terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mais uma do SBT: Raul Gil fica e a gente não sabe de mais nada

Lembra que, no final do ano passado, o TELE-VISÃO noticiou na Perspectiva 2017 que o SBT teria um novo sábado? Pois então: esqueça tudo aquilo. Ao que tudo indica, Silvio Santos não só está empenhado em passar suas férias mudando o horário do Fofocalizando e aumentando o espaço do Dudu Camargo no jornalismo, como também está disposto a desfazer todos os planos que fez antes de partir para os EUA. Entre eles, a dispensa de Raul Gil. O Programa Raul Gil não vai mais sair do ar no final de fevereiro, como previsto, e agora vai-se saber o que vai acontecer com todas as mudanças que a saída da atração acarretaria.

Vamos aos fatos: na última semana, Raul Gil Jr, filho de Raul e diretor do Programa Raul Gil, confirmou que o SBT desistiu de dispensar seu pai. Segundo o site Notícias da TV, a mudança de planos foi provocada pelo próprio Raul Gil. O apresentador procurou José Roberto Maciel, vice-presidente da emissora, que por sua vez conversou com Silvio Santos. O dono do SBT autorizou a renovação do contrato e o cancelamento das mudanças.

Com a permanência do Programa Raul Gil, fica cancelada a estreia de um novo programa de auditório com Celso Portiolli no horário. Para assumir a vaga que Raul Gil deixaria, Portiolli iria deixar o Sabadão e o Domingo Legal, que seriam extintos, e sua equipe formataria um novo programa ao vivo para as tardes de sábado. A produção, aliás, já estava em busca de formatos para quadros que iriam compor o novo programa. Por outro lado, a direção do SBT buscava algo que pudesse ocupar a faixa das 13h às 15h dos domingos, que ficaria vaga com a extinção do Domingo Legal. Cogitou-se o retorno do Fantasia, um novo programa com Patrícia Abravanel e exibição de séries enlatadas.

Toda esta história é muito esquisita. Não era tão estranho o SBT resolver extinguir o Programa Raul Gil, afinal, a atração do veterano animador não era nenhum estouro de audiência. Num momento em que o canal busca ampliar seus índices em determinados horários, uma mudança radical nas tardes de sábado faria todo o sentido. Além disso, a concorrência do horário tendia a aumentar, pois a Record cogitava exibir os programas Xuxa Meneghel e Programa da Sabrina nas tardes de sábado. Sendo assim, trocar o Programa Raul Gil por um programa ao vivo e mais competitivo fazia sentido. Fora isso, extinguir o Domingo Legal em meio a todas estas mudanças também não era má ideia, já que a atração vive um péssimo momento de Ibope. O problema, aí, é que a emissora não conseguiu definir um programa que fosse barato e capaz de bons resultados no início das tardes de domingo. Se o horário já está frágil com o Domingo Legal, poderia ficar muito pior sem ele.

Que confusão, não? Será que o SBT não pensou em tudo isso antes de anunciar a saída de Raul e a chegada de Celso aos sábados? Que irresponsabilidade anunciar uma mudança destas e, depois, desistir de tudo! Com toda esta situação ridícula, o SBT só conseguiu desgastar e constranger Raul Gil e Celso Portiolli diante do público, uma situação absolutamente desrespeitosa com ambos. Além disso, o canal expôs à concorrência e ao mercado publicitário que vive um momento frágil, de rompantes e instabilidades. Desnecessário. E triste.

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André Santana

sábado, 28 de janeiro de 2017

Afinal, o que está acontecendo com o jornalismo do SBT?

Que o SBT sempre foi uma emissora sem muita tradição no jornalismo, todo mundo já sabe. O canal de Silvio Santos se construiu pelo entretenimento, e seu jornalismo aparecia mais para cumprir a porcentagem de informação que uma concessão pública deve, por lei, oferecer ao público. Mesmo assim, os noticiosos do canal vinham num período de aparente calmaria, mantendo quase sempre três telejornais nacionais no ar – SBT Manhã, SBT Brasil e Jornal do SBT – e, de vez em quando, fazendo uma ou outra experiência, como o Primeiro Impacto, lançado no ano passado, e o atual SBT Notícias, que dedica toda a madrugada da emissora à informação. No entanto, a ascensão do jovem Dudu Camargo como âncora, a dispensa de Joyce Ribeiro e Patricia Rocha, a troca da direção de jornalismo e a extinção do Jornal do SBT, seu mais tradicional telejornal, indicam que as coisas não parecem tão boas para os lados do jornalismo na Anhanguera. Afinal, o que Silvio Santos pretende com tantas “novidades”?

Vale lembrar que, historicamente, o SBT teve apenas dois grandes momentos de investimento em jornalismo. Quando entrou no ar, em 1981, cumpria as horas obrigatórias do jornalismo com o Noticentro, um jornal feito praticamente sem estrutura nenhuma. Apenas em agosto de 1988 que a emissora decide investir mais firme em jornalismo e contrata Bóris Casoy, vindo da mídia impressa, para inaugurar a figura do âncora na TV brasileira. Nascia o TJ Brasil. Ao mesmo tempo, é lançado o jornal matinal TJ Manhã. Alguns anos depois, em 1991, foi a vez de entrar no ar o Jornal do SBT, com Lilian Witte Fibe. No mesmo ano, surgiu também o Aqui Agora, jornal policial que fez história na TV.

A boa fase durou até 1997, quando Bóris Casoy deixou a emissora rumo à Record. Hermano Henning, correspondente internacional e apresentador substituto do TJ Brasil, assume a bancada, mas o telejornal acaba saindo do ar pouco tempo depois. A estrutura do jornalismo do SBT acabou reduzida e, por um bom tempo, produzia apenas boletins noticiosos exibidos na programação, o Notícias da Última Hora. Em 1998, uma parceria com a CBS Telenotícias permitiu uma sobrevida ao jornalismo do canal de Silvio Santos, com o lançamento do Jornal do SBT/CBS. O jornal era apresentado por Eliakin Araújo e Leila Cordeiro direto de Miami, enquanto Hermano Henning comandava blocos direto de São Paulo. O acordo também permitiu o lançamento do Sinal SBT/CBS, que ocupava toda a madrugada do SBT com jornalismo.

No entanto, em 1999, nova redução no jornalismo do SBT. Sem a parceria com a CBS, a emissora lança uma nova versão do Jornal do SBT, com Hermano Henning, sem grandes investimentos e apenas para cumprir tabela. As madrugadas passam a ser preenchidas com o SBT Notícias, que nada mais era que reprises constantes do Jornal do SBT acrescidas de quadros de entrevistas e comentários. Em 2001, novo lançamento: a emissora resgatava o título TJ Manhã, com apresentação de Patrícia Pioltini. No entanto, em 2003, uma crise no SBT fez o canal cortar várias produções, e o jornalismo, que já era reduzido, ficou ainda menor. O TJ Manhã e o SBT Notícias saíram do ar, e o Jornal do SBT passou a ser feito com apenas dois repórteres, muito material de afiliada e quadros enlatados, além da “Frase do Dia”, uma maneira de se dar notícia sem precisar de imagem. Pode-se dizer que, nesta época, Hermano Henning fazia milagre ao comandar um jornal de meia hora sem um mínimo de estrutura.

E, no final de 2003, mesmo sem estrutura, o SBT lança um de seus jornais mais polêmicos, o “Jornal das Pernas”. Apresentado por Cynthia Benini e Analice Nicolau, que usavam saias e apareciam numa bancada transparente, a atração estreou às 19h30 com o nome de Jornal do SBT – 1ª Edição, depois passou para às 6h30 chamado de Jornal do SBT – Manhã, chegou a mudar para às 17h30 por pouco tempo e, mais tarde, voltou para as manhãs e ganhou boletins durante a programação, o SBT Notícias Breves.

A coisa só melhorou em 2005, quando Silvio Santos resolveu reestruturar seu departamento de jornalismo. Para isso, contratou Luiz Gonzaga Mineiro, diretor de jornalismo vindo da Record, e Ana Paula Padrão, então âncora do Jornal da Globo. Com estas duas grifes e novas contratações, surgiu o SBT Brasil, no horário nobre, em agosto do mesmo ano. Enquanto isso, o Jornal do SBT com Hermano Henning ganhou novos investimentos, e o Jornal do SBT – Manhã foi reformulado, passando a ser apresentado por Joyce Ribeiro. Começa aí a segunda melhor fase do jornalismo do SBT, que ganhou o reforço de Carlos Nascimento no ano seguinte. De lá para cá, o canal teve suas experiências malucas, como o SBT São Paulo, SBT Manchetes, o “novo” Aqui Agora, Boletim de Ocorrências, Notícias da Manhã (que foi muito bem-sucedido quando apresentado por César Filho) e o SBT Notícias com Neila Medeiros, mas os três jornais de grade seguiam com uma certa regularidade, e até ganharam boletins nos intervalos. Para um canal que havia ignorado o jornalismo por tanto tempo, era um avanço e tanto.

Eis que chegou 2016 e coisas estranhas começaram a acontecer. Com o fim definitivo do SBT Manhã, surgiu o Primeiro Impacto, novo jornal matinal, pilotado por Joyce Ribeiro e Karyn Bravo. Sem muita expressão no Ibope, o noticioso passou às mãos do jovem Dudu Camargo em outubro, aposta pessoal de Silvio Santos, o que causou polêmica. Jovem e sem estofo para comentar notícias, Dudu passou a fazer dancinhas na atração, além de dar declarações não muito elegantes a respeito de suas “colegas de bancada”. Mesmo desprestigiado de manhã, o jornalismo do SBT ganhou mais espaço com o SBT Notícias na madrugada, que se mostrou uma boa ideia e, ainda, revelou dois novos e bons âncoras: João Fernandes e Cassius Zeilmann. Entretanto, chegou 2017 e o SBT Notícias acabou por “absorver” o Jornal do SBT e o Primeiro Impacto. Foi bem estranho acabar com o Jornal do SBT, marca antiga do canal. Com tais mudanças, Joyce Ribeiro e Patricia Rocha, que davam expediente no Primeiro Impacto, foram dispensadas. Hermano Henning, do Jornal do SBT (e que carregou o jornalismo do SBT nas costas por anos a fio e merece toda a consideração e respeito do mundo), é dúvida: está fora do ar e parece que não há perspectiva de retorno. Analice Nicolau e Karyn Bravo “sobreviveram” e agora fazem parte do rodízio de âncoras do SBT Notícias. E Dudu Camargo, claro, segue intocável, e apresenta o SBT Notícias das 7h15 às 8h30. Com direito a “musiquinha”, “dancinha” e até striptease.

Desde 2005, o jornalismo do SBT ganhou reforços e construiu uma trajetória que, mesmo aos trancos e barrancos, caminhava para uma solidificação interessante. O SBT Brasil estreou mal das pernas, mudou de horário diversas vezes, ganhou novos âncoras, mas acabou conseguindo se fixar na faixa das 19h30, com uma audiência interessante. Ou seja, houve um trabalho em cima e bastante insistência para fazer acontecer, e o jornal acabou entrando nos trilhos. Mas 2017 chegou nebuloso demais para o departamento de jornalismo da emissora. Marcelo Parada, que dirigia o setor desde 2009, começou o ano sendo transferido para o comercial, e José Occhiuoso, responsável pelo jornalismo do SBT Brasília, assume seu lugar. Um profissional competente, mas fica a dúvida sobre o que ele, de fato, poderá fazer nesta fase esquisita em que o dedo de Silvio está tão presente no jornalismo do canal. Afinal, o que esperar de um setor que abre mão de nomes como Hermano Henning e Joyce Ribeiro para dar espaço a Dudu Camargo?

Ou seja, Silvio Santos está jogando por terra todo o trabalhão que o jornalismo do SBT teve para conseguir se consolidar. Que fase!

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André Santana

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

News: "Ponto a Ponto" estreia no Viva

As férias no Viva vão relembrar a gincana televisiva Ponto a Ponto, comandada por Ana Furtado, Danielle Winits e Márcio Garcia em 1996, na Globo. A partir deste sábado, dia 28 de janeiro, às 16h, o Viva exibirá a atração que marcou a estreia de Ana Furtado como apresentadora. O programa tem direção geral de Maurício Tavares e roteiro de Miguel Paiva.

A cada edição, quatro casais de estudantes, representando diferentes escolas, disputam tarefas desafiadoras e radicais como encarar compartimentos contendo cobras e driblar jatos d'água e bolas de fogo. Os competidores contam com o apoio de suas respectivas torcidas, que são caracterizadas e dividas em cores. O objetivo das duplas é alcançar o maior número de pontos. Os vencedores do dia são premiados com dinheiro equivalente à pontuação alcançada ao longo dos desafios. Além disso, a dupla retorna na semana seguinte e concorre a carros zero quilômetro. Em provas mais complexas, eles contam com o auxílio de alpinistas e mergulhadores profissionais.

O cenário do programa é um destaque à parte. Piscina, escorregadores, oficina mecânica fictícia, ponte, entre outros espaços se misturam no palco.

A edição de estreia tem como participantes os colégios Ação 1, do Rio de Janeiro; Dimensão, de São Paulo; Modelo, de Belo Horizonte; e a Escola Técnica Federal de Química, também do Rio. O primeiro desafio do programa mostra os estudantes empurrando bolas incandescentes por uma rampa, com tempo cronometrado. É claro, tudo com a máxima proteção. Em outro quadro, um aluno passa por uma prova de autocontrole: tem seus batimentos cardíacos monitorados enquanto assiste ao striptease de uma modelo.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"Big Brother Brasil" retorna tentando rejuvenescer

Parece que foi ontem que o Big Brother Brasil entrou no ar como um dos produtos de verão da Globo. Na época, no já longínquo ano de 2002, a atração estreou sob a sombra do sucesso retumbante que foi a Casa dos Artistas, do SBT, e fez um esforço danado para tentar convencer o público de que não, a Globo não estava copiando o SBT (na verdade, o SBT esnobou o formato e tratou de “criar” seu próprio reality, enquanto a Globo resolveu comprá-lo e se surpreendeu com a estreia na surdina do programa de Silvio Santos). Aliás, naquele contexto, Big Brother tinha mesmo mais a cara do SBT do que da Globo. No entanto, quinze anos já se passaram e, hoje, o BBB já está mais do que integrado à programação da emissora e ao hábito do espectador todo início de ano.

No entanto, em 2017, a atração passa pela maior mudança de sua história. Com a chegada de Tiago Leifert à apresentação, BBB entrou em cena de cara nova. Afinal, por mais que o programa em si não seja de um apresentador, e sim do elenco e da “dramaturgia” construída em torno do confinamento dos participantes, o rosto de Pedro Bial ficou muito marcado como um dos símbolos do Big Brother Brasil. Conforme os anos foram passando, Bial foi construindo uma relação cada vez mais íntima com o público e com os confinados. Expressões criadas por ele, como chamar os participantes de “heróis” ou se referir à casa como a “nave louca”, tornaram-se patrimônios do programa, bem como seu indefectível discurso de eliminação.

Talvez por isso, sua substituição por Tiago Leifert acabou causando grande comoção entre os espectadores nas redes sociais. Os fãs da atração sentiram falta de Bial, e até subiram a hashtag #BBBSemBial, na qual compararam a ausência do apresentador no reality com “pão de queijo sem queijo”. Muitos até criticaram a conduta de Tiago, considerada mais “travada”, sem o mesmo jogo de cintura do apresentador antigo. Mas, afinal, substituir Pedro Bial por Tiago Leifert foi uma boa ideia?

Particularmente, creio que sim. Pedro Bial ficou 15 anos à frente da atração, tempo mais do que considerável. Bial fez e aconteceu em todo este tempo, e deixou sua importante contribuição. Por isso, já estava mais do que na hora de partir para outros desafios, afinal, o apresentador e jornalista tem uma bagagem que, sem dúvidas, merecia levá-lo a voos maiores. No BBB, ele já não tinha muito o que fazer. No novo talk show que estreia em abril na Globo, sim, ele poderá trazer coisas novas. A verdade é que já fazia tempo que Bial merecia esta “promoção”. E, no elenco da Globo, não havia um nome mais adequado a substituir Bial do que Tiago Leifert. Com experiência em jornalismo esportivo, onde imprimiu sua informalidade, o apresentador passou ao entretenimento com bons serviços prestados, seja no The Voice, no Zero 1, e até no É de Casa. Sim, percebe-se que ele ainda não está totalmente à vontade no BBB, o que é mais do que natural. O apresentador acabou de chegar, e deve demorar um pouco até que ele mostre, por inteiro, do que é capaz. Vale lembrar que Pedro Bial também estreou no BBB bem sisudo e nervoso, e foi adquirindo traquejo com o tempo.

Dito isto, o que realmente causou estranheza na estreia de Tiago é que passou a impressão de que a direção do programa tentou reinventar o programa, passando um verniz “jovem”, quase como para dizer que se tratava de um novo programa a receber Leifert, como o novo cenário enorme e cheio de badulaques. Além disso, o novo apresentador entrou em cena sem a preocupação de avisar os mais distraídos que, agora, era ele quem estaria ali. Não acho que deveria haver uma “passagem de bastão” entre Bial e Leifert, como muitos defenderam, mas caberia, ao menos, um simples aviso ao público. O programa também agregou Paulinho Serra, responsável pelos flashs Selfie BBB, e Rafael Cortez, com um quadro no qual interage com internautas. Por fim, também terá um quadro com fantoches que representa uma família que assiste ao BBB, que parece um substituto das charges de Mauricio Ricardo, que não voltam mais (aliás, os bonecos são dos mesmos criadores dos da TV Colosso, perceberam?). Mas nenhuma mudança trará grandes acréscimos na audiência, afinal, o sucesso do BBB, como dito acima, é o seu elenco. Aguardemos o que vem por aí.

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André Santana

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Record preenche linha de shows com reprises requentadas

Enquanto a Globo lança nesta semana as novas temporadas de Big Brother Brasil, Tá no Ar – A TV na TV e Amor & Sexo, a Record optou por preencher sua linha de shows com “repetecos especiais”. Ao fim da série Sem Volta, a faixa das 22h30 da emissora será ocupada por reprises do Programa do Porchat, às segundas, e do Domingo Show, às sextas. Enquanto o primeiro tapa o buraco de Xuxa Meneghel, o outro parece ser um teste para ver como Geraldo Luís se sai numa atração noturna.

O “especial de férias” do Programa do Porchat começou ontem, 23, com a reapresentação das entrevistas com Tiririca, Tirulipa e Sérgio Mallandro. Enquanto Fabio Porchat está de férias, a emissora aproveita para reexibir algumas entrevistas num horário mais cedo, às 22h45, todas as segundas. Na falta de conteúdo inédito, a reprise até que cai bem, já que consegue atingir um novo público que não estava acordado nas exibições originais da atração, à 0h15. A estreia foi bem: elevou um pouco os números, comparado às segundas-feiras anteriores, quando foram ao ar Sem Volta e o Cine Record Especial. Aliás, foi melhor até que as últimas edições do Programa Xuxa Meneghel, em 2016. Mas a diferença não foi muita, e a Record seguiu atrás do SBT, que exibia Programa do Ratinho e Máquina da Fama.

E mesmo com o bom desempenho no novo horário, o Programa do Porchat voltará ao seu horário normal, de segunda a quinta, às 0h15, a partir de março, quando começa a nova temporada do talk show. E o horário nobre das segundas-feiras voltará às mãos do Programa Xuxa Meneghel, que surgirá reformulado. Sabe-se que a loira seguirá gravando nos estúdios da Casablanca, ex-RecNov, no Rio de Janeiro, e que seu programa passará a ter um rodízio de quadros/formatos ao longo do ano. Na estreia da temporada 2017, a principal atração do programa será o Dançando com as Estrelas, versão nacional do Dancing with The Stars, espécie de Dança dos Famosos. Com a novidade, espera-se que a atração finalmente se firme no horário, coisa que não conseguiu em 2016.

No entanto, a surpresa desta temporada de verão da Record é o resgate do título Geraldo Brasil, nome do programa que Geraldo Luís apresentou nas tardes da emissora em 2009, de triste lembrança. O “novo” Geraldo Brasil será apresentado nas noites de sexta e trará um apanhado de matérias que o apresentador fez para o Domingo Show, ou seja, nada de novo será apresentado. A Record não confirma, mas este “novo” Geraldo Brasil nada mais é que um teste para se observar como Geraldo se sairá na linha de shows noturna do canal, competindo com o Programa do Ratinho, do SBT. Como se sabe, a ideia original da emissora era ter Geraldo às 22h45 de segunda a sexta-feira, mas, como o apresentador não aceitou, optou-se então por fazer este teste. Se os resultados forem bons, não estranhem se Geraldo ganhar um novo programa semanal e noturno.

Enquanto isso, o único programa dentre os semanais noturnos da Record que permanece inédito é Gugu. O programa de Gugu Liberato volta a ser apresentado nesta quarta-feira, 25. São programas de gaveta, gravados antes de o apresentador sair de férias. Segundo o colunista Flavio Ricco, quando Gugu retornar, seu programa passará a ser apresentado ao vivo dos estúdios da Record TV na Barra Funda, deixando a GGP, produtora do apresentador. Ou seja, Gugu deixará de ser o produtor de sua própria atração e voltará a trabalhar na Record como artista contratado da emissora.

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André Santana

sábado, 21 de janeiro de 2017

"Dois Irmãos": mais uma grande produção de início de ano da Globo

No ano de 2007, o diretor Luiz Fernando Carvalho recebeu carta branca da direção da Globo para tocar sua mais nova criação, o Projeto Quadrante. O projeto nasceu após o sucesso de Hoje É Dia de Maria, e foi idealizado para mostrar a diversidade cultural do país, a partir da adaptação de obras literárias nacionais filmadas na região onde se passa a história original, com a participação de elenco e mão de obra locais. As obras a serem adaptadas eram A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna; Dom Casmurro, de Machado de Assis; Dois Irmãos, de Milton Hatoum; e Dançar Tango em Porto Alegre, de Sérgio Faraco.

A Pedra do Reino, em cinco capítulos, foi ao ar ainda no ano de 2007 e considerada um fiasco de audiência. Acusada de ser excessivamente hermética, a adaptação da história de Ariano Suassuna amargou o terceiro lugar no Ibope à época. Praticamente “esquecida”, A Pedra do Reino revelou ao Brasil Irandhir Santos, ator que viria a ser destaque em outras produções do diretor anos depois. No final de 2008, o Projeto Quadrante teve sequência com Capitu, adaptação de Dom Casmurro. Desta vez, a trama foi mais compreensível, mas Carvalho não abriu mão de sua assinatura que flerta com o teatro, com o barroco e o artesanal, praticamente toda gravada dentro de um teatro e em formato de ópera. Chamou a atenção o texto, cuja adaptação de Euclydes Marinho manteve trechos intactos de Dom Casmurro. A produção revelou Letícia Persiles, que dividiu com Maria Fernanda Cândido o papel-título. A trilha sonora fez sucesso, na qual se destacou Beyrut e seu “Elephant Gun”.

Depois disso, porém, a emissora interrompeu o Quadrante, e Luiz Fernando Carvalho se dedicou a outros trabalhos experimentais na televisão. Minisséries como Afinal, o que Querem as Mulheres? e Suburbia deixaram claro que o diretor seguia firme na intenção de trazer novidades à televisão, experimentando novas texturas, nuances, takes e acabamentos, além de levar seu elenco a uma imersão capaz de nivelar todas as atuações. Logo depois, recebeu o sinal verde para levar o seu estilo único para as novelas, e vieram Meu Pedacinho de Chão e Velho Chico, tramas que levaram Luiz Fernando Carvalho a retomar a parceria com o autor Benedito Ruy Barbosa, de quem dirigiu os clássicos Renascer e O Rei do Gado, além de Esperança.

Foram tantas as idas e vindas que não se esperava que o Quadrante fosse retomado. A emissora não mais trabalha com este nome, mas a estreia de Dois Irmãos, baseada na obra de Milton Hatoum, mostra que a proposta do diretor de mostrar a diversidade cultural do país foi mantida. Com cenas gravadas no Amazonas, Dois Irmãos levou Manaus para todo o Brasil, ao narrar a rivalidade de dois irmãos gêmeos, Omar e Yaqub.

Sem o hermetismo de A Pedra do Reino e sem as concessões “rap operísticas” de Capitu, Dois Irmãos manteve intacta a assinatura de Luiz Fernando Carvalho, mas se mostrou mais acessível que as produções anteriores. Diminuiu-se o tom lúdico e os figurinos excessivamente exóticos e aumentou o pé na realidade, visto na constituição da Manaus entre os anos 1920 e 1980, traduzida em belos cenários e fotografia deslumbrante. O tom barroco permaneceu, mas dialogou perfeitamente com a época e a trama em si. Com isso, não afugentou o público um tanto avesso às novidades, e sem precisar abrir mão da qualidade para isso. Não há dúvidas de que Dois Irmãos foi uma obra de arte na TV.

Deixando a plástica sempre eficiente da equipe de Luiz Fernando Carvalho de lado, Dois Irmãos também teve o mérito do texto afiado. A trama, adaptação de Maria Camargo da obra de Milton Hatoum, foi intensa, inquietante, cheia de elementos capazes de fisgar o público. A saga dos gêmeos Omar e Yaqub (vividos por Matheus Abreu e Cauã Reymond) traduziu a eterna luta do bem e do mal e a dicotomia das relações humanas. Trata-se de uma saga bíblica, desde Caim e Abel, colocando irmãos em pontos opostos, vértices de uma disputa eterna. Aqui, a distância entre Omar e Yaqub pode ter sido construída ainda na infância, com a escolha meio inexplicável da mãe entre um e outro. Zana (Gabriella Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini) cuidou de Omar, o protegeu e o escolheu para ficar ao seu lado quando precisou separar os irmãos, mandando Yaqub para o Líbano. O tempo e a distância, no entanto, não fizeram diminuir a rivalidade entre ambos, muito pelo contrário, gerando novos conflitos e tragédias. Ou seja, um drama familiar e humano cheio de camadas, e é impossível o público ficar indiferente.

Há quem acuse Dois Irmãos de ser lenta, arrastada ou enfadonha. Concordo com o “lenta”, mas discordo veementemente do “arrastada” e “enfadonha”. Dois Irmãos andou ao seu próprio ritmo, com pausas e sinalizações herdadas da literatura, mas que destoam do ritmo veloz da TV de hoje, daí a estranheza. No entanto, tais pausas e contemplações foram fundamentais para que o público criasse seus laços com os personagens e as situações, compreendendo seus movimentos. Neste contexto, Dois Irmãos manda um recado claro para a audiência: não importa se o ritmo é lento ou veloz, desde que haja uma história e um motivo claro para determinar qual o melhor tom da velocidade. Precisamos ir além da atual máxima que prega que apenas obras com ritmo de YouTube fazem sucesso nos dias de hoje. A boa audiência de Dois Irmãos prova que isso não é uma verdade absoluta.

Isso sem falar no incrível trabalho dos atores, sendo impossível apontar quem foi melhor. Antonio Fagundes (Halim), Eliane Giardini (Zana), Juliana Paes (Zana), Irandhir Santos (Nael), Antonio Calonni (Halim), todos tão plenos, viscerais e entregues ao enredo e donos de grandes momentos. O jovem Matheus Abreu foi uma grata revelação. E Cauã Reymond, mesmo com uma imagem um tanto saturada depois de tantos trabalhos seguidos, mostrou seu melhor momento na TV. Omar e Yaqub eram distintos, e o trabalho do ator deixou isso bem claro ao público.

Dois Irmãos, assim, encerra sua trajetória em meio a muitos e merecidos aplausos. Foi uma bela minissérie, que abriu a programação 2017 da Globo com chave de ouro.

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André Santana

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

News: "Porta dos Fundos – Contrato Vitalício" estreia no Telecine

Primeiro longa-metragem do popular coletivo de humor, Porta dos Fundos - Contrato Vitalício chega no sábado, 21 de janeiro, ao Telecine Premium e ao Telecine Play. Estrelada por Gregório Duvivier e Fabio Porchat, a comédia tem no elenco toda a turma de humoristas que fez o canal no YouTube homônimo ser apontado, segundo recente pesquisa, como o mais influente do mundo.

Na história, o diretor Miguel (Gregório Duvivier) e o ator Rodrigo (Fabio Porchat) são premiados em um importante festival de cinema. Melhores amigos, os dois, na empolgação da comemoração, depois de muitos drinques, assinam um contrato em que prometem trabalhar juntos para sempre. Na mesma noite, Miguel desaparece sem deixar vestígios. Dez anos depois, Rodrigo volta ao evento, desta vez como jurado, e, ao entrar no quarto do hotel, dá de cara com Miguel, agora barbudo e de cabelos longos. Ele então revela que foi abduzido por seres alienígenas e levado ao centro da Terra, onde presenciou uma rebelião de escravos e quer contar essa história em um filme.

Porta dos Fundos – Contrato Vitalício estreia dia 21/1, sábado, às 22h, no Telecine Premium e dia 22/1, domingo, às 20h, no Telecine Pipoca.

Fale com o TELE-VISÃO:

E-mail: andresantv@yahoo.com.br




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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Silvio Santos ataca novamente e "Fofocando" muda de novo

Silvio Santos anda impossível! O dono do SBT segue de férias nos EUA, mas a cabeça dele ainda está na Anhanguera, sempre matutando a grade de sua emissora e ordenando novas mudanças. A nova ordem do “patrão” recai, novamente, sobre o Fofocando, que mal esquentou a cadeira na grade matinal e já está voltando para as tardes do SBT. E a mudança não será apenas o horário: a atração terá uma baixa no elenco, uma nova aquisição e, de quebra, um novo nome. Sim, Fofocando agora vai se chamar Fofocalizando (!).

O “novo” Fofocalizando começa na próxima segunda-feira, 23, às 14h45, logo depois do Clube do Chaves. Com a mudança, Casos de Família passa para às 15h45, seguido das novelas mexicanas Rubi, Querida Inimiga e A Gata, que entrega direto para o SBT Brasil (exceto nas praças onde há jornal local, onde A Gata termina mais cedo). Além do novo nome e do novo horário, o programa ganha o reforço de Décio Piccinini, jornalista com experiência na cobertura do universo das celebridades. Décio, atualmente jurado do Programa Silvio Santos e Programa do Ratinho, além de apresentar o programa É 10 na Rede Brasil, já tem experiência em programa de fofocas no SBT. Ele apresentou, ao lado de Silvia Abravanel, o lendário Programa Cor de Rosa, cópia do TV Fama que Silvio Santos inventou em 2004. A atração teve vida curta, ao contrário do Fofocando, ou melhor, Fofocalizando.

Com a chegada de Décio, quem se despede do Fofocando, ops, Fofocalizando é o chato Homem do Saco. Seu intérprete, Dudu Camargo, seguirá se dedicando ao bloco matinal do SBT Notícias, onde é campeão de vergonha alheia ao fazer dancinhas. SBT Notícias que, aliás, vai ganhar mais meia hora com a saída do Fofocando da grade matinal, e ficará no ar até 8h30. Enquanto isso, Mara Maravilha, Leão Lobo, Mamma Bruschetta e Léo Dias seguem no programa de fofoca.

Com as novas mudanças, Silvio Santos sinaliza que não vai desistir do Fofocando/Fofocalizando tão cedo. Como se sabe, o programa foi criado por ele, que formatou e contratou o elenco a toque de caixa. As constantes mudanças de horário foram vãs tentativas de melhorar o Ibope do programa, que nunca foi lá essas coisas. Agora, espera-se que o Fofocalizando seja beneficiado com a boa audiência do Clube do Chaves, que, até segunda ordem, seguirá na faixa das 13h45. Resta saber se a audiência do Chaves ficará no Fofocalizando, ou se o programa derrubará os índices e entregará mal para Christina Rocha e seu Casos de Família. Vale lembrar que o Fofocando, quando era exibido antes do Casos de Família, derrubava a audiência do programa de Christina Rocha, que cresceu quando Leão Lobo e cia mudaram para as manhãs.

A impressão que fica é que o público do SBT realmente não está interessado num programa de fofocas, seja ele de manhã ou de tarde. Outras tentativas no segmento, como o já citado Programa Cor de Rosa, além do Falando Francamente, não emplacaram. O Olha Você, que não era todo de fofoca, mas era uma revista de jornalismo com variedades, também não foi longe. Ou seja, por mais que Silvio Santos brinque de “escravos de Jô” com o programa, mudando-o de horário trocentas vezes, é muito pouco provável que ele consiga ir além do que já alcançou. Fora que mudar de horário o tempo todo não ajuda em nada o programa se estabelecer.

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André Santana

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Globo veta "Barba Azul" e Antônio Calmon segue na geladeira

Antônio Calmon foi um dos principais autores de novelas da Globo entre as décadas de 1980 e 2000. São dele novelas que marcaram época, como Top Model, Vamp, Cara & Coroa, Um Anjo Caiu do Céu e O Beijo do Vampiro. Além disso, Calmon também criou e/ou colaborou com diversas séries e minisséries que também marcaram a televisão, como Armação Ilimitada, A, E, I, O, Urca, Sex Appeal, A Justiceira e Mulher. No entanto, logo após assinar a série Na Forma da Lei, de 2010, o novelista vem encarando uma fria e inóspita geladeira na emissora. Geladeira que quase chegou ao fim, com a aprovação da sinopse de Barba Azul, novela que estrearia na faixa das sete em 2018. No entanto, a trama foi reprovada após a entrega dos primeiros capítulos.

Com isso, não será desta vez que Antônio Calmon regressará ao horário das sete, faixa onde chegou a ser um dos principais autores, ao lado de Carlos Lombardi (hoje na Record). E sempre fica a dúvida: estaria o autor em baixa após o insucesso de suas últimas novelas? Começar de Novo, que escreveu em parceria com Elizabeth Jhin no ano de 2004, e Três Irmãs, de 2009, foram consideradas fiascos de público e crítica. E a série Na Forma da Lei, seu último trabalho como autor em televisão, também não convenceu muito. Situação complicada para um autor com boas produções no currículo.

Segundo o site Notícias da TV, Barba Azul teria tido sua sinopse aprovada pela Direção de Teledramaturgia Diária da Globo (leia-se Silvio de Abreu), mas seu desenvolvimento nos primeiros capítulos teria desagradado, daí seu cancelamento. Com isso, uma história de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, chamada provisoriamente de Anos Incríveis, que substituiria Barba Azul, acabou tendo sua produção adiantada, e agora entrará no lugar de Pega Ladrão, que será a sucessora de Rock Story. E isso, parece, está se tornando uma prática cada vez mais comum desde que Silvio de Abreu passou a responder pelas novelas da emissora.

Vale recapitular: na faixa das nove, os parcos desempenhos de Babilônia e A Regra do Jogo levou o diretor a adiar A Lei do Amor e “promover” Velho Chico, inicialmente pensada para o horário das seis. Recentemente, O Homem Errado, que marcaria a estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário das nove, também acabou cancelada e, com isso, Walcyr Carrasco foi escalado para a fila dos autores da faixa. No horário das onze também houve mudanças: Jogo da Memória, de Licia Manzo, acabou remanejada com formato de minissérie para 2018 e, em seu lugar, entrou Os Dias Eram Assim, de Angela Chaves e Alessandra Poggi, que anteriormente seria uma novela das seis, a entrar depois de Novo Mundo que, por sua vez, substituirá Sol Nascente. Com a saída de Os Dias Eram Assim da fila das seis, a novela Amor e Morte, de Alcides Nogueira, teve sua produção adiantada. E ainda propuseram um desafio ao autor: como Amor e Morte se passaria em época semelhante à Novo Mundo, Nogueira terá de passar sua trama para os anos 1920, o que acarretará uma série de mudanças.

No ano passado, o TELE-VISÃO chegou a publicar um texto comentando a organização das filas de novelas da Globo, todas com tramas enfileiradas até 2019. No entanto, passado um tempo, percebe-se que tal fila não era assim tão segura, e, pelo jeito, ainda está sujeita a muitas mudanças. O lado bom é que esta estrutura tão antecipada permite com que trocas, cancelamentos e adiamentos se tornem possíveis, de acordo com a estratégia do canal. Mas a impressão que tantas notícias de mudanças causam é de indecisão, como se estivessem “chutando” uma grade. Mas vale lembrar sempre que, por mais que o horário das nove esteja passando por uma de suas piores crises, nos demais horários a emissora vem acertando com muita regularidade, incluindo aí Malhação.

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André Santana

sábado, 14 de janeiro de 2017

Férias na TV: Record faz testes, enquanto SBT "enlouquece"

Foi-se o tempo em que férias na TV era sinônimo de reprises e enlatados aos baldes. Não que eles não existam, mas o espaço para repetecos diminuiu consideravelmente. As principais emissoras abertas costumam aproveitar o período em que muitas de suas produções descansam para buscar coisas novas e fazer testes. A Globo já faz isso há anos, com minisséries, atrações de temporada e o famigerado Big Brother Brasil. Agora, o sistema das férias atingiu também os programas de entretenimento diários. Mais Você e Encontro com Fátima Bernardes seguem ao vivo, mesmo com as férias das titulares: Cissa Guimarães faz as vezes de Ana Maria Braga, enquanto Ana Furtado se junta ao elenco do Encontro. E Record e SBT também entraram nesta onda, cada qual ao seu modo.

Nos últimos anos, a Record passou a beber da cartilha da Globo e aproveita as férias de seus programas da linha de shows para oferecer novos produtos de sua teledramaturgia. No ano passado, o canal exibiu a segunda temporada de Conselho Tutelar, em cinco capítulos. Já neste início de 2017, a aposta foi na série de aventura Sem Volta, com 13 episódios. A atração traz uma boa ideia e injeta alguma novidade na emissora. Mas ainda sofre com o vício da telenovela, sobretudo nos closes exagerados e na trilha sonora incessante. Por isso mesmo, tem desempenho mediano no Ibope, deixando a Record em terceiro lugar. Mas é uma boa experiência no formato, o que é sempre válido.

Na grade diária, a Record também aposta em apresentador substituto. Aliás, o canal já fazia isso antes da Globo. Desde que o Hoje Em Dia estreou, o matinal tem seus apresentadores substitutos que cobrem as férias dos titulares. Neste início de 2017, a direção da emissora resolveu aproveitar as férias de César Filho para testar o ator Sérgio Marone, que há tempos vem pedindo uma chance de se tornar um apresentador. Entretanto, até aqui, o ator mostra que não tem lá muito traquejo para a coisa. Se no especial de fim de ano Família Record ele acabou “engolido” por Camila Rodrigues, muito mais à vontade que ele na função, no Hoje Em Dia Marone surge totalmente robótico. Mas a culpa não é toda dele. Foi um erro da emissora escalar um ator que almeja ser apresentador para um programa no qual sua principal função é chamar notícias. Um jornalista ou repórter da casa faria isso muito melhor que Marone.

Enquanto isso, no SBT, reprises ainda podem ser vistas, como no Programa do Ratinho, por exemplo. Um erro. Melhor seria se a atração tivesse deixado episódios de gaveta. Mas o canal também recorreu a apresentadores substitutos, no matinal Bom Dia e Cia. Matheus Ueta e Ana Julia cobrem as férias de Silvia Abravanel (e com muito mais competência que ela, diga-se). A atração infantil ganha força no período de férias escolares, afinal, o SBT é a única grande rede a manter uma programação para crianças na faixa matinal. E também serve de alavanca para a principal “novidade” da emissora nestas férias, o Clube do Chaves. Entrando na vaga do malfadado Fofocando, a atração que “requenta” episódios clássicos de Chaves e Chapolin, e de vez em quando apresenta esquetes de outros personagens de Roberto Gomez Bolaños, já dobrou a audiência da emissora no horário, chegando a encostar na Record e seu “inabalável” Balanço Geral.

No entanto, Clube do Chaves estreou em meio a momentos de pura instabilidade no SBT. Silvio Santos, mesmo em férias nos EUA, não se cansa de enviar ordens de mudanças na grade a todo o momento. Logo na última semana do ano, a emissora tratou de anunciar a extinção de seu mais antigo noticiário, o Jornal do SBT, exibido após o The Noite. Também tratou de extinguir o Primeiro Impacto, jornal exibido pelas manhãs. Os dois foram “absorvidos” pelo SBT Notícias, que ganhou mais tempo de exibição na madrugada toda, começando após o programa de Danilo Gentili, e sendo encerrado às 8h do dia seguinte, entregando para o… Fofocando! Sim, a atração de fofocas criada a toque de caixa para tentar conter o Balanço Geral acabou perdendo meia hora e se escondeu no início da manhã, onde segue com dificuldades para emplacar. Deve ser extinto em breve.

Como se não bastasse todas estas “novidades” em plenas férias, o SBT dá sinais de que esta inquietude toda está longe do fim. No começo desta semana, a emissora anunciou que o Primeiro Impacto, com apresentação do adolescente Dudu Camargo, voltaria ao ar nesta quarta-feira, dia 11, das 13h45 às 14h45, extinguindo o Clube do Chaves. No entanto, pouco tempo depois, o canal voltou atrás e avisou que a estreia do Primeiro Impacto estava cancelada, e que uma nova data seria anunciada mais adiante. Segundo diversos sites de notícia, Silvio Santos teria visto o piloto feito às pressas de sua nova ideia e não teria gostado, vetando a estreia e mantendo, por enquanto, o Clube do Chaves no ar.

O que se percebe com esta história toda é que a liderança do Balanço Geral SP da Record na hora do almoço está tirando o sono de Silvio Santos. O Fofocando já foi criado às pressas na tentativa de conter o quadro A Hora da Venenosa, de fofocas, que encerra o noticiário da Record. Não deu certo (claro!), e acabou jogado para as manhãs. Clube do Chaves entrou no ar e fez a audiência subir, mas, ao que tudo indica, Silvio Santos não vai sossegar enquanto não encontrar um produto semelhante capaz de fazer frente ao programa da Record. Este novo Primeiro Impacto que ele ainda pretende lançar nada mais seria que uma resposta ao Balanço Geral, com um apresentador “engraçadinho”, notícias populares e até um quadro de fofocas, com o colunista Léo Dias no papel que Fabíola Reipert exerce na Record. O site Notícias da TV, inclusive, noticiou nesta semana que Silvio Santos teria sondado quanto ganham e que acordo teriam Reinaldo Gottino, Renato Lombardi e Fabíola Reipert, o trio do Balanço Geral, na emissora concorrente.

O problema aqui é que Silvio Santos parece ter perdido de vista o fato de que o SBT sempre se dá melhor quando oferece uma contra programação. Tentar vencer a Record com as mesmas armas nunca deu certo, e não vai ser agora que vai funcionar. O sucesso do Clube do Chaves é uma prova disso: enquanto a concorrente oferece notícias e tragédias, o SBT ataca no entretenimento puro e encontra boa resposta de seu público. Além disso, quando tenta usar das mesmas armas, o SBT acaba usando errado. O Fofocando já se deu mal por isso. Este novo Primeiro Impacto pretende imitar o Balanço Geral, mas sem a força deste último. Afinal, a estrutura do jornalismo da Record é muito maior do que a do SBT, e fatalmente a atração de Silvio Santos sobreviveria de material de outros jornais. Além disso, Dudu Camargo é apenas um jovem começando, sem a mesma tarimba de Reinaldo Gottino. E se acontecer uma grande cobertura ao vivo no horário, Dudu dará conta de segurar o rojão? Gottino, sabemos que sim. Ou seja, este novo Primeiro Impacto seria um “primo pobre” do Balanço Geral.

Como se vê, 2017 começou agitado na televisão brasileira. Aguardemos os próximos capítulos!

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André Santana

TELE-VISÃO 2017 começa hoje! E de casa nova!


Hoje, sábado, 14 de janeiro de 2017, começa uma nova fase aqui no TELE-VISÃO. Não que haverá grandes mudanças na estrutura do espaço. O blog segue repercutindo e comentando as principais notícias do universo televisivo, e analisando as estreias e novidades da TV brasileira, com atualizações normalmente às terças, quintas e sábados. A novidade é que, após 11 anos no UOL, utilizando o zip . net, agora estamos de endereço novo. Somos TELE-VISÃO.com!

Não é fácil mudar. A ideia de partir para um endereço próprio é antiga, mas demorou a tomar forma. Isso porque a parceria com o UOL sempre foi muito boa e importante. Desde 2007, o TELE-VISÃO ganhou um espaço interessante graças às presenças no UOL Televisão, UOL Entretenimento, UOL Blogs Legais e UOL Blogs Legais Convidados, que fizeram o número de visitantes do espaço aumentar consideravelmente. Neste meio-tempo, vários dos posts do TELE-VISÃO ganharam destaque na home do UOL e na home do UOL Blog, alcançando excelente repercussão na internet. Isso foi fundamental para o crescimento do TELE-VISÃO. Por isso, agradeço de todo coração ao UOL por todos estes anos de parceria vitoriosa, que só fez agregar valor a este blog que nasceu tão despretensioso.

Mas mudar foi preciso! Não é de hoje que os leitores fiéis do blog reivindicavam uma maior presença do TELE-VISÃO nas redes sociais, com ferramentas de compartilhamento e outras facilidades. A reformulação visual do blog realizada no ano passado buscava justamente isso, deixar o TELE-VISÃO mais moderno e antenado com as novas ferramentas da web. No entanto, o sistema do zip .net não era atualizado há muito tempo, e quebramos a cabeça para tentar solucionar os problemas que encontrávamos quando tentamos mudar. Por isso mesmo, tornou-se necessário buscar outras alternativas. Desta necessidade, nasceu o TELE-VISÃO.com, inaugurado oficialmente no dia de hoje. Agora, todos os posts podem ser compartilhados com um único clique, e em qualquer rede social. E todos os comentários continuarão sendo respondidos, aumentando a interatividade e o diálogo entre mim, este pequeno e cabeçudo jornalista que vos escreve, e você, leitor fiel.

Sendo assim, sejam muito bem-vindos ao novo TELE-VISÃO! Que é novo apenas no endereço, mas segue com a velha vontade de compartilhar ideias sobre a nossa amada televisão brasileira! Feliz 2017 a todos nós!


André Santana

sábado, 7 de janeiro de 2017

Top 10 de 2016 – Destaques Positivos

Para não dizer que não falei de flores, vamos lá citar os 10 melhores momentos da televisão brasileira em 2016. Lembrando sempre que a lista é elaborada baseada unicamente na opinião deste que vos escreve e, por isso mesmo, sujeita a injustiças e esquecimentos. A lista não é numerada, pois a ordem em que aparecem não é importante. Vamos falar sobre os Destaques Positivos da TV em 2016?

- “Velho Chico”

A melhor novela do ano, na minha humilde opinião, dividiu opiniões (perdão pela repetição). O retorno da dupla Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho ao horário mais nobre da Globo teve seus problemas, é verdade. Após uma primeira fase brilhante, Velho Chico derrapou no segundo tempo. Felizmente, soube se recuperar com uma trama simples e que, aos poucos, foi dizendo a que veio. O romance rural de tom lúdico valeu pelo texto impecável, que tratava de temas como coronelismo, agricultura sustentável e crise política, fazendo da fictícia Grotas de São Francisco um microcosmo do Brasil. Destaque para as belas atuações de Rodrigo Santoro, Antonio Fagundes (que soube recuperar a credibilidade do seu Coronel Saruê ao longo da trama), Christiane Torloni, Selma Egrei, Luci Alves e o saudoso Domingos Montagner.

- “Escrava Mãe”

Em 2016, a Record atirou no que viu e acertou no que não viu. Apostou fundo nas tramas bíblicas e se viu obrigada a criar uma nova faixa de novelas para abrigar Escrava Mãe, que, a princípio, substituiria Os Dez Mandamentos. E, mesmo correndo todos os riscos de levar ao ar uma trama já totalmente gravada, a emissora colheu bons frutos ao apostar, também, na faixa das 19h30. Escrava Mãe acabou se tornando sua melhor novela neste ano, com uma produção caprichada, elenco muito bem escalado e um texto redondo que ofereceu o melhor do folhetim. Novelão da melhor qualidade.

- “Justiça”

Num ano em que a Globo se destacou na produção de boas séries com uma “pegada” diferente, como Nada Será Como Antes e Supermax, Justiça se destacou pelo conjunto da obra. Uma trama interessante e muito bem entrelaçada, um elenco estelar e competentíssimo e, ainda, uma direção arrojada de José Luiz Villamarim, Justiça consagrou Manuela Dias como o novo nome dentre os roteiristas da Globo. Também responsável pela bela Ligações Perigosas, Manuela mostrou-se uma autora de mão cheia, dona de um texto maduro e que buscou sair do lugar-comum. E Justiça foi uma das poucas unanimidades do ano, merecidamente.

- “Liberdade Liberdade”

Num ano em que os principais sucessos de audiência foram novelas de textos medianos, como Eta Mundo Bom!, Totalmente Demais e Haja Coração (que foram boas e divertiram, sim, mas não trouxeram nada de novo), Liberdade Liberdade se destacou no horário das onze com uma trama histórica bem armada. A novela de Mário Teixeira foi feliz ao narrar a saga da filha de Tiradentes, trazendo um pano de fundo histórico para uma temática que se mostrou bastante atual. 2016, sem dúvidas, foi um ano bastante propício para a exibição de Liberdade Liberdade. Fez todo o sentido.

- “Programa do Porchat”

A grande estreia da Record em 2016. A emissora optou por entrar nesta onda de talk shows na madrugada e apostou no talento do joven Fabio Porchat, escolha mais do que acertada. O formato é o mesmo dos similares, mas tem na presença de Porchat o seu diferencial. Divertido, irreverente, rápido e carismático, Porchat comanda seu programa com grande presença, e seus bate-papos sempre arrancam boas risadas. Ao contrário de uns e outros, o comediante não costuma constranger e nem atacar ninguém, mas nem por isso deixa de ser ácido e esperto. Qualidade rara.

- “Programa do Jô”

Após uns anos sem grandes novidades, Jô Soares fez a última temporada de seu Programa do Jô com um vigor impressionante. Talvez para fechar este ciclo com chave de ouro, sua produção não economizou nos convidados e nas atrações. Sempre em ritmo de despedida, Jô recebeu grandes personalidades e fez entrevistas antológicas, com destaque para Fausto Silva, Roberto Carlos e Ziraldo, seu último convidado, que transformou o episódio final do Programa do Jô numa grande homenagem ao multiartista. Programa do Jô saiu de cena por cima, mostrando porque ainda era o melhor talk show da televisão brasileira, e fará uma falta danada.

- “MasterChef Profissionais”

Se a versão com crianças não foi lá estas coisas em 2015, o MasterChef Profissionais relevou-se um grande acerto da Band. O programa manteve as características vitoriosas da franquia, com boas provas e as presenças sempre marcantes do trio Paola Carrosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, além da apresentadora Ana Paula Padrão. Mas ganhou um “tômpero” especial com seus participantes, todos chefs profissionais, o que dava uma dimensão ainda maior a cada erro ou falha do concorrente. Mesmo que a Band ainda use e abuse da franquia, o fato é que MasterChef Profissionais garantiu uma interessante sobrevida ao programa.

- Realities do SBT

O SBT acertou em cheio ao destinar as noites de sábado aos reality shows. A emissora teve bons momentos com a exibição do Esquadrão da Moda, às 20h30, e foi feliz em manter os programas de culinária às 21h30. Bake Off Brasil – Mão na Massa teve uma ótima segunda temporada, e Hell’s Kitchen – Cozinha Sob Pressão melhorou, e muito, com a entrada de Danielle Dahoui na apresentação. A nova chef sabe ser firme e dura quando o momento (e o formato) pede, mas também se mostrou doce e compreensiva diante de seus pupilos. Muito simpática e bastante segura na apresentação, a chef Danielle foi um achado do SBT!

- “Tamanho Família”

Em 2016, a Globo finalmente cumpriu a promessa de dar a Márcio Garcia o comando de um novo programa. Tamanho Família foi o resgate do bom e velho game show familiar, que já fez água em vários momentos na TV aberta, e que voltou à cena num momento bastante propício. Simples, divertido e com um apresentador bastante competente, Tamanho Família se mostrou uma excelente e divertida alternativa aos chororôs vistos nas tardes de domingo de praticamente todas as emissoras. Tudo bem que o próprio Tamanho Família também cumpria sua cota de lágrimas com as homenagens que encerravam os programas, mas não era nada muito apelativo. Que volte em 2017, e com uma temporada maior!

- “A Garota da Moto”

A série da Mixer em parceria com o SBT teve seus defeitos, como a trama batida e um núcleo de humor tolo. Mas também mostrou que é possível fazer a dramaturgia da TV aberta sair do lugar-comum, e ofereceu ao público do SBT um produto bem diferente das novelas infantojuvenis que a emissora produz tão bem. A Garota da Moto se destacou pela produção muito bem-feita, bons atores como Christianna Ubach e Daniela Escobar como protagonistas, e pela injeção de sangue novo na produção da TV aberta. E o resultado de audiência foi bastante satisfatório. Uma experiência superválida e que merece ser repetida.

E pra você, internauta? Quais os Destaques Positivos de 2016 na TV? Volto no sábado que vem, dia 14, com um TELE-VISÃO novinho em folha! Aguardem e confiem!

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André Santana