quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Record quer globais, diz colunista. Mas o que eles fariam lá?

"Será que tem vaga
no 'Hoje Em Dia'"?
Recentemente, o colunista Ricardo Feltrin, do UOL, noticiou que a direção da Record está de olho em alguns artistas que estariam insatisfeitos na Globo. Com a nova política do canal, que vem reduzindo salários e dispensando figuras pouco produtivas de seu elenco, seria um momento propício para a concorrência acenar com um polpudo contracheque. Porém, cabe a questão: o que estes artistas fariam na emissora de Edir Macedo, que mal dá conta de seus próprios contratados?

Segundo Fetrin, dois nomes que despertaram o interesse da Record são figuras do É de Casa: Patrícia Poeta e Zeca Camargo. E aos dois, o destino seria o mesmo, a apresentação do Domingo Espetacular. O dominical, que nasceu à imagem e semelhança do Fantástico, da Globo, repetiria então uma dupla que funcionou muito bem ali na sua "fonte de inspiração". O colunista apurou que a direção da Record chegou a sondar Poeta, mas desistiu quando descobriu que o contrato da apresentadora vai até 2021.

Mas o caso de Zeca Camargo ainda pode render desdobramentos. Seu contrato com a Globo vence no ano que vem, e rumores dão conta de que o apresentador não estaria satisfeito com a renegociação salarial, e nem com o espaço que ocupa atualmente na programação. Ou seja, não seria de todo impossível que Zeca partisse para novas experiências em 2020. 

Porém, o nome mais surpreendente (ou não) da lista enfileirada por Feltrin seria o de Angélica. O colunista afirmou que o atual acordo da loira com a Globo também deve vencer em 2020. E, com a indefinição de seu novo programa, a concorrência poderia aproveitar para tentar levá-la e oferecer um espaço almejado. Como se sabe, o piloto da nova atração da loira está estacionado, em razão da indefinição quanto ao futuro político de seu marido, Luciano Huck. Mas a própria Angélica já declarou que ela não se vê na TV caso a carreira política de Huck realmente emplaque. Ou seja, se mudasse de emissora, sua permanência no ar seria curta. 

É natural que emissoras fiquem de olho em valores sem espaço na concorrência. Mas a Record parece que não tem espaço nem mesmo para seus medalhões. Nomes como Gugu, Xuxa e Marcos Mion se tornaram mestres de cerimônias, dando as caras na programação por curtos períodos do ano. Até esses dias, Sabrina Sato também estava na geladeira, de onde só saiu porque abriu uma vaga aos domingos. Sendo assim, por que motivo a Record contrataria Angélica, por exemplo? Para lhe entregar mais um formato de gosto duvidoso? E, no caso de Zeca Camargo, valeria a pena se arriscar para assumir um genérico do Fantástico, sendo que ele já esteve à frente do original?

Sem dúvidas, a Globo tem mais artistas que espaço. E é evidente outras emissoras podem oferecer este espaço a eles. Mas é preciso planejamento. Se a Record tem interesse em novas contratações, é preciso, antes de mais nada, que haja um plano concreto para tal. Senão, não faz sentido. 

André Santana

sábado, 16 de novembro de 2019

RedeTV faz 20 anos com pouco a comemorar

"Garantindo minha fatia
do bolo publicitário"

Os últimos dias não foram tão bons na RedeTV. Na semana em que o canal de Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho comemora 20 anos da estreia de sua grade de programação, o noticiário televisivo foi tomado por notícias dando conta das demissões e cortes na emissora. Talvez a mais simbólica das dispensas tenha sido a da jornalista Claudia Barthel, apresentadora que estava no ar ainda na extinta Manchete, esteve na fase de transição entre as emissoras e foi a comandante do RTV, segundo jornal da história da emissora, exibido na hora do almoço. Nestes 20 anos, Claudia passou por vários programas jornalísticos da RedeTV e era prata da casa.

Infelizmente, crises fazem parte da história da RedeTV. A emissora começou já enfrentando o fantasma das dívidas da Manchete, em um imbróglio que se arrastou por anos a fio. Ao mesmo tempo, a expectativa de contar com uma grade regular esbarrou na falta de recursos, obrigando a emissora a dispensar boa parte de sua programação a concessionários. Em seus primeiros anos, a RedeTV não tinha uma grade matinal, toda tomada por religiosos e televendas. Hoje, os espaços alugados estão em blocos distintos da programação, como o início da manhã, a faixa entre 13h e 15h, o espaço entre 17h e 18h, e até o horário nobre, das 20h30 às 21h30.

A emissora chegou a respirar e ensaiar uma recuperação, quando enxugou custos e alugou o horário nobre. Mas a crise atual, que afeta não apenas a RedeTV, mas todas as emissoras, obrigou o canal a tomar novas medidas. Além de dispensas, como a de Claudia Barthel, a RedeTV também cortou horas extras, o que vai afetar sua programação noturna. Programas como Superpop e Leitura Dinâmica deixam de ser ao vivo.

O mais curioso deste triste cenário é que a RedeTV parece uma emissora de contrastes. Ao mesmo tempo em que dispensa funcionários e enxuga custos, o canal ostenta um dos maiores e mais tecnológicos complexos de estúdios da TV brasileira. A emissora sempre se orgulhou estar na vanguarda da modernidade, tornando-se pioneira no Brasil na transmissão em alta definição e 3D. Tanta tecnologia nunca se justificou na prática, afinal, assistir programas estáticos, como A Tarde É Sua, Tricotando e TV Fama em 3D não parece lá muito atrativo.

Enquanto isso, Marcelo de Carvalho, vice-presidente e apresentador da RedeTV, tomou para si a missão de brigar para tentar reverter o que, segundo ele, é uma distorção. O empresário reclama, nas redes sociais e em entrevistas, que a distribuição de publicidade entre os canais abertos é injusta, já que “a Globo tem 30% de audiência e 80% do bolo publicitário”. Uma colocação que poderia até fazer sentido, se Marcelo também tivesse a boa vontade de fazer uma autoavaliação. Afinal, o que a emissora dele está fazendo para conquistar o respeito do mercado publicitário?

Não é preciso ser um especialista em mercado para entender que os anunciantes, de maneira geral, não gostam de vincular suas marcas a conteúdo de gosto duvidoso. E, infelizmente, a RedeTV ainda é especialista neste filão. Com uma programação tomada por segredos fakes, debates infundados e o chafurdamento da vida de celebridades e subcelebridades, a RedeTV confunde o popular com o popularesco. Ao mesmo tempo, as opiniões polêmicas do dono respingam em seu departamento de jornalismo, único segmento do canal que poderia agregar algum prestígio à emissora.

A RedeTV nasceu com o slogan “uma opção de qualidade na sua TV” e a bela intenção de ser um canal sofisticado, com uma grade variada e tomada por bons filmes, boas séries e programas de cunho informativo e cultural. Mas não conseguiu se fazer relevante com esta proposta, descambando para o popular poucas semanas depois de sua estreia. E tudo bem. A emissora não precisa ser uma nova BBC, mas também não precisava descer tão baixo. Afinal, programação popular não precisa ser, necessariamente, de mau gosto.

Ou seja, neste aniversário de 20 anos, a RedeTV precisa avaliar se vale a pena continuar gritando para ser vista, ou se a resposta junto ao mercado publicitário seja justamente a mudança de direção, no sentido de fazer um canal minimamente mais atrativo. Não vai acontecer, afinal, o canal tem 20 anos e, até hoje, não fez esta autocrítica. Mas é o único caminho possível. Gritar e espernear não vai adiantar.

André Santana

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

"As Aventuras de Poliana" perde fôlego, mas SBT insiste na trama

"Oi, eu sou a filha da Poliana!"

Não faz muito tempo que repercutimos por aqui a decisão do SBT de apostar numa “segunda temporada” de As Aventuras de Poliana. A novela de Iris Abravanel, baseada na obra de Eleanor H. Porter, inicialmente seria encerrada em meados de 2020, completando dois anos no ar. Mas a direção da emissora optou por prolongá-la, e a novela ganhará novos personagens e tramas para uma segunda temporada, na tentativa de levar a história até 2021. Estão previstas mudanças de rumo e de elenco para manter a novela de pé.

A decisão é essencialmente financeira: é mais barato para o canal manter uma novela no ar do que estrear uma nova produção. Porém, uma matéria do Notícias da TV, publicada esta semana, mostra que a emissora se arrisca ao apostar neste prolongamento desenfreado. O texto, publicado no dia 13 de novembro, mostra que As Aventuras de Poliana deixou de ser o programa mais visto do SBT.

Segundo a matéria, os programas Roda a Roda e Cúmplices de um Resgate estão se alternando na liderança do ranking de audiência dos programas do SBT. Enquanto isso, As Aventuras de Poliana, que chegou a ser um fenômeno na casa dos 17 pontos no Ibope, atualmente mal chega aos dois dígitos de audiência. É uma queda significativa, que mostra que a emissora assume um alto risco ao insistir na produção.

Infelizmente, o SBT parece incapaz de perceber sinais claros. Quando uma novela com a força de As Aventuras de Poliana perde espaço para um game show surrado e uma reprise de novela, é preciso fazer uma autoanálise. Está claro que a novela infantil, formato que foi a menina dos olhos da emissora nos últimos sete anos, precisa ser reavaliado.

A verdade é que uma novela longa pode ser boa economicamente falando, mas para o público a coisa não é bem assim. Ainda mais numa novela infantil, que atinge um público em crescimento. Se a trama for longa demais, a tendência é que o público cresça e, naturalmente, perca o interesse pela mesma. Assim, esta decisão do SBT pode pesar contra o próprio formato. E as consequências podem ser graves.

André Santana

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"O Selvagem da Ópera" é mais uma supersérie da Globo que vira novela das seis

"Gente, não me deixam
fazer meu 'Selvagem' em paz!"

De acordo com os critérios adotados pela Direção de Teledramaturgia da Globo, há uma curta distância que separa as narrativas de uma novela das seis e uma supersérie (ou novela das onze, para os íntimos). Afinal, só isso explica a quantidade de tramas concebidas para um horário que acaba indo parar no outro, e vice-versa. O mais recente caso é O Selvagem da Ópera, de Maria Adelaide Amaral, que seria uma supersérie exibida em 2020, mas foi convertida numa novela das seis recentemente.

A notícia não é nova, mas não tive tempo para comentar aqui anteriormente. Mas é isso: a trama sobre a vida do compositor Carlos Gomes está sendo reestruturada para se tornar uma novela das seis. A troca se deveu a uma mudança de estratégia da Globo, que resolveu não mais apostar em “superséries”, e sim em novelas de curta duração para o GloboPlay. Verdades Secretas 2, de Walcyr Carrasco, é que abrirá o novo formato, com previsão de estreia no streaming da Globo no ano que vem.

Curiosamente, a história de Maria Adelaide Amaral não foi a primeira a passar por esta transformação. Anos atrás, quando a supersérie ainda se chamava novela das onze e era um espaço para remakes, a autora Lícia Manzo propôs a primeira história original para o horário. Tratava-se de Sete Vidas. Porém, logo após as primeiras notícias da nova produção, Sete Vidas acabou anunciada como novela das seis. Com isso, Verdades Secretas foi o primeiro texto original no horário.

Mais tarde, as autoras Alessandra Poggi e Ângela Chaves conceberam uma novela das seis que teria a Ditadura Militar como pano de fundo. Tratava-se de Os Dias Eram Assim. Mas a Direção de Teledramaturgia avaliou que a história poderia render uma novela das onze, e a produção mudou de horário. Deste modo, Os Dias Eram Assim se tornou a primeira novela das onze a ganhar a alcunha de “supersérie”.

Recentemente, outro caso semelhante aconteceu. Após o veto de O Homem Errado, que marcaria a estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário das nove, as novelistas passaram a se dedicar a uma nova novela das seis, que trataria do drama dos refugiados de guerra no Brasil. Com a sinopse em mãos, a direção achou que a história renderia uma supersérie. Então mudou de horário. Porém, com a entrega dos primeiros capítulos, a direção voltou atrás e achou que a nova história deveria ser mesmo uma novela das seis, como originalmente concebida. Nasceu assim Órfãos da Terra.

Houve também o caso de uma novela das onze que virou minissérie, e que acabou engavetada. Trata-se de Jogo da Memória, de Lícia Manzo. Uma trama que parecia ousada, já que trataria de incesto e seria passada em três épocas distintas ao mesmo tempo. A história nasceu para ser novela das onze, mas após a entrega dos primeiros capítulos, a Globo achou que a trama não renderia 88 capítulos, que era a previsão inicial. Assim, pediu para que a trama fosse convertida em uma minissérie de dez capítulos. Depois disso, a história sumiu da linha de produção sem deixar rastros. Segundo consta, Lícia concluiu a história e a entregou, mas ninguém sabe se será produzida algum dia. Enquanto isso, a novelista prepara sua primeira novela das nove, prevista para substituir Amor de Mãe. Quer dizer, isso se não resolverem transformar Em Seu Lugar (título provisório) em novela das seis, das onze, minissérie, série do Gloob...

André Santana

sábado, 9 de novembro de 2019

Clã Abravanel é esforçado, mas não está pronto para substituir Silvio Santos

"Chama o leiloeiro!"

Desde que a família Abravanel começou a se aventurar em frente às câmeras, seguindo os passos do apresentador Silvio Santos, o espectador foi levado a buscar, entre os herdeiros do “patrão”, qual deles seria o seu sucessor natural no vídeo. As filhas Patrícia Abravanel, Silvia Abravanel e Rebeca Abravanel, além do neto Tiago Abravanel, estão à frente de programas do SBT e dispostos a dar seguimento ao legado do pai (ou do avô). Enquanto isso, o próprio Silvio Santos insiste em fazer de suas filhas suas sucessoras, numa tentativa de fazer do SBT uma empresa familiar. Mas a coisa ainda parece longe de acontecer.

O maior exemplo da esperança depositada por Silvio Santos aos seus herdeiros é o final do Teleton. A campanha televisiva em prol da AACD sempre teve como principal atração o seu encerramento, quando o próprio Silvio dividia o palco com Hebe Camargo. O encontro dos dois veteranos era sempre regado a improviso, situações inusitadas, trocas de farpas e elogios mútuos, tentativas de “selinho”... enfim. Eram anos de experiência reunidos num único palco, para deleite dos espectadores aficionados pela TV. Era a história viva da TV fazendo mais história na TV.

Porém, desde a morte de Hebe Camargo, o Teleton passou a ser encerrado por Silvio Santos ao lado de sua família. Patrícia Abravanel, Rebeca Abravanel, Silvia Abravanel e Tiago Abravanel já dividiram o palco com o avô no desfecho em alguns momentos. Assim, o Teleton perdeu uma de suas graças. A família Abravanel no palco não rendia tão bons momentos como nos tempos de Hebe Camargo.

Há duas semanas, a coisa ficou pior. Silvio Santos, acometido por uma gripe, não pode comparecer ao encerramento do Teleton. Assim, as filhas Patrícia, Silvia e Rebeca tiveram que encerrar a campanha sozinhas. Aí, ficou bastante exposto que nenhuma delas ainda está pronta para serem consideradas sucessoras do pai. Completamente perdidas em cena, elas fizeram do encerramento do Teleton uma verdadeira bagunça. Tanto que Mauro Zukerman, leiloeiro que apresentou programas no SBT nos anos 1980 e 1990, surgiu em cena para tentar ajudá-las.

Nada contra nenhuma das filhas de Silvio Santos. À frente do Roda a Roda, Rebeca Abravanel mostra graça e espontaneidade. Já Patrícia, ainda lhe falta repertório, mas ela funciona bem como “mestre de cerimônias”. É correta. Quanto à Silvia, sua porção apresentadora vista no Bom Dia e Cia nunca foi lá muito adequada, mas não chega a ser uma atuação comprometedora. Porém, é isso. Claro que a experiência pode fazê-las evoluir, mas dificilmente uma delas vai repetir o magnetismo do pai.

Enquanto isso, Tiago Abravanel parece o mais preparado do clã. Os anos de teatro lhe deram desenvoltura e repertório, e ele caminha para se tornar um bom apresentador. Mas, até aqui, pouco foi visto dele como apresentador de fato. Seja como coadjuvante no PopStar, na Globo, ou seja agora à frente do Famílias Frente a Frente, no próprio SBT, seu espaço como comunicador ainda é limitado. É preciso esperar para vê-lo em voos mais ousados para uma conclusão mais efetiva. Mas ele é talentoso, isso é fato.

Mas todas estas experiências parecem deixar claro que Silvio Santos erra ao apostar suas fichas em seus parentes. No passado, ele via Gugu Liberato como seu sucessor nos domingos do SBT. Depois, Celso Portiolli foi apontado como sucessor. E a verdade é que o SBT possui em seu cast bons animadores. Além de Celso, a emissora tem em Ratinho e Eliana dois nomes que possuem uma desenvoltura acima da média como condutores de programas de auditório.

Em suma: sempre pareceu natural que o Teleton, na ausência de Hebe Camargo, deveria ser encerrado por Silvio ao lado de Celso e Eliana, seus companheiros nos domingos do SBT. Mais do que isso: o sucessor artístico de Silvio Santos não devia ser um parente seu, e sim algum artista que foi criado dentro dos domínios da Anhanguera. Claro, quando se fala em sucessor, não se fala em alguém que reúna as mesmas características, já que Silvio, neste contexto, não tem e nem terá sucessores. O que se fala é de algum artista que seja capaz de manter, com o mínimo de dignidade, a tradição dos auditórios dominicais do SBT, criada pelo próprio Silvio Santos.

Silvio é insubstituível. Porém, em sua ausência, o show não pode parar. E, como foi visto no Teleton, não serão as filhas dele que farão o show continuar.

André Santana

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

História da TV: Relembre a história do "Namoro na TV e Etc", programa que nasceu do improviso

"Você canta, dança ou etc?"
Tem coisas que são mesmo a cara do SBT. O nascimento, apogeu e queda do Namoro na TV e Etc, programa de nome infame comandado por Celso Portiolli, aconteceu de maneira tão improvisada (praticamente por acaso), que acabou por se tornar um momento curioso da história da TV. Entre o final de 2006 e início de 2007, o apresentador deixou de ser mero apresentador de intervalo na Sessão Premiada para comandar um programa que chegou de surpresa à grade do SBT.

Tudo começou quando, do nada, Silvio Santos decidiu dar férias à Adriane Galisteu, que, na época, comandava o Charme nas tardes do SBT. E optou por entregar o vespertino nas mãos de Celso Portiolli, até então ocupado apenas com a Sessão Premiada, exibida nas tardes de sábado e manhãs de domingo. Com a chegada de Celso, o programa mudou. Adriane comandava uma revista eletrônica, com entrevistas, debates e reportagens (um dos trocentos formatos que o Charme teve). Com Celso, o programa priorizou games e o “quadro do namoro”. Era um quadro sem nome, chamado simplesmente de “quadro do namoro”, no qual Portiolli recebia jovens para flertar. Na atração, uma pessoa ficava de um lado de um biombo, enquanto outras três do outro lado. Celso fazia perguntas e propunha jogos, até que o solitário escolhia com quem ficar, sem ver. Em suma, uma versão simplificada do Xaveco, programa que Celso apresentou no final da década de 1990 e que, hoje, é um quadro do Domingo Legal.

Não se falou muito sobre isso na época, mas a impressão que passou foi que o SBT tentava ir no rastro da Record que, na mesma época, apostava no Jogo do Namoro, quadro do Programa da Tarde que era apresentado por Maria Cândida e tinha formato semelhante. Os dois programas eram exibidos mais ou menos no mesmo horário.

Pois muito que bem. Nos primeiros meses de 2007, Adriane Galisteu voltou das férias. Mas não retomou seu espaço nas tardes do SBT. Em vez disso, a apresentadora retomou seu Charme numa versão semanal, exibido nas noites de segunda-feira. Enquanto isso, Celso Portiolli seguiu nas tardes de segunda a sexta, e o Charme vespertino mudou de nome. Num dia, era Namoro na TV. No outro, era Namoro e Etc. Por fim, o programa chegou ao nome definitivo, Namoro na TV e Etc. Isso porque o quadro do namoro seguia como o carro-chefe da atração, mas o programa tinha outros quadros (por isso o “Etc”… coisas de Silvio Santos).

O mais louco disso tudo é que o Charme nas noites de segunda e o Namoro na TV e Etc nas tardes compartilhavam do mesmíssimo cenário. Só mudava o conteúdo. Charme era essencialmente um programa com musicais e entrevistas, enquanto o Namoro na TV e Etc apostava em games. Porém, essa situação ridícula durou pouco tempo. Logo o SBT optou por reformular o Charme, que, com novo cenário e formato, passou a ser um talk show diário nas madrugadas (foi sua melhor fase, diga-se, mas poucos se lembram disso).

Enquanto isso, Namoro na TV e Etc ficou mais um tempinho na grade diária. Foi uma fase em que Celso trabalhou muito, já que ele apresentava o Namoro de segunda a sexta, ao vivo, e a Sessão Premiada aos sábados e domingos, também ao vivo. Com isso, o apresentador era visto todos os dias da semana, sempre ao vivo, na tela do SBT. Situação um tanto louca para quem tinha acabado de enfrentar uma fria geladeira na emissora.

Essa situação ficou assim até o SBT apostar no pacote de novidades que ficou conhecido como “arrancada da vitória”, entre março e abril de 2007. Uma das novidades era uma linha de shows na faixa das 20 horas, e um dos programas recrutados para a empreitada era uma nova versão do Curtindo Uma Viagem. Rebatizado como Curtindo com Reais, o game passou a ser exibido nas noites de sexta. Assim, Namoro na TV e Etc deixou a grade diária e se tornou semanal, ocupando toda a tarde de sábado. Nesta fase, o programa mesclava vários quadros diferentes de namoro com games variados. Um deles era o Jogo das Três Pistas, atualmente apresentado por Silvio Santos em seu dominical. Uma personalidade que sempre era convidada para o jogo era nada menos que Dani Calabresa, que na época assinava Daniela Giusti. A comediante integrava o elenco do humorístico Sem Controle, onde interpretava a enfermeira Penicinilda. E ela costumava bater ponto no Namoro na TV interpretando a personagem. Pérolas da TV…

Alguns meses depois, Namoro na TV e Etc chegou ao fim e foi substituído pelo Curtindo com Crianças, uma espécie de Gente Inocente onde Celso Portiolli promovia jogos singelos com pequenos. A atração ficou no ar até o fim de 2007, chegando ao fim quando Silvio Santos resolveu exibir as lutas coreografadas do WWE – Luta Livre na TV nas tardes de sábado. Loucura, loucura, loucura…

Relembre vinheta e um trechinho do Namoro na TV e Etc:



André Santana

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Celso Zucatelli retorna ao jornalismo da Record

"E vou trazer o Paçoca e a Tapioca!"
A Record anunciou a contratação de Celso Zucatelli. O jornalista, que foi repórter do canal nos anos 1990, e passou pelo jornalismo e entretenimento da emissora nos anos 2000, retorna à rede depois de quatro anos afastado, e tendo passado pela RedeTV e Gazeta. Caberá a ele o comando do Balanço Geral Manhã, versão matinal (dããã) do jornal popular, que é exibido das 5h às 7h30. Atualmente, Bruno Peruka acumula o BG e o SP no Ar, desde a saída de André Azeredo. Quando Celso assumir, Peruka ficará apenas com o SP no Ar.

A chegada de Celso Zucatelli vem como mais uma tentativa da Record de ajustar os seus jornais matinais. Num passado não muito remoto, a emissora nadava de braçadas no horário. Porém, desde o avanço do Hora 1, na Globo, e do Primeiro Impacto, no SBT, a emissora começou a perder fôlego nesta faixa. Começou, então, um troca-troca de apresentadores, no intuito de elevar os índices. Bruno Peruka, repórter de destaque do Cidade Alerta, foi a primeira tentativa, mas não decolou. Depois veio André Azeredo, direto do Bom Dia SP da Globo, mas também não foi bem-sucedido. Celso, então, chega para tentar reverter a situação.

Celso Zucatelli é excelente profissional. Como jornalista, teve passagens importantes também pela Band e pela Cultura, onde atuou como repórter e apresentador. Antes de apresentar o Hoje Em Dia na Record, o jornalista foi repórter e correspondente internacional. Ou seja, tem estrada e repertório. Além disso, os anos no entretenimento fizeram com que Celso transitasse bem entre os dois segmentos, algo útil para o Balanço Geral Manhã. Afinal, é um jornal popular e longo, e este traquejo faz diferença.

Pesa contra Celso o ritmo acelerado que ele adotou nos últimos anos. À frente do Hoje Em Dia e do Melhor pra Você, na RedeTV, o apresentador foi aumentando a afobação em cena. O auge foi no lançamento de seu programa próprio, o Fala Zuca, que tinha apenas meia hora e muito merchandising. Para tentar fazer alguma coisa em tão pouco tempo, Zucatelli encarnou o Enéas e abusou da velocidade. Obviamente, não funcionou. Porém, ele tem um estilo interessante e pode acrescentar ao jornal matinal da Record. A conferir.

Falando nisso, esse troca-troca de apresentadores mostra que a Record não preparou bons âncoras para seus inúmeros jornais de pegada popular. É Balanço Geral Manhã e Local, é Praça no Ar, é Cidade Alerta… todos produtos enormes e muito dependentes de seus âncoras. E a falta de um profissional capaz de segurar tantas horas sem perder fôlego se faz presente. Basta ver o efeito dominó causado pela saída de Reinaldo Gottino, que obrigou a emissora a tirar Geraldo Luís das tardes de domingo. Agora, a emissora resgata Celso Zucatelli. Ou seja, há jornal demais e apresentador de menos.

André Santana

sábado, 2 de novembro de 2019

Mais maduro, "PopStar" é um bom divertimento para as tardes de domingo

"Levo vida de empreguete"

O desacreditado PopStar, da Globo, chegou à terceira temporada. A atração, que nasceu depois do parco desempenho de seu antecessor, Superstar, leva o selo “Formato Original Globo”, assim como o finado Tomara que Caia e o atual Mestre do Sabor. Ou seja, um programa criado pela própria emissora. Três anos e duas apresentadoras depois, o show de talentos com famosos conseguiu arredondar sua fórmula e, hoje, é um produto vitorioso. É o melhor dos formatos “criados” pela emissora.

PopStar chega fortalecido ao seu terceiro ano porque amadureceu com a experiência. A chegada de Taís Araújo, somada ao azeitamento da fórmula, fez o programa se firmar como um entretenimento familiar de qualidade, ideal para as tardes de domingo. Neste contexto, Taís se tornou peça fundamental, já que conseguiu fugir do roteiro e imprimir descontração à apresentação. Coisa que a primeira apresentadora, Fernanda Lima, não conseguia. Fernanda é ótima, sem dúvidas, mas não se enquadrou no formato.

Já Taís Araújo só melhorou com o tempo. Depois da estreia verde, a atriz resolveu brincar com os erros, seus e do programa (que foram muitos na temporada anterior). E o resultado disso foi fazer do PopStar um programa mais “relaxado”, que combina bem com a proposta. Afinal, trata-se de uma competição de talento entre famosos. Ou seja, no fundo, é uma grande brincadeira. Entendido isso, PopStar deslanchou.

A terceira temporada do PopStar conta com as participações de Babi Xavier, Claudia Ohana, Danilo Vieira, Eriberto Leão, Helga Nemetik, George Sauma, Jakson Follmann, Leticia Sabatella, Marcelo Serrado, Nany People, Robson Nunes, Totia Meireles e Yara Charry. Ou seja, assim como nos anos anteriores, a produção mescla artistas com alguma experiência na música (como Babi, Ohana e Leão) com algumas surpresas, como Follmann.

Outra novidade da temporada 2019 é a presença de João Côrtes, que substitui Tiago Abravanel nos bastidores. O jovem, que se destacou como participante no ano passado, não decepciona. E as performances da estreia do último domingo, 27, mostram que a competição será acirrada. Começou bem.

André Santana

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Boletins do "Jornal da Record" não disseram a que vieram

Aposta da nova direção de jornalismo da Record, os boletins do Jornal da Record injetaram ainda mais informação à grade do canal. Com quatro edições espalhadas pela programação, com o nome JR 24h, os noticiosos se caracterizam por muitas entradas ao vivo e comentaristas analisando as notícias. Porém, apesar da boa intenção, os boletins mais atravancam do que ajudam a grade do canal. Apenas a edição da madrugada se destaca, e merecia mais atenção.

No JR 24h, Janine Borba comanda as duas primeiras edições, depois do Hoje Em Dia e depois das novelas da tarde. Pela manhã, o boletim já sucede um programa de conteúdo jornalístico e antecede um jornal popular. Enquanto isso, o terceiro boletim é exibido dentro do Cidade Alerta. Não faz muito sentido exibir um “minijornal” dentro de um programa noticioso com mais de três horas de duração.

Por isso, o único dos boletins do JR 24h que faz diferença na programação é o último (ou melhor, o primeiro, já que é exibido depois da meia-noite). Apresentado por Sergio Aguiar, o programa faz uma boa análise dos assuntos do dia, de maneira ágil e eficiente. É um boletim tão interessante que poderia até ter um espaço maior na grade. Com mais de 15 minutos de duração, o JR 24h poderia ser um jornal de fim de noite mais completo.

A direção da Record acertou ao escalar Janine Borba e Sergio Aguiar para o comando dos novos noticiosos. São âncoras conhecidos, de credibilidade, e que cumprem bem o papel de apresentar as notícias. Sendo assim, o canal poderia até considerar reunir a dupla numa segunda edição do Jornal da Record, no final da noite.

Isso porque, durante o dia, a grade da Record já tem muitos telejornais. É a emissora aberta brasileira que mais se dedica à notícia. Sendo assim, os boletins espalhados pela programação acabam gerando a sensação de excesso de informação. Se em vez de apostar em boletins, a emissora concentrasse seus esforços unicamente num jornal de fim de noite, o resultado poderia ser melhor.

André Santana

sábado, 26 de outubro de 2019

"Segunda Chamada" reafirma amadurecimento das séries da Globo

"Professora Helena que era feliz..."

O TELE-VISÃO acompanha e sempre comenta acerca da evolução das séries produzidas pela Globo. A dramaturgia semanal do canal passa por transformações constantes, desde que a emissora abriu o leque e passou a investir em gêneros diversos da comédia. As parcerias com produtoras independentes e a abertura de espaços experimentais, como horários alternativos e, recentemente, o GloboPlay, fez a emissora sair do lugar-comum e elevar o nível de excelência de suas produções. Um de seus principais problemas nesta seara, o “vício de novela”, foi superado.

Neste contexto, a emissora até diminuiu o espaço de séries nacionais em sua linha de shows, Em contrapartida, passou a concentrar esforços em produções de alto nível, de temática contundente e produção acima da média. Com isso, surgiram verdadeiras pérolas, como Sob Pressão, o grande acerto do canal em série dramática dos últimos anos. Apostando num típico drama hospitalar, mas abordando as agruras da saúde pública brasileira, Sob Pressão não é apenas uma série cheia de emoções, como é, também, uma denúncia social e política da mais absoluta relevância. E deu tão certo que rendeu frutos. Segunda Chamada, novidade da vez, bebe da mesma fonte e alcança o mesmo nível de excelência.

Em Segunda Chamada, saem o hospital, os médicos, os enfermeiros e os pacientes, e entram a escola pública, os professores, funcionários e alunos. Apesar do novo cenário e dos novos personagens, os dramas vistos em Segunda Chamada e Sob Pressão são semelhantes. Assim como o hospital público onde trabalha Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) tem inúmeros problemas, a escola pública onde a professora Lúcia (Débora Bloch) leciona também enfrenta grandes desafios, como a falta de recursos.

Lecionando no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), Lucia tem verdadeiro amor pela profissão e se envolve com seus alunos, todos donos de dramas bastante intensos. Na Escola Maria Carolina de Jesus, convivem idosos tentando aprender, trabalhadores cansados buscando uma vida melhor, uma mãe jovem e desesperada e uma mulher trans tendo que lutar pelo direito de usar o banheiro feminino, entre tantas outras vidas cheias de dificuldade, mas com esperanças de um futuro melhor.

Neste ambiente, Lucia dribla, como pode, a falta de recursos. Mas também precisa lidar com seus próprios problemas, como a dor pela perda de um filho, o marido que vive em estado vegetativo e o romance secreto com o diretor. Há também a professora Sonia (Hermila Guedes), que vive um casamento abusivo, e o jovem professor Marcos André (Silvio Guindane), um idealista apaixonado pelas artes que esbarra nas inúmeras dificuldades em lecionar numa turma de adultos. Enquanto isso, a compreensiva e divertida professora Eliete (Thalita Carauta) dá alguma leveza aos dramas, embora ela também tenha os seus.

Mais do que entretenimento, Segunda Chamada agrega conteúdo qualificado à programação da Globo. Ao fazer um drama intenso, bastante calcado na realidade e mostrando as deficiências dos serviços públicos brasileiros, sobretudo na seara da educação, Segunda Chamada lembra o público desacreditado que a educação é um dos mais importantes pilares de uma sociedade saudável. Neste tempo doente em que vivemos, nada mais oportuno.

André Santana