sábado, 19 de setembro de 2020

TV brasileira chega aos 70 anos celebrando o passado e se preparando para o futuro

 

Neste dia 18 de setembro de 2020, a televisão brasileira completa 70 anos. Foi neste dia, no ano de 1950, que a TV Tupi de São Paulo fez a sua primeira transmissão. Daquela cerimônia em que Lolita Rodrigues cantou o (horrível) Hino da TV até os dias de hoje, muita coisa mudou. O que não mudou foi a capacidade de encantar, entreter e informar o público, missão que a TV ainda cumpre e há de cumprir por muito tempo ainda.

Nesta semana, várias ações marcaram as comemorações. Record e Band exibiram séries de reportagens em seus telejornais. A Cultura vem fazendo entrevistas especiais no Roda Viva desde o início do mês, e exibiu na quinta, 17, a primeira parte do documentário Os Campeões de Audiência. A Globo tem feito entrevistas temáticas no Conversa com Bial e exibiu ontem, 18, a primeira parte de um Globo Repórter sobre a história da TV.

São boas maneiras de não deixar esta efeméride passar em branco. Afinal, os 70 anos da televisão brasileira estão sendo comemorados em plena pandemia, num momento em que emissoras precisaram se reinventar para continuar produzindo. Desde o início, o avanço constante da tecnologia provocou as grandes revoluções da TV: o videotape, a TV em cores, a alta definição, a TV digital, o streaming. Pois é esta mesma tecnologia que vem mantendo a TV ativa, buscando driblar com criatividade todos os impedimentos da pandemia.

E a principal realidade desta revolução tecnológica é a vitória do simples, por mais antagônico que isso possa parecer. Afinal, é a tecnologia que permite que pequenos equipamentos, como câmeras portáteis e celulares, sejam fundamentais para a produção remota, que se tornou uma das grandes realidades da televisão em tempos de pandemia. Sem toda essa tecnologia, como Pedro Bial, Cátia Fonseca ou Serginho Groisman conseguiriam fazer seus programas de suas respectivas casas?

Ao mesmo tempo, o formato foi simplificado para caber nesta realidade. Bial continua impecável no comando de suas entrevistas, mas desta vez sem cenário suntuoso, sem plateia presencial e sem uma banda para lhe dar suporte. Aumenta-se a tecnologia, diminue-se a parafernália. E a coisa funciona. Os programas continuam existindo, produzindo e mantendo sua relevância.

Esta vitória do simples é, também, a vitória do material humano. A produção remota expôs, aos olhos do público, que são as pessoas que estão ali dentro que fazem a mágica acontecer. Reunir duas pessoas que têm o que dizer numa chamada de vídeo é tão magnético quanto assistir a um espetáculo cheio de luzes e cores. TV é gente, afinal!

E onde vamos parar com toda essa tecnologia? O futuro já está sendo desenhado. A TV digital e o streaming já mexeram com o hábito do público. Boa parte já se acostumou a fazer seus próprios horários, sem mais ficar refém de uma grade rígida de uma emissora de TV. A facilidade de acesso a conteúdo de qualidade sem precisar assinar um pacote caro e pouco útil da TV paga também mostra que são muitas as transformações que estão por vir.

Assim como, no passado, a TV não matou o rádio, a tecnologia não deve matar a TV. Mas, sem dúvidas, ela seguirá se transformando. A TV aberta e a TV paga vão, aos poucos, se adequando a esta nova realidade, que ainda está em processo de construção. E o streaming, apesar de parecer forte e imbatível agora, também não deve escapar de uma transformação, tendo em vista que as inúmeras opções que começam a aparecer vão, novamente, mexer com os hábitos do espectador.

Mas, enquanto houver material humano e criatividade, a televisão vai continuar existindo. A transformação é um processo natural e o futuro é feito dia a dia. Assim, seguiremos nos encantando com tudo o que a “máquina de fazer doido” ainda há de nos oferecer, seja em qual tela for. E estaremos por aqui, comemorando os 80, 90... e os 100 anos da TV brasileira. Duvida?

André Santana

8 comentários:

  1. Excelente análise, André! A TV é feita de pessoas e para pessoas. E a TV brasileira chega aos setenta anos se reinventando com as limitações. abraço!
    www.cascudeando.com

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  2. Olá, tudo bem? Hoje comentarei sobre o especial dos 70 anos da TV brasileira no Globo Repórter. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  3. Q tv brasileira precisa em alguns canais diminuir a locação de horários..cnt praticamente nao tem programa próprio so universal

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  4. Acredito que nos próximos anos os streamings será o grandes concorrentes das emissoras de TV..Parece que a Netflix irá produzir novelas em seu catálogo muito em breve
    Outro ponto é a questão da baixíssima audiência que emissoras abertas como band , rede tv! e gazeta (sp) enfrentam..basta olhar a audiência e veremos muitas atrações pontuaram 0.3 , 0.6 , 0.8 enfim , vai sobreviver quem não se acomodar ..sorte que do Sbt que tem público fiel, já foi mais porém ainda tem seus fans

    Aqui é o Caio

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    1. Curioso pra ver como será uma novela na Netflix, Caio! Vamos ver!

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