Ticker

6/recent/ticker-posts

Em temporada final, "Disney Cruj" virou série de aventura sem desfecho

Sputnik (Dhiego Kozievitch) e Guelé (Leonardo Monteiro) em cena de Disney Cruj
Sputnik (Dhiego Kozievitch) e Guelé (Leonardo Monteiro) em cena de Disney Cruj

O clássico Disney Club fez muito sucesso nos fins de tarde do SBT entre os anos de 1997 e 2000. Mas, a partir de 2001, a emissora realocou o programa nas manhãs de sábado e o rebatizou de Disney Cruj, dando início a uma fase obscura e pouco querida pelos fãs. Poucos sabiam, mas a ideia da direção do infantil era convertê-lo num seriado de aventura, mas o programa chegou ao fim com muitas perguntas sem resposta.

Ao se tornar Disney Cruj, o infantil deixou de acontecer apenas nas transmissões da TV Cruj e passou a contar com outros cenários e cenas externas. Foram introduzidos no enredo Paracleto (Ary França), um pasteleiro que sempre assistia à TV Cruj em seu trailer localizado numa pracinha, e Maya (Marisol Ribeiro), uma jovem que frequentava a pastelaria e se tornava interesse amoroso de Juca (Diego Ramiro).

A TV Cruj continuava, com Chiclé/Guelé (Leonardo Monteiro) assumindo a presidência do Comitê Revolucionário Ultrajovem e apresentando as transmissões com Pipoca (Daniela Lima). Já Caju e Maluca (Jussara Marques), já adolescentes, mal apareciam nas transmissões. Foi uma fase estranha, na qual a TRUB (Turma da Rua de Baixo), os “inimigos” do Cruj, tinham mais espaço no programa que o próprio Cruj.

Escondido nas manhãs de sábado, Disney Cruj não emplacou. O SBT e a Disney, então, contrataram o diretor Michael Ruman (diretor do filme de aventura Os Xeretas e da série São Paulo: 9mm) para mexer na atração. O profissional, então, analisou o programa e propôs uma grande mudança de rota: inserir uma trama de aventura que se estenderia por toda uma temporada. Ou seja, Disney Cruj se transformava numa espécie de seriado.

Em entrevista ao blog Opinião e Opção, o diretor explicou sua ideia. “Durante o ano de 2001, combinei com meus roteiristas que iríamos preservar um pouco do ‘espírito antigo’ das histórias, ou seja, beirar a comédia e ‘pastelão’ em alguns episódios, até que os personagens estivessem melhor assimilados pelos espectadores, nessa nova fase. Mas a partir da chegada do Sputnik (Dhiego Kozievitch), tudo iria mudar. Era hora de partir pra trama mais longa. Tudo estava planejado para 2002 ser o ano da ‘virada’ do Cruj. Paracleto era na verdade Otel Carap, figura misteriosa e parte da trama que envolvia Sputnik”, contou.

Sputnik foi o personagem inserido para dar um novo rumo a Guelé e iniciar uma trama de mistério. O garoto caiu do céu sem memória, e Guelé passou a escondê-lo em sua casa. Juntos, eles começavam a investigar a origem do garoto e faziam várias descobertas, como o fato de Paracleto ser, na verdade, Otel Carap, e seu trailer ser a passagem para túneis secretos.

Tudo isso levava a Agência, que tinha o objetivo de tirar o Cruj do ar. “Muitas histórias paralelas e muito mistério. De programa, o Cruj se tornou seriado, com aventura, dramas pessoais e conflitos, que permeavam as tramas paralelas”, revelou Michael Ruman. No final da temporada de 2002, o diretor inseriu ainda uma nova ideia: a “passagem de bastão” do Cruj.

Com os atores principais já adolescentes, o diretor teve a ideia de removê-los, aos poucos, das transmissões do Cruj e substitui-los por novas crianças. Mas eles seguiriam no programa, protagonizando a história de mistério. “Os ‘superultrajovens’ (novos apresentadores da TV Cruj) não seriam fixos e sempre teríamos como substituir, por um próprio ‘decreto’ que seria instituído pelo Caju... Isso manteria o Cruj sempre atualizado e os apresentadores sempre ultrajovens”, disse Ruman.

Na temporada seguinte, que já estava toda planejada, faríamos a gradual entrega do Cruj aos novos meninos e meninas e daríamos continuidade às aventuras, agora com Juca e sua turma voltando no tempo (…)”, completou, afirmando que já tinha toda a trama da temporada de 2003 planejada. No entanto, os planos ficaram pelo caminho, já que o Disney Cruj foi cancelado no final de 2002. O SBT vivia uma crise e extinguiu vários programas – o infantil foi um deles.

Assim, o Disney Cruj saiu de cena deixando pontas soltas, já que a trama começava a injetar um novo enredo, como o diário do menino Nuno (Lucas Hornos), que levaria a turma a viajar no tempo na temporada seguinte. Tudo isso ficou em aberto. 

Apesar da injeção de ânimo, a fase Disney Cruj é rejeitada por muitos fãs. Mas Michael Ruman defende sua “cria”. “Eu sei que existem pessoas que até hoje são radicalmente contra essas mudanças, mas elas foram necessárias ou o programa iria sair do ar (…). Só sei que toda semana recebíamos um quantidade enorme de emails elogiando o programa e querendo mais e mais”, revelou.

Com o fim do Disney Cruj, SBT e Disney encomendaram um novo programa para Michael Ruman. O diretor contou, na mesma entrevista, que a ideia era fazer uma espécie de spin-off do Cruj, mas com personagens criados por ele. Porém, o projeto nunca saiu do papel.

Veja uma chamada da temporada 2002 do Disney Cruj:



André Santana 

20/02/2022

Postar um comentário

5 Comentários

  1. Ficou esquisitp firae um seriado os desenhos que eram acutdune da disney ficaram ruins e como a dianey xruou seu camal tirara.

    ResponderExcluir
  2. Eu particularmente tinha gostado muito da versão de sábado quando tinha a TV TRUB (eles já vinham aparecendo desde 99). Mas quando virou a série de aventura me desagradou muito, parece que os personagens perderam a essência. Fora que pararam de passar Pateta e Max, e Timão e Pumba.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Era um programa de apresentadores e virou una novelinha tosca...lembro tb que fiquei adolescente e me mandavam sair de casa no horário....Era um programa que não duraria mais mesmo..os atores tavam ficando adultos....aliás esse guele virou engenheiro mecatrônica...a maluca e dubladora o resto não sei

      Excluir