sábado, 13 de junho de 2020

Globoplay promove boa experiência com "A Favorita"


Atração do Globoplay, a novela A Favorita completou 12 anos de sua estreia no último dia 02 de junho. A trama marcou a estreia de João Emanuel Carneiro no horário das nove da Globo e chamou a atenção pela sua proposta pouco usual num folhetim. O autor apresentou suas duas protagonistas, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia), mostrou a rivalidade entre ambas, mas não deixou claro quem era a mocinha e quem era a vilã. As duas tinham uma versão distinta de um crime cometido anos atrás, e o espectador foi convidado a escolher um lado.

Na época da estreia, João Emanuel Carneiro afirmou que, com A Favorita, ele queria discutir os julgamentos que fazemos das pessoas. E, para isso, ele pregou uma peça no público: apresentou Flora como uma vítima injustiçada, enquanto Donatela era arrogante e presunçosa. Ou seja, levou o público a “comprar” a versão de Flora do assassinato de Marcelo (Flavio Tolezani) e a condenar Donatela. Parecia que Flora havia passado 20 anos na prisão por um crime que não cometeu. Mas não era bem assim.

Cerca de dois meses depois da estreia, A Favorita virou o jogo. Num acerto de contas entre Donatela e Flora, esta admitiu ser uma assassina. Na verdade, ela saiu da prisão disposta a convencer a todos de que era inocente, armando para condenar Donatela. Ou seja, era ela a vilã, e Donatela a mocinha. A revelação fez parte do público se sentir enganado, mas logo a audiência embarcou na perseguição de Flora à Donatela, e A Favorita se tornou um irresistível sucesso. Por isso mesmo, assistir novamente a novela no Globoplay, já sabendo da verdade, torna a experiência de acompanhá-la ainda mais interessante.

Nos primeiros capítulos de A Favorita, Flora aparece com um rosto angelical, voz doce e insistindo numa versão bastante crível do assassinato de Marcelo. Porém, já sabendo que é ela a vilã, a audiência percebe que, na verdade, ela já estava colocando em prática o jogo que armou enquanto esteve presa. Já sabendo que Flora é movida por uma vingança insana, somada a uma obsessão à Donatela, o público tem uma nova dimensão da novela, o que a torna ainda mais interessante.

Enquanto isso, Donatela se mostra uma mulher bastante equivocada. Casada com Dodi (Murilo Benício), um bandido de marca maior, ela faz vista grossa diante dos crimes do marido. Mas, em nenhum momento, participa diretamente deles. Ou seja, quando não se sabia que ela era a mocinha, era fácil colocá-la no mesmo balaio de Dodi. Sabendo que não é bem assim, o espectador consegue perceber que a falha de Donatela foi ser cúmplice. O que é condenável, mas compreensível, afinal ela está casada com o bandido.

Além disso, Flora começa seu plano tentando se aproximar de Lara (Mariana Ximenes), sua filha que foi criada por Donatela. Quando percebe que Flora está cercando a filha, Donatela faz de tudo para impedi-la, e acaba metendo os pés pelas mãos. Na primeira exibição, era mais um indício de que ela era a vilã. Mas, agora, fica claro que ela fez tudo o que fez justamente para proteger Lara, já que Donatela é a única que sabe do que Flora realmente era capaz. Ou seja, ela arma contra Flora, mas faz isso movida pelo desespero.

Esta revisita à A Favorita, então, mostra como o texto de João Emanuel Carneiro foi engenhoso nesta primeira fase da trama. Apesar de espalhar vários indícios de que Donatela era a vilã, o autor também joga, de maneira bastante sutil, pequenos gestos “estranhos” de Flora, preparando o terreno para a grande virada. Assim, quando ela finalmente acontece, tudo é bastante crível. Esta é a beleza deste início de A Favorita.

Depois, quando a vilã é revelada, A Favorita perde um pouco desta dubiedade latente, tornando-se um folhetim mais clássico. Mas, ainda assim, se mostra engenhosa conforme vai desvendando o passado das protagonistas e explicando o fascínio que Flora nutre por Donatela, que se torna cada vez mais doentio. E isso faz com que Flora se mostre uma vilã das mais carismáticas. Divertida, debochada e muito cruel, ela é destas vilãs que ficam para sempre. Por estas e outras, A Favorita é um clássico recente, que merece ser redescoberto sempre.

André Santana

10 comentários:

  1. A Favorita é uma de minhas novelas preferidas. Confesso que não gostei da revelação da vilã antecipadamente, preferia saber quem matou Marcelo no final, mas isso não afetou a novela, ao contrário.

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    1. A audiência estava caindo porque o público não sabia pra quem torcer e havia a concorrência da Record com os mutantes a Globo teve que revelar logo

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    2. Mister Ed, é uma das minhas novelas preferidas também! Que eu me lembre, nunca foi intenção da novela levar o mistério até o final. Creio que seria meio complicado esconder quem era a vilã e quem era a mocinha até o fim numa trama tão longa quanto uma novela. Que eu me lembre, a revelação aconteceria em meados da novela, e não no fim, mas foi antecipada para reverter a queda de audiência do horário. E deu certo!

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  2. Olá, tudo bem? Na minha humilde opinião, é a melhor novela do autor João Emanuel Carneiro (e não a badalada Avenida Brasil....). Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Gosto das duas mas ambas tem núcleos paralelos que não agradaram a todos

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    2. Oi Fabio! Concordo com você! Também acho A Favorita melhor que Avenida Brasil (apesar de eu gostar muito de Avenida Brasil também), e concordo que é a melhor novela do Carneiro. Abraço!

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  3. Muito boa novela. Só não me agradam aqueles núcleos paralelos inúteis que o JEC cria para encher linguiça e amenizar o clima da trama principal. Em A Regra do Jogo, ele pecou demais nisso. Também prefiro A Favorita do que Avenida pela trama central que eu achei mais bem desenvolvida.

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    1. Sim, Guilherme, o João Emanuel Carneiro nunca foi bom com tramas paralelas. Isso era um problema até em Da Cor do Pecado e Cobras & Lagartos. A Favorita, Avenida Brasil e A Regra do Jogo sofreram demais com isso. A única novela dele mais harmônica, com tramas paralelas mais amarradas, foi Segundo Sol. Mas que não era uma grande novela, acho a mais fraca de todas. Fazer o que? No caso de A Favorita, eu acho a trama central tão genial, que perdoo as paralelas, rs!

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  4. Indiscutivelmente superior a "Avenida Brasil". Poderia ter menos núcleos paralelos. Vale muito a pena!
    Lucas - www.cascudeando.com

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