Primeiro reality show produzido pela Globo, láááá em 2000, No Limite teve uma trajetória irregular. Sua primeira temporada foi uma verdadeira febre, bateu recordes de audiência nas noites de domingo e se tornou assunto em todas as rodas de conversa. A segunda temporada não repetiu o mesmo frisson, mas esteve longe de ser um fiasco. Já a terceira leva encontrou pela frente outra febre, a primeira Casa dos Artistas, e acabou tombando diante de Supla, Bárbara Paz e cia.

Com isso, a Globo apostou suas fichas no Big Brother Brasil e engavetou No Limite. Que só retornou em 2009, numa tentativa da emissora de retomá-lo, mas que também não deu muito certo. Porém, agora, em tempos de pandemia, o reality show de confinamento se tornou um dos poucos formatos viáveis na TV. Ou seja, seria um bom momento para retomá-lo.

Assim, na última terça-feira, 11, a Globo lançou a tardia quinta temporada de No Limite. Foi uma estreia interessante, que retomou o clima de aventura das primeiras temporadas, com belas paisagens e duros desafios aos participantes. O formato também segue o mesmo, com os concorrentes divididos em duas tribos que disputam provas que valem mantimentos e utensílios. Além disso, há a prova de eliminação, na qual o time perdedor vota entre si para eliminar um concorrente.

Os resultados de audiência foram modestos, comparados aos dos primeiros anos, ou comparado ao BBB, programa que No Limite sucedeu na grade. Ou seja, é bem pouco provável que o reality volte a ser febre ou gere a mesma comoção que o confinamento da mansão da Globo. No entanto, dado o contexto atual onde são poucos os formatos possíveis, trata-se de um bom entretenimento. É divertido, gera torcida e emociona. 

Interessante notar que a Globo optou por trazer participantes do BBB ao No Limite. A intenção é clara: trazer o fã de Big Brother para a nova atração. Além disso, com figuras já conhecidas, há um inegável potencial de engajamento. Porém, na prática, a aposta em ex-BBB’s deu ao No Limite uma “cara” de A Fazenda. Afinal, ex-BBB’s podem ser enquadrados na categoria “famosos quem?”, tipo de celebridade que costuma dar as caras no reality da Record.

Além disso, a própria Record já fez uso de ex-BBB’s em várias edições de A Fazenda. Ou seja, se a Globo fornece “material” para a concorrência, por que não ela mesma fazer uso disso? Se a decisão de apostar em ex-BBB’s terá algum resultado prático, em termos de engajamento ou repercussão, não se sabe. Porém, se não servir como propulsão, também não compromete. 

O primeiro episódio divertiu com os perrengues dos participantes. Mas teve suas falhas. Uma delas, como bem apontou Mauricio Stycer no UOL, foi não ter apresentado os ex-BBB’s. Seria interessante contextualizar e avisar ao público quem são eles e que relações existem entre todos. Outra falha foi a mudança da trilha sonora. A música tema original era muito mais emocionante! Por fim, André Marques não se revelou a melhor opção para o comando. O apresentador parece desanimado. Falta energia.

Porém, no geral, a estreia de No Limite disse a que veio. Neste momento em que a produção televisiva ainda tem seus obstáculos, por conta da pandemia, qualquer tentativa de oferecer entretenimento inédito é bem-vinda. Vale a aposta.

André Santana