sábado, 22 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim" estreia bem

Ao assistir aos primeiros capítulos de Os Dias Eram Assim, nova novela das onze (ou “supersérie”), não dá para não chegar à conclusão de que a direção de teledramaturgia da Globo acertou em cheio ao levar esta trama, inicialmente concebida para o horário das seis, para a faixa das onze. No novo horário, as autoras estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi puderam tratar com menos pudores o pano de fundo da obra, que trata dos “anos de chumbo” vividos pelo Brasil nos tempos da Ditadura Militar.

Não que Os Dias Eram Assim resgatará as minisséries históricas e fazer um tratado da história recente do país. Claro, há uma abordagem interessante da temática, que dá um tempero bastante especial ao enredo. Mas aqui, o cenário político é um pano de fundo (bastante presente, mas é pano de fundo) para contar uma história de amor bastante convencional, envolvendo Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte). O período político surge como principal fator que leva o casalzinho a não conseguir concretizar seu amor.

Renato e Alice se conhecem e se apaixonam em meio ao caos das ruas, com militares perseguindo os cidadãos que lutam contra a Ditadura. A paixão começou no final do primeiro capítulo, mas já ficou claro que a história dos dois não será fácil, já que ela é noiva e, ainda, filha de Arnaldo (Antonio Calloni), um empreiteiro poderoso e conservador, defensor ferrenho do governo. Já o mocinho começou a história batendo de frente com o vilão e, ainda, tem seu irmão envolvido num ataque aos negócios de Arnaldo.

E tudo isso em meio à efervescência dos anos 1970, com a censura vigente e o cenário cultural tentando resistir, o que sempre rende boas histórias. Neste contexto, os primeiros capítulos de Os Dias Eram Assim primaram pela excelente reprodução da época, pela direção segura de Carlos Araújo e pelo texto maduro das autoras que estreiam como titulares. Além disso, a trama  conta uma trilha sonora que traz o melhor da época mostrada. Desde já, uma das melhores trilhas já vistas.

Os Dias Eram Assim também reúne um elenco dos mais interessantes. Sophie Charlotte se destaca como uma mocinha interessante, que não é muito convencional. Antonio Calloni também se destaca como o principal vilão, um homem sem qualquer escrúpulo, e faz uma bela parceria com Natália do Vale, excelente como Kiki, uma típica dona de casa dos anos 1970, infeliz, mas resignada. Quem não disse ainda muito a que veio foi Renato Góes, como o mocinho Renato. O personagem é interessante, mas o ator parece ainda muito verde em cena.

Assim, para quem gosta de uma boa novela, Os Dias Eram Assim traz um folhetim da melhor qualidade. E para quem gosta das produções da faixa das 23 horas, com uma temática mais arrojada e abordagens mais adultas, Os Dias Eram Assim também traz. As expectativas são boas.

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André Santana

terça-feira, 18 de abril de 2017

"Fofocalizando" se estabiliza nas tardes do SBT

Criado inicialmente para bater de frente com o quadro A Hora da Venenosa, do Balanço Geral da Record, o programa Fofocalizando, do SBT, penou para emplacar. Depois de um sem-número de mudanças de horário, apresentadores, duração e até de nome, a atração, hoje em dia, vive uma fase mais calma. Acabaram-se as especulações sobre o fim do programa, ameaçado diante do cadafalso desde a estreia. Hoje, com audiência na casa dos 6 pontos no Ibope, Fofocalizando começa a se estabilizar na vice-liderança do horário.

Curiosamente, a fase mais calma aconteceu justamente quando o programa saiu da concorrência direta com o Balanço Geral. Exibido das 14h45 às 15h45, o programa apresentado por Décio Piccinini, Leão Lobo, Mamma Bruschetta, Mara Maravilha e Leo Dias já não bate mais de frente com as fofocas de Fabíola Reipert. Mais uma vez, fica comprovada a tese que tanto batemos aqui: o SBT sempre se dá melhor quando apresenta uma contraprogramação. Não fazia sentido colocar dois programas de fofoca para brigar. Com a mudança de horário, Fofocalizando pode, inclusive, tentar fisgar o público que acaba de ver o Balanço Geral. Trata-se de uma estratégia bem mais inteligente.

Outro ponto que colabora com a tal tese foi a pavorosa experiência de exibir o Primeiro Impacto na faixa do almoço. Era mais do que óbvio que a mudança não emplacaria, mas Silvio Santos pagou para ver. O resultado todos conhecemos bem: o jornal de Dudu Camargo e Marcão do Povo ficou apenas uma semana no horário, sendo que em alguns dias ficava entre 12h e 15h e, nos dias finais, já estava reduzido entre 13h45 e 14h45.

Com a grade atual, o SBT ainda não consegue vencer o Balanço Geral na hora do almoço, mas pontua bem com seu Bom Dia e Cia. A faixa infantil segue sendo um importante diferencial na emissora de Silvio Santos, e é nela que o SBT deve se apoiar sempre. O programa de Silvia Abravanel não decepciona, e o Clube do Chaves, que entra na sequência, também vai bem.

Resta agora esperar para saber se Silvio Santos já se convenceu que sua grade deve voltar a buscar estabilidade, ou se em breve ele virá com novidades malucas tiradas de dentro de seu baú. Segundo diversos sites, o apresentador já estaria no processo de passar a concessão do SBT para suas filhas e, em breve, poderá deixar os negócios e se dedicar “apenas” ao Programa Silvio Santos. Será que ele aguenta ver tudo de longe ou logo virá com mais uma mudança mirabolante?

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André Santana


sábado, 15 de abril de 2017

Tom documental caracteriza nova fase do "Estrelas"

No ar há 11 anos, o Estrelas nunca teve grandes mudanças de formato. Desde o início, o programa de Angélica teve como objetivo principal ressaltar o convidado, seja levando-o para um passeio, colocando-o para aprender algo novo ou ensinando alguma receita. Praticamente uma “Revista Caras eletrônica”. Em 2017, porém, a atração trouxe uma nova proposta e apostará em temporadas temáticas.

A primeira delas, Estrelas Solidárias, estreou no último sábado, 08. E mostrou, realmente, uma grande mudança, comparado ao “velho” Estrelas. A proposta do Estrelas Solidárias é colocar as celebridades para conhecer e ajudar diversas ações sociais espalhadas pelo Brasil. Angélica, agora, não é mais apenas uma entrevistadora. Ela é, também, uma personagem do programa, e, assim como seus convidados, irá conhecer e ajudar nas ações sociais mostradas.

Na estreia, Estrelas Solidárias levou Débora Nascimento à Porto Alegre, onde visitou o Embelezamento Popular, iniciativa da cabeleireira Itanajara Almeida para ajudar mulheres desempregadas a recuperarem a autoestima. Também levou o ator Jesuíta Barbosa à Belém, no Pará, para atuar no Saúde e Alegria, projeto que constrói sistemas de água potável para comunidades que não têm acesso a esse bem básico. Enquanto isso, Angélica foi à São Paulo visitar o Instituto Flor Gentil, que reaproveita flores de eventos e lojas para montar arranjos e depois distribuí-los para casas de repouso e outras instituições assistenciais.

Já no segundo programa, exibido neste sábado, 15, Angélica visitou o projeto Banco de Alimentos que recolhe sobras de alimentos não comercializados que teriam o lixo como destino e distribui para entidades assistidas, levando comida para aqueles que não têm. Enquanto isso, o Padre Fabio de Melo conheceu o projeto Litros de Luz, que, a partir de uma tecnologia simples, econômica e ecologicamente sustentável, composta por garrafas plásticas, painéis solares e lâmpadas de LED, consegue iluminar comunidades que não tem acesso à rede elétrica. Já o ator Klebber Toledo foi a Garopaba, em Santa Catarina, para conhecer um projeto que, a partir de garrafas pets que se tornariam lixo, os voluntários fabricam pranchas de surf ecológicas.

Assim, Estrelas perdeu o tom de exaltação da fama alheia para ganhar um tom mais documental, com ares de reality show. A câmera acompanha de perto os artistas diante das ações sociais, mostra-os trabalhando e conversando com os demais voluntários das ações. O programa procurou mostrar o funcionamento de todas as ações, ressaltando a importância dos trabalhos desenvolvidos. Buscou, também, mostrar a pluralidade dos trabalhos pelo país, de Norte a Sul. Ficou bastante parecido com reportagens especiais que se vê no Fantástico, por exemplo.

Apenas no fim do programa que Angélica reassume seu posto de âncora e recebe seus dois convidados para conversar sobre o que viveram. A apresentadora e seus convidados conversam sobre as transformações que passaram ao viver o voluntariado, ressaltando a importância do trabalho do terceiro setor na construção de uma sociedade melhor.

Estrelas Solidárias, assim, finalmente deu um novo rumo ao programa de Angélica, que demonstrava claros sinais de cansaço. A atração manda bem ao passar uma mensagem positiva ao público, sem se apegar demais à pieguice ou histórias de excessiva emotividade. É um programa simpático, de tom otimista, e que joga luz às boas ideias que são desenvolvidas pelo Brasil. E, ainda, tem o trunfo de ser um programa de temporada, com episódios fechados, já que não escapará de uma repetição daqui alguns episódios. O programa ainda não explora todo o talento de Angélica, exímia animadora de auditório, mas a coloca numa nova e interessante situação. Foi uma boa mudança.

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André Santana

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"Lady Night" já sai na frente como o melhor night show brasileiro

Num momento em que Danilo Gentili e Fabio Porchat digladiam no fim de noite com seus talk shows, Marcelo Adnet promete voltar num programa com muita parafernália e pouca inspiração, e o veterano Jô Soares tira o time de campo, parecia que não havia mais espaço para um night show na TV brasileira. Mas Tatá Werneck, com seu Lady Night no Multishow, provou que há, sim! Ainda bem!

Primeira mulher num programa deste estilo por aqui, Tatá domina Lady Night como poucas, e prova ao espectador que o diferencial destes programas são mesmo seus apresentadores. Lá estão a banda, a caneca e o fundo com motivos urbanos, mas Lady Night é diferente dos outros shows do gênero por conta de sua apresentadora.

Dona de um raciocínio rápido, sarcasmo em demasia, cara de pau assustadora e uma verdadeira “metralhadora verborrágica”, Tatá leva seu Lady Night com destreza. Em meio aos quadros mais absurdos e abusando de seu bom humor, Tatá “desmonta” seus convidados e o faz rir de si mesmos. E, acredite, ainda arranca boas declarações deles. Ou onde mais você já viu Bruna Marquezine tão franca quanto na atração da comediante?

Entregar um talk show à Tatá Werneck foi realmente uma excelente ideia do Multishow. Trouxe sangue novo e fôlego a um gênero que parecia próximo da saturação. Não está. Pelo contrário, agora parece estar na “crista da onda”. Tanto que um programa como Lady Night poderia, perfeitamente, estar na TV aberta. Bem mais simples e mais divertido (mas muito mais!) que o Adnight, por exemplo.

Não que este êxito fosse uma surpresa. Tatá Werneck sempre roubou a cena em sua trajetória na MTV Brasil, em programas como Quinta Categoria, Trolalá e Comédia MTV. Lady Night é o resgate da Tatá anárquica que tanto fez sucesso na extinta emissora musical.  No Multishow, Tatá também arranca risos com sua esperteza peculiar no Tudo Pela Audiência, mas é no Lady Night que realmente está em casa. Sorte a nossa!

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André Santana

sábado, 8 de abril de 2017

"A Força do Querer" traz novidades ao estilo de Gloria Perez

Estreou bem a nova investida da autora Gloria Perez no horário nobre, A Força do Querer. A trama entrou no ar sem pressa, mas não desinteressante. Teve um primeiro capítulo que fugiu do didatismo chato da apresentação dos personagens, e foi desenrolando sua trama principal aos poucos, revelando a conexão entre as histórias de maneira bastante harmônica. Soma-se a isso o ótimo elenco e uma direção criativa, mas sem pirotecnias desnecessárias, de Rogério Gomes. Tudo isso fez da primeira semana de A Força do Querer um entretenimento saboroso, que traz a veterana novelista apresentando algumas novidades em seu estilo já tão conhecido.

Desta vez, Gloria Perez não centrou toda a sua história numa única heroína, como fez com Morena (Nanda Costa), Maya (Juliana Paes), Sol (Deborah Secco), Jade (Giovanna Antonnelli) e Dara (Tereza Seiblitz), protagonistas de Salve Jorge, Caminho das Índias, América, O Clone e Explode Coração, respectivamente. Ao invés disso, trouxe diferentes tramas entrelaçadas por três personagens centrais, Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). E até mesmo para apresentar seu trio central, a autora não teve pressa, já que o primeiro capítulo focou num prólogo envolvendo dois dos mocinhos, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk). A partir deles nasce a relação entre duas grandes famílias, encabeçadas por Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), de onde se ramificam as tramas principais e paralelas. Ligado a eles está Caio (Rodrigo Lombardi), que tem uma história de amor com Bibi (Juliana Paes), uma das donas do primeiro capítulo. No final do primeiro episódio surge Ritinha, namorada de Zeca, mas que se envolverá com Ruy. A policial Jeiza surgiu apenas capítulos depois, ao abordar o caminhão de Zeca na estrada.

Além de não centrar sua trama numa única grande heroína, Gloria Perez também imprimiu outra novidade no enredo. Ao contrário de suas últimas novelas, que tinham o elenco tão inchado que vários personagens sumiam e apareciam ao sabor do vento, desta vez, em A Força do Querer, são poucos núcleos e personagens. Toda a trama está bastante concentrada nas duas famílias centrais, e é a partir das personagens que as compõem que a autora propõem os temas que pretende discutir, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral), esposa de Eurico, ou a transexualidade de Ivana (Caroline Duarte), filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Eugênio.

A terceira novidade no enredo de Gloria Perez é a falta da “ponte aérea” entre o Rio de Janeiro e qualquer outra parte do mundo, como a Turquia, Marrocos, Índia ou Estados Unidos. Desta vez, o núcleo “quase estrangeiro” da história está no estado do Pará, no Brasil mesmo, dando a chance de o público “viajar” com as personagens além do eixo Rio-São Paulo, explorando uma cultura tipicamente nacional, mas não tão conhecida aqui pelos lados do Sudeste. Assim, A Força do Querer tem o ritmo e o colorido do Carimbó, do artesanato de inspiração indígena e das lendas da região amazônica, como a do Boto. A locação proporciona um espetáculo visual que dá à A Força do Querer um charme especial.

E mesmo trazendo algumas novidades, Gloria Perez continua ainda sendo Gloria Perez e carrega muito do seu DNA. Assim, A Força do Querer não esconde que pretende ser um novelão, com muitas reviravoltas e amores impossíveis. Ou seja, é um folhetim rasgado, do qual a autora é especialista. Além disso, pode-se observar alguns enredos que remetem a outras de suas histórias, como a relação entre Eurico e Eugênio, que parece um remake dos irmãos Cadore de Caminho das Índias (incluindo aí a presença de Humberto Martins nas duas histórias). À Eugênio caberá se envolver com uma vilã interesseira, neste caso Irene (Débora Falabella), tal e qual Raul Cadore (Alexandre Borges) e a psicopata Yvone (Letícia Sabatella). Yvone, aliás, que também lembra muito a Alicinha (Cristiana Oliveira), de O Clone. Já Eurico e Silvana também remetem a Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), de América. Duas mulheres elegantes que sofrem em segredo diante de uma dificuldade: Haydée era cleptomaníaca, enquanto Silvana, como já foi dito, é viciada em jogo.

Ou seja, Gloria Perez retornou ao horário nobre inspirada, e A Força do Querer, ao menos nesta primeira semana, parece oferecer bastante vigor à faixa. Há bons personagens, situações interessantes e belos cenários prontos para fazer o horário das nove da Globo retornar às boas diante do público. As expectativas são as melhores.

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André Santana

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Há 20 anos, SBT exibia a novela mexicana "Na Própria Carne" nas tardes de sábado

A história da televisão brasileira guarda momentos realmente curiosos. Pouca gente se lembra, mas em 1997, o SBT tentou lançar uma nova “moda”, ao exibir a novela mexicana Na Própria Carne em capítulos semanais enormes, apenas nas tardes de sábado. Sim, a emissora de Silvio Santos tentou emplacar um dramalhão mexicano na grade semanal, tentando ser uma espécie de “alternativa” aos programas de auditório da época, como o Planeta Xuxa, que estrearia alguns dias depois na Globo.

Antes de lançar Na Própria Carne, o SBT tinha como atração nas suas tardes de sábado o Novo Show de Calouros, uma versão do Show de Calouros que era apresentada, a cada sábado, por um jurado, como Wagner Montes, Sonia Lima e Flor. Quando o programa foi extinto, ficou uma lacuna na grade, que foi preenchida por filmes e, depois, pela estreia da novela. A trama era anunciada com pompa nas chamadas da emissora, e o locutor do canal enfatizava: “estreia Na Própria Carne, a novela que o SBT exibirá somente aos sábados”.

E assim foi feito. Na Própria Carne estreou no dia 15 de março de 1997 e teve seu último capítulo indo ao ar no dia 3 de maio do mesmo ano. Ou seja, o SBT transformou os 185 capítulos originais em apenas oito episódios, todos com mais de 3 horas de duração. Na época, a Rede CNT havia firmado um acordo com a Televisa e estava exibindo tramas mexicanas, mas o canal paranaense recusou Na Própria Carne, que acabou nas mãos de Silvio Santos.

A novela era uma trama policial extremamente sombria, que pouco combinava com as ensolaradas tardes de sábado.  Na Própria Carne começa quando Leonardo Rivandeira (Eduardo Yáñes) é contratado pela bela Magdalena Dumont (Angélica Aragón) para desvendar os fatos que levaram a morte de sua filha Estefania (Edith Gonzáles) após seu sequestro anos antes. Ela relata ao detetive que após pedirem o resgate que ia ser pago por seu marido Octavio Muriel (Gonzalo Vega) no local combinado, os sequestradores fogem levando consigo a menina e que durante essa fuga, o avião explode e todos morrem. Antes de partirem Octavio consegue balear um dos assassinos, e o que mais chama a atenção é que ele possui uma prótese de ferro. Depois do acidente, Magdalena cai no mundo do alcoolismo e contrata esse detetive para saber o que aconteceu nos últimos dias de vida de sua filha. O que ela não contava é que o grande mentor do sequestro era seu próprio marido.

E para sua felicidade, Magdalena descobre que Estefania está viva e agora reside no Canadá, mas que com o acidente acabou ficando cega e trabalha como professora de crianças com a mesma deficiência. Ao saber que foi descoberto por sua esposa, Octavio mata Magdalena em uma festa dentro de sua própria casa. Após a morte de Magdalena, seu pai Alfonso Dumont (Raúl Meraz) contrata os serviços de Leonardo para que o mesmo possa desmascarar seu genro e provar que ele é assassino de sua filha. O engenheiro Muriel, matando a sua esposa ,acha que é o único herdeiro de Magdalena, que deixa registrado em seu testamento que suas córneas sejam doadas à sua filha para que a mesma recupere a visão.

Lembro-me bem das chamadas da estreia e do primeiro capítulo, bem sombrio. A cena em que Magdalena morre num carro dentro de uma piscina jamais saiu da minha memória. Também me lembro que achei extremamente cansativo o capítulo, que não acabava nunca, e acabei não acompanhando o desenrolar da trama nos sábados seguintes. Mas a novela que o SBT exibiu somente aos sábados merecia um registro por aqui!

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André Santana

terça-feira, 4 de abril de 2017

"Dancing Brasil" é legal, mas parece ter chegado atrasado

Em 2005/06, a Globo colocou no ar a Dança dos Famosos, quadro que se tornaria uma das maiores vedetes do Domingão do Faustão desde então. O quadro pegava carona nos reality shows de dança, que começavam a fazer um certo barulho na televisão mundial. O SBT logo percebeu e tratou de comprar os direitos de Dancing with The Stars, atração que deu início à febre, mas não chegou a produzi-lo fielmente. A emissora preferiu bancar uma versão do mexicano Bailando por un Sueño, da Televisa, e lançou o seu esquecido Bailando por um Sonho. Já a Globo disse que a sua Dança era uma criação própria e “inspirada” em programas internacionais, mas logo comprou os direitos de Strictly Come Dancing, uma variação do Dancing With The Stars, para garantir a continuidade do quadro de Fausto Silva.

Outros programas, em várias emissoras, trataram de “entrar na dança”, lançando diversos quadros que colocavam todo mundo pra dançar, de famosos a anônimos, de regras simples às mais complexas. Porém, passada a febre, ficou apenas a Dança dos Famosos mesmo, que já completa 13 edições no Domingão do Faustão, e sempre com sucesso. Não se fala em acabar com o quadro, o que garante mais alguns anos no ar.

Por isso mesmo, Dancing Brasil, a nova aposta da Record TV e versão brasileira oficial do Dancing with The Stars, parece ter estreado na televisão brasileira com dez anos de atraso. Foram tantas as variações do mesmo formato da atração, pela primeira vez montada no país com as características originais, que mesmo sendo uma “novidade”, já soa como mais do mesmo. O cenário suntuoso que emula uma pista de dança e o figurino de gala dos apresentadores, participantes e até da plateia, já soam como algo antigo, datado mesmo. Por isso mesmo, fica a dúvida se uma competição de dança envolvendo famosos terá o mesmo apelo que teria se tivesse sido lançada anos atrás.

Mesmo parecendo datado, o Dancing Brasil tem suas qualidades. É extremamente bem-feito, com uma produção caprichada e participantes muito bem escolhidos. O corpo de jurados formado por Fernanda Chamma, Jaime Arôxa (que foi jurado do Bailando por um Sonho, diga-se) e Paulo Goulart Filho é interessante e faz bons apontamentos. Além disso, a atração traz a apresentadora Xuxa Meneghel numa inédita posição de coadjuvante. Após o naufrágio do Programa Xuxa Meneghel, muito autocentrado e sem qualquer conteúdo, desta vez Xuxa surge como uma âncora de um programa que não é sobre ela. Na estreia, pré-gravado e talvez pela tensão natural, Xuxa não rendeu muito, embora não tenha decepcionado. Foi correta.

É interessante notar que Xuxa assume uma missão bem mais modesta, desta vez num programa de formato fechado e que não leva o seu nome. Talvez seja uma missão assim que a apresentadora precisava para se reinventar na televisão, tendo em vista o fracasso de suas últimas tentativas. A partir da semana que vem, Xuxa surgirá ao vivo, tendo a chance de deixar a sua marca num formato que se resolve sozinho. Uma boa oportunidade oferecida pela emissora para que ela, finalmente, encontre um rumo na televisão brasileira. Resta saber se o público ainda está interessado numa nova competição de dança. Aguardemos.

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André Santana

sábado, 1 de abril de 2017

"A Lei do Amor" revelou-se uma grande decepção

Infelizmente, temos que reconhecer: A Lei do Amor foi uma das maiores decepções do horário das nove da Globo dos últimos anos. E olha que a faixa já vem alimentando um histórico de decepções cheio de fortes concorrentes. Mas esperava-se muito da primeira novela das nove da Globo assinada por dois medalhões, os festejados Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. A dupla, dona de um currículo extenso de boas produções, assinaram, nos últimos anos, “apenas” duas das novelas das sete mais bacanas de todos os tempos, Ti Ti Ti e Sangue Bom. Ou seja, a promoção ao horário das nove já era esperada, e foi muito comemorada.

O que se viu depois disso foi a promessa de um resgate de folhetim mais tradicional, o que parecia uma boa ideia após novelas mais pretensiosas, como A Regra do Jogo e Velho Chico. E a primeira fase da produção fez jus à promessa, não economizando nos mas variados clichês do folhetim básico: um amor arrebatador, uma vilã pérfida com uma peruca importada do almoxarifado da Televisa, uma grande armação para separar o casalzinho e muitas reviravoltas. Era clichê, mas tudo muito bem escrito, com bons diálogos e personagens interessantes. A primeira fase de A Lei do Amor, mesmo com seu ar “cafona”, deixou uma boa impressão.

No entanto, o salto que separou a primeira da segunda fase tornou as coisas um tanto esquisitas. Pedro (Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu), o casal fofo separado por uma armação da vilã Magnólia (Vera Holtz), logo se reencontrou, esclareceu a armação do início e o relacionamento foi retomado. E só. O casal que protagonizou a primeira semana da obra revelou-se, adiante, totalmente desnecessário à trama. A primeira fase, assim, não teve qualquer razão para existir. Por outro lado, a segunda fase procurou narrar as desventuras da família Leitão no cenário político da cidade de São Dimas, fictício município da região metropolitana de São Paulo. Mag, era, de fato, a protagonista da obra. Era a vilã quem sustentava o fio condutor da trama a partir de seu segundo ato, posando de defensora da moral e dos bons costumes, enquanto armava para manter o seu poder diante da cidade. Sua história era, de fato, bastante interessante.

O problema é que esta história ficou diluída em meio a um sem-número de personagens que “invadiram” A Lei do Amor logo no início de sua segunda fase. Eram tantos jovens, interpretados por atores desconhecidos do grande público, que era bem complicado entender qual era a relação entre eles. A Lei do Amor, assim, ficou desfocada, parecia sem norte, e revelou-se uma trama na qual era difícil se envolver. Constatado o problema do excesso de personagens, os autores trataram de enxugar o elenco, dispensando vários nomes. Outro problema foi criado a partir daí, pois eram tantas cenas de despedidas, de personagens fazendo viagens inesperadas, que A Lei do Amor ficou enfadonha.

E a trama se perdeu ainda mais quando deu destaque ao casal jovem Tiago (Humberto Carrão) e Isabela (Alice Wegmann). O casal funcionou bem melhor como trama romântica, ao contrário de Pedro e Helô, e tiveram os holofotes voltados para si durante vários capítulos. A aproximação dos dois foi feita de maneira saborosa, os personagens eram simpáticos e tinham química. Letícia (Isabela Santoni), a ex de Tiago, neste entrecho, era a “chata”, o terceiro vértice deste interessante triângulo amoroso. Também trazia algo novo à trama, pois era uma menina doente que usava sua fragilidade para chantagear a todos que amava. Era chata, sim, mas era original e tinha uma função clara dentro do enredo. Mas a trama se perdeu completamente quando Isabela foi vítima de um atentado a mando de Tião Bezerra (José Mayer), outro vilão da trama. A mocinha desapareceu no mar e Tiago sofreu com sua ausência. Ai, Letícia, do nada, fica legal, os dois retomam e se casam. Muitos capítulos depois, surge Marina (Alice Wegman), uma “sósia” de Isabela que passa a atormentar Tiago.

Tudo desandou. Letícia passando a ser mocinha perdeu sua originalidade, Tiago tornou-se um mocinho frágil e a tal Marina não tinha qualquer razão de existir. Todo mundo achava que Marina era Isabela que voltou para “se vingar”, mas uma meia dúzia de provas plantadas acabou convencendo a todos que Marina não era Isabela. Ficou esquisito demais. Além disso, os autores parecem ter perdido o tempo da chegada de Marina. Quando ela entrou na história, tanto tempo já havia se passado que ninguém mais ligava para o mistério do desaparecimento de Isabela. Saber se Marina era mesmo Marina ou era Isabela disfarçada tornou-se um mistério do qual ninguém se importava. Tanto fazia. E, no capítulo final, a coisa terminou da pior maneira possível: Marina era mesmo Isabela que voltou para se vingar! Oh! Vingança muito tola, tendo em vista que estava bem claro aos olhos do público e de boa parte dos personagens que Tiago, claro, não havia tentado matá-la. A própria Marina/Isabela já tinha juntado várias pistas de que Tiago jamais tentou matá-la, até porque ele não tinha nenhum motivo para isso. Assim, a tal vingança de Isabela tinha um argumento excessivamente frágil. Não fez o menor sentido.

Falando em mudanças de perfil dos personagens, elas foram muitas em A Lei do Amor. Ciro (Thiago Lacerda), por exemplo, era um vilão interessante que mantinha um caso com a própria sogra, o que também despontava como um entrecho original. Entretanto, quando se livrou das garras de Mag e se arrependeu de suas armações, o personagem murchou. Ciro mudou quando se apaixonou por Beth (Regiane Alves), que entrou na história para chacoalhá-la e acabou saindo de cena cedo demais, quando Mag a matou. Outro problema de coerência se deu com Pedro, que sempre foi íntegro e correto, mas traiu Helô com uma ex-namorada sem qualquer motivação para tal. Se, ao menos, ele tivesse realmente se sentido dividido quando Laura (Heloísa Jorge) chegou ao Brasil, seria mais fácil acreditar no deslize. Mas não. Ele nunca se mostrou balançado com a ex. Apenas dormiu com ela. “Forçação de barra” para criar algum conflito para o casal principal, que andou em banho-maria a novela toda. Isso sem falar nas repetições constantes das tramas: Pedro descobriu três vezes que não sabia que tinha engravidado Helô e Laura; e Helô pegou Pedro na cama com outra duas vezes.

A trama política, que seria central em A Lei do Amor, virou uma pecha cômica de baixa qualidade. Neste contexto, Salete (Claudia Raia), uma personagem multidimensional e que tinha tudo para acontecer, ficou pelo meio do caminho. Não rendeu. Luciane (Grazi Massafera), a divertida personagem que queria ser a primeira-dama de São Dimas, foi um trunfo da novela do início ao fim, sem dúvidas. Mas não dá para negar que suas cenas, aos poucos, tornaram-se esquetes dentro da novela. Boas cenas, sim, mas sem grande importância para o andamento da trama. Mileide (Heloisa Perisse) e sua turma foi mais um caso de núcleo cômico sem graça e sem importância, que parece criado apenas para cumprir cota em qualquer novela. Não aconteceu.

Em meio a tantos erros, destacou-se em A Lei do Amor, apenas, o embate entre os vilões Mag e Tião. Ele nutria amor e ódio pela mulher, que se aproveitou dele o quanto pode. Numa queda de braço constante, a tensão entre eles deu algum tempero à história. Pena que Tião perdeu um pouco de força, pois, no início, era um vilão sutil. Aos poucos, tornou-se histriônico e caricato. Mesmo assim, Vera Holtz e José Mayer foram os grandes nomes da novela. E merecem aplausos também as performances de Tarcísio Meira (Fausto Leitão), Pierre Baitelli (o simpático Antonio), Regina Braga (Silvia), Camila Morgado (a perturbada Vitória), além dos já mencionados Grazi Massafera e Thiago Lacerda. Mesmo sem história, Claudia Abreu foi uma mocinha digna, enquanto Reynaldo Gianecchini, com um personagem fraco, esteve no piloto automático.

Tantas mudanças e histórias que ficaram no meio do caminho aconteceram, dizem, numa tentativa de adequar A Lei do Amor ao gosto do público. O que mostra que intervir no andamento de uma novela problemática não é a melhor solução, pois desfigura a trama de tal modo que não consegue atrair um novo público e, ainda, afasta o público inicialmente conquistado. Uma pena. A Lei do Amor criou as melhores expectativas e saiu de cena lotada de problemas.

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André Santana