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Com A Nobreza do Amor, Globo finalmente volta a se permitir ousar

Tonho (Ronald Sotto) e Alika (Duda Santos) em A Nobreza do Amor
Tonho (Ronald Sotto) e Alika (Duda Santos) em A Nobreza do Amor (divulgação)

A primeira semana de A Nobreza do Amor já deixa claro que estamos diante de uma aposta ousada da faixa das seis. Algo a ser celebrado, considerando que a Globo anda cada vez mais conservadora com suas produções, vide Êta Mundo Melhor!, uma tentativa de fazer algo a prova de erros que se revelou pouco inventiva e até entediante.

Logo de cara, é impossível não notar as semelhanças com Cordel Encantado, outro trabalho também ousado de Duca Rachid (com Thelma Guedes). Assim como na novela de 2011, há uma mistura entre realeza e Brasil profundo, entre o fantástico e o popular, entre tradições distintas que dialogam. 

A diferença é que, agora, a autora, acompanhada de Julio Fischer e Elísio Lopes Jr, expande esse universo ao trazer um reino africano como ponto de partida. A nova proposta amplia a proposta estética e cultural, mas também exige mais do espectador. Talvez por isso, a primeira semana tenha registrado índices de audiência abaixo do esperado.

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Estética impecável

E é justamente na estética que a novela mais brilha nesse início. A direção de Gustavo Fernandez merece destaque absoluto: a fotografia é deslumbrante, com paisagens bem exploradas, figurinos ricos e uma paleta de cores que valoriza tanto o núcleo africano quanto o brasileiro. Há um cuidado evidente em cada enquadramento, algo que eleva a produção a um nível acima da média da faixa.

No elenco, as atuações ajudam a sustentar o interesse. Duda Santos, que vem acumulando ótimas mocinhas, se destaca novamente com uma presença forte vivendo a princesa Alika, conseguindo transmitir emoção e carisma. Já Lázaro Ramos dominou a primeira semana como o vilão Jendal, entrega um trabalho consistente e cheio de nuances. Aliás, é bom ver Lázaro, acostumado a personagens cômicos, vivendo um tipo completamente diferente de outros em sua carreira televisiva.

Quanto à audiência inicial abaixo do esperado, é preciso relativizar. Não parece ser uma rejeição à qualidade da novela, mas sim um estranhamento diante da proposta. Uma história ambientada, em boa parte, em um reino africano foge do padrão mais tradicional das novelas das seis, que costumam apostar em cenários mais familiares ao público. Essa quebra de expectativa pode ter afastado parte dos espectadores nesse primeiro momento. Ainda mais se considerarmos que sua antecessora foi Êta Mundo Melhor!, uma trama bem mais palatável e acessível ao grande público.

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Potencial

Ainda assim, A Nobreza do Amor demonstra potencial claro. A narrativa é bem construída, os conflitos estão bem delineados e há uma expectativa num encontro mais efetivo entre os núcleos africano e brasileiro. Quando isso acontecer, a novela pode aproximar a trama do público e ampliar sua identificação.

Se mantiver o cuidado técnico e desenvolver bem suas conexões dramáticas, a novela tem tudo para repetir o caminho de outras produções que começaram tímidas, mas conquistaram o público com o tempo. Aqui, há história, há estética e há elenco. Falta apenas o público se permitir entrar nesse universo.

André Santana

21/03/2026

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