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Fiasco no horário nobre coloca Record em maus lençóis

Saul (Carlo Porto) em Reis
Saul (Carlo Porto) em Reis (divulgação/Record)

Que a dramaturgia da Record anda dando sinais de desgaste não é de hoje, já sabíamos. No entanto, a gestão de Cristiane Cardoso à frente do setor deu um show de amadorismo em 2022, colocando a perder tudo o que já foi construído até então. Reis e Todas as Garotas em  Mim representam o auge deste fiasco, que respinga no restante da programação da emissora.

Quando começou, Reis não era bem um fiasco. A trama bíblica, que tenta repetir o formato lançado em Gênesis, dividida em várias temporadas e constante renovação de elenco, teve desempenho mediano nas primeiras safras, exibidas no primeiro semestre. Mas ficou claro que a atual produção não tinha o apelo popular de uma Os Dez Mandamentos ou Jesus. Reis é uma trama que agrada mais os já iniciados nos estudos bíblicos, e não o público em geral.

Porém, em seguida, veio Todas as Garotas em Mim, esta sim um grande fiasco. A trama bíblica adolescente até tinha um mérito, que era de lançar um novo formato dentro do universo religioso da Record. A ideia de misturar conflitos adolescentes contemporâneos e narrativa bíblica é boa. O que pegou aqui foi a execução, sofrível. O texto fraco não ganhou substância nem mesmo na embocadura de ótimos atores escalados para a produção.

Resultado: a audiência do horário nobre desabou. A direção da Record esperava que a volta de Reis poderia reverter a tendência de queda, mas, nos primeiros capítulos da nova temporada, a novela (ou série) se manteve em baixa. O fracasso de Todas as Garotas em Mim respingou em Reis. Soma-se a isso a reprise equivocada de Amor Sem Igual, outra trama de fundo religioso, e que também registra péssimos índices.

O erro das tramas noturnas da emissora ajudou a derrubar os reality shows, que entram na sequência. Power Couple Brasil e Ilha Record registram os piores desempenhos de sua história. Segundo o Notícias da TV, já há a preocupação com A Fazenda. O reality rural também pode ser contaminado pela má fase geral.

Curiosamente, a emissora começa a perder fôlego em outros horários também. Pela manhã, o Hoje Em Dia anda perdendo a vice-liderança para o Primeiro Impacto, do SBT. O Balanço Geral, que era líder de audiência no quadro A Hora da Venenosa, também já não incomoda mais a Globo. Aos finais de semana, Hora do Faro vive um momento ruim também. Para piorar, a emissora ainda começou a exibir o Jornal da Record pré-gravado, o que derruba a credibilidade do noticioso.

2022 começou crítico para o SBT. Mas, agora, é a Record que parece mergulhar numa crise de audiência e criatividade. Crise, aliás, que parece ter ficado mais grave a partir do momento em que a Igreja Universal voltou a ser muito presente na programação. No auge do sucesso da Record, havia uma separação mais bem definida do que era programação religiosa e entretenimento. Esta linha não existe mais.

Não que a Record não possa ser uma TV religiosa, afinal, há vários canais religiosos espalhados por aí. No entanto, se a ideia é mesmo se tornar a TV da igreja, devia assumir isso de vez. Esse modelo “híbrido”, atualmente no ar, afugenta tanto os não-religiosos quanto os religiosos. A queda de audiência da emissora deixa isso bem claro.

André Santana

13/08/2022

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1 Comentários

  1. Olá, tudo bem? Reis já era um fiasco. Todas as Garotas em Mim foi uma tragédia...saudades do Troféu Santa Clara, hein, André.... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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