sexta-feira, 27 de setembro de 2019

História da TV: Quando o "Programa Livre" ganhou cinco apresentadores

"Em terra de Serginho Groisman, quem aumentar a audiência é rei"


Não é de hoje que Serginho Groisman dá voz aos adolescentes na TV. O apresentador do Altas Horas iniciou sua receita de sucesso de falar ao jovem a partir do Matéria Prima, da TV Cultura, e ganhou enorme popularidade ao migrar para o SBT e lançar o Programa Livre. Deu tão certo que Serginho sempre foi um nome na mira da Globo. Depois de muito tempo de namoro, o assédio da emissora carioca virou casamento, gerando um problema para o canal de Silvio Santos: quem poderia substituir Serginho à frente do Programa Livre?

O ano era 1999 e o Programa Livre ocupava as tardes de segunda a sexta do SBT. Na época, a emissora contava com vários apresentadores sem-programa, curtindo uma boa e velha geladeira. Eis que Silvio Santos, em mais uma de suas ideias “geniais”, resolveu então escalar cinco deles para se revezarem no comando do Programa Livre. A intenção era ver qual deles conseguia se comunicar melhor com o público-alvo e, de quebra, aumentar a audiência da atração.

Assim, no dia 13 de setembro de 1999, Ney Gonçalves Dias estreava à frente do Programa Livre. Ney, que estava na geladeira do SBT desde o fim do jornal Noticidade, era o mais “estranho no ninho” do revezamento, já que sempre pertencera aos quadros do jornalismo do canal. Às terças, era a vez de Márcia Goldschimidt assumir o microfone do Programa Livre. Era a volta ao ar da apresentadora, que estava sem função desde o fim do telebarraco que levava seu nome, um ano antes. Já as quartas-feiras eram da adolescente Lu Barsotti. Lu havia aparecido no SBT uns anos antes, no Em Nome do Amor. Silvio Santos gostou dela e a contratou, e, desde então, vinha treinando a jovem para se tornar apresentadora. A oportunidade havia chegado. Já quinta era dia de Christina Rocha, prata de casa que se encontrava fora do ar depois da extinção do lendário Alô Christina. E na sexta, Otávio Mesquita assumia o comando. Mesquita não estava bem na geladeira, já que participava do Domingo Legal naquela época, mas estava sem programa solo.

Com este quinteto inusitado, Programa Livre seguiu sua vida nas tardes do SBT, sob direção de Vildomar Batista. Porém, aos poucos, a atração foi mudando, o que chamou a atenção da reportagem da Folha de S. Paulo. Matéria do caderno TV Folha, publicada em 31 de outubro de 1999, afirmava que o Programa Livre vinha popularizando suas atrações, tornando-se uma espécie de “Ratinho da tarde”. “O Programa Livre, do SBT, manteve - e por vezes chega a superar- os índices de audiência que a atração conseguia anteriormente. No entanto, para atingir tal feito, o SBT alterou radicalmente o perfil do programa: saíram os políticos, os especialistas em questões ligadas aos jovens, a MPB e o rock, que deram vez ao pagode, ao axé, à Tiazinha. É a era do Tchan no Programa Livre”, dizia a matéria.

O diretor Vildomar Batista conversou com a reportagem da Folha, explicando que, com as mudanças, o Programa Livre deixava de ser unicamente adolescente, falando também à dona de casa. "Com o Serginho, sempre perdíamos para o Note & Anote, da Record. Agora, não. Agregamos um novo público: as donas-de-casa estão gostando de ver o Programa Livre. Recebemos cartas dizendo que antes o programa era chato e atualmente está mais interessante”, explicou. Mas os frequentadores do programa não gostaram das novidades. “Esse programa sempre foi uma ferramenta para o jovem dizer o que pensa. Agora, mudou. Não valorizam a gente”, disse Cintia, uma adolescente da plateia, ao jornal.

Apesar do “sucesso”, esta versão do Programa Livre teve vida curta. Havia a expectativa que um dos cinco apresentadores ficasse com a vaga. Porém, neste meio-tempo, Silvio Santos viu Babi Xavier à frente do Erótica MTV e se encantou com a jovem. Tratou de contratá-la, ainda sem saber direito o que fazer com ela. Mas logo resolveu: Babi seria a nova apresentadora do Programa Livre. Com ela, veio ainda outra missão: substituir Jô Soares Onze e Meia, pois o apresentador também havia migrado para a Globo. Assim, em janeiro de 2000, Babi assumia o Programa Livre, que passou a ir ao ar à meia-noite e meia, horário de Jô.

E o que aconteceu com os apresentadores do Programa Livre? Bom, Ney Gonçalves Dias voltou para o jornalismo, comandando um quadro de entrevistas numa antiga versão do SBT Notícias. Já Márcia, Lu, Chrstina e Otávio assumiram, junto com Celso Portiolli, uma nova versão do Fantasia, aos sábados, que estreou em janeiro de 2000. Mas a empreitada também não durou muito: saiu do ar uns cinco meses depois da estreia.

Já o Programa Livre ficou nas madrugadas do SBT até setembro de 2001, quando passou a ser exibido nas tardes de sábado. Durou apenas três meses no novo horário, saindo do ar definitivamente em dezembro daquele ano. Desde então, sempre surgem conversas de que o Programa Livre poderia voltar. Mas, até agora, nada aconteceu.

André Santana

11 comentários:

  1. Por onde anda Lu Barsoti, a menina adolescente que Silvio Santos a treinou e que sumiu depois do fim do Fantasia?

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    1. Virou advogada e se desencantou com a TV: https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/por-onde-anda/2015/11/ex-apresentadora-do-sbt-sumiu-da-televisao-e-virou-advogada

      É engraçado que hoje a grade do SBT é mais estável do que naquela época e seria interessante a volta do Programa Livre, pelo menos em edição semanal. Mas se nem o criador da fórmula (Serginho Groisman) faz um programa que suscite mais discussões interessantes sobre temas variados, não creio que o SBT pense em fazer um programa como era antigamente; se voltasse provavelmente seria mais para o estilo final do Legendários.

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    2. Opa, obrigado pela colaboração, Alexandre! A trajetória de Lu Barsotti mostra que ser "queridinho do Silvio Santos" não garante muita coisa na TV. Por isso mesmo, os que se acham os protegidos devem ficar espertos, já que os amores de Silvio Santos, salvo exceções, costumam não durar para sempre. A própria Babi estreou com este status, mas não conseguiu se firmar como apresentadora.

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    3. Te cuida, Dudu Camargo KAKAKAKA.

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  2. Poderia contatar o Otaviano Costa, e fazer um programa Livre ,raiz ,estilo Serginho ,faz falta um programa assim.
    Otaviano É um grande comunicador, só precisa não exagerar e querer bancar o tiozao engraçado

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    1. Caio, o Otaviano tentou levar esta fórmula na Record. Foi em 2001, quando ele deixou o SuperPositivo, na Band, e lançou o Domínio Público nos finais de tarde da Record. Ele mesmo disse, na época, que a intenção era fazer algo aos moldes do Programa Livre, já que o formato fazia falta nos finais de tarde. E ele conseguiu, reunia boa música, convidados interessantes e debates. Mas o programa não decolou e teve vida curta. Eu até concordo que ele é um comunicador interessante, mas o jeito tiozão engraçado dele acaba atrapalhando. Uma pena.

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    2. O Serginho ainda promove alguns debates no altas horas com famosos no meio ...o problema e que o adolescente não se prende mais a tv

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  3. Lembro muito pouco desse revezamento do Programa Livre. De qualquer forma, é bem melhor do que a tarde atual do SBT.

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  4. Eu testemunhei na época essa mudança de comando do finado Programa Livre. Aliás, 1999 foi um ano daqueles no cenário televisivo, com contratações de peso,notadamente na Globo, sob a gestão Marluce. Sem falar na grande estreia da RedeTV! depois de um período como emissora transitória. Voltando ao PL, do quinteto ali, o Ney Gonçalves Dias realmente era o mais atípico, mas a verdade é que o Ney já teve essa experiência como apresentador antes na Band, quando substituiu o falecido Flávio Cavalcanti na ocasião. Quando a Babi assumiu a atração, começou bem, mas depois da mudança para as tardes de sábado, o Programa Livre já não tinha mais o pique de outrora. O SBT cogitou ressuscitar o PL há alguns anos atrás, que seria apresentado por André Vasco, mas o apresentador trocou a emissora pela Band. Acredito que assim como o Aqui Agora, o PL não tenha mais chance de retorno, pois seu sucesso ficou no passado. Para o público de hoje, tem o equivalente Altas Horas, mas não é nem sombra do seu ancestral sbtal.

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    1. O caso é que o Programa Livre era à imagem e semelhança de Serginho Groisman. Era o que ele fazia na Cultura, e é o que ele faz até hoje (com as diferenças óbvias) na Globo. Sendo assim, dificilmente a atração consegue chamar a atenção sem seu criador. Babi Xavier é esforçada, mas eu me lembro dela quando o programa era exibido de madrugada, e ela era bem fraquinha. Ela não tinha o domínio da entrevista, nem da plateia, como o Serginho tinha. O público notou essa diferença.

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