sábado, 19 de janeiro de 2019

Com renovação de humorísticos, Globo busca novo público

"Fecha a conta e passa a régua!"

Nos últimos anos, foi intensa a movimentação da Globo no intuito de repaginar sua programação humorística. Após experiências pontuais, a emissora foi apostando cada vez mais fundo em jovens comediantes, tentando se aproximar de uma geração de espectadores acostumada a consumir vídeos na internet. Assim, depois de alguns murros em ponta de faca, a emissora foi acertando a mão. E a atual grade, com Tá no Ar às terças e Lady Night às quintas, mostra que o canal achou o caminho.

O empenho em renovar o humor ficou evidente quando a emissora tratou de substituir o cansado Zorra Total pelo atual Zorra. Saíram os esquetes enormes, cheios de bordões e piadas batidas, e entraram esquetes rápidos sobre o cotidiano. Muitos chiaram, mas a boa audiência do Zorra mostrou que a direção da Globo foi feliz na mudança. A inspiração, sem dúvidas, foi a boa repercussão do Tá no Ar – A TV na TV, um grande acerto do canal, que chega agora à sua última temporada.

Os seis anos do Tá no Ar foram fundamentais para que este “novo” humor da Globo se estabelecesse. A atração agradou o público e a crítica ao brincar com o efeito “zapping”, trazendo esquetes que emulavam os mais variados canais de televisão. O formato permitiu brincar com todos os canais de TV, bem como satirizar o cotidiano, abusar do besteirol e, principalmente, promover ácidas críticas políticas e sociais. A boa aceitação do humorístico abriu espaço para a grade atual, que aposta num humor mais contemporâneo, crítico e em sintonia com os assuntos da atualidade. Assim, a Globo, outrora sempre tão engessada, hoje tem o humor mais livre e crítico da televisão aberta brasileira.

Um exemplo disso é o mesmo Tá no Ar, que estreou sua última temporada na terça-feira, 15. Em meio a muitas cenas divertidas e inspiradas, o esquete da Vila Militar do Chaves viralizou e se tornou um dos assuntos da semana. Na cena, Marcelo Adnet encarna o militar Jair e, imitando o presidente Jair Bolsonaro, se colocou como o novo dono da vila do Chaves. Ali, chamou Chaves, Seu Madruga e Professor Girafales de “va-ga-bun-do” e tratou de prender todo mundo. Ou seja, o programa brincou com Chaves, um clássico da concorrência e, ainda, lançou um olhar crítico ao novo governo, algo raro nas TV’s abertas atualmente, quase todas alinhadas à atual gestão.

Além do Tá no Ar, a atual grade da Globo apresenta o talk show Lady Night às quintas-feiras. A emissora surpreende ao escalar, para sua linha de shows, um programa que não é original seu, e sim do Multishow, da Globosat. E a aposta se mostrou acertada, tendo em vista que o programa de Tatá Werneck é um dos melhores achados da televisão brasileira dos últimos anos. Ali, o besteirol rola solto no bate-papo entre Tatá e seu convidado. O humor da apresentadora acaba levando o convidado a se soltar e se desconstruir. Soou familiar? Sim, esta era a proposta do extinto Adnight, de Marcelo Adnet, que ocupou o mesmíssimo horário anos atrás. Lady Night, de estrutura bem mais simples, é infinitamente mais eficiente na proposta. E a audiência não decepcionou.

Depois de apostas equivocadas, como os malfadados Divertics, Tomara que Caia e o próprio Adnight, a Globo vai azeitando a fórmula de seus novos programas de humor. Além de Zorra, Tá no Ar e Lady Night, o canal ainda exibe Choque de Cultura, com uma linguagem bem diferente das atrações do gênero na TV aberta, e que também diverte bastante. E a promessa é que um novo formato, ao vivo, substitua o Tá no Ar na grade a partir do ano que vem. Seria uma versão Globo do Saturday Night Live? Aguardemos.

André Santana

5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Comentarei hoje no meu blog sobre o Lady Night. Sobre o post anterior: caso a Globo desloque a Ana Maria para a tarde, é proposital. É para queimá-la mesmo....Igual ao Legendários...Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Ela não marca isso....tomar a que ela vença a tarde. .e so por umas fofocas também

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    2. Oi Fabio! Sua opinião sobre a Ana Maria até que faz sentido mesmo. Mas seria um tiro no pé. Não vejo nada que a Globo possa fazer nas manhãs que dê a mesma audiência e o mesmo faturamento de Ana Maria. Seria trocar um produto certeiro por uma novidade que dificilmente ultrapassaria o teto do Mais Você. Acho lamentável, mas... vamos ver. Abraço!

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  2. O sábado era um dia bom pra testar um similar ao saturday night Live ...usaca o elenco da ta no ar e zorra...real mente os programas sw humor tem salvado a Globo umtimamente em epoca de novelas ruins..o especial a gente riu assim foi bem engraçado e diferente

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    1. Concordo, Miguel! Só o fato de a Globo produzir um especial de fim de ano nos mesmos moldes de seus humorísticos atuais mostra que o canal tem apostado muito neles.

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