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| Angélica e seu visual teen no Angel Mix (divulgação) |
Programa que marcou a estreia de Angélica na Globo, Angel Mix completou 30 anos de sua estreia em 16 de setembro. A atração entrou no ar em 1996, inicialmente na faixa das 11 horas da manhã, e dividiu espaço com a novelinha Caça Talentos, que estreou no mesmo dia e marcou toda uma geração de crianças.
O TELE-VISÃO já falou sobre o Angel Mix e suas diferentes fases aqui. Por isso, neste TBT sobre os 30 anos da atração, este site fará uma análise sobre o que representou o programa de auditório na trajetória de Angélica, que, naquela época, já era uma estrela consolidada na televisão. Afinal, é interessante observar que Angel Mix representou um amadurecimento de Angélica na telinha, mas, ao mesmo tempo, também foi responsável pela interrupção do crescimento da loira.
Para entender onde eu quero chegar, é importante contextualizar. Angélica foi contratada pela Globo em 1996 depois de fazer muito sucesso na programação do SBT, canal no qual comandava três programas diários. A apresentadora estava à frente do infantil Casa da Angélica, mas também apresentava os juvenis TV Animal e Passa ou Repassa. E este último foi fundamental para fazer Angélica despertar o interesse da Globo.
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Game show juvenil
Game histórico da programação do SBT, tanto que segue no ar como quadro do Domingo Legal, o Passa ou Repassa alavancou Angélica na TV. A loira passou a comandar o game diariamente a partir de 1995, elevando consideravelmente a audiência das tardes do canal criado por Silvio Santos. Tanto que despertou o interesse da Globo.
Enquanto em Casa da Angélica a apresentadora comandava um infantil de auditório tradicional, com brincadeiras, música e desenhos, no Passa ou Repassa foi apresentada ao público uma nova Angélica. No game, a estrela deixava de lado os vestidos bufantes e passava a ser vista com um visual mais teen, abusando de bonés, blusinhas e shorts ou saias mais descoladas. Sua linguagem também era diferente, mais jovem, com muitas gírias e expressões em inglês.
Claramente, começava ali um processo de mudança de público para Angélica. Embora ela já tivesse comandado o teen Milk Shake na Manchete, foi o Passa ou Repassa que transformou a apresentadora, de fato, num nome jovem na televisão. A estratégia era clara: Silvio Santos sonhava em fazer de Angélica uma animadora e tinha planos para levá-la para as tardes de domingo do SBT, dividindo com ele e Gugu a faixa Programa Silvio Santos. A ideia, porém, não saiu do papel.
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Geração teen na Globo
Com o sucesso de Passa ou Repassa no SBT, a Globo tratou de laçar a lourinha e levá-la para suas manhãs. Ou seja, a Angélica que a líder de audiência queria não era a princesinha criada no Clube da Criança, mas sim a jovem Angélica descolada que interagia com estudantes no Passa ou Repassa. Tanto que a primeira versão do Angel Mix nada mais era que uma variação do Passa ou Repassa.
Angélica, então, estreou na Globo com o mesmo visual moderninho que adotou no SBT. O Angel Mix seguia o mesmo modelo, com um cenário high tech e personagens como Robô e PC, buscando um visual claramente futurista. Algo bem diferente do Xou da Xuxa, por exemplo, que tinha um cenário com cara de parque infantil e brincadeiras mais lúdicas.
Já Angel Mix era um game show com uma pegada mais teen e “radical”, com provas que envolviam corridas numa esteira ou escalada num paredão. Além disso, uma das brincadeiras era a Pergunta Torta, uma espécie de variação da clássica Torta na Cara. Sim, a Globo tentou fazer seu próprio Passa ou Repassa, e o formato funcionou bem em seu primeiro ano, registrando bons índices de audiência.
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Passo atrás
Angélica, com suas gírias e visuais jovens, seguiu o mesmo estilo em outros formatos do Angel Mix, como o Angel Mix Banda, de 1998, e o Angel Mix Games, de 1999. No entanto, conforme a atração foi perdendo audiência, a Globo passou a buscar um público mais novo para a atração. Porém, naquela época, Angélica já se vestia e se comportava como uma mulher adulta, e vê-la à frente de infantis passou a não fazer mais sentido.
Foi então que a Globo deu um passo atrás, interrompendo o “crescimento” da estrela, e preferiu colocar Angélica em produtos de dramaturgia. Como uma personagem, ela poderia driblar o comportamento juvenil e voltar a dialogar com crianças, como nos tempos do Clube da Criança, da Casa da Angélica e até do Caça Talentos. Foi assim que surgiram produtos como Flora Encantada, em 1999, e Bambuluá, em 2000.
Porém, nada deu certo e Angélica acabou deixando a carreira de programas infantis para trás. No final de 2001, ela passou a comandar o Vídeo Game, no Vídeo Show, recuperando sua persona mais jovem. Depois disso, comandou outros programas voltados para adultos, o que vem fazendo até hoje. Tanto que a apresentadora se prepara para a estreia da segunda temporada do Angélica ao Vivo, no GNT, que começa em 24 de setembro.
André Santana
17/09/2026

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