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Tesoura em ação: O que o fracasso de Além do Tempo diz sobre o futuro das reprises na Globo

Paolla Oliveira como Melissa em Além do Tempo
Paolla Oliveira como Melissa em Além do Tempo (divulgação)

Não é segredo para ninguém que a faixa Edição Especial, exibida logo após o Jornal Hoje, consolidou-se como um dos acertos recentes da programação da TV Globo. Voltada para produções mais leves, geralmente das faixas das 18h e 19h, o horário vinha mantendo um público fiel e competitivo, afastando a sombra de A Hora da Venenosa, atração da Record que derrubou o Vídeo Show.

No entanto, a atual aposta da emissora no horário, a reprise de Além do Tempo (2015), acendeu um sinal de alerta nos bastidores do Projac. De acordo com informações do site NaTelinha, a Globo cansou de esperar uma reação e deu início a cortes drásticos na edição da trama escrita por Elizabeth Jhin. Na última segunda-feira, 25, o canal passou a tesoura em cerca de 30 minutos da novela, condensando dois capítulos originais em apenas um. A ideia é acelerar o ritmo da narrativa para tentar reter o público ou, no pior dos cenários, encurtar a permanência da produção no ar.

A saga espírita sobre reencarnação, protagonizada por Alinne Moraes (Lívia) e Rafael Cardoso (Felipe), estreou em abril substituindo Terra Nostra. Contudo, desde o fim da carona da reta final de sua antecessora, os índices despencaram. Conforme dados trazidos pelo NaTelinha, a trama chegou a amargar médias na casa dos 8 pontos na Grande São Paulo, uma queda de quase um terço do público desde a estreia, que havia registrado confortáveis 12,8 pontos.

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Reprise da reprise?

A recepção morna de Além do Tempo acaba jogando luz sobre uma discussão muito mais profunda sobre a estratégia de programação da emissora. Afinal, trata-se da primeira reprise da faixa de uma novela que nunca havia sido reprisada na TV Globo antes.

Até então, a Edição Especial vinha se sustentando em repetecos praticamente à prova de erros, escalando fenômenos já revisitados com êxito anteriormente, como O Cravo e a Rosa (2000), Chocolate com Pimenta (2003) e Mulheres de Areia (1993). 

Na teoria, a escolha por Além do Tempo fazia todo sentido. A novela foi um sucesso crítico em 2015, elogiada por sua virada histórica de 150 anos no tempo e pelo forte apelo do tema da espiritualidade, filão que costuma prender o público noveleiro, vide os êxitos históricos de A Viagem (1994) e Alma Gêmea (2005), recentemente reprisados novamente em Vale a Pena Ver de Novo. Na prática, porém, o telespectador do início da tarde parece preferir o conforto do humor pastelão e das tramas solares de época à densidade melodramática da primeira fase da obra de Jhin.

O chato é que o desempenho fraco de Além do Tempo pode abrir um triste precedente. Ao ver uma de suas narrativas mais refinadas e inéditas no campo das reprises naufragar a ponto de exigir cortes urgentes, a direção da Globo pode concluir que arriscar não compensa.

Ou seja, a situação atual pode sepultar de vez as chances de outras novelas injustiçadas ou menos óbvias ganharem uma nova oportunidade nas tardes da emissora. Com isso, da-lhe looping eterno de Walcyr Carrasco e reexibições de títulos ultra-saturados. Uma pena para quem gosta de diversidade na teledramaturgia.

André Santana

26/05/2026

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