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Estreia de Dona Beja evidencia maturidade artística de Grazi Massafera

Grazi Massafera como Dona Beja
Grazi Massafera como Dona Beja (divulgação)

Em outros tempos, seria impossível ver uma mesma estrela em evidência em duas novelas de plataformas concorrentes. Mas o audiovisual brasileiro se transformou e a presença de Grazi Massafera em duas produções ao mesmo tempo deixa isso claro. Enquanto distribui maldades como Arminda em Três Graças, na Globo, a estrela também pode ser vista sofrendo horrores como Dona Beja, personagem-título da nova aposta da HBO Max.

Lançada na última semana pela plataforma de streaming da Warner, Dona Beja foi gravada há alguns anos e ficou marcada pelos bastidores turbulentos, de acordo com notícias veiculadas pela imprensa especializada. Entretanto, os problemas não aparecem para quem assiste a produção, que é bem caprichada, conta com uma boa história e interpretações convincentes.

Em meio a um elenco estrelado cheio de rostos conhecidos de novelas da Globo, como David Junior, Debora Evelyn e Isabela Garcia, Grazi Massafera se destaca vivendo a personagem que consagrou Maitê Proença na TV Manchete em 1986. A atriz, que apareceu ao grande público como participante do BBB 5 (2005) e enfrentou severas críticas ao se tornar estrela de novelas, mostra que aprendeu com a experiência e se tornou, de fato, uma atriz competente. Se Larissa, de Verdades Secretas (2015), é considerada um divisor de águas na carreira de Grazi, Dona Beja surge como um novo divisor.

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Duas produções ao mesmo tempo

Em Dona Beja, a protagonista se mostra uma mulher à frente de seu tempo que se vê vítima de uma série de circunstâncias terríveis que a afastam de Antonio (David Junior), seu grande amor. Sequestrada por um ouvidor do rei nas Minas Gerais do século 19, Beja passa por poucas e boas até decidir abraçar as circunstâncias e dar uma grande guinada em sua vida, transformando-se numa famosa cortesã.

Ou seja, trata-se de uma personagem bastante complexa. Beja tem momentos de heroína romântica, passagens de puro sofrimento e, depois, transforma-se definitivamente numa mulher forte e decidida. E Grazi Massafera passa verdade a cada uma destas sequências, revelando nuances distintas e muito convincentes.

Quem assiste Dona Beja e, depois, se liga na Globo para ver Arminda, grande vilã de Três Graças, pode até levar um susto. A malvada do horário nobre vai para outro lugar, flertando entre a crueldade e a loucura. Na última semana, por exemplo, Arminda teve grandes momentos na novela, chegando ao cúmulo de empurrar escada abaixo a jovem que está grávida de seu filho. Foram sequências de alto impacto, que Grazi segurou competentemente. Sem dúvidas, Grazi Massafera vive o auge de sua maturidade cênica.

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Novela de streaming

Dona Beja é a segunda novela brasileira produzida pela HBO Max. A plataforma conseguiu “furar a bolha” no ano passado ao lançar Beleza Fatal (2025), melhor folhetim da temporada. Agora, tenta repetir o fenômeno com uma novela bem diferente da anterior.

Enquanto Beleza Fatal é uma novela urbana e contemporânea, Dona Beja é uma produção de época, com outro ritmo e outra proposta. Em comum, ambas apostam fundo na sensualidade e no erotismo, aproveitando a liberdade que o streaming proporciona. Elementos, aliás, muito comuns às novelas da extinta Manchete, emissora que produziu a primeira versão de Dona Beija (1986) - esta, com “i”. 

Dona Beja é uma ótima história e a releitura vem numa boa hora. A nova versão acerta ao evidenciar os personagens negros, trazendo um olhar mais contemporâneo ao enredo. A questão racial traz um novo e interessante elemento para a novela, que, nestes primeiros capítulos, não decepcionou. Uma pena que não se ouve mais falar em novas novelas produzidas pela HBO Max - que, dizem, pode se fundir à Netflix em breve… 

André Santana

07/02/2026

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