sábado, 22 de fevereiro de 2020

Com "Alerta Nacional", RedeTV dá vários passos para trás

"Já fumou sua maconha hoje?"

Alerta Nacional é, até aqui, a grande aposta da RedeTV para 2020. No ar há quase um mês, o “jornal” policial só teve um único mérito até aqui: mostrar para todo o Brasil a grande inspiração de Jorge Bevilacqua (Welder Rodrigues), o afetado (e divertido) apresentador do Jardim Urgente, quadro do Tá no Ar, da Globo. Sikera Jr. e o personagem se confundem, tamanha a semelhança. É de um jeito atabalhoado e falastrão que o apresentador comanda um jornal policial, resultando numa estranha mistura entre violência e humor.

Alerta Nacional é a versão para todo o país do Alerta Amazonas, atração que Sikera comanda, com sucesso, em Manaus (AM). É um tipo de formato que encontra muita força em emissoras regionais, já que leva para a tela situações e personagens próximos de quem os assiste. No entanto, parece um formato ultrapassado em um programa de proporções nacionais. Um apresentador que exibe matérias policiais e profere discursos demagogos não rende mais atenção como um dia já rendeu.

Alerta Nacional bebe da fonte do Cadeia, de Alborghetti, uma referência no segmento. Depois dele, foi Ratinho quem deu continuidade ao formato, no lendário 190 Urgente. José Luiz Datena é outro “herdeiro” do ramo, imprimindo este estilo ao Cidade Alerta, da Record e, posteriormente, ao Brasil Urgente, da Band. A própria RedeTV já teve um similar, Repórter Cidadão, que foi apresentado pelo próprio Datena, além de Marcelo Rezende.

Porém, Sikera Jr. representa o que há de pior neste formato. É como se a RedeTV desse vários passos para trás, ao trazer de volta um estilo narrativo que parecia morto e enterrado, ao menos em emissoras de rede nacional. Sikera trata as notícias policiais com um humor que não cabe, repetindo velhas máximas conservadoras que amplificam comentários preconceituosos. Ou seja, ao mesmo tempo em que o apresentador defende a polícia cegamente, defende que “bandido bom é bandido morto” e julga e condena qualquer pessoa baseado apenas no que vê nas matérias, ele também faz piadinhas de cunho sexista, machista e homofóbico. Isso sem falar na insistência em falar que tudo é “maconha”, num discurso que evidencia a sua total ignorância. Porém, trata-se de um discurso que parece bastante alinhado ao atual governo, o que explica o seu espaço nacionalmente pela RedeTV.

Porém, a história mostra que se trata de um formato de vida curta. Os programas remanescentes do segmento, Cidade Alerta e Brasil Urgente, tiveram que se adaptar para sobreviverem. Hoje, o Cidade Alerta se mantém graças aos casos policiais que acompanha, que transformaram o programa numa “novelinha” (e que também rende momentos controversos, como no caso exibido nesta semana, no qual uma mãe soube da morte de sua filha no ar, ao vivo. Lamentável...). Já o Brasil Urgente se pauta na prestação de serviço, com assuntos que interessam aos moradores de São Paulo e garantem a audiência da capital paulista.

Neste contexto, Alerta Nacional tenta resgatar o “espírito” de Alborghetti e companhia. Porém, Sikera Jr não tem um décimo do carisma do pioneiro e seus seguidores mais famosos. Ele só chama alguma atenção justamente pelos seus gracejos no estilo “tiozão do pavê”, com micagens feitas para repercutir nas redes sociais. Algo que pode até funcionar inicialmente, afinal, não deixa de ser uma novidade inusitada. Porém, a tendência é que o estilo vá perdendo força. No momento, Alerta Nacional aumentou a audiência em seu horário de exibição, o que era até previsível, afinal, ele sucedeu o inexpressivo Tricotando. Mas não deve ir muito além disso. Basta lembrar do Denúncia Urgente, do “Eddie Zap”, que começou bem, mas logo perdeu fôlego. Alerta Nacional tem um formato com data de validade. Felizmente.

André Santana

8 comentários:

  1. Não gosto desse cidadão, me passa arrogância e muito cinismo
    Sei que no Amazonas tem fã (?) Que são doentes por eles
    Bato na tecla não tem o que por ? Poem desenhos ,animes japonês as 18 horas, traz mais credibilidade

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    1. Rede TV podia seguir a tradição da manchete ..ao menos feuxaca algum legado

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    2. Caio e Miguel, só posso dizer que concordo demais com vocês!

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  2. O Sikera Jr eu diria que é o último remanescente da escola de Alborghetti trazendo humor pra tanta desgraça, mas não sei se isso vai durar um verão até porque a Rede TV não sai do quinto lugar no Ibope.

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    1. Mas ele nem ao menos chega aos pés do magnetismo do Alborghetti!

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  3. Ele parece Sai do de programas a de humor tipo zorra tem.um vídeo do bandidi chegando no inferno e ele encomendando a alma...a careta que ele faz e muito estranha. .mas o povo gosta das coisas que ele fala .muitas coisas inclusive politicamente incorretas mesmo

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    1. Eu acho criminoso dar voz a uma pessoa que só sabe disparar preconceitos.

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  4. Não me surpreende que a RedeTV tenha ido buscar na TV regional do Amazonas um apresentador desse naipe para pôr no ar sua mais nova atração policialesca, afinal o baixo nível é a tônica da emissora desde que teve a ideia de se popularizar para competir com as grandes redes (João Kleber que o diga). E o Sikera só tem essa fama toda porque bebe da mesma fonte dos apresentadores regionais como já supracitado: todos caricatos e com apelo preconceituoso (é só lembrar do apresentador nordestino que foi demitido por causa de piadinha sobre a Pabllo). Aliás, o viés cômico tem se tornado uma constante, não só nos policialescos, como também nos programas de esporte. Lembro que a Band tentou inovar nesse quesito com o Esporte Total na Geral, e foi infeliz, pois humor com notícia não é um amálgama dos melhores. E outra, esses Sikeras que tem pelos rincões do Brasil sabem que vão bombar no Youtube com suas micagens, daí a irreverência mordaz do referido apresentador. E falando em Amazonas, faltou mencionar o Canal Livre da TV Em Tempo afiliada do SBT, que nada mais é que uma extensão da bizarrice do Sikera e cia ltda. Saudades do finado Noticias das Seis /Sete. Lembrando também que a RedeTV já tinha quebrado a cara com um formato similar apresentado pelo Faccioli. Então não dá pra esperar vida longa do Alerta Nacional.

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