sábado, 29 de agosto de 2020

Boa novela, "Novo Mundo" não empolga em reprise


 

Novo Mundo é a primeira novela da “safra de reprises” imposta pela pandemia a chegar ao fim. A trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão reafirmou suas qualidades neste repeteco, mas não mexeu com a audiência como em sua exibição original, em 2017. Uma pena, se enfileirarmos todas as qualidades da novela das seis.

Em 2017, Novo Mundo foi uma agradável surpresa. Ao misturar folhetim com figuras históricas, fazendo uma aventura de época inserida no início do Brasil Império, os autores entregaram uma trama redonda, envolvente e bem divertida.

Claro, a reprise também deixou claro alguns elementos que não funcionaram tão bem, como a mocinha Anna Millman (Isabelle Drummond). Apresentada como “à frente de seu tempo”, a heroína acabou caindo fácil demais no golpe de Thomas (Gabriel Braga Nunes), o que a fez perder força. Sua cota de sequestros e de cárcere acabou cansando um pouco. Mais sorte teve Joaquim (Chay Suede), que ganhou cores de super-herói e se revelou um mocinho carismático.

Mas foi o casal que andou ao lado dos heróis que concentrou os olhares do público que curte uma boa história de amor na primeira exibição. Os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e sua primeira esposa, Leopoldina (Letícia Colin) funcionaram, sobretudo em razão do trabalho da atriz, que deu humanidade à princesa. Assim, valeu a “licença poética” da trama, que aproveita do recorte da época retratada para dar um final feliz ao casal, ao mesmo tempo em que conferiu ares de vilã à amante de Pedro, Domitila (Agatha Moreira).

Além do folhetim tradicional, os autores foram felizes ao usar a temática histórica para fazer um paralelo com o Brasil atual. Com muita sagacidade, Thereza Falcão e Alessandro Marson colocaram na boca de seus personagens diálogos de duplo sentido, que encaixavam perfeitamente no contexto atual do país. O resultado foi uma novela com diversas camadas, que não saía de seu objetivo principal, o entretenimento, mas que também era capaz de provocar o público e despertar a reflexão.

No entanto, curiosamente, o encanto da primeira exibição não se repetiu nesta reapresentação. O romance de Pedro e Leopoldina não causou o mesmo frisson da exibição original. Porém, vale lembrar que esta reprise de Novo Mundo esteve longe de ser um fiasco. A novela manteve o horário das seis da Globo num patamar aceitável, com uma média de acordo com o trilho que se espera da faixa. O “problema” maior foi a comparação com as demais novelas. Totalmente Demais é um fenômeno, que conquistou uma plateia maior que em 2015. E Fina Estampa é uma trama popular de grande apelo, que ainda toca grande parte dos espectadores.

Novo Mundo, embora tenha suas qualidades, não conseguiu se mostrar como um clássico capaz de repetir seu sucesso. A reprise mostrou que a novela conquistou o público naquele período, mas não deixou saudades a ponto de trazê-lo de volta com a mesma empolgação nesta reapresentação.

Além disso, Novo Mundo tem um tom mais formal e soturno que as demais novelas em reapresentação. Neste momento de pandemia, onde muitos estão tensos e procurando relaxar, os dramas históricos e a ambientação escura acabaram sendo ofuscados pelo noticiário, que anda mais duro e tenso que o normal. Ou seja, quem buscou refúgio numa novela, preferiu algo mais leve, como Totalmente Demais e Fina Estampa, duas histórias mais “solares”. E que, de quebra, são quase “contos de fadas” modernos.

Flor do Caribe, então, terá a missão de fazer o horário das seis “relaxar”, como fazem Totalmente Demais às 19h, e Fina Estampa às 21h. E preparar o público para uma nova trama histórica, Nos Tempos do Imperador, que deve estrear em 2021. Esperamos que, até lá, as coisas já estejam minimamente melhores, e que a receptividade da história de Dom Pedro II (Selton Mello) seja parecida com a da primeira exibição de Novo Mundo.

André Santana

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

SBT exibe episódios clássicos de Pernalonga no "Sábado Animado"

 


O Sábado Animado, tradicional faixa de desenhos animados do SBT, em seus áureos tempos, sempre fez a alegria dos telespectadores saudosistas. E, parece, a faixa está voltando a dar espaço a desenhos clássicos. Recentemente, o programa voltou a exibir Looney Tunes, com desenhos protagonizados por Pernalonga e seus amigos.

No sábado passado, 22, por exemplo, o programa exibiu, por volta das 8h30, um episódio clássico da animação. O que chama a atenção é o fato de o canal exibir o desenho com a dublagem consagrada, com as vozes que os espectadores do SBT se acostumaram a ouvir nas décadas de 1980 e 1990, quando Looney Tunes era exibido em praticamente todos os programas infantis da emissora.

A dublagem clássica brasileira dos Looney Tunes data da década de 1960 e 1970, feita pela TV Cinesom e Cinecastro. Atores como Cauhê Filho, Ronaldo Magalhães e Ary de Toledo se revezaram na voz do famoso coelho.

No entanto, esta dublagem deixou de ser exibida no SBT a partir de 2001, quando foi lançada a faixa A Hora Warner. Nesta faixa, exibida de segunda a sexta, das 8h às 9h, até 2007, os desenhos de Pernalonga eram exibidos com uma nova dublagem, com Mário Monjardim fazendo o coelho. Depois disso, o SBT até voltou a exibir Looney Tunes com a dublagem clássica, mas ela foi ficando cada vez mais rara na programação.

Pernalonga e seus amigos são parte fundamental da história do infantil Sábado Animado. Quando a faixa foi criada, no ano de 1995, Looney Tunes era uma das principais atrações do programa.

Naquela época, e durante boa parte da história do Sábado Animado, era comum o programa exibir apenas animações clássicas entre 7h e 9h30, dando espaço aos desenhos mais modernos depois deste horário. E esta “faixa clássica” já trazia as aventuras de Pernalonga, Patolino, Frajola e Papa Léguas, entre outros.

Pena que foi ao ar apenas um episódio, exibido entre a série animada de Chaves e Mistérios de Frajola e Piu-Piu (que também é Looney Tunes, mas se trata de uma série mais “recente”, dos anos 1990). A emissora poderia estender uma faixa de clássicos nas manhãs de sábado, com mais Pernalonga, Ligeirinho e Gaguinho. E engatar a versão clássica de Scooby-Doo, Tom & Jerry (a série clássica, e não a que exibem atualmente), Corrida Maluca... seria bem legal!

André Santana

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Band e RedeTV promovem "troca-troca" matinal


Nesta quarta-feira, 26, a RedeTV anunciou a contratação de Luís Ernesto Lacombe. O jornalista, que deixou a Band após ser afastado do matinal Aqui na Band, que ele tratou de transformar numa arena bolsonarista, se dedicará a novos projetos na emissora de Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho. Segundo Flavio Ricco, a ideia inicial seria um novo matinal diário e, ainda, um semanal, que pode ocupar a vaga do Mariana Godoy Entrevista.

Enquanto isso, Edu Guedes anunciou recentemente que vai deixar a RedeTV. O apresentador, que comanda o Edu Guedes e Você desde 2018, é uma das principais fontes de faturamento do canal, mas optou por seguir novos caminhos. Não há nada oficial, mas segundo toda a imprensa especializada, Edu está com os dois pés na Band. Segundo o Notícias da TV, Edu pode ganhar um programa só seu, ou se tornar colaborador dos programas de Mariana Godoy ou Cátia Fonseca. 

Edu Guedes nas manhãs da Band faz todo o sentido, dada a tradição da emissora em programas de culinária matinais. Afinal, foi a emissora que consagrou, em definitivo, Ofélia Anunciatto, no clássico Cozinha Maravilhosa da Ofélia. Após a morte da culinarista, o canal apostou em Daniel Bork, que comandou programas como Receita Minuto, Bem Família, Dia Dia e Cozinha do Bork, todos dedicados às receitas.

Assim, caso Edu realmente assine com o canal do Morumbi, a emissora retoma este filão. Que nunca foi completamente abandonado, já que o Aqui na Band tinha um quadro de culinária que deve permanecer, com o chef Dalton Rangel, no novo programa de Mariana Godoy.

Mas é curioso notar que Luís Ernesto Lacombe deve estrear na RedeTV justamente na lacuna que será deixada por Edu Guedes, que pode vir a ocupar o espaço que já foi de Lacombe na Band. Mais curioso ainda é perceber que a Band acabou com o matinal de Lacombe justamente pelo viés bolsonarista exagerado e desconfortável, que deve ser justamente o que a RedeTV procura para suas manhãs. 

Comercialmente, parece um tiro no pé. A Band, acertadamente, busca algo plural e com potencial de venda para encher seu cofrinho. Enquanto isso, a RedeTV perde um de seus maiores faturamentos, e apostará um programa que, dado o histórico de Lacombe, não se converterá em audiência, muito menos faturamento. Será apenas mais uma maneira de tentar agradar o governo em troca de afagos e migalhas. Fazer o que?

André Santana

sábado, 22 de agosto de 2020

Aos 39 anos, SBT vive fase difícil

 

Nesta semana, o SBT completou 39 anos de operações. O canal de Silvio Santos nasceu sob imagem e semelhança de seu dono e principal apresentador e, com isso, criou uma relação afetiva com sua audiência, que sempre torce a favor da emissora. No entanto, esta torcida tem poucos motivos para sorrir neste aniversário.

Isso porque o SBT vive, em 2020, uma das mais graves crises criativas e de audiência de sua história. A emissora ostenta uma grade de programação fraca e sem novidades, é muito dependente de reprises e vive, basicamente, de reverenciar sua própria história, sem olhar para o futuro de uma maneira mais firme.

A emissora nasceu e se criou alicerçada em dois pilares do entretenimento: auditórios e enlatados. O primeiro, capitaneado pelo próprio Silvio Santos, deu espaço a veteranos da TV, como Hebe Camargo e Raul Gil, além de revelar grandes nomes do segmento, como Gugu Liberato e Celso Portiolli. Porém, os auditórios foram perdendo espaço para formatos, como os que formam os atuais Domingo Legal e Eliana. E a pandemia de covid-19 afastou Silvio e Raul de suas funções.

Já os enlatados, que já chegaram a ocupar mais da metade da grade do canal, hoje vivem de filmes antigos nas duas únicas sessões de cinema que ainda permanecem na programação. As séries desapareceram, as novelas mexicanas são subaproveitadas e há apostas que parecem fazer sentido apenas ao próprio Silvio Santos, como Alarma TV e WWE Raw.

O jornalismo, que já teve altos e baixos, hoje fica no meio do caminho. O SBT nunca dedicou tantas horas para a informação quanto atualmente. No entanto, isso é feito sem investimentos, o que resulta no inexplicável Primeiro Impacto de seis horas de duração. O SBT Brasil, principal jornal do canal, acaba de completar 15 anos, mas vive uma fase de controvérsia por conta do alinhamento político do canal.

Outro segmento de altos e baixos é a dramaturgia. Depois de reencontrar o caminho do sucesso com as novelas infantis, a emissora enfrenta agora o desgaste da fórmula. A trajetória de As Aventuras de Poliana resume bem isso: estreou em alta, em 2018, mas viu sua plateia diminuir na mesma proporção em que os capítulos aumentavam. Mesmo em queda, a emissora ainda aposta na novela, engatilhando a “segunda temporada”, que teve gravações interrompidas por conta da pandemia.

No contexto da pandemia, o SBT foi a emissora aberta que mais perdeu público. Mas a fase ruim da emissora não tem a ver apenas com isso. Nos últimos anos, o canal já vinha dando claros sinais de dificuldades em se renovar. A emissora parece parada no tempo e perdeu alguns de seus trunfos, que a tornaram a segunda maior rede do país no passado.

Em seu início, o SBT sempre se caracterizou pelo entretenimento, e por ser um celeiro de talentos. Boa parte dos artistas que fizeram sua história são “nascidos” na casa. Neste quesito, Silvio Santos sempre mostrou um olhar apurado para enxergar valores e fez muitas apostas, várias delas muito bem-sucedidas.

Gugu Liberato, no auditório, e Mara Maravilha, nos infantis, são alguns dos expoentes dos primeiros anos do SBT. Mais tarde, vieram nomes como Eliana e Celso Portiolli, que hoje dividem o domingo com o “patrão”. Christina Rocha, atualmente à frente do Casos de Família, é outra prata da casa, atuando em programas da emissora, entre idas e vindas, desde sua estreia.

Hoje, a emissora perdeu este know-how. Não há mais a preocupação em apostar em novos valores. As grandes “novidades” do cast do canal em seus últimos anos são as filhas de Silvio Santos, que ocupam grande espaço na grade. Silvia Abravanel no Bom Dia e Cia, Patrícia Abravanel no Topa ou Não Topa e Receba Abravanel no Roda a Roda foram os últimos “lançamentos” da emissora.

Além de não conseguir mais revelar novos talentos, a emissora também perdeu a mão no que se refere a lançamentos de programas que surpreendem o público. Lembram do frisson que foi a estreia de Casa dos Artistas? Há quantos anos o SBT não aposta num formato capaz de mexer com o público, como o Show do Milhão, um fenômeno do início da década de 2000?

Soma-se a isso a insistência de Silvio Santos em emplacar programas que não encontram qualquer possibilidade de acontecer. Além de promover mudanças quase diárias no Triturando, que agora ganhou o “spin-off” Notícias Impressionantes aos finais de semana, o “patrão” segue tentando enfiar goela abaixo do público enlatados de gosto duvidoso, como Milagres de Nossa Senhora.

Além disso, investe de maneira errada nos poucos valores humanos que ainda aparecem por ali. O caso mais notório é Maisa Silva, estrela da casa desde a mais tenra idade, com uma entrada absurda junto aos adolescentes nas redes sociais, mas que na TV aparece com um programa engessado, envelhecido e que não dialoga com seu público-alvo.

Outro valor desperdiçado é Chris Flores. Profissional versátil e de grande gabarito, a jornalista se divide entre Triturando e Notícias Impressionantes, dois programas muito aquém de sua capacidade.

É um cenário muito triste para uma emissora que já teve tantos bons momentos, revelou grandes nomes, trouxe grandes formatos e já mexeu com público e crítica com passos ousados e surpreendentes. Hoje, é um canal estagnado, sem a mesma capacidade de se renovar. Infelizmente, o SBT caminha para um futuro bastante obscuro.

André Santana

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Fora do ar, "Mais Você" terá mudanças quando voltar


Na última semana, o destino de Ana Maria Braga foi novamente alvo dos fofoqueiros de plantão. Houve quem enxergasse pouco caso da apresentadora diante de Fátima Bernardes, durante a sua aparição diária dentro do Encontro. Desavisados entenderam que Ana está pistola porque seu programa está fora do ar e bastante descontente com o fato de ter se tornado coadjuvante do programa de Fátima, daí sua indiferença no ar com a colega. Na última segunda-feira, 17, Ana chegou a desmentir a informação no ar, o que foi entendido por outros desavisados que ela foi obrigada pela direção a se desculpar.

Todo este falatório fez ressurgir um boato que retoma, ano sim e outro também: o fim do Mais Você. Com a “briga” entre Ana Maria Braga e Fátima Bernardes, e a insistência da apresentadora em retomar seu programa solo, a loria estaria disposta até mesmo a deixar a Globo em busca de seu espaço novamente. Gente… balela! Não é preciso ir longe para sacar que este converseiro todo não faz o menor sentido.

Até acredito que Ana Maria possa estar insatisfeita. Afinal, são quase 30 anos de programa diário, só seu e ao vivo. Se ver reduzida a uma pequena aparição diária, mesmo sendo por uma boa causa (a apresentadora é do grupo de risco da covid-19), não deve ser fácil. Então, sim, é bem possível que Ana possa estar solicitando à direção da Globo o retorno do Mais Você. É até natural a loira pensar em alternativas para retornar, entre elas fazer seu programa de casa, como Pedro Bial e Serginho Groisman vêm fazendo.

Mas Ana Maria sabe mais do que eu que quem define um retorno ou não do Mais Você é a direção da Globo. A apresentadora sabe muito bem que não foi Fátima Bernardes quem determinou a suspensão do Mais Você. E que não é Fátima quem impede seu retorno. Muito menos que Fátima quer vê-la pelas costas. Ou seja, essa história de briga entre as duas, obviamente, não faz o menor sentido.

Assim como não faz o menor sentido ressuscitar os boatos sobre o fim do Mais Você. O programa é um case de sucesso dentro da Globo, com excelente repercussão, boa audiência e, principalmente, ótimo faturamento. Ana Maria sempre teve um grande retorno comercial, tanto que segue fazendo seus merchans mesmo dentro do Encontro. A Globo não vai abrir mão disso. O Mais Você só não voltou ainda por conta da pandemia. Ana Maria tem 71 anos e acaba de vencer um câncer agressivo. A emissora está, somente, sendo prudente e poupando sua estrela. 

Tanto o Mais Você não vai acabar que Cristina Padiglione noticiou, em seu blog Telepadi, que a Globo está movendo novamente a produção do programa para São Paulo. O matinal, quando for retomado, voltará a ser apresentado dos estúdios da Globo na capital paulista, de onde foi feito entre 1999 e 2007. A atração trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro em 2008 para que Ana ficasse mais perto dos artistas do Projac, facilitando a ida dos convidados para seu famoso café da manhã. Mas, segundo Padi, a Globo agora atende o pedido da própria Ana, que mora em São Paulo e quer voltar a trabalhar na cidade.

Aliás, não estranhem se a Globo não aproveitar o deslocamento para fazer profundas mudanças no Mais Você. Com Ana Maria já na casa dos 70 anos, o canal pode considerar diminuir o ritmo de sua estrela, fazendo-a comandar uma versão semanal de sua atração. Afinal, voltando para São Paulo, o Mais Você voltará a encontrar dificuldades em receber convidados da emissora diariamente. Mas, se exibido semanalmente, a coisa fica mais fácil, vide Faustão e Serginho Groisman, que também gravam na capital paulista. Isso é apenas uma suposição minha, claro, mas acho que faz algum sentido. Vamos aguardar. 

André Santana

sábado, 15 de agosto de 2020

13º Troféu Santa Clara Tele-Visão aponta o pior da televisão

 

O Troféu Santa Clara, promovido pelo TELE-VISÃO desde 2008, chega à sua 13ª edição apontando o que há de pior na televisão brasileira. Em alusão ao dia de Santa Clara (11 de agosto), Padroeira da TV, o blog reúne jornalistas e blogueiros especializados em TV para votar nos piores em várias categorias. Neste ano, em razão da pandemia, teremos, além das 15 categorias tradicionais, uma 16ª: pior reprise de novela! Nesta edição, o júri é formado por Arthur Pazin (Diário da Região), Fábio Costa (Observatório da Televisão e autor do livro “Novela: a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fabio Maksymczuk (FabioTV), Jurandir Dalcin (Portal Comenta), Kleber Nunes (Blog de Knunes), Lucas Andrade (Cascudeando), Neuber Fischer (Grupo Observatório), Rodrigo Albuquerque (Pega Dica) e André Santana (TELE-VISÃO e Observatório da TV).

Lembrando que os jurados levam em consideração a programação exibida entre agosto de 2019 a agosto de 2020. Abaixo, os “vencedores”:

Pior novela: “As Aventuras de Poliana” (4 votos)

 

Fábio Costa - Se perdeu completa e indefinidamente na falta de apelo para mais de 500 capítulos numa história que de aventuras teve menos do que de enrolação.

Fabio Maksymczuk - O carro-chefe da programação diária do SBT, As Aventuras de Poliana, enfrentou um severo processo de desgaste. A novela de Iris Abravanel esteve no ar por dois anos com mais de 550 capítulos. Uma obra “normal” possui cerca de 170 capítulos. A história protagonizada por Sophia Valverde e Igor Jansen se arrastou. O telespectador emitiu o seu sinal. Raramente, a trama alcançava dois dígitos na média, feito comum nas produções infantojuvenis do canal.

Neuber Fischer - Longa demais a novela perdeu o rumo da história original, a autora Íris Abravanel precisou criar muitas tramas paralelas que nada tinham a ver com a obra literária a qual a novela foi inspirada.

Foram lembradas: A Dona do Pedaço (3 votos); Éramos Seis (1); Salve-se Quem Puder (1).

 

Pior reprise de novela: “Fina Estampa” e “Apocalipse” (4 votos cada)

 

André Santana – Fina Estampa já era um horror de novela em 2011. Quase dez anos depois, a novela se mostrou datada, com piadas e abordagens que já não fazem mais sentido nos dias de hoje. Preciso fazer coro ao Marco Pigossi e concordar que essa novela jamais deveria ter sido reprisada.

Jurandir Dalcin – Fina Estampa, sem dúvidas! Uma das piores novelas que a emissora produziu. Aguinaldo Silva foi muito infeliz ao escrever uma novela exagerada, e sem nenhum atrativo. Na reprise só se comprovou o quanto é datada e nonsense.


Lucas Andrade - Apocalipse. Num momento crítico, onde as pessoas estão enfrentando a pandemia do Covid-19, foi de péssimo gosto da Record a escalação da reprise de Apocalipse. A novela não é boa, teve audiência péssima, traz uma mensagem descarada de evangelização, é refém de atuações sofríveis e seu tom pesado em nada contribui para o entretenimento do público que convive diariamente com notícias catastróficas.

Rodrigo Albuquerque - Apocalipse, já era ruim inédita, continua ruim na reprise, se passar mais uma vez, pode pedir música no Fantástico.

Foi lembrada: Cúmplices de um Resgate (1 voto).

 

Pior ator: Marcos Palmeira (3 votos)

 

Arthur - Mais um poste que ocupou posto de protagonista graças a Amora Mautner.

Jurandir - Em sua volta ao horário nobre, o ator parecia estar fazendo o mesmo protagonista de trabalhos anteriores. Mesma expressão, mesmo tom, mesma chatice.

Foram lembrados: Sergio Marone (1), Nicolas Prattes (1), João Baldasserini (1), Julio Rocha (1), Caio Castro (1).

 

Pior atriz: Agatha Moreira (2 votos)

 

André – Agatha é uma atriz OK, teve bons momentos em novelas anteriores, como Verdades Secretas, mas não entregou um grande trabalho como a vilã de A Dona do Pedaço. O texto não ajudou, é verdade, mas a atriz não pareceu fazer grande esforço para imprimir um mínimo de carisma à patricinha.

Lucas - A vilã que poderia ter tido o mínimo de complexidade na frágil trama de Walcyr Carrasco se tornou uma personagem caricata não apenas pelo texto, mas pela interpretação. Lembro que a primeira opção teria sido Bianca Bin, mas foi Agatha Moreira quem ficou com Jô.

Foram lembradas: Sophia Valverde (1), Leona Cavalli (1), Susana Vieira (1), Letícia Lima (1), Sophie Charlotte (1), Adriana Birolli (1).

 

Pior apresentador: Rodrigo Faro (3 votos)

 

Jurandir - Não consigo mais vê-lo com os mesmos olhos faz muito tempo, e algumas gafes só comprovam o quanto o artista que um dia foi já não existe mais. Talvez, se saísse de sua zona de conforto e buscasse uma renovação em sua vida artística, o público voltasse a lhe enxergar como um sério profissional. No momento, só vejo um personagem em busca de audiência.

Lucas - Ele se esforça para dar credibilidade à sua imagem e se mostrar como uma opção consolidada e evoluída enquanto apresentador, mas peca em não demonstrar ao público um lado mais humano e espontâneo. Quando tenta, acaba forçando para convencer, como na ocasião do falecimento do apresentador Augusto Liberato.

Neuber - Apelativo e sem carisma, ele tenta ser como grandes apresentadores da TV, mas não tem talento nem simpatia.

Foram lembrados: Sikêra Jr (2), Luis Ernesto Lacombe (2), Marcelo de Carvalho (1), João Kleber (1).

 

Pior apresentadora: Ana Hickmann (3 votos)

 

André – Ana Hickmann é um raro caso em que a experiência pesa contra. Quanto mais o tempo passa, mais desarticulada e pouco natural ela parece. Até Daniela Albuquerque evoluiu, mas Ana simplesmente estacionou com a postura de mestre de cerimônia que adota no comando do Hoje Em Dia.

Foram lembradas: Sabrina Sato (2), Patrícia Abravanel (1), Daniela Albuquerque (1), Mara Maravilha (1), Eliana (1).

 

Pior programa humorístico: “Encrenca” (3 votos)

 

Arthur - Só pelo nome Zap Zap já se sabe porque é…

Rodrigo - Um grande programa de vídeos do zapzap, nem deveria ser classificado como programa.

Foram lembrados: Fora de Hora (2), Como Lidar?, quadro do Fantástico (1), Te Peguei (1), A Vila (1), A Praça É Nossa (1). 

 

Pior locutor esportivo: Galvão Bueno (4 votos)

 

Fabio Maksymczuk - Para manter a tradição.

Lucas - Permanece com seus vícios de anos.

Foram lembrados: Netto (1), Cleber Machado (1).

 

Pior programa jornalístico: “Alerta Nacional” (3 votos)

 

Fábio Costa - Uma das maiores porcarias na TV brasileira, na qual porcaria não falta.

Lucas - Trata-se de um palanque onde o apresentador dá voz a uma realidade distorcida sem se responsabilizar pelas opiniões emitidas. Costuma viralizar na internet com manifestações de cunho preconceituoso. O apresentador sabe disso e orgulha-se disso. É lamentável a existência deste programa.

Foram lembrados: O Grande Debate CNN (1), Jornal da Record (1), Primeiro Impacto (1), SBT Brasil (1).

 

Pior programa esportivo: “Esporte Fantástico” (4 votos)

 

Kleber Nunes - Pelo jeito o programa não voltará mais à grade demonstrando o descaso da emissora com o esporte e a Mylena pra mim já encerrou carreira na emissora.

André – O programa nunca teve lá muita identidade. Pautas fracas e pouca informação relevante sobre esporte dava a tônica do programa de Mylena Ciribelli, que ficou escondida nas manhãs de sábado da Record. E a emissora nem se esforçou para mantê-lo durante a pandemia, como fez a Globo com o Esporte Espetacular, e dá a impressão de que nem voltará mais ao ar.

Foram lembrados: Os Donos da Bola (1), TV's dos clubes (1), Globo Esporte (1).

 

Pior programa de variedades: “Triturando” (5 votos)

 

Kleber - O programa que começou como Fofocando, depois Fofocalizando e que chegou a virar Notícias Impressionantes é um mutante Frankenstein criado pelo Silvio Santos e os apresentadores não se bicam.

Foram lembrados: Se Joga (3), Em Revista com Evê Sobral (1), Alarma TV (1).

 

Pior programa de auditório: “Hora do Faro” (7 votos)

 

Fábio Costa - Fora seu apresentador que não consegue emocionar, um programa que deveria divertir apela demais para a “emoção” com assistencialismo. E pensar que um dia já foi o “melhor do Brasil”…

Fabio Maksymczuk - Hora do Faro é um dos programas mais desgastados da TV brasileira. Faro não passa naturalidade no vídeo.

Jurandir - Acho que o programa usa de situações clichês e bem idiotas para tentar conquistar audiência, não trazendo nada de relevante para o público.

Kleber - Rodrigo Faro só se queima com um programa sem graça e sem futuro, por isso que sempre perde pra Eliana e ainda foi infeliz ao perguntar sobre a audiência na repercussão da morte de Gugu Liberato fazendo se queimar ainda mais. 

Rodrigo - Programa cansativo e sem atrativos, tudo que fazem é explorar choro e um humor sem graça, já passou da hora de sair do ar.

Foi lembrado: Programa Silvio Santos (2).

 

Pior reality/talent show: “De Férias com o Ex” (3 votos)


Fábio Costa - Não há lógica em passar férias com alguém de quem você na maioria das vezes quer é uma boa distância… Se a questão é sacanagem, há meios mil para obter.

Lucas - Não apenas pela falta de conteúdo, mas em razão dos cortes promovidos pela edição. Enquanto cenas heterossexuais bem calientes são exibidas, houve censura em cenas íntimas entre pessoas do mesmo sexo.

Foram lembrados: Made in Japão (2), Soltos em Floripa (2), The Four (1), Mestre do Sabor (1).

 

Pior série: “Eu, a Vó e a Boi” (2 votos)

 

Lucas - Disponível no Globoplay e talvez em breve na TV aberta (o primeiro episódio já foi exibido na Globo), a última produção assinada por Miguel Falabella é sofrível. Nascida de uma thread do twitter, não sustentava uma temporada inteira. Apesar dos bons atores escalados, como Arlete Salles e Vera Holtz, havia momentos de vergonha alheia e atropelos numa história superlotada de personagens, pouco fluída e nem um pouco convidativa.

Foram lembrados: Máquina Mortífera (1), Filhos da Pátria (1), Manifest (1), Reality Z (1), reprise de Cine Holliúdy (1), Tô de Graça (1).

 

Fiasco do ano: “Aqui na Band” (2 votos)

 

Fabio Maksymczuk - Aqui na Band não engrenou nos índices de audiência durante o seu ano de existência. A saída de Silvia Poppovic foi a última cartada para tentar modificar a situação. Sem êxito. Luis Ernesto Lacombe se transformou em baluarte do ideário do presidente Jair Bolsonaro. O modelo adotado com diversos especialistas sucumbiu com a demissão de colaboradores. O matinal se transformou em grandes debates sobre o universo político. Fracassou.

Foram lembrados: As Aventuras de Poliana (1), Triturando (1), a paralisação das TV's por conta da pandemia (1), cancelamento de uma edição do SBT Brasil (1), Made in Japão (1), Se Joga (1).

 

Pior programa da televisão brasileira: “Triturando” (3 votos)


Fabio Maksymczuk - A faixa vespertina do SBT enfrenta sérias dificuldades. Fofocalizando se transformou em Triturando que se modifica, do nada, em Notícias Impressionantes que se transmutou novamente em Triturando. Livia Andrade e Mara Maravilha foram afastadas. Entraram Ana Paula Renault e Flor. Ana Paula possui uma legião de fãs, mas também carrega expressiva taxa de rejeição do telespectador. Ela, sozinha, não levou mais público ao vespertino. A trupe liderada por Chris Flores analisa, entre outros assuntos, músicas dos anos 40 e 50. Com os “grandes sucessos da música brasileira”, Triturando triturava, na realidade, a paciência do telespectador.

Foram lembrados: Alerta Nacional (2), Aqui na Band (1), Casos de Família (1), Alarma TV (1), todos os programas “criados” por Silvio Santos – Alarma TV, Triturando, Notícias Impressionantes etc (1).

Troféu Santa Clara 2020: menções honrosas

 

Assim como 2020 tem sido um ano diferente na TV, com muitas reprises e programas reinventados em razão da pandemia de covid-19, o Troféu Santa Clara também teve suas “diferenças”. Não apenas pela presença da categoria “pior reprise de novela”, para contemplar a principal “novidade” do ano, mas também pela maior lembrança da programação do segundo semestre de 2019, vide a presença de A Dona do Pedaço em algumas categorias (e elegendo pior ator e atriz). A orientação sempre foi considerar o período agosto/agosto, mas é sempre mais comum, na história do Troféu, os “vencedores” serem do ano vigente. Neste ano, a memória do corpo de jurados foi mais longe.

Além disso, as categorias ator e atriz também resgataram atores e atrizes que estão no ar em reprises, como Caio Castro (voto de Rodrigo) e Julio Rocha (voto de Neuber). Fábio Costa, por exemplo, se lembrou de Leona Cavalli, no ar em reprises da Globo e da Record. “Tanto a Ariela de Apocalipse quanto a Gilda de Totalmente Demais pediam atrizes melhores e mais expressivas do que a eterna Valdete (“Meu Deus... Que nome vulgar...”) de Belíssima”, justificou. Mas trabalhos do ano corrente também apareceram, como o Zezinho de João Baldasserini em Salve-se Quem Puder, voto de Lucas. “O personagem Zezinho é pessimamente escrito. Fica a impressão de que o ator mais limitado do que costuma ser. Não há um timing de comédia, mas sim de vergonha alheia”, analisou.

Em pior apresentador, Rodrigo Faro levou com certa facilidade o Troféu, mas Sikêra Jr. (votos meu e de Rodrigo) e Luís Ernesto Lacombe (votos de Arthur e Fábio Costa) correram por fora. “Quando achamos que o mundo já está perdido, aparece este apresentador para piorar ainda mais a TV no Brasil. É um misto de Ratinho e Leão das antigas e uma pitada de Pânico na TV, versão piorada e que deveríamos nos esforçar para esquecer”, disse Rodrigo sobre Sikêra, a nova estrela da RedeTV. “Mostrou que está disposto a tudo pra se lançar, até em assassinar o jornalismo”, comentou Arthur, ao votar em Lacombe. “Eu diria Geraldo Luís ou Rodrigo Faro, mas dessa vez não tem como não ser do Luís Ernesto Lacombe. A Globo realmente por vezes faz as pessoas parecerem melhores do que são...”, arrematou Fábio Costa.

Em pior humorístico, Encrenca teve uma vitória apertada, em razão do voto bastante pulverizado. Dentre tantas opções, chama a atenção o voto em A Praça É Nossa, escolha de Neuber Fischer. “Desgastado e com as mesmas piadas de sempre, apesar da boa audiência, o humorístico já não tem o grandioso elenco e não agrada como antigamente”, disse.

Enquanto isso, se considerarmos apenas a TV entre o final de 2019 e março deste ano, era pouco provável que o Se Joga não levasse como pior programa de variedades. No entanto, Silvio Santos criou o Triturando, já de olho nesta importante estatueta, e não deu outra: levou. Ao Se Joga, coube um honroso segundo lugar. “É tanta variedade de quadros que nenhum foi capaz de dar uma identidade ao programa. Atrações são simplesmente jogadas ao público sem qualquer cuidado em trazer algum conteúdo relevante. Talvez derive daí o nome do programa…”, acredita Lucas. “Se Joga lembrava mais um liquidificador. Mistura tudo e joga no colo do telespectador. O programa ficava sem identidade, principalmente com um trio de apresentadores”, completa Fabio Maksymczuk.

Por fim, em pior programa da TV brasileira, as opções eram muitas. Por isso, Rodrigo Albuquerque não escolheu apenas um, mas toda uma cartela dos novos “cartuchos” de Silvio Santos. “Triturando, Alarma TV e loucuras do Silvio Santos com a Chris Flores. Na verdade, eu gostaria de destacar as atitudes do SS brincando de Televisão. Os tempos já estão difíceis, imagina o psicológico das pessoas que trabalham no SBT e recebem ligação dele. Vá ver Netflix meu querido, aproveita sua assinatura vitalícia e deixa quem sabe fazer TV cuidar do seu baú da felicidade”, conclui.

André Santana

Sobre o Troféu Santa Clara

O Troféu Santa Clara é um prêmio fictício criado pela Folha de S. Paulo no ano de 1997. Na ocasião, o jornal reunia seus jornalistas especializados em TV num júri, que votava nos piores daquele ano na TV. Os vencedores eram revelados no extinto caderno TV Folha e, posteriormente, na Folha Online (atual Folha.com), sempre na semana do dia de Santa Clara, padroeira da TV. A última edição foi realizada em 2004. Em 2008, o TELE-VISÃO resgatou a ideia, montando um júri de jornalistas e blogueiros convidados especializados em TV, para dar continuidade a essa divertida maneira de se apontar as falhas da nossa televisão.

O “prêmio” leva o nome de Santa Clara porque a santa é considerada a “padroeira da TV”. Clara Favarone foi uma religiosa que nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1193. Canonizada em 1255, em 1958 ela foi declarada “padroeira celeste da TV”, pelo papa Pio 12. Assim, o dia 11 de agosto é considerado o dia da televisão.

Relembre o Troféu Santa Clara 2019 clicando AQUI!

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Usada no "Caldeirão do Huck", plateia virtual foi lançada no "Sociedade Anônima"


Numa tentativa de reinventar o programa de auditório neste período de pandemia, no qual aglomerações devem ser evitadas, alguns programas da TV brasileira lançaram o conceito de “plateia virtual”. Quem começou com esta história foi o SBT, que tratou de espalhar monitores no lugar na plateia em seus programas de auditório com imagens de pessoas reagindo.

Na prática, a plateia virtual do SBT se revelou uma grande bobagem. Programa do Ratinho, Domingo Legal e Programa da Maisa fazem uso do recurso, e melhor seria se não utilizassem. Isso porque as pessoas que aparecem no telão não estão ali em tempo real. São imagens pré-gravadas de reações variadas de espectadores. Que são colocadas no ar sem nenhum critério. Assim, quando acontece algo engraçado no palco da Maisa, os telões mostram pessoas sérias olhando. Ou então, sem nenhum motivo aparente, alguns deles aplaudem. Ou riem quando não é hora. Ou seja, nem ao menos colocam as reações certas na hora certa. O que acontece no palco não dialoga com a reação da plateia, o que gera uma sensação de descompasso.

Aí veio o Caldeirão do Huck, com um conceito de plateia virtual mais bem definido. No programa de Luciano Huck, o espectador assiste, de sua casa, a gravação do programa em tempo real. Deste modo, consegue reagir ao que é dito pelo apresentador, e até mesmo interagir com ele. Assim, Luciano bate-papo com a plateia, lê cartazes exibidos pelo público e consegue manter a sensação de plateia presente, mesmo estando sozinho no palco. Além disso, a plateia virtual participa ativamente do quadro Quem Quer Ser um Milionário?, já que pode ajudar o participante quando é solicitada. Funciona.

Porém, vale lembrar da primeira experiência (ao menos que eu me lembre) de plateia virtual na TV brasileira. Isso aconteceu bem antes de uma pandemia eliminar a plateia presencial dos programas de auditório, mais precisamente em 2001. O programa Sociedade Anônima, apresentado por Cazé Peçanha no final das noites de domingo da Globo, já ostentava uma plateia virtual.

No programa, Cazé tinha uma plateia presencial. Mas havia também uma plateia virtual, que aparecia no telão do cenário, e também em tótens com monitores espalhados no meio da plateia presencial. Era o mesmo recurso utilizado por Luciano Huck atualmente, mas em condições bem mais precárias, já que banda larga era para poucos, e fibra ótica nem existia. Ou seja, a imagem do cidadão na plateia era bem prejudicada, assim como a interação com o apresentador. 

Isso só reforça algo que já foi dito pelo TELE-VISÃO tempos atrás: Sociedade Anônima era um programa de vanguarda, e que estava à frente do seu tempo. Um programa de auditório anárquico, crítico e absurdamente reflexivo e que, de quebra, se mostrou visionário. Uma pena ter sido um fracasso e durado apenas 9 edições. Merecia mais. 

Veja abaixo um trecho do Sociedade Anônima e relembre essa loucura:



André Santana

sábado, 8 de agosto de 2020

"Programa da Maisa" murcha em nova temporada

O Programa da Maisa estreou no ano passado no SBT como uma lufada de novidade nas cansadas tardes de sábado da emissora. Um talk show com uma pegada teen, tendo à frente a esperta Maisa Silva, parecia uma ideia e tanto para um canal que não costuma lançar mão de coisas novas, preferindo recorrer ao seu baú de “velhas novidades”. Entretanto, o que começou bem logo perdeu fôlego. O formato engessado, que pouco explora a espontaneidade de sua apresentadora, cansou.

A ideia de Maisa Silva ter um talk show é ótima! O SBT foi absolutamente feliz com essa proposta. No entanto, a atração caiu fácil na dependência de um roteiro muito amarrado, que não permite muito improviso. Além disso, todo o papo de Maisa com seus convidados é costurado por quadros fixos que logo caíram no lugar-comum. Responder “haters” da internet era divertido no começo, mas logo o quadro Banho de Sabedoria passou a se tornar enfadonho, e até pedante. O Game do Dia também padeceu com jogos que não empolgavam ninguém.

Aí, veio a temporada 2020 com a vontade de trazer algo novo. Mas os primeiros episódios inéditos do ano mostraram pouca coisa verdadeiramente nova. E, depois, veio a pandemia, forçando o programa a recorrer a mais reprises. Ou seja, Programa da Maisa ficou quatro meses sobrevivendo de repetecos, o que ajudou a enfraquecer ainda mais o seu já desgastado formato.

Há algumas semanas, a atração voltou a contar com episódios inéditos. Maisa Silva agora comanda seu programa numa cadeira distante de seus convidados. A apresentadora, assim como a grande maioria dos programas de entrevista atuais, também faz uso de videochamadas para conversar com seus convidados de maneira remota. Além disso, a plateia foi substituída por monitores com imagens de pessoas reagindo.

Pois o novo formato ajudou o programa a perder ainda mais fôlego. As medidas de proteção (necessárias, claro, ninguém aqui as está condenando) expuseram as fragilidades que o programa já tinha. Sem muita mobilidade no palco, e sem a temperatura da plateia, restou ao programa apenas o seu lado “talk”, que segue abastecido por um roteiro fraco. Ou seja, a atração perdeu aqueles quadros cansativos que “interrompiam” o programa, mas a ausência deles deixou claro que não havia muito mais que aquilo. Assim, a edição de uma hora e meia praticamente se arrasta.

É uma pena! Maisa Silva continua sendo uma personalidade da mídia das mais interessantes, e que merece um espaço autoral. No entanto, tem em mãos um programa que nada tem a ver com ela. Chega a ser um desperdício ver em cena uma figura tão ligada às redes sociais no comando de um talk show de execução “jurássica”. Não adianta ter um cenário colorido e objetos infláveis para dar um ar de moderno, se, na prática, não é feito nada de novo ali.

Em tempo de pandemia, há várias experiências remotas sendo feitas, várias delas muito interessantes. O Globoplay, por exemplo, lançou dois formatos 100% remotos, que conversam com o público das lives e das redes sociais, e que funcionam muito bem: Sterblich Não Tem um Talk Show – O Talk Show e Cada um no Seu Quadrado. Ótimas produções, muito divertidas, antenadas com a contemporaneidade e que bebem do formato das lives, mas de uma maneira que funciona também na TV.

Não estou dizendo que Maisa Silva devia partir para o humor. O que estou dizendo é que falta, no SBT, um diretor com uma cabeça mais arrojada, que seja capaz de formatar um programa que converse com este público, que é, também, o público de Maisa. Mais do que nunca, é a hora de aproveitar a boa aceitação da adolescente neste nicho e, ainda, potencializá-lo para algo um tanto mais moderno. A maneira conservadora como o SBT faz televisão está desidratando Maisa Silva, infelizmente.

André Santana

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

"Torre de Babel" no Globoplay é para aplaudir de pé!

Forte, verdadeira, emocionante. Assim a Globo anunciava a estreia de Torre de Babel, em 1998, terceira incursão de Silvio de Abreu no horário mais nobre da emissora. Depois de tentar emplacar uma comédia típica das sete às oito, com Rainha da Sucata, o autor enveredou para a trama policial em A Próxima Vítima e, a partir daí, o thriller seria sua marca como novelista do horário. E Torre de Babel tem importância fundamental nesta história.

Torre de Babel também parte de um mistério. Assim como em A Próxima Vítima, Silvio de Abreu leva o público a bancar o detetive e desvendar um vilão oculto. Sai o assassino em série, entra o responsável por mandar pelos ares o Tropical Tower Shopping, maior empreendimento do empreiteiro César Toledo (Tarcísio Meira). O principal suspeito é José Clementino (Tony Ramos), um homem que passou 20 anos na prisão após matar sua esposa. Especialista em fogos, ele passou esta temporada enclausurado planejando se vingar de César, já que o depoimento do empresário foi determinante em sua pena.

No entanto, quando Clementino sai da prisão, conhece Clara (Maitê Proença), a irmã de criação de Marta (Gloria Menezes), que é esposa de César. Clara tem muitos problemas, que vão sendo revelados ao longo da novela. E, ao encontrar Clementino, também perturbado, se apaixona. Os dois, juntos, aprenderão a lidar com fantasmas do passado e se tornarão pessoas melhores. Por isso, Clementino, que já havia um plano quase completo para explodir o shopping de César, desiste de sua vingança.

Mas os planos de Clementino são roubados, completados e colocados em prática. O Tropical Tower Shopping, que ganhou o apelido de Torre de Babel da imprensa, explode, matando muitas pessoas. Clementino tenta provar sua inocência, mas será perseguido por César. Porém, há vários outros suspeitos pelo crime, já que o passado da família Toledo está cheio de esqueletos no armário. 

Torre de Babel impressionou público e crítica pelo tom duro e violento de seus primeiros capítulos. O primeiro episódio era aberto com Tony Ramos matando uma mulher a golpes de pá, e era encerrado com uma invasão de bandidos armados na mansão dos Toledo, fazendo nada menos que Tarcísio Meira e Gloria Menezes de reféns. A narrativa era crua e a aposta era na tensão psicológica. Afinal, Silvio de Abreu queria que todos os personagens tivessem suas dubiedades, de modo que todos seriam suspeitos pelo crime que movimenta a trama.

Mas não funcionou. O público da novela não comprou as novidades, ficou incomodado com a violência e com o fato de não conseguir identificar mocinhos e vilões. Além disso, houve outros incômodos, como a possibilidade de Marta ter um relacionamento homossexual com Leila (Silvia Pfeifer). Silvio de Abreu revelou que Leila, que formava um par com Rafaela Katz (Christiane Torloni), se aproximaria da matriarca dos Toledo depois que a estilista morresse na explosão do shopping. A ideia era que as duas se tornassem grandes amigas, despertando a curiosidade dos demais sobre aquilo ser apenas amizade ou “algo a mais”. E, claro, abrir a possibilidade de um romance, caso o par fosse bem-aceito.

Por conta disso e de outros imbróglios, Silvio de Abreu mudou a maneira de contar sua história. Usou a explosão do shopping para alterar sua narrativa, apostando mais no melodrama e no folhetim. Definiu romances e vilões, tornando a novela mais apreciada pelo espectador tradicional. Neste contexto, Henrique (Edson Celulari) e Celeste (Letícia Sabatella) se tornaram os principais heróis românticos, abalados por Angela Vidal (Claudia Raia), que virou a grande vilã da novela. Deu certo, e Torre de Babel se tornou um sucesso.

Silvio de Abreu, em entrevistas, sempre se mostrou insatisfeito por se ver obrigado a mudar a maneira de narrar Torre de Babel. O autor dizia que traiu sua ideia original, e que foi um processo bastante exaustivo. Mas é inegável que Abreu foi bastante habilidoso na condução das mudanças da trama. Não foi uma reforma radical, daquelas que desfiguram toda uma obra. Foi uma mudança de tom, na tentativa de deixar a novela menos “diferentona”. 

Mesmo assim, Silvio chegou a acreditar que não teria mais condições de escrever uma nova novela. Felizmente, isso não aconteceu, e Silvio de Abreu escreveu mais duas novelas no horário nobre, sempre com uma evidente pegada policial. Na trama seguinte, Belíssima, ele inverteu sua estratégia de Torre de Babel: apresentou inicialmente uma novela maniqueísta e romântica para, depois, injetar o mistério de sua trama policial. Deu certo, e Belíssima foi bem do início ao fim. Já em Passione, sua trama seguinte, houve nova tentativa de um início menos maniqueísta, que não deu certo. Passione só decolou do meio para o fim, quando o thriller policial se instalou de vez e deixou a história mais vibrante. 

Ou seja, é evidente a importância de Torre de Babel no contexto da obra de Silvio de Abreu no horário mais nobre da Globo. Apesar de A Próxima Vítima ter aberto o caminho, foi Torre de Babel que definiu o rumo dos “crimes no horário nobre”, como se chama a biografia profissional de Abreu, escrita pelo jornalista Raphael Scire. E, justamente por conta desta importância, revê-la no Globoplay é uma enorme satisfação.

Torre de Babel foi a novela que mais mexeu comigo, enquanto espectador. Eu tinha 14 anos, já gostava de novelas, mas o fato de ter no ar uma novela policial, sombria, com toques de violência, me deixou cheio de expectativas. Cada matéria que saía sobre a trama no jornal, antes de sua estreia, causava expectativas. Fiquei impactado com a estreia, com toda aquela crueza narrativa, embalada por uma abertura de trilha retumbante, que aumentava o clima de suspense. Amei de cara! Acompanhei a novela toda com muito interesse. No dia do último capítulo, quando seria revelado o responsável pela explosão, eu não pude conter o nervosismo. Foi um dia de esperar ansiosamente a noite chegar. E chegou! E o tanto que eu vi e revi o último capítulo, que eu acho tão bem desenhado. Tudo fazia sentido, o crime era deveras bem engenhoso.

Chegamos a fazer um bolão na família para saber quem explodiu o shopping. Ninguém ganhou…

André Santana

sábado, 1 de agosto de 2020

Saída de "Chaves" da TV brasileira é o fim de uma era


No último mês, o Multishow anunciou o fim da exibição das séries Chaves e Chapolin, por conta do encerramento do contrato com a Televisa. Por isso, o canal fez uma despedida à altura, programando episódios pouco vistos no Brasil e saudando a importância da série. Foi uma despedida bacana, já que o Multishow tem uma relevância grande na história de Chaves no Brasil, já que foi o primeiro canal a organizar os episódios, exibi-los em ordem cronológica e resgatando vários capítulos “perdidos” e “inéditos”. Valeu!

Porém, o espectador foi pego de surpresa com a informação que não foi apenas o Multishow que perdeu os direitos de Chaves. O SBT também anunciou que a série não poderá mais ser exibida. E isso na mesma semana em que Chaves havia retornado à programação diária do canal, depois de um ano indo ao ar apenas nos finais de semana. Um imbróglio envolvendo a Televisa, produtora da série, e Roberto Gomez Fernandes, filho de Chespirito e dono da criação do pai, fez com que Chaves, Chapolin e Chespirito saíssem do ar por aqui e também fora daqui. Até mesmo o Prime Video, que tinha as séries em seu catálogo, teve que tirá-la de cena.

Goste-se ou não da série, é inegável que a criação de Chespirito é parte importante do SBT e, consequentemente, da própria TV brasileira. Chaves e Chapolin eram parte da grade da emissora desde 1984, popularizaram na década de 1990 com a exibição na hora do almoço e, desde 2000, encararam um vai-e-vem na grade que se estendeu até a última sexta-feira, 31. Nos últimos 20 anos, Chapolin voltou esporadicamente, enquanto Chaves virava diário e semanal à vontade de Silvio Santos. Neste contexto, “salvou” a faixa das 18 horas da emissora diversas vezes, além de se consolidar nas manhãs de domingo.

Neste tempo todo, a atração se tornou curinga da emissora, sempre escalado para resolver problemas de audiência. Sua mais recente volta à faixa das 14 horas foi justamente para isso, tentar alavancar o horrendo Triturando, que entra no ar logo depois. E tinha dado certo! Agora, sem Chaves, o SBT terá vários problemas para resolver.

Mauricio Stycer, em sua coluna no UOL, disse que a falta da série pode ser boa para o SBT, que se verá forçado a buscar novidades. Porém, penso que esta visão é otimista demais, apesar de ser mesmo o ideal. O SBT não é de buscar novidades: a emissora vive de seu arquivo e, recentemente, dos enlatados estranhos que Silvio Santos traz na mala a cada nova viagem aos EUA. Ou seja, não estranhem se o canal enfiar mais Alarma TV ou WWE Raw em alguns dos “buracos” deixados por Chaves.

Por exemplo, nas manhãs de sábado, o SBT exibia Clube do Chaves, faixa que reunia episódios clássicos de Chaves e Chapolin, e também esquetes tirados do programa Chespirito, com personagens menos famosos do humorista mexicano. Para tapar este buraco, a emissora escalou The Big Bang Theory (boa comédia, mas que nada tem a ver com o horário das 6h de sábado) e a nacional Patrulha Salvadora. Ou seja, o canal vai revirar seu baú em busca de “novas reprises” para substituir a reprise de Chaves.

Nas manhãs de domingo, horário em que Chaves estava consolidado e dando trabalho à Record há anos, a emissora vai exibir Triturando. Não faz muito tempo que Silvio Santos testou sua criação neste horário, e não deu certo. O programa de Chris Flores afundou o horário e prejudicou o Domingo Legal. E, durante a semana, Chaves deve ser substituído pelas séries infantis da Nickelodeon que já ocupavam a faixa anteriormente, como The Thundermans e Henry Danger. Ou seja, mais reprises.

Assim, não será a falta de Chaves que fará o SBT sair do limbo. Pelo contrário. A tendência é que o limbo fique ainda mais amplo com esta ausência. O SBT foi o canal que mais perdeu audiência com a crise da pandemia da covid-19. Agora, sem Chaves, a coisa vai ficar um pouco pior. Por isso, discordo de Stycer: a saída de Chaves não vai fazer bem ao SBT. Pelo contrário. É uma perda enorme.

André Santana