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| Adriana Esteves reviverá Carminha em Filhos do Divino (reprodução) |
A faixa das 21h da TV Globo sempre foi tratada como o coração financeiro e cultural da emissora. No entanto, os bastidores do horário mais cobiçado da televisão brasileira hoje vivem um cenário de indefinição. Atualmente, o público acompanha Quem Ama Cuida, folhetim assinado por Walcyr Carrasco e Claudia Souto. Mas pouco se sabe o que virá depois.
Por enquanto, o único porto seguro da emissora para o pós-Carrasco é Filhos do Divino, obra de João Emanuel Carneiro. A trama, que continuará o fenômeno Avenida Brasil, focada no icônico bairro do Divino e na volta de Carminha (Adriana Esteves), tem sua estreia prevista para o início de 2027. Após isso, o cenário se torna uma completa folha em branco, gerando especulações sobre os rumos da teledramaturgia da casa.
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Fila de autores
De acordo com informações do jornalista Flávio Ricco, do Portal Leo Dias, a alta cúpula da Globo começou a movimentar as engrenagens para resolver essa questão. Dois nomes da nova geração de autores do canal estão com sinopses em estágio de avaliação: Manuela Dias e Bruno Luperi. A análise desses textos corre sob sigilo e critérios rigorosos, já que errar o tom na faixa das 21h custa caro tanto em audiência quanto no mercado publicitário.
A escolha entre esses dois perfis ditará o tom da emissora para o final de 2027. Manuela Dias traz em seu histórico a densidade urbana de Amor de Mãe (2019) e a responsabilidade de assinar o remake de Vale Tudo (2025), demonstrando trânsito pelo drama realista e contemporâneo. Já Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, consolidou seu nome no horário nobre através da grife dos remakes rurais, como Pantanal (2022) e Renascer (2024), carregando uma assinatura mais épica, contemplativa e ligada ao Brasil profundo.
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Planejamento
Essa prudência exagerada e a falta de uma fila longa refletem um momento de transição na própria forma de produzir novelas. A Globo reduziu drasticamente seu banco de autores fixos nos últimos anos e passou a depender de contratos por obra ou de núcleos criativos muito enxutos. O resultado é uma menor margem para manobras: se uma sinopse é rejeitada ou se o autor pede mais tempo para desenvolver os capítulos, a engrenagem ameaça parar.
A escassez de novelistas veteranos ativos no horário nobre obriga a emissora a queimar etapas ou a sobrecarregar os mesmos nomes de sempre.
Ficar refém de uma fila que só tem João Emanuel Carneiro confirmado evidencia o tamanho do desafio que a direção de teledramaturgia tem pela frente. Enquanto o sinal verde para Luperi ou Manuela não vem oficialmente, o mercado e os telespectadores seguem tentando adivinhar quem receberá o bastão do horário nobre.
André Santana
23/06/2026

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