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As Tias do Mauro: Em 1997, Globo anunciou série que nunca foi ao ar

As protagonistas de As Tias do Mauro
As protagonistas de As Tias do Mauro (divulgação)

A Globo já gravou vários projetos e programas pilotos que nunca viram a luz do dia. Alguns deles, inclusive, o público sequer ficou sabendo de sua existência. Mas, em 1997, aconteceu algo curioso: a emissora colocou no ar chamadas para um novo humorístico que nunca foi ao ar.

Trata-se de As Tias do Mauro, atração, que surfaria na onda das comédias de situação impulsionadas pelo estrondo de Sai de Baixo. A produção chegou a ter chamadas oficiais exibidas na programação, mas foi limada da grade por uma canetada implacável.

Baseado na bem-sucedida peça teatral As Tias, do dramaturgo Mauro Rasi, o projeto tinha tudo para dar certo. A premissa girava em torno do cotidiano alucinado de um jovem escritor no Rio de Janeiro, interpretado por Murilo Benício, que via seu pequeno apartamento ser invadido por quatro tias histriônicas vindas diretamente de Bauru. Sob a direção de Jorge Fernando, a produção prometia injetar uma dose de realismo fantástico e deboche na Terça Nobre, faixa de programas mensais exibidos pela Globo na época.

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Elenco de estrelas

O grande chamariz de As Tias do Mauro era, sem dúvida, o seu quarteto de protagonistas. Como definiu o próprio Mauro Rasi em entrevista ao Jornal do Brasil, "a soma das quatro é igual à história do showbiz brasileiro". 

O elenco escalado trazia Berta Loran como Lola, uma romântica inveterada e cantora frustrada; Carmem Verônica na pele de Gladys, uma perua fútil e vaidosa vestida de oncinha; Dirce Migliaccio interpretando Hilda, uma intelectual diplomada na Sorbonne que ironicamente sobrevivia como flanelinha; e a impagável Nair Bello como Norma, a líder "sargento" da família.

"Acho que todo mundo tem uma tia parecida com uma das quatro. Eu, por exemplo, tinha uma tia mandona como a Norma", confessou Nair Bello ao jornal O Globo.

Nair, inclusive, foi a única que não participou da montagem teatral anterior do texto, substituindo Yolanda Cardoso na versão para a TV. O entrosamento do elenco era tamanho que as gravações de externas, mesmo sob o calor causticante da rodoviária Novo Rio, transcorriam em clima de festa. 

O roteiro do segundo episódio, inclusive, previa absurdos deliciosos, como as quatro tias embriagadas dançando a Macarena e, acidentalmente, incendiando o apartamento do sobrinho com as velas do bolo de aniversário. Parecia que a Globo tinha mais um sucesso nas mãos.

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Veto do Boni


O balde de água fria veio de onde menos se esperava, mas de onde vinha a palavra final na época: da sala de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. O todo-poderoso da Globo aplicou o rigor máximo do seu "padrão de qualidade" e reprovou o material. 

Inicialmente previsto para estrear em 1º de abril de 1997, o seriado foi adiado para que cenas fossem reescritas e regravadas. O autor tentou minimizar o ruído à Folha de S. Paulo, alegando "motivos técnicos e estratégicos". Porém, no dia 22 de abril, a emissora exibiu o musical Som Brasil no horário. A série havia sido cancelada em definitivo.

A justificativa oficial da Globo foi dura: "O projeto foi cancelado porque o produto final não agradou. Os ingredientes não se encaixaram", explicou Boni. Nos bastidores, o elenco recebeu a notícia com choque e profunda tristeza. 

Carmem Verônica lamentou publicamente a decisão de não colocarem ao menos um episódio no ar para testar a recepção do público. Já a veterana Berta Loran desabafou sobre a frieza do meio televisivo ao Jornal do Brasil: "Soube que As Tias ia acabar pela assistente do assistente". Quase 30 anos depois, a única coisa que restou de As Tias do Mauro foram as chamadas, que circulam pela internet. Já o produto final foi engavetado em definitivo e jamais conferido pelo espectador. Pena!

André Santana

09/07/2026

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