domingo, 5 de agosto de 2018

Promissora, "O Tempo Não Para" é uma divertida brincadeira

"E nem vamos precisar
de um facebook de casal!"

O Tempo Não Para, nova novela das sete da Globo, causou a melhor das impressões em sua primeira semana de exibição. A novela de Mário Teixeira trouxe de volta o colorido e o bom humor tradicional do horário das sete, mas também trouxe algo de diferente à faixa. Mesmo que trazer personagens de outras épocas ao tempo presente não seja algo realmente novo, a abordagem ainda soa como novidade, ainda mais numa novela. E, ao trazer uma família do século 19 acordando nos dias de hoje, O Tempo Não Para cria um universo cheio de possibilidades, que permite uma crônica de costumes inteligente.

O primeiro capítulo já foi bastante eficiente no sentido de mostrar que O Tempo Não Para é uma divertida brincadeira. O episódio explorou o contexto histórico da família protagonista, e conhecemos toda a família Sabino Machado, encabeçada por Dom Sabino (Edson Celulari) e Agustina (Rosi Campos), e também seus filhos, empregados e escravos. Com humor e leveza, o primeiro episódio explorou muito bem a diferença dos costumes do ano de 1886, funcionando como um prólogo interessante.

Marocas (Juliana Paiva), a indefectível mocinha à frente do seu tempo, mostrou a que veio. Envolvida num escândalo por se deixar ser vista com as roupas de baixo, ela provoca uma reação intempestiva do pai. Ele, por sua vez, tenta regatar a honra da família. Com esta situação até banal, o autor Mário Teixeira conseguiu explicar ao público, de maneira ágil e envolvente, como funciona a cabeça do clã. Trata-se de uma informação fundamental para que todo o universo ficcional da novela se estabeleça.

O primeiro capítulo de O Tempo Não Para não caiu na armadilha de querer apresentar todos os personagens de uma vez. Praticamente todo o episódio se passou em 1886, e teve como protagonistas apenas os Sabino Machado. Somente quando eles partem no navio que se choca com um iceberg e todos eles são congelados, a trama chegou aos dias de hoje. E apenas o mocinho Samuca (Nicolas Prattes) foi apresentado no “presente” no episódio de estreia.

O segundo capítulo, portanto, seguiu a cartilha do que seria o primeiro, com a apresentação dos personagens do “tempo presente”. A sequência se deu com os desdobramentos acerca da notícia de que um bloco de gelo com pessoas congeladas surge no litoral paulista. O frisson reverbera em todos os núcleos da trama, incluindo uma clínica especializada em criogenia. Também conhecemos a família de Samuca, como sua mãe Carmen (Christiane Torloni), sua noiva Betina (Cleo) e as pessoas que trabalham com ele em sua empresa. Jovem e moderno empresário, Samuca levanta a bandeira do meio-ambiente.

A semana foi concluída com Marocas sendo acolhida por Samuca, enquanto Dom Sabino desperta e vai parar na casa de Eliseu (Milton Gonçalves), explorando a reação de ambos acerca do mundo moderno que ainda não conhecem. Isso deu margem a uma série de situações cômicas e inusitadas, mostrando que o plot da nova história é realmente poderoso. Sobretudo nas falas de Dom Sabino, que não entende que Eliseu não é um escravo e os carros não são movidos a vapor. Tais sequências surgiram recheadas de falas afiadas e muito divertidas.

O mais interessante da proposta de O Tempo Não Para é que a novela resgata elementos comuns ao horário das sete, como a leveza e o humor. Depois da soturna Deus Salve o Rei, trata-se de uma mudança bem-vinda. Porém, apesar de ser uma típica comédia das sete, O Tempo Não Para parece querer fugir do humor infantil e da superficialidade característicos dos últimos sucessos do horário.

Novelas como Alto Astral, Totalmente Demais, Haja Coração e Pega Pega fizeram sucesso, mas foram tramas praticamente à prova de erros. Humor fácil e trama sem grandes arroubos de criatividade, estas novelas foram passatempos eficientes, mas sem pretensões. Dos últimos sucessos do horário, apenas Rock Story fugiu da regra, com um texto mais maduro e humor mais sutil. O Tempo Não Para, portanto, resgata a comédia, mas o faz com classe e com certa pretensão. Há um subtexto interessante na proposta da trama, que permite escancarar onde a humanidade evoluiu e onde regrediu com o passar dos anos. Por isso mesmo, promete.

André Santana

4 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu adorei a semana de estreia de O Tempo Não Para. Comentarei hoje no meu blog. O enredo é o grande chamariz da nova aposta da TV Globo. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  2. Eu não tinha expectativa nenhuma pra essa novela, e não pretendia acompanhar nem o primeiro episódio, porém, na estreia, após o jornal local, deixei a tv ligada por puro comodismo e, quando me dei conta, já estava fisgado e acompanhei todos os capítulos da semana. Juliana Paiva, como sempre, está ótima e sua personagem é divertidíssima. Edson Celulari também está muito bem. De negativo, alguns diálogos que pecam pelo didatismo e a interpretação com um quê de psicopatia de Nicolas Prattes.

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    1. Minhas expectativas eram boas em razão da história inusitada. E elas se confirmaram. Ótima novela!

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