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| Gaby Cabrini, Gabriel Cartolano e Matheus Baldi no Fofocalizando (reprodução) |
Há tempos o Fofocalizando deixou de ser uma alternativa competitiva nas tardes da televisão brasileira para se transformar em um verdadeiro laboratório de desgaste e desorientação de grade. A atração, que já ocupou espaço central nas tardes do SBT e gerou debates acalorados no universo das celebridades, vive hoje o capítulo mais melancólico de sua trajetória.
O sintoma mais recente dessa decadência são as dispensas relâmpagos de figuras como Thayse Teixeira e Carol Lekker. Ambas deixaram o programa após protagonizarem episódios de comentários completamente irresponsáveis ao vivo. Carol fez críticas severas a Eliana, artista que é querida pela alta cúpula do SBT. Além disso, fez comentários público sobre seu baixo salário. Já Thayse Teixeira reproduziu acusações sem provas quanto à lisura das Eleições do Brasil. Deu no que deu.
O episódio serve como um atestado de miopia por parte da direção do programa. O SBT insiste no erro crasso de abrir espaço na TV aberta para influenciadores digitais e figuras sem o menor preparo ou traquejo com o veículo, preterindo jornalistas e profissionais de TV que compreendem o peso e a responsabilidade legal e ética de emitir opiniões e apurar notícias.
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Sem grife
Essa obsessão por nomes virais da internet expõe o quanto a produção se perdeu em sua essência. Se no passado a atração se sustentava na credibilidade e no veneno calibrado de profissionais tarimbados do universo de fofoca, como Leão Lobo, Leo Dias e Chris Flores, hoje o cenário é desolador.
Atualmente, o sofá do programa se sustenta com nomes pouco grifados. É bem verdade que Gabriel Cartolano e GabY Cabrini demonstram competência, esforço e desenvoltura diante das câmeras, mas a dupla carrega um fardo pesado demais sozinha, incapaz de salvar um formato que perdeu completamente a identidade e o eixo.
O rodízio interminável de cadeiras, com chegadas e partidas constantes, transformou o vespertino em um verdadeiro terminal de ônibus. O telespectador que tenta sintonizar no programa já não encontra nenhuma referência fixa, estabilidade ou química de grupo que crie o hábito de consumo diário.
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Fofocas requentadas
No campo do conteúdo, a situação é igualmente alarmante. As pautas tornaram-se repetitivas, requentando notícias já velhas da internet ou apostando em barracos de subcelebridades que não despertam o menor interesse do público em geral, falhando miseravelmente em gerar qualquer tipo de apelo ou comoção.
Todo esse desfile de equívocos se reflete, de forma implacável, nos números de audiência. O Fofocalizando patina diariamente em índices de Ibope irrisórios, patinando muito aquém do que a faixa horária já registrou em seus melhores dias e prejudicando severamente a entrega para o restante da programação.
Diante desse cenário de terra arrasada, fica evidente que o formato esgotou seu ciclo de vida útil na grade do SBT. A marca está irremediavelmente arranhada pelas sucessivas mudanças de rumo, brigas de bastidores e pela perda crônica de relevância perante a concorrência.
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Hora de repensar
Talvez tenha chegado o momento de a cúpula do SBT ter a coragem necessária para encarar a realidade dos fatos. Continuar insistindo em plásticos e remendos em um programa que começa a agonizar é enxugar gelo e queimar ainda mais a faixa vespertina.
Mais do que apenas promover mais uma reformulação cosmética que não durará três meses, o SBT deveria seriamente repensar a grade e acabar de vez com o Fofocalizando. Está na hora de pensar fora da caixa para construir algo genuinamente novo nas tardes da emissora.
André Santana
31/10/2026

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