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Saída de Rodrigo Bocardi do SBT Cidades escancara "maldição" da faixa das 18h

Rodrigo Bocardi no SBT Cidades
Rodrigo Bocardi no SBT Cidades (reprodução)

A abrupta e conturbada saída de Rodrigo Bocardi do SBT Cidades não é apenas mais um capítulo ruidoso nos bastidores da televisão. Trata-se, na verdade, de uma confirmação triste. O horário das 18h da emissora de Silvio Santos (1930-2024) transformou-se em uma espécie de "área amaldiçoada", na qual atrações nascem sob forte expectativa, mas terminam trituradas por crises de bastidores, baixas audiências ou demissões relâmpago.

O caso de Bocardi, que anunciou o fim do contrato acusando a emissora de falta de respaldo e ligando figuras da alta cúpula a escândalos, apenas escancara a volatilidade de um horário que parece não parar quieto. Em menos de um mês no ar, o projeto balançou. Curiosamente, a atração até registrou alta de 24% no Ibope sem o titular, sob o comando solo de Erica Reis, mas o estrago já está feito.

Curiosamente, isso acontece justamente quando o SBT finalmente parecia ter acertado em um projeto de telejornal popular para o horário. O SBT Cidades não chega a ser um fenômeno, mas vem registrando médias superiores aos de seus antecessores, o que já é um avanço.

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Tentativa e erro

Olhando pelo retrovisor da programação, percebe-se que a faixa do fim de tarde sempre foi uma verdadeira armadilha. A tentativa de bater de frente com o Brasil Urgente, da Band, e com o Cidade Alerta, da Record, colocou o SBT em uma busca desesperada por um "salvador da pátria", gerando uma lista impressionante de nomes de peso que duraram pouquíssimo na função

A saga remonta a experimentos como o Boletim de Ocorrências, em 2010. Escalado para injetar credibilidade e tom policial ao horário, César Filho ancorou o formato que tentava estancar a sangria de audiência no fim da tarde. A experiência durou pouco, sepultada pela oscilação de público e pelas constantes trocas de horário promovidas pela direção.

Anos mais tarde, a aposta da vez atendeu pelo nome de Neila Medeiros. Apontada internamente como "a menina dos olhos" da casa e aposta pessoal do próprio Silvio Santos para rivalizar no jornalismo vespertino - “a única capaz de vencer Datena e Marcelo Rezende” - , Neila assumiu o SBT Notícias em 2013. O telejornal durou poucas semanas antes de ser cancelado por não atingir as metas de Ibope cobradas pela cúpula.

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Nomes e mais nomes

A tentativa de ressuscitar clássicos também cobrou seu preço. Quando o SBT resolveu trazer de volta a grife Aqui Agora, em 2008, e também no ano passado, nem mesmo a contratação de Geraldo Luís foi capaz de salvar a faixa de um fim precoce. O apresentador, mestre na linguagem popular, naufragou em meio a formatos engessados que não encontravam ressonância no público vespertino. Além de Geraldo, nomes como Macedão da Chinelada e Dani Brandi também bateram ponto por ali.

Mas, antes de ressuscitar o Aqui Agora,  o canal tentou uma cartada radical ao lançar o Tá na Hora, entregando a missão a Christina Rocha e Marcão do Povo. A ex-Casos de Família foi a primeira a debandar, insatisfeita com o formato e o tom policialesco.

Logo em seguida, Marcão do Povo assumiu os holofotes com Márcia Dantas, tentando imprimir seu estilo expansivo. Contudo, o apresentador também não conseguiu fazer frente aos concorrentes e acabou voltando para as manhãs, passando o bastão para José Luiz Datena.

A chegada de Datena na Anhanguera, aliás, parecia uma cartada e tanto. Convocado para ser a resposta definitiva da emissora ao segmento de jornalismo comunitário e policial, Datena teve uma estada relâmpago no projeto do Tá na Hora, marcada por desencontros editoriais e uma saída tão veloz quanto sua chegada. 

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A vez do SBT Cidades

A entrada de Rodrigo Bocardi no SBT Cidades parecia ser a tentativa final de trazer mais prestação de serviço e apelo popular ao início da noite. O desfecho, porém, repetiu o trágico figurino: acusações públicas e muito barulho..

Essa alta rotatividade expõe a ferida aberta da programação do SBT: a ausência de uma identidade clara para o horário das 18h. Entre migrar para o jornalismo duro, apostar no entretenimento puro ou recorrer a novelas mexicanas, a emissora atira para todos os lados, impedindo que qualquer profissional construa hábito junto ao telespectador.

Por enquanto, o SBT Cidades segue no ar, agora sob o comando de Érica Reis, que vinha dividindo o comando da atração com Bocardi desde a estreia. Aparentemente, a jornalista vem conseguindo manter uma audiência razoável. Mas, considerando o histórico e a “maldição” da faixa das 18h do SBT, a apresentadora que se cuide!

André Santana

12/09/2026

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