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| Coração Selvagem foi exibida na CNT (divulgação) |
Tradicionalmente, o SBT sempre foi a “casa” das novelas mexicanas no Brasil. No entanto, em 1997, outra emissora tentou roubar o título do canal criado por Silvio Santos. Naquele ano, a CNT tentava alcançar o terceiro lugar na audiência investindo pesado em uma nova grade de programação lotada de programas importados da Televisa.
A novidade foi anunciada por Flavio Martinez, vice-presidente de operações da CNT, em entrevista ao Jornal do Brasil. "O namoro entre a Televisa e a CNT vem de longa data. A concretização do nosso contrato não foi influenciada por Marimar. Foi pura coincidência", garantiu o executivo, em 15 de fevereiro de 1997, referindo-se ao folhetim estrelado por Thalia, que, naquele momento, alcançava bons índices de audiência no SBT.
Na entrevista, Martinez contou que a CNT firmava um acordo de exclusividade sobre os produtos da Televisa no Brasil, algo inédito no país até então. "O SBT apenas comprava alguns produtos, nunca teve contrato de exclusividade. Não houve nenhum problema entre as emissoras", afirma Flávio. "A CNT não pretende produzir novelas, pelo menos a curto prazo. Nós assumimos uma parceria importante, e é nisso que vamos investir", adiantou Flávio.
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Cinco novelas e muitos programas de variedades
Assim, em 17 de fevereiro de 1997, enquanto a Globo lançava A Indomada em seu horário nobre, a CNT atacava com nada menos que cinco novelas da Televisa em sua programação. Os primeiros títulos foram Alcançar Uma Estrela (17h50), Prisioneira do Amor (19h), Simplesmente Maria (20h), Coração Selvagem (21h30) e Império de Cristal (22h30).
Porém, as novidades não pararam aí. Além de novelas, a CNT trouxe outras produções da Televisa, como o humorístico Chespirito, que foi lançado em 1º de junho de 1997. Estrelado pelo criador de Chaves, a atração trazia Chespirito vivendo outros personagens, como Chompiras (depois rebatizado de Chaveco no SBT) e Chaparron (que no SBT virou Pancada), entre vários outros tipos. Chespirito era exibido de segunda a sexta, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Além disso, a CNT também exibiu programas de variedades mexicanos. No dia 1º de setembro, 21h40, a emissora passou a exibir às segundas-feiras a faixa Super Especiais, com musicais de estrelas latinas, como Thalía, Enrique Iglesias e Lucero.
Naquela mesma semana, às quartas, ia ao ar Lente Loco, programa de auditório especializado em “pegadinhas”. Já às quintas, a novidade era Cristina Show, um programa de debates sobre comportamento na pegada de Silvia Poppovic ou Márcia Goldschmidt.
Até mesmo o jornalismo da CNT passou a ter reforço mexicano. Em 28 de dezembro de 1997, o jornal O Estado de S. Paulo informava que o canal passaria a utilizar material da Eco TV, subsidiária da Televisa, em seu telejornal.
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Greve
Porém, as novidades da programação da CNT acabaram sendo afetadas por um acontecimento inusitado. Em setembro de 1997, uma greve de dubladores mexeu com o setor e comprometeu a grade da emissora, em razão da enorme quantidade de programas dublados.
De acordo com a Folha de S. Paulo de 4 de outubro de 1997, Lente Loco e Cristina Show acabaram retirados da programação em razão da falta de dublagem. Já a novela Canavial de Paixões, na época o principal produto da grade da CNT, teve seus capítulos encurtados para “durar mais” e, depois de um tempo, chegou a ir ao ar com legendas.
A parceria entre a CNT e a Televisa acabou durando pouco tempo. Em 1998, o acordo chegou ao fim e as produções mexicanas deixaram de vez a grade do canal. Os folhetins do México só voltaram a ser exibidos no Brasil em 1999, quando o SBT optou por adquirir A Usurpadora para substituir Pérola Negra (1998) em sua principal faixa de novelas. O êxito da trama rendeu o acordo robusto entre os dois canais que segue de pé até hoje.
André Santana
16/04/2026

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