sábado, 24 de fevereiro de 2018

Após muito insistir, Silvio Santos consegue emplacar "Fofocalizando"


Poucos projetos lançados pelo SBT tiveram tantas chances para tentar dar certo quanto o Fofocalizando. Normalmente, quando um novo programa não oferece, de cara, os resultados esperados por Silvio Santos, já sai logo do ar sem choro nem vela. Basta lembrar do Telefone e Ganhe, de Hellen Ganzarolli, e do Você É o Jurado com Supla, dois programas que tiveram apenas uma única edição levada ao ar. Há quem diga que o dono insiste mais quando o projeto está diretamente ligado a ele, caso do Fofocalizando. Mas não é sempre assim. A mudança do Primeiro Impacto para a faixa do meio-dia também foi bancada por Silvio Santos e durou apenas uma semana.

Quanto ao Fofocalizando... foram muitas as tentativas e erros até que o programa vespertino finalmente dissesse a que veio. O programa entrou no ar com a missão de concorrer com A Hora da Venenosa, do Balanço Geral – SP, da Record, se chamava Fofocando e tinha como apresentadores Leão Lobo, Mamma Bruschetta e o insuportável Homem do Saco. Fraco e sem notícias exclusivas, a atração sucumbiu diante da concorrência com Fabíola Reipert.

Começaram as mudanças. O programa ganhou a presença de Mara Maravilha, que passou a “colaborar” com comentários mais ácidos e polêmicos. Em seguida, agregou Léo Dias, que finalmente deu ao programa conteúdo exclusivo. Além disso, o programa experimentou outros horários da faixa vespertina, chegando a virar uma atração local. Não deu certo. Aí veio a primeira mudança mais radical: a atração perdeu meia hora de exibição e migrou para a ingrata faixa das 8 da manhã. E afundou de vez.

Parecia o fim do projeto criado a toque de caixa por Silvio Santos. Mas o dono do SBT surpreendeu e propôs uma nova reformulação. O programa mudou de nome, passando a se chamar Fofocalizando, e passou a abordar outros assuntos além das fofocas. Também ganhou a presença de Décio Piccinini, que substituiu o intragável Homem do Saco. E, principalmente, voltou para as tardes, mas fugindo do Balanço Geral, ocupando a faixa das 15 horas.

Com as últimas mudanças, o programa entrou numa fase mais estável. Registrando audiência mais satisfatória, a atração finalmente estabilizou seu quadro de apresentadores e passou a apostar em quadros fixos, fugindo de ficar apenas na conversa e nas notícias. Quadros como Triturador de Celebridades e Doeu No Ouvido É Destruído caíram nas graças de Silvio Santos e se tornaram diários. Aos poucos, o programa voltou a apostar mais em fofocas, deixando de lado as notícias gerais, e se tornou mais “harmônico” e “organizado”, com espaço para as notas de Léo Dias, os comentários gerais dos apresentadores, os quadros fixos e as fofocas gerais, reunidas no quadro Direto da Redação.

A mudança mais recente aconteceu com o ingresso de Lívia Andrade ao time já bem amplo de apresentadores do Fofocalizando. Inicialmente escalada para cobrir férias dos titulares, Lívia foi bem avaliada pelo público e pelo próprio Silvio Santos, conquistando uma cadeira fixa na atração. E tantas mudanças conseguiram o que parecia impossível: Fofocalizando acabou encontrando um formato que o difere de seus similares do horário. Um feito e tanto para um programa que nasceu “inspirado” no quadro da concorrência.

Hoje, Fofocalizando não se parece nem com A Hora da Venenosa, e nem com a Roda da Fofoca do A Tarde É Sua. Seus apresentadores com estilos diversos e seus quadros fixos tornaram o programa uma atração diferente dos vespertinos dos demais canais. Fofocalizando ganhou personalidade, quem diria! E tudo isso foi possível justamente porque não desistiram do programa logo de cara. Pelo contrário: mudaram, mexeram e experimentaram, até chegar ao formato atual, que vem batendo seus próprios recordes de audiência.

Nada mal para um programa que começou tão mal e esteve na linha de tiro por tanto tempo. A impressão que o Fofocalizando passava era de que teria o mesmo triste destino do Programa Cor de Rosa, outro programa de fofocas bancado pelo próprio Silvio Santos (e apresentado pela sua própria filha, Silvia Abravanel) em 2004. Uma prova de que, em TV, paciência é uma característica importante. Fofocalizando tanto fez que conseguiu se consolidar. Pode-se até não gostar do programa, mas, sem dúvidas, Fofocalizando teve uma trajetória e tanto. E os resultados apareceram.

André Santana

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Atores veteranos fazem figuração de luxo em "O Outro Lado do Paraíso"


Semanas atrás, o Fantástico exibiu uma simpática matéria exaltando o encontro de Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Laura Cardoso em O Outro Lado do Paraíso. Os intérpretes de Mercedes, Josafá e Caetana agradeceram a oportunidade de contracenarem juntos, ao mesmo tempo em que o público comemora ver no ar unidos atores de tamanho quilate. Medalhões da teledramaturgia nacional, Fernanda, Lima e Laura são histórias vivas da TV.

Realmente, trata-se de um grande encontro promovido pela trama de Walcyr Carrasco. Pena que seja um encontro tão mal aproveitado. Mercedes, Josafá e Caetana formam um triângulo amoroso: no passado, Mercedes e Josafá eram apaixonados, mas não ficaram juntos por uma armação de Caetana. A cafetina confessou seus pecados à vidente antes de partir de Pedra Santa, retornando anos depois.

A trama que os envolve estacionou. Caetana, que participaria apenas da primeira fase da novela, acabou retornando à trama a pedido do público e da própria atriz. De volta ao bordel que comandou, a senhora divide a cena com Leandra (Mayana Neiva), além de ter participado ativamente da história de Beth/Duda (Gloria Pires), enquanto esta passou a comandar o local. Já Mercedes e Josafá vivem juntos, numa relação amorosa e fraterna. Até aqui, Josafá serve de arrimo à neta Clara (Bianca Bin), enquanto Mercedes trata de prever os próximos acontecimentos da novela.

As cenas envolvendo Josafá e Mercedes, então, parecem diminuir a cada capítulo. Quando aparecem, servem apenas para que Mercedes fale das “vozes” e adiante a próxima desgraça que se abaterá sobre algum personagem de O Outro Lado do Paraíso. Josafá é seu “escada”. Enquanto isso, Caetana segue no bordel, em cenas divertidas, mas que pouco acrescentam ao enredo.

Ou seja, na prática, os “medalhões” do elenco de O Outro Lado do Paraíso surgem sem função nenhuma dentro da história que Walcyr Carrasco pretende contar. Claro, sempre que surgem, brindam o público com boas performances, mesmo quando o texto não ajuda muito. Mas é uma tristeza ver uma Fernanda Montenegro entrando em cena apenas para falar de suas “vozes”, em situações cada vez mais repetitivas.

André Santana

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Record enche a programação de reprises e se dá bem


No último final de semana, a Record reformulou parte de sua grade de programação. A emissora remanejou horários e promoveu estreias no início das tardes de sábado e domingo, além das noites de sábado. “Estreias”, neste caso, é somente um modo de dizer, pois, na prática, a emissora vem fazendo mesmo um vasto reaproveitamento de material.

As mudanças começaram na tarde de sábado, com a substituição da faixa Record Kids por uma edição de fim de semana do Balanço Geral. Sucesso nas tardes de segunda a sexta, o Balanço Geral agora é exibido também aos sábados, com o nome Balanço Geral Especial. Mas de “especial” não tem nada: o novo espaço apenas reedita os “melhores momentos da semana” do quadro A Hora da Venenosa, maior audiência do jornalístico.

À noite, o canal alterou o horário do Programa da Sabrina, que vinha se tornando freguês dos reality shows do SBT exibidos a partir das 20h30 dos sábados. Para empurrar a atração de Sabrina Sato para a faixa das 22 horas, a emissora tratou de tirar do arquivo a minissérie José do Egito, exibida às 20h30. Trata-se, nada menos, da quarta exibição da série bíblica protagonizada por Angelo Paes Leme.

Aos domingos, com o enxugamento do Domingo Show, que perdeu duas horas de duração, a Record lançou a faixa Show de Humor, exibida das 11h às 13h. Dá-lhe mais repeteco: a faixa apenas recicla momentos de programas antigos da emissora, como a Escolinha do Gugu e as “pegadinhas” do Sorria, Você Está na Record.

Apesar do sucateamento da grade, a emissora deve estar bem satisfeita com as mudanças, já que a audiência reagiu positivamente. Balanço Geral Especial ficou em terceiro no ranking do Ibope, mas fez a audiência da emissora crescer, comparando com Pica-Pau, exibido no horário até a semana anterior. José do Egito também teve mais audiência que o Programa da Sabrina costumava registrar. E a atração de Sabrina Sato também cresceu ao ser exibida mais tarde. Aos domingos, o Show de Humor manteve a Record à frente do SBT, enquanto o diminuto Domingo Show cresceu. Vai entender...

André Santana

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sem Ana Maria Braga, "Mais Você" não é "Mais Você"


Desde que optou por manter seus programas de entretenimento diários sempre ao vivo, com ou sem a presença de seus titulares, a Globo tem utilizado os comandantes do É de Casa como substitutos dos apresentadores dos programas diários. Sendo assim, já vimos o Encontro, de Fátima Bernardes, sendo comandado diversas vezes por Ana Furtado, inclusive na companhia de Tiago Leifert, quando o atual apresentador do BBB fazia parte do time do matinal dos sábados. André Marques, Cissa Guimarães, Zeca Camargo e Patrícia Poeta também já apareceram, em algumas oportunidades, cobrindo folgas e férias de Ana Maria Braga no Mais Você.

Nas últimas três semanas, Zeca Camargo e Cissa Guimarães, mais uma vez, assumiram o comando do Mais Você, na ausência de Ana Maria e seu fiel escudeiro Louro José, que estavam de férias. Apesar de ser interessante a ideia de manter o programa ao vivo mesmo na ausência do titular, afinal mantém-se em alta a temperatura da atração, é sempre difícil ver o Mais Você comandado por outro nome que não seja Ana Maria Braga. É curioso perceber que se trata de uma estranheza que se vê unicamente no Mais Você; Fátima Bernardes também faz falta em seu Encontro, mas não chega a ser estranho ver Ana Furtado em seu lugar.

Não que Zeca e Cissa sejam ruins, pelo contrário. Claro, a dupla, ultimamente, tem pecado pelo excesso de “entusiasmo”. Sempre agitados e risonhos, os dois, muitas vezes, parecem forçar um improviso inexistente, ou uma risada pouco espontânea. Um problema que vem acompanhando Zeca desde sua esquecível passagem pelo Vídeo Show, e que se repete no É de Casa. Já Cissa sempre foi “muito animada”, desde os tempos em que era repórter do Vídeo Show, mas nos últimos anos parece que a coisa aumentou. Mas, independente disso, é inegável que os dois têm estofo para o comando de um programa ao vivo tão cheio de variedades como o Mais Você. Em suma, são bons substitutos.

O que pega, então, não é a presença de Zeca e Cissa, e sim a ausência de Ana Maria Braga. Afinal, é inegável que a loira da Globo é, hoje, uma das mais importantes apresentadoras da TV brasileira. Mais do que isso, tem personalidade marcante. Ana comanda seu Mais Você com uma segurança rara, sabe o que faz, tem humor e nenhum problema em pagar mico. Assim, ela passa autenticidade ao seu público, num vínculo próximo com sua audiência, estabelecido desde os tempos do Note e Anote, da Record.

E, justamente por conta desta presença marcante, Ana Maria fez do Mais Você um programa com a sua cara. O programa pode até ter atrações parecidas com a de outros femininos ou revistas eletrônicas dos outros canais, mas a presença de Ana Maria faz toda a diferença. O Mais Você é dela, feito por ela, com a cara dela. Sendo assim, é muito difícil aceitar outro alguém comandando aquele espaço. É como se a casa de Ana fosse invadida.

Novamente comparando com o Encontro com Fátima Bernardes, a ex-Jornal Nacional já se encontrou como apresentadora de variedades, sem dúvidas, mas comanda um programa cujo formato acaba se resolvendo. É basicamente um programa de entrevistas e, na ausência da titular, mas com bons substitutos, as entrevistas e debates continuarão acontecendo. Simples assim.

No Mais Você, o programa anda sem Ana Maria Braga. Mas não é o programa de Ana Maria Braga. É boa a ideia de manter o programa sempre ao vivo. E é evidente que Ana Maria precisa ter seu descanso, como qualquer pessoa que trabalha. No entanto, nestes dias de férias, foi como se o Mais Você virasse outro programa. Um programa como outro qualquer. O retorno de Ana Maria, portanto, é sempre muito esperado. Afinal, ela é a dona da casa.

André Santana

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Patrícia Abravanel deve comandar "Topa ou Não Topa"


Nas últimas semanas, foi notícia nos sites especializados que o SBT comprou novamente da Endemol os direitos de produção do game show Deal or Not Deal, o nosso Topa ou Não Topa. O “jogo das maletas” já passou pela programação do SBT em alguns momentos, tendo tido bom desempenho quando apresentado por Silvio Santos, e uma temporada mais “apagada”, comandada por Roberto Justus. Nesta nova safra, Topa ou Não Topa poderia parar nas mãos de Rebeca Abravanel, Celso Portiolli ou Patrícia Abravanel, especulou-se.

Nesta quinta-feira, 15, Ricardo Feltrin, colunista do UOL, afirmou que a atração ficará mesmo nas mãos de Patrícia Abravanel, que deve retornar de sua licença-maternidade em breve. Em busca de uma nova atração desde o fim do Máquina da Fama, Patrícia deve herdar o game show do pai, que, ainda segundo Feltrin, deve estrear em março e ser exibido nas tardes de domingo.

Pode ser uma boa para Patrícia. A apresentadora terá em mãos um bom formato, e que exige muito traquejo de seu comandante, já que a dinâmica que se estabelece na negociação entre o apresentador e o participante é onde está a maior parte da graça do Topa ou Não Topa. E Patrícia já mostrou saber interagir bem com o público, dada a sua boa performance à frente do quadro Patrícia Tá na Rua, do Programa Silvio Santos. O Topa ou Não Topa, portanto, pode ser uma boa “escola” para que ela adquira mais estofo e ganhe um “programa próprio” mais adiante.

O fato de o Topa ou Não Topa poder entrar nas tardes de domingo também parece interessante. A faixa ainda carece de uma sacudida, já que o Domingo Legal não ata e nem desata. Sendo assim, não seria de todo ruim considerar extinguir o dominical de vez e dividir a faixa entre o Topa ou Não Topa e um novo programa com Celso Portiolli. Ou ainda ressuscitar o Curtindo Uma Viagem, principal sucesso da carreira de Celso no SBT. Seria um domingo mais divertido, com a cara do SBT.

Fato é que março está quase aí e pouco se sabe sobre a programação do SBT para 2018. A emissora de Silvio Santos estendeu as férias de várias de suas produções para diminuir despesas. O Programa do Ratinho, por exemplo, seguirá de férias até meados do mês que vem. Sendo assim, tudo pode mudar a qualquer momento. Vamos acompanhar.

André Santana

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Para nossa alegria, Regina Volpato é efetivada no "Mulheres"


Na semana passada, a TV Gazeta e a apresentadora Regina Volpato confirmaram que ela seguirá à frente do programa Mulheres. Contratada inicialmente para cobrir férias de Cátia Fonseca, Regina fica com a vaga em definitivo após a apresentadora anterior migrar para a Band, onde apresentará o Melhor da Tarde a partir do dia 1º de março.

Nesta transferência de Cátia para a Band, todos saíram ganhando. Cátia vai movimentar a Band e ajudar o canal a sair da inércia ao qual está mergulhada há anos. Se vai dar certo, só o tempo vai dizer, mas é bom ver a emissora voltar a apostar em sua programação vespertina, inacreditavelmente entregue aos games caça-níquel que infestam os canais menores.

E saiu ganhando a Gazeta, que agora tem no seu cast alguém do quilate de Regina Volpato. É sempre bom ver voltar à telinha uma profissional como Regina, tão competente no que faz, mas há uns bons anos afastada da TV. Regina, cria das bancadas de telejornais, conquistou um público cativo desde que apresentou, com a elegância que lhe é característica, o Casos de Família, do SBT. Ali ficou entre 2004 e 2008. Depois, demorou mais de três anos para ela retornar à TV, pela RedeTV!, onde comandou o Manhã Maior e o Se Liga Brasil até 2012. Mais seis anos se passaram até Regina retornar, agora no Mulheres.

No tradicional vespertino da Gazeta, a apresentadora tem o espaço que merece para mostrar ao público a que veio, além de voltar a fazer companhia aos seus fãs que tanto ansiavam seu retorno. Efetivada, ela terá, agora, a chance de transformar o Mulheres em seu programa, imprimindo suas características ao programa feminino. Sem dúvidas, será bem-sucedida na missão.

É ótimo ver retornar à TV bons profissionais que andavam afastados. Ver Regina novamente em ação é tão satisfatório quanto ver Chris Flores conquistando seu espaço no SBT, depois de dispensada pela Record. E dá a esperança para que outras apresentadoras, também talentosas, mas sem espaço, retornem em grande estilo. Nomes como Silvia Poppovic e Adriane Galisteu, por exemplo, também merecem esta chance.

André Santana

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Do céu ao inferno: os altos e baixos de Geraldo Luís na Record


Na última semana, a direção da Record confirmou o que já se especulava há algum tempo: o Domingo Show, de Geraldo Luís, terá seu tempo de arte e estrutura reduzidos. A atração terá sua duração reduzida pela metade e perderá cenário, plateia e os quadros no palco, reduzindo-se às matérias de Geraldo, que são o carro-chefe do programa. Apesar da ótima audiência (foi o Domingo Show que fez a Globo mexer no início de sua tarde de domingo, sempre bom lembrar), o programa é considerado assistencialista e apelativo e, por isso, não atrai anunciantes. Ou seja, dá prejuízo.

Trata-se de uma reviravolta e tanto na trajetória de Geraldo Luís dentro da Record. Até pouco tempo atrás, Geraldo era considerado um dos nomes fortes da emissora, justamente pela sua capacidade de registrar bons índices de audiência e ser uma importante alavanca para toda a grade dominical da emissora. Se Hora do Faro e Domingo Espetacular são programas que rendem excelentes resultados para a Record, muito disso se deve ao bom desempenho do Domingo Show, que abre a grade dominical.

Geraldo estava tão em alta que, nesta mesmíssima época do ano passado, a direção da Record tentava convencê-lo a assumir o comando de um programa diário e noturno. Com uma linha de shows problemática que costumava perder para o Programa do Ratinho, do SBT, a Record viu em Geraldo o único capaz de conter o apresentador da concorrência. Além disso, Geraldo Luís tinha o salário menor e o contrato mais frouxo dentre os principais apresentadores da emissora. E a Record resolveu isso, renovando o contrato do apresentador com bases mais sólidas, com medo de perdê-lo para a concorrência.

Mas, antes disso tudo, Geraldo Luís também passou por maus bocados e quase saiu do ar na emissora. Isso aconteceu quando o apresentador reclamou, ao vivo, da edição de uma matéria feita por ele para o programa. Segundo os comentários da época, o próprio Edir Macedo estava assistindo ao programa naquele dia e não teria gostado da reclamação pública de Geraldo. Resultado: o apresentador foi suspenso por algumas semanas e quase perdeu o comando do Domingo Show para Luiz Bacci de maneira definitiva.

E se formos ainda mais longe na história entre Geraldo e Record, lembraremos de vários outros altos e baixos. Basta lembrar da estreia de Geraldo na emissora. Em 2008, ele foi contratado pela Record para assumir o comando da versão paulista do Balanço Geral, um jornal popular da hora do almoço que já existia em várias praças, mas não contava com uma edição em São Paulo. Geraldo se destacava numa TV de Limeira, e aceitou o convite para trabalhar na capital paulista. E deu muito certo! O Balanço Geral SP elevou os índices de audiência do canal, fazendo a direção da Record a propor voos maiores ao apresentador.

Assim, no ano seguinte, Geraldo ganhou um vespertino só seu, exibido em rede nacional. O Geraldo Brasil estreou muito bem, misturando telebarraco, notícias, repercussão de A Fazenda e outras bizarrices. Mas o programa logo perdeu fôlego e saiu do ar no final daquele mesmo ano. Depois disso, falou-se que Geraldo seria aproveitado num novo programa aos sábados, mas que nunca saiu do papel. Ao invés disso, Geraldo encarou uma fria geladeira, e a Record chegou a desistir dele. O comentário era que seu contrato não seria renovado e ele voltaria para Limeira.

Mas, tempos depois, a emissora resolveu ressuscitar o Balanço Geral SP (que havia saído do ar) com Geraldo, desta vez no início da manhã. Escondido nas primeiras horas do dia, Geraldo novamente rendeu boa audiência ao canal. Com isso, acabou retornando para a hora do almoço com seu Balanço Geral, com sucesso. Ao mesmo tempo, foi convidado para participar do rodízio de apresentadores do Domingo da Gente, e foi uma das maiores audiências do dominical. O bom resultado o levou a ser escolhido para ficar com o horário, nascendo o Domingo Show.

Ou seja, dá a impressão de que Geraldo e Record vivem numa relação de amor e ódio. Ora o apresentador é visto como “salvador da pátria”, e ora como persona non grata. Não que a emissora não esteja certa em enxugar um programa que não fatura, afinal, a Record é uma empresa que visa lucro. Mas é no mínimo estranho que a emissora só tenha percebido os prejuízos do Domingo Show depois de tantos anos do programa no ar, e depois de ter cogitado dar à Geraldo um programa diário. Mas é aquela coisa que batemos sempre na tecla aqui: a falta de planejamento é o grande mal da Record.

André Santana

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

RedeTV extingue "Melhor pra Você"


Tragédia anunciada, o matinal Melhor pra Você, da RedeTV, está prestes a chegar ao fim. A atração criada para acolher os ex-apresentadores do Hoje Em Dia, da Record, e tentar atrair seus espectadores órfãos, nunca disse a que veio na emissora. Entretanto, Celso Zucatelli e Edu Guedes seguirão nas manhãs do canal, em novas atrações. Apenas Mariana Leão não tem destino definido, e deve encarar a geladeira da emissora.

A partir de 26 de fevereiro, a programação matinal da RedeTV será reformulada. O TV Kids volta a exibir o anime Pokémon, para a alegria dos fãs, e será exibido das 9h às 9h30. Em seguida, entra João Kleber e seu festival de bobajadas no Você na TV, das 9h30, às 10h30. Logo depois, Edu Guedes ensina suas receitas num programa de culinária só seu, o Edu Guedes Cozinha, das 10h30 às 11h30. E, finalmente, Celso Zucatelli entra das 11h30 às 12h com o Fala Zuca, atração que reunirá informação, debate e prestação de serviço.

Trata-se de uma válida tentativa de melhorar o resultado de sua grade matinal, já que o Melhor pra Você não funcionou como esperado. Edu e Celso são bons no que fazem, e aproveitá-los numa nova configuração faz todo o sentido (embora meia hora me pareça muito pouco para o programa de Celso, que promete tanta coisa). E o investimento no TV Kids o blog sempre vê com bons olhos. Uma pena que há João Kleber no meio disso tudo, com o desperdício de tempo e dinheiro chamado Você na TV (que nem audiência satisfatória dá, e o canal insiste no programa).

Segundo o próprio canal, esta será apenas a primeira de uma série de reformulações na grade de programação, que devem acontecer ainda no primeiro semestre. Ao que tudo indica, a RedeTV pretende, mais adiante, mexer também na grade vespertina e noturna. Sendo assim, desde já, ficamos na torcida para que a emissora se livre dos religiosos que “ensaduicham” o A Tarde É Sua e traga novidades bacanas nestes horários. Já passou da hora de o canal fazer um investimento sério em jornalismo na hora do almoço, por exemplo. Rosana Jatobá já pertence aos quadros do canal, então basta investir.

A Band está vindo forte em 2018, disposta a recuperar o tempo perdido nestes últimos anos de inércia absoluta. Portanto, a RedeTV acerta ao se precaver e fortalecer sua programação. Há muito o que melhorar, sem dúvidas. Mas já é um começo.

André Santana

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Band resgata o título "Melhor da Tarde" em programa de Cátia Fonseca


A preparação para a estreia do novo programa de Cátia Fonseca na Band já está a todo vapor. O novo vespertino, que deve estrear em 1º de março, será exibido das 14h às 16h e trará, basicamente, as mesmas atrações que Cátia exibia no Mulheres, da Gazeta, e resgatará um título que a Band já usou na década passada: Melhor da Tarde.

Melhor da Tarde era o nome do programa vespertino apresentado por Astrid Fontenelle, Leão Lobo e Aparecida Liberato, e que ficou no ar entre 2001 e 2005. A atração foi idealizada por Rogério Gallo, então diretor artístico da emissora, inspirado justamente no Mulheres, que na época era apresentado por Márcia Goldschimidt e Leão Lobo. O diretor contratou a dupla com a intenção de repeti-la na Band, mas depois optou por deslocar Márcia para o telebarraco Hora da Verdade, e escalou Astrid e Aparecida para o vespertino.

No programa, Astrid Fontenelle assumia o papel de âncora, tratando de pautas diversas e fazendo a ponte para o jornalismo. Já Leão Lobo fazia o noticiário de celebridades, enquanto Aparecida falava de numerologia e outros assuntos esotéricos. Tempos depois, Aparecida deixou o programa, que ficou nas mãos de Astrid e Leão até 2004, quando este último ganhou seu próprio programa, De Olho nas Estrelas. Astrid, então seguiu sozinha na atração até o início de 2005, quando foi substituída por Leonor Correia. Com a irmã de Faustão, Melhor da Tarde ficou pouco tempo no ar, sendo substituído pelo Pra Valer, com Claudete Troiano, no final daquele mesmo ano.

Depois disso, em vários momentos a Band cogitou trazer o Melhor da Tarde de volta, pois necessitava de um produto barato e que tivesse um bom retorno comercial. Pelo que se vê, o canal esperava, apenas, a chegada de uma âncora com bom apelo comercial, que se concretizou com a contratação de Cátia Fonseca. Trata-se de um bom momento para o resgate, afinal, as tardes da emissora estão mortas há muitos anos.

E vale lembrar que o canal também prepara um novo programa feminino matinal. Elaborado com a participação de Ana Paula Padrão, baseado num empreendimento da jornalista, o programa Superpoderosas será apresentado por Natália Leite e irá ao ar das 9h30 às 11h. A estreia está prevista para abril.

André Santana

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Viva manda bem ao resgatar "Explode Coração"

Uma das grandes qualidades do canal Viva é trazer ao espectador de hoje a oportunidade de rever novelas que dificilmente seriam reapresentadas no Vale a Pena Ver de Novo. Explode Coração, novela de Glória Perez exibida em 1995, é um destes casos. Não que a novela não tenha feito sucesso e não fosse pedida pelos fãs para voltar. Mas uma novela que tratava de uma história de amor que acontece no início da popularização da internet tornou-se datada demais para ser revista depois de tantos anos, ao menos na TV aberta.

Num canal pago e de público segmentado, esta reprise se torna possível, levando-se em consideração que a audiência do Viva é formada por espectadores saudosos que adoram revisitar o arquivo da Globo. Para esta plateia, é divertido ver como a internet, “engatinhando”, era tratada com certa ingenuidade. Melhor ainda é notar que, pouco mais de 20 anos depois, tanta coisa mudou na nossa vida justamente por causa desta “tal” de internet, vista com cores de ficção científica em Explode Coração. O próprio fato de você estar lendo este humilde blog, em seu notebook, tablet ou, principalmente, celular, já demonstra que a “rede mundial de computadores” é, agora, fundamental em nosso cotidiano. Mais do que isso: é algo natural, recorrente, e não dá mais pra imaginar o mundo sem esta ferramenta.

Além disso, rever Explode Coração no Viva é se dar conta de que, se a novela de 1995 não tivesse acontecido, provavelmente O Clone, de 2001, também não aconteceria. Se O Clone fez o sucesso que fez e se tornou uma das principais obras da novelista Glória Perez, isso só aconteceu porque, antes, existiu Explode Coração. Foi na novela de 1995 que a novelista apostou na mistura que se tornaria sua marca, um romance intermeado por tecnologia e culturas diferentes. Se a saga de Jade (Giovanna Antonelli) era mostrada em meio à clonagem humana e os costumes da religião muçulmana, em Explode Coração os assuntos da vez eram a cultura cigana e a já citada  internet.

No primeiro capítulo, exibido na última segunda-feira, 29, já vimos como a internet era mostrada como uma novidade revolucionária. Assim, cenas como a da empregada Odaísa (Isadora Ribeiro), assustada, contando para Dara (Tereza Seiblitz) que seu computador estava tomado por algum tipo de magia, já que “saíam vozes de lá”, chegam a ser pueris e, por isso mesmo, bem divertidas. Acredite, em 1995, era bem fora do comum um computador falar com você.

Mais incomum ainda era conversar com alguém que você não conhece, de qualquer lugar do mundo, por meio de uma máquina. Se você não ligasse no “disk amizade”, provavelmente jamais conheceria pessoas que estão bem distantes do seu quintal. Pois foi justamente neste novo universo que a internet traria que a cigana Dara (Tereza Seiblitz) conheceu Júlio Falcão (Edson Celulari), aproveitando o fato de conversar com um desconhecido para desabafar. A heroína contou que se sentia deslocada dentro da cultura cigana, que estudava escondida dos pais e que não queria se casar com o noivo ao qual fora prometida ainda bebê. Os costumes ciganos e a internet mostrados numa única cena, que resumia bem a temática de Explode Coração, tal qual sua abertura que mostra uma Ana Furtado cigana sendo transportada para uma sala high tech.

O fato de o início da história de amor entre Júlio e Dara soar antiquado nos dias de hoje mostra o quanto Glória Perez estava antenada com os assuntos da contemporaneidade naquele momento. E é exatamente por isso (e não só por isso) que rever Explode Coração vale a pena. Afinal, como dito acima, a trama abriu caminho para que O Clone fizesse sucesso. Assim como Jade e Lucas (Murilo Benício) encaram uma série de problemas para ficarem juntos, como as diferenças culturais e as presenças do noivo prometido dela, Sayid (Dalton Vigh), e da esposa dele, Maysa (Daniela Escobar), Dara e Júlio também terão as diferenças culturais como dificultadores, alem das presenças do noivo prometido dela, Igor (Ricardo Macchi), e da esposa dele, Vera (Maria Luísa Mendonça).

Primeira novela da Globo gravada no Projac, Explode Coração já apresentava um apuro visual diferente de suas antecessoras, e que só evoluiria a partir dali. E é ótimo ver uma atriz do quilate de Tereza Seiblitz, que estranhamente nunca mais fez grandes papéis depois da emblemática cigana Dara, protagonizando a trama. Isso sem falar da presença de nomes como Rodrigo Santoro, debutando como o menino Serginho, e que, mais adiante, formará um casal polêmico com a também sempre maravilhosa Reneé de Vielmond. Paulo José e Eliane Giardini fazendo um típico casal cigano, os pais da mocinha, também chamam a atenção, assim como o núcleo cômico, liderado por Regina Dourado e Rogério Cardoso. Laura Cardoso, Elias Gleiser, Maria Luísa Mendonça, Nívea Maria e tantos outros medalhões são mais cerejas neste bolo.

Como nem tudo são flores, ainda há o emblemático cigano Igor. Entregue ao estreante Ricardo Macchi, que obviamente não estava pronto para um personagem daquele tamanho, Igor acabou se tornando motivo de chacota por conta do parco desempenho de seu intérprete. Até hoje, “cigano Igor” se tornou sinônimo de ator pouco expressivo.

Nada que comprometa a novela. Explode Coração é um típico romance de Glória Perez, e que abriu caminho para que, mais adiante, viessem O Clone e, também, Caminho das Índias. Dara, Jade e Maya (Juliana Paes) são lembradas até hoje, e não é por acaso. Vale a pena ver de novo.


André Santana

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Surpresa! "Chaves" e "Chapolin" serão exibidos no Multishow

Em meio a tantos humorísticos, a maioria um tanto sem graça, o Multishow abrirá espaço em sua grade para a exibição de dois clássicos da comédia mundial. O canal do grupo Globosat exibirá nada menos que Chaves e Chapolin, as famosas séries de Roberto Gomez Bolaños, o Chespirito, que por aqui ainda são sinônimos de SBT.

Segundo o site Omelete, a Globosat adquiriu um pacotaço de episódios das duas séries, incluindo 244 capítulos inéditos na televisão brasileira. O Multishow já iniciou o processo de dublagem desta nova leva de episódios e, em entrevista ao UOL, o diretor-geral do canal, Guilherme Zattar, disse que a emissora ainda está avaliando se irá redublar os episódios antigos ou não.

A notícia é boa por vários motivos. Primeiro, porque o canal vai trazer de volta o Chapolin, série negligenciada pelo SBT há anos. Depois de fazer muito sucesso nos anos 1980 e 1990, chegando até a ser exibida em horário nobre, Chapolin perdeu vez na grade fixa do SBT nos anos 2000, sendo substituído por comédias americanas. De lá para cá, Chapolin retornou algumas vezes para curtas temporadas, sendo a última delas dentro do Clube do Chaves, exibido no início de 2017.

O segundo motivo é que o próprio Chaves voltará a ter exibição diária na televisão brasileira, coisa que não acontece no SBT já há um bom tempo. Atualmente, o canal exibe maratonas de episódios de Chaves nas manhãs de sábado, das 6h às 8h30, e de domingo, das 9h às 11h. E não há qualquer expectativa de algum retorno à grade diária.

E o terceiro motivo é a aquisição de episódios inéditos das duas séries. Não se deixem enganar: Chaves e Chapolin têm trocentas versões de um mesmo episódio, ou seja, os tais “episódios inéditos” que o Multishow vai exibir provavelmente são regravações de tramas que já estamos carecas de assistir. Mas pouco importa: ver algo novo de Chaves e Chapolin na telinha é algo que os fãs almejam há tempos! E exibidos diariamente! E em horário nobre! Grande sacada do Multishow, sem dúvidas! O canal já está perdoado por ter feitos coisas horrendas como A Vila e Treme Treme.


André Santana