sábado, 31 de outubro de 2020

Arrastado, "Game dos Clones" é pouco original e desperdiça Sabrina Sato

 

De olho no potencial comercial de Sabrina Sato, a Record a contratou no intuito de transformá-la numa estrela. E não há como negar que Sabrina é, sim, uma estrela. Mas não por causa da Record. Na verdade, a simpática “japa” chama mais a atenção quando participa como convidada de uma atração, ou até mesmo em suas redes sociais. Seu canal no YouTube, por exemplo, tem momentos bem divertidos.

Mas na Record, a apresentadora encarou o Programa da Sabrina, que, embora tivesse seu nome, era um espaço que pouco tinha a ver com ela. Depois, se viu diante de outra roubada, o “novo” Domingo Show. E acabou tendo o mesmo destino de outros apresentadores da emissora, tornando-se comandante de formatos. Sua primeira empreitada neste sentido foi o Made in Japão, que estreou como quadro do Domingo Show, mas se tornou um programa solo logo depois. O formato era inusitado o suficiente para Sabrina “combinar” com tudo aquilo. Foi bem, apesar de o programa ter passado em brancas nuvens.

Mas o mesmo não se pode dizer de Game dos Clones, o novo formato apresentado por Sabrina Sato. Além de praticamente não ter espaço na atração, o programa nem ao menos tem um formato interessante. A atração é “gelada”, incapaz de envolver o espectador.

Game dos Clones é uma variação dos famosos programas de namoro. Ele segue o modelo “resta um”, no qual um protagonista vai eliminando candidatos ao longo do episódio. Ou seja, na prática, é uma versão mais “grandiosa” de formatos como o Xaveco, do SBT, ou o Fica Comigo, da antiga MTV Brasil.

O diferencial é o fato de os candidatos serem fisicamente iguais. A proposta é até interessante, afinal, se o aspecto físico não conta pontos, a escolha se dará pelas diferenças entre as personalidades dos concorrentes. Mas, na prática, isso não funciona. O episódio é apressado demais, com provas acontecendo a todo o momento. Isso faz com que o espectador não se envolva com a escolha do protagonista.

Afinal, o espectador vê apenas concorrentes fisicamente semelhantes. Não há tempo para entender quem são eles e assimilar suas diferenças. Quem assiste não capta quem é mais simpático, quem é mais bem humorado, ou quem é mais narcisista. São todos iguais, e não há espaço para ressaltar quem é quem.

Além disso, as provas não ajudam muito. No episódio de estreia, por exemplo, os candidatos precisaram mostrar suas habilidades de montar uma barraca. Foi uma sequência tediosa em meio a um episódio marcado pela pressa e pela falta de emoção.

Nota-se um esforço da produção de buscar pessoas que rendam. A protagonista da estreia era uma jovem muito bonita, simpática e bem articulada. Mas não houve material suficiente para que o público embarcasse no jogo e se envolvesse com a escolha dela.

Em meio a tudo isso, Sabrina Sato surgiu como coadjuvante de luxo. O espaço da apresentadora é bastante limitado, e suas aparições nem ao menos se justificam. Até houve um ou outro comentário espirituoso da “japa” no meio da competição, mas nada que a fizesse brilhar.

Ao entregar a Sabrina o comando de Game dos Clones, a Record encaixota sua apresentadora. A artista, cuja principal característica é o senso de humor, aparece quase como uma mestre de cerimônias. Aos poucos, a emissora vem pasteurizando seus comunicadores, transformando todos em cerimonialistas sem traço de personalidade.

André Santana

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

História da TV: Quando o SBT reuniu Hebe, Adriane Galisteu, Jorge Kajuru e Cacá Rosset

No dia 13 de abril de 2005, estreava no SBT o programa Fora do Ar. A atração reunia Jorge Kajuru, Hebe Camargo, Adriane Galisteu e Cacá Rosset, que discutiam e davam suas opiniões sobre os mais variados temas. Era uma espécie de Saia Justa, versão SBT, no qual os apresentadores davam seus pitacos, se envolviam em polêmicas e chegavam a protagonizar algumas briguinhas no ar.

A ideia do Fora do Ar surgiu num outro programa do SBT, o Gente que Brilha. A atração, comandada por Silvio Santos, era uma nova versão do Show de Calouros, e que teve uma temporada exibida nas noites de domingo da emissora. O programa tinha Sonia Lima, Pedro de Lara, Décio Piccinini e Sheila Mello como jurados fixos, mas promoveu uma edição especial com jurados convidados: justamente Hebe, Adriane, Kajuru e Rosset.

O quarteto se animou com a reunião e a performance no programa do “patrão”, que também achou a química entre eles interessante, e assim surgiu o Fora do Ar. Com o formato e o título do novo programa definidos, a emissora começava a veicular suas tradicionais chamadas misteriosas. “Hebe Camargo fora do ar”, “Adriane Galisteu fora do ar” e “SBT fora do ar” era o que diziam algumas das peças. Depois, entraram de vez as chamadas que explicavam que se tratava de um novo programa, que reuniria os quatro apresentadores.

Daniel Castro, então colunista da Folha de S. Paulo, acompanhou a gravação do piloto do Fora do Ar. Segundo ele, haviam muitas performances com cara de ensaiadas, e, mesmo assim, rolavam rusgas nos bastidores. “Na gravação do piloto de Fora do Ar, Hebe, Kajuru, Galisteu e Rosset discutiram eutanásia, relacionamentos de mulheres mais velhas com homens jovens, política (muito pouco) e fetiche sexual”, contou Castro em texto publicado em 03/05/2005.

O jornalista seguiu narrando os acontecidos no palco da gravação. “Hebe, chamada por Rosset de 'lenda viva', até contou que sua mãe, agonizando numa cama, morreu após um médico aplicar uma injeção misteriosa nela. Kajuru então disse que prefere morrer a viver entubado. 'Vai ter fila de candidato para te matar', brincou o tagarela Rosset. No meio da discussão, que Galisteu assistia como figurante, Rosset começou a contar uma história, revelando a rusga com a loira. 'A história é curta, não?', perguntou Galisteu a Rosset, que a mandou parar de bancar a cronometrista”, contou.

Daniel Castro contou ainda que a gravação do piloto já seria “valendo”, mas que, provavelmente, o episódio não iria ao ar por conta de reclamações de Adriane Galisteu, que disse que Rosset “falou mais que todo mundo e foi grosso com ela”. Ou seja, pelo que foi narrado pelo jornalista, o programa deveria render muito pelos seus bastidores, já que reunia quatro apresentadores de temperamento explosivo.

No entanto, esta “explosão” não se converteu em números de audiência. Exibido nas noites de quarta-feira, Fora do Ar nunca registrou grandes índices no Ibope. No entanto, rendeu algumas polêmicas, sobretudo nas falas de Kajuru, jornalista conhecido por não ter “papas na língua”. Nos episódios derradeiros de Fora do Ar, ele criticou Paulo Maluf e chamou o dono do Ibope de “vigarista”. Pouco tempo depois, em 19 de setembro do mesmo ano, Silvio Santos simplesmente mandou encerrar o Fora do Ar.

Muitos creditam o fim justamente a estas falas de Kajuru. Mas é pouco provável que tenha sido isso. A verdade é que Fora do Ar nunca correspondeu às expectativas do SBT, com baixa audiência e repercussão. Uma pena que tenha sido assim, já que a TV aberta nunca deu destaque a formatos como esse, de debate de ideias. Quando bem-feitos, são deliciosos de assistir. 

Relembre o Fora do Ar:



André Santana

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

"Arena SBT": emplacar esporte na emissora é desafio espinhoso

Num momento de baixa produção e muitas dispensas, a aposta em futebol sempre pareceu uma saída interessante para o SBT. Afinal, é o tipo de investimento que costuma atrair anunciantes, algo sempre positivo num momento tão difícil quanto o atual. Entretanto, a emissora ainda esbarra em sua falta de tradição no segmento, e isso tem se mostrado o grande entrave da estratégia.

A transmissão da Copa Libertadores da América sacudiu um SBT pouco adepto a novidades. Com a chegada do futebol, veio a montagem de uma equipe especializada, implantando um núcleo de cobertura esportiva que inexistia na emissora. Daí veio a ideia de apostar num programa esportivo, afinal, os jogos de quarta-feira se transformaram praticamente numa “ilha” dentro da emissora. Era preciso dar mais visibilidade ao mundo esportivo na programação.

Surgiu então o Arena SBT, programa esportivo escalado para substituir Conexão Repórter nas noites de segunda-feira da emissora. Com a atração de Cabrini desfeita e a posterior transferência do jornalista para a Record, onde voltará a assinar a Grande Reportagem do Domingo Espetacular, a lacuna foi preenchida com uma nova mesa-redonda sobre futebol. Benjamin Back, Emerson Sheik, Cicinho, Mano e convidados pilotam a nova empreitada do canal de Silvio Santos.

Mas o resultado da estreia não foi dos melhores. Arena SBT conquistou parcos 3 pontos de audiência, número inferior aos resultados obtidos por Cabrini nas segundas-feiras anteriores. O esportivo prejudicou a grade, entregando em baixa para o The Noite, que atingiu uma de suas piores marcas. Além da baixa audiência, o programa não trouxe nada de novo, colocando-se como uma mesa redonda tradicional e sem surpresas.

Claro, ainda é cedo, o programa está em fase de implantação. Mas o baixo desempenho mostra que, ao tentar entrar num segmento onde não tem tradição, o SBT está partindo do zero e tentando buscar um público completamente novo. E isso, como se sabe, leva tempo. A emissora terá paciência para esperar, sabendo-se da já clássica impaciência de Silvio Santos? Ficamos na torcida para que, ao menos, os resultados comerciais valham a pena e auxiliem o SBT a sair desta crise. Porque, no que depender dos resultados de público, a coisa vai complicar.

André Santana

 CCXP Worlds anuncia a participação de Neil Gaiman

A FSB Comunicação, a Editora Intrínseca e a CCXP apresentam Neil Gaiman na CCXP Worlds. Um dos artistas mais pedidos e aguardados pelos fãs do maior festival de cultura pop do planeta faz sua estreia como convidado de honra nesta edição. 

A última passagem de Gaiman pelo Brasil foi há 12 anos, durante a promoção do seu livro Coraline para os cinemas. Os fãs da famosa história em quadrinhos The Sandman vão poder acompanhar a participação de Neil em um painel no Thunder Arena, no qual falará sobre a carreira de escritor e quadrinista e também as adaptações de suas obras para outras mídias, como é o caso de The Sandman na Netflix. Neste ano, a CCXP acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro em um formato totalmente virtual com quatro opções de ingressos, incluindo uma opção gratuita, o Free Experience. Para mais informações e o line-up já divulgado da CCXP Worlds acesse o site: http://www.ccxp.com.br.  

O britânico Neil Gaiman começou sua carreira como jornalista, mas logo ingressou no mundo dos quadrinhos. O autor, desde o início da sua jornada como escritor, teve como inspiração as obras de C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien, James Branch Cabell e, ao longo dos anos, influenciou e marcou diversas gerações e épocas com seus livros, como é o caso das histórias de Deuses Americanos e Good Omens, que acabaram dando origem às séries de TV. Além do sucesso com o público, suas produções também foram aclamadas pela crítica especializada. Em 2008, ele foi o primeiro autor a levar as medalhas Newbery e de Carnegie, com o Livro do Cemitério. Já em 2013, O Oceano no Fim do Caminho levou o prêmio de melhor livro do ano pela British National Book Awards.

Sua participação na CCXP é mais do que aguardada pelos fãs brasileiros, desde a primeira edição do festival. E desta vez ela irá começar mais cedo no evento. Em novembro, a live 'Esquenta CCXP Worlds' contará com a presença do artista, que dividirá com o público curiosidades sobre sua carreira e a importância do storytelling nos dias de hoje.


sábado, 24 de outubro de 2020

"Sassaricando" e "Haja Coração": com as duas tramas no ar, comparação é inevitável

 

Viva e Globo, normalmente cuidadosas com escolhas de títulos para reprises para não se tornarem “concorrentes”, desta vez não conseguiram fugir de uma curiosa “coincidência”. Enquanto o canal pago do Grupo Globo exibe Sassaricando, novela de Silvio de Abreu de 1987, a Globo reapresenta Haja Coração, remake da obra assinado por Daniel Ortiz. Com as duas tramas no ar, é possível assisti-las e apontar as diferenças e semelhanças entre suas tramas.

Mesmo com títulos diferentes, as duas novelas contam basicamente a mesma história. Como qualquer remake que se preze, são feitas algumas alterações e adaptações, mas boa parte dos personagens e da espinha dorsal são as mesmas nas duas produções. Aliás, é justamente por isso que um remake se justifica. Se for pra fazer uma nova versão sem as devidas adaptações, melhor seria simplesmente repetir o original. Guerra dos Sexos é um exemplo claro de remake que não foi bem atualizado, revelando-se um fiasco. Já Ti Ti Ti é um belo exemplo de trama que soube se reinventar em sua segunda versão.

Então, sim, Haja Coração é um remake de Sassaricando. Com algumas adaptações. A mudança mais significativa é o deslocamento do protagonismo. Varela (Paulo Autran) conduzia a história de Sassaricando, enquanto Tancinha (Claudia Raia) liderava o núcleo cômico. Em Haja Coração é o contrário: Tancinha (Mariana Ximenes) se tornou uma mocinha romântica, enquanto Varela (Alexandre Borges) passou a liderar o núcleo cômico.

A mudança veio bem a calhar com a mudança de tom no texto. Enquanto Silvio de Abreu é adepto de um humor mais refinado, com referências cinematográficas e boas doses de ironia, Daniel Ortiz caminha mais pela comédia romântica, com uma comicidade mais infantil (pra não dizer “infantiloide”). É justamente o fato de Sassaricando ser uma comédia mais rasgada, enquanto Haja Coração é um “romance bem humorado”, que se torna o grande diferencial entre as duas produções.

A mudança no eixo do protagonismo se justifica na própria trajetória de Sassaricando. Segundo o próprio Silvio de Abreu, os “sassaricos” de Varela não foram muito bem-aceitos pelo público na época da novela, que preferia rir das trapalhadas de Tancinha. Assim, Varela acabou perdendo espaço na obra, enquanto o núcleo cômico ganhou mais visibilidade. Não por acaso, Tancinha se tornou um divisor de águas na carreira de Claudia Raia. A divertida personagem foi a dona da novela.

Assim, Haja Coração “corrige” o principal percalço de Sassaricando. Mas, ao transformar Tancinha de figura cômica a heroína romântica, a novela de Daniel Ortiz acabou fazendo com que a personagem não chamasse tanto a atenção desta vez. Sem desmerecer o trabalho de Mariana Ximenes, que é ótimo, mas, na época da primeira exibição, a trajetória da mocinha não repercutiu tanto quanto as aventuras da família Abdala. Ou seja, desta vez, o “núcleo Varela” foi mais bem aceito 

Não por causa de Varela, já que Alexandre Borges apenas repete o tipo cafajeste de tantas outras produções. Mas porque vários dos personagens que orbitam em torno dele caíram nas graças da audiência, como Teodora Abdala, cuja intérprete Grace Gianoukas teve uma performance tão brilhante, que a personagem acabou escapando da morte. A dinâmica que se estabeleceu entre as “mulheres de Varela”, Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Rocche) também deu muito certo. E o trio virou um quarteto divertidíssimo com a presença de Dinalda (Renata Augusto). O tom non sense imperou neste núcleo, o que se revelou um acerto.

Entretanto, ao assistir a novela do Viva e a novela da Globo, é impossível não reparar que Sassaricando é uma novela bem mais interessante que Haja Coração. Varela pode não ter feito tanto sucesso, mas o trabalho de Paulo Autran é simplesmente irretocável. O ator o faz com um tom irônico, com atitudes sutis, que fazem o tipo um adorável “perdedor”. Tão irretocáveis são suas parceiras de cena: Tônia Carrero (Rebeca), Eva Wilma (Penélope) e Irene Ravache (Leonora) roubam a cena. E a Tancinha de Claudia Raia dispensa apresentações. Incrível.

Sassaricando tem um humor menos óbvio, com um texto que vai além da simples piada. Além disso, é muito moderna para a sua época. Enquanto isso, Haja Coração tem um texto mais simples, um humor mais batido e, curiosamente, tem cara de novela antiga. O que mostra que sua atualização não foi tão bem feita assim.

Haja Coração foi um sucesso de 2016, e sua reprise tem repetindo a boa performance. Mas, entre o remake e o original, Sassaricando está anos-luz à frente da atual novela das sete da Globo. Vale uma espiada.

André Santana

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

CCXP Worlds anuncia novos quadrinistas participando pela primeira vez do festival

Os fãs dos quadrinhos continuam recebendo boas notícias sobre a CCXP Worlds, que não para de confirmar artistas participando pela primeira vez do festival. Os novos convidados para painéis e entrevistas no Artists’ Valley são J.M. DeMatteis, roteirista de uma das mais icônicas obras do Homem-Aranha, Jon J Muth, ilustrador vencedor do Eisner, Sara Pichelli, cocriadora de um dos personagens mais inspiradores da Marvel na atualidade, e Fido Nesti, brasileiro com mais de 30 anos de atuação em veículos de comunicação e no mercado editorial. Em 2020, a CCXP Worlds acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de forma totalmente virtual.

O norte-americano J.M. DeMatteis é um roteirista de quadrinhos, animações e séries de TV. Foi dele o texto de ‘A Última caçada de Kraven’, uma das mais celebradas obras do Homem-Aranha e de uma aclamada fase da Liga da Justiça. Para a televisão, escreveu episódios das séries de ficção-científica ‘Earth: Final Conflict’ e ‘Além da imaginação’, assim como assinou roteiros dos desenhos ‘Scooby-Doo’, ‘ThunderCats’ e ‘Liga da Justiça sem Limites’, entre outros. Seus trabalhos mais recentes são nos scripts das animações ‘Batman: Bad Blood’, ‘Liga da Justiça Sombria’ e ‘Constantine’. DeMatteis também é autor do clássico ‘Moonshadow’, que assina com Jon J Muth, outro nome confirmado para participar da CCXP Worlds.

No festival, a partir de uma parceria com a editora Pipoca&Nanquim, os artistas vão promover o relançamento da obra - publicada originalmente em 12 edições entre 1985 e 1987 e considerada a primeira graphic novel inteiramente aquarelada. Jon J Muth é responsável por outros grandes trabalhos como a ilustração do arco ‘Despertar’, de Sandman, escrita por Neil Gailman, ‘Wolverine & Destrutor: Fusão’ (com Kent Williams) e ‘Novos Mutantes’’. O artista foi vencedor do Eisner por seu trabalho em ‘The Mystery Play’, escrito por Grant Morrison. Para fazer download das imagens de Jon J Muth clique aqui . Já as imagens de J.M. DeMatteis estão disponíveis aqui .

Outra quadrinista confirmada é Sara Pichelli. A italiana é a cocriadora do personagem Miles Morales, cujo visual marcante e popular não teria tanto impacto sem os aspectos da personalidade e da história desenvolvidos pela artista. Pichelli é uma das quadrinistas da Marvel Comics desde 2008, editora para a qual desenhou títulos como ‘X-Men’, ‘Os Eternos’ e ‘Homem-Aranha’. Seu último trabalho foi uma minissérie do Homem-Aranha coescrita pelo diretor de cinema JJ Abrams. Clique aqui para fazer o download de imagens dos trabalhos da quadrinista.  

O último artista confirmado é Fido Nesti. Ilustrador há mais de trinta anos, seus desenhos podem ser vistos no jornal Folha de São Paulo e na revista New Yoker. Sua participação no festival é uma parceria com a editora Quadrinhos na Cia e o artista vai falar sobre o seu novo lançamento, a HQ ‘1984’, baseada no livro escrito por George Orwell, em 1949. 


CCXP Worlds: cobertura no TELE-VISÃO

Comemorando 15 anos do TELE-VISÃO, o blog apresenta uma novidade para os leitores: a cobertura da CCXP Worlds, que acontece em dezembro. Neste ano, por conta da pandemia, o evento acontecerá online. Esta novidade viabilizará a participação deste pequeno jornalista na cobertura, que passa a ter espaço cativo dentro do blog.

Mas um blog sobre TV falando da CCXP? Sim, meus amigos! A CCXP tem um leque bastante abrangente de atrações, nas áreas de televisão, cinema, quadrinhos e cultura pop. E o TELE-VISÃO, em seu início, falava sobre tudo isso. Com o passar do tempo, o blog se especializou em TV, mas este são assuntos que sempre me interessaram. Por conta disso, para marcar os 15 anos deste espaço, vamos retomar o assunto a partir da CCXP.  Por isso, a partir de hoje, sempre que pintar uma novidade sobre a programação da CCXP, o TELE-VISÃO vai avisar! 

Porém, para quem acompanha o blog para procurar os tradicionais textos com comentários sobre a TV brasileira, não se preocupem. Os textos “raiz” do blog continuarão saindo normalmente, com a mesma frequência habitual, de três textos semanais. A cobertura da CCXP Worlds não vai ocupar o espaço deles. Pelo contrário: apenas ampliará o conteúdo do TELE-VISÃO.

André Santana

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

TELE-VISÃO 15 anos: o que estava rolando na TV em 22 de outubro de 2005?

Há 15 anos, o blog TELE-VISÃO nascia. Este espaço para conversar sobre a nossa amada televisão brasileira começou a ser escrito numa entediante tarde de sábado. E, agora, convida você, leitor, a participar do nosso baile de debutante e comemorar esta data tão especial conosco, relembrando o que estava passando na TV justamente naquele dia 22 de outubro de 2005. Vamos nessa?

Na TV Cultura, o grande destaque era o “novo” Vitrine, que ocupava as noites de sábado. Sabrina Parlatore e o saudoso Rodrigo Rodrigues desvendavam os bastidores de todas as mídias, com matérias e entrevistas interessantes sobre televisão, cinema, arte, internet, música, publicidade… Enfim, tudo o que era novidade no mundo da comunicação. Antes do Vitrine, que ia ao ar às 20 horas, a emissora reprisava o Programa Silvia Poppovic, que era atração da emissora às quintas-feiras. No programa, Silvia debatia diversos assuntos, sempre com a presença de especialistas nas mais variadas áreas. No fim da noite, o clássico Zoom exibia ótimos curtas-metragens. 

Já o SBT começava suas manhãs de sábado com comédias estadunidenses. Tudo Sobre os Andersons e Encrencas em Família eram exibidos cedinho, antes do Sábado Animado. Depois dos desenhos, mais comédias: Alf, Bob, o Bebê Falante, Um Anjo Muito Doido e Três É Demais ocupavam a faixa do almoço. As tardes eram ocupadas por Celso Portiolli, que distribuía dinheiro ao público que assistia aos filmes da Sessão Premiada. Meu Amigo Einstein e Nós Somos os Campeões 2 eram os cartazes do dia. À noite tinha o SBT Brasil, as novelas Os Ricos Também Choram e Xica da Silva (reprise da Manchete) e o humorístico A Praça É Nossa, ainda ocupando as noites de sábado. O Cine Belas Artes encerrava o dia, exibindo O Último Portal, de Roman Polanski.

A faixa educativa da Globo aos sábados ainda existia naquele dia, com programas como Globo Ciência e Globo Ecologia. Os desenhos da TV Globinho ocupavam a maior parte da manhã, mas, naquele dia, foram “ensanduichados” pela transmissão do vôlei de praia. Os Simpsons encerrava a manhã. De tarde, o Vídeo Show ainda tinha sua edição de sábado, que foi extinta no ano seguinte. Caldeirão do Huck era exibido mais cedo, às 14h30. A faixa das 16 horas havia acabado de ser "desocupada" pela quarta temporada do Fama, que estreou em agosto. Sem o talent show de Angélica, filmes ocupavam o horário. Mas, naquele dia, a emissora transmitiu futebol, excepcionalmente. De noite, novelas: Alma Gêmea, Bang Bang e América eram os títulos da vez. Zorra Total, Supercine (com o filme alemão Paraíso) e Altas Horas encerravam o dia.

Na Record, o Programa Raul Gil vivia seus últimos momentos na emissora. Era o penúltimo programa de Raul no canal, já que, em 05 de novembro do mesmo ano, Marcio Garcia assumiria o horário com a estreia do O Melhor do Brasil. No horário nobre, a emissora exibia a série As Espiãs, que ia ao ar diariamente às 21h. A novela Essas Mulheres tinha capítulo aos sábados, na faixa das 19 horas. 

Na RedeTV, muitos concessionários e informerciais. De produção própria, havia a edição de sábado do noticioso TV Esporte Notícias, às 14h, seguido de Fá Morena no Almoço com os Artistas. A emissora também exibia a Série B do Brasileirão e o Tarde Quente, de João Kléber (que levaria a emissora a sair do ar dali uns dias, tendo o sinal suspenso por um dia por ter exibido conteúdo ofensivo na atração. Depois disso, Kléber deixou o canal). No horário nobre, o grande destaque era o Programa Amaury Jr., na faixa das 22 horas.

Já na Gazeta, o grande destaque era Sergio Mallandro, que comandava o Muleke Mallandro na faixa das 18 horas. Antes dele, muita música com os Amigos do Forró. Enquanto isso, toda a tarde de sábado da Band era ocupada por Gilberto Barros, que comandava gincanas, entrevistas e musicais no Sabadaço. E a saudosa MTV Brasil, que completou 30 anos nesta semana, exibia reprises de grandes destaques de sua programação regular, como Beija Sapo, Covernation, Top Top MTV e Gordo Freak Show. À meia-noite, Penélope Nova falava de sexo com a molecada no Ponto Pê

Naquele tempo, ainda havia a Rede 21, que exibia séries clássicas e o Blog 21, com informações. Havia também a Rede Mulher, atual Record News, que lotava sua grade de sábado com programas da Igreja Universal. 

Bons tempos, boas coisas… Que venham mais 15 anos e mais! Parabéns pra gente!

André Santana

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Após um tempo adormecida, CNN Brasil volta a agitar o mercado

São tantas notícias sobre cortes e reduções de custos nestes tempos difíceis de pandemia, que qualquer nova contratação no mercado audiovisual torna-se sempre uma boa notícia. E vindo da CNN Brasil, que agita o mercado desde o ano passado, quando ainda se estruturava e anunciava grandes contratações, a coisa fica ainda mais interessante, tendo em vista que o canal de notícias estava numa fase, digamos, “morna”.

Mas a semana começou em polvorosa quando a CNN anunciou a contratação de Marcio Gomes. O âncora da Globo, com mais de 20 anos de casa, estava numa fase “curinga” na programação da emissora, à frente dos boletins noticiosos sobre o coronavírus e cobrindo férias e folgas em vários telejornais. Além disso, estava cotado para assumir, em definitivo, o comando do SP1. Ou seja, era um nome forte da Globo, que agora engrossa as fileiras da CNN.

No anúncio da contratação, a CNN Brasil informou que está destinado a Marcio o comando de “novos projetos multiplataformas” da emissora. Parecia que a CNN falava de sua parceria com alguma rede de TV aberta, uma possibilidade que parece cada vez mais próxima. No entanto, Mauricio Stycer, do UOL, informou que a novidade em questão é o streaming da CNN Brasil, o CNN Brasil +. Stycer disse que o canal de notícias negocia para integrar a Pluto TV, nova plataforma de streaming, que é gratuita e conta com conteúdo da Viacom. A Pluto TV chega ao Brasil em dezembro.

O mais provável é que a CNN Brasil esteja mesmo planejando tudo isso. A emissora já fechou parceria com a Transamérica para levar seu conteúdo ao rádio, e segue em busca de uma TV aberta para se associar e levar seu conteúdo. Segundo Flavio Ricco, o SBT era um canal possível, mas as negociações teriam perdido força. RedeTV teria entrado no páreo, mas há quem diga que pode ser um canal menor. Lembra quando falaram que a CNN chegou a conversar com a Rede Brasil? Além de TV, o canal, acertadamente, deve chegar ao streaming. E chegará reforçado, já que Marcio é um excelente âncora, e a emissora já conta com um time de peso.

Fica a torcida para que a CNN Brasil volte aos holofotes por boas notícias como esta. Porque estava ficando chato a emissora só aparecer no noticiário por conta de polêmicas, como as bobajadas ditas por Caio Coppola ou outros debates que só enfraquecem sua imagem diante do público. Como dito acima, o canal conta com excelentes profissionais, uma bela estrutura e uma grade de programação interessante. Não devia abraçar polêmicas para aparecer. A marca é muito maior do que tudo isso. Que a chegada de Marcio represente uma fase mais auspiciosa, com bom conteúdo e distribuição multiplataforma, pois o público ganha com isso.

E quanto à Globo… bem, perder Marcio Gomes foi um duro golpe. Um profissional competente e versátil como ele sempre faz a diferença. A emissora demorou demais para fixá-lo novamente como âncora, papel que exerceu por uns bons anos no RJ1 no passado. 

André Santana

sábado, 17 de outubro de 2020

"Vou te Contar": RedeTV aposta em programa velho e feito para vender

 

Na década de 1990, o programa Mulheres, da Gazeta, e o Note e Anote, da Record, fizeram proliferar um formato que virou história na TV brasileira: os programas femininos baseados em merchandising e culinária. Ana Maria Braga se tornou o expoente máximo do formato, quando chegou a ocupar cerca de seis horas da grade diária da Record ensinando a espectadora a cozinhar e realizar peças de artesanato. Entre uma dica e outra, vendia de tudo: de cartilagem de tubarão a iorgurteira.

No entanto, este formato foi se modificando ao longo das décadas de 2000 e de 2010. Entre 2000 e 2020, ascenderam os programas de fofoca e as revistas eletrônicas, que tomaram todo o espaço do antigo “feminino tradicional”. Ana Maria Braga, que nesta época já havia emplacado o seu Mais Você na Globo, sobreviveu ao apostar em entrevistas, jornalismo e reality shows, aperfeiçoando a fórmula. Os antigos programas ditos “femininos” não chegaram a morrer de vez, mas ficaram relegados aos canais menores.

Neste novo contexto, outro expoente dos programas femininos se reinventou para permanecer no ar: Claudete Troiano. A veterana, que cresceu no Mulheres e apresentou femininos também na Manchete, Record, Band e SBT, acabou encontrando na TV Aparecida um espaço para um formato que parecia próximo da extinção. Ali, ela voltou a emplacar o formato que a consagrou no Santa Receita, vespertino no qual comandava pautas de saúde, prestação de serviço e culinária. E, claro, vendia muito. Tornou-se um dos grandes sucessos do pequeno canal, que começava a se destacar no ranking da audiência.

Mas a pandemia e mudanças de rumo da TV Aparecida fizeram Claudete se afastar do programa que criou. Porém, a apresentadora ficou pouco tempo afastada do vídeo, já que um patrocinador bancou sua contratação pela RedeTV. O que se revelou um negócio interessante para o canal, que havia acabado de perder Edu Guedes, um de seus grandes “vendedores” matinais. A força comercial de Claudete Troiano fez com que ela se tornasse a substituta ideal do chef, que agora bate ponto nas manhãs da Band.

Foi assim que nasceu o Vou te Contar, no ar há duas semanas. O novo matinal é um “compacto” de tudo o que Claudete Troiano já fez e refez na TV brasileira: pautas de saúde, prestação de serviço e culinária, tudo costurado por inúmeras ações de merchandising. E é esse o problema: Claudete volta a fazer o que sempre fez, mas num contexto em que este tipo de formato já parece completamente ultrapassado. No ar, a sensação de “mais do mesmo” explodiu, como se tudo fosse feito no mais batido piloto automático. Aliás, até mesmo o cenário da atração já é uma reciclagem das atrações matinais anteriores da emissora: Edu Guedes e Você, Olga e Melhor pra Você. A sensação de produção envelhecida incomoda.

Além disso, a RedeTV repete com Claudete Troiano o mesmo erro que cometeu quando promoveu a volta de Olga Bongiovanni: pouco tempo para muito merchan. O programa Olga também não fugia da mesma fórmula, só que sem culinária. Porém, tinha apenas uma hora de duração e muita propaganda, o que atravancava a atração. Vou te Contar tem 15 minutos a mais, mas ainda assim não consegue fazer uma pauta fluir, já que são inúmeras as interrupções para vender.

Ou seja, além de já nascer com cara de velho, Vou te Contar ainda enfrenta um grave problema de ritmo. Assim, não há programa que resista. Prova disso é a péssima audiência destas duas primeiras semanas do programa, que tem dificuldades em sair do traço absoluto. Quanto tempo o patrocínio de Sidney Oliveira resistirá a esta falta de público?

É uma pena que a RedeTV esteja refém de sua grade matinal completamente equivocada. A emissora insiste em João Kleber e seu Você na TV, que também não é nenhum estouro de audiência. Já que o canal tem em mãos uma apresentadora experiente como Claudete, que ainda trouxe um bom patrocinador, poderia entregar a ela sua manhã toda, e com um programa mais moderno e menos “cansado” que o Vou te Contar. Algo nos moldes do extinto Melhor pra Você, que, em seus primeiros momentos, tinha um conteúdo variado e interessante. 

Mas isso é esperar muito da RedeTV, uma emissora que alardeia tecnologia, mas é incapaz de criar um conteúdo minimamente criativo. Uma das mais jovens emissoras brasileiras, o canal insiste em colocar no ar uma programação que parece empoeirada de tão antiquada. É uma pena.

André Santana

Efeito pandemia: Globo "enxuga" programação 2021

 

Como era esperado, a pandemia vem afetando todas as emissoras brasileiras. As consequências da crise mais expostas ao público são a vistas no SBT, que vem promovendo uma verdadeira debandada de profissionais. Band, na contramão, realizou contratações, mas vem investindo com parcimônia. RedeTV também realizou contratações, mas reduziu salários e enxugou custos. Record cancelou produções e também vem investindo com mais cautela.

Neste cenário, a Globo consegue mostrar mais vigor graças ao seu “excesso de gordura”. No entanto, até ela verá sua programação sentir os efeitos da crise. Nas últimas semanas, notícias sobre a grade de 2021 mostram que o canal também está cortando na própria carne para se manter no jogo.

A primeira notícia que surpreendeu foi o cancelamento de Malhação – Transformação. A emissora decidiu que não produzirá uma nova temporada de Malhação em 2021. A ideia é reapresentar mais uma leva da trama adolescente após Viva a Diferença no ano que vem. A trama só voltará com conteúdo inédito em 2022. Ou seja, a Globo vai economizar algo como uma novela inteira no ano que vem. Será o grande corte na dramaturgia, que deve voltar a ter novelas inéditas às seis, sete e nove em 2021.

O humor também passará por um grande corte. Nesta semana, a emissora anunciou o fim de seus atuais humorísticos. Zorra, Escolinha do Professor Raimundo e Fora de Hora não terão novas temporadas em 2021. O anunciou pegou todo mundo de surpresa, já que, uma semana antes, já havia a confirmação do retorno do Fora de Hora, por exemplo. A ideia da emissora é lançar um novo programa de humor no ano que vem, reunindo esforços numa única produção, que deve apostar em diferentes estilos e talentos. O novo programa marcará o fim da “era Marcius Melhem” no humor da emissora. O ator e roteirista deixou a Globo recentemente.

Enquanto isso, a linha de shows da emissora deve continuar apostando em reality shows, que são programas de grande retorno comercial. Quanto às séries, o mais provável é que os esforços sejam concentrados no Globoplay, com produções que podem vir a ser exibidas na Globo depois. E, claro, a emissora deve continuar promovendo “intercâmbio” de produções com seus canais pagos, como Lady Night e Que História É Essa, Porchat?. Enfim, é tempo de “apertar o cinto”.

André Santana

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Apesar de bem realizado, "Simples Assim" é aposta arriscada da Globo

As inúmeras definições de Simples Assim, novo programa de Angélica na Globo, eram de nos deixar desconfiado. Um programa que se propunha a falar sobre felicidade parecia ser algo piegas demais, ou que apelasse demais à emoção barata. Felizmente, a estreia apagou esta impressão ruim. Simples Assim é um programa simpático e muito bem-feito.

Angélica volta ao ar como se não tivesse ficado dois anos sem programa próprio. A apresentadora, que cresceu diante das câmeras, tem uma intimidade única com a lente e parece à vontade falando com o espectador. Em Simples Assim, ela deixou claro porque é, sim, um dos grandes nomes da televisão brasileira, mesmo tendo passado anos numa zona de conforto. Voltou tinindo.

E o programa surpreendeu positivamente por levar sua mensagem por meio de várias linguagens e abordagens. O roteiro, redondo e cheio de informações interessantes, foi desdobrado por meio de bate-papos com anônimos, esquetes de humor e ilustrações de extremo bom gosto. A cenografia é linda, a produção é competente e tudo funciona direitinho.

Muitos criticaram o programa por ser escapista demais. Realmente, os “problemas” apontados ali parecem pequenos diante de situações muito mais periclitantes por que passa boa parte da população brasileira. Mas não acho que isso desmereça o Simples Assim. O programa vem para reafirmar sentimentos positivos, e isso não me parece ruim. 

Mas concordo que é uma mensagem que parece segmentada. Simples Assim, apesar de apostar na emoção, um ingrediente básico da TV aberta, o faz com uma linguagem que parece não alcançar o amplo e variado público da tarde de sábado da Globo. A emissora sempre exibiu entretenimento puro ali, como Música Boa, Só Toca Top ou Tá Brincando, além do próprio Estrelas, programa anterior de Angélica. Há uma mudança radical de proposta. É uma proposta mais cabeça e reflexiva.

Ou seja, o TELE-VISÂO vai, novamente, repetir: a proposta de Angélica parece muito mais adequada para a TV paga do que para a TV aberta. Simples Assim tem o DNA do GNT. Ao tentar emplacar um programa nestes moldes num horário de público tão heterogêneo, a Globo se arrisca. É interessante ver Angélica num programa completamente diferente do que ela já vez em seus tantos anos de TV, mas sua nova proposta, apesar de ser repleta de boas intenções, parece estar no lugar errado.

André Santana

sábado, 10 de outubro de 2020

Fenômeno, "Totalmente Demais" repete sucesso em reprise

 

A “edição especial” de Totalmente Demais chegou ao fim com resultados impressionantes. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm conseguiu o feito de mobilizar o público novamente diante do triângulo amoroso formado por Eliza (Marina Ruy Barbosa), Jonatas (Felipe Simas) e Arthur (Fabio Assunção). Mesmo já sabendo o final, as torcidas foram novamente formadas, garantindo a excelente audiência desta reprise.

Em maio de 2016, na ocasião do fim da novela, o TELE-VISÃO publicou o seu tradicional balanço de fim de novela. Acompanhe:

Num momento em que muitos afirmam que o espectador sentia saudades de uma novela mais tradicional, Totalmente Demais veio suprir este nicho. Trouxe uma espinha dorsal básica, clássica e com ares de contos de fada. A trama de Eliza, livremente inspirada em My Fair Lady, bebe da boa e velha fórmula da transformação, vista e revista em contos como Cinderella e O Patinho Feio. Uma trama que costuma conquistar a audiência, vide sucessos como Betty, a Feia, ou Fina Estampa. O mote da transformação não rodeou apenas a mocinha, mas também todos aqueles que a rodeavam, tornando os personagens possíveis e facilmente identificáveis pela audiência, outro fato que explica o sucesso da trama.

A transformação de Eliza é a mais óbvia, mas não menos envolvente. Criada num ambiente hostil, a mocinha tornou-se quase selvagem para se defender das dificuldades e, principalmente, do assédio do padrasto. Quando decide deixar tal ambiente e se aventurar na cidade grande, vive novas situações que a fazem mudar, mas sem perder sua essência. Conhece o amor, entra numa disputa de modelos para tentar mudar de vida e aceita aprender a ser mais sociável em busca da vitória no concurso. O treinamento a deixa menos agressiva, mas suas relações pessoais e sociais a transformam numa mulher forte e amadurecida. Eliza desabrochou.

Jonatas (Felipe Simas), o amor que a ajuda, também mudou. Vendedor ambulante que vive num cinema abandonado, o jovem de bom coração também se transforma quando seu caminho cruza o de Eliza. Enquanto tenta ganhar a vida e merecer o amor da mocinha, Jonatas vai, aos poucos, conquistando novas oportunidades e fazendo reconhecer o seu valor. Termina a obra como um profissional respeitado e ao lado de seu amor.

Arthur (Fabio Assunção), o dono da agência que toma para si a missão de transformar Eliza numa modelo, também se transforma enquanto se dedica à tarefa. Vivendo uma amizade colorida com Carolina (Juliana Paes) e com dificuldades em ingressar numa relação séria, Arthur se vê envolvido pelo encanto de Eliza. Ele se apaixona e se transforma a partir disso, tornando-se um homem melhor e um pai mais dedicado. Não conseguiu ficar com Eliza, mas saiu desta relação pronto para, finalmente, assumir algo mais sério com Carolina, que sempre o amou.

Falando nela, o quarto vértice deste “quadrado amoroso” foi o que mais se transformou. Carolina entra em cena apaixonada por Arthur e disposta a ter um filho com o homem que ama. Diante da recusa dele e de seu encantamento por Eliza, Carolina passa a considerar a jovem sua rival e a sabota de todas as maneiras possíveis. Mas os desdobramentos do concurso, a relação conturbada com Arthur, sua amizade com a irmã Dorinha (Samantha Schmutz) e, principalmente, a descoberta de que não pode ter filhos, a fazem mudar. Quando parte para a adoção e se dedica à criação de uma criança soropositiva, Carolina torna-se uma pessoa melhor. E reencontra Arthur também transformado. Agora sim, juntos, podem viver uma relação mais séria e madura.

Este foi o grande trunfo de Totalmente Demais. Trouxe personagens tridimensionais, colocou-os em situações de transformações e mostrou que todos são passíveis de mudanças, mas sem perder sua essência. Foi realmente um grande trabalho dos autores, que conseguiram fazer, mesmo dentro da fórmula do folhetim clássico, algo que fugisse do estereótipo extremamente maniqueísta. Resultado: o público embarcou nestes conflitos, apaixonou-se pelos personagens e torceu por eles. Há quanto tempo não víamos uma mocinha que não fosse uma chata? Eliza foi uma heroína e tanto! E há quanto tempo estamos reféns de vilãs psicopatas malucas, que nem sempre têm motivos fortes para agir? Carolina fugiu deste arquétipo e movimentou toda a trama sem precisar, necessariamente, ser uma bandidona. E sua redenção foi tão possível que ela mereceu seu final feliz.

Totalmente Demais também foi feliz quando se permitiu aprofundar temas mais pesados, mesmo dentro de uma trama tão leve e solar. A novela falou com propriedade de questões como assédio sexual e homofobia, sempre sem ser excessivamente panfletária, ou desfigurar a obra. Tudo bem encaixado. O texto também teve o trunfo de ser inteligente, cheio de referências clássicas e pop (que passava pela literatura e cinema, e também às redes sociais e “memes”) e bastante envolvente. Uma direção correta de Luiz Henrique Rios e um elenco afinado, com destaque total ao quarteto protagonista, também explicam seu sucesso. Vale destacar também os trabalhos de Vivianne Pasmanter (Lili), sempre ótima; Pablo Sanábio (Max); Juliana Paiva (Cassandra); e, claro, os veteranos Gloria Menezes (Stelinha) e Reginaldo Faria (Maurice), as cerejas do bolo no entrecho da transformação de Eliza.

Há quem tenha achado toda a fase do concurso Garota Totalmente Demais, que movimentou mais da metade da trama, meio repetitiva; ou que a volta da falecida Sofia (Priscila Steinman) tenha destoado além da conta. Mas nada disso tira o brilho de Totalmente Demais, novela que até devolveu ao público o prazer de torcer por um casal romântico. Valeu!

André Santana

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Prestes a estrear "Simples Assim", Angélica também estreava novo programa há 20 anos

Neste sábado, 10, Angélica estreia Simples Assim, seu novo programa na Globo. Trata-se do 14º programa comandado pela loira, que estreou como apresentadora no infantil Nave da Fantasia, na extinta Manchete, em 1987. Curiosamente, o último programa infantil de Angélica está completando 20 anos justamente nesta semana. Bambuluá, que ocupou as manhãs da Globo entre 2000 e 2001, estreou no dia 09 de outubro de 2000.

Bambuluá era um projeto ambicioso da Globo, que queria reformular completamente a sua programação infantil. O projeto, capitaneado por Roberto Talma, teve diversas ideias, formas e formatos, até chegar à atração que estreava naquela semana. O TELE-VISÃO chegou a revelar como a ideia inicial da Globo, que era fazer uma faixa infantil chamada Globinho, se transformou em Bambuluá. Clique AQUI para descobrir.

Já que já falamos sobre como Bambuluá nasceu, agora falaremos sobre como ele estreou e se desenvolveu. O formato da atração era algo bem diferente, já que Bambuluá era composto por vários segmentos. O título do programa dava nome a uma novelinha, que contava a história da cidade dos sonhos, um lugar constantemente ameaçado pelo vilão Senhor Dumal, líder de Magush, a “cidade das sombras”, vizinha à Bambuluá.

Na trama, Angélica vive ela mesma. Ela chega à cidade de Bambuluá para fazer um show na inauguração da Lona Cultural Passarinho, mas descobre que seu destino estava ligado ao lugar. Isso porque ela carregava um medalhão que continha uma lasca do Cristal de Bambuluá, uma pedra mágica que protegia a cidade. Ela estava destinada a ajudar os Cavaleiros do Futuro, um grupo de crianças que ganharam poderes do cristal, e que o protegem do mal. Porém, ela acaba se apaixonando por Bruck (Pedro Vasconcellos), um replicante que é o braço direito do Senhor Dumal.

No decorrer da trama, os mistérios que envolvem Bambuluá vão se desvendando. Descobre-se que Dumal foi uma criação do Mago Tchilin, que também criou Dubem, um ser virtual que ajuda as crianças. Também se descobre que, no passado, Bambuluá e Magush eram um lugar só, o Vale da Luz. Bruck descobre que era um ser de luz, que foi dominado por Dumal, e Angélica passa a trama tentando trazê-lo de volta para o lado do bem. No elenco, a trama tinha nomes como Antonio Pedro (Vovô), Anderson Muller (Serapião), Dill Costa (Augusta), Iris Bustamante (Stela), Cosme dos Santos (Teobaldo) e Juliana Knust (Amanda). 

Em Bambuluá, também ficava a TV Globinho, uma emissora de TV comandada por crianças. Era a TV Globinho que ocupava a maior parte do programa, mostrando quadros que faziam parte da programação da emissora, além de desenhos animados. Havia o Jornal Globinho, no qual os apresentadores Matraca, Xereta, Prego, Jujuba, Minhoca, Escova e Pipoca traziam informações às crianças. A TV Globinho também exibia sátiras de programas da Globo e quadros com bonecos, animações e atores, como Iscavoka-Iscavoka, Irmãos em Ação, Garrafinha, As Aventuras de Zeca e Juca e Turma da Mônica na TV.

Angélica também participava da programação da TV Globinho, em quadros como Caverna Moderna, na qual vivia uma mulher da idade da pedra que comandava um programa feminino; Superstar, um talk show apresentado por uma heroína superpoderosa; e Conexão Bambuluá, no qual lia mensagens que os espectadores mandavam por carta ou e-mail. 

Ou seja, era uma superprodução, que atirava para todos os lados. E que, talvez justamente por conta disso, não garantiu a liderança absoluta para a Globo, embora tenha tido bons resultados ao exibir desenhos como Digimon e Dragon Ball Z. A falta de foco e de unidade era um problema para o programa. Mas, verdade seja dita, apesar de algumas tosqueiras, a trama da novelinha principal era bem escrita e cheia de reviravoltas interessantes. Era um infantil ousado, que tinha grifes no seu time de autores, como as atuais e festejadas novelistas Claudia Souto e Manuela Dias. 

Outro problema era a própria Angélica, que estava claramente insatisfeita ali. A apresentadora tinha pouco espaço no programa, e já não combinava com aquele clima infantil. Ela havia amadurecido, e parecia destoar do público-alvo. Tanto que, na mesma época, ela solicitava à direção da Globo o comando de um programa para jovens. Ela já não se identificava mais com programas infantis. Acabou ganhando o Vídeo Game, quadro do Vídeo Show, que estreou em dezembro de 2001, há poucas semanas do fim de Bambuluá.

Em janeiro de 2002, a TV Globinho deixou de ser um quadro e se tornou um programa independente. Ficou no ar até 2015, quando era exibido apenas aos sábados, e deu espaço ao É de Casa. A TV Globinho foi o último infantil da Globo.

André Santana

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Em crise, SBT dispensa estrelas e segue com reprises

Maisa Silva decidiu não renovar com o SBT. Uma perda para o canal, já que a jovem, apesar de comandar um programa bem chato, era uma das esperanças de renovação da emissora e, mais do que isso, uma estrela que atraía anunciantes. Ou seja, sua saída representa mais uma perda financeira para a emissora de Silvio Santos, que já vem dispensando estrelas, enxugando custos e lotando a grade de reprises.

Nesta semana, a emissora anunciou o desligamento de Leão Lobo, Mamma Bruschetta e Lívia Andrade. Sem uma previsão de um retorno num futuro breve do Fofocalizando, o time do vespertino acabou dispensado, com a promessa de retornarem quando as coisas melhorarem. O mesmo aconteceu com o elenco de Poliana Moça. Sem perspectiva de retomar as gravações da trama, a emissora dispensou os atores, também na esperança de os recontratarem quando a situação melhorar.

Todas estas estrelas se juntam a Rachel Sheherazade e Roberto Cabrini, dois dos poucos expoentes do jornalismo do SBT, e que também não tiveram seus acordos renovados recentemente. Isabella Fiorentino e Arlindo Grund, do Esquadrão da Moda, perdem status de apresentadores contratados e passarão a trabalhar por obra. Além de estrelas, o SBT vem desmanchando equipes de produção, como a do Bom Dia & Cia, Programa Raul Gil e Topa ou Não Topa. Enquanto isso, nomes como o próprio Raul, além de Carlos Alberto de Nóbrega, Christina Rocha e Silvio Santos não gravam há meses, por pertencerem ao grupo de risco da Covid-19.

Segundo a imprensa especializada, mais cortes devem acontecer. Carlinhos Aguiar também foi demitido. O que leva a crer que outros participantes do Jogo dos Pontinhos, como Hellen Ganzarolli, também podem estar na lista das dispensas. Curiosamente, Mara Maravilha foi poupada, mesmo estando sem fazer nada na emissora há um bom tempo. Talvez Silvio Santos tenha algum plano para ela, vai-se saber…

Lembro que o SBT passou por uma crise semelhante em 2003. Na época, a emissora dispensou medalhões, como Marília Gabriela, e acabou com programas, como Curtindo uma Viagem e Disney Cruj, que passaram a ser reprisados. Apenas Hebe, Ratinho, Gugu e Silvio Santos seguiam gravando programas de auditório. Gravações de novelas foram suspensas e a grade foi tomada por filmes, desenhos e séries, oriundos dos belos acordos que o SBT mantinha com Warner, Disney e outros gigantes do entretenimento. E, naquela época, ainda era possível contar com Chaves, que “salvava” qualquer horário.

Hoje, a emissora não tem este pacote de enlatados. Por isso, vem preenchendo a grade com reprises de Casos de Família, Raul Gil, Máquina da Fama, Duelo de Mães, A Praça É Nossa, Silvio Santos… De inéditos, há Domingo Legal, Eliana, The Noite, Ratinho e Bake Off, além de “tampões” a la Silvio Santos, como Triturando e Notícias Impressionantes. É pouco.

A crise afeta todos os canais, mas no SBT a coisa parece estar pior. O que é uma pena. Fica a torcida, então, para que o investimento em esporte traga algum retorno ao canal. Ideias que vem sendo ventiladas, como entregar o jornalismo da casa à CNN, numa parceria inédita de exibição de conteúdo, pode atrair anunciantes, o que também seria importante neste momento. Mais do que nunca, o SBT precisa de uma programação minimamente capaz de atrair o público, e que se pague. É hora de repensar toda a estratégia de programação, e com urgência. 

André Santana

sábado, 3 de outubro de 2020

Um ano depois da estreia, "Se Joga" desaparece sem deixar rastros

 

No último dia de setembro do ano passado, a Globo lançou Se Joga, seu novo programa vespertino de variedades. Cercado de expectativas, o programa comandado por Fernanda Gentil, Fabiana Karla e Érico Brás surgiu com a missão de suceder o Vídeo Show, extinto no início de 2019. No entanto, a atração não foi capaz de garantir a liderança de audiência para a Globo, e se mostrou um dos programas mais equivocados da história da emissora.

A estreia de Se Joga foi caótica. Na tentativa de fazer um programa popular, a Globo colocou no ar um programa poluído, cheio de vinhetas sonoras irritantes e “emojis” que pulavam na tela o tempo todo. O formato, uma tentativa de parecer “moderno”, virou até piada no Isso a Globo Não Mostra, quadro do Fantástico. Além de toda a poluição visual e sonora, os apresentadores surgiram afobados e as atrações não disseram a que vieram.

Em meio a tantos problemas, o principal deles foi a concepção: Se Joga tentou abraçar todo o tipo de entretenimento, sem se focar em nada. Assim, o programa englobava game show, entrevistas chapa-branca, fofocas, quadros de humor, quadros de esoterismo, saúde, moda, aula de inglês... Era uma colcha de retalhos mal costurada, na qual as peças não dialogavam entre si e pareciam uma grande bagunça.

E tudo isso embalado num programa com pouco tempo para tanta informação e que, de quebra, tinha três apresentadores tentando dizer algo. Ou seja, foram vários os erros que fizeram do Se Joga um programa esquizofrênico, incapaz de fazer o público se envolver e se sentar para prestar atenção. Era tudo rápido, barulhento e “jogado”, como se quisesse atirar para todos os lados, sem se preocupar com o público-alvo. Aliás, a impressão que o programa passava era de que não havia público-alvo.

Tantos erros juntos fizeram o Se Joga um fiasco de grandes proporções. O programa não conseguiu elevar os índices de audiência da Globo, foi alvo de todo o tipo de crítica, e nem ao menos conseguiu se moldar no ar. Pelo contrário, as poucas mudanças impressas em seu curto período no ar se mostraram igualmente equivocadas.

A falha do programa respingou em Fernanda Gentil, que era a aposta da Globo no entretenimento no ano passado. Ao anunciar sua saída do jornalismo esportivo, a apresentadora seguia o caminho de outros jornalistas da casa, com a promessa de ser um dos grandes nomes do entretenimento do canal. E condições para isso ela tinha! Simpática, rápida e muito bem-humorada, Fernanda tem uma personalidade interessante no vídeo. Tanto que, com o Se Joga fora do ar, ela passou a cobrir folgas de Fátima Bernardes no Encontro e tem se saído muito bem na missão. Bem melhor que Patrícia Poeta, por exemplo. Porém, a má impressão do Se Joga arranhou a imagem da apresentadora.

Sem saber o que fazer com o desastre do Se Joga, a direção da Globo se aproveitou das mudanças na grade em razão da pandemia para tentar fingir que ele nunca existiu. Inicialmente, Se Joga foi suspenso junto com os outros programas de entretenimento diários da emissora, Mais Você e Encontro. Mais adiante, a emissora foi retomando as produções. Encontro voltou ao ar, Ana Maria Braga passou a apresentar um quadro nele e, nesta segunda, 05, o Mais Você finalmente retornará.

Ou seja, se todos os programas suspensos já voltaram, não haveria motivo para o Se Joga não voltar também, né? No entanto, não há qualquer movimentação neste sentido. A emissora não confirma o fim do vespertino, mas também não sabe dizer quando ele volta. O recado parece claro: o programa não volta, e pronto. Mas, ao invés de admitir isso de uma vez por todas, o canal prefere simplesmente fingir que a atração nunca existiu.

Talvez seja mesmo a melhor solução. Neste meio-tempo, o canal terá a chance de repensar, novamente, sua programação vespertina. E buscar uma nova grade, que não precise de um Se Joga. Enquanto isso, Érico Brás e Fabiana Karla podem voltar à dramaturgia da emissora. E Fernanda, que, como dito acima, tem ido muito bem no Encontro, merecia uma nova oportunidade. Mas Se Joga... vamos todos fingir que foi um delírio coletivo.

André Santana

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Xuxa sai ou não sai da Record?

Em entrevista recente ao jornal O Globo, Xuxa admitiu o que muitos já especulavam: ela não deve renovar seu contrato com a Record. A apresentadora elogiou a casa atual, enalteceu o Dancing Brasil (que considerou, ao lado de Xou da Xuxa, seu programa mais bonito), mas confirmou que o acordo não deve continuar.

Isso deu margem a novos comentários de que ela poderia voltar à Globo. Não se sabe se isso vai acontecer, mas que é evidente que a antiga casa está vivendo um “paz e amor” com a loira, isso é. Sua entrevista no Conversa com Bial, há alguns meses, deu o que falar. Na semana que vem, Xuxa pisará novamente nos Estúdios Globo, já que vai gravar entrevista para o Lady Night.

Curiosamente, a apresentadora também vem sendo acionada por sua casa atual. Xuxa deve gravar participação em A Fazenda em breve, e também comandará um dos especiais de fim de ano da emissora. Ela deve tocar Canta Comigo All Stars, uma versão da competição musical que reunirá vencedores de diversos talent shows já exibidos na TV brasileira. Uma ideia simpática, tendo em vista que Xuxa já declarou ter tido “inveja” de Gugu quando ele assumiu o Canta Comigo. Ela admitiu que gostou do formato. Agora, terá a chance de comandá-lo por uma edição.

Porém, enquanto isso, o Canta Comigo Teen, que parecia perfeito para Xuxa, foi entregue a Rodrigo Faro. A atração será um quadro do Hora do Faro, com estreia marcada para este domingo, 04. O fato de Rodrigo, e não Xuxa, ter sido escolhido para suceder Gugu, foi entendido por muitos como um recado de que a Record já não conta mais com ela. Mas, agora que ela fará o especial, ficou claro que não é bem assim.

Há quem diga que a Record ainda pode tentar um acordo para mantê-la em seu cast. Mas vale lembrar que o contrato de Xuxa com a emissora prevê que uma das partes deve avisar, com três meses de antecedência, se há ou não interesse de renovação. E como faltam exatamente três meses, e Xuxa já disse ao jornal que não renova, então… ela deve estar fora mesmo. Neste caso, o convite para o especial de fim de ano pode ser uma sinalização de que está tudo bem entre as partes. E, quem sabe, preparar o terreno para um contrato por obra, para a próxima edição do Dancing Brasil, caso a loira fique disponível no mercado. Vamos ver.

André Santana

"Opinião no Ar" é o cúmulo da irresponsabilidade


Sem capacidade para fazer uma programação minimamente qualificada e criativa, a RedeTV começa a mostrar sua nova estratégia para chamar a atenção: fazer programas onde se dizem os maiores impropérios e, consequentemente, rendem compartilhamentos e repercussão. É o famoso “falem mal, mas falem de mim” na versão 2.0. 

Opinião no Ar é o exemplo máximo disso. A emissora contratou Luis Ernesto Lacombe, mais novo expoente “tiozão do zap” (alcunha criada por Chico Barney, colunista do UOL, que me pareceu bastante adequada) para fazer um programa travestido de jornalismo, mas que é, na verdade, um espaço para a disseminação do obscurantismo.

Isso porque o programa foi vendido como um programa de debates “plural”. Mas não é. Ele segue a linha negacionista do próprio Lacombe, exercitada no famigerado Aqui na Band, e que conta com outros “ícones do segmento”, como Silvio Navarro. Na estreia, até Sikera Jr. apareceu, o que pareceu bastante adequado para o momento. Numa bancada, eles discutem os mais variados temas, mas sempre sob este viés conservador, no pior sentido da palavra.

Vou repetir o que já disse antes aqui: nada contra conservadorismo. O problema é que Opinião no Ar é mais um programa que apresenta impropérios travestidos de “opinião”. Navarro já disse que não acredita em pesquisas. Um convidado do primeiro programa também ignorou estatísticas. Ou seja, toda a opinião apresentada ali não é baseada em fatos, pelo contrário: eles negam os fatos e arrotam “achismos”. Para se ter uma ideia, a máxima insuportável “o mundo está muito chato” foi proferida várias vezes num debate sobre “politicamente correto”. Lacombe chegou a afirmar que a luta (legítima) pelos direitos das minorias são “contraproducentes porque 'segregam'”. Claramente, opinião de um privilegiado que não faz a menor ideia do que seja sentir o preconceito na pele.

Ah, para fingir pluralidade, colocaram Amanda Klein no meio desta bagunça inconsequente. Um oásis de sensatez, a jornalista rebatou vários destes impropérios, e foi a única a utilizar dados científicos e pesquisas para embasar suas opiniões (que é o básico que se espera de alguém que participa de um debate). No entanto, era a única ali em meio a todo aquele preconceito vomitado de forma vertiginosa. E, claro, foi constantemente interrompida e desacreditada pelos homens da bancada. Aqueles que acham que o preconceito não existe praticando o machismo de maneira clara, mas não são minimamente capazes de perceber isso.

Opinião no Ar não é jornalismo opinativo. É um programa que se propõe a dar voz à desinformação. Triste, lamentável, o fundo do poço. Mas nada de novo para uma emissora que já exibe Alerta Nacional, outro programa com o mesmo viés pouco inteligente. Não almoce assistindo a RedeTV, já que a indigestão é inevitável. 

André Santana