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Boninho transfigura Casa do Patrão e repete erros do passado

Boninho na Casa do Patrão
Boninho na Casa do Patrão (reprodução)

Vendido como a  “salvação da lavoura”, Casa do Patrão não disse a que veio até o momento. Com regras rígidas e uma postura professoral, Boninho prometeu um reality “raiz”,  mas a coisa não aconteceu. Bastou um mês de audiência gelada e repercussão nula para o castelo de cartas desabar. 

Com isso, o desespero bateu, o diretor voltou atrás e abriu a caixa de ferramentas de emergência. Liberou os adms, enfiou dinâmica de embate ao vivo com voto cara a cara e até despachou Sonia Abrão para dentro do confinamento em Itapecerica da Serra para tentar arrancar alguma faísca do elenco morno. O resultado? Uma colcha de retalhos constrangedora. 

Porém, não é a primeira vez que Boninho tenta trocar a roda com o carro andando para salvar uma criação sua do fiasco total. Em seus tempos de Globo, o diretor teve seus tropeços e também precisou modificar seus planos originais para tentar se levantar. Mas as mudanças não surtiram efeito.

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Fracassos anteriores

Se puxarmos pela memória recente e histórica da televisão, o histórico joga contra. Basta lembrar, por exemplo, do Tomara que Caia (2015), humorístico dominical que misturava teatro de improviso com votação por aplicativo.

O formato nasceu confuso. Percebendo a rejeição imediata, a direção começou a mexer nas regras toda semana, incluindo comediantes convidados às pressas e mudando a forma de interação do público. O programa virou uma bagunça inacreditável e saiu do ar cancelado e esquecido.

Outro programa que passou por transformações foi o Pipoca da Ivete (2022-2023). Ivete Sangalo é um dos maiores carismas do país, mas foi engolida por um formato engessado cheio de brincadeiras de gincana escolar que não conversavam com o domingo. Em vez de dar espaço para a espontaneidade da cantora, a direção liderada por Boninho inflou o programa de quadros novos, reformulou a estrutura na segunda temporada e desfigurou a atração antes de decretar seu fim definitivo pelo cansaço do público.

O que acontece hoje na Record com a Casa do Patrão é o mesmíssimo modus operandi. Ao se recusar a aceitar que a premissa de "patrão e empregado" não gerou conexão emocional, o diretor prefere retalhar o formato inteiro para tentar provar que ainda tem o controle do jogo. Só esqueceu de avisar o telespectador, que a essa altura, já mudou de canal.

André Santana

02/06/2026

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