"A gente grita
pra acordar você!"
Quando optou por extinguir o Estrelas, a direção da Globo sinalizou que faria nas tardes de sábado o mesmo que faz nas tardes de domingo, reservando uma faixa da programação para atrações de temporada. Ou seja, assim como o The Voice Kids, Tamanho Família, Escolinha do Professor Raimundo e PopStar se revezam nas tardes de domingo, novos programas ocupariam o espaço deixado por Angélica aos sábados.

Assim, Estrelas saiu do ar e foi substituído pela série As Matrioskas, que funcionou como uma espécie de “esquenta” à Copa do Mundo. Aí estreou o SóTocaTop, programa que resgatou os musicais na TV aberta. Previsto para durar de três a quatro meses, a atração, que inicialmente era apresentada por Luan Santana e Fernanda Souza, acabou atravessando o segundo semestre de 2018. Saiu do ar e abriu espaço para o Tá Brincando!, esperado voo solo de Otaviano Costa. Em março de 2019, a primeira temporada do game show foi encerrada e SóTocaTop retornou, agora promovendo um rodízio de apresentadores.

Desde então, não se falou mais em projetos para o horário. Ou até falou, mas nada muito concreto. Por exemplo: quando noticiou que Angélica gravava o piloto de seu novo projeto, a colunista Fabia Oliveira disse que a atração poderia ocupar a tarde de sábado a partir de abril. Mas, sabe-se, o tal projeto está estacionado. Mesmo assim, outros colunistas afirmavam que o programa poderia ser noturno. Ou seja, não há nada certo quanto a um novo programa que pudesse vir a ocupar a lacuna do musical.

O que se sabe é que o SóTocaTop não vai sair do ar tão cedo. Para janeiro, estão previstas edições de verão do musical, que serão apresentados por Mumuzinho e Ludmilla e terão um formato diferente do atual. E é aí que a coisa pega. SóTocaTop, de repente, é comercialmente interessante, mas nunca foi um estouro de audiência. Pelo contrário. O Estrelas, em seus piores dias, pontuava melhor que a atração atual.

Além disso, ninguém tem muita paciência pra ficar vendo um programa baseado em música atrás de música. Hoje, quem quer ouvir música tem um monte de opções na internet, ou aplicativos, ou o que seja. Neste contexto, o SóTocaTop não é apenas desnecessário, como é cansativo. Os artistas se repetem semana a semana, e não há como fugir disso. Por isso mesmo, o ideal seria voltar ao plano inicial, com temporadas mais curtas. Se durasse apenas três meses, SóTocaTop não aborreceria tanto. Hoje, assisti-lo é um teste de paciência. Uma pena.

André Santana