sexta-feira, 30 de outubro de 2020

História da TV: Quando o SBT reuniu Hebe, Adriane Galisteu, Jorge Kajuru e Cacá Rosset

No dia 13 de abril de 2005, estreava no SBT o programa Fora do Ar. A atração reunia Jorge Kajuru, Hebe Camargo, Adriane Galisteu e Cacá Rosset, que discutiam e davam suas opiniões sobre os mais variados temas. Era uma espécie de Saia Justa, versão SBT, no qual os apresentadores davam seus pitacos, se envolviam em polêmicas e chegavam a protagonizar algumas briguinhas no ar.

A ideia do Fora do Ar surgiu num outro programa do SBT, o Gente que Brilha. A atração, comandada por Silvio Santos, era uma nova versão do Show de Calouros, e que teve uma temporada exibida nas noites de domingo da emissora. O programa tinha Sonia Lima, Pedro de Lara, Décio Piccinini e Sheila Mello como jurados fixos, mas promoveu uma edição especial com jurados convidados: justamente Hebe, Adriane, Kajuru e Rosset.

O quarteto se animou com a reunião e a performance no programa do “patrão”, que também achou a química entre eles interessante, e assim surgiu o Fora do Ar. Com o formato e o título do novo programa definidos, a emissora começava a veicular suas tradicionais chamadas misteriosas. “Hebe Camargo fora do ar”, “Adriane Galisteu fora do ar” e “SBT fora do ar” era o que diziam algumas das peças. Depois, entraram de vez as chamadas que explicavam que se tratava de um novo programa, que reuniria os quatro apresentadores.

Daniel Castro, então colunista da Folha de S. Paulo, acompanhou a gravação do piloto do Fora do Ar. Segundo ele, haviam muitas performances com cara de ensaiadas, e, mesmo assim, rolavam rusgas nos bastidores. “Na gravação do piloto de Fora do Ar, Hebe, Kajuru, Galisteu e Rosset discutiram eutanásia, relacionamentos de mulheres mais velhas com homens jovens, política (muito pouco) e fetiche sexual”, contou Castro em texto publicado em 03/05/2005.

O jornalista seguiu narrando os acontecidos no palco da gravação. “Hebe, chamada por Rosset de 'lenda viva', até contou que sua mãe, agonizando numa cama, morreu após um médico aplicar uma injeção misteriosa nela. Kajuru então disse que prefere morrer a viver entubado. 'Vai ter fila de candidato para te matar', brincou o tagarela Rosset. No meio da discussão, que Galisteu assistia como figurante, Rosset começou a contar uma história, revelando a rusga com a loira. 'A história é curta, não?', perguntou Galisteu a Rosset, que a mandou parar de bancar a cronometrista”, contou.

Daniel Castro contou ainda que a gravação do piloto já seria “valendo”, mas que, provavelmente, o episódio não iria ao ar por conta de reclamações de Adriane Galisteu, que disse que Rosset “falou mais que todo mundo e foi grosso com ela”. Ou seja, pelo que foi narrado pelo jornalista, o programa deveria render muito pelos seus bastidores, já que reunia quatro apresentadores de temperamento explosivo.

No entanto, esta “explosão” não se converteu em números de audiência. Exibido nas noites de quarta-feira, Fora do Ar nunca registrou grandes índices no Ibope. No entanto, rendeu algumas polêmicas, sobretudo nas falas de Kajuru, jornalista conhecido por não ter “papas na língua”. Nos episódios derradeiros de Fora do Ar, ele criticou Paulo Maluf e chamou o dono do Ibope de “vigarista”. Pouco tempo depois, em 19 de setembro do mesmo ano, Silvio Santos simplesmente mandou encerrar o Fora do Ar.

Muitos creditam o fim justamente a estas falas de Kajuru. Mas é pouco provável que tenha sido isso. A verdade é que Fora do Ar nunca correspondeu às expectativas do SBT, com baixa audiência e repercussão. Uma pena que tenha sido assim, já que a TV aberta nunca deu destaque a formatos como esse, de debate de ideias. Quando bem-feitos, são deliciosos de assistir. 

Relembre o Fora do Ar:



André Santana

2 comentários:

  1. Vi poucas vezes esse Fora do Ar e não tinha muito a ver com o público do SBT. Mas concordo com você que falta na TV aberta programas de debate e, principalmente, espaço ao contraditório, sem que a coisa caia na baixaria.

    Não que esse programa em si tivesse tanto a ver, mas me parece que o SS gosta (ou gostava) do Manhattan Connection, pois em 1996 tentou fazer algo mais semelhante ainda, o First Class, com a Marília Gabriela e o José Simão, lembra?

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    1. Opa, lembro sim do First Class! Durou muito pouco, né? Acho que não tinha "cara de SBT", tinha uma pegada mais elitista. Já Fora do Ar era uma espécie de First Class popular, já que tinha um time de apresentadores mais próximos da audiência do canal. Eu gostava do programa, achava divertido.

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