Ticker

6/recent/ticker-posts

Publicidade

De novo? SBT insiste no erro ao anunciar nova revista eletrônica

Regina Volpato, Michelle Barros e Paulo Mathias no Chega Mais
Regina Volpato, Michelle Barros e Paulo Mathias no extinto Chega Mais (divulgação)

Na última semana, o SBT realizou seu próprio upfront. Entretanto, o evento do canal foi mais dedicado mesmo a apresentar oportunidades comerciais aos anunciantes, e não necessariamente novos programas. Isso decepcionou o público acostumado ao upfront da Globo, que, nos últimos anos, vem fazendo um verdadeiro show para anunciar novos programas e novelas. Mas a proposta do SBT foi diferente.

Entre os poucos anúncios divulgados para a próxima temporada, o que mais chamou a atenção foi a confirmação de que o canal voltará a investir em uma nova revista eletrônica matinal. A decisão soa como uma verdadeira teimosia, ignorando completamente o histórico recente de fracassos retumbantes da casa nessa mesma faixa horária.

Continua depois da publicidade


Não rola

Afinal, não faz tanto tempo assim que o SBT tentou emplacar a mesma premissa com o Vem Pra Cá (2021-2022) e, mais recentemente, com o Chega Mais (2024). Ambas as atrações passaram pela programação sem deixar saudades, acumulando baixíssimos índices de audiência, sucessivas reformulações de formato e passagens melancólicas pela grade. Insistir pela terceira vez em um formato do gênero é a prova de que a cúpula da emissora continua sem enxergar onde reside a sua verdadeira vocação televisiva.

O grande equívoco do projeto começa pelo próprio DNA do canal. O SBT historicamente nunca teve vocação para o jornalismo matutino convencional ou para o modelo de revista eletrônica "cabeça", engessado em pautas frias de comportamento e culinária que funcionam em outras redes. O público que sintoniza no SBT ao longo das décadas busca calor humano, popularidade, descontração e, acima de tudo, programas quentes.

Para que uma atração matinal funcione de verdade na emissora de Silvio Santos, ela precisaria nascer radicalmente diferente. Teria de incorporar elementos que são a marca registrada da casa: auditório vivo, diversidade de temas populares, quadros de jogos dinâmicos e muita interatividade, fugindo do tom solene e burocrático que sepultou as tentativas anteriores.

Continua depois da publicidade


O programa precisa de um dono

Além disso, a insistência em escalar bancadas com vários apresentadores simultâneos constitui um erro crasso. O SBT é, por excelência, uma emissora de comunicadores natos e donos de palco. Nomes que marcam a história do canal, como Ratinho e Celso Portiolli, chamam o público porque são os donos de seus programas, imprimindo uma identidade forte, autoral e magnética que a audiência reconhece.

Um programa matinal de sucesso no SBT precisaria ser ancorado por um único nome de apelo popular, alguém com carisma suficiente para dar cara, voz e alma ao horário, em vez de um comitê de apresentadores dividindo espaço em um estúdio frio. Já estão falando de nomes como Felipeh Campos, Érica Reis e Marcão do Povo. Não, definitivamente não!

Enquanto a direção insistir em copiar fórmulas alheias que nada dialogam com a sua história, continuará batendo cabeça, colecionando estreias de curtíssima duração e desperdiçando o enorme potencial de seu público tradicional.

André Santana

27/10/2026

Postar um comentário

0 Comentários

Publicidade

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});