![]() |
| Em Família com Eliana (reprodução) |
Depois de chegar à Globo e ser vista no Fantástico, no Saia Justa e no The Masked Singer Brasil, Eliana finalmente volta à seara na qual se firmou nos últimos 20 anos: comandando um programa dominical de variedades. Em Família com Eliana estreou no último final de semana colocando a loira novamente numa atração de auditório com sua assinatura.
A princípio, o que foi visto não foi muito diferente do Eliana, programa que a loira comandou nos domingos do SBT entre 2009 e 2024. A estreia contou com dois quadros: um show de talentos com a presença de um júri e uma entrevista com o cantor Daniel na casa do artista. Atrações que poderiam perfeitamente compor o cardápio da extinta atração do canal de Silvio Santos.
Entretanto, enquanto a atração anterior ocupava quatro longas horas da grade dominical do SBT, o novo Em Família tem pouco mais de uma hora de duração. Ou seja, trata-se de uma “versão compacta” do Programa Eliana. E esse é o grande problema da nova aposta global.
Continua depois da publicidade
Muita coisa para pouco tempo
Não que Eliana deva voltar a ter um programa de quatro horas de duração. Aliás, não deveriam existir programas de auditório tão longos. Na Globo, o maior programa é o Domingão com Huck, com duas horas e meia de duração. Está ótimo.
O problema, então, não é a curta duração do Em Família com Eliana, mas sim a vontade de colocar tanta coisa em tão pouco tempo. Com tanto conteúdo, a equipe de edição precisou passar a tesoura na atração de uma forma atabalhoada, o que tornou tudo muito apressado. Com isso, os dois quadros soaram bastante desinteressantes.
A conversa com Daniel foi rápida e sem nenhuma revelação relevante. Já o quadro de talentos poderia render momentos divertidos se houvesse tempo para Eliana conversar com os convidados do júri e com seu “partner”, Estevam Nabote. A apresentadora tinha Pedro Bial e Belo em seu sofá, mas os explorou muito pouco.
Continua depois da publicidade
Certinho demais
Há outro problema no Em Família com Eliana. O fato, justamente, de ter sido batizado com esse nome. Ao usar a palavra “família” no título, a atração se torna temática e fica sempre obrigada a inventar quadros que envolvam esse conceito. Isso deixa o programa muito preso.
Mais do que isso: o título tem um viés conservador, o que não dá margem para que Eliana pise “fora da caixinha”. Assim, piadas mais ácidas, como as disparadas por Narcisa (Thiago Barnabé) no programa do SBT parecem não ter espaço na atração global. Já quadros tipo “besteirol” como Rola ou Enrola ou É Bolo ou Não É também não devem ter vez.
O programa, então, tende a ficar “certinho demais”, quase como uma filial do Caldeirão com Mion, que adotou um discurso bonzinho e longe da anarquia que já caracterizou Marcos Mion no passado. Claro, Eliana sempre foi a “certinha” em seus programas, mas costumava se divertir e dar espaço para parceiros que a tiravam de uma zona de conforto. Melocoton, Chiquinho e Narcisa serviam justamente para isso: provocar, no bom sentido, a apresentadora e, assim, surpreender. Ao que parece, Nabote não terá essa liberdade.
Continua depois da publicidade
Ajustes
Mas, apesar dos pesares, Em Família com Eliana tem potencial. Afinal, o formato da atração já prevê um rodízio de quadros, o que dá margem a reformulações para buscar o que o público do horário deseja. Aos poucos, ajustes devem ser feitos.
Basta lembrar do que a Globo fez com Ana Maria Braga. O Mais Você, que estreou em 1999, também era uma versão condensada do Note e Anote, da Record. Mas, enquanto este tinha cinco horas diárias ao vivo, o outro tinha apenas uma hora. Essa vontade de fazer tudo em tão pouco tempo deixou o Mais Você frio. Porém, aos poucos, a Globo foi mudando a atração, de modo a deixá-lo menos engessado. Deu certo e o Mais Você está no ar até hoje.
Deste modo, a tendência é que a Globo desista de fazer uma versão compacta do Eliana e encontre um formato mais fluído para seu Em Família com Eliana. E, claro, outra boa ideia seria não ficar presa ao título e deixar a coisa se desenvolver, como foi feito com Serginho Groisman - afinal, o Altas Horas há anos não está mais nas madrugadas, mas mantém seu título como uma grife. Vamos ver o que acontece com Eliana.
André Santana
17/03/2026

0 Comentários