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Reprise de Pantanal pode resolver armadilha que Globo criou para ela mesma

Jove (Jesuíta Barbosa) e Juma (Alanis Guillen) em Pantanal
Jove (Jesuíta Barbosa) e Juma (Alanis Guillen) em Pantanal (divulgação)

Prestes a entrar na reta final, a reprise de Avenida Brasil (2012) no Vale a Pena Ver de Novo ainda não tem substituta. Pipocam várias candidatas ao posto na imprensa especializada, como Páginas da Vida (2006), e aquelas que sempre aparecem na bolsa de apostas e nunca se concretizam, casos de Salve Jorge (2012) e A Dona do Pedaço (2019).

Mas outra opção surgiu na bolsa de apostas. De acordo com Gabriel Vaquer, colunista da Folha de S. Paulo, Pantanal (2022) apareceu entre as possibilidades. A direção da Globo estaria estudando a ideia de reprisar o folhetim, remake do clássico de Benedito Ruy Barbosa. A trama foi o maior êxito do horário nobre da emissora no pós-pandemia.

O repeteco de Pantanal resolveria uma armadilha que a Globo criou para si mesma. Afinal, já faz alguns anos que o canal virou refém das reprises das mesmas novelas de sempre. Com a reprise de Pantanal, o Vale a Pena Ver de Novo pode voltar à sua proposta inicial, que era a de reprisar novelas não tão antigas.

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Reprises frescas

O Vale a Pena Ver de Novo foi lançado em 1980 com a reprise de Dona Xepa, produção exibida em 1977 na faixa das seis da Globo. Ou seja, a trama escrita por Gilberto Braga voltou ao ar três anos depois de ter sido mostrada pela primeira vez.

Durante muitos anos, o Vale a Pena seguiu essa lógica. A faixa sempre reapresentou sucessos recentes da emissora, salvo uma ou outra exceção. Os exemplos são inúmeros: A Sucessora (1979), reprisada em 1980; Brega e Chique (1987), reprisada em 1989; O Rei do Gado (1996), reprisada em 1999; e A Indomada (1997), reprisada em 1999; são algumas das várias novelas que voltaram entre dois e três anos de sua exibição original.

Esse formato sempre foi alvo de críticas de noveleiros, que clamavam por reprises mais antigas. No entanto, sempre funcionou bem, isso é um fato. Dá pra entender: quando a reprise é fresca, a memória afetiva está mais viva, o que tende a aumentar o interesse do público. Quando a reprise é de novela mais antiga, periga de a emissora ter perdido o “timing”. Um exemplo recente é Celebridade, um enorme sucesso em 2003, e que poderia repetir tal êxito se fosse reexibida uns três anos depois, mas que voltou apenas em 2017. E foi um fiasco.

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Refém de clássicos

Nos últimos anos, a Globo decidiu abrir mão de reprises recentes para apostar em clássicos, muitas vezes re-reprises. Com isso, a emissora usou e abusou de arrasa-quarteirões como Senhora do Destino (2004), O Rei do Gado, Mulheres Apaixonadas (2003), Alma Gêmea (2005), A Viagem (1994)... 

Claro que é interessante revisitar Tieta (1989) tantos anos depois de sua exibição original e sua primeira reprise. A novela conseguiu conquistar um novo público e disse a que veio. Porém, é um ponto fora da curva. Na prática, a Globo reduziu as opções do Vale a Pena Ver de Novo e passou a repetir títulos que acabam por se tornar batidos, enquanto novelas recentes que poderia se tornar clássicos acabaram esquecidas.

Se a Globo bater o martelo por Pantanal, os noveleiros hão de chiar. Porém, é bastante possível que a novela obtenha boa audiência no final da tarde, mesmo sendo recente. E nem é tão recente assim, já se passaram quatro anos... Se funcionar, pode encorajar a emissora a dar chances a títulos menos batidos, o que daria um rumo mais interessante ao Vale a Pena Ver de Novo. A reprise de Avenida Brasil mostra que nem sempre revisitar um clássico funciona. O canal precisa chacoalhar sua tradicional faixa de reprises.

André Santana

02/10/2026

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