quarta-feira, 31 de março de 2021

RedeTV ensaia sair da inércia e anuncia grade diversificada

Não faz muito tempo que comentei por aqui que a RedeTV estava desenhando uma nova linha de shows para tentar alcançar alguma relevância, já que o canal anda apagado há tempos. E ontem, 30, num evento online, a emissora anunciou as novidades, que, surpreendentemente, são muitas. A emissora vai lançar vários novos semanais, que serão exibidos a partir das 22h30.

As noites de segunda-feira serão de Foi Mau, com Mauricio Meirelles, e Desvendando Cozinhas, com o ex-MasterChef Raul Lemos. No primeiro, o comediante terá um espaço para bate-papos e suas famosas “troladas”. No segundo, o chef de cozinha investigará o funcionamento de diferentes cozinhas pelo Brasil. Já nas terças, Nathalia Arcuri fará seu talk show de economia, o Me Poupe! Show. Em seguida, irá ao ar Hervolution, que destacará o universo feminino.

Nas quartas-feiras, Luciana Gimenez ganha um novo programa. Trata-se de Operação Cupido, um game de relacionamentos. Em seguida, vai ao ar Galera FC, esportivo comandado por Julio Cocielo e Flavia Noronha. Já nas quintas, além do Sensacional, vai ao ar um novo talk show com Luis Ernesto Lacombe, o Agora com Lacombe, que promete pautas conservadorZzZzzZZ… ronc!

Enquanto isso, nas noites de sexta, a emissora volta a exibir MMA com a transmissão do One Championship. O canal também anunciou que o Superpop seguirá no ar, mas será reformulado. Porém, nenhum site de notícia sobre TV informou o dia e o horário do programa de Luciana Gimenez. E, como se vê, a linha de shows da semana está bem abarrotada. Aguardemos…

Mas a grande surpresa da noite será a reformulação do TV Fama. O programa passará a ser apresentado pela ex-Vídeo Show Alinne Prado, ao lado da ex-Tricotando Lígia Mendes e do ex-novelas Julio Rocha. A ideia é rejuvenescer o formato, que passará a ter um cenário físico e ampliará o conteúdo nas redes sociais. Quanto aos ex-apresentadores, Flavia Noronha ficará com o Galera FC, como dito acima, mas Nelson Rubens tem destino incerto. Vale lembrar que o fofoqueiro comanda a atração desde 2001. Tem história!

A ideia de oferecer um conteúdo diversificado é interessante e muito positiva. Além disso, há tempos que o TV Fama pede uma reforma, pois estava no piloto automático. Ou seja, trata-se de uma reformulação geral da grade que, além de necessária, pode dar uma nova cara ao horário nobre da RedeTV. Ficamos na torcida pra que a boa intenção se mantenha, e não se perca como aconteceu com a primeira (e ótima) primeira grade da história do canal.

André Santana

sábado, 27 de março de 2021

Apresentadora afobada e falta de imaginação marcam primeira semana de "Vem pra Cá"


Nova aposta das manhãs do SBT, Vem pra Cá teve uma primeira semana irregular. A atração comandada por Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano debutou bastante marcada pela afobação, com Patrícia acima do tom, e os dois apresentadores interrompendo os convidados todo o tempo. Além disso, a escolha das pautas da primeira semana não foi muito feliz.

Curiosamente, Patrícia Abravanel mostrou segurança no ao vivo, que é uma novidade em sua carreira como apresentadora. No entanto, talvez pelo hábito de comandar programas de auditório, sua energia estava um tanto acima da média. A apresentadora demonstrou afobação e um excesso de “alegria” que não combina muito com o horário ou o estilo do programa.

Além disso, ela mostrou que ainda não sabe dividir a cena. Seja ao lado de Cartolano, ou interagindo com os demais colaboradores do matinal, Patrícia é sempre quem fala mais. A apresentadora interrompe a todos, responde às próprias perguntas e dá pouco espaço aos colegas de cena. Falha grave num formato de programa que depende de muita gente. Gabriel Cartolano tem um tom mais agradável, embora também tenha o hábito de interromper entrevistados com certa frequência. 

Vem pra Cá também teve falhas na escolha dos temas e na montagem do “espelho” do programa. No dia de estreia, o programa foi aberto com uma pauta despropositada de moda, que apresentava modelitos de balada em plena pandemia. E só depois entraram com um (fraco) bloco de jornalismo. Não é preciso ser muito esperto para entender que o bloco de notícias deve abrir o programa, para tentar segurar o público do Primeiro Impacto.

Neste contexto, o programa seguiu sua vidinha em sua primeira semana sem qualquer sobressalto de criatividade. São os mesmos papos sobre saúde, comportamento, moda, beleza e culinária, que os programas da concorrência também estão cansados de tratar. Faltou ao Vem pra Cá algo que motivasse o espectador do horário a mudar de canal.

Pra não dizer que não teve nada com a cara do SBT, o quadro sobre os 40 anos da emissora é o grande acerto. O canal tem uma relação de afetividade e nostalgia com seu público, e explorar isso pode ser o diferencial que o matinal busca. A história do SBT é riquíssima e pode render pautas muito interessantes ao Vem pra Cá. Fica a dica.

Além disso, os games são a marca registrada do SBT. Por que não dedicar parte da atração à distribuição de prêmios, com jogos no estilo do Fantasia? Não é novo, mas ao menos é algo diferente do que os demais programas matinais têm feito. Distribuição de prêmios está no DNA do SBT, e a história mostra que é algo que funciona.

Outro acerto é a produção caprichada e competente. A cenografia, em meio aos jardins do SBT, funcionou muito bem, dando um ar de “Casa de Cristal” de Ana Maria Braga na Globo, ou ainda do É de Casa, com segmentos feitos na área externa. Visualmente, Vem pra Cá é um programa bonito.

E, apesar dos pesares, Vem pra Cá demostra potencial comercial, que é o que a direção do SBT espera com a atração. Programas no estilo revista eletrônica têm alto potencial de vendas, já que cabe todo tipo de assunto. Mas o programa dificilmente será um grande sucesso comercial se a audiência não corresponder. Ele não precisa ser um estouro, mas precisa mostrar que tem um público. Este é o desafio.

O maior problema do programa é, justamente, a falta de tradição do SBT neste tipo de programa. A concorrência já tem seus matinais consolidados, e Vem pra Cá precisa convencer o público a mudar de canal. Será preciso paciência, coisa que nem sempre Silvio Santos tem. 

André Santana


sexta-feira, 26 de março de 2021

"Dani-se" valoriza talento de Dani Calabresa


Dani-se, nova aposta do canal GNT, é uma mistura de tudo o que tem sido feito no atual cenário do humor brasileiro na TV. Se os novos comediantes se aventuram em talk shows ou programa de esquetes, Dani Calabresa juntou tudo isso numa só atração. O diferencial é a presença da atriz, extremamente carismática e muito divertida.

Na ativa na TV desde sua passagem pelo obscuro humorístico Sem Controle (2007), do SBT, Dani se consagrou com os tipos e as imitações criadas para o Comédia MTV (2010), na extinta MTV Brasil. Também mostrou sua porção apresentadora no lendário Furo MTV (2009), no mesmo canal. Depois disso, porém, teve passagens mais apagadas por Band, no CQC (2013), e Globo, no Zorra (2015).

Dani-se, então, é a oportunidade para que Dani Calabresa retome seu protagonismo. No programa do GNT, a humorista tem a chance de mostrar porque merece tanto espaço quanto Marcelo Adnet e Tatá Werneck, dois de seus colegas dos tempos de MTV.

Assim como nos talk shows de Tatá e Fabio Porchat, a conversa é a âncora de Dani-se. A apresentadora, ao lado do divertido Pedroca Monteiro, recebe convidados numa mesa “a la Sonia Abrão” para discutir determinados temas. Entre uma tirada e outra, Dani-se exibe esquetes de humor variados com a presença dos convidados. Ou seja, o formato mistura várias vertentes do humor atual, sempre tendo Dani no centro da ação. Apesar de pouco original, é um formato que funciona. É simpático e divertido.

A estrutura de Dani-se funciona bem por conta da versatilidade de Dani Calabresa. Com um estilo expansivo, meio macarrônico, Dani é uma figura de esbanja bom humor e simpatia. São características que a fazem uma excelente anfitriã. Ela se diverte em cena, e diverte seus convidados. Ao mesmo tempo, Dani é uma atriz de humor da melhor qualidade e exímia imitadora. E o Dani-se também dá espaço para que ela explore este talento. Por isso, a atração é uma das grandes novidades da TV brasileira neste 2021.

André Santana


quarta-feira, 24 de março de 2021

Com Sabrina Sato em "A Ilha", Record dá mais espaço às mulheres em realities

A Record confirmou o nome de Sabrina Sato para a condução de A Ilha, seu novo reality show. Na nova atração, a emissora colocará famosos em uma ilha, onde passarão por provas e terão que achar um tesouro. Ou seja, uma espécie de A Fazenda, mas num cenário mais paradisíaco.

Com isso, a emissora efetiva duas mulheres no comando de importantes realities de confinamento, segmento de reality show que, no Brasil, é comumente apresentado por homens. Adriane Galisteu em Power Couple e Sabrina Sato em A Ilha parecem boas experiências, no sentido de trazer um olhar feminino diante das disputas. Considero duas boas escolhas.

Enquanto isso, A Fazenda segue sem apresentador. Depois da dispensa de Marcos Mion, nomes como Caio Castro e Bruno Gagliasso foram considerados, mas, ao que tudo indica, os dois galãs não parecem empolgados em assumir tal desafio. Recentemente, Regina Volpato deixou escapar, no Mulheres, que Celso Zucatelli estaria muito cotado para a função. 

Eu, particularmente, acredito que a Record tem em Zucatelli um “plano B”. Ou seja, caso não consiga nenhum nome de peso de fora, a emissora apostará no jornalista como solução caseira. Há quem diga que Otaviano Costa também é um nome que circula pelos corredores da Barra Funda. Aguardemos o desenrolar dos fatos.

Mas, voltando a Sabrina Sato, a confirmação do nome da japa em A Ilha deve significar também que, por enquanto, uma nova temporada de Dancing Brasil está fora de cogitação. Afinal, Sabrina era o nome mais cotado para suceder Xuxa Meneghel na competição de dança. Provavelmente, o canal desistiu do formato dada a dificuldade de fazer um concurso de dança em meio à pandemia. 

André Santana

sábado, 20 de março de 2021

"Amor de Mãe" retorna acelerada, mas sem perder a emoção


Esperada há um ano, a reta final de Amor de Mãe finalmente entrou no ar nesta semana, depois da pausa forçada pela pandemia da covid-19. A novela de Manuela Dias voltou ao ar com o grande desafio de colocar um ponto final na história em apenas 23 capítulos. Para dar conta, a autora tratou de eliminar gorduras, focar na história principal e colocar o pé no acelerador, imprimindo um ritmo eletrizante à narrativa.

A estratégia de retorno de Amor de Mãe se mostrou acertada. O “resumão” exibido em duas semanas foi muito feliz ao se colocar como um novo produto, e não mera recapitulação. A narração de Lurdes (Regina Casé), Vitória (Taís Araújo) e Thelma (Adriana Esteves) tornou o espectador cúmplice de suas trajetórias, resgatando toda a emoção do enredo. Por meio do olhar delas, alguns núcleos praticamente desapareceram, enquanto outros foram recapitulados em trajetória não-linear. Funcionou como uma boa preparação para a estreia dos capítulos inéditos.

E o que se viu a seguir foi uma movimentação atípica. A trama deu um salto de seis meses, incluiu a pandemia no enredo e apresentou vários personagens em contextos distintos de onde eles estavam quando a história parou. Com isso, Amor de Mãe provocou algumas surpresas, que foram elucidadas com flashbacks, como toda a situação que levou Álvaro (Irandhir Santos) para a prisão. 

Ao mesmo tempo, mal vimos Thelma chegar ao extremo matando Rita (Mariana Nunes) na sexta-feira, e na segunda ela já retomou seu viés assassino ao dar cabo da melhor amiga, Jane (Isabel Teixeira). O resumão deixou bem claro que Thelma era capaz de grandes loucuras por seu filho, ou seja, ela não foi “transformada” em vilã. Mesmo assim, matar duas personagens em dois capítulos foi chocante. Compreensível, dado o salto de seis meses, mas ainda chocante.

A alta voltagem se seguiu nos capítulos seguintes. Amor de Mãe seguiu eletrizante com o sequestro de Betina (Isis Valverde) e a morte de Marconi (Douglas Silva), numa sequência onde tudo aconteceu muito rápido, sem tempo para o espectador respirar. Com isso, a novela voltou muito focada na ação, perdendo um pouco o caráter contemplativo que caracterizou a primeira fase, que mostrava grandes “passeios” da câmera pelos cenários, ou momentos de silêncio. Com isso, a novela perdeu um pouco de seu charme.

No entanto, os capítulos de quinta e sexta, embora ainda apressados, foram menos frenéticos, dando espaço novamente aos dramas dos personagens e alguns momentos de contemplação. Com isso, Amor de Mãe retomou alguns pontos que fizeram com que ela fosse considerada “diferente” por parte do público. Ainda bem!

No geral, Amor de Mãe voltou à cena reafirmando suas qualidades, como o bom texto da autora, a direção firme de José Luiz Villamarim, um elenco acima da média e uma história envolvente, que utiliza do melodrama com um olhar muito peculiar. E a pressa em encerrá-la não chega a prejudicá-la, pelo contrário. Dá um clima de reta final, o que realmente é. Além disso, a inclusão da pandemia no enredo foi uma saída inteligente para evitar a aglomeração do elenco e da equipe. As situações nas vidas dos personagens foram adaptadas, assim como na nossa vida. 

Assim, respiremos fundo e acompanhemos a fase final de Amor de Mãe, que promete mais tensão, numa mistura de thriller e novelão que segue se revelando inventiva, inteligente e cheia de emoções. É hora de, finalmente, ver Lurdes descobrindo que Danilo (Chay Suede) é Domênico e ver como a amizade com Thelma, tão bem construída ao longo de toda a novela, será transformada a partir deste revés do destino. Novelão!

André Santana

Adriana Araújo deixa a Record

Bola cantada há tempos, a saída de Adriana Araújo da Record se concretizou nesta semana. A apresentadora do Repórter Record Investigação deixa a emissora onde estava desde 2006, e onde foi âncora do Jornal da Record (em duas passagens), correspondente internacional, apresentadora do Domingo Espetacular e, nos últimos meses, esteve no comando do semanal de grandes reportagens.

Adriana Araújo era uma repórter de destaque da Globo quando foi contratada pela Record. Na época, a emissora estava implantando seu projeto “a caminho da liderança”, construindo uma grade de programação “inspirada” na grade da principal rival. E, entre as medidas adotadas, estava a reformulação do Jornal da Record, que, na época, era apresentado por Bóris Casoy. A ideia era parecer o Jornal Nacional e, portanto, ter um casal no comando, preferencialmente de nomes que vinham da Globo.

Celso Freitas, que já estava batendo cartão no Domingo Espetacular, foi convocado para a missão. Para a outra vaga, a emissora sondou âncoras da Globo, mas nenhuma topou a troca. Assim, o canal optou por uma repórter, transformando-a em apresentadora. O que se revelou uma decisão acertada, já que Adriana assumiu a missão com muita competência.

De lá para cá, Adriana Araújo se tornou um nome de destaque do jornalismo da Record. Chegou a ser trocada por Ana Paula Padrão no Jornal da Record, mas, ao retornar, mostrou que nunca deveria ter saído daquela bancada. Entretanto, apesar da trajetória de sucesso, algo começou a “pegar” entre a jornalista e a emissora por conta da cobertura da pandemia. Adriana demonstrou, várias vezes, não concordar com a cobertura, digamos, “chapa-branca” do canal. Com isso, foi afastada do Jornal da Record e realocada no Repórter Record Investigação.

Em sua carta de despedida, Adriana Araújo deixa claro que este foi o motivo deste último ano “desencontrado” dentro da emissora. Por isso, é melhor mesmo que ela respire outros ares. Profissional altamente capacitada, não devem faltar novas oportunidades para a jornalista. Segundo alguns sites, ela deve ficar um período afastada, antes de decidir que rumo tomar. E vale lembrar que a CNN estava de olho nela!

Sobre tudo isso: é curioso notar o que acontece com a Record. Na época em que Adriana Araújo estava no Jornal da Record, a cobertura da pandemia no noticioso era pequena e focava nos sobreviventes, e não nos mortos. Claramente, a emissora adotava um tom "otimista" e demonstrava seu alinhamento editorial com o Governo Federal. No entanto, recentemente, viralizou um comentário de Mariana Godoy, atual apresentadora do Fala Brasil, sendo firme na crítica à falta de controle da pandemia no país e defendendo a vacinação em massa. O que será que mudou de lá para cá?

André Santana

quarta-feira, 17 de março de 2021

Irrelevante, RedeTV tenta se reerguer com nova linha de shows

A RedeTV nunca esteve numa posição tão ruim. Com a programação mais enfraquecida do que nunca e audiência baixíssima, o canal só ganha alguma repercussão quando resolve se enfiar nas lambanças defendidas pelo Governo Federal, como a matéria falando do tratamento precoce da covid-19 exibida no RedeTV News, que foi criticada por Mauricio Stycer no UOL.

Talvez por isso, a emissora planeja lançar uma nova linha de shows em breve. Por isso, e também para reduzir custos, já que a nova grade também servirá para reduzir o espaço de Luciana Gimenez na programação e, consequentemente, o seu salário. A estrela da emissora deve ficar somente com uma edição do Superpop por semana (atualmente são duas), e perderá o talk show Luciana By Night.

Entre as novidades das noites da RedeTV que devem ocupar o espaço deixado por Gimenez estão Foi Mau, novo programa de Mauricio Meirelles, e o talk show Me Poupe! Show, com a jornalista e especialista em finanças Nathalia Arcuri. Esta última fechou uma parceria com salário de 1 real, e espera faturar com os eventuais lucros da atração, informou o site Metropolis. Ou seja, a nova grade do canal deve oferecer mais conteúdo com baixo custo.

Chama a atenção a perda de espaço de Luciana Gimenez. A apresentadora, que sempre foi considerada uma das principais estrelas do canal, também já foi melhor de Ibope e vendia bem. No entanto, faz muito tempo que o Superpop tem passado em brancas nuvens. O Luciana By Night deu um rumo interessante à carreira dela, já que tinha um formato mais bem-resolvido. Mas até ele se perdeu no decorrer dos anos.

Além disso, a insistência da RedeTV em reduzir seu espaço e salário estava pegando na renovação de seu contrato. Muitos acreditavam que ela estava de saída. Porém, se ela realmente assinar um novo acordo, deve seguir no Superpop e, ainda, ganhar um programa de namoro. Seria interessante vê-la saindo da “zona de conforto”. Mas, mais do que ganhar um novo formato, ela devia tentar novos ares. 

André Santana


sábado, 13 de março de 2021

"A Força do Querer" não repetiu sucesso, mas disse a que veio

A edição especial de A Força do Querer parecia a novela certa para uma reapresentação neste contexto em que novelas inéditas são inviáveis. Afinal, foi um sucesso de público e crítica. No entanto, a reprise não repetiu o sucesso de sua exibição original. Talvez por estar ainda fresca na memória do público, ou talvez por ser mais “pesada” se comparada com Fina Estampa.

Mesmo assim, a novela não chegou a fazer feio. Após um início morno, A Força do Querer foi ganhando público enquanto sua trama se desenrolava. E, mais uma vez, mostrou o vigor do texto de Gloria Perez. A trama marcou uma renovação no estilo da autora, que manteve sua mão firme para o folhetim rasgado, mas trouxe algumas novidades à sua narrativa.

Confira abaixo a análise publicada em 21 de outubro de 2017 no TELE-VISÃO:

Muitos foram os trunfos de A Força do Querer, novela de Gloria Perez que devolveu ao público o prazer de acompanhar uma trama das nove. O folhetim foi feliz na abordagem de vários assuntos, na construção da relação dos personagens, no elenco muito bem escalado e na direção criativa de Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos, que conseguiram fugir do lugar-comum, ao mesmo tempo em que mantiveram as características do gênero.

Gloria Perez parece ter aprendido algumas lições após a criticada Salve Jorge. Quando a mocinha Morena (Nanda Costa) não foi uma unanimidade e a insistência em abordar uma cultura internacional “exótica” se manteve com o núcleo desnecessário da Turquia, a autora tratou de deixar sua nova história mais “limpa”, sem excessos ou pirotecnias. Assim, em A Força do Querer, não havia apenas uma mocinha, mas várias protagonistas que lideravam diferentes histórias, enquanto a tal “cultura exótica” ganhou cores brasileiras, ao mostrar ao restante do país boas curiosidades sobre o Pará.

Com estes ingredientes, A Força do Querer mostrou-se uma novela poderosa, que não tentou reinventar o gênero, mas, sem dúvidas, conseguiu fazer algumas concessões dentro do próprio gênero. Sempre em sintonia com a contemporaneidade, Gloria Perez fez de A Força do Querer uma novela de grandes personagens femininas, num momento em que se fala tanto no feminismo. Três de suas protagonistas não tinham nada de mocinha clássica: Ritinha (Isis Valverde) era egoísta e inconsequente, enquanto Bibi (Juliana Paes) tomou o rumo do crime em nome de um amor; já Jeiza (Paolla Oliveira), a única “heroína” de fato delas, abriu mão de sua vida amorosa em razão de uma ambição profissional.

Dentre elas, a história mais interessante, sem dúvidas, foi a de Bibi. A transformação da pacata jovem em “imperatriz do tráfico” em nome de seu amor a Rubinho (Emílio Dantas) foi cheia de nuances, boas sequências e momentos de viradas impactantes. Juliana Paes, que já tem uma gama de boas personagens no currículo, com certeza agora terá a Bibi Perigosa num lugar de destaque. Uma ótima personagem, feita por uma ótima atriz. Destaque, claro, à presença forte de Elizângela como a mãe de Bibi, sempre ao lado da filha, sofrendo e lhe dando conselhos. Aurora foi outra das grandes mulheres de A Força do Querer.

Outro grande acerto foi a boa abordagem da questão trans. Por meio de Ivana (Carol Duarte), que se descobre um homem trans ao longo da novela, a autora conseguiu, de maneira didática na medida, explicar ao público heterogêneo de uma novela, o que é, afinal, a transexualidade. Outro assunto que anda na pauta do dia nos últimos anos, tal questão teve uma abordagem corajosa e eficiente na trama. Com a saga de Ivana, que se torna Ivan, o público se tornou testemunha do personagem na sua descoberta de si mesmo. A angústia de Ivan, que deixou bastante claro que ninguém escolhe ser trans ou cis, fez com que a audiência compadecesse e torcesse por ele. E Gloria ainda optou por seguir pelo caminho mais “complicado”, ao fazer de Ivan um homem trans e gay. Seu final ao lado de Claudio (Gabriel Stauffer) foi mais uma de suas ousadias.

A Força do Querer também acertou ao usar Nonato (Silvero Pereira), a travesti Elis Miranda, como um contraponto a Ivan, explicando a diferença entre ser travesti e ser transexual. Quando Ivan e Nonato se encontram na história, as tramas de ambos crescem e se tornam vigorosas. Neste contexto, merece menção, também, as presenças de Biga (Mariana Xavier) e Simone (Juliana Paiva).

Simone, aliás, foi uma personagem que muitos não entenderam, já que, por ela estar sempre envolvida em problemas “alheios”, não tinha trama própria. Na verdade, a personagem foi importante justamente por isso. Ao mesmo tempo em que servia de principal apoio ao primo Ivan, Simone sofria em razão do vício em jogo da mãe Silvana (Lília Cabral), mais uma grande mulher da novela. A relação entre Simone e Silvana subvertia a ordem da relação entre mãe e filha, já que, aqui, era a filha quem brigava com a mãe para que esta tomasse juízo. E a história de Silvana, mesmo repetitiva, conseguiu explicar também o que é e quais as terríveis consequências que o vício em jogo traz na vida de quem joga e quem convive diretamente com quem joga.

Completando a gama de grandes mulheres de A Força do Querer, havia ainda Irene (Débora Falabella) e Joyce (Maria Fernanda Cândido). Enquanto a vilã passou a trama toda infernizando a dondoca e seu marido Eugênio (Dan Stulbach), a mãe de Ivan e Ruy (Fiuk) sofria ao não ter a vida perfeita que sempre sonhou ter. Joyce chorou ao ser traída, ao descobrir que a filha na qual espelhava sua vaidade era, na verdade, um homem, e, ainda, precisou engolir Ritinha, uma nora bem complicada. Vale destacar o crescimento de Maria Fernanda Cândido ao longo da obra. Começou insegura, mas, aos poucos, conseguiu dominar as nuances e contradições de Joyce. E, claro, é sempre justo destacar os belos trabalhos de Débora Falabella, Dan Stulbach e Isis Valverde. Fiuk é que era o elo mais fraco, e sua escalação para um personagem tão importante quanto Ruy não se justificou.

Por tantos acertos, nada mais justo que A Força do Querer tenha se tornado a novela das nove mais vista desde Avenida Brasil. A trama trouxe qualidades que mexeram com o público e mostrou que a novela, enquanto entretenimento e agente social, ainda tem uma força que está longe de se esgotar.

André Santana

sexta-feira, 12 de março de 2021

André Marques é o apresentador do novo "No Limite"

Enquanto esperávamos Marcos Mion, ganhamos André Marques! O apresentador do The Voice+ foi confirmado como o novo comandante de No Limite, que deve estrear em março a sua quinta temporada e que terá ex-BBB’s na disputa. Com o novo trabalho, o apresentador deixará o The Voice Kids, que passa às mãos de Marcio Garcia.

Segundo Cristina Padiglione, do TelePadi, a ideia de contar com Marcos Mion não foi adiante por conta de seu contrato com a Record. Apesar de já ter anunciado a dispensa, o acordo entre o artista e o canal só chega ao fim em maio. E como o No Limite está na linha de produção desde já, não haveria tempo para que Mion o assumisse. Mas a imprensa especializada mantém a informação de que a Globo tem simpatia por Marcos Mion. Ou seja, mais adiante, pode rolar um acordo sim. Aguardemos.

Enquanto isso, a Globo optou por uma solução caseira. André Marques, que já passou por diversas produções do núcleo de Boninho ao longo dos últimos anos, continua em alta com a chefia. Com isso, já é possível prever que Marques não deve mais retornar ao É de Casa, programa em que também bate ponto. Como vai emendar The Voice+ e No Limite, é possível que ele entre em férias logo em seguida e aguarde um próximo formato ou temporada.

A mudança parece bem cômoda para a Globo. Afinal, André é prata da casa, ou seja, não será necessário contratar um novo artista. Além disso, o É de Casa já parece bem resolvido com as presenças de Ana Furtado, Manoel Soares, Patrícia Poeta e Cissa Guimarães. Marques não fará falta. 

E quem sai ganhando é Márcio Garcia. O apresentador e a emissora renovaram acordo recentemente, mas não havia maiores expectativas sobre ele, já que Tamanho Família subiu no telhado. Havia uma conversa de que ele ganharia um novo programa, além do nome de Márcio sempre surgir como substituto de Luciano Huck, caso ele vá para os domingos (ou para a política). Porém, era tudo na base do “talvez”. De certo, mesmo, era que ele estava na geladeira.

Como ganhar para não trabalhar parece mais não ter vez na Globo, a emissora aciona seu artista e num projeto que parece bom para ele, já que Márcio teve no Gente Inocente um de seus melhores trabalhos como apresentador. Ou seja, ele tem experiência ao lidar com crianças. Assim, as decisões são saudáveis para a Globo, mas não deixam de frustrar quem aguardava um nome novo. 

André Santana


quarta-feira, 10 de março de 2021

Com realities de reforma e culinária, SBT busca renascimento

O SBT surpreendeu todo mundo dias atrás ao levar ao ar chamadas na qual “ressuscita” a ideia do reality show Vivendo com o Inimigo, que seria uma espécie de BBB em que os participantes conviveriam com seus ex sob o mesmo teto. A notícia foi recebida com desconfiança, tendo em vista que não há movimentação na emissora acerca do andamento da produção. Especialistas entenderam a chamada como um “balão de ensaio” para testar o mercado.

Mesmo assim, caso a emissora realmente não volte a apostar num reality de confinamento, haverá outras novidades para 2021. O SBT já está produzindo dois novos realities, que devem ir ao ar em breve. O canal seguirá apostando no segmento da culinária, mas também lançará um programa de reformas.

Te Devo Essa é o nome do programa que irá reformar as casas dos participantes. A atração é inspirada em Irmãos à Obra, reality de sucesso da TV paga. Mas, ao invés de ter gêmeos tocando vendas e reformas de casas, o programa brasileiro terá Donny De Nuccio como apresentador e um especialista em obra para acompanhá-lo.

Além de Te Devo Essa, o SBT também apostará em Mestre da Sabotagem, versão brasileira de Cutthroat Kitchen. Apresentado por Sergio Marone, o programa mostrará participantes que devem cozinhar, mas também irão sabotar a receita do concorrente com uma série de trapaças. Provavelmente, os dois novos formatos devem ocupar as noites de sábado, atualmente ocupadas por reprises do Esquadrão da Moda e o Bake Off Celebridades.

Fora os novos realities, o SBT também já anuncia Vem pra Cá, revista eletrônica matinal que será comandada por Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano. A atração estreia em 22 de março, e irá ao ar das 9h45 às 11h15. Não tem cara de que vai dar certo não, mas ao menos estão tentando, né?

André Santana


sábado, 6 de março de 2021

Enquanto não estreia no horário nobre, Lícia Manzo brilha às seis com "A Vida da Gente"

Os fãs de novelas que valorizam o texto, os diálogos bem construídos e os dramas psicológicos encontraram em Lícia Manzo um bálsamo. A autora, apesar de ter apenas duas novelas como titular no horário das seis, conquistou corações e deixou claro que tem um estilo muito próprio, com novelas que valorizam as relações humanas e as conversas francas. A Vida da Gente (2011) e Sete Vidas (2015) foram duas das melhores novelas da década passada.

Nenhuma delas foi fenômeno de audiência, embora também estejam longe de serem fracassos. Mas as duas foram extremamente bem recebidas pela crítica especializada, e até pelo mercado internacional, além de terem alcançado fãs ardorosos (grupo no qual se inclui este pequeno jornalista que vos escreve). A Vida da Gente, em pouco tempo, se tornou uma das novelas mais exportadas da Globo, levando para o mundo o texto sensível da autora.

Estes feitos credenciaram Lícia Manzo a se tornar um nome festejado dentre os novos novelistas revelados pela Globo nos últimos dez anos. Entretanto, a trajetória da autora é bastante marcada por reveses, cancelamentos e adiamentos. Tanto que emplacou “apenas” duas novelas em dez anos, enquanto vários de seus colegas permaneceram no ar por anos a fio. Lícia viu duas novelas das onze serem adaptadas ou canceladas, e também viu uma minissérie ser engavetada. Por outro lado, foi alçada ao horário nobre, confirmada na concorrida faixa das 21 horas.

Quando parecia que ela, finalmente, conquistaria o espaço que tanto merecia, veio a pandemia da covid-19. Com o fechamento dos estúdios e a escalação de reprises para ocupar os horários de novelas, Lícia viu sua estreia às 21 horas ser adiada constantemente. Em março do ano passado, antes da declaração da pandemia, Amor de Mãe começava a decolar em sua reta final, e Um Lugar ao Sol, trama de Lícia, já estava em gravações para substitui-la entre abril e maio. A pandemia suspendeu as gravações das duas produções.

No segundo semestre do ano passado, os trabalhos foram retomados. Amor de Mãe teve seus últimos capítulos gravados, que serão exibidos a partir do próximo dia 15 de março, e Um Lugar ao Sol voltou a ser gravada já dentro dos protocolos de segurança. A expectativa na Globo era que a novela pudesse estrear em abril de 2021, ao fim de Amor de Mãe. Ou seja, exatamente um ano depois da previsão inicial. Mas, com o agravamento da pandemia no país, uma nova pausa se fez necessária. E Um Lugar ao Sol foi novamente adiada. Uma reprise de Império substituirá Amor de Mãe em abril.

Obviamente, são cuidados que se fazem necessário. O momento é crítico e qualquer tentativa de fazer com que menos pessoas circulem pelas ruas é válida. Sendo assim, a Globo toma uma decisão correta e bastante responsável. E o noveleiro ávido pela estreia de Lícia Manzo no horário nobre precisa segurar mais um pouco a ansiedade. Prudência é a palavra. Esperemos, então, e nos cuidemos.

E há um consolo no ar: A Vida da Gente ganhou uma edição especial às seis nesta semana. Com o atraso nas gravações de Nos Tempos do Imperador, próxima novela inédita do horário, a emissora optou por uma nova reprise. E escolheu justamente A Vida da Gente, uma grande novela, que mostrou ao grande público a habilidade de Lícia Manzo na condução de grandes dramas humanos, no melhor sentido da palavra. Enquanto não vemos Um Lugar ao Sol, ao menos temos o belo texto da autora em outro horário, numa novela acima da média.

A Vida da Gente é uma novela deliciosa. A saga das irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano) é de uma beleza difícil de se traduzir em palavras. Além disso, a novela tem uma das melhores performances de Ana Beatriz Nogueira (Eva), Maria Eduarda de Carvalho (Nanda) e tantos grandes nomes. É o melhor momento de Fernanda Vasconcellos, que vinha de uma série de mocinhas fracas. Marjorie Estiano brilha! E Nicette Bruno, como a doce avó Iná... o que é aquela atriz? Revê-la em um de seus melhores papéis pouco tempo após perdê-la para esta doença terrível é uma oportunidade de ouro.

Já que vivemos tempos tão terríveis, ao menos tempos boas opções na TV aberta atualmente. Rever A Vida da Gente e reencontrar Amor de Mãe neste contexto ajuda a nos manter um tanto mais serenos neste momento tão grave e desesperançoso.

André Santana

quinta-feira, 4 de março de 2021

"Se Joga" volta ao ar com formato de "Vídeo Show"

A Globo não quis assumir o erro e cancelar de uma vez por todas o Se Joga. Para não jogar a toalha, o canal tratou de fazer uma reformulação na atração, que passa a ser semanal a partir deste sábado, 06, e com um formato totalmente alterado. E as “novidades” anunciadas deixam bem claro que o programa que está voltando não é o Se Joga, e sim o Vídeo Show.

De acordo com o comunicado distribuído pela Globo, a proposta do novo Se Joga é fazer um apanhado de tudo o que aconteceu durante a semana na TV, nas artes e no mundo das celebridades. O programa também vai trazer matérias de bastidores, curiosidades da TV e relembrar momentos históricos da telinha. Ah, e vai exibir também erros de gravação. Parece familiar?

Do Se Joga mesmo, só as presenças de Fernanda Gentil e Érico Brás. Ela segue como apresentadora do programa, enquanto ele assume as funções de repórter, realizando entrevistas com famosos. Além de Brás, o programa terá a presença de Cauê Fabiano e Juliane Massaoka, que devem mostrar os bastidores dos programas da Globo, enquanto Tati Machado comentará o mundo das redes sociais no quadro do G Show. Ah, o BBB também pautará a atração.

Ou seja, na prática, a emissora está fazendo um Vídeo Show semanal com o comando de Fernanda Gentil. O que não é ruim. Sempre defendemos aqui que o Vídeo Show estava esgotado como programa diário, mas que ainda renderia um semanal bacana. Além disso, faltava ao programa um apresentador que pudesse lhe dar uma cara, e Fernanda tem todas as condições para isso. Em suma, é uma ideia que tem boas condições de dar certo.

Claro, seria melhor ainda se o nome Vídeo Show fosse novamente adotado. Porque é isso que esse programa é: o Vídeo Show. Manter o título Se Joga vai apenas colar um selo de fiasco e ranço no programa que, na prática, está estreando. Foi um título desgastado por conta da execução ruim da primeira versão, e o público pode acreditar que é o mesmo Se Joga ruim que está voltando. E não é.

Ainda assim, eu gosto da ideia. Sempre defendi um Vídeo Show semanal. Mas se a Globo não quis encampar a ideia de resgatar o título clássico, só o fato de resgatar o formato já me parece interessante. O desafio será apagar a impressão ruim deixada pela primeira versão do Se Joga e embarcar neste como se fosse uma novidade. Ou como se fosse o Vídeo Show. Torço pra que dê certo!

Ah, vale lembrar ainda que o novo Se Joga já tem exibição garantida até dezembro. Ou seja, acabou o rodízio de formatos nas tardes de sábado. Isso pode significar o fim definitivo do Simples Assim. Como se sabe, Angélica vem fazendo projetos com contrato por obra no Grupo Globo. Sendo assim, neste momento ela não tem compromisso com canal nenhum. Qual será o próximo passo da loira?

André Santana

terça-feira, 2 de março de 2021

Um ano depois, Adriane Galisteu finalmente fecha com a Record

Mais ou menos nesta mesma época do ano passado, a imprensa dava como certa a contratação de Adriane Galisteu pela Record. Segundo vários sites, a apresentadora já estava apalavrada com o canal, faltando apenas a assinatura do contrato para oficializar seu nome à frente do Power Couple. À Adriane caberia a missão de suceder Gugu Liberato no comando do reality de casais.

Porém, antes mesmo que o contrato pudesse ser fechado, veio a pandemia e a incerteza sobre o início da produção da edição 2020 do Power Couple. Daí, em seguida, veio o cancelamento da temporada, e Adriane ficou em compasso de espera. Mas seu nome sempre seguiu como o favorito para comandar a atração. Tanto que, um ano depois, a apresentadora e a emissora finalmente anunciaram o acordo.

Com isso, Adriane volta à casa onde fez o melhor programa de sua carreira como animadora. É Show, exibido entre 2000 e 2004, era um programa de auditório vibrante, com entrevistas e atrações musicais, sempre comandados com muita energia por uma inspirada Adriane. O passo em falso da apresentadora foi ter atendido ao chamado do SBT, justamente no momento em que a Record começava a decolar. Charme, seu programa nos domínios de Silvio Santos, foi um período de triste lembrança e ajudou a enterrar a carreira de apresentadora da artista.

De lá para cá, Adriane sempre foi vista em formatos que pareciam menores do que ela. Passou pela Band, onde esteve no Toda Sexta, Projeto Fashion, Muito + e Quem Quer Casar com Meu Filho?. Aventurou-se pela web, substituiu João Dória na BandNews, e até voltou a atuar em O Tempo Não Para, na Globo. Trabalhos que pareciam aquém de sua capacidade. Adriane, desenvolta e com excelente presença de palco, sempre foi sim uma boa apresentadora.

Por estas e outras, a Record acerta ao trazê-la de volta. Neste momento em que faltam bons apresentadores no cast da emissora, Adriane Galisteu surge como um belo e necessário reforço. Além disso, será interessante ver uma mulher à frente de um reality de confinamento como o Power Couple. Acredito que ela terá um belo desempenho à frente da atração. Aguardemos maio, que é o mês previsto para a estreia do programa.

André Santana