quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Globo anuncia temporada de "No Limite" com ex-BBB's

A Globo surpreendeu a “internet” ao divulgar em suas redes sociais o seu mais novo reality show. Trata-se de uma nova temporada de No Limite, reality de aventura que fez muito sucesso no início da década de 2000. A novidade da vez é que a emissora pretende colocar ex-participantes do Big Brother Brasil na competição que exige preparo físico e mental.

O anúncio já está rolando nas redes oficiais da Globo, mas ainda não há outras informações sobre o projeto. Mas a notícia vai ao encontro das informações de bastidores que diziam que Marcos Mion estava prestes a assinar com o canal justamente para assumir o revival de No Limite. Se o revival acaba de ser confirmado, deve ser questão de tempo para que Mion também seja anunciado no comando.

A ideia é bem interessante. Colocar ex-BBB's em No Limite pode engajar os fãs do reality de confinamento. Além disso, voltar com o No Limite sempre gera expectativas, já que é um ótimo programa, mas que acabou abandonado em razão da rápida perda de interesse do público. E o formato parece combinar bem com Marcos Mion, que, se confirmado, será uma excelente aquisição para a Globo. Enfim, tem tudo para dar certo!

No Limite foi o primeiro reality show da TV aberta no Brasil. Versão brasileira de Survivor, a atração teve três primeiras temporadas exibidas entre 2000 e 2001, apresentadas por Zeca Camargo, com episódios que iam ao ar aos domingos, após o Fantástico. No programa, os participantes eram deixados num lugar ermo, onde participavam de provas radicais que valiam comida e outros prêmios. Ou seja, a comida era pouca e o perrengue era muito. No início do jogo, os participantes eram divididos em dois times e participavam de competições. O time perdedor tinha que participar de uma votação e eliminar um membro, que deixava o programa.

A primeira temporada foi um verdadeiro fenômeno de audiência e repercussão. Já a segunda temporada teve recepção mais morna. E a terceira temporada bateu de frente com a primeira leva de Casa dos Artistas, do SBT, o que a fez passar quase despercebida.

Houve uma tentativa de retomar o No Limite em 2009, quando foi ao ar a quarta temporada. Foi uma temporada diferente, já que a direção da Globo entendeu que, após anos de BBB, o público não aceitaria um reality no qual não pudesse votar em quem fica e quem sai. Nas edições anteriores do No Limite, o público não interagia, e eram os próprios participantes que votavam em quem devia sair. Assim, nesta quarta temporada, a competição foi ao ar em tempo real, com Zeca Camargo entrando ao vivo para que o público definisse os eliminados. Outra diferença é que este novo No Limite ia ao ar duas vezes por semana, às quintas e aos domingos.

Esta edição não chegou a ser um fiasco, mas não repetiu o mesmo sucesso da primeira. E colocar o público para escolher quem sai pareceu injusto, já que o No Limite, antes, testava o desempenho do participante. Já o público tem critérios variados, e não necessariamente vota no melhor, e sim no mais carismático. Isso não parece fazer muito sentido dentro de um reality que busca testar a sobrevivência.

Mesmo com o desempenho mediano, a Globo chegou a confirmar uma quinta temporada de No Limite em 2010. Porém, depois voltou atrás e preferiu apostar numa nova temporada de Hipertensão. Apresentado por Glenda Koslowiski, Hipertensão "juntava" No Limite com BBB, já que colocava seus competidores em provas "radicais" e grande esforço físico, mas também explorava a convivência entre eles, que dividiam uma casa. O resultado também foi mediano e o canal abandonou o formato.

É pouco provável que no novo No Limite a emissora abra mão de promover a interação do público, já que engajamento é a palavra da vez. Vamos ver como será.

André Santana

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Ana Maria Braga relança seu "Mais Você"

Praticamente um ano depois de apresentar o último Mais Você da “Casa de Cristal”, nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, Ana Maria Braga voltará aos estúdios da emissora. Mas, desta vez, em São Paulo, onde gravou de 1999 a 2007. O matinal ganha um novo cenário a partir desta segunda-feira, 22. E, pelas fotos que vazaram nas redes sociais, ficou um espaço muito bonito.

O Mais Você deixou o Rio de Janeiro com o início da pandemia, quando os diários de entretenimento da Globo foram suspensos. Quando retornou, inicialmente como quadro do Encontro, passou a ser apresentado direto da casa de Ana Maria. Mais adiante, voltou a ser um programa solo. Neste meio tempo, Ana perdeu o companheiro Tom Veiga, e precisou reinventar seu programa de várias maneiras.

Com criatividade e a ajuda da tecnologia, Ana Maria Braga conseguiu fazer um Mais Você interessante, mesmo com as limitações de gravar em sua casa, e não num estúdio mais equipado. A loira abusou das entrevistas remotas, fez bom uso de seu imenso arquivo de receitas e, ainda, lançou novos quadros, também gravados remotamente.

O grande desafio neste período do Mais Você foi redefinir a dinâmica da atração. Isso porque o programa era todo feito na base da conversa, num bate-bola intenso entre Ana Maria e Louro José. Com a ausência do personagem, Ana ficou meio perdida. A solução foi encontrar diversos partners no comando de quadros, como Ju Massaoka, que comanda o quadro Feed da Ana.

Mas agora, neste momento em que o programa voltará aos estúdios, novidades deverão pintar. Segundo Cristina Padiglione, do Agora SP, a apresentadora tem, sim, interesse em lançar um novo partner. E, nas fotos que vazaram do novo cenário, vê-se que há um balcão para um fantoche, como Louro José utilizava. Ou seja, há a expectativa que, nesta segunda, com a estreia do novo cenário, um novo companheiro para Ana seja apresentado. Será que vai dar certo?

Aliás, uma curiosidade: repararam que o Bem Estar, exibido no Encontro e no É de Casa, ganhou um cenário muito mais simples, com um telão e uma tapadeira? Pois isso já era um sinal de que o novo cenário do Mais Você estava em construção. Afinal, o quadro sobre saúde é gravado no mesmo estúdio que abrigou o Mais Você em seus primeiros anos e, agora, abrigará novamente a atração. Com isso, o Bem Estar precisou de um cenário mais simples para facilitar o “monta e desmonta” dos programas. Na prática, a tapadeira que compõe o cenário do Bem Estar serve para “tapar” o cenário do Mais Você, compartilhando apenas o mesmo telão. É mais ou menos o que acontecia quando o Encontro e o Vídeo Show compartilhavam o mesmo espaço, lembra?

Nova cozinha do Mais Você, com espaço para um fantoche. Vem aí o sucessor do Louro?


André Santana

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

História da TV: Em 2013, SBT voltou a investir em infantis, mas do jeito errado


Apesar de ser um personagem estadunidense, o palhaço Bozo tem importante participação na história da TV brasileira. Na década de 1980, quando Silvio Santos conseguiu a sonhada concessão do SBT e precisava preencher sua programação, foi o palhaço quem ocupou boa parte da grade e ditou as regras da programação infantil daquele período. Foi a partir do sucesso de Bozo que a fórmula “auditório-crianças-brincadeiras-música-desenho” se consagrou.

Mesmo quando Bozo saiu do ar, no início da década de 1990, o formato seguiu em praticamente todas as emissoras, com apresentadores e apresentadoras aos baldes. Mas, anos depois, o auditório infantil foi perdendo força, dando espaço a programas mais didáticos e dramaturgia. Ou seja, o programa do Bozo se tornou um formato datado.

Mas Silvio Santos e a direção do SBT não pensaram nisso e trataram de resgatar o formato em 2013. Talvez empolgado com o sucesso da dupla de palhaços Patati Patatá, o dono do Baú achou que seria um bom momento para trazer de volta o famoso palhaço, que tantas alegrias deu ao SBT 30 anos antes. Com isso, não apenas trouxe o programa Bozo de volta, como injetou algum investimento no programa comandado por Patati Patatá.

Naquele ano, Patati Patatá estavam consolidados no comando do Carrossel Animado, programa que assumiram em 2011, que era exibido diariamente, entre 7h e 9h, antes do Bom Dia & Cia. O formato era praticamente o mesmo do programa com Priscila e Yudi: os palhaços atendiam ligações e comandavam jogos por telefone, além de chamar desenhos. Também protagonizavam alguns esquetes cômicos.

Mas, em 2013, Carrossel Animado ganhou investimentos. O programa abandonou o formato de brincadeiras por telefone e ganhou um novo cenário, que retratava uma vila onde os palhaços moravam. Com isso, ganhou um elenco de apoio e passou a apostar em dramaturgia, na qual Patati e Patatá protagonizavam historinhas diariamente.

Enquanto isso, Bozo reestreou nas manhãs de sábado, com o mesmíssimo formato de 1980. Ao lado de Papai Papudo, Vovó Mafalda e o professor Salci Fufu, Bozo comandava uma plateia de crianças e promovia brincadeiras. Mas era evidente que aquele formato já não tinha a ver com o ano de 2013. A cara das crianças participando das gincanas evidenciava que elas não estavam felizes ali. Resultado: o programa não emplacou e saiu do ar pouco tempo depois.

E a investida em infantis no SBT acabou de uma vez, já que o novo Carrossel Animado também foi cancelado na mesma leva. Com isso, o elenco de Bozo e Patati Patatá passaram a apresentar o Bom Dia & Cia, num esquema de revezamento no qual também participavam Priscila Alcântara, Maisa Silva e parte do elenco da novela Carrossel. O “troca-troca” acabou pouco tempo depois, quando Matheus Ueta e Ana Vitória Zimmermann foram efetivados no infantil.

André Santana


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sem ter para onde correr, SBT aposta em franquias do "Fofocalizando"

Com a vacinação contra a covid-19 ainda engatinhando, o SBT se mantém sem maiores trabalhos. Seus apresentadores do grupo de risco, como Carlos Alberto de Nóbrega, Raul Gil e o próprio Silvio Santos, aguardam o avanço da vacinação para poderem voltar ao trabalho. Assim como o setor de novelas, também em compasso de espera. Por isso, o canal segue parado.

Só não está 100% parado porque Silvio Santos elegeu a produção do Fofocalizando o seu brinquedo preferido em 2020, e segue apostando nele em 2021. Após idas e vindas de nomes, formatos e apresentadores, Silvio Santos acabou criando uma verdadeira franquia, que já conta com três programas na grade. Com isso, cria a falsa sensação de que está fazendo coisas distintas, quando na verdade é mais do mesmo.

Fofocalizando virou Triturando no ano passado. Tentando aumentar os índices de audiência da atração, a emissora transformou um dos quadros do programa de fofocas num programa independente. Neste contexto, também trocou o comando do programa, dispensando Leão Lobo, Lívia Andrade e Mamma Bruschetta, e “convocando” Flor e Ana Paula Renault.

Porém, por um dia, a emissora testou transformar outro quadro do Fofocalizando em programa, o Notícias Impressionantes. Mas a substituição de Triturando pelo Notícias Impressionantes na grade diária durou apenas um dia. O Triturando retornou, mas o Notícias Impressionantes ganhou sobrevida nas madrugadas e manhãs de domingo, onde está até hoje.

E, nesta semana, o Fofocalizando retornou. Chris Flores, Gabriel Cartolano, Flor e Ana Paula Renault pararam de triturar coisas para voltar a comentar sobre a vida alheia. Mas a emissora avisou: Triturando não acabou. O programa que gasta o arsenal de títulos com gerúndio do SBT seguirá aos sábados, após o Raul Gil, onde está desde que o Programa da Maisa chegou ao fim.

Ou seja, esta pausa do Fofocalizando serviu para a criação de dois “filhotes”, que seguem na grade mesmo com a volta do programa de fofoca. No fundo, é o mesmo programa, apenas com temáticas distintas. É a mesma equipe que produz todo este conteúdo. Ou seja, a turma que faz o Fofocalizando é uma das poucas equipes do SBT que se mantém a todo o vapor e coloca algum conteúdo inédito na grade da emissora.

Sim, é compreensível a dificuldade do SBT de produzir no meio da pandemia. Mas é triste notar que uma das maiores emissoras do país não consegue produzir nada além de Fofocalizando e seus derivados. O jeito é torcer para que a vacinação avance, nos proteja e, ainda, ofereça condições ao SBT de voltar a produzir.

André Santana


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Record reformula "Fala Brasil" e manda Celso Zucatelli de volta para o entretenimento

Nova contratação na área: depois de uma passagem relâmpago e pouco produtiva na Band, Mariana Godoy agora é da Record. Parecia que a jornalista estava fugindo do jornalismo “hard news”, mas, desta vez, seu retorno à bancada está confirmado, já que ela deve assumir o comando do matinal Fala Brasil.

Segundo Flavio Ricco, do R7, o Fala Brasil passará por uma reformulação. E, para marcar a nova fase, o jornal ganhará uma nova dupla de apresentadores. Sergio Aguiar, que já está na casa, fará dupla com Mariana. Sem dúvidas, dois bons profissionais. Ficamos na torcida para que o Fala Brasil resgate o tom mais leve e descontraído de um bom jornal matinal São dois âncoras que sabem fazê-lo com muita leveza.

Enquanto isso, Celso Zucatelli, que vinha apresentando o Fala Brasil com Roberta Piza e Salcy Lima, deixará o noticioso para retornar para o entretenimento da emissora. Atualmente, o jornalista substitui César Filho, que está afastado do Hoje Em Dia. Depois disso, ele ficará à disposição para novos projetos no canal.

Com isso, Celso Zucatelli está repetindo exatamente a mesma trajetória de sua primeira passagem pela emissora. Quando chegou à Record, Zucatelli foi repórter, correspondente internacional e apresentador de noticiários, até chegar ao Hoje Em Dia como substituto oficial de Britto Jr. Com a saída de Britto rumo à A Fazenda, ele se tornou titular do matinal, ficando ali até a chegada de César Filho. Depois disso, Zuca passou pela RedeTV e pela Gazeta, até voltar ao jornalismo da Record. Inicialmente no Balanço Geral Manhã, depois no Fala Brasil.

A volta de Zucatelli ao entretenimento da Record virá num momento oportuno. Afinal, a emissora perdeu muitos apresentadores nos últimos anos, e vários dos seus programas de temporada se encontram sem âncora. Celso, então, pode ser um nome a assumir programas como Power Couple, A Ilha (ou Ilhados, não sei como se chama esse programa essa semana), ou até mesmo A Fazenda. Vamos ver pra onde vai Zuca.

André Santana

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

SBT volta com "Fofocalizando", mas não resgata elenco

Trancado em casa e entediado por conta da pandemia, Silvio Santos dedicou seu ano de 2020 a trocar nome e elenco de seu programa vespertino. Do nada, o Fofocalizando virou Triturando. A princípio, o elenco se manteve, mas logo houve uma troca. 

Saíram Leão Lobo, Mamma Bruschetta (afastados inicialmente por conta da pandemia), Lívia Andrade e Mara Maravilha (afastadas sem maiores motivos mesmo). Entraram Flor e Ana Paula Renault. Permaneceram Chris Flores e Gabriel Cartolano. Vale lembrar que Décio Piccinini já havia sido afastado, antes da pandemia. E Triturando seguiu sua vidinha. Mesmo sem grandes resultados, ganhou vários horários na grade e virou o tapa-buracos preferido do “patrão”, que não conta mais com os serviços de Chaves.

Neste meio-tempo, ainda no ano passado, a emissora chegou a anunciar o retorno do Fofocalizando, com uma chamada estrelada por Lívia Andrade. Mas não aconteceu, e o “elenco original” seguiu encostado. Até que o SBT anunciou a dispensa oficial de Lívia, Leão Lobo e Mamma Bruschetta. Todos emplacaram projetos depois: Lívia apresentou reality sertanejo na TV paga, Leão voltou a frequentar programas da Gazeta, e Mamma tem feito participações no Melhor da Tarde, da Band.

Na época, falaram até que a dispensa era temporária. E que o SBT esperava recontratar o elenco num momento em que a pandemia arrefecesse e o Fofocalizando pudesse voltar ao ar. Porém, sem maiores explicações, o SBT simplesmente declarou a volta do programa de fofocas, com o mesmo elenco que já vinha dando expediente em suas tardes. Simples assim (embora não tenha nada a ver com Angélica).

Esse troca-troca de nomes do programa vespertino do SBT parece apenas um artifício da emissora de passar a impressão de novidade. Afinal, a emissora é a que menos tem tentado buscar alternativas às dificuldades impostas pela pandemia. Já que não consegue lançar nada de novo, prefere apenas dar uma “maquiada” na grade de programação.

Para piorar, a emissora escalou as séries Lassie e Rin-Tin-Tin para fazer “sala de espera” ao Fofocalizando. Duas séries antigas, que não têm qualquer apelo junto ao público de hoje. Obviamente, as produções “vintage” não seguraram a audiência de Sam e Cat, que ia ao ar no horário até a semana passada, e derrubaram a estreia de Fofocalizando. Dá pra entender?

André Santana


sábado, 6 de fevereiro de 2021

Record investe pesado em "Gênesis" na tentativa de reviver fenômeno "Os Dez Mandamentos"

Os Dez Mandamentos foi a “glória” e a “cruz” da Record. Foi a glória, porque foi um fenômeno incontestável. Um sucesso que incomodou a Globo e fez a emissora abraçar a dramaturgia bíblica, dando uma identidade ao seu setor de novelas que o canal buscava há tempos. Mas foi também uma “cruz”, já que ficou no ar a obrigação de repetir tal fenômeno. Coisa que a emissora não conseguiu até aqui.

Para tentar reviver os áureos tempos de Os Dez Mandamentos, a Record fez de tudo. Apostou em tramas “semelhantes”, como A Terra Prometida, e também em tramas “diferentes”, como Apocalipse. Apelou até mesmo para Jesus, a história mais conhecida e contada da Bíblia. Também voltou a apostar em minisséries, como Lia e Jezabel. Algumas funcionaram, outras não, mas nenhuma foi uma “nova” Os Dez Mandamentos.

Por isso, Gênesis estreou com ar de “arrasa quarteirão”. A emissora não economizou na produção e na divulgação da mesma, optando por produzir uma “mega saga” composta por sete fases, cada uma delas com cenários e elencos próprios. “Apenas” Deus (Flavio Galvão) e Lúcifer (Igor Rickli) costuram todas as fases da história, que narra Éden, Dilúvio, Torre de Babel, Ur dos Caldeus, Abraão, Jacó e José do Egito.

Ou seja, na prática, Gênesis é uma junção de sete minisséries bíblicas. Que, até aqui, tem funcionado bem. As tramas contam com produção caprichada, bons atores e, principalmente, importantes pontos de virada que ajudam a segurar o público. Isso, somado ao fato de Gênesis ser a única novela inédita em exibição, tem feito a trama atingir excelentes índices de audiência. Assim, até aqui, a aposta se mostrou acertada e pode ser a tal “nova” Os Dez Mandamentos que a emissora tanto busca.

No entanto, Gênesis também pode significar o esgotamento da fórmula. Afinal, ela conta sete histórias de uma vez. E finalizará em José do Egito, trama que já teve uma versão na Record, como uma minissérie muito bem-sucedida. Que histórias bíblicas de maior apelo poderão virar novela depois, se as principais já foram contadas? A emissora investirá em remakes?

Já se sabe que a trama que substituirá Gênesis será Rei Davi. História que já foi contada em outra minissérie bem-sucedida da Record, há nove anos. Ou seja, a emissora já começará a fazer regravações. E o que virá depois? Sabemos que a Bíblia ainda tem várias outras histórias, mas são poucas as que são conhecidas por um público mais amplo e menos iniciado em estudos religiosos. 

Ou seja, Gênesis poderá significar o apogeu e a queda das produções bíblicas da Record. O que virá depois desta “superprodução” é uma incógnita. Que, provavelmente, a própria Record ainda não sabe bem como responder.

André Santana

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Agora vai? Globo anuncia "Ti Ti Ti" no "Vale a Pena Ver de Novo"

Que a segunda versão de Ti Ti Ti, escrita por Maria Adelaide Amaral e baseada na obra original e em Plumas e Paetês, de Cassiano Gabus Mendes, é uma ótima e divertida novela, todos concordamos. Mas a força dos fãs deste folhetim nas redes sociais é algo que impressiona. Basta um horário de reprise vagar na Globo para levantar uma torcida organizada para pedir o retorno da trama, exibida originalmente em 2010.

Depois de ser cotada em vários momentos, mas sempre preterida, parece que desta vez vai acontecer. As redes sociais da Globo anunciaram o retorno de Ti Ti Ti para março, ocupando a vaga de Laços de Família no Vale a Pena Ver de Novo. E eu preciso fazer coro aos fãs e concordar que foi uma escolha muito acertada.

Afinal, Ti Ti Ti tem qualidades que a credenciam para uma reprise a qualquer momento. Maria Adelaide Amaral foi muito feliz ao misturar tramas de Cassiano Gabus Mendes, entrelaçando várias histórias de maneira engenhosa e promovendo uma verdadeira homenagem às novelas das sete clássicas, com inúmeras referências a outras obras e personagens.

Esta versão também acerta em cheio ao apostar em duas tramas principais que correm paralelamente. Os fãs da comédia se deliciam com a rivalidade entre Victor Valentim (Murilo Benício) e Jacques LeClair (Alexandre Borges), que aqui ganha um terceiro elemento: a sensacional Jaqueline Maldonado (Claudia Raia), praticamente dona e proprietária da novela. O non sense impera, o escracho domina e a trama arranca muitas, muitas risadas.

Mas os fãs do folhetim tradicional também são contemplados com a história de amor entre Marcela (Isis Valverde) e Edgar (Caio Castro). Os dois pombinhos não podem ficar juntos, já que Bruna (Giulia Gam), a mãe do mocinho, acredita que a jovem está grávida de seu outro filho, Osmar (Gustavo Leão), que morre no início da trama. Ela não sabe que Osmar, na verdade, era gay e casado com Julinho (André Arteche), e a família esconde isso dela. Além disso, Luísa (Guilhermina Guinle), ex do mocinho, também atrapalha o romance, bem como Renato (Guilherme Winter), o ex da mocinha.

Ou seja, Ti Ti Ti é uma novela que agrada boa parte dos fãs de um novelão das sete bem feito. E será uma boa pedida para o fim da tarde, depois do dramalhão (também delicioso, diga-se) de Laços de Família. Vai ser bom reencontrar estes personagens quase 11 anos depois.

André Santana 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Record precisa de novos apresentadores

A Record sempre teve programas de auditório. E, por isso, sempre teve muitos apresentadores e animadores. Nomes como Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Gilberto Barros, Márcio Garcia, Tom Cavalcante, Raul Gil, Netinho de Paula, Eliana e Otaviano Costa, entre tantos outros, já comandaram programas de variedades por lá.

Mas, atualmente, o cast encontra-se um tanto esvaziado. Pra se ter uma ideia, no último ano e meio, a emissora perdeu três grandes estrelas: Gugu Liberato, Xuxa Meneghel e Marcos Mion. Ou seja, nomes que seguravam os vários formatos que se revezam na linha de shows da Record.

“Sobraram” Geraldo Luís, à frente do A Noite É Nossa, e Rodrigo Faro, comandando Hora do Faro. Há também Sabrina Sato, aguardando novo chamado após o término da primeira temporada de Game dos Clones. Muito pouco, se considerarmos os inúmeros formatos que a emissora exibe ou pretende exibir. 

Até aqui, a emissora “resolveu” apenas o Canta Comigo, que foi entregue a Rodrigo Faro e se tornará um quadro de seu programa dominical. Também há a expectativa que Sabrina assuma a vaga de Xuxa no Dancing Brasil. Dizem que Geraldo Luís poderia ser uma solução caseira, caso não encontrem outro nome para A Fazenda. Não se sabe ainda quem ficará com o Power Couple, ou com o novo A Ilha (ou Ilhados, ainda não entendi qual será o nome do novo reality).

Ou seja, a Record precisa “ir às compras”. A emissora tem pouquíssimos bons apresentadores com os quais pode contar. Há a urgente necessidade de buscar alguém na concorrência, ou prestar atenção a nomes que estão disponíveis no mercado. O que não pode é manter um banco com tantos produtos, mas nenhum bom nome à disposição.

Adriane Galisteu segue como favorita para comandar o Power Couple. Sem dúvidas, seria uma excelente aquisição neste momento em que faltam apresentadores na emissora. Mas é pouco. O canal precisa anunciar, logo, uma grande contratação. Há muito espaço pra pouca estrela.

André Santana


sábado, 30 de janeiro de 2021

Repetir fórmula da edição anterior pode comprometer novo Big Brother

A Globo parece disposta a repetir o sucesso estrondoso da última edição do Big Brother Brasil. Com o sucesso da temporada vencida pela médica Thelma, a emissora se viu na obrigação de fazer algo ainda mais grandioso. Porém, ao repetir a mesma fórmula da edição passada, o BBB 21 corre o risco de ficar na sombra de seu antecessor.

Dividir o jogo entre “pipoca” e “camarote”, mesclando pessoas famosas (ou quase) e anônimos, mostrou-se um grande acerto da última edição. Por isso, a estrutura se manteve, e trouxe até mais conhecidos que na edição anterior. Nomes como Fiuk, Karol Conka, Carla Diaz e Projota dispensam apresentações para a maioria.

Entretanto, o BBB 20 mostrou que ter certo grau de fama antes de entrar no jogo não significa vitória, tendo em vista a vitória de Thelma. Mas, certamente, garante sobrevida e engajamento dos fãs, vide Manu Gavassi. Ou seja, no frigir dos ovos, os candidatos conseguem alcançar certo pé de igualdade no decorrer do jogo.

Porém, a fórmula repetida faz com que o público remeta à edição anterior naturalmente. Quando a mesma estrutura é montada, é impossível não olhar para os “brothers” da vez e atribuir-lhes rótulos que os comparem aos jogadores anteriores. Quem é o Babu da vez? E a nova Rafa Kalimann?

Com isso, o BBB 21 parece começar com jeitão de continuação do BBB 20. O que pode ser um problema. Afinal, se os atuais jogadores não renderem tantas emoções quanto os anteriores, a decepção virá. Como se sabe, quanto maior a expectativa, maior é uma possível decepção. Ou seja, fazer o público lembrar do BBB 20 o tempo todo pode não fazer bem ao BBB 21.

Ou seja, o principal desafio da edição 2021 do Big Brother é conseguir trilhar um caminho próprio, que seja tão movimentado ao ponto de fazer o público se esquecer da edição passada. Uma missão das mais espinhosas. Não é fácil suceder um produto tão vitorioso, sem dúvidas.

Mas o elenco atual é promissor. Mais uma vez, a direção do programa aposta em personalidades distintas, de modo a criar diferentes tipos de relacionamento. Tudo bem que a “pipoca” é formada pelos mesmos tipos de sempre, mas há boas possibilidades de dinâmicas ali. Resta saber qual será o resultado desta mistura.

André Santana

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Record é quem perde ao dispensar Marcos Mion

Depois de Fausto Silva deixar a Globo e surpreender todo mundo, a dispensa de Marcos Mion pela Record foi outro acontecimento que mexeu com os telemaníacos. Houve até quem enxergasse uma relação entre os fatos, e que Mion já está de malas prontas para assumir os domingos da Globo. Mas a pergunta que não quer calar é... o que tá acontecendo?

A informação oficial é que a direção da Record avaliou que A Fazenda precisa de mudanças, e que, por isso, houve a necessidade de trocar de apresentador. E que, como Mion não tinha outro projeto em vista, teve seu contrato rescindido. Balela! Marcos Mion elevou o moral de A Fazenda, e a Record até já tinha um plano comercial lançado da 13ª edição, que era estampado por Marcos Mion. 

Assim, como a explicação oficial não faz o menor sentido, é mais fácil concluir que foi mesmo alguma briga. O Notícias da TV cravou que a relação entre o apresentador e a direção da emissora azedou por conta de alguns desabafos e comportamentos de Mion. E que havia o entendimento que a Globo poderia levá-lo ao final do ano e, por isso, não fazia sentido ele estar à frente de mais uma A Fazenda para depois sair em alta rumo à concorrência.

Seja qual for o motivo, nada justifica esta manobra equivocada da Record. Marcos Mion foi o grande responsável pela sobrevida de A Fazenda. Mais do que isso, ele era o melhor apresentador do cast da emissora. Versátil, tem estofo, jogo de cintura e muita penetração entre jovens e adultos. Além disso, é um grande vendedor. O que mais uma emissora poderia querer?

Ninguém é insubstituível, verdade. Mas um apresentador com tantas qualidades, que foi capaz de deixar sua marca até mesmo num programa engessado como A Fazenda, não se encontra dando sopa por aí. Se a Record optar por uma solução caseira, Rodrigo Faro ou Geraldo Luís seriam incapazes de tal performance. Se resolver apostar num nome novo (como Caio Castro e Bruno Gagliasso, como vem sendo ventilado)... pior ainda! Entregar um programa ao vivo e cheio de imprevisibilidades como A Fazenda para um profissional inexperiente seria um tiro no pé!

Já para Mion, esta demissão deve lhe fazer bem. O apresentador era mesmo maior que A Fazenda e merecia mais espaço na TV. Ele deve ir para uma emissora que o explorará melhor. Não acredito que a Globo busca um apresentador para substituir Fausto Silva, mas acho que, para a provável vaga de Luciano Huck, o canal pode estar sim considerando opções. Marcos Mion, de longe, seria a melhor opção.

André Santana


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Globo sem Faustão: como ficam os domingos?

A notícia de TV que vem dominando a internet nestes últimos dias é o anúncio do fim do Domingão do Faustão. O clássico programa dominical de Fausto Silva sairá do ar em dezembro de 2021, quando termina o contrato do animador com a Globo. Depois disso, pouco se sabe sobre o futuro de Faustão, e sobre o futuro da própria Globo.

Sempre que uma despedida como essa é anunciada, começam as especulações sobre quem ocupará o espaço deixado. Ou seja, já há listas e listas por aí especulando que apresentador teria a honraria de seguir com o legado deixado por Fausto. Sempre se dizia que Luciano Huck, um dia, seria sucessor de Fausto aos domingos, mas trata-se de um plano que pode não acontecer, dada a vontade do marido de Angélica de seguir carreira política.

Assim, as especulações ficam entre os mesmos nomes de sempre. Seria a chance para a aguardada volta de Xuxa Meneghel à casa que a projetou? Ou seria uma nova chance para pratas da casa, como Tiago Leifert, Marcio Garcia ou André Marques, nomes que já eram especulados quando a notícia era a possível saída de Luciano Huck dos sábados? Ou a Globo iria buscar alguém da concorrência? Seria Eliana, Celso Portiolli, Rodrigo Faro ou Marcos Mion?

O mais engraçado é que todas estas especulações reforçam algo que já foi dito aqui no passado: a Globo tem dificuldades em lançar apresentadores. Atualmente, ela até tem apostado em pratas da casa, como Leifert, Fernanda Gentil, Ana Furtado ou Fátima Bernardes, mas boa parte de sua linha de shows sempre foi tocada por apresentadores vindos da concorrência. Angélica e Serginho Groisman foram tirados do SBT, Ana Maria Braga veio da Record, e Luciano Huck da Band, de onde também veio Fausto Silva. Compare as listas: os nomes que vieram de fora têm muito mais apelo que os que são crias da Globo.

Dito isso, a grande questão que fica é o que será do domingo da Globo. Afinal, já há um desenho de grade para 2022, e o Domingão do Faustão já estava fora. A ideia era colocar Faustão num novo programa, às quintas, mas ele recusou. Ou seja, se o plano era realocar Fausto, significa que já há um prospecto de grade montado. Afinal, a Globo não ia abrir mão de um de seus programas que mais fatura se não houvesse um bom motivo para isso. A máxima “em time que está ganhando não se mexe” ainda faz todo o sentido.

O site NaTelinha apostou num ponto que faz sentido: que a ideia seria dar um espaço mais nobre ao futebol. Atualmente, o Domingão fica entre a partida e o Fantástico, o que cria um “gargalo” na grade. Empurrando o jogo para às 18h e colando-o ao Fantástico, cria-se uma ponte que pode potencializar os dois produtos. Mas o que viria antes? Que tipo de programa seria capaz de segurar os domingos da emissora?

Sim, porque não faz sentido trocar seis por meia dúzia. Não vejo a Globo escalando outro apresentador para fazer algo nos mesmos moldes que Fausto faz. Deve haver um plano aí que a gente ainda não conhece. E, como ainda falta um ano para o fim do Domingão, ainda teremos muito tempo para especular a respeito. O que será que vem aí?

André Santana

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Aviso de ausência

Olá, amigos do Tele-Visão! Estamos ausentes por estes dias por motivos de: meu notebook está em seus últimos suspiros... rsrs!

Resolvendo isso, volto aqui pra recuperarmos o tempo perdido. Agradeço a compreensão.

André Santana

sábado, 16 de janeiro de 2021

"Amor Sem Igual" e o atual momento da dramaturgia da Record

 

A dramaturgia da Record vive de fases. Depois da fase áurea, representada por tramas como Cidadão Brasileiro, Vidas Opostas e Chamas da Vida, veio a fase bíblica, na qual Os Dez Mandamentos se tornou a grande vedete. Atualmente, a emissora tenta repetir o sucesso da saga de Moisés (Guilherme Winter), ao mesmo tempo em que aposta em histórias contemporâneas vez ou outra, como em Topíssima e a atual Amor Sem Igual. 

Mesmo que tramas bíblicas e contemporâneas se revezem no horário nobre da emissora, é claro perceber que o viés religioso está mais presente do que nunca na dramaturgia do canal. Na “fase áurea”, por exemplo, havia citações ao “coisa-ruim” (em Cidadão Brasileiro, Fausta, personagem de Lucélia Santos, era uma referência ao Fausto de Goethe, que vendia a alma ao diabo), e a emissora até mesmo abordou a transexualidade antes de A Força do Querer, em Vidas em Jogo, com Augusta (Denise Del Vecchio), que era uma mulher trans.

Atualmente, as novelas do canal estão mais, digamos, conservadoras, já que conta com Cristiane Cardoso como supervisora de texto. Sendo assim, mesmo as tramas contemporâneas não escapam de, vez ou outra, embarcarem numa panfletagem sobre religião. Topíssima, por exemplo, resgatava orientações de Casamento Blindado, livro da própria Cardoso. Já Amor Sem Igual mostra a religião por meio dos personagens.

Neste contexto, a trajetória da prostituta Poderosa (Day Mesquita) é até convencional. A heroína Angélica teve um passado difícil, o que a levou a se prostituir. Durante a trama, ela é “salva” pelo amor e encontra o caminho da religião. Era o que se esperava quando a Record anunciou que sua protagonista seria uma prostituta. Foi o que aconteceu.

E isso não é um demérito. Cristianne Fridman, a autora de Amor Sem Igual, é muito habilidosa na condução de suas histórias. Com mão firme para folhetins, a autora criou uma heroína carismática e uma trama interessante. O seu desfecho pode parecer um grande merchan da Igreja Universal (e é mesmo), mas, dentro da dramaturgia proposta, é um desfecho que funciona muito bem. Até porque novela já é, por si só, um produto mais conservador. Esperar reviravoltas mirabolantes é um pouco demais.

Claro, a coisa funcionaria melhor se fosse feita com um mínimo de sutileza. Jogar um QR Code que leva o espectador direto ao site do Templo de Salomão em uma cena é o tipo de coisa que pode jogar por terra a boa história que estava sendo narrada. Já que a Record quer usar suas novelas para promover a sua igreja, poderia ter, ao menos, o bom senso de fazer isso por meio das histórias. A trajetória de Angélica já é uma propaganda poderosa. Não precisava “desenhar”.

Na verdade, o que se pede é que se tenha o mesmo cuidado que se exige quando qualquer novela resolve fazer merchandising social. É preciso que a temática que se pretende abordar esteja dentro de uma dramaturgia, ou seja, a serviço da história. E não o contrário. Se não for feito de maneira habilidosa, o merchan cria um ruído na narrativa e o espectador percebe. Assim, ele terá o efeito contrário do que se pretendia alcançar.

Basta ver a reação na internet sobre o tal QR Code de Amor Sem Igual. A propaganda descarada pegou tão mal, que as qualidades da história acabaram ofuscadas por uma repercussão negativa. De novo: a própria história de Angélica em si já passava a mensagem do “caminho da salvação”. Não precisava de panfletagem. Bola fora.

A “fase áurea” da dramaturgia da Record, na qual as novelas podiam ser mais “fora da caixinha” e não tinham a obrigação de fazer propaganda religiosa, faz muita falta. Mas, se a emissora pretende continuar a usar suas novelas para passar suas mensagens, que ao menos o faça diante de uma boa história, com uma boa produção e um elenco bem escalado. Neste sentido, Amor Sem Igual teve mais acertos que erros.

E, agora, é a dramaturgia bíblica propriamente dita que está em xeque. Depois de produções que passaram em brancas nuvens, e que nem de longe resgataram o sucesso de Os Dez Mandamentos, a emissora agora aposta em Gênesis, uma superprodução épica dividida em sete fases, que funcionarão como sete “minisséries” amarradas. Pelo que se vê, o resultado na tela é mesmo deslumbrante. Vamos ver se a dramaturgia será tão poderosa quanto a produção. Lindas imagens são o chamariz, mas o que segura a audiência mesmo é a emoção.

André Santana

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

SBT prepara novo programa matinal

Recentemente, o colunista Flavio Ricco, do R7, informou que a direção do SBT havia desenhado uma nova grade de programação e a submetido a Silvio Santos para a avaliação. E que a principal novidade desta nova programação seria um novo programa matinal. Havia até um nome (tosco) de trabalho: Bate Bolo. Chris Flores era a favorita para a condução.

Mas parecia um projeto de pouca fé. Afinal, não é de hoje que se fala que o comercial do SBT tenta emplacar um programa matinal de variedades, já que as manhãs da emissora não faturam por causa da programação infantil. Mesmo assim, Silvio Santos nunca pareceu lá muito disposto a reduzir a duração de seus desenhos, que não faturam, mas têm audiência cativa. Somente quando o “patrão” se apaixonou pelo Primeiro Impacto é que veio a coragem para começar a reduzir o Bom Dia e Cia.

Entretanto, parece que o projeto de novo matinal pode sair do campo das especulações e se tornar uma realidade. Segundo o site Notícias da TV, a atração começou a ganhar cores definitivas e já tem gravação de piloto marcado para a semana que vem. A matéria assinada por Gabriel Perline também afirma que o novo programa vai se chamar Vem pra Cá, e que Ticiana Villas Boas e Ivan Moré foram escalados para a gravação. Carlos Bertolazzi também participa.

Ao que tudo indica, será uma típica revista eletrônica matinal, com noticiário, pautas diversas e culinária. Algo que o SBT já tentou fazer no passado, com o Olha Você, mas que nunca se mostrou uma vocação da emissora. Mesmo que a grade infantil tenha sido reduzida nos últimos anos, há ainda um hábito do público do SBT com os desenhos matinais.

Na matéria do NTV, Perline afirma que o Vem pra Cá deve tirar espaço tanto do Primeiro Impacto quanto do Bom Dia e Cia. Mas, neste primeiro momento, o ideal seria tirar espaço apenas do jornal policialesco, que é grande demais. O novo programa poderia ser exibido entre 8h e 10h, recebendo com uma boa audiência do jornal e entregando para a atração de Silvia Abravanel, que já está consolidada no horário. Com isso, a mudança não seria tão radical.

Mesmo assim, fica a dúvida se um programa nestes moldes tem o perfil do SBT. A emissora tem pouca tradição no segmento e experiências pouco animadoras. Por outro lado, é bom saber que o canal está se mexendo. Pode conseguir apagar a má impressão de 2020, quando sua produção foi drasticamente reduzida.

André Santana

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Xuxa anuncia parceria com Globoplay

Sem contrato com a Record, muitos esperavam que Xuxa pudesse estar voltando à Globo, sobretudo quando ficou claro que a birra do passado já não existe mais. No entanto, isso ainda não aconteceu. E talvez nem aconteça (ao menos tão cedo), dado os projetos em outros formatos e plataformas que a loira vem anunciando desde o ano passado. 

Ao que tudo indica, ter um programa pra chamar de seu não é uma prioridade para Xuxa atualmente. A apresentadora parece negociar para colocar em prática os projetos anunciados no programa Otalab, de Otaviano Costa, no ano passado. Lembram? A loira disse que negociava a publicação de dois livros (que já saíram), um documentário, um filme e uma série. Ela chegou a contar que negociava com grandes empresas, como Disney, HBO e Netflix.

Em entrevista à live de Luis Erlanger, ex-diretor da Globo, Xuxa confirmou que está acertando o documentário com o Globoplay. A ideia do projeto é contar a trajetória da artista e, por isso, segundo ela mesma, seria bom este material sair com a chancela da Globo, já que a maior parte desta história aconteceu por lá. No Twitter, o perfil do Globoplay confirmou que “começou um namoro” com Xuxa. Ou seja, deve sair mesmo.

Na mesma entrevista, Xuxa contou que também tem o projeto de uma série. Muitos entenderam que ela falava do próprio documentário, que provavelmente será uma série documental. Mas eu, particularmente, entendi que ela falava de uma série de ficção. Isso porque Erlanger chegou a afirmar que ela poderia se dedicar à atuação, e ela disse que teria que aprender, já que viria por aí uma série “linda”. Mas a afirmação passou batida. Será que Xuxa vai protagonizar uma série de ficção? Seria uma produção infantil? Emplacaria no Globoplay? Ou no Disney +? Vale lembrar que o streaming da Disney vem procurando produções nacionais para seu catálogo. De repente…

Porém, o que parece estar mais certo mesmo é o documentário do Globoplay. Que, quando sair, vai provocar uma nova rodada de entrevistas de Xuxa em vários programas da emissora. Ou seja, por enquanto, Xuxa não será contratada da casa, mas deve se tornar figurinha carimbada dentro do canal. E isso pode até evoluir para novos projetos, por que não? Aguardemos.

PS: é engraçado que Xuxa está com os dois pés no Globoplay, ao mesmo tempo em que o Viva exibe As Brasileiras cortando a apresentadora da abertura e anunciando que o episódio protagonizado por ela não será reprisado. O que será que pegou?

André Santana

sábado, 9 de janeiro de 2021

Band repete velhos erros com contratação e dispensa de Mariana Godoy

 

Ao trocar a RedeTV pela Band, em 2020, a apresentadora e jornalista Mariana Godoy deixava claro que não tinha mais interesse no jornalismo diário. Ela não chegou a declarar isso com todas as letras, mas é fácil perceber que sua trajetória no canal de Amílcare Dallevo chegou ao fim porque seu Mariana Godoy Entrevista estava suspenso, e ela vinha dando expediente no RedeTV News. Mariana ficou muitos anos em bancadas da Globo e buscava um espaço só seu.

Espaço, aliás, que conquistou com louvor em sua passagem pela RedeTV. Mariana Godoy Entrevista era o único programa de bom gosto da emissora, que só vem ladeira abaixo nos últimos anos. Mas as noites de sexta do canal eram nobres, com a simpatia de Mariana entrevistando celebridades de todas as áreas. Ali, ela arrancava boas declarações de seus convidados, com um jeito muito próprio de entrevistar.

Mas Mariana Godoy Entrevista foi suspenso, e a justificativa era a pandemia. Estranho, se considerarmos que o talk show foi o único programa da linha de shows do canal a sair do ar neste contexto. Mesmo assim, preferiram colocar Mariana à frente do RedeTV News, que se revelou uma estratégia para manter um nome forte à frente do noticioso, já que o titular Boris Casoy vinha trabalhando de casa por pertencer ao grupo de risco (e ele foi dispensado depois).

Enquanto isso, a Band acenou com Mariana a possibilidade de a jornalista assumir suas manhãs, que passaria por uma nova reformulação depois do malfadado Aqui na Band. A profissional, claro, aceitou a empreitada, já que ela vinha ao encontro de seus almejos profissionais na TV. No entanto, sua passagem pelo canal acabou se tornando um tanto conturbada, revelando que a emissora insiste em cometer os mesmos erros de sempre.

Afinal, depois de formatação e gravação de pilotos do novo programa, que chegou até a ser anunciado numa live com Mariana e Zeca Camargo, a emissora simplesmente desistiu da ideia. Preferiu fazer uma aposta mais segura e lançou o The Chef, com Edu Guedes já chegando “pronto, embalado e vendido”. Ou seja, se contrataram Mariana ao mesmo tempo em que negociavam com Edu, já aconteceu uma falha de comunicação aí.

Ficou claro, aos olhos de todos, que a Band segue “chutando” uma grade, atirando para todos os lados para ver o que dá. Ao longo de sua grande trajetória, a emissora colecionou histórias como esta. Basta lembrar do que aconteceu com Luiz Bacci, contratado a peso de ouro, que não durou nem um ano no canal e ainda deixou a emissora com um prejuízo enorme, ao ponto de sucatear sua grade vespertina, locando-a para games caça-níquel.

Ao perceber a precipitação, a Band acabou por correr e lançar um talk show com Mariana para as noites de segunda-feira. A correria a toque de caixa refletiu na atração, que parecia uma versão mal desenhada do talk show da RedeTV. Com isso, desgastaram desnecessariamente a imagem de Mariana Godoy.

O resultado não poderia ser outro: o programa já saiu do ar. E, nesta semana, Mariana Godoy e Band anunciaram a rescisão do contrato. Segundo o UOL, a emissora a queria de volta ao jornalismo, mas Mariana não tinha interesse. Mas colunistas afirmaram que Mariana já está conversando com “outras empresas”, e uma delas seria a CNN Brasil. Já que, parece, ela não quer voltar ao hard news, de repente ela poderia emplacar seu talk show semanal no canal de notícias. Seria interessante e agregaria à grade da CNN. Vamos ver.

Mas o que fica evidente, nesta história toda, foi o amadorismo com que a Band levou toda esta situação. Uma emissora com tantos anos já devia estar minimamente preparada para evitar transtornos como este. Justiça seja feita, o canal melhorou nos últimos anos, com apostas mais seguras e de retorno comercial. Mas o “caso Mariana” mostrou que o amadorismo ainda existe, e que o canal segue repetindo velhos erros. Até quando?

André Santana

Começa hoje o TELE-VISÃO 2021

 

Depois de um breve período de descanso, enquanto revisitamos o ano de 2020 com os dois Top 10, o TELE-VISÃO inicia hoje a temporada 2021. Com a expectativa de fazermos mais um ano juntos, assistindo, comentando, analisando e criticando tudo o que nossa querida TV brasileira nos apresentar ao longo do ano.

A partir deste sábado, 09, o blog volta a ser atualizado ao longo da semana, normalmente às terças, quintas e sábados. Nestas atualizações, seguimos comentando os acontecimentos da telinha e, ainda, repercutindo o noticiário televisivo, analisando as notícias dos veículos especializados em TV. De quebra, seguiremos celebrando a história da TV, com posts especiais que relembram programas, emissoras e momentos da televisão brasileira.

Sábado segue sendo o “dia nobre” do TELE-VISÃO. É neste dia que o blog apresenta uma crítica mais longa e elaborada sobre as novidades da nossa TV. E, claro, todo dia é dia para que você leia, comente e se divirta com a gente aqui no TELE-VISÃO. Aqui, a ideia é que tudo se torne uma grande conversa sobre TV. Uma conversa cordial, agradável, com troca de ideias e informações.

Desde já, agradeço sua presença e participação neste humilde espaço. Que tenhamos um ano cheio de novas tele-visões! Bem-vindos ao TELE-VISÃO 2021!

André Santana

sábado, 2 de janeiro de 2021

Top 10 de 2020 – Destaques positivos

Apesar da imensa dificuldade provocada pela pandemia da covid-19, a TV brasileira não jogou a toalha, buscando novas maneiras de continuar oferecendo conteúdo para o espectador. Mesmo que, em alguns setores, as reprises tornaram-se inevitáveis, em outros as soluções simples e criativas se mostraram bem-sucedidas. Neste contexto, confira a lista dos 10 acertos deste ano na telinha na opinião deste blog. Lembrando que a lista é elaborada de acordo com a opinião deste blogueiro e, portanto, sujeita a injustiças e esquecimentos. Confira!

- “Amor de Mãe”

 

A novela das nove da Globo ficou no ar por apenas três meses este ano, e se viu interrompida por conta da pandemia da covid-19. No entanto, mostrou um poder de evolução e de envolvimento impressionante ao longo de sua “primeira etapa”. A trama bem amarrada e cheia de surpresas e reviravoltas mostrou a boa mão de Manuela Dias para histórias que mesclam relações humanas e thriller. O final do “primeiro ato”, com a ascensão da vilã Thelma (Adriana Esteves), deixou um gosto de quero mais. Que venham os 23 episódios finais!

- “Totalmente Demais”

 

Em meio a inúmeras reprises de novela de 2020, a volta de Totalmente Demais se mostrou um acerto. Leve e divertida, a história de Paulo Halm e Rosane Svartman mostrou ser uma boa opção para este momento em que a realidade nos deixou tristes e cansados. O sucesso maior que sua primeira exibição apenas reafirmou as qualidades da obra.

- “Conversa com Bial”

 

Impedido de gravar nos estúdios da Globo de São Paulo, Pedro Bial levou seu talk show à sua casa, recebendo convidados por meio de videochamadas. A ideia se revelou um acerto. O jornalista arrancou boas revelações de seus convidados, mais à vontade do que nunca. E a série celebrando os 70 anos da TV rendeu grandes momentos.

- “Altas Horas”

 

Serginho Groisman fez o mesmo caminho que Pedro Bial e conseguiu reinventar seu Altas Horas, que comemorou 20 anos no ar. Sem plateia, o apresentador apostou em novos quadros, todos feitos a distância, e conseguiu manter o espírito da atração. Suas videochamadas promoveram bons encontros, trouxeram excelentes entrevistas e divertiram o espectador.

- Jornalismo

 

Num ano cheio de nuances, a informação nunca foi tão importante. Neste contexto, emissoras que apostaram em jornalismo se deram bem. A Globo ampliou o espaço de seus jornalísticos, a Band otimizou sua equipe, e a Record, mesmo com um tom mais complacente na cobertura da pandemia, também conseguiu seu lugar ao sol. Na TV paga, a GloboNews cresceu como nunca, enquanto a CNN Brasil também obteve grande destaque.

- “Big Brother Brasil 20”

 

Os reality shows acabaram se mostrando uma boa válvula de escape neste momento em que muitos tiveram que ficar em casa. O BBB20, que estava no ar quando a pandemia foi declarada, acabou se tornando a grande mania do espectador. Tanto que rende assunto até hoje, quando estamos prestes a acompanhar a estreia da edição 21.

- “A Fazenda 12”

 

A boa fase de reality shows também atingiu A Fazenda, que teve uma temporada das mais envolventes. Mesmo com a perda de fôlego da reta final, o programa comandado por Marcos Mion rendeu bons momentos e alguma diversão.

- “Sob Pressão: Plantão Covid”

 

Sem poder gravar novelas, a Globo apostou numa dramaturgia feita a partir de inúmeros protocolos de segurança, incluindo aí experiências como Diário de um Confinado e Amor e Sorte. Mas a principal série desta safra foi Sob Pressão: Plantão Covid, que, em dois episódios, trouxe os personagens da excelente série às voltas com a trágica realidade atual. Programa não só envolvente, mas necessário.

- Ana Maria Braga

A apresentadora é o grande nome da TV no ano. A loira começou 2020 tendo que enfrentar mais um câncer. Neste meio-tempo, viu seu Mais Você sair do ar por conta da pandemia. Em seguida, perdeu seu grande companheiro de cena dos últimos 23 anos, o Louro José, com o falecimento de Tom Veiga. Pois nenhuma dificuldade derrubou Ana, que mostra uma força admirável à frente de seu matinal. Mais que uma grande apresentadora, Ana Maria Braga é uma grande mulher!

- Novos canais

 

Mesmo em meio à pandemia, a TV brasileira viu nascer dois canais. Na TV paga, a CNN Brasil mexeu com o mercado e vem fazendo um trabalho interessante, embora tenha lá seus erros, como o quadro O Grande Debate, ou dar espaço a negacionistas com a desculpa de “ouvir o outro lado”. Já a TV aberta ganhou a Loading, emissora de conteúdo jovem que vem suprir uma lacuna importante. Para fãs da cultura pop, o novo canal é um prato cheio!

E para você, internauta? Quais foram os destaques positivos de 2020? Deixe sua opinião nos comentários.

No próximo sábado, 09, começa o TELE-VISÃO 2021! Não percam! Até lá!

André Santana