sábado, 21 de março de 2020

"Amor de Mãe" encerra primeira fase em seu melhor momento

Como essa trama findará?

Neste sábado, 21, a Globo exibe o último capítulo do que o canal chama de “primeira fase” de Amor de Mãe. Com as gravações interrompidas por conta da pandemia de coronavírus, a emissora optou por dividir a trama de Manuela Dias. Decisão sensata, mas que deve gerar mais expectativa junto ao público. Afinal, Amor de Mãe sairá do ar em seu melhor momento. E o gancho reservado para o fim da fase é realmente forte e bastante impactante.

Amor de Mãe foi uma novela que demorou a engrenar. Apesar de pisar fundo no dramalhão, Manuela Dias imprimiu à sua narrativa elementos pouco usuais no folhetim (embora a trama em si seja bastante folhetinesca). A impressão de “inovação” foi reforçada com a direção mais naturalista de José Luiz Villamarim, com menos closes e mais contemplação. Talvez isso tenha feito parte do público estranhar. Mas o que realmente colaborou para que Amor de Mãe demorasse a engrenar foi sua trama intrincada. A autora criou um mosaico muito bem armado, extremamente interligado e lotado de mistérios. Com isso, demorou um pouco para o público compreendê-la e desejar segui-la.

Porém, Amor de Mãe chegou ao capítulo 100 com seus principais mistérios revelados. A saga principal, de Lurdes (Regina Casé) em busca de seu filho perdido, Domênico, atingiu seu clímax nesta semana, quando Thelma (Adriana Esteves) reconheceu seu filho Danilo (Chay Suede) nas fotos de infância do herdeiro da amiga. A partir daí, as desconfianças de que o jovem era mesmo o filho de Lurdes foram confirmadas, e levaram a história para outro lugar. Isso porque o fato muda, definitivamente, a relação entre Lurdes e Thelma, até então melhores amigas.

E Thelma, que sempre demonstrou um evidente desequilíbrio, deve ficar ainda mais insana com a novidade. Ela já vem fazendo pequenas armações para separar Danilo de Camila (Jéssica Ellen), e afastá-lo de Lurdes e sua família. E, neste encerramento da primeira fase, a dona do restaurante chegará ao cúmulo de matar para proteger o seu segredo. Em entrevistas, a autora Manuela Dias revelou que o público testemunhará o nascimento de uma vilã. Pois Thelma, cada vez mais, perderá qualquer noção ética para proteger seu segredo e o filho que tanto ama. Quer gancho mais poderoso?

Interessante notar que a reviravolta de Thelma faz sentido dentro do universo proposto por Amor de Mãe. Isso porque, como dito acima, ela sempre foi desequilibrada. Thelma foi capaz dos maiores absurdos para fazer valer a sua vontade, sempre travestida de amor ao filho. Deste modo, quando as suas mentiras (que foram muitas) vão sendo reveladas, há um desespero criado, que faz com que ela perca as estribeiras. Muitos dizem que Manuela Dias abriu mão de sua proposta de fazer uma novela sem vilão. Pode até ser. Mas, ao menos, a vilã criada faz todo o sentido dentro da história.

Outro ponto positivo de Amor de Mãe são seus poucos personagens, e todos muito bem amarrados. Tudo bem que a obra abusa das coincidências, mas é inegável que elas potencializam todos os tipos e as tramas que estão envolvidas. De quebra, a trama promove uma constante “ciranda amorosa”, com pares sendo feitos e desfeitos a todo o momento. Por exemplo: um dos romances mais intensos de Amor de Mãe aconteceu entre Magno (Juliano Cazarré) e Betina (Isis Valverde). Os dois se conheceram quando a enfermeira cuidava de sua filha doente e sua mulher em coma. Ou seja, um drama e tanto. Mas, passado este plot, o casal acabou se desfazendo em razão da ascensão de Betina, que se tornou uma rica herdeira. Assim, ela agora vive um romance com Sandro (Humberto Carrão). Enquanto isso, Magno deve se envolver com Lídia (Malu Galli).

Já Lídia foi casada com Raul (Murilo Benício), que atualmente está com Vitória (Taís Araújo). Antes, porém, ele namorou Érica (Nanda Costa), que também namorou Sandro, seu filho, e que agora está com Betina. Vitória, por sua vez, teve um caso com Davi (Vladimir Brichta), que namorou Amanda (Camila Márdila). Mas, antes, Amanda também namorou Vinícius (Antonio Benício), filho de Raul. E esta ciranda amorosa não para aí. Se puxar a linha, a fila fica cada vez maior e mais intrincada. E isso é interessante, porque Amor de Mãe dribla casais óbvios. Há poucos casais (quase nenhum) dos quais o público pode ter certeza que ficarão sempre juntos. Não há um par romântico definitivo, como normalmente acontece nas novelas.

Ou seja, Amor de Mãe teve uma “primeira fase” bastante recheada, que será concluída com um gancho infalível. Fica agora a torcida para que, em breve, esta pandemia de coronavírus esteja devidamente controlada, para que a trama possa retornar ao ar. A estreia de Manuel Dias no horário nobre da Globo, até aqui, está mais que aprovada.

André Santana

9 comentários:

  1. Concordo contigo que a trama demorou pra cair no gosto da audiencia por ela ser 'dificil' mas tambem mais do que isso foi o periodo que estreou. Foi final de novembro. Se ao menos tivesse sido inicio de novembro iria ter mais audiencia, porque desde que estreou nao teve rejeicao, o publico fidelizou entre 29 e 30 % de audiencia. Ponto pro Silvio de Abreu, que sempre foi criticado em dar prioridade em exibir historias faceis sem ousadia. Dessa vez ele apostou numa autora que nunca escreveu novelas e mais, com um estilo ate entao, ousado.

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    1. Daniel, pode ser. Mas eu acho que o fato de a trama ter demorado a se mostrar por inteiro também atrapalhou. "Atrapalhou" no sentido de ter demorado a empolgar parte do público. Mas, particulamente, eu acho isso legal. Deve ser a primeira novela das nove que assistimos que não sabemos direito que caminhos ela vai tomar, e somos sempre surpreendentes. A mim, como espectador, a surpresa é sempre boa.

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  2. Olá, tudo bem? Em pleno momento da pandemia, o blogger age contra nós blogueiros. Só consigo comentar com o e-mail do gmail. Isso também ocorre no meu blog. Enfim.. Gostei da escolha de Fina Estampa. É uma novela popular com personagens marcantes. Já Amor de Mãe engrenou no IBOPE mais por conta do coronavírus.... Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Fabio, eh injustica voce dizer isso, porque desde final de janeiro a novela vem subindo de audiencia.

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    2. Amor de mãe era lenta e naturalista demais pra uma novela ..lembra mais a narrativa de série por isso afasta a audiência acostumada com abusirsos diarios como as mortes loucas e dialofoa faceia do walcyr carrasco ...como intensificou os conflitos ficou mais interessante

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    3. Oi Fabio, tudo bem? Devo concordar com o Daniel: a novela engrenou antes da pandemia. Estava num bom momento. Eu, particularmente, acho Fina Estampa uma novela beeeem rasteira e sem vergonha, rs! Mas reconheço seu sucesso, e acho que, neste momento, é uma reprise oportuna, já que é uma trama mais despretensiosa. Abraço!

      Miguel, concordo com você. Eu gostava desta proposta "diferentona", mas entendo que isso causa estranheza em grande parte do público.

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  3. A novela realmente terminou com um bom gancho mas continuo não achando "Amor De Mãe" essa Coca-Cola toda. A ideia de costurar as tramas feita com louvor em "Justiça" não se repete na trama das 21h. Mais parece que a autora atirou pra todos os lados afim de estancar a queda de audiência. Muito se falou do Walcyr Carrasco que faz uma salada nas suas novelas mas a Manoela repete o msm mas com uma embalagem sofisticada.

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    1. Walcyr carrasco e um ótimo autor de novelas porém como fã novelas demais sei estilo ficou óbvio e batido

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    2. Filippe, é por isso que eu reforcei no texto que Amor de Mãe, apesar das concessões, é um folhetim. Neste ponto, a comparação com o Carrasco é válida, já que ele também é adepto do dramalhão desenfreado. Mas não dá pra não ressaltar as diferenças gritantes na execução: os diálogos bem escritos, os conflitos mais substanciosos, os personagens seguindo certa coerência... Neste sentido, Amor de Mãe é MUITO superior à qualquer novela do Carrasco.

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