é justa, mas parece que estão fazendo isso errado.

Além disso, o canal terá no ar um de seus programas mais importantes sendo apresentado por figuras ainda praticamente desconhecidas. Otaviano Costa dividia opiniões, mas era um cara experiente e sabia bem o que estava fazendo. Fernanda Keulla e Vivian Amorim foram muito bem na Rede BBB, e seguiram desenvoltas como repórteres da atração. Mas torná-las apresentadoras assim, tão rápido, parece um tanto apressado. Fazer do Vídeo Show uma filial do YouTube é perigoso. Periga não atrair um novo público e, ainda, afugentar o público tradicional. 

André Santana

terça-feira, 10 de julho de 2018

História da TV: relembre a “dança das cadeiras” dos programas femininos – parte 1 (anos 1990)

"Acooorda meninaaa!"

Nossa história começa em 1980, quando Ione Borges e Claudete Troiano estreavam na TV Gazeta com o programa feminino Mulheres em Desfile. A dupla fez sucesso e ficou conhecida como “as parceirinhas” no programa que, tempos depois, teve o nome alterado para apenas Mulheres. Já em 1993, outra grife da TV brasileira entrava no ar: Note e Anote, com Ana Maria Braga, na Record. A atração ditou a moda dos femininos dos anos 1990 e alçou Ana Maria à estrela da TV.

Com o sucesso do formato voltado às donas de casa, a Gazeta abriu mais espaço ao filão e lançou o feminino matinal Pra Você, apresentado por Claudete Troiano, em 1996. Com a estreia, Ione seguiu sozinha no Mulheres. Em 1998, a Rede Manchete, já em seu respiro final, resolve entrar no filão e contrata Claudete, que estreia nas tardes do canal com o Mulher de Hoje. Em seu lugar no Pra Você entra Cátia Fonseca, oriunda da extinta Rede Mulher (atual Record News), onde comandou os programas Com Sabor e Universo Feminino.

No ano seguinte, a roda das mulheres volta a girar. Ana Maria Braga deixa a Record rumo à Globo, onde estreou o Mais Você em outubro de 1999. Para suprir sua ausência, a Record tirou Cátia Fonseca da Gazeta e a colocou à frente do Note e Anote. A Gazeta, então, resgatou Claudete Troiano, que já estava fora do ar em razão da falência da Manchete, e a colocou novamente à frente do Pra Você. Claudete fica pouco tempo no matinal, pois logo foi convidada pela direção da Gazeta para reassumir o Mulheres, enquanto Ione Borges ganhou um programa semanal de auditório noturno.

Tudo parecia calmo no universo dos programas femininos, até que, em 2000, a Record surpreende meio mundo ao tirar Claudete Troiano da Gazeta e entregar a ela o Note e Anote, afastando Cátia Fonseca da função. Num único final de semana, a direção da Gazeta correu contra o tempo para buscar uma nova apresentadora e acabou encontrando Márcia Goldschmidt, que estava na geladeira do SBT, onde comandou os programas Márcia, Programa Livre e Fantasia entre 1997 e 2000. Márcia e Leão Lobo (que já era colaborador do Mulheres) passaram a comandar o programa.

Em 2001, porém, a Gazeta tomou outro susto quando a Band tirou dela Márcia e Leão Lobo. Novamente, se viu tendo que buscar outros apresentadores, e acabou fechando com Clodovil Hernandes e Christina Rocha. Foi nesta época que surgiu a personagem Mamma Bruschetta, que passou a ser responsável pelo quadro de fofocas do Mulheres. Mas Clodovil e Christina não se deram nada bem e, após muitas brigas e alfinetadas no ar, Christina acabou deixando o programa. Então, em 2002, a Gazeta entrega a Clodovil um programa noturno e contrata Cátia Fonseca, que volta ao canal para apresentar o Mulheres.

Paralelamente, outros programas nesta seara surgiram, como o A Casa É Sua, Melhor da Tarde, Pra Valer, Dia Dia, Bom Dia Mulher... e a dança das cadeiras continua ao longo da década de 2000. Quer relembrar como se deu esta ciranda? Na próxima terça, 17, o TELE-VISÃO continua relembrando esta história. Não perca!

Post sugerido pelo leitor Caio. Valeu!

André Santana

sábado, 7 de julho de 2018

Agora é com quem? Indecisão de Datena prejudica domingo da Band

"Não sei se vou ou se fico,
não sei se fico ou se vou!"

José Luiz Datena é um nome forte da TV brasileira. Foi ele quem alçou o Cidade Alerta ao posto de mais visto jornal policial da televisão do país, além de ser um dos poucos apresentadores com o poder de levar sua audiência aonde quer que vá. Quando trocou a Record pela RedeTV, onde apresentou o Repórter Cidadão por um curto período, levou ao fim de tarde do canal de Amilcare Dallevo números nunca antes visto e jamais alcançados depois. Mais tarde, quando saiu da Record de novo e foi para a Band, fez do Brasil Urgente, até então apresentado por Roberto Cabrini, no programa mais importante da emissora do Morumbi.

Por conta de tais feitos, a aposta em Datena nos domingos sem futebol da Band até fazia sentido. O canal procura popularizar sua grade com programas de entretenimento baratos e que tenham retorno comercial. E Datena sempre reivindicou sua saída dos programas policiais, com a vontade de se tornar um animador de auditório. Neste contexto, surgiu Agora É com Datena, uma megamaratona de seis horas de duração aos domingos, com muito espaço e pouco conteúdo.

Deu pra ver no ar que Agora É com Datena foi um programa criado a toque de caixa. E que, a partir de sua estreia, foi se moldando no sentido de buscar um rumo. Ou seja, o programa foi sendo formatado ao vivo, no ar, diante de seus espectadores. A cada semana, Agora É com Datena ia se ajustando de acordo com os resultados apresentados. Recentemente, perdeu uma de suas seis horas, além de aumentar o conteúdo jornalístico. Tudo para buscar sua identidade em meio à tradicional guerra de domingo da TV brasileira. Enfrentando Fausto Silva, Eliana e Rodrigo Faro, Datena estava buscando descobrir quem é ele em meio a estes outros profissionais. E, claro, entender qual o seu público e o que ele espera. Os resultados, embora nada espetaculares, também não eram tão decepcionantes para os padrões da Band.

No entanto, esta fase de implantação do Agora É com Datena foi interrompida com o anúncio de José Luiz Datena de que se afastaria da TV para se lançar candidato ao Senado. A Band, então, se viu com um baita pepino nas mãos, tendo que definir o rumo do Agora É com Datena em poucos dias, em plena fase de ajustes. A solução encontrada foi dividir o programa em dois: o musical Brasil da Gente, com Netinho de Paula, das 15h às 18h; e o jornalístico Agora É Domingo, com Joel Datena, das 18h às 20h. E os resultados, como não poderia deixar de ser, não foram nada animadores.

Netinho de Paula afundou de vez as tardes de domingo da Band, ficando atrás de canais inexpressivos na audiência. O Agora É Domingo foi um pouco melhor, mas também deu menos audiência que José Luiz Datena dava. Por conta dos resultados fracos, a Band se mexeu novamente e anunciou que Brasil da Gente já foi cancelado, e que o Agora É Domingo passaria a ocupar a faixa toda, mesclando jornalismo e entretenimento, tal qual o extinto (ou não) Agora É com Datena. Ou seja, o domingo da Band anda pisando em ovos, com mudanças bruscas a cada semana, algo muito prejudicial nesta fase em que o canal ainda estava implantando um novo projeto. Passa a péssima impressão de que a emissora não sabe o que fazer. Como consolidar um público e convencer anunciantes assim?

Além disso, são muito fortes os comentários de que José Luiz Datena já teria desistido da política. E que esta anunciada versão mais longa do Agora É Domingo de amanhã (dia 08)  pode ser, na verdade, o retorno do Agora É com Datena, com seu titular voltando ao trabalho de uma vez. Dos males o menor: se Datena voltar mesmo, a Band poderá continuar o trabalho de implantação do dominical. Mas, vamos combinar? Precisava mesmo disso tudo? Essa indefinição é muito tóxica num momento em que Band ainda tem mais errado que acertado em seus ajustes na grade de programação.

Mas esse “vai não vai” de Datena não chega a ser uma novidade. Em 2002, como dito no começo deste texto, o jornalista deixou a Record rumo à RedeTV para ancorar um jornal policial que levava seu nome: Datena Repórter Cidadão. Mas o apresentador mal esquentou a cadeira e retornou à antiga casa menos de um mês depois, deixando o Repórter Cidadão nas mãos de Marcelo Rezende. Tempos depois, Datena saiu intempestivamente da Record e assinou com a Band, assumindo o Brasil Urgente. Ali ficou até 2011, quando topou convite para retornar à Record e “ressuscitar” o Cidade Alerta, que estava fora do ar. Ficou 40 dias no posto e retornou à Band. Ou seja, é Datena sendo Datena. Uma sugestão para a Band: troque o nome do programa para E Agora?. Vai fazer mais sentido.

André Santana

quinta-feira, 5 de julho de 2018

SBT vai reprisar "Carrossel"... de novo?

"Ainda não estamos na faculdade?"

Uma chamada misteriosa, daquelas que só o SBT sabe fazer, anda intrigando a audiência da emissora. Na campanha, uma sequência de desenhos, como que feitos num caderno, é mostrado ao som da melodia da canção-tema da novela Carrossel, trama infantil que abriu a bem-sucedida faixa de novelas para crianças do canal em 2012. Enquanto a animação é mostrada, uma locutora pergunta: “do que você lembra quando ouve essa música?”.

Ou seja, a chamada dá a entender que Carrossel deve retornar à programação do SBT. Segundo o site RD1, a emissora estaria planejando exibir novamente a novela infantil na faixa das 14h15, substituindo Chaves na programação. A ideia, que teria partido do próprio Silvio Santos, seria lançar a reprise assim que a Copa do Mundo chegasse ao fim. No entanto, o site Observatório da Televisão entrou em contato com a assessoria de imprensa do SBT, que respondeu que não há nada confirmado a este respeito. Sendo assim, por que cargas d’água a tal chamada está indo ao ar?

Pode ser que a ideia da chamada tenha saído da cabeça do próprio Silvio Santos (aliás, a chamada é a cara dele), que deve ter apenas passado o que queria, mas sem entrar em detalhes com ninguém. O SBT é dele e ele faz o que bem entender, afinal! Ou então a chamada não seria de um retorno de Carrossel, e sim algum anúncio de uma novidade que mexa com a nostalgia dos espectadores do SBT. Esta última ideia é muito pouco provável, sem dúvidas, mas no campo da especulação cabe tudo. O que estaria aprontando o senhor Silvio Santos?

Mas a especulação de que Carrossel poderia voltar no horário das 14h15 faz sentido. Trata-se de uma faixa de horário que anda bem disputada entre Globo, Record e SBT. Com o Vídeo Show enfraquecido, a Globo já não garante a liderança do horário. E o SBT, provavelmente, tentará combater a fragilidade da “líder” com um produto forte, o que Carrossel, sem dúvidas, é. Mas, ao mesmo tempo, seria uma pena se a informação se confirmasse. Isso porque Chaves retornou há pouco tempo no horário e tem ido muito bem. Fazia tempo que a série mexicana não dava as caras na programação diária, e um novo cancelamento frustraria os fãs. Vamos ver o que acontece.

O que se sabe é que o SBT deve ganhar novidades em sua programação nas próximas semanas, sim. A emissora já anuncia a série Z4, uma parceria com a Disney, e que estreia ainda em julho. Trata-se de uma série infanto-juvenil que será exibida após As Aventuras de Poliana. E em agosto, quando faz aniversário, a emissora sempre prepara um pacote de estreias. O que se sabe, por enquanto, é que haverá a estreia da nova temporada de Bake Off Brasil – Mão na Massa, que será apresentado por Nadja Haddad. Acredita-se, também, que Roda a Roda, com Rebeca Abravanel, voltará à programação diária, enquanto Patrícia Abravanel pode assumir o retorno do Topa ou Não Topa. Além disso, a série A Garota da Moto finalmente terá sua segunda temporada lançada. 

André Santana

quarta-feira, 4 de julho de 2018

"Lia" traz ponto de vista feminino da Bíblia

"E sem apocalipse desta vez!"
No ar há uma semana, a minissérie Lia, da Record, tem sido uma grata surpresa nesta seara de séries e novelas bíblicas do canal. Além de devolver os cenários e figurinos ao qual o público estava acostumado na faixa, depois da contemporaneidade de Apocalipse, a trama tem uma rara protagonista feminina. Com isso, dá uma perspectiva diferente ao texto sagrado.

Lia conta a saga de uma das mulheres de Jacó (Felipe Cardoso). A personagem-título (Bruna Pazinato) cresce diante da rudeza do pai Labão (Théo Becker) e tendo de criar a irmã mais nova, Raquel (Graziella Schmitt). Então, Lia se apaixona por Jacó, que, por sua vez, se interessa por Raquel. Labão, então, engana Jacó, prometendo lhe entregar Raquel, mas entrega Lia.

Na minissérie, Lia surge já mais velha, contando à filha sua história. Deste modo, toda a saga contada parte do ponto de vista da própria, trazendo um olhar feminino raro na dramaturgia bíblica da Record. Basta comparar com as novelas anteriores, todas contando histórias protagonizadas por homens. Na Bíblia, são poucas as mulheres que surgem como protagonistas de suas histórias. E o texto de Paula Richard tem essa intenção de jogar luz sobre uma personagem que era “apenas” uma das mulheres do pai do rei do Egito.

Sendo assim, o enfoque em Lia permite com que assuntos da atualidade surjam, mesmo numa história do Velho Testamento. A minissérie, então, trata da posição da mulher naquele período histórico, traçando um paralelo com a contemporaneidade. Com isso, apesar de voltar a apostar na paisagem e no figurino característicos das tramas bíblicas anteriores a Apocalipse, Lia tem como diferencial e trunfo o texto moderno. Sem dúvidas, uma boa novidade no gênero. Além disso, a trama bebe da fonte clássica do “patinho feio”, apostando na transformação da protagonista. Um tema folhetinesco que costuma ser irresistível.

Não que a mocinha fugirá de uma vida limitada, em razão de ser mulher num tempo em que mulheres não representavam grande coisa. Mas ao trazer uma mulher falando sobre a condição feminina daquele tempo, a série provoca reflexão. Com isso, a nova minissérie da Record traz uma perspectiva menos usual da Bíblia, o que é bastante saudável. A emissora acertou nesta "sala de espera" da novela Jesus, que vai estrear "só Deus sabe quando". 

André Santana

sábado, 30 de junho de 2018

Novo formato deixou a disputa do "Power Couple" injusta

"E eles ganharam a Toca do Gugu!"

A grande novidade da terceira edição do Power Couple Brasil, que a Record encerrou na última quinta-feira, 28, foi abrir espaço para a votação do público. Isso não existia nas edições anteriores. Tal manobra mudou consideravelmente a dinâmica da atração e tornou a final um tanto previsível, com Munik despontando como grande favorita. Mas, surpreendentemente, a Record tirou o poder do público de definir os finalistas justamente no último episódio. Assim, o casal Tati Minerato e Marcelo Galático acabou vencendo a atração, numa virada interessante.

Porém, de maneira geral, o novo formato do Power Couple não funcionou. Ao apostar na disputa em “tempo real” e com edições diárias, a emissora acabou tornando o programa mais cansativo e entediante. O jogo apresentado por Gugu Liberato não demonstrou o fôlego de um Big Brother para dedicar tanto tempo mostrando a convivência entre os participantes.

Na dinâmica implantada este ano, o Power Couple passou a ir ao ar de segunda a sexta-feira. E com edições enormes, com cerca de duas horas de duração. Apenas às quartas-feiras o programa era menor, já que divide espaço com Batalha dos Confeiteiros. Sendo assim, a direção da atração teve o desafio de preencher este espaço. O problema é que não acontecia tanta coisa assim no confinamento dos casais que merecesse ser mostrado.

Nas edições anteriores, Power Couple ia ao ar uma ou duas vezes por semana. Este espaço permitia episódios mais dinâmicos, já que as provas tomavam grande parte do capítulo. Além disso, o fato de o público não participar das escolhas dos vencedores fazia surgir fatos inusitados. Uma performance “kamikaze” como o do casal Laura Keller e Jorge Souza, vencedores da primeira edição, não seria possível neste novo formato. Agora que houve votação na eliminação, Power Couple correu o risco de sagrar vencedor um casal cuja performance nas provas não fosse assim tão competente. Tanto que a ex-BBB Munik despontava como favorita, mesmo não tendo feito nada muito relevante lá dentro.

A ideia de transformar Power Couple em BBB foi uma tentativa da Record de gerar torcida e mobilizar a audiência. No entanto, a manobra fez com que o reality perdesse um de seus principais propósitos. O objetivo do programa, a princípio, era premiar o casal “power”, ou seja, a dupla que demonstrasse maior afinidade e poder de fogo. Deste modo, os desempenhos de cada dupla nas provas eram fundamentais. Mas, este ano, a popularidade do casal passou a ter grande peso na definição dos vencedores, já que era o público quem eliminava os concorrentes.

Porém, na final, fomos surpreendidos com a decisão da direção do Power Couple de manter as regras das edições passadas na prova final. Deste modo, o último “desafio dos casais” eliminaria o casal menos bem-sucedido. Ou seja, o público perdeu seu poder justamente no momento mais crucial do jogo. Gugu Liberato se esforçou na tentativa de mostrar ao público que não havia nada de errado com a decisão. Chegou a exibir cenas das edições anteriores para mostrar que a última prova dos casais sempre foi determinante no Power Couple. Até Roberto Justus ressurgiu nas cenas de repeteco. Realmente, não houve uma mudança de regra. O programa simplesmente manteve uma regra de suas edições anteriores.

Mas o público se sentiu “traído” com o fato de não ter podido definir os finalistas. Muitos chiaram na internet, incomodados com o fato de Munik e seu marido Anderson terem ficado de fora da votação final, que  ficou entre Aritana e Paulo e Tati e Marcelo. E o segundo casal levou a melhor. Mas, apesar de parte do público ter se incomodado, fato é que esta manobra permitiu alguma surpresa no episódio final do reality. Ao não dar o prêmio ao casal favorito, a atração garantiu alguma emoção extra neste desfecho, além de ser sido mais justo com os casais melhores de prova. Sendo assim, por mais que tenha sido uma final polêmica, a mudança na final tornou a disputa mais interessante.

Mesmo com esta mudança de rota na reta final, Power Couple Brasil ainda não deu o prêmio ao melhor casal. Tati e Anderson mantiveram alguma regularidade dentro do jogo e foram bem. Mas Aritana e Paulo foram o casal que obteve o melhor desempenho nas provas do programa. Sendo assim, se valessem as regras dos anos anteriores, seriam eles os vencedores da atração. Mas o público preferiu dar o prêmio ao outro casal.

Se o novo formato do Power Couple não convenceu tanto, o mesmo não se pode dizer da performance de Gugu Liberato à frente da atração. O apresentador, que comandava um semanal fraco até o ano passado, conseguiu se reinventar. Esteve à vontade e valorizou o formato com sua presença e sua postura mais “solta” na condução do programa. Gugu, de quebra, vai emplacar outra nova atração, o musical Canta Comigo, que estreia no mês que vem. O apresentador, sem dúvidas, vive um bom momento.

André Santana

quinta-feira, 28 de junho de 2018

José Luiz Datena deixa seu dominical, que ainda está em processo de implantação

"Fui!"

Nesta semana, o apresentador da Band José Luiz Datena surpreendeu a todos ao anunciar seu afastamento da emissora para se aventurar na política. A vontade política de Datena não é a surpresa, já que ele ensaiou um afastamento para concorrer à prefeitura de São Paulo, mas acabou voltando atrás. A surpresa, aqui, é que ele acaba de lançar-se como apresentador de programa de domingo, um desejo antigo seu, e deixará a atração que ainda está em processo de implantação.

Agora É com Datena estreou há alguns meses e ainda vem sofrendo ajustes para se adequar ao horário de exibição. Começou como uma maratona musical de seis horas de duração. Aos poucos, foi aumentando o espaço para o jornalismo. Por fim, perdeu o game A Fuga, que, a princípio, se tornaria uma atração solo, e também perdeu duas de suas longas seis horas. Os resultados não são nada espetaculares, mas, para os padrões da Band, também não chegam a decepcionar. Mas é fato que a atração ainda buscava sua própria identidade na “guerra de domingo” da TV aberta.

Com o afastamento de José Luiz Datena, o programa acabará interrompendo este processo. Segundo Flavio Ricco, Agora É com Datena passará a ser apresentado por Joel Datena, filho de Jose Luiz Datena, e que já apresenta o Brasil Urgente no lugar do pai. “Dateninha” tem ido bem no programa policial, mas nunca foi visto num programa de auditório. Ele conseguirá segurar as pontas? E, mesmo que segure, o programa haverá de ser levado em “banho Maria” até o retorno do apresentador titular.

Datena lutou muito para conseguir seu programa de domingo. Ele ainda vinha se dividindo entre o Brasil Urgente e o dominical, mas nunca escondeu de ninguém que queria se aposentar do jornal policial e se dedicar, definitivamente, à carreira de animador. Agora que finalmente conseguiu, deixará o barco. No mínimo, esquisito.

Se ver obrigada a modificar às pressas sua programação, aliás, foi o que motivou a Globo a dar um ultimato na vontade política de Luciano Huck. A direção da emissora solicitou que o apresentador definisse seu destino ainda no ano passado. Se ele quisesse tentar a sorte na política, sairia do ar já no começo deste ano. Depois de muito pensar, Huck optou por seguir no canal, e o Caldeirão do Huck seguiu sua vidinha, promovendo suas habituais estreias pontuais. A Band não teve a mesma sorte, ou o mesmo cuidado. Investiu no Agora É com Datena e “perdeu” o apresentador logo em seguida. Ao menos, parece que o afastamento de Datena foi feito amigavelmente, e ele deve retomar seu posto depois das eleições, sendo eleito ou não. Vamos ver o que acontece.

André Santana

terça-feira, 26 de junho de 2018

Globo prepara game para linha de shows

"Ou ganha o cliente
ou ganha a carta!"

A notícia é da semana passada, mas como viajei e não consegui comentar quando saiu, faço agora: segundo Flavio Ricco, a Globo prepara um novo game show para seu horário nobre. Segundo o colunista, trata-se de um formato importado e que deve ocupar a segunda linha de shows das quintas-feiras (depois do The Voice Brasil) no segundo semestre.

A notícia chamou a atenção por alguns motivos. A Globo, apesar de já ter feito alguns game shows bem-sucedidos, não tem lá muita tradição no gênero. Atualmente, quase todos os seus games não são programas, e sim quadros das atrações de auditório, como o Domingão do Faustão (Ding Dong) e Caldeirão do Huck (The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?). O único game show que é um “programa solo” na atual grade é Tamanho Família, de Márcio Garcia.

Além disso, a Globo não tem tradição em games na linha de shows, que por muitos anos foi restrita aos filmes, programas de dramaturgia (como séries e especiais), humorísticos e jornalísticos. Quem “quebrou” esta “tradição” foi o Big Brother Brasil, primeiro reality show da Globo a ocupar o horário nobre da grade diária. Depois disso, o Amor & Sexo se tornou um estranho no ninho, como o único programa de auditório da linha de shows do canal. Mais tarde, surgiu o The Voice Brasil. Ou seja, a abertura no leque de variedades da linha de shows da Globo é algo bem recente.

Sendo assim, a notícia de que haverá um novo game show nas noites de quinta da Globo já é, por si só, uma boa notícia. É uma prova de que a emissora quer variar ainda mais a oferta de produtos exibidos após sua novela principal. Num passado não muito distante, o canal abusou das séries, que são boas, mas faziam uma grade muito focada na dramaturgia. Nas noites de terça, por exemplo, a Globo exibia série atrás de série, e depois da novela, somando quase três horas de dramaturgia seguidas. Acabava cansando.

Fora que game show é um formato sempre eficiente, e que vem numa onda bem-sucedida lá fora. Em entrevista recente a Mauricio Stycer, do UOL, uma representante destas produtoras que vendem formatos comentou o quanto a venda de game shows estava aquecida no mundo. E basta observar a programação dos canais abertos para ver que esta onda já chegou no Brasil: o SBT exibe Roda a Roda, Passa ou Repassa e voltará com o Topa ou Não Topa; a Band apostou em A Fuga no dominical Agora É com Datena; a RedeTV colhe o bom desempenho de O Céu É o Limite; e a Globo exibe os games já citados neste texto. Não é pouca coisa.

Flavio Ricco disse ainda que não está definido quem apresentará a nova aposta da emissora. Este blog, claro, torce por Angélica. A loira está em busca de um projeto, é excelente comandante de games (basta lembrar que foi seu sucesso à frente do Passa ou Repassa, no SBT, que a levou à Globo) e seria uma oportunidade de a apresentadora surgir diferente na programação da emissora, após anos à frente do Estrelas. Um retorno no horário nobre seria bem interessante.

André Santana