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| Rodrigo Lombardi como Herculano em O Astro (divulgação) |
Em uma movimentação estratégica para fortalecer sua grade noturna a partir do ano que vem, a TV Globo decidiu retomar a produção de novelas inéditas na faixa das 23h. De acordo com Carla Bittencourt, colunista do Portal Leo Dias, o canal já escalou o experiente autor Ricardo Linhares para liderar esse retorno.
Para compreender o impacto dessa decisão, é preciso voltar no tempo e relembrar a obra que inaugurou esse formato em 2011: o memorável remake de O Astro.
Concebida originalmente para celebrar os 60 anos da telenovela no Brasil, a nova versão de O Astro nasceu como uma aposta audaciosa da emissora para estancar a oscilação de audiência no fim de noite. Escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, sob a direção geral de Mauro Mendonça Filho e núcleo de Roberto Talma, a atração sintetizou a obra-prima de Janete Clair (exibida em 1977) em enxutos 64 capítulos. A proposta de criar uma "macrossérie" ou "novela das onze" provou ser o formato ideal para prender o telespectador diante da tela.
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O retorno de um clássico
A trama central acompanhava a ascensão de Herculano Quintanilha, interpretado por Rodrigo Lombardi. Após ser traído pelo comparsa Neco (Humberto Martins) em um golpe no interior, Herculano vai parar na prisão, onde conhece o místico Ferragus (Francisco Cuoco, o Herculano original de 1977). Ao sair da cadeia dominando as artes da ilusionismo e da paranormalidade, ele passa a se apresentar em uma casa noturna no Rio de Janeiro, onde conhece seu grande amor, a empresária Amanda (Carolina Ferraz).
A trajetória do protagonista se entrelaça com o poderoso e conturbado império da família Hayalla. Herculano torna-se mentor do jovem e rebelde Márcio Hayalla (Thiago Fragoso), que vivia em permanente choque ideológico com o pai, o despótico patriarca Salomão Hayalla (Daniel Filho). O assassinato misterioso de Salomão no capítulo 15 impulsionou o suspense da narrativa e garantiu picos de audiência, deflagrando uma disputa feroz pelo controle das empresas entre Herculano e o vilão Samir Hayalla (Marco Ricca).
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Sucesso
Produzida com estética refinada e cenas ousadas, O Astro não economizou em momentos marcantes, como a cena em que Márcio Hayalla surge completamente nu na festa de aniversário do Grupo Hayalla. Além do casal protagonista, o elenco brilhou com atuações marcantes de Alinne Moraes (Lili), Regina Duarte (Clô Hayalla), Henri Castelli (Felipe) e Fernanda Rodrigues (Jôse). O resultado de todo esse esmero culminou na conquista do Prêmio Emmy Internacional de Melhor Telenovela em 2012.
A recepção do público e da crítica confirmou o sucesso da empreitada. A estreia cravou ótimos 28 pontos no Ibope, consolidando a faixa das 23h como um espaço nobre para narrativas viscerais e sem as amarras da censura do horário comercial.
O êxito abriu caminho para a continuidade da faixa “novela das onze”, e a Globo apostou em outros remakes de clássicos nos anos seguintes: Gabriela (2012), Saramandaia (2013) e O Rebu (2014). No ano seguinte, a emissora passou a apostar em textos inéditos no horário, com Verdades Secretas (2015) e Liberdade Liberdade (2016). A partir de 2017, a Globo adotou o título “supersérie” para a faixa e lançou as também inéditas Os Dias Eram Assim (2017) e Onde Nascem os Fortes (2018).
Depois disso, a emissora desistiu da faixa de novelas das onze/superséries, preferindo concentrar seus esforços em produções originais para o Globoplay. Surgiram então Verdades Secretas 2 (2021), Todas as Flores (2022) e Guerreiros do Sol (2025), que posteriormente foram exibidas na Globo e, de certo modo, resgataram a faixa “novela das onze” (ou, no caso de Todas as Flores e Guerreiros do Sol, “novela das dez”).
Guerreiros do Sol, aliás, fez sucesso na TV aberta e animou a Globo a voltar a produzir tramas inéditas para o horário. Uma ótima notícia!
André Santana
16/07/2026

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