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| Rodrigo Bocardi (reprodução) |
Após muito insistir, o SBT finalmente colocará um fim no Aqui Agora, que sairá do ar logo após a Copa do Mundo. Para o seu lugar, na disputada faixa das 18h30, o canal anunciou o Boca TV, atração que marcará o retorno de Rodrigo Bocardi à TV aberta, em um projeto multiplataforma que migrou do ambiente digital.
A contratação de Bocardi, que estava fora do ar desde sua ruidosa saída da Globo, é um movimento de impacto. Mas, tirando o peso do nome do apresentador, a estratégia em si é mais um capítulo da teimosia crônica do SBT. A emissora está, textualmente, trocando seis por meia dúzia ao insistir em manter jornalismo de prestação de serviços e factual no horário mais ingrato da sua grade.
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Não dá certo
Mudar o nome do pacote e o rosto que comanda a bancada não altera a física da audiência. O SBT parece sofrer de amnésia corporativa ao ignorar que o telespectador daquele horário simplesmente rejeita esse tipo de formato na emissora.
Basta lembrar do Tá na Hora, lançado em 2024 com pompa para tentar morder o público policialesco e de trânsit. Porém, o programa nunca encontrou seu tom. Flutuou entre o popularesco forçado e o jornalismo sério, amargando derrotas consecutivas e provando que o público da Record (com o Cidade Alerta) e da Band (com o Brasil Urgente) já está fidelizado e não vai mudar de canal.
Depois disso, veio o próprio Aqui Agora, resgatado em julho do ano passado como o grande trunfo dos 44 anos da emissora. Porém, o icônico título não fez milagre. Nem mesmo as constantes reformulações na estrutura e a contratação bombástica de Geraldo Luís foram capazes de tirar o programa do limbo da baixa audiência. O público simplesmente não comprou a ideia.
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Agora vai?
A chegada do Boca TV traz uma roupagem moderna, com forte apelo digital e foco em problemas urbanos cotidianos, especialidade que Bocardi lapidou durante anos em São Paulo. A ideia, desta vez, é fazer um jornal de prestação de serviços, e não essencialmente policial.
Porém, com tantas apostas furadas já feitas, a nova atração já chega com desconfiança. Nos últimos anos, apenas as novelas mexicanas deram audiência expressiva no horário. Sendo assim, seria mais lógico voltar a apostar nos folhetins, que surgem como alternativa aos programas policiais da Record e do SBT.
Rodrigo Bocardi assume uma missão quase impossível. Se a direção da emissora acha que apenas um rosto global é suficiente para reescrever o histórico de fracassos da faixa, o tombo pós-Copa pode ser grande.
André Santana
02/06/2026

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