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| Belo, Anitta, Ana Clara e Junior no Estrelas da Casa (Beatriz Damy/Globo) |
Faz tempo que a Globo busca um programa que funcione como o “BBB do segundo semestre”. Ou seja, uma atração capaz de render assunto e faturamento alto durante mais uns três meses na programação. Durante um bom tempo, essa missão coube ao The Voice Brasil, que tem uma dinâmica bem diferente do BBB, mas que mostrou, durante um tempo, capacidade de garantir boa audiência, repercussão e cofrinho cheio.
Entretanto, além da competição musical que hoje pertence à Disney e ao SBT, a emissora dos Marinho testou outros formatos. Observando o enorme faturamento do MasterChef e similares, o canal tentou entrar na seara das competições culinárias com o Mestre do Sabor. Entretanto, o programa comandado por Claude Troisgros chegou atrasado no segmento e obteve alcance mediano. Teve apenas três temporadas, e a insistência deveu-se apenas ao bom retorno comercial.
Enquanto isso, a pandemia de Covid-19 fez a Globo perceber que reality show era um bom formato para driblar restrições e “desenterrou” o No Limite, sucesso no ano 2000. A competição de aventura parecia a aposta ideal para manter um interesse semelhante ao do BBB. Porém, na prática, não funcionou e a nova safra também contou apenas com três temporadas. Mais uma vez, a insistência justificou-se apenas por razões comerciais, já que o público nunca se empolgou de fato com a atração.
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O terceiro Estrelas da Casa
Assim, chegamos a 2024, ano em que a Globo decidiu abrir mão do The Voice Brasil e lançar um “formato próprio” de competição musical. Surgiu o Estrela da Casa, que nada mais era que uma estranha mistura entre música e BBB. Na prática, a atração - último suspiro de Boninho na emissora - replicava dinâmicas do Big Brother, mas com aspirantes a cantores.
Ninguém entendeu nada. Não se sabia se a gente devia torcer pelo melhor “jogador”, como no BBB, ou pela melhor voz, como no The Voice. A mistura, então, se mostrou sem propósito e Estrela da Casa passou em brancas nuvens. Não deu certo e só rendeu tomatadas do público e da crítica especializada.
De olho nas críticas, a Globo mudou tudo na segunda temporada, valorizando a música e descartando elementos de BBB no Estrela da Casa de 2025. O formato ficou parecido com o do Fama, competição musical que mesclava confinamento de aspirantes a cantores numa “academia”, ou seja, um espaço de aperfeiçoamento artístico. Assim, a atração mostrou um propósito mais bem definido, mas ainda longe de empolgar.
Diante disso, o canal voltou a fazer mudanças para lançar a terceira temporada da atração, agora rebatizada como Estrelas da Casa. A ideia do programa, agora, é lançar um conjunto musical, propósito parecido com o Popstars, do SBT, que, produzido entre 2002 e 2003, lançou os grupos Rouge e Br’Oz. Claramente, a Globo está de olho no engajamento que um grupo musical bem sucedido pode proporcionar.
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Esquisito
Nesta nova fase, Estrelas da Casa ainda não disse a que veio. O programa tem acertos, como a apresentadora Ana Clara Lima, cada vez mais à vontade e espirituosa diante das câmeras. Ana Clara, sem dúvida, é um achado da Globo e merece cada espaço que vem conquistando.
Outro acerto é a presença de Anitta, que atua como conselheira da temporada. A cantora mostrou que não tem papas na língua e é capaz de fazer críticas verdadeiramente intensas, algo que destoa neste tipo de formato. Lembra que os técnicos do The Voice achavam todo mundo ótimo? Pois é, isso não acontece aqui. Anitta fala mesmo, e este tempero deu um diferencial bem interessante.
Por outro lado, algumas escolhas são esquisitas. O formato do Estrelas da Casa, ao que parece, não pretende formar esse conjunto de maneira, digamos, “orgânica”. Juntar vozes e personalidades diferentes requer certa matemática, mas a dinâmica do programa pode não levar isso em consideração. Digo “pode” porque o programa ainda está no começo e pode surpreender. Vamos ver.
Além disso, a opção por tentar lançar um grupo de pagode é questionável. A gente até conhece conjuntos de vozes pop, como Rouge, ou as chamadas boys e girls bands internacionais. Mas um grupo de vozes de pagode? Normalmente, há bandas de pagode, com vocalistas, mas também instrumentistas. Será que a ideia vai vingar?
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Maldição da terceira temporada
Quando tentou resgatar o No Limite para fazer da competição de aventura seu “segundo BBB”, a Globo fez de tudo para emplacá-lo. Houveram pequenas mudanças da primeira para a segunda temporada, que não surtiram efeito. Com isso, o canal partiu para o tudo ou nada e fez uma terceira temporada bem diferente, mudando equipe, direção, apresentador e até a dinâmica de eliminação.
Para quem acompanhou, ficou claro que o No Limite melhorou. Porém, mesmo assim, o público não se empolgou e a Globo desistiu de vez do formato. Ao que parece, a emissora agora faz o mesmo com o Estrelas da Casa. São mudanças substanciais a cada temporada no intuito de fazer o formato pegar.
Visto os resultados de audiência da primeira semana, parece claro que não será desta vez que o Estrelas da Casa vai funcionar. Diante disso, considerando o histórico de Mestre do Sabor e No Limite, a atração de Ana Clara não deve escapar da maldição da terceira temporada. Já dá pra cravar que o programa não volta em 2027?
André Santana
30/08/2026

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