sábado, 24 de agosto de 2019

Com "Topa ou Não Topa", SBT tenta chacoalhar seu sábado

"Alô, pai? Me dá um programa?"

Durante muitos anos, o sábado não era considerado um dia nobre pelo SBT. Os esforços da emissora em programação semanal sempre ficaram concentrados no domingo, dia que consagrou o dono Silvio Santos. O sábado, sobretudo a tarde de sábado, sempre ficou relegada a enlatados e tapa-buracos. Houve um tempo que o único programa nacional do SBT aos sábados era A Praça É Nossa, que por anos ocupou as noites do último dia da semana.

Em meio a apostas pontuais, como o Novo Show de Calouros, nos anos 1990, e em versões de Fantasia e Falando Francamente, nos anos 2000, a tarde de sábado era dedicada mesmo aos filmes e séries. Em 2001, por exemplo, o canal apostou numa seleção de séries americanas costuradas por esquetes do Clube do Chaves, tentando pegar carona na popularidade do menino do barril. Não funcionou. As séries foram substituídas pela faixa SábadoBom, que reuniu programas como Programa Livre, Canta e Dança Minha Gente e Curtindo uma Viagem. Também não funcionou.

Anos depois, em 2003, a emissora aproveitou o pacotaço de séries da Warner e recheou a grade com uma seleção anunciada como “o melhor da TV paga na TV aberta”. Era uma maratona que incluía títulos como Lois & Clark, Felicity, Gilmore Girls e Everwood. Mais adiante, em 2004, a aposta era em filmes e distribuição de prêmios, com Celso Portiolli relegado a apresentador de intervalos na Sessão Premiada. Filmes, aliás, sempre foram a saída para as tardes de sábado do canal, em sessões como Cinema em Casa e Festival de Filmes, além da Sessão Premiada. Houve nova tentativa em produção própria com o mesmo Celso Portiolli, que apresentou o Namoro na TV e Etc, um mix de programa de variedades e namoro que ocupou as tardes de sábado ao longo de 2007. Saiu do ar para dar espaço às lutas armadas do WWE – Luta Livre na TV, em uma destas estranhas apostas de Silvio Santos.

A tarde de sábado só começou a ganhar uma atenção mais definitiva do SBT a partir de 2009, quando Daniela Beiruty, filha número 3, assumiu a direção artística da emissora. Nesta época, o canal fez uma série de investimentos na programação. Uma delas foi a contratação de Netinho de Paula, que relançou seu Dia de Princesa no novo Show da Gente, dirigido por nada menos que Marlene Mattos. A atração saiu do ar em 2010, para dar espaço ao Programa Raul Gil, no momento em que o veterano animador deixou a Band e se acertou com o SBT. A atração está no ar até hoje, mas quase perdeu espaço para Celso Portiolli por duas vezes. Conseguiu sobreviver.

Porém, em 2019, o SBT começa a dar claros sinais de que quer turbinar sua tarde de sábado. Uma aposta que faz sentido, se levarmos em consideração que os momentos de inércia do canal neste dia foram justamente em épocas que Globo, Record e até Band investiam pesado no dia. Hoje, apenas a Globo segue no páreo. Ou seja, é um cenário mais propício para chamar atenção da audiência e consolidar uma nova e mais variada grade de programação. O Programa da Maisa, que estreou em março, foi o primeiro sinal da emissora neste sentido.

E o Topa ou Não Topa, que estreou na semana passada, é mais um passo nesta direção. Num momento em que o Caldeirão do Huck, hoje o carro-chefe das tardes de sábado da Globo, investe pesado em game shows, o SBT resolveu contra-atacar na mesma moeda. E numa seara que conhece bem, afinal, games sempre estiveram no cerne do canal de Silvio Santos. Neste contexto, a nova investida do canal é justamente num game que já chamou certa atenção num passado remoto do SBT. Topa ou Não Topa já teve fases com Silvio Santos e Roberto Justus, e agora retorna com Patrícia Abravanel.

Trata-se de um desafio e tanto para a herdeira de Silvio Santos. Isso porque o Topa ou Não Topa tem um formato muito simples, e é a performance do apresentador que acaba ditando o ritmo da atração. Silvio Santos nadou de braçadas ali, com suas tiradas junto aos participantes e aos diálogos inusitados que imprimia com o “banqueiro” ao telefone (“oláááá!”, atendia ele). Já Justus, que não é um grande apresentador, não conseguiu emplacar na função. Patrícia, então, precisa mostrar que é a pessoa certa ali.

Na estreia, Patrícia mostrou segurança. Inspirada nas “maluquices” de Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade no Roda a Roda, Patrícia fez e aconteceu. E, embora não comprometesse, chegou a passar do tom. Ao fazer ginástica junto com a participante, que tem um trabalho social voltado ao esporte, Patrícia logo perdeu o fôlego e ficou afobada. Mas ela deve achar um equilíbrio nos próximos episódios. Além disso, o Topa ou Não Topa voltou “inspirado” na concorrência ao apostar em participantes que vêm ao programa com histórias de vida interessantes e missões específicas para o dinheiro conquistado na disputa. Luciano Huck faz isso à frente do The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?.

Com isso, o SBT tem hoje uma tarde de sábado variada, com programas de diferentes gêneros e que falam a diferentes públicos. A emissora acerta ao dar um novo gás a este dia, que anda tão abandonado pelos demais canais. Uma manobra inteligente do canal.

André Santana

12 comentários:

  1. Nossa, não me lembrava desse Show da Gente, do Netinho de Paula com direção da Marlene Mattos, tô empaquitado kakakaka. As séries americanas e a maratona do Fantasia com o elenco da geladeira do SBT são os mais memoráveis pra mim. Uma pena ver a Record, que já teve bons momentos com Raul Gil e O Melhor do Brasil, cair no marasmo e na comodidade. Bom pro público do SBT que tem uma tarde de sábado com opções diversas.

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    1. O Fantasia aos sábados foi o É de Casa do SBT, hahaha! Engraçado é que deram o programa aos apresentadores sem programa da casa como prêmio de consolação, depois que eles perderam o Programa Livre para a Babi Xavier.

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  2. Olá, tudo bem? Sobre o post anterior: eu gostava do Jornal das Pernas kkk....Era um telejornal leve e diferente dos concorrentes. Mas já são 16 anos? Meu Deus.... Parece que foi ontem.... Sobre a Patricia: não achei afobada. eu achei solta demais e sem direção no palco....Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Oi Fabio! Eu também assistia bastante o Jornal das Pernas. As meninas eram boas apresentadoras. E a Analice Nicolau, que era criticada porque não era jornalista quando estreou, evoluiu demais desde então. Ela já era boa "locutora", depois se aperfeiçoou e se tornou, sim, uma boa jornalista de TV. Merecia um novo espaço na telinha. Abraço!

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  3. O sbt tem mais traquejo com o entretenimento que a Record que tem programas mecânicos demais e muito voltados para histórias tristes.
    E melhor no jornalismo e novelas

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  4. Destacaria o Esquadrão da Moda que está na grade de sábado há alguns anos fazendo bonito em audiência mesmo batendo de frente com a novela da Globo, tanto que investiram na faixa posterior que hoje tbm é sucesso com Bake Of Brasil e Fábrica de Casamentos. Por mais que planejamento não seja o forte do SBT houve um trabalho de formiguinha nesse dia da semana até que acertaram.

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    1. Bem lembrado, Filippe. O post focou mais nas tardes de sábado, mas o SBT fortaleceu as noites e colhe os frutos.

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  5. Demorou, mas o SBT finalmente acordou. E falo isso porque desde que o Seu Raul veio pra ficar, as tardes de sábado da emissora já estavam muito monótonas, visto o formato ultrapassado que consagrou o apresentador, e como o público desse dia da semana é composto de jovens e crianças, faz se necessário investir em um formato apropriado que cative esse público. Mas vou ser bem sincero: quando as tardes de sábado sbtais eram recheadas com filmes e séries, a audiência era bem superior à dos programas de auditório, uma vez que esse que vos fala estava entre o público do horário. Então a Record recontratou Raul Gil em 1999 e a Globo apostou em Luciano Huck, e o SBT patinou no ibope enquanto exibia filmes e enlatados, daí a mudança para programas de auditório, inclusive foi por causa disso que o Falando Francamente virou um programa de auditório aos sábados, numa mudança inusitada, já que a Sônia Abrão nunca comandou esse formato. E a contratação do Raul em 2010 de início melhorou a audiência, mas agora já não tem mais o mesmo efeito, e é por isso que apoio a decisão da emissora de apostar em novos programas para os sábados. Se o novo Topa ou Não Topa vai ou não dar certo, só o tempo dirá.

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    1. Eu achei os resultados do Topa ou Não Topa bem bons. Superiores aos de Raul Gil. Mas já rola comentários de que Silvio Santos não gostou e está ameaçando mudar a atração de horário.

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  6. Muito bom ver o sbt animado
    Poderia ter essa empolgação nas tardes de semana é rifar de vez programas péssimos como fofocalozando e casos de família

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