sábado, 25 de janeiro de 2020

"Bom Sucesso" mostra que é possível ser popular com inteligência

Todo carnaval tem seu fim

Bom Sucesso terminou ontem, 24, como começou. A história de Paulo Halm e Rosane Svartman conseguiu agradar público e critica com uma história simples, mas que pegou pela emoção. A mistura entre vida, morte e literatura revelou-se acertada, sobretudo no trato sensível e emocionante dado ao tema, encarnado por uma dupla de protagonistas encantadora e que funcionou desde o início. Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes), por meio de uma amizade improvável, trouxeram belas lições ao público. E isso fugindo da pieguice e do chororô gratuito.

Bom Sucesso foi toda construída em torno de um tema difícil. Com seus protagonistas, a novela tratou da efemeridade da vida, e como os bons momentos são fundamentais para uma vida plena e feliz. Pode parecer piegas, mas esta temática foi trabalhada de maneira tão delicada e terna, que se tornou irresistível. A alegre Paloma e o rabugento Alberto, o livreiro com os dias contados, formaram uma dupla adorável, que funcionou divinamente. Não somente o texto os uniu de maneira eficiente, como a boa química entre Grazi e Fagundes fez a dupla funcionar.

Obviamente, Bom Sucesso não abriu mão dos indispensáveis clichês. Paloma, apesar de parecer de “carne e osso”, foi a típica mocinha, envolvida num infalível triângulo amoroso. A relação da heroína com Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior) teve seus percalços e ganhou a torcida da audiência. Mais uma vez, a dupla de autores foi feliz na construção dos protagonistas, já que tanto Marcos quanto Ramon tinham suas inseguranças e imaturidades, mas foram transformados por Paloma.

A leveza característica de Bom Sucesso fez parte do público estranhar quando a novela das sete aumentou a dose de violência. Inicialmente, crimes e tiros se tornaram mais constantes quando foi iniciado o plot de Elias (Marcelo Faria). O ex-marido de Paloma retornou dos mortos para infernizar a heroína e seus filhos, cometendo muitas barbaridades. A sequência teve direito a perseguições e trocas de tiros, culminando com a morte de Elias.

O problema deste momento de Bom Sucesso foi a falta de sintonia com a obra. A história caminhava por caminhos menos tortuosos, sendo levada por personagens tridimensionais. No entanto, quando Elias surgiu, a trama se tornou sombria e maniqueísta, como numa novela à parte. Ficou claro que a história, embora prevista, surgiu apenas para fazer a novela durar mais. Não convenceu.

O plot envolvendo Elias aconteceu num momento em que Diogo (Armando Babaioff), o “vilão oficial” da novela, desapareceu por alguns capítulos. O sumiço serviu para que ele retornasse poderoso, instalando um clima de vingança no ar. Mais uma vez, parte do público reprovou a condução da história. No entanto, neste caso, o plot não pareceu desconexo. Diogo sempre foi um vilão com um pé na caricatura. Sendo assim, pareceu natural o processo de “enlouquecimento” do malvado. Sim, é um clichê folhetinesco o vilão enlouquecer na reta final da novela, mas Bom Sucesso nunca tentou fugir de clichês. Apenas buscou utilizá-los ao seu favor. Foi o caso. Diogo foi um ótimo vilão e Armando Babaioff fez um trabalho excepcional.

Bom Sucesso também ficará marcada na carreira de outros atores. Grazi Massafera fez, aqui, seu trabalho mais consistente, já que é bem mais difícil convencer como uma mulher comum. Antonio Fagundes, depois de vários trabalhos no piloto automático, entregou aqui um trabalho de composição irretocável. Tanto que a dupla funcionou e foi o grande trunfo da novela.

No entanto, há mais trabalhos para destacar. Romulo Estrela, David Junior, Fabiula Nascimento (Nana), Lúcio Mauro Filho (Mário), Sheron Menezzes (Gisele), Helena Fernandes (Eugênia) e Carla Cristina Cardoso (Lulu) merecem menção. Ingrid Guimarães (Silvana Nolasco) repetiu um tipo que costuma fazer sempre, mas vamos combinar que é um tipo que ela faz muito bem. Foi divertida. Participações luxuosas, como as de Marisa Orth (Isadora), Jonas Bloch (Eric Feitosa), Lavínia Vlasak (Natasha) e Suzana Pires (Virgínia), também foram acertos. Além, claro, da dupla mirim: Valentina Vieira (Sofia) e João Bravo (Peter) emocionaram.

Tantos acertos só poderiam resultar num sucesso incontestável. Em tempos um tanto estranhos como o que vivemos, é sempre um alento constatar que uma obra que valorizou a cultura e os bons sentimentos tenha tido uma receptividade tão boa. Bom Sucesso mostrou que uma novela pode arrebatar com simplicidade, emoção, clichês bem trabalhados e, sobretudo, que qualquer tema pode render uma boa história, se trabalhado com Inteligência. Além disso, provou que uma boa novela pode ser popular sem cair no popularesco, e que se pode falar de cultura para as massas de maneira acessível, sem parecer pedante. Foi um grande acerto, em todos os sentidos. Que bom!

André Santana

2 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Divulgarei hoje no meu blog o balanço final dos pontos positivos e negativos de Bom Sucesso. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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