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Há 25 anos: recusa de Letícia Spiller fez Giovanna Antonelli explodir em O Clone

Giovanna Antonelli como Jade em O Clone
Giovanna Antonelli como Jade em O Clone (divulgação)

Em 1º de outubro de 2001, a TV Globo estreava O Clone, um de seus maiores sucesso do horário nobre. Concebida por Glória Perez a partir da junção entre a clonagem humana e o universo muçulmano, a produção enfrentou uma verdadeira maratona de desconfianças internas e externas antes mesmo de o primeiro capítulo ser levado ao ar.

Nos bastidores da Vênus Platinada, o projeto era visto por muitos como um risco absurdo. Tratar de ciência, islamismo, drogas e alcoolismo no horário nobre parecia uma aposta ousada demais. Para piorar o cenário, os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos ocorreram a poucas semanas da estreia, lançando o tema muçulmano no centro de um furacão geopolítico. 

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Dança das cadeiras

O percurso até a formação do time definitivo foi turbulento, a começar pelo comando da direção. Nomes como Denise Saraceni e Luiz Fernando Carvalho não se adequaram ao projeto ou ao estilo do texto, até que Jayme Monjardim e Mário Lúcio Vaz, então diretor-geral de Controle de Qualidade da emissora, abraçaram a ideia.

No elenco, a escalação dos papéis principais foi uma sucessão de recusas e desvios. Estrelas como Ana Paula Arósio e Letícia Spiller foram convidadas para dar vida à heroína Jade, mas declinaram do convite, fazendo o papel cair nas mãos de Giovanna Antonelli. A atriz, que colecionava coadjuvantes até então, estava em alta por conta do sucesso da prostituta Capitu em Laços de Família (2000), 

Já para os papéis dos gêmeos Lucas e Diogo (e posteriormente do clone Léo), o cotado inicial era Fábio Assunção, que recusou a proposta. Com isso, Murilo Benício assumiu o desafio. A Globo, inclusive, chegou a promover um concurso no Domingão do Faustão para buscar um sósia para o ator.

Primeiro personagem de destaque de Dalton Vigh na Globo, Sayid quase não foi dele. Eduardo Moscovis foi a primeira opção para o papel, mas declinou. De acordo com o site Teledramaturgia, José Mayer também surgiu como opção para viver Tio Ali, mas foi Stenio Garcia quem acabou assumindo o personagem.

Curiosamente, Stenio Garcia estava no elenco de A Padroeira (2001) quando foi escalado para O Clone. Com isso, seu personagem na trama das seis acabou morrendo assassinado para liberar o ator para o folhetim das nove.

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Sucesso absoluto

O Clone enfrentou muitas desconfianças em razão de sua história um tanto inusitada, misturando clonagem humana, islamismo e vício em drogas. Mas a ideia aparentemente maluca de Gloria Perez se revelou certeira, e a trama se tornou um grande sucesso.

Misturar diferentes culturas acabou por se tornar uma marca da obra de Gloria Perez no horário nobre da Globo. A fórmula, na verdade, teve início em Explode Coração (1995), sobre a cultura cigana, mas alcançou seu auge mesmo em O Clone. Depois, a autora ainda falaria sobre cultura indiana em Caminho das Índias (2009) e turca em Salve Jorge (2012).

André Santana

01/10/2026

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