terça-feira, 11 de agosto de 2020

Usada no "Caldeirão do Huck", plateia virtual foi lançada no "Sociedade Anônima"


Numa tentativa de reinventar o programa de auditório neste período de pandemia, no qual aglomerações devem ser evitadas, alguns programas da TV brasileira lançaram o conceito de “plateia virtual”. Quem começou com esta história foi o SBT, que tratou de espalhar monitores no lugar na plateia em seus programas de auditório com imagens de pessoas reagindo.

Na prática, a plateia virtual do SBT se revelou uma grande bobagem. Programa do Ratinho, Domingo Legal e Programa da Maisa fazem uso do recurso, e melhor seria se não utilizassem. Isso porque as pessoas que aparecem no telão não estão ali em tempo real. São imagens pré-gravadas de reações variadas de espectadores. Que são colocadas no ar sem nenhum critério. Assim, quando acontece algo engraçado no palco da Maisa, os telões mostram pessoas sérias olhando. Ou então, sem nenhum motivo aparente, alguns deles aplaudem. Ou riem quando não é hora. Ou seja, nem ao menos colocam as reações certas na hora certa. O que acontece no palco não dialoga com a reação da plateia, o que gera uma sensação de descompasso.

Aí veio o Caldeirão do Huck, com um conceito de plateia virtual mais bem definido. No programa de Luciano Huck, o espectador assiste, de sua casa, a gravação do programa em tempo real. Deste modo, consegue reagir ao que é dito pelo apresentador, e até mesmo interagir com ele. Assim, Luciano bate-papo com a plateia, lê cartazes exibidos pelo público e consegue manter a sensação de plateia presente, mesmo estando sozinho no palco. Além disso, a plateia virtual participa ativamente do quadro Quem Quer Ser um Milionário?, já que pode ajudar o participante quando é solicitada. Funciona.

Porém, vale lembrar da primeira experiência (ao menos que eu me lembre) de plateia virtual na TV brasileira. Isso aconteceu bem antes de uma pandemia eliminar a plateia presencial dos programas de auditório, mais precisamente em 2001. O programa Sociedade Anônima, apresentado por Cazé Peçanha no final das noites de domingo da Globo, já ostentava uma plateia virtual.

No programa, Cazé tinha uma plateia presencial. Mas havia também uma plateia virtual, que aparecia no telão do cenário, e também em tótens com monitores espalhados no meio da plateia presencial. Era o mesmo recurso utilizado por Luciano Huck atualmente, mas em condições bem mais precárias, já que banda larga era para poucos, e fibra ótica nem existia. Ou seja, a imagem do cidadão na plateia era bem prejudicada, assim como a interação com o apresentador. 

Isso só reforça algo que já foi dito pelo TELE-VISÃO tempos atrás: Sociedade Anônima era um programa de vanguarda, e que estava à frente do seu tempo. Um programa de auditório anárquico, crítico e absurdamente reflexivo e que, de quebra, se mostrou visionário. Uma pena ter sido um fracasso e durado apenas 9 edições. Merecia mais. 

Veja abaixo um trecho do Sociedade Anônima e relembre essa loucura:



André Santana

14 comentários:

  1. Nossa, Andrezito! Eu também acho uma bobagem a plateia virtual. Ficou estranho... Eu foi longe da referência, hein?
    www.cascudeando.com

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    1. Com imagens pra gravadas não faz sentido nenhum. ..melhor um grupo pequeno em vídeo conferência mesmo

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    2. Luquita, faz tempo que eu quero escrever sobre plateia virtual. Mas foi só quando eu comecei a escrever, me veio, do nada, a lembrança do Sociedade Anônima! São as fadas da inspiração agindo... hehehe!
      Miguel, videoconferência é melhor porque permite interação. O Caldeirão é o que usa melhor o recurso, já que a plateia realmente participa.

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  2. Pois eh . Se fosse hoje, 9 edicoes seria um programa de temporada. Uma pena que nao vingou.

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  3. Diz minha vizinha que o programa dele vingou por que em entrevista para a Xuxa ele falou que era ateu o case .isso era tabu na época

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    1. Miguel, não foi por isso. Realmente, Cazé disse no Planeta Xuxa que era ateu, e isso repercutiu bastante. Havia poucos "ateus assumidos" na TV em 2001. Mas o Sociedade Anônima não vingou porque não deu audiência mesmo. Era um programa "modernoso" demais, meio TV paga na TV aberta, e era exibido num horário super ingrato (depois do Sai de Baixo). E, para piorar, concorria com o Silvio Santos, que vivia uma ótima fase.

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  4. Sociedade Anônima, nossa... Esse programa não deu certo, mas tinha ideias interessantes, mas é aquela: O público não gosta muito de pensar!

    Esse vale uma sessão nostalgia heim, André?

    Obs: Realmente a plateia virtual é bizarra!

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  5. Eu não vi nenhum programa do Cazé na Globo, rs...Pra mim o programa mais legal dele era o Teleguiado na MTV e depois que ele voltou eu gostava do Neurônio MTV; quando ele saiu do Teleguiado e foi para aquele VJ por um Dia, eu achei que tinha perdido um pouco a graça e não dei a devida atenção ao Sociedade Anônima.

    Mas eu entendo totalmente sua visão e penso sim que ele poderia ter tido mais tempo na Globo para desenvolver alguma atração. Entendo que o dia escolhido foi péssimo, numa noite de quinta ou sexta poderia funcionar e, como disse o Daniel, hoje sendo de temporada, poderia ser algo a fazer mais sucesso.

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    1. Sobre o dia de exibição; é fato que, depois do Sai de Baixo, a Globo só conseguiu sucesso ali com filme de ação. Mas houve uma ideia do Galvão Bueno, depois da Copa de 2002, de colocar o Bem, Amigos no horário! Só que a Globo não quis e preferiu deixar a atração só no Sportv.

      Não generalizaria, como o Marcelo, ao dizer que todo o público não gosta de pensar, mas de fato, existem atrações com menos poder reflexivo, que acabam encontrando mais espaço na TV aberta (o que até nem tem sido o caso do Bem, Amigos, que tem até promovido debates interessantes na parte esportiva, apesar de ser possível criticar a visão de alguns ali).

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    2. Alexandre, o Sociedade Anônima tinha um "que" de tudo o que Cazé fez na MTV. O lado crítico na conversa com a plateia era meio Teleguiado, enquanto havia um quadro em que participantes anônimos faziam coisas tipo apresentar jornal ou "moço do tempo", tipo VJ por um Dia. Tinha muita coisa!

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  6. O recurso é bem interessante e necessário nesse período delicado, mas a meu ver a plateia virtual deixa o programa de auditório muito artificial (até rimou...), dando-se a impressão de que é gravado. Pelo menos enquanto perdurar essa pandemia vamoa ver esse formato por algum tempo... Fora do Brasil, esse recurso também já foi utilizado na TV alemã, na versão local do Roda a Roda, que por sua vez é uma versão do Wheel of Fortune. Talvez por achar que a presença da plateia física seria desnecessária, eles só filmavam o palco e reproduziam os aplausos do público como se ele estivesse presencialmente. Mas na TV alemã é outra realidade. Já aqui não deve pegar essa moda, mesmo que passe a pandemia

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    1. João Paulo, eu considero o case do Caldeirão do Huck como sucesso porque a plateia participa do Quem Quer ser um Milionário, ajudando o participante. E isso se manteve na plateia virtual. Achei uma boa ideia.

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