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| Dita (Jeniffer Nascimento) e Candinho (Sergio Guizé) em Êta Mundo Melhor! (divulgação) |
Êta Mundo Melhor! chegou ao fim nesta sexta-feira, 13, após “incríveis” 220 capítulos. A trama de Walcyr Carrasco e Mauro Wilson conseguiu ser bem maior que sua “primeira parte”, Êta Mundo Bom!, sucesso de 2016 que já foi bem longa, com 190 episódios. Um feito e tanto, se considerarmos que Êta Mundo Melhor! ficou devendo em trama para sustentar tanto tempo no ar.
A novela deu sequência à história de Candinho (Sergio Guizé), gracioso personagem que fez um enorme sucesso há 10 anos. O tipo, aliás, é o grande trunfo da história, tendo em vista seu otimismo exacerbado que poderia torná-lo um chato. Mas, com um intérprete à altura e um texto adequado, Candinho se transformou num herói simpático.
Porém, nem mesmo o carisma do protagonista justifica a continuação de uma história que já havia sido adequadamente fechada em 2016. Ao “reabri-la”, Walcyr Carrasco e Mauro Wilson precisaram eliminar finais felizes, o que acabou resultando numa série de situações repetidas. O que prova que apostar em continuação de novela não é um bom negócio.
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Longa demais
Diante disso, Êta Mundo Melhor! resume bem os atuais problemas da teledramaturgia da Globo. A emissora, buscando economizar, tem apostado em novelas cada vez mais longas. Tramas que ultrapassam os 200 capítulos começa a se tornar regra no canal, o que é um problema.
Antes da trama das seis, Dona de Mim (2025) também alcançou essa marca. A novela de Rosane Svartman tinha uma história igualmente graciosa, mas não conseguiu driblar o cansaço após 218 capítulos. Vai na Fé (2023), sucesso anterior da autora, fechou com 179, o que já era considerado uma longa duração. Mas, com mais de 200 capítulos, a história simplesmente cansou. Garota do Momento (2025), antecessora de Êta Mundo Melhor!, teve 202 capítulos, também longa demais.
Êta Mundo Melhor! teve o mesmo problema. Com tanto tempo no ar, a novela girou em círculos. A própria história principal, de Candinho buscando o filho, se revelou frágil para tanto tempo. Afinal, chegou um momento em que o segredo estava escancarado, mas ainda assim a revelação aconteceu em meio a muita enrolação.
Infelizmente, esse problema deve continuar na Globo. A Nobreza do Amor, próximo cartaz das seis, tem previsão de 197 capítulos, mas já se fala em espichar a história. Às sete, Coração Acelerado também foi planejada para fechar com 197 capítulos, mas, provavelmente, será espichada em razão do atraso na definição de sua sucessora no horário. Quem Ama Cuida, que substituirá Três Graças, deve ter 211 capítulos. É muito.
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Cadê a originalidade?
Mas a longa duração das novelas não é o único problema da atual teledramaturgia da Globo. A emissora também peca pela terrível crise de criatividade, o que a faz recorrer a remakes e sequências de modo indiscriminado. Isso frustra o noveleiro que está ansioso por novidades.
Para o ano que vem, a “onda de continuações” deve chegar ao horário nobre, já que a continuação de Avenida Brasil (2012) deve substituir Quem Ama Cuida às 21h. João Emanuel Carneiro topou o desafio de criar uma nova história para Carminha (Adriana Esteves), mostrando ao público o que aconteceu com a vilã após voltar ao lixão de Mãe Lucinda (Vera Holtz). Não por acaso, a “primeira parte” da história já está confirmadíssima no Vale a Pena Ver de Novo no final do mês.
Continuar uma novela é um erro. Recentemente, a Globo apostou na sequência de Verdades Secretas (2015), mas Verdades Secretas 2 (2021) se revelou uma trama fraca, que ainda destruiu o excelente desfecho da obra original. O mesmo aconteceu com Êta Mundo Melhor!, que, de cara, “matou” as duas mocinhas da primeira novela, Filomena (Débora Nascimento) e Maria (Bianca Bin), além de desfazer a trajetória de redenção de personagens como Celso (Rainer Cadete) e Araújo (Flavio Tolezani).
A trajetória de Celso, aliás, é um bom exemplo do problema que é continuar uma novela. O personagem era um vilão na história original, mas se redimiu ao se apaixonar por Maria e teve um final feliz ao lado dela. Mas a sequência revelou que Celso se tornou um péssimo marido e voltou a enganar Candinho. Depois, ganhou um novo amor para se redimir de novo, Estela (Larissa Manoela). No final, Candinho perdoou o primo, afirmando que todos merecem uma segunda chance. O caso é que Celso já teve uma trocentas chances. O rapaz já provou que não é de confiança.
Para piorar, já há quem acredite que a história terá uma terceira parte. Será que o público terá a chance de acompanhar a terceira redenção de Celso?
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História original
Mas nem tudo foi ruim em Êta Mundo Melhor!. Um dos acertos foi a ideia de transformar Dita (Jeniffer Nascimento), uma coadjuvante apagada da trama original, na nova mocinha. A personagem teve uma bela trajetória ao sair do sítio e se tornar uma famosa cantora de rádio. Mostrou-se uma mocinha bem mais completa que Filó na trama original.
Estela, a “nova Maria”, também foi um acerto. E este caso ilustra bem que Êta Mundo Melhor! se deu bem justamente quando apresentou novos personagens. Estela foi uma boa mocinha, que revelou ao público uma Larissa Manoela amadurecida na telinha. Outra nova personagem que disse a que veio foi Margarida (Nívea Maria), que começou como dona da pensão e se transformou numa autora de novelas. O romance com Lucio (Tony Tornado) também agradou.
Aliás, foi uma ótima sacada a personagem homenagear Walcyr Carrasco ao adotar o pseudônimo Adamo Angel em sua noval carreira. O codinome, vale lembrar, foi usado pelo próprio Carrasco em Xica da Silva (1996), na Manchete. E Xica da Silva foi justamente o nome de uma das novelas escritas por Margarida na ficção. Muito bom!
Zulma (Heloisa Périssé) também foi uma vilã interessante. A própria Dita, mesmo vinda de Êta Mundo Bom!, pode ser considerada uma nova personagem, já que ganhou mais estofo, personalidade e uma trajetória ascendente. Ou seja, a novela ganhou muito com a maioria dos novos personagens. O que nos leva ao seguinte questionamento: não teria sido melhor apostar numa novela original de cara, mantendo apenas o “formato” de Êta Mundo Bom!? Vale lembrar que Walcyr Carrasco já fez isso muito bem em O Cravo e a Rosa (2000), Chocolate com Pimenta (2003), Alma Gêmea (2005) e a própria Êta Mundo Bom!, tramas distintas, mas que dialogam.
Com uma história original, mas mantendo o "espírito" destas tramas, o autor Mauro Wilson teria, inclusive, menos amarras, já que não precisaria ficar preso ao enredo e aos personagens que vieram da outra novela. Teria sido mais interessante.
André Santana
15/03/2026

1 Comentários
Eu apenas dei umas olhadas em ''Etâ mundo melhor !'' , mas de início deu para notar que, deveriam ter feito algo um pouco diferente, focando apenas no ''novo'' praticamente, por que creio que o maior erro foi ter reaberto tramas já fechadas da novela anterior, transformando personagens e interligando outros de forma extremamente forçada, seria mais interessante se focassem numa trama nova com ligações com a primeira, meio que partindo da idéia que foi ''Mar do Sertão'' e ''No Rancho fundo'', que são novelas interligadas, mas funcionaram por que uma não mexeu no que a outra terminou. E parece que querem dar uma terceira sequência as tramas de Candinho, que dessa vez poderiam explorar melhor a história, sem ''estragar'' a trama anterior.
ResponderExcluirOutra questão pertinente levantada , é a duração das tramas, principalmente na Globo, novelas beirando ou passando de 200 capítulos, já não são muito bem aceitas pelo público, que hoje em dia com o excesso de opções e a velocidade da informação, se cansa rapidamente se a trama começa a girar em círculos e se estende demais. Se nota que no passar das décadas, as novelas vem diminuindo a quantidade de capítulos, tanto que vê nas novelas mais modernas que o SBT exibe , vindas da Televisa, são bem mais curtas, coisa de 80 a 100 capítulos, e com conflitos sendo resolvidos de um capítulo pro outro. Além de que , o público de novela em sua maioria, principalmente da Globo, é um público mais clássico, que acompanhava novelas nos anos 90 e 2000 (nem digo dos anos 80 pra trás pq mesmo essas novelas acabam dando uma naufragada hj em dia e o público é mais reduzido). E busca tramas mais nesse estilo novela clássica. Porém já é um público acostumado com o ritmo mais moderno de velocidade, com menos tempo de atenção na tela.