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| Eliana no Tudo É Possível (divulgação/Record) |
Para o público que acompanhou a trajetória de Eliana ao longo das últimas décadas, é impossível dissociar a imagem da comunicadora das grandes arenas dominicais ou do universo infanto-juvenil que marcou o início de sua carreira. No entanto, o ano de 2004 guardava uma reviravolta drástica que quase reescreveu essa história por um caminho completamente diferente: o do horário nobre.
Em setembro de 2004, conforme noticiado na época por veículos como a Folha de S. Paulo (na coluna de Daniel Castro) e o jornal O Estado de S. Paulo (pela jornalista Keila Jimenez), a Rede Record surpreendeu o mercado ao anunciar o fim do Programa Eliana, game juvenil comandado pela loira nas tardes da Record, para o dia 12 de outubro daquele ano.
Após mais de uma década dedicada integralmente ao público infantil e infantojuvenil, fase em que se despediu dos "baixinhos" e mirou no público mais teen, a apresentadora recebeu da direção o aval para uma guinada radical rumo ao público adulto.
O plano original desenhado pela cúpula da emissora previa que, após um período de transição e participações em projetos especiais de verão ao lado de nomes como Márcio Garcia e Ana Hickmann, Eliana estrearia um programa semanal e noturno nas noites de terças-feiras, por volta das 22h ou 22h30, a partir de março de 2005.
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A busca pela 'Eliana mulher' e os bastidores do projeto
A mudança, tratada pela imprensa da época como uma verdadeira "crise de identidade" estratégica da Record, exigiu preparação intensa da apresentadora. Como destacou o Jornal do Brasil em setembro de 2004, Eliana passou a frequentar sessões de fonoaudiologia com um objetivo claro: "Quero parar de vez de falar no diminutivo", declarou na ocasião.
A própria artista brincava com a nova fase, afirmando à época que deixaria de ser associada apenas aos "dedinhos" para encarnar uma faceta mais madura, inspirando-se em grandes referências da televisão como Hebe Camargo e o formato de entrevistas de Jô Soares.
Contudo, tirar o projeto do papel provou ser uma verdadeira via-crúcis. O que era para ser uma estreia na primavera de março de 2005 foi sucessivamente adiado. Em janeiro de 2005, a Folha de S. Paulo apontava que a ideia inicial de um reality show nos moldes do Troca de Família havia emperrado por falta de acerto de direitos com estúdios estrangeiros. O formato, vale lembrar, acabou estreando em 2006 na emissora, sob o comando de Patrícia Maldonado.
Meses depois, em março de 2005, o então presidente da Record, Alexandre Raposo, confirmava à imprensa que a atração noturna sairia em abril, focada em debates de relacionamentos entre homens e mulheres com o apoio de especialistas, mas sem o formato engessado de "namoro na TV". Gravou-se piloto, exigiram-se reformulações e ajustes criativos pela direção, conforme noticiado por Daniel Castro em junho daquele ano, o que esticou ainda mais a corda da ansiedade nos corredores da emissora.
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O nascimento do Tudo É Possível nos domingos
A indefinição sobre o formato noturno ideal, somada às necessidades de grade da emissora, acabou fazendo com que o projeto de auditório noturno fosse completamente remodelado. Em vez de ocupar as noites de terça-feira, o esforço de transição de Eliana para o público adulto encontrou seu verdadeiro habitat nas tardes de domingo.
Em julho de 2005, noticiou-se a guinada definitiva: no dia 7 de agosto daquele ano, estreava o Tudo É Possível, ocupando a faixa vespertina dos domingos e colocando a apresentadora diretamente na disputa de audiência contra a primeira parte do Domingão do Faustão. O programa misturou quadros de variedades, jornalismo de comportamento, entrevistas e gincanas, transformando o que seria um projeto intimista de horário nobre em uma das maiores vitrines populares da televisão brasileira. O carro-chefe inicial era o quadro Saindo com a Sogra, formato importado que agradou o público de cara e fez a audiência dos domingos da Record subir. E o resto é história.
Olhando em perspectiva, o quase-nascimento do programa noturno de Eliana em 2004 ilustra bem a volatilidade da programação televisiva daquela década. Se o plano original tivesse vingado nas noites de terça, a trajetória da loira na TV teria tomado um rumo totalmente distinto. No fim das contas, o desvio de rota acabou pavimentando o caminho para que ela se tornasse uma das maiores potências dos domingos da TV nacional. A loira segue firme e forte aos domingos há mais de 20 anos, passando pelo SBT até chegar à Globo, onde atualmente comanda o Em Família com Eliana.
André Santana
30/10/2026

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