Além das mudanças na programação provocadas pelo coronavírus, a Globo também segue com sua política de enxugamento de gastos, com a dispensa de apresentadores veteranos. Zeca Camargo engrossa a lista dos dispensados do canal nos últimos tempos, uma bola cantada já há algum tempo. Recentemente, informações de que o apresentador não estava satisfeito com uma redução salarial, e que poderia até se transferir para a Record e comandar o Domingo Espetacular, circularam. 

Não se sabe se Zeca vai para a Record, mas o apresentador está de saída da Globo, onde comandava o É de Casa há cinco anos. A emissora divulgou, em nota oficial, que Zeca está deixando o canal “em comum acordo”, e que as portas estão abertas para qualquer novo projeto nas plataformas do grupo. Ou seja, Zeca está saindo do É de Casa e encerrando um contrato fixo, mas pode voltar ao grupo com contrato por obra, caso surja algum novo projeto, como aconteceu recentemente com Otaviano Costa e Angélica.

A dispensa não chega a surpreender. Zeca estava subaproveitado na Globo desde que assumiu o É de Casa, um programa que explorava pouco o repertório do apresentador. Especialista em música e um jornalista cultural de carreira, Zeca é um profissional estofado, mas sem espaço para mostrar isso. Ele chegou à Globo em 1996, vindo da MTV, justamente para trazer projetos voltados ao público jovem, uma fatia de audiência que a emissora encontrava dificuldades em dialogar naquela época.

Assim, Zeca chegou ao Fantástico com a missão de testar novos formatos e novas abordagens sobre assuntos gerais. Seu momento mais bem-sucedido nesta fase foi o Altos Papos, um quadro no qual levava temas diversos para serem debatidos por adolescentes. Na época, diziam que o quadro era um teste para que Zeca emplacasse um programa jovem diário no canal carioca, numa tentativa da Globo de fazer algo próximo do Programa Livre.

Além do Fantástico, Zeca se tornou curinga na grade, assumindo projetos especiais. O mais marcante deles foi o No Limite, primeiro reality show brasileiro da TV aberta, que se tornou um fenômeno de audiência no ano 2000. Ele também comandou outros realities, como Hipertensão e O Jogo, até assumir a apresentação do Fantástico, quando Pedro Bial deixou o posto. De lá, foi parar no Vídeo Show, naquele malfadado formato tipo talk show que Ricardo Waddington tentou emplacar. E foi ali que ele se perdeu. Com o fim daquela versão do vespertino, Zeca acabou ganhando o É de Casa como prêmio de consolação, num palco que dividiu com outros cinco apresentadores sem projeto na Globo. Zeca nunca combinou muito com a atração. Por isso, sua dispensa neste momento em que a Globo não tem mais segurado artistas faz sentido.

Mais surpreendente é a escalação de Fernanda Gentil para o programa das manhãs de sábado. Fora do ar desde a “suspensão” do Se Joga, a loira volta ao ar apresentando dicas para a quarentena. A novidade foi lançada como um quadro, mas, na prática, Fernanda deve revezar no comando das atrações do É de Casa com Ana Furtado, Patrícia Poeta e André Marques. Ou seja, Fernanda é a substituta de Zeca Camargo. Mas a Globo ainda não assume isso, já que isso significaria admitir que o Se Joga realmente chegou ao fim. Porém, parece bastante claro que, se Fernanda se sair bem ali, é ali mesmo que ela vai ficar.

E vale lembrar que o É de Casa faz parte do núcleo de Mariano Boni, o diretor de variedades da Globo que foi o responsável por tirar Fernanda Gentil do esporte e passá-la para o entretenimento. Tudo se encaixa.

André Santana