sábado, 4 de março de 2017

Depois de mudanças infundadas, SBT perde vice-liderança para Record

Desde que Silvio Santos voltou a colocar o dedo na grade de programação do SBT, diversas mudanças intempestivas já aconteceram. Nos últimos meses, o “patrão” já criou às pressas o Fofocando, escalou Dudu Camargo para o Primeiro Impacto, mexeu na faixa Novelas da Tarde, trouxe a enésima reprise “relâmpago” de A Usurpadora, trocou o horário do Fofocando até jogá-lo para as manhãs e extingui-lo algum tempo depois, transformou o Fofocando no Fofocalizando nas tardes, dispensou Raul Gil, recontratou Raul Gil, extinguiu o Domingo Legal e o Sabadão, retomou o Domingo Legal, dispensou Hermano Henning, trouxe Marcão do Povo para dividir o espaço do Primeiro Impacto com Dudu... ufa!

Com tantas mudanças, o objetivo seria melhorar a audiência do SBT, certo? No entanto, não foi isso que aconteceu. Após tanto estica-e-puxa, a emissora de Silvio Santos viu sua audiência cair e, no mês de fevereiro, perdeu sua suada vice-lideranças nas 24 horas no Painel Nacional de Televisão para a Record, algo que há tempos não acontecia. Segundo o site Observatório da Televisão, no último mês, a Record superou o SBT por um placar de 5,6 pontos de média, 8% a mais que a rede de Silvio Santos, que caiu para 5,2 pontos. Com o arredondamento, a Record garante vantagem de 1 ponto em relação à concorrente: 6 pontos de média contra 5 pontos, segundo pesquisa do Kantar Ibope Media. Em São Paulo, a situação não é diferente: também em relação às 24h, o canal de Edir Macedo ostenta a vice com vantagem: 6,1 a 5,5 pontos.

Observa-se, em meio a todo este cenário estranho, que o SBT, em pouco mais de 10 anos, deu um giro de 360º em sua trajetória. Afinal, 2006 foi o ano em que a Record deu um grande salto de audiência, quando investiu pesado em programação e consolidou sua teledramaturgia e seu jornalismo. Neste cenário, o canal de Silvio Santos parou de investir e sucateou a grade, acarretando na perda da vice-liderança que tanto orgulhava o SBT. Em 2006, o canal fez uma série de mudanças absurdas também, abrindo espaço para que a Record avançasse. Foi neste ano que Silvio Santos resolveu colocar Hebe, que ia bem às segundas, nas noites de sábado, derrubando a audiência do programa de Hebe Camargo de uma maneira que ela nunca mais conseguiu recuperar. A programação vespertina mudava a todo momento, incluindo mudanças malucas de horário e formato do Charme e Programa do Ratinho. Cristal, seu lançamento de novela, ganhou investimentos, mas não reagiu no Ibope. Ídolos e Supernanny foram as únicas atrações do ano que fizeram algum sucesso.

No final do ano, a situação do SBT diante da Record era desastrosa. Assim, em 2007, o canal lançou sua já lendária campanha “arrancada da vitória”, na qual anunciava aos quatro ventos que voltaria a ser vice-líder. No pacote de novidades, havia uma reformulação do SBT Brasil, o lançamento da novela Maria Esperança e uma linha de shows na faixa das 20 horas, onde a Record ainda reinava com suas novelas. Na linha, Ratinho voltava ao ar apresentando o show de calouros Você É o Jurado (nas noites de terça), enquanto Celso Portiolli voltava aos games no Curtindo com Reais, nova versão do Curtindo Uma Viagem (às sextas). Charme virava um interessante talk show na madrugada, após o Jornal do SBT. Aos sábados, o canal ressuscitava o “lendário” Viva a Noite, com apresentação de Gilmelândia. Aos domingos, Silvio Santos reassumia o início da tarde com programas como Tentação e 1º Campeonato de Dança.

Em meio a tantas novidades, a verdade é que a “arrancada da vitória” revelou-se um belo fiasco. Logo, a linha de shows das 20h desapareceu (para ser retomada com outros programas em 2008). Enquanto isso, Charme deixou as madrugadas para voltar para as tardes, deixou de ser talk show para virar um chato game por telefone e, no fim do ano, até o Fantasia foi ressuscitado nas madrugadas (e depois de tarde, depois de madrugada de novo, depois de tarde de novo... enfim). Viva a Noite deixou a programação noturna para ser exibido no fim de tarde. Enfim, nada sobrou da “arrancada da vitória”. E, nos anos seguintes, as mudanças continuaram constantes, seja com o “novo” Aqui Agora, com o lançamento da novela Lalola e outras mudanças de baixa repercussão. Nesta época, apenas a reprise de Pantanal conseguiu dar uma refrescada na situação do SBT.

Apenas a partir de 2009, o SBT começou, de fato, a esboçar uma reação. O canal reformou suas tardes com o relançamento do Casos de Família e do Programa do Ratinho (que, depois, voltou para as noites, onde está até hoje), trouxe nomes da Record em represália à perda de Gugu e, principalmente, passou a realizar mudanças mais coerentes em busca de uma grade fixa. Fez estudos e testes, lançou e relançou programas e, aos poucos, a grade foi sendo redesenhada e organizada. Chegou-se a um modelo vitorioso, com infantis pela manhã, novelas à tarde e uma noite composta por novelas infantis, Ratinho e linha de shows. E a audiência correspondeu, fazendo com que, finalmente, o SBT parasse de realizar mudanças sem propósito ou planejamento.

Pois 2017 chegou obscuro, dando a impressão de que a tal “arrancada da vitória” está de volta. O canal está popularizando seu jornalismo, setor no qual lutou tantos anos para conseguir consolidar, e parece estar indo na contramão do que seu público quer. E, ainda, está fazendo errado, pois investe apenas em apresentadores de performance duvidosa, esquecendo-se de lhes dar um mínimo de estrutura. Fofocalizando segue no ar, mas continua ruim, sobretudo com a insistência de colocar seus apresentadores sempre brigando uns com os outros. Paira no ar um projeto de novo jornalístico na hora do almoço, também popular e na base do grito, para concorrer com o Balanço Geral, mas, de novo, sem a mesma estrutura da Record. A única ideia boa até aqui é o novo sábado, com as estreias de Operação Mesquita e Fábrica de Casamentos, hoje, 04, e a volta do Show do Milhão no dia 11.

O SBT perdeu a vice-liderança nacional em fevereiro. E corre o risco de continuar em baixa se continuar a insistir em mudanças tolas e feitas sem nenhum critério, estudo ou planejamento. A emissora não precisava de uma nova “arrancada da vitória”.

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André Santana

9 comentários:

  1. Erros de planejamento causaram a perda da vice liderança pra Record, e dez anos depois daquela arrancada da vitória que se transformou em arrancada da decadência vemos de novo o SBT mudar de forma desordenada, pois Tio Silvio esqueceu de que televisão é hábito, agora pelo que li das declarações de Marcelo Silva dizendo que a emissora não pensa mais na Globo deu uma cutucada no SBT, ou seja a guerra pela vice liderança vai ferver.

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    1. Parece que a Record e o SBT vivem trocando de papéis. Quando a Record acerta a grade, o SBT começa a mudar feito louco. Depois, o SBT acerta, e é a Record que começa a fazer mudanças esdrúxulas. Agora, mudou de novo! Vai entender...

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  2. Tô achando que a situação não vai mudar muito não: https://tvefamosos.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2017/03/04/silvio-santos-escolhe-diretor-do-programa-da-filha-patricia-ele-mesmo.htm

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  3. Gente, o que será que aconteceu para voltar a ser esta confusão?

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    1. Silvio Santos voltar a meter o dedo dele na programação. Simples assim.

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    2. Pois é, Silvio Santos parece que despertou de um longo sono e anda com a macaca. Uma pena!

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  4. Silvio santos é teimoso em relação sua grade ,parece que mesmo um programa e não agradando e ele deixa no ar e como uma pirraça e parece caso de Dudu Camargo e do Focalizando! Esse ultimo programa vive de reportagens antigas de superação ,narradora melosa e exagerada ,giros de famosos ,top 10 longos com 1o min
    Sem contar que no estúdio acho 4 um número muito alto de apresentadores ,e mais um no rio de janeiro em link, vira uma bagunça
    Tenho consideração pela mama e leão lobo que funcionam bem como comentaristas
    Mara e Décio estão ali para causar e brigar entre si ..Só lamento !
    Silvio insiste em ser teimoso e não mexer devidamente na atração com um âncora que passe credibilidade e mais conteúdo

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    1. Eu gosto muito do Décio Piccinini e da Mamma Bruscheta. Mara é um horror, e o Leão só fica atacando seus desafetos, além de chupinhar notas alheias. Fofocalizando não me desce!

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