sábado, 28 de novembro de 2020

As boas experiências na televisão "da pandemia"

 

A pandemia de covid-19 exercitou o lado criativo de muitos diretores de televisão. Não todos, já que há canais insistindo em reprises e culpam a crise sanitária pela apatia. Mas alguns deles conseguiram driblar as dificuldades impostas pela necessidade de distanciamento social e vem fazendo excelentes experiências, deixando a programação mais rica.

Canal que mais tem lenha para queimar, mesmo diante da crise, a Globo foi a que mais ideias novas trouxe à sua programação. Dentre várias experiências, as mais bem-sucedidas são, sem dúvidas, o Conversa com Bial e o Altas Horas. O programa de Pedro Bial ganhou viço com suas entrevistas remotas. O fato de o convidado estar em casa o coloca à vontade diante das perguntas do jornalista. Que, sem precisar dividir a atenção com a plateia e a banda, foca ainda mais no bate-papo. Conversa com Bial teve uma temporada 2020 memorável.

Já o Altas Horas precisou se reinventar totalmente. Único programa de auditório da TV brasileira no qual o auditório é peça fundamental, a atração de Serginho Groisman teve que alterar completamente seu formato para se adaptar às gravações realizadas na casa do próprio apresentador. E a reinvenção funcionou totalmente. De casa, Serginho promove grandes encontros virtuais, com convidados de grife. E, de quebra, usa e abusa de seu acervo, fazendo os convidados revisitarem seus momentos e compararem suas palavras. O resultado é uma grande conversa, sempre divertida e cheia de bons momentos.

Ana Maria Braga também vem conseguindo fazer seu Mais Você de casa. A apresentadora vem passando por um dos momentos mais complicados de sua carreira, já que precisa comandar um programa “caseiro”, sem toda a estrutura de um estúdio da Globo à disposição, e ainda lidar com a ausência de Louro José, cujo intérprete Tom Veiga faleceu recentemente. Pois, mesmo diante de tantas adversidades, a loira vem cumprindo tal missão com muita presteza. Assim como Serginho, Ana usa e abusa de seu rico acervo. Além disso, sua equipe tem se mostrado muito criativa ao criar novos quadros, que são gravados remotamente. É preciso reconhecer que o Mais Você atual não está tão bom quanto nos tempos de antes da pandemia, mas tem oferecido um conteúdo digno e respeitado o seu público.

Além de manter alguns de seus apresentadores em casa, a Globo colocou outros de volta aos estúdios, mas sob novas condições. O Caldeirão do Huck, sempre muito calcado em externas, teve que se virar e lançar novos quadros feitos no palco. E apostou fundo nos game shows, que têm ido muito bem. Tem ou Não Tem e Quem Quer Ser um Milionário? divertem.

Fátima Bernardes também adaptou bem seu Encontro ao novo momento. Com entrevistas remotas, mas com a apresentadora no estúdio, o programa conseguiu manter sua essência e respeitar o distanciamento. Por outro lado, o Domingão do Faustão foi menos feliz na volta ao estúdio. Mais curto e com poucos quadros, o programa de Fausto Silva se debruça sobre a Dança dos Famosos, um formato que parece pouco adequado para o momento. É estranho ver artistas dançando com seus professores de maneira tão próxima no atual contexto.

Entre erros e acertos, a Globo conseguiu mostrar que é possível, sim, produzir entretenimento de qualidade mesmo diante de tantas adversidades. As mudanças implantadas nos programas de variedades mostram é possível fazer uma boa televisão com poucos recursos e algum improviso. O público agradece o empenho dos profissionais envolvidos.

André Santana

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Silvio de Abreu deixa Teledramaturgia da Globo; José Luiz Villamarim assume

A Globo tem promovido importantes mudanças em sua alta cúpula. Na semana passada, foi anunciada a saída de Carlos Henrique Schroder da direção de entretenimento da emissora, e sua substituição por Ricardo Waddington. Agora, é Silvio de Abreu quem vai deixar o posto de Diretor de Teledramaturgia do canal. O veterano novelista será substituído por José Luiz Villamarim, o diretor de Amor de Mãe.

Silvio de Abreu ocupou o cargo de Diretor de Teledramaturgia da Globo por seis anos, na ocasião em que a emissora dividiu seu entretenimento em quatro “super diretorias”, duas delas de dramaturgia (novelas e séries), e duas de variedades (realities e diários, e semanais). Com a criação do cargo, a emissora apostou suas fichas na gestão de um de seus principais e mais experientes novelistas, que já vinha tendo uma importante atuação nos bastidores do canal. Vale lembrar que, há anos, Abreu não apenas se dedicava às suas próprias novelas, mas também se incumbia de revelar novos roteiristas, cujas obras de estreia ele supervisionava. Foi pelas mãos dele que nomes como Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Elizabeth Jhin se tornaram novelistas titulares.

Ao assumir a Teledramaturgia, Silvio de Abreu atuou, sobretudo, em duas frentes: organização de filas de autores e horários, e lançamento de novos nomes. Era ele quem lia as sinopses, aprovava e determinava seu lugar na fila das seis, sete, nove e onze. Foi ele também que apostou nos novos autores de novelas, revelando nomes como Alessandro Marson, Thereza Falcão, Angela Chaves, Alessandra Poggi, Manuela Dias, Paulo Halm, Rosane Svartman, Maria Helena Nascimento, Claudia Souto e Daniel Ortiz, todos assinando obras que não decepcionaram no Ibope.

Muitos criticaram a gestão de Silvio de Abreu, visto por muitos como voluntarioso e que protegia “os seus”. Bobagem. O autor entende como poucos da carpintaria do folhetim, mostrando-se alguém bastante apto a avaliar sinopses. Além disso, sua preocupação em renovar o banco de autores revelou-se fundamental para a sedimentação do gênero, que foi criado por veteranos que estão quase todos se aposentando. 

Por fim, muitos reclamam do amplo espaço dado a nomes controversos, como Daniel Ortiz ou Walcyr Carrasco. Mas é fácil entender os motivos disso: Abreu precisava entregar resultados à emissora, e os dois autores são bons de audiência. Na verdade, ele promoveu um rodízio interessante entre textos mais elaborados e queridinhos da crítica (como Rock Story, Bom Sucesso e a própria Amor de Mãe), com outros de pegada mais popular e boas de Ibope, mas ruins de crítica (como Pega Pega, A Dona do Pedaço ou Haja Coração). Claro que houve tropeços neste caminho, como O Sétimo Guardião, mas o saldo é positivo.

Ou seja, numa avaliação geral, a gestão Silvio de Abreu foi muito bem-sucedida. Agora, é esperar para ver o que José Luiz Villamarim trará para o segmento. Capacidade para isso ele tem, já que é um festejado diretor, que vem se dedicando a uma pegada mais autoral em suas últimas produções. Amor de Mãe mesmo é uma novela “diferentona”, apesar de ser puro folhetim. No Twitter, muitos comemoraram a escolha e preveem um salto de qualidade nas novelas da Globo. É possível, mas é preciso lembrar que a emissora cobrará resultados. O diretor terá que, assim como fez Silvio de Abreu, equilibrar produções mais elaboradas com outras mais “farofa”. Não há como fugir disso.

Ah, e vale lembrar que Silvio de Abreu também acumulava as séries e os programas de humor, depois das saídas de Guel Arraes e Marcius Melhem. 

André Santana

Amazon Prime Video anuncia painéis na CCXP Worlds

A CCXP Worlds - a primeira edição virtual do maior festival de cultura pop do planeta - contará com painéis exclusivos do Amazon Prime Video, no Thunder Arena. Famosos por divulgarem notícias exclusivas, trechos inéditos e histórias dos bastidores, os painéis trarão 14 participantes do elenco das séries Originais Amazon, incluindo produções inéditas como ‘Invincible’ e ‘The Wilds’, além da série aclamada pelos fãs, ‘The Expanse’. Em 2020, a CCXP acontece de forma totalmente virtual nos dias 4, 5 e 6 de dezembro.

Para o lançamento da série ‘Invincible’, o painel contará com a presença de Steven Yeun, J.K. Simmons, Zazie Beetz, Gillian Jacobs e Zachary Quinto, além do cocriador de ‘The Walking Dead’, Robert Kirkman. A série de super-heróis de animação para adultos gira em torno do jovem de 17 anos Mark Grayson (Yeun), um garoto como qualquer outro de sua idade - exceto pelo detalhe de que seu pai, Omni-Man (Simmons), é o super-herói mais poderoso do planeta. Conforme Mark desenvolve seus próprios poderes, ele descobre que o legado de seu pai pode não ser tão heroico quanto parece. Com oito episódios, ‘Invincible’ chegará ao Amazon Prime Video, em 2021, em mais de 200 países e territórios. A produção é baseada na história em quadrinhos de mesmo nome escrita por Kirkman, Cory Walker e Ryan Ottley.

O painel da série ‘The Wilds’ será marcado pela presença da criadora e produtora executiva Sarah Streicher (Demolidor) e da showrunner, além da produtora executiva, Amy B. Harris (Sex and the City) e de parte do elenco, como Rachel Griffiths, Reign Edwards e Sarah Pidgeon. Parte drama de sobrevivência, parte festa do pijama distópica, ‘The Wilds’ conta a história de um grupo de garotas adolescentes de diferentes estilos de vida que se unem após a queda de um avião em uma ilha deserta. As garotas brigam e se unem enquanto aprendem mais umas sobre as outras, os segredos que guardam e os traumas que todas enfrentaram: elas não estão nesta ilha por acidente. A primeira temporada de ‘The Wilds’ terá dez episódios e está prevista para estrear exclusivamente no Prime Video em 11 dezembro de 2020 em mais de 200 países e territórios.

Representada na CCXP deste ano por Dominique Tipper, Wes Chatam e Cara Gee, ‘The Expanse’ é ambientada em um sistema solar colonizado e começa com os governos da Terra, Marte e o Cinturão de Asteróides travados em um conflito de longa data. A tripulação do Rocinante - um navio de guerra recuperado ilegalmente - se depara com uma vasta conspiração e uma misteriosa tecnologia alienígena que ameaça alterar o equilíbrio de poder e o destino da humanidade. A série Original Amazon vencedora do Hugo Award - agora em sua 5ª temporada e baseada nos romances de ficção científica extremamente populares de James S.A. Corey - foi desenvolvida e roteirizada pela dupla de escritores indicados ao Oscar, Mark Fergus e Hawk Ostby. Os três primeiros episódios da nova temporada estrearão no Prime Video em 16 de dezembro, com novos episódios disponíveis a cada quarta-feira seguinte, chegando ao final épico da temporada em 3 de fevereiro de 2021.

Os produtores executivos são Naren Shankar, Andrew Kosove, Broderick Johnson, Laura Lancaster, Sharon Hall, Sean Daniel, Jason Brown, Daniel Abraham, Ty Franck e Dan Nowak. Shankar atua como showrunner em todas as temporadas. The Expanse é produzida pelo Alcon Television Group.

Além dos painéis, os fãs do festival terão ainda a oportunidade de jogar um jogo de suas séries favoritas na ativação virtual Amazon Prime Video World. Com duas séries surpresa a cada dia, o público poderá andar pelos estúdios, procurando por Easter eggs e competindo por um lugar no ranking baseado no tempo em que o participante cumprir a tarefa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Gazeta vai exibir "Jornal do Boris"

É interessante notar os ciclos e caminhos que a TV brasileira e os profissionais que dela fazem parte vão desenhando. Boris Casoy, veteraníssimo jornalista de TV, o profissional que lançou a figura do âncora na televisão brasileira, vem se reinventando de uma maneira bem esperta. Ao se ver fora da TV, tratou de criar seu espaço no Youtube. E este espaço o levou de volta à TV. Olha só!

Com passagens por SBT, Record, Band, JBTV (lembra?) e RedeTV, o apresentador se viu fora do ar com a pandemia. À frente do RedeTV News, Boris foi afastado por pertencer ao grupo de risco e, após um tempo participando do noticioso de sua casa, acabou sendo dispensado pela emissora. Para não ficar parado, lançou seu canal no Youtube e criou o Jornal do Boris, programa que também é transmitido por várias plataformas de áudio e vídeo, além do canal Alpha Channel.

É uma ideia simples, mas interessante. Em meia hora, Boris Casoy promove um passeio pelos principais jornais impressos do país, fazendo comentários diversos sobre as notícias do dia. Ele não lê os jornais, mas usa as manchetes para dar suas análises e impressões acerca dos principais assuntos tratados no noticiário. Parece um programa de rádio filmado. Interessante para se ouvir enquanto se ocupa de outras atividades.

Boris Casoy se fez como um comentarista de notícias na TV, desde os tempos do TJ Brasil. Por isso, encontrou uma atividade interessante na internet, onde tem um espaço livre para dizer o que pensa. Não concordo com boa parte das opiniões de Boris, mas tenho um profundo respeito pela sua trajetória e seu repertório. Gosto de ouvi-lo, mesmo que seja para discordar dele.

E a ideia do Jornal do Boris acabou caindo nas graças de Sidney Oliveira e da TV Gazeta. Com patrocínio da Ultrafarma, o programa passará a ser apresentado, também, pela TV Gazeta, a partir da próxima segunda-feira, 30, às 8h45. Com isso, ganha a Gazeta, que está numa fase fraca e com pouca produção. Jornal do Boris vem para somar. E ganha o próprio Boris Casoy, que reencontra seu espaço e volta a ter uma vitrine na TV aberta. E volta produzindo a si mesmo, num formato simples, mas muito eficaz. Vejo com bons olhos experiências como esta.

André Santana

sábado, 21 de novembro de 2020

Sábado volta a ser um dia irrelevante na TV aberta

O Programa da Maisa saiu do ar no SBT num momento crítico. A atração estreou injetando sangue novo nas tediosas tardes de sábado, mas logo também caiu no tédio e não sustentou a empolgação da estreia. Mas, se o programa vivia uma fase ruim, o sábado na TV aberta, como um todo, vive uma situação ainda pior. O Programa da Maisa estava chato, mas, sem ele, as opções nas tardes de sábado ficam ainda mais escassas.

Sem a adolescente, o SBT jogou seu sábado ao limbo. Claro, a culpa não é apenas da emissora. A pandemia também colaborou para tornar a situação crítica. A crise sanitária inviabilizou as gravações do Programa Raul Gil e Topa ou Não Topa. Assim, a solução foi recorrer a reprises. Máquina da Fama voltou ao ar, ocupando o horário do game de Patrícia Abravanel. Já o auditório do veterano passou todo o ano de 2020 na base do repeteco, desgastando ainda mais um formato que já vinha perdendo força.

Para piorar o cenário, a emissora insiste com o Triturando. O programa, ruim toda vida, não apenas dá as caras na programação diária, como também tem uma edição aos sábados, depois do Raul Gil. É incompreensível a atração de Chris Flores ter tanto espaço na programação do SBT, se nunca caiu nas graças do público e está longe de ser campeão de audiência. Interessante notar que, enquanto as outras emissoras tentaram driblar a pandemia da melhor maneira possível, o SBT simplesmente entregou os pontos.

Já o sábado da Record está jogado há muitos anos. Desde que O Melhor do Brasil foi movido para os domingos e se transformado no Hora do Faro, a emissora simplesmente deixou de investir neste dia. Atualmente, o canal abre espaço a edições longas e cheias de reprises de seus noticiosos populares, como Balanço Geral e Cidade Alerta, e aposta em filmes velhos e ultrarreprisados no Cine Aventura. À noite, mais filme velho. E só 

Enquanto isso, a Band aposta em enlatados, como Encantadores de Pet e séries americanas à noite, e abre espaço para o esporte, colocando-se como uma alternativa. Já a RedeTV aluga praticamente toda a grade, com produção própria apenas à noite. Produção própria e gasta, já que Operação de Risco e Mega Senha já tiveram dias melhores. Fora que os posicionamentos públicos sem qualquer postura ou senso de Marcelo de Carvalho desgastam sua imagem e respingam no game show. Virou persona non grata. Única opção interessante do canal é o Ritmo Brasil, que deve sair do ar, já que Faa Morena anunciou esta semana sua saída da emissora.

Neste contexto, a Globo se destaca não por ter uma programação “maravilhosa”, mas simplesmente por não ter concorrência. Em meio à total falta de opção, a reprise de Toma Lá Dá Cá ao menos diverte. Simples Assim vem melhorando a cada edição ao apostar em boas abordagens de temas interessantes, é preciso reconhecer. Mas o fato de não ter concorrente ajuda bastante o programa de Angélica. E o Caldeirão do Huck vive uma boa fase ao apostar em game shows que divertem. Também não é o melhor momento do programa de Luciano Huck, mas é um entretenimento válido. Aliás, vale ressaltar que o programa soube se reinventar bem neste período de pandemia, já que era uma atração muito dependente de externas. Voltou aos estúdios com bons quadros. E inéditos.

É uma pena que os sábados da TV aberta estejam tão abandonados. Num dia em que boa parte das pessoas está em casa e buscando algo para ver na TV, as opções se mostram muito escassas. Triste.

André Santana

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Com Geraldo Luís, Record "ressuscita" título "Boa Noite Brasil"

Boa Noite Brasil está de volta! Mas, desta vez, não será a Band que vai resgatar o título pela terceira vez. E também não será o retorno de Gilberto Barros, seus games, sua máquina da verdade no De Cara com a Fera e suas pautas dizendo que Yu-Gi-Oh e Dragon Ball Z são demoníacos. O título, na verdade, será resgatado pela Record, que o usará para batizar o novo programa de Geraldo Luís.

Geraldo já está preparando seu retorno à programação da emissora. No novo Boa Noite Brasil, o apresentador deve voltar a fazer o que já fazia no Domingo Show, ou seja, um programa de variedades que com grandes reportagens, humor e entrevistas. A atração estreia em janeiro de 2021 na Record e será exibida nas noites de quarta-feira. A ideia é que seja um programa de temporada, mas a emissora ainda não informou quantos episódios terá a primeira leva. 

Com o Boa Noite Brasil, Geraldo Luís volta a ter um espaço na grade da Record. O apresentador já foi muito prestigiado no canal, sobretudo na fase áurea do Domingo Show, no qual contava histórias quase sempre tristes e cheias de assistencialismo. Mas o formato chororô se desgastou com o tempo, o Domingo Show acabou perdendo força e saiu do ar (depois voltou sob o comando de Sabrina Sato, mas vamos fingir que isso não aconteceu).

Com o fim do dominical, Geraldo foi escalado para retornar ao Balanço Geral, noticioso vespertino que foi o seu primeiro programa na Record. Na época, a Record tinha perdido Reinaldo Gottino para a CNN Brasil, e estava com dificuldades para encontrar um substituto. O programa até chegou a perder audiência. Assim, Geraldo o assumiu e até conseguiu manter os bons resultados, mas a pandemia da covid-19 o afastou da produção, já que ele é diabético. Neste meio-tempo, Gottino retornou à Record e ao Balanço Geral, e Geraldo acabou ficando sem espaço.

Assim, começaram a pipocar que seu contrato não seria renovado, um boato recorrente na trajetória de Geraldo Luís na Record. Mais uma vez, ele entrou na mira do SBT e se tornou um nome forte para assumir o “novo” Aqui Agora, aquele eterno projeto de Silvio Santos que nunca sai do papel. Mas ele renovou com a emissora onde está e, agora, reconquista seu espaço na grade com o Boa Noite Brasil. Será que ele vai gritar: “água na Carol, água!”?

André Santana

Dubladores dos animes mais famosos do mundo estarão em painel da Funimation na CCXP Worlds

Sempre presentes em todas as edições do maior festival de cultura pop do planeta, os animes não poderiam ficar de fora da CCXP Worlds. Por isso, a Funimation reúne em um painel do Thunder Arena os dubladores de dois dos animes mais famosos do mundo, que agora chegam ao país em uma versão totalmente em português. Enquanto Lucas Almeida, Mayara Stefane, Pedro Volpato e Bruno Sangregorio falam sobre ‘Attack on Titan’, Lipe Volpato, Fábio Lucindo, Nestor Chinese e Luisa Horta trazem as novidades sobre ‘My Hero Academia’. Ambos os animes fazem parte da plataforma da Funimation que foi lançada recentemente no Brasil.

Além do painel no Thunder Arena, a Funimation estará na Hollywood Strip onde irá disponibilizar, em primeira mão, quatro episódios de cada anime e conteúdos exclusivos das séries. Em 2020, a CCXP Worlds acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de forma totalmente virtual. Para outras informações e o line-up já divulgado, acesse o site www.ccxp.com.br.

As vozes dos artistas já são conhecidas pelo público. Lucas Almeida dublou personagens de 'Magi: Adventure of Sinbad’ e '13 Reasons Why’. Mayara Stefane tem entre seus trabalhos de maior destaque 'Saintia Sho’ e 'World of Warcraft’. Pedro Volpato participou da série ‘Olhos que Condenam’ e do game 'Concrete Genie’. Quem também tem experiência no universo dos videogames é Bruno Sangregório, que atuou em Fifa 18 e 19. Já Lipe Volpato, Fábio Lucindo, Nestor Chiesse e Luísa Horta trabalharam juntos em ‘My Hero Academia’.

A CCXP Worlds já confirmou a participação de artistas como Jim Beaver, Edgar Vivar, Lana Parrilla, Sean Maguire, Kathyrn Newton e Vince Vaughn, que também estarão no Thunder Arena. Já são mais de 30 quadrinistas anunciados, entre eles Dave Gibbons, Jill Thompson, Sara Pichelli, Tom King e Emil Ferris. Este ano, o público poderá sentir a emoção de encontrar seu artista favorito nas áreas do festival transportadas para o ambiente virtual como Thunder Arena, Artists’ Valley, Game Arena e Creators & Cosplay Universe. A área de estúdios ganha sua versão digital, a Hollywood Strip, e as lojinhas viram o Market Place, enquanto o famoso estúdio de vidro marcará presença com a Omelete Stage.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vem aí Loading, mais novo canal brasileiro

Sete anos depois do fim da MTV Brasil, o canal que a sucederá finalmente começa a ganhar forma. Trata-se da Loading, anunciado como uma start up jovem que vai produzir conteúdo multiplataforma de entretenimento, e com uma programação bastante focado na cultura pop, com destaque para séries, games, e-sports, animes e música. A Loading é uma criação do grupo de investimentos Spring, detentor da Kalunga e Spiral, liderado por José Roberto Garcia e Paulo Sérgio Garcia, e que adquiriu a estrutura e rede de transmissão da antiga MTV (que era da Abril Radiodifusão).

Ainda não há data para a estreia do novo canal, mas a expectativa é de que entre no ar ainda em dezembro. Enquanto não entra no ar, o canal Loading vai montando sua equipe de apresentadores. Fernanda Pineda, que já passou pelo UOL e pelo AdoroCinema, comandará o programa Multiverso, sobre quadrinhos, filmes, séries e desenhos animados. Ao lado dela na empreitada está Fabio Gomes, que já passou pelo Omelete, e Mariana Ayrez, especializada em games.

Outra atração do canal é o Mais Geek, canal do Youtube que ganha um espaço no Loading. Takeshi Oyama, especialista em cultura pop oriental, será o apresentador e editor-chefe, e com ele estarão Anderson Abraços, Thais Matsufugi, Clayton Ferreira e Jefferson Kayo. Há ainda MetaGaming, sobre games e e-sports, com Barbara Gutierrez e Chandy Teixeira. A nova emissora também exibirá séries e animações. O primeiro anime anunciado é The Lost Canvas, série do universo de Cavaleiros do Zodíaco.

Ou seja, a nova emissora há de ser um prato cheio para os nerds de plantão. Comunidade na qual este jornalista se enquadra. Um canal especializado em cultura pop parece algo muito interessante, embora seja segmentado demais. Porém, as produções são bem legais, e o fato de exibirem boas séries e animações também é bastante animador. Na torcida pra que a ideia seja bem recebida no mercado e o canal consiga se manter.

Até aqui, o único empecilho para o canal Loading é que a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) anulou a venda da MTV Brasil pela Abril Radiodifusão S/A para o grupo Spring, informou o site NaTelinha. O site afirma que as empresas e a União foram condenadas por omissão, e devem pagar danos morais coletivos em 10% do valor da transmissão, realizada por R$ 290 milhões. O Ministério das Comunicações, de acordo com a decisão, é obrigada a licitar novamente a concessão do sinal público de TV. O NaTelinha procurou o grupo Spring, que disse que não irá se manifestar. “No momento, não estamos nos pronunciando sobre esse assunto. Assim que tivermos uma posição, encaminharemos”, disse. Mas o grupo mantém a estreia do canal Loading para dezembro. Aguardemos.

André Santana

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Aos 21 anos, RedeTV vive sua pior fase

Neste domingo, 15, a RedeTV completou 21 anos de atividade. E, a cada aniversário, a emissora parece caminhar rumo a um limbo televisivo. O canal já fez muita coisa de caráter duvidoso nestes anos todos, mas o ano de 2020 tem sido particularmente ruim. Mesmo apostando em “novidades”, as “novidades” parecem colaborar para levar a RedeTV para o buraco.

A mais recente estreia, Vou te Contar, desperdiça a habilidade de Claudete Troiano e sua boa entrada junto às donas de casa num programa preguiçoso, que só existe por conta de um patrocinador. Trata-se de uma hora da faixa da programação da emissora na qual Claudete vende produtos e mais produtos. Irrelevante no ibope e com conteúdo zero, Vou te Contar não deve ter vida longa. Aliás, até já saíram notícias de que o patrocinador estaria insatisfeito, já que a RedeTV não teria cumprido o acordo que selaram. Complicado.

Mais complicado ainda é o Opinião no Ar. O programa no qual Luis Ernesto Lacombe e seus convidados disseminam desinformação travestida de debate e opinião só existe para que a RedeTV ganhe pontos com o Governo Federal. Uma escolha equivocada, tendo em vista que, acreditem ou não, governos passam. A emissora pagará a conta mais adiante. E a audiência? Cada vez mais fraca. Na semana passada, por exemplo, chegou ao zero absoluto. 

Outro programa feito para “agradar” parceiros políticos é o Alerta Nacional, de Sikêra Jr. O apresentador também dissemina desinformação, faz graça diante de assuntos sérios e parece mais preocupado em viralizar na internet do que informar o seu público. É um palco de destilação de ódio disfarçado de jornal. Programa pavoroso e irresponsável. Até aumentou a audiência do horário, mas a história da TV mostra que é um tipo de programa que costuma cansar rápido. Aliás, os atuais resultados mostram que já está cansando. Assim como o Opinião no Ar, a emissora ainda pagará uma amarga conta ao apostar em Alerta Nacional. Vai vendo.

Programas “clássicos” da emissora já não rendem mais como antes. A Tarde É Sua se perdeu ao se tornar um programa com tom crítico, mas que não aceita críticas. Sonia Abrão e seus colegas de bancada disparam opiniões aos baldes, mas vociferam ao serem criticados. Já o TV Fama vive a fase mais irrelevante de sua existência. Não repercute, não dá audiência, não reverbera. É como se não existisse. O mesmo vale para Superpop e Luciana By Night, que já tiveram fases melhores, mas atualmente passam em brancas nuvens. Até o Sensacional, que, apesar dos pesares, chegou a oferecer entrevistas interessantes, agora se vê quase inexistente.

Os únicos programas da emissora que ainda atraem o público são os dominicais. Encrenca com seus intermináveis vídeos da internet seguem como o carro-chefe da RedeTV. As pegadinhas armadas do João Kleber Show também têm seu público. E é isso. Só isso.

Não é possível vislumbrar um futuro para a RedeTV. O canal, com seus programas fracos e várias faixas locadas para igrejas e concessionários, periga virar uma “nova” CNT. É uma pena.

André Santana

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Com fim de "Os Mutantes", Record exclui uma faixa de novelas

Quem esperava rever na íntegra a famigerada “trilogia dos Mutantes” da Record ficará a ver navios. Isso porque a emissora não vai exibir Promessas de Amor, a terceira novela baseada no universo das criaturas criadas por Tiago Santiago. Ao final de Os Mutantes – Caminhos do Coração, a emissora extinguirá uma de suas faixas de reprises de novela vespertinas, ocupando o horário com um prolongamento do Balanço Geral e um capítulo maior de Escrava Mãe.

Segundo o site Notícias da TV, a ideia é aproveitar um pouco mais do sucesso de A Hora da Venenosa, que encerra o Balanço Geral. Como o horário político mudou a programação da Globo, fazendo a Sessão da Tarde começar mais cedo, o quadro de fofocas voltou a se destacar na audiência. Assim, a atração ganhará mais uns minutinhos para tentar segurar o público. É uma estratégia válida, embora eu ache estranho o Balanço Geral ser tão enorme.

Porém, o maior acerto na nova estratégia é justamente eliminar uma das novelas da tarde, que sempre se mostrou um exagero. Desde que a emissora pôs fim ao Programa da Tarde e passou a reapresentar novelas, havia a desconfiança de que o acervo da Record não sustentaria as duas faixas por tanto tempo. Tanto que até a escolha de Dona Xepa para abrir um dos horários se mostrou como um sinal de não havia tantos títulos relevantes para reprises, afinal Dona Xepa foi um belo fiasco em sua exibição original (e em sua reprise também).

Mesmo assim, aos poucos, a Record conseguiu manter sua faixa de reprises, algo que sempre tentou, mas poucas vezes funcionou. O retorno de tramas como Prova de Amor, Bela, a Feia e A Escrava Isaura renderam índices de audiência bastante satisfatórios. Além disso, as reprises serviram também para fazer justiça a algumas novelas que andavam esquecidas e mereciam retornar, como Ribeirão do Tempo e Vidas em Jogo

Mas as grandes novelas da fase áurea da Record já foram todas reprisadas. Há ainda algumas produções engavetadas, como Cidadão Brasileiro ou Poder Paralelo. Mas poucas para manter duas faixas vespertinas, ainda mais se levarmos em consideração que a pandemia obrigou o canal a exibir reprises no horário nobre também. A emissora fará um melhor uso de seu acervo ao manter apenas uma novela à tarde. 

Ah, e o canal também acerta ao não reapresentar Promessas de Amor, que foi um grande equívoco. A terceira parte da saga dos mutantes foi uma tentativa completamente equivocada de retomar o folhetim romântico, que foi abandonado em Os Mutantes, que era 100% fantasia tresloucada. Assim, em Promessas de Amor, as criaturas poderosas dividiam espaço com o romance açucarado de Sofia (Renata Dominguez) e Amadeus (Luciano Szafir). Mas Tiago Santiago não soube unir bem o romance com a ficção científica, fazendo uma história um tanto esquizofrênica. Ao ponto de fazer um último capítulo surreal, com um sequestro da mocinha acontecendo, enquanto o mundo estava praticamente acabando com um ataque alienígena. Parecia duas novelas diferentes exibidas simultaneamente. 

André Santana

CCXP Worlds anuncia Édgar Vivar, o Sr. Barriga

Após participar de um painel histórico e emocionante na primeira edição da CCXP em 2014, Édgar Vivar, que interpretou o Sr. Barriga e Nhonho no programa ‘Chaves’, volta ao maior festival de cultura pop do mundo. Os fãs da série podem celebrar a confirmação, já que o icônico ator e comediante mexicano participará de um painel nostálgico sobre ‘Chaves’ no Thunder Arena, com conversas sobre os bastidores do seriado e participações especiais a serem anunciadas em breve. Além disso, ele ainda estará no Meet & Greet, a versão digital das fotos & autógrafos com artistas presentes no festival físico dos anos anteriores e que este ano terá quatro modalidades. Em 2020, a CCXP Worlds acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de forma totalmente virtual. Para outras informações e o line-up já divulgado, acesse o site www.ccxp.com.br.

Édgar Vivar foi um dos poucos atores que permaneceu com Roberto Gómez Bolaños, que deu vida ao Chaves, até o fim do ‘Programa Chespirito’, interpretando uma infinidade de personagens na série ‘Chapolin’ e o ex-ladrão Botijão em ‘Los Caquitos’ (‘Chaveco’, no Brasil). Sempre muito ativo, seja na TV, no teatro, no cinema ou na dublagem, Edgar participou de grandes produções como os filmes ‘Bandidas’, ‘O Orfanato’ e ‘Homem ao mar’. O artista também já emprestou sua voz para vários personagens em animações como ‘Ratatouille’, ‘Up! Altas Aventuras’, ‘Meu Malvado Favorito 2’ e ‘Os pinguins de Madagascar’, entre outras.

A CCXP Worlds já confirmou a participação do ator Jim Beaver, que também estará no Thunder Arena e em atividades do Meet & Greet. Já são mais de 20 quadrinistas anunciados, entre eles Neil Gaiman, Dave Gibbons, Jill Thompson, Sara Pichelli, Tom king e Emil Ferris. Este ano, público poderá sentir a emoção de encontrar seu artista favorito nas áreas do festival transportadas para o ambiente virtual como Thunder Arena, Artists’ Valley, Game Arena e Creators & Cosplay Universe. A área de estúdios ganha sua versão digital, a Hollywood Strip, e as lojinhas viram o Market Place, enquanto o famoso estúdio de vidro marcará presença com a Omelete Stage.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Globoplay surpreende com relançamento de "Kubanacan"

Entre as próximas “novelas clássicas” a serem relançadas pelo Globoplay está Kubanacan. A novela de Carlos Lombardi, exibida em 2003, é uma surpresa nesta estratégia do streaming da Globo, já que não figurava entre as várias obras mostradas nas propagandas que a emissora veiculava quando começou a lançar suas novelas na plataforma a cada duas semanas (aquele vídeo com “O Portão” de Roberto Carlos repetido inúmeras vezes, lembra?).

Aliás, vale lembrar que, naqueles vídeos, o “pacotão” de novelas anunciadas eram, em sua maioria, tramas já exibidas no Viva. Provavelmente, deve ser mais “fácil” disponibilizar produções que foram reapresentadas recentemente, já que significa que vários obstáculos operacionais já foram removidos, como o resgate dos capítulos nos arquivos e os direitos autorais de trilhas sonoras. Havia sim uma ou outra que ainda não figurou no canal pago, mas as que foram lançadas no Globoplay até aqui, com exceção de A Favorita, já passaram pelo Viva.

Além de não ter passado no Viva e nem figurar nas propagandas, Kubanacan ainda é uma novela de Carlos Lombardi, que deixou a Globo há alguns anos. O autor, “rei das sete” entre as décadas de 1990 e 2000, teve uma passagem pela Record, onde assinou a ótima Pecado Mortal, mas atualmente se encontra fora da TV. Desde então, sempre era perguntado por internautas se havia algum tipo de boicote por parte da Globo o fato de não ter nenhuma de suas obras no Globoplay. Kubanacan, aliás, era um pedido antigo dos fãs de Lombardi. E, talvez percebendo a força da trama na internet, o Globoplay tenha se ligado que havia ali um bom potencial.

No entanto, muita gente torce o nariz para Kubanacan. Ela foi muito bem de audiência em 2003, vale lembrar, mas teve sua trama considerada confusa e rocambolesca demais. Realmente, Kubanacan teve alguns problemas de narrativa. O principal deles foi ter focado demais no protagonista, Esteban Maroto (Marcos Pasquim), em detrimento das tramas paralelas. O país fictício onde se passava a história, uma ilha tropical da América Central, rendia excelentes críticas políticas. Mas esta pegada foi se perdendo quando as tramas paralelas começaram a sumir.

Esteban era um desmemoriado que caía do céu numa praia de Kubanacan. Aos poucos, ele começa a ser perseguido por bandidos que estão em busca da Fênix. Logo se descobre que a tal da Fênix era uma bomba capaz de inflamar qualquer pessoa que estivesse próxima dela. Esta busca de Esteban pela própria identidade faz com que, aos poucos, a novela se torne um seriado diário. Os personagens coadjuvantes vão sumindo, enquanto a novela vai recebendo várias participações especiais, representando pessoas que revelam parte do passado de Esteban. Ah, e a explicação sobre a verdadeira origem do rapaz é ficção científica pura!

Mas, no geral, Kubanacan não era uma novela ruim. O texto ácido, rápido e esperto de Carlos Lombardi está ali, tinindo, com seus diálogos cortantes e certeiros. A trama também reúne ótimos atores em excelentes desempenhos, destacando-se a Lola de Adriana Esteves, a impagável Rubi de Carolina Ferraz, e o malandro Enrico de Vladimir Brichta. Poderia ter sido uma trama mais uniforme e valorizado mais os coadjuvantes, que foram sendo esquecidos ao longo da obra. Mas, sem dúvidas, é uma novela divertida. E justamente por ter ganho ares de “cult”, seu retorno ao Globoplay é um acerto! É hora de revisitar a fantasia tresloucada e descamisada de Lombardi!

André Santana

sábado, 7 de novembro de 2020

Sucesso de "A Fazenda" expõe os problemas do "The Voice Brasil"

 

Quem gosta de acompanhar os altos e baixos da audiência da TV brasileira deve ter se deparado com a nova “guerra” envolvendo Globo e Record. Esta última tem exibido uma das melhores temporadas de todos os tempos, ao menos no quesito Ibope, de A Fazenda. Já a primeira lançou mais uma temporada de The Voice Brasil justamente neste cenário.

Com isso, o programa de Tiago Leifert começou levando a pior, já que entrou em cena com uma A Fazenda já estabelecida. Porém, os últimos acontecimentos da atração de Marcos Mion acabaram fazendo a dinâmica do reality rural dar uma esfriada, e The Voice ensaiou uma recuperação. Ou seja, a briga entre o reality e o talent show está boa e deve ganhar mais e mais novidades nas próximas semanas.

O sucesso de A Fazenda é merecido. No geral, o programa tem mostrado um entretenimento divertido e empolgante a quem aprecia este tipo de conteúdo, graças sobretudo a um elenco bem escalado. E este sucesso serviu para expor os problemas do The Voice Brasil. Um problema antigo, é verdade, mas que ganhou mais visibilidade em 2020 porque a atração ganhou um forte concorrente.

Afinal, não é de hoje que o The Voice mostra uma imensa falta de capacidade de se reinventar. Desde sua estreia, em 2012, o corpo de técnicos do The Voice Brasil teve apenas duas grandes mudanças: a troca de Daniel por Michel Teló, e a troca de Carlinhos Brown por Iza. Depois disso, o programa apenas “trocou figurinhas” com a versão Kids, com Claudia Leitte e Ivete Sangalo invertendo posições.

Em 2020, essa inversão se repete. Sem Ivete, The Voice Brasil trouxe Brown, que estava apenas no Kids, de volta. Ou seja, um dos músicos do elenco original, que ficou apenas um ano longe da versão “adulta”, já retornou. Se juntou a Lulu Santos, que está ali desde o primeiro ano. É ruim quando o técnico fica tempo demais na cadeira giratória. Ele tende a se tornar caricatura de si mesmo.

The Voice Brasil perdeu uma grande chance de injetar sangue novo. Ao perder Ivete, o programa devia ter considerado trazer uma nova cantora para a função. Assim, não apenas teria no elenco um nome menos “viciado”, como ainda manteria dois homens e duas mulheres na função de técnicos.

Claro, o programa não é só isso. The Voice Brasil também depende muito de seus competidores e sua capacidade de mobilizar torcidas. No entanto, uma mudança no elenco serviria para dar um frescor ao formato, já bastante surrado nesta nona edição.

Ou seja, a concorrência com A Fazenda é um dos problemas do The Voice Brasil. Mas não é o único. O programa também concorre contra si mesmo, por conta de sua insistência em não sair do lugar. Faz tempo que a atração não empolga como já empolgou um dia. Era hora de rever o formato. Ou até mesmo considerar substituí-lo.

André Santana

Pôster oficial da CCXP Worlds celebra 50 anos da revista da Mônica

Acaba de ser anunciado um dos itens colecionáveis mais aguardados pelos fãs da CCXP. Em uma celebração aos 50 anos do primeiro número da revista Mônica, lançada em 1970, pela Editora Abril, o pôster oficial da CCXP Worlds é o resultado de um trabalho colaborativo de 20 artistas, expoentes dos quadrinhos brasileiros e que fazem parte da coleção Graphic MSP - projeto que traz reinterpretações dos personagens clássicos de Mauricio de Sousa. Em 2020, o maior festival de cultura pop do planeta acontece de forma virtual nos dias 4, 5 e 6 de dezembro. Outras informações estão disponíveis no site https://www.ccxp.com.br .

Seguindo a tradição da primeira CCXP, realizada em 2014, quando o pôster oficial foi criado a partir de um trabalho em conjunto de diversos artistas, a primeira edição virtual do festival também reuniu um time de peso. A arte deste ano traz os personagens de Mauricio de Sousa que já foram retratados no selo Graphic MSP lendo a Mônica # 1 - curiosidade: somente nesta primeira edição a revista trouxe o subtítulo "e Sua Turma".

O esboço inicial do trabalho colaborativo foi criado por Danilo Beyruth e a montagem final ficou por conta de Vitor Cafaggi, que deu unidade a esse mosaico de traços e de estilos. Para conferir todo o processo de criação e mais entrevistas de Sidney Gusman, editor das Graphics MSP, e de Mauricio de Sousa basta entrar no link: https://www.instagram.com/p/CHQfwfcHc7J/

Participam do projeto Bianca Pinheiro, Camilo Solano, Cristina Eiko, Danilo Beyruth, Eduardo Damasceno, Eduardo Ferigato, Fábio Coala, Fefê Torquato , Gustavo Borges, Gustavo Duarte, Jefferson Costa, Lu Cafaggi, Marcelo Costa, Orlandeli, Paulo Crumbim, Renato Guedes, Roger Cruz, Rogério Coelho, Shiko e Vitor Cafaggi. Cada artista desenhou no pôster o mesmo personagem com o qual trabalhou em sua Graphic MSP, e a ficha técnica completa segue abaixo.

"Os quadrinhos são uma potência no mercado de cultura pop. E a CCXP acompanha esta paixão dos fãs sempre apresentando novidades e conteúdos relevantes. Não só abrigamos o maior Artists' Alley do hemisfério sul, mas também valorizamos a produção nacional, o surgimento de novos talentos e promovemos painéis e masterclasses sobre o tema. A parceria com a MSP, que sempre esteve conosco em todas as edições já realizadas, proporcionou painéis que entraram para a história do festival, como é o caso de Laços, com participação de Mauricio de Sousa e de sua filha Mônica", reforça Ivan Costa, cofundador da CCXP e responsável pelo Artists’ Alley.

"Em apenas oito anos de existência, o selo Graphic MSP se tornou não apenas uma referência no mercado nacional de quadrinhos, mas também uma dos nossos chamarizes para a CCXP. Não à toa, sempre programamos para o evento um lançamento e o anúncio dos quatro álbuns do ano seguinte. E isso se estendeu para os produtos derivados do projeto, como o filme Turma da Mônica - Laços, a animação do Astronauta e a série live-action do Jeremias. É uma parceria que deu certo, e esse pôster espetacular é uma coroação disso tudo", enfatiza Sidney Gusman, editor das Graphics MSP.

Lista completa de personagens e dos artistas que trabalharam no pôster:

Astronauta por Danilo Beyruth

Bidu por Eduardo Damasceno

Capitão Feio por Marcelo Costa

Cascão por Camilo Solano

Cebolinha por Gustavo Borges

Chico Bento por Orlandeli

Floquinho por Lu Cafaggi

Horácio por Fábio Coala

Jeremias por Jefferson Costa

Jotalhão por Roger Cruz

Louco por Rogério Coelho

Magali por Vitor Cafaggi

Mônica por Bianca Pinheiro

Papa-Capim por Renato Guedes

Penadinho por Cristina Eiko e Paulo Crumbim

Piteco por Eduardo Ferigato

Thuga por Shiko

Tina por Fefê Torquato

Zé Lelé por Gustavo Duarte


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Com "Cartas Para Eva" no Globoplay, Angélica circula pelas plataformas da Globo

Recentemente, foi anunciado que Cartas Para Eva, de Angélica, vai ganhar uma temporada para o Globoplay. O programa no qual a apresentadora lê cartas sobre feminismo para a filha caçula, ao mesmo tempo em que entrevista mulheres bem-sucedidas nas mais variadas áreas, nasceu como um especial de Dia das Mães no GNT. Mas vai virar programa da plataforma de streaming da Globo.

Ou seja, ao final da primeira temporada de Simples Assim, Angélica não ficará muito tempo fora do vídeo. Pode até ser que ela demore a dar as caras na Globo, caso o Simples Assim não emplaque um segundo ano, ou tenha uma nova leva apenas no segundo semestre. Mas continuará figurando em alguma plataforma do Grupo Globo.

É uma boa ideia. Afinal, o TELE-VISÃO chegou a afirmar, tempos atrás, que Cartas Para Eva foi um especial interessante, e que tinha potencial para ganhar mais episódios. Imaginei que seria no próprio GNT, mas será no Globoplay. Porém, vale lembrar que muito do que é produzido no Globoplay sempre tem chances de ir ao ar também num dos canais do Grupo Globo. Nada impede que Cartas Para Eva ganhe uma segunda exibição por ali também.

Fato é que a confirmação de Cartas Para Eva no Globoplay mostra o quanto a nova relação que a emissora tem dispensado a alguns artistas está fazendo com que novas configurações de trabalho sejam estabelecidas. Tempos atrás, Patrícia Kogut afirmou que Angélica não tem mais contrato de longo prazo com a emissora, e sim por obra. Ou seja, seu atual contrato é para o Simples Assim, na Globo. Agora, deve haver um novo acordo, desta vez para o Cartas Para Eva.

A apresentadora está sem amarras, mas conta com espaço dentro do Grupo Globo. E um espaço mais amplo que a TV aberta. É curioso notar que a Globo vem se posicionando cada vez mais como uma produtora de conteúdo, para abastecer qualquer uma de suas janelas de exibição. Pode ser TV Globo, pode ser Canais Globo, pode ser Globoplay. É uma visão arrojada, que pode apontar um futuro interessante para o audiovisual brasileiro.

Aliás, pode ser um caminho até para Xuxa, que a gente ainda não sabe direito se fica ou se sai da Record. É pouco provável que a Globo aberta lhe dê um programa de grade. Mas nada impede que ela faça acordos com o Grupo Globo para obras diversas, que poderiam ir ao ar na TV aberta, na TV paga ou até no Globoplay. E sem grandes exclusividades, o que a liberaria para tocar seus projetos na Netflix, HBO e Disney, que ela anunciou no Otalab tempos atrás. Ou seja, a tendência é que esta relação mais livre entre artistas e emissoras seja cada vez mais comum. 

André Santana

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Valeu, Louro José!

“Gente, corre aqui! Tem uma mulher de cabelo verde na TV!”, gritou minha prima, ao ligar o aparelho, num desses dias em que a família se reunia na casa da minha vó. Corri e dei de cara com Ana Maria Braga, com um penteado estranho na altura dos ombros, ostentando madeixas verdes. Descobrimos depois que era um defeito no aparelho, e os cabelos de Ana eram louros. Este foi meu primeiro contato com Ana Maria Braga, então à frente do Note e Anote, na Record. O ano? 1994 ou 1995, não me lembro bem.

A partir daquele dia, ver Ana Maria na TV se tornou uma constante, já que minha mãe costumava acompanhar as receitas e, principalmente, as aulas de artesanato que a apresentadora comandava. Nunca me interessei em assistir com ela, já que eu achava aquela mulher meio estranha. Mas me lembro de dar risada ao vê-la passar por debaixo da mesa a cada garfada num novo quitute.

Minha “relação” com Ana Maria mudou totalmente a partir de 1997, quando Louro José surgiu em cena. Aquela parceria que nascia ali era tão inusitada que chamou minha atenção. Nesta época, o Note e Anote já bombava e ocupava a tarde toda da Record. E o Louro, sempre divertido, se tornou o alívio cômico da atração. Aos poucos, foi instituído a ele a missão de contar uma piada, ou fazer uma charada. Afinal, quem melhor para contar uma anedota que um papagaio?

Deu tão certo que o campeonato de charadas se tornou um quadro fixo do Note e Anote. Ana e Louro chamavam as perguntinhas espertas de pegadinhas, e o duelo de pegadinhas passou a abrir o Note e Anote. Os espectadores, por meio de cartas e e-mails, mandavam pegadinhas para a dupla, que fazia a lição de casa na tentativa de “pegar” o adversário. Ganhava quem chegava aos 10 pontos primeiro. Quando Louro ganhava, tocava um “uh tererê, ô ô ô ô!” característico. Quando a vitória era de Ana, ela “nocauteava” o papagaio ao som do tema de Rock – Um Lutador

O quadro tinha meia hora. Depois, o tempo dobrou. Às vezes durava até duas horas. Sempre abrindo o Note e Anote, por volta das 13 horas. Foi nesta época que eu “abandonei” o hábito de assistir Chaves na hora do almoço, quando eu chegava da escola. Passei a acompanhar as pegadinhas de Louro José e Ana Maria Braga. Eu e minha mãe. Minha saudosa mãe, que tinha frouxos de risos com as “papagaiadas” de Louro José. Ela insistia que assistia ao programa apenas “por causa do Louro”.

Eram momentos hilários! Os dois levavam a disputa muito a sério, e chegavam a discutir quando discordavam se uma pegadinha tinha valido ou não. Por várias vezes, Louro ficava tão revoltado com o fato de Ana acertar suas perguntas, que começava a jogar os papéis com as pegadinhas recebidas pela porta de sua casinha. Ana rolava de rir, enquanto folhas e mais folhas de papel iam caindo pelo cenário. 

Me lembro de uma ocasião em que Ana Maria foi ao estúdio do Cidade Alerta, que sucedia o Note e Anote na grade, para levar um prato a José Luiz Datena, então apresentador do policial. Ao receber Ana, ele gritou: “vem cá também, Tom! Vocês conhecem o Louro José? Vem, Tom!”, disse, chamando o produtor de palco escondido nos bastidores. Mas Ana tratou de interrompê-lo e decretou: “não pode mostrar”. Tom Veiga já era um nome conhecido de quem assistia ao programa, já que estava sempre no palco, e Ana costumava chamar todo o seu staff pelo nome ao longo da atração. Mas, salvo engano, era a primeira vez que alguém na TV relacionava o nome do produtor à identidade do manipulador do Louro, que, naquela época, era um segredo absoluto. Foi apenas na transferência para a Globo que o nome de Tom ganhou mais visibilidade, já que a abertura do Mais Você destacava “Tom Veiga como Louro José”, tal qual um nome de destaque numa abertura de novela.

No Note e Anote, Louro José abria o programa com Ana e, depois, aparecia esporadicamente. Mas isso mudou com a mudança para a Globo. Louro tornou-se co-apresentador do Mais Você, ficando ao lado de Ana todo o tempo, interagindo com convidados e até salvando a loira de qualquer gafe. Ver a dupla em ação no Mais Você era sempre uma delícia, um deleite, um claro sinal de que estávamos no conforto de nosso lar. E isso acontecia não apenas pela química surreal esbanjada pela dupla, mas pela genialidade de Tom Veiga que, com raciocínio rápido e certeiro, criou uma personalidade única para Louro José. Foi esta personalidade que deu alma ao bichinho, fazendo todo mundo acreditar que aquele fantoche era, verdadeiramente, um ser vivo.

Olha só que coisa, ver Louro José sempre me fazia lembrar de minha mãe. Mesmo depois que ela partiu, era inevitável ver Louro em cena e não se lembrar das gostosas risadas que ela disparava ao assisti-lo. Perdi minha mãe em agosto de 2018, vítima de um AVC hemorrágico causado por um aneurisma. Foi um susto: num dia ela estava normalmente conversando com a gente, e no outro já não estava entre nós. Ela tinha 58 anos. Tom Veiga, o intérprete de Louro José, partiu exatamente do mesmo jeito. Um AVC que pegou todo mundo de surpresa. Triste coincidência.

As homenagens vistas desde a partida de Tom são mais que merecidas. Tom Veiga era genial, e isso precisa ser reconhecido. Fazer o público acreditar na vida de um personagem por 23 anos foi um feito que merece ser reverenciado. Obrigado Tom Veiga, obrigado Louro José, por ter divertido a mim (e a minha mãe) por todo este tempo. Valeu!

André Santana