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| Chaves foi escanteado no SBT (reprodução) |
Na coletiva que lançou a programação de 2025 do SBT, realizada em maio do ano passado, Daniela Beyruti, presidente da emissora, fez uma análise muito acertada do momento que o canal vivia naquele período. A executiva fez uma autocrítica até corajosa ao afirmar que não estava enxergando no canal criado por seu pai as características que consagraram a estação no passado.
"Eu não estava mais vendo o SBT no SBT", disse, na ocasião. "Quero trazer de volta o SBT 'raiz'. Estava sentindo falta da alegria e da espontaneidade. Assistindo à grade como estava, percebi que, se a pessoa não tem acesso a mais nada além da TV aberta, ela só tinha coisa pesada para assistir. Notícia de assassinato, atropelamento. Isso não agrega. Nós temos programas nessa linha, inclusive vamos voltar com o Aqui Agora, mas é diferente. O SBT tinha que voltar a ser o SBT", afirmou.
Na época, a emissora tentava emplacar o Tá na Hora de qualquer maneira, mas nem a passagem de José Luiz Datena, expoente do segmento, conseguiu fazer o programa policial emplacar. As manhãs da emissora também apostavam no mesmo conteúdo, com o interminável Primeiro Impacto. Ou seja, havia muito jornalismo policial pesado na programação, e Daniela prometia o resgate da alegria que já caracterizou o SBT no passado.
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Nova programação
Mas, menos de um ano depois, o bonito discurso da filha de Silvio Santos ficou apenas na promessa. Naquela ocasião, o canal até suavizou o conteúdo de seus jornalísticos. Entretanto, a aposta em reportagens menos sanguinolentas durou pouco.
Eis que chegamos em 2026 e a tendência de piora é grande. Ao que tudo indica, a emissora pretende manter o Primeiro Impacto ocupando toda a sua manhã. E, na parte da tarde, o Aqui Agora deve sair de cena para dar espaço a mais um jornal policial. De acordo com o site TV Pop, a ideia é que, ao fim da novela Coração Indomável, um novo policialesco ocupará o espaço, das 17h até 19h45 - como foi o Tá na Hora em seu início, diga-se.
Com isso, a emissora que já foi “mais feliz do Brasil” terá mais de 10 horas de “jornalismo popular”. Assim, o SBT vai ficar longe de sua “raiz” e se tornará uma espécie de cópia da Record, mas sem a mesma vocação da concorrente. Ou seja, a chance de a nova grade continuar afundando o SBT é grande.
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Jogou a raiz fora
Curiosamente, para dar espaço a tanto jornalismo popular de gosto duvidoso, o SBT está abandonando alguns dos alicerces que seguraram sua programação por anos. Basta observar o que foi feito de Chaves, que voltou ao ar em 2024 com estardalhaço, mas rapidamente perdeu espaço na grade, mesmo registrando bons índices de audiência.
A série mexicana até havia conquistado um espacinho legal nas manhãs de domingo, com o Clube do Chaves, mas até isso o canal decidiu interromper. A partir deste domingo, 8, a criação de Chespirito sai de cena para dar espaço ao ultra reprisado e chato Notícias Impressionantes. Faz sentido? Não.
Além disso, trocar a faixa de Coração Indomável por um jornal policial mostra que o SBT está disposto a reduzir cada vez mais o espaço das novelas mexicanas na grade. Outra atitude sem sentido, tendo em vista que a história de Maricruz registra ótimos índices para os atuais padrões da emissora. Agora que o público das novelas mexicanas voltou a sintonizar o SBT nos finais de tarde, o canal vai colocar tudo a perder.
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Cadê o SBT?
Curiosamente, na manhã deste sábado, 7, este pequeno jornalista que vos escreve decidiu deixar a TV ligada no +SBT Raiz, canal linear do streaming da emissora dedicada a reprisar programas antigos. No horário, estava sendo exibido o infantil Casa da Angélica (1993). Na sequência, entrou o Fantasia (1997), aquela primeira versão com Valéria Balbi, Adriana Colin, Débora Rodrigues e Jackeline Petkovic.
Mesmo sendo programas de época diferentes, os dois programas têm algo em comum: ambos eram exibidos diariamente, nas tardes do SBT. E os dois programas apostavam na diversão descompromissada, com entretenimento puro. Trata-se de um SBT que não existe mais.
Claro, não é o caso de o canal voltar a apostar num infantil de auditório nas tardes, ou ressuscitar o Fantasia pela enésima vez. Os dois programas faziam sentido na época deles e, com certeza, fracassariam feio nos dias de hoje. Mas vale a ideia. Será possível que os diretores do SBT, tão experientes que são, não conseguem criar algo que resgate não esses formatos, mas suas essências?
Parece que o SBT, ao pensar em programação ao vivo, só pensa em revista eletrônica e jornal popular. Formatos que não dão certo no canal. Nunca deram, nunca vão dar. O SBT já teve o Programa Livre ao vivo nas suas tardes, por exemplo. Um exemplo que mostra que é possível fazer um programa ao vivo e factual, mas sem necessariamente ser em formato de revista ou jornal. Está faltando pensar fora da caixa.
Fato é que o SBT está perdido. E agora está disposto até a abandonar Chaves e as novelas mexicanas, que tanta alegria já deram no passado. Que pena!
André Santana
07/03/2026

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