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Três Graças sai de cena deixando várias lições para a Globo

Grazi Massafera como Arminda em Três Graças
Grazi Massafera como Arminda em Três Graças (reprodução)

Trama das 21h encerrada nesta sexta-feira, 15, Três Graças teve uma reta final eletrizante. Aliás, não faltaram movimentações intensas na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva, sobretudo entre janeiro e maio. A novela foi marcada por viradas bem construídas e ganchos poderosos, resgatando muitos elementos de um folhetim clássico que andavam meio esquecidos.

O desfecho, vale salientar, ofereceu cenas antológicas. O penúltimo capítulo teve a ótima sequência de Arminda (Grazi Massafera) fugindo na caminhonete de Joaquim (Marcos Palmeira) com o dinheiro da estátua das Três Graças a tiracolo. A cena teve direito a dinheiro voando, populares brigando na rua para agarrar a grana, Arminda tresloucada e o surreal atropelamento de Lucélia (Daphne Bozaski), encerrada com uma referência ao Beijo no Asfalto.

Já o final ficou marcado por uma virada divertida aos 45 do segundo tempo. Depois de enganar o próprio público ao simular um suicídio, Arminda simplesmente sumiu com as Três Graças após passar anos fingindo estar fora do ar. Uma provocação da trama com a audiência, que combinou bem com o espírito nonsense da vilã. Um desfecho divertido, sem dúvidas.

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Acertos

Além do final inusitado e divertido, Três Graças teve outras qualidades. Uma delas é sua protagonista, Gerluce (Sophie Charlotte), uma heroína que foi capaz de liderar um roubo por uma boa causa: livrar os doentes da Chacrinha dos remédios falsificados distribuídos pelo vilão Ferette (Murilo Benício).

Gerluce, de fato, liderou a história e caiu nas graças do público. Três Graças também acertou ao construir duas tramas principais que se conectavam - o roubo das Três Graças e a venda do bebê de Joelly (Alana Cabral) - , oferecendo uma novela redondinha, como há muito tempo não se via.

A trama também foi feliz na construção da história de amor entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). Três Graças tratou as duas meninas como qualquer outro casal, com direito a muitos beijos e até cenas de sexo. Normalizar relações homossexuais é sempre importante para combater o preconceito.

Foi, sem dúvidas, um acerto do horário nobre da Globo tomado por tropeços nos últimos anos. Fazia tempo que a faixa das 21h da emissora não tinha uma trama original (ou seja, “não remake”) verdadeiramente boa. Um Lugar ao Sol (2021) não registrou bons índices, é fato, mas é inegável que foi uma boa novela. Mas, de lá para cá, tivemos Travessia (2022), Terra e Paixão (2023) e Mania de Você (2024), folhetins que deixaram a desejar.

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Lições para a Globo

Diante deste êxito, Três Graças deixa valiosas lições para a Globo. Uma delas é justamente mostrar para a emissora que é possível alcançar um bom retorno do público com uma novela original. A emissora vem abusando de remakes, com Pantanal (2022), Renascer (2024) e Vale Tudo (2025). É hora de voltar a valorizar textos inéditos.

Outra lição que fica é a força dos veteranos. Três Graças promoveu o retorno de Aguinaldo Silva, um medalhão da emissora que jamais deveria ter sido dispensado. Silva é o autor de vários dos maiores sucessos do canal, como Roque Santeiro (1985), Tieta (1989) e Senhora do Destino (2004), entre outros clássicos incontestáveis. Não é pouca coisa.

Três Graças também teve o mérito de trazer atores conhecidos pelo público de volta às telinhas, como Sophie Charlotte, Grazi Massafera, Murilo Benício, Dira Paes, Marcos Palmeira, Miguel Falabella, Arlete Salles, Carla Marins e tantos outros. Um bom elenco depois de tantas novelas com poucos medalhões à disposição.

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A Globo aprendeu?

Após Três Graças, a Globo vem com Quem Ama Cuida, que estreia com todo o jeito de novelão de Walcyr Carrasco. São duas novelas originais seguidas no horário nobre da emissora, algo a ser celebrado.

Entretanto, o canal vem brincando com o perigo ao insistir em voltar ao passado. Quem Ama Cuida deve ser substituída pela continuação de Avenida Brasil (2012), um projeto cheio de riscos. Para piorar, a reprise do clássico de João Emanuel Carneiro não vem registrando grandes índices de audiência.

A direção da Globo precisa seguir valorizando textos originais e abrindo espaço para profissionais tarimbados. Os fãs de um bom novelão agradecem.

André Santana

16/05/2026

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