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Band desperdiça Dona Beja ao escondê-la na programação

Grazi Massafera como Dona Beja
Grazi Massafera como Dona Beja (divulgação)

Produzida pela extinta Manchete em 1986, Dona Beija entrou para a história da teledramaturgia brasileira. A trama estrelada por Maitê Proença elevou a audiência do canal de Adolpho Bloch ao apostar numa história ousada, envolvente e com generosas doses de sensualidade.

Sendo assim, seu remake tinha tudo para bombar na TV aberta. Dona Beja, nova versão da história produzida para a HBO Max, atualiza a história da famosa cortesã, novamente tendo uma grande estrela à frente - desta vez, Grazi Massafera num de seus melhores trabalhos na telinha. A Band adquiriu os direitos de transmissão da trama na TV aberta e poderia, perfeitamente, repetir o fenômeno da Manchete. Porém, o folhetim está sendo solenemente jogado no lixo da audiência devido a escolhas inexplicáveis de exibição.

No papel, Dona Beja carrega o DNA do sucesso absoluto. É o tipo de produto que, se bem trabalhado, tem força de sobra para furar a bolha, incomodar a concorrência e fazer barulho nas redes sociais. Na Band, porém, a obra vem passando em branco, como se fosse um conteúdo clandestino.

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Escondida

O grande responsável pelo fracasso retumbante de repercussão da novela na TV aberta é o desenho de exibição escolhido pela emissora do Morumbi. A Band resolveu colocar Dona Beja no ar apenas duas vezes por semana, às quintas e sextas-feiras, na ingrata e tardia faixa das 23h. É um contrassenso absoluto com a própria natureza do formato de telenovela.

O público brasileiro é culturalmente moldado pelo hábito do consumo diário de folhetins. Uma novela precisa de constância de segunda a sexta para fidelizar o telespectador, criar o famoso efeito "conversa de elevador" e fazer a história engrenar no boca a boca. Ao picotar a exibição em apenas dois dias na semana, a Band quebra o ritmo da narrativa. Quando chega a quinta-feira, o público mal se lembra dos ganchos dramáticos do episódio da semana anterior.

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Silêncio em cima

Além do crime contra o ritmo da história, falta a Dona Beja uma divulgação à altura de sua importância. A Band tem em mãos um conteúdo premium, feito com padrão cinematográfico de streaming, mas o trata visualmente e comercialmente como um mero tapa-buraco de fim de noite. O telespectador médio da TV aberta sequer sabe que Grazi Massafera está no ar em uma produção inédita.

Para render o que realmente pode, a trama merecia uma exibição diária, em um horário muito mais adequado e competitivo, como a faixa das 22 horas, por exemplo. Esconder um novelão desse é um desperdício imperdoável de potencial comercial e de público. A Band tinha a faca e o queijo para sacudir sua audiência noturna, mas preferiu deixar sua maior joia escondida no escuro do fim de noite.

André Santana

10/07/2026

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