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| Rodrigo Bocardi e Érica Reis no SBT Cidades (reprodução) |
Na última segunda-feira, 3, o SBT fez mais uma nova aposta para seus finais de tarde. Depois de tentar emplacar o Tá na Hora e o Aqui Agora, sem sucesso, o canal criado por Silvio Santos agora estreia o SBT Cidades, sob o comando de Rodrigo Bocardi e Érica Reis. Lançado como uma grande novidade e uma alternativa aos policialescos da Record e Band, a nova atração até agora não trouxe nada de verdadeiramente novo.
Claro, há a presença de Rodrigo Bocardi, um profissional bastante identificado com o público de São Paulo, pois esteve durante muitos anos no Bom Dia SP, da Globo. Bocardi tem um estilo próprio, com uma persona diferente dos seus “rivais” Reinaldo Gottino, do Cidade Alerta, e Joel Datena, do Brasil Urgente. Há também a presença do Boca TV, canal digital do jornalista, que é parceiro na produção do novo noticioso do SBT. Com isso, novos rostos surgem na tela.
Porém, fora isso, SBT Cidades não imprimiu grandes novidades ao horário. O telejornal foca na prestação de serviço, mas também investe em pautas policiais e reportagens sobre o cotidiano das cidades. Um conteúdo muito semelhante ao das apostas anteriores do SBT no horário, que não renderam muita audiência para o canal.
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Mais do mesmo
Um dos maiores acertos do SBT até 2023 era a faixa Novelas da Tarde. Ao exibir novelas mexicanas no início da noite, a emissora da família Abravanel conquistava um público que fugia dos jornais da Record e da Band no mesmo horário. Alguns folhetins, inclusive, alcançavam a vice-liderança e, não raro, figuravam entre os programas mais vistos do canal.
Porém, a partir de 2024, o SBT abriu mão deste sucesso para ampliar a programação ao vivo. Entendendo que jornalismo ao vivo teria mais condições de chamar a atenção do público e atrair novos anunciantes, a emissora lançou o Tá na Hora e entrou na briga dos telejornais do fim de tarde.
Entretanto, o público deixou claro que não tem interesse nesse tipo de conteúdo no SBT. Tanto que nem José Luiz Datena, que normalmente carrega consigo um público expressivo, conseguiu fazer o Tá na Hora acontecer. No ano seguinte, o jornal foi substituído pela nova versão do Aqui Agora, que também teve vários apresentadores, mas nunca se firmou como um concorrente de peso para o Brasil Urgente e o Cidade Alerta.
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Fracasso atrás de fracasso
A primeira versão do Aqui Agora, em 1991, fez história no SBT. Entretanto, é preciso lembrar que o noticioso perdeu fôlego ao longo de sua trajetória e acabou saindo do ar em 1997 por não conseguir mais a mesma audiência expressiva de outrora.
Mas, desde que o Aqui Agora acabou, Silvio Santos sempre quis lançar um concorrente para o Cidade Alerta. Porém, quase sempre, o plano ficava no papel, já que esbarrava nos altos orçamentos que este tipo de programa ostentava. Ainda assim, tentativas foram feitas, mas nenhuma teve vida longa.
Em 2007, Ratinho assumiu o Jornal da Massa, de vida curta. Já em 2008, Silvio Santos fez um forte investimento no retorno do Aqui Agora, que durou um mês. Em seguida, Joyce Ribeiro e César Filho comandaram diferentes momentos do Boletim de Ocorrências, que também não durou muito. Em 2013, foi lançado o SBT Notícias, com Neila Medeiros, anunciada como a única pessoa capaz de enfrentar Marcelo Rezende e José Luiz Datena. Não deu certo. Anos depois, vieram o Tá na Hora e mais uma tentativa de ressuscitar o Aqui Agora. E não funcionou.
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Alternativa
Em sua primeira semana no ar, SBT Cidades não mostrou potencial para reverter a situação. A atração até fez uma boa estreia, provavelmente por conta do fator curiosidade, mas oscilou bastante na audiência. Claro, é preciso dar tempo ao tempo e deixar o programa se ajustar no ar. Porém, considerando o histórico da faixa, é mais fácil concluir que dificilmente a atração pilotada por Rodrigo Bocardi terá condições de reverter este cenário.
O SBT acerta quando pensa em ampliar a programação ao vivo. O conteúdo quente, cada vez mais, será o trunfo da TV aberta para concorrer com as plataformas digitais. Porém, a emissora poderia pensar num conteúdo ao vivo que tivesse mais a ver com o perfil de seu público. E jornal policial, já está provado, não tem esse apelo junto aos “sbtistas”.
O DNA do SBT sempre foi programa de auditório. Por que não, então, um programa de auditório ao vivo que coubesse todo tipo de assunto? Aí sim a emissora se colocaria, de fato, como uma opção no horário. Vale lembrar que o Programa Livre, de Serginho Groisman, já ocupou o fim de tarde do SBT nos anos 1990, e com sucesso.
Não estou sugerindo voltar com o Programa Livre, afinal, o público precisa de coisas novas. A sugestão é pensar fora da caixa. Se Record e Band já têm seus noticiários populares neste horário, caberia ao SBT buscar uma outra via, e não oferecer a mesma coisa - muitas vezes, sem a mesma competência, diga-se.
André Santana
08/08/2026

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